E os jovens?

|

Jornalista e escritora

|

30 de out. de 2026, 15:27

#Protagonistas
Opinião

Tenho vários curriculum vitae no meu computador. Acabei por fazer uma pasta para os guardar e, todos os dias, penso a quem posso mandar, quem poderia estar interessado neste ou noutro CV. Na sua maioria são de jovens à procura do primeiro emprego. Têm todos licenciatura feita, mestrado concluído com boa nota, estão conscientes da importância da formação e vivem no desespero de não conseguir uma colocação. Dizem: “a grande parte das propostas de trabalho que surgem em anúncios pedem experiência prévia”. Dizem: “o mercado não tem espaço para mim”. Dizem: “por este andar, nunca irei abandonar a casa dos meus pais”. Dizem: “talvez seja melhor continuar a estudar e fazer doutoramento, mas para isso precisaria de uma bolsa de estudos e ninguém ma garante”. 

O estado a que chegámos é este: jovens desesperançados à procura de emprego e jovens desiludidos por ganharem o ordenado mínimo. 

Qual é a solução? Que políticas públicas existem para mitigar estes problemas? Acabamos sempre aqui, neste lugar vazio, neste deserto sem oásis à vista, cheio de perguntas e poucas respostas. 

Liderar um país tem, certamente, um nível de complexidade que posso apenas imaginar, no entanto implica, de forma obrigatória, humanismo e empatia.

As pessoas não são números, as estatísticas, sabemos bem, podem maquilhar realidades. As redes sociais servem de altifalante para o desencanto. As manifestações sucedem-se. Não vale a pena tapar o sol com a peneira, vale a pena reconhecer a realidade de muitos e procurar, em conjunto, caminhos alternativos, soluções. 

O poder político tem a vantagem de ser sedutor, de ser tão encantador que não queremos abdicar dele. Não podemos confundir poder político com serviço público porque, infelizmente, está comprovado que nem sempre são sinónimos. Não podemos, também, assumir que a liderança se faz com os olhos postos no bem colectivo; a realidade mostra-nos que, muitas vezes, as lideranças têm filhos e enteados. 

Vivemos tempos difíceis no mundo, não é apenas em Portugal, embora nós gostemos mais de olhar para nós do que para os outros. A maior tristeza está nos ombros dos mais novos que estão com pés e mãos atadas, mesmo que tenham feito o esforço de seguir um caminho de estudo. A frustração acumula-se. Fim à vista? Não o vejo. Os líderes que se consideram líderes tão pouco, vão dizendo umas coisas, vão acusando líderes anteriores e o tempo urge. 

Para que uma nova geração possa ter futuro condigno estamos já atrasados. 


Patrícia Reis assina, mensalmente, a crónica Instruções para o teu chefe no MOTIVO. Leia também:

E os jovens?

Jornalista e escritora

30 de out. de 2026, 15:27

#Protagonistas

Opinião

Tenho vários curriculum vitae no meu computador. Acabei por fazer uma pasta para os guardar e, todos os dias, penso a quem posso mandar, quem poderia estar interessado neste ou noutro CV. Na sua maioria são de jovens à procura do primeiro emprego. Têm todos licenciatura feita, mestrado concluído com boa nota, estão conscientes da importância da formação e vivem no desespero de não conseguir uma colocação. Dizem: “a grande parte das propostas de trabalho que surgem em anúncios pedem experiência prévia”. Dizem: “o mercado não tem espaço para mim”. Dizem: “por este andar, nunca irei abandonar a casa dos meus pais”. Dizem: “talvez seja melhor continuar a estudar e fazer doutoramento, mas para isso precisaria de uma bolsa de estudos e ninguém ma garante”. 

O estado a que chegámos é este: jovens desesperançados à procura de emprego e jovens desiludidos por ganharem o ordenado mínimo. 

Qual é a solução? Que políticas públicas existem para mitigar estes problemas? Acabamos sempre aqui, neste lugar vazio, neste deserto sem oásis à vista, cheio de perguntas e poucas respostas. 

Liderar um país tem, certamente, um nível de complexidade que posso apenas imaginar, no entanto implica, de forma obrigatória, humanismo e empatia.

As pessoas não são números, as estatísticas, sabemos bem, podem maquilhar realidades. As redes sociais servem de altifalante para o desencanto. As manifestações sucedem-se. Não vale a pena tapar o sol com a peneira, vale a pena reconhecer a realidade de muitos e procurar, em conjunto, caminhos alternativos, soluções. 

O poder político tem a vantagem de ser sedutor, de ser tão encantador que não queremos abdicar dele. Não podemos confundir poder político com serviço público porque, infelizmente, está comprovado que nem sempre são sinónimos. Não podemos, também, assumir que a liderança se faz com os olhos postos no bem colectivo; a realidade mostra-nos que, muitas vezes, as lideranças têm filhos e enteados. 

Vivemos tempos difíceis no mundo, não é apenas em Portugal, embora nós gostemos mais de olhar para nós do que para os outros. A maior tristeza está nos ombros dos mais novos que estão com pés e mãos atadas, mesmo que tenham feito o esforço de seguir um caminho de estudo. A frustração acumula-se. Fim à vista? Não o vejo. Os líderes que se consideram líderes tão pouco, vão dizendo umas coisas, vão acusando líderes anteriores e o tempo urge. 

Para que uma nova geração possa ter futuro condigno estamos já atrasados. 


Patrícia Reis assina, mensalmente, a crónica Instruções para o teu chefe no MOTIVO. Leia também:

E os jovens?

Jornalista e escritora

30 de out. de 2026, 15:27

#Protagonistas

Opinião

Tenho vários curriculum vitae no meu computador. Acabei por fazer uma pasta para os guardar e, todos os dias, penso a quem posso mandar, quem poderia estar interessado neste ou noutro CV. Na sua maioria são de jovens à procura do primeiro emprego. Têm todos licenciatura feita, mestrado concluído com boa nota, estão conscientes da importância da formação e vivem no desespero de não conseguir uma colocação. Dizem: “a grande parte das propostas de trabalho que surgem em anúncios pedem experiência prévia”. Dizem: “o mercado não tem espaço para mim”. Dizem: “por este andar, nunca irei abandonar a casa dos meus pais”. Dizem: “talvez seja melhor continuar a estudar e fazer doutoramento, mas para isso precisaria de uma bolsa de estudos e ninguém ma garante”. 

O estado a que chegámos é este: jovens desesperançados à procura de emprego e jovens desiludidos por ganharem o ordenado mínimo. 

Qual é a solução? Que políticas públicas existem para mitigar estes problemas? Acabamos sempre aqui, neste lugar vazio, neste deserto sem oásis à vista, cheio de perguntas e poucas respostas. 

Liderar um país tem, certamente, um nível de complexidade que posso apenas imaginar, no entanto implica, de forma obrigatória, humanismo e empatia.

As pessoas não são números, as estatísticas, sabemos bem, podem maquilhar realidades. As redes sociais servem de altifalante para o desencanto. As manifestações sucedem-se. Não vale a pena tapar o sol com a peneira, vale a pena reconhecer a realidade de muitos e procurar, em conjunto, caminhos alternativos, soluções. 

O poder político tem a vantagem de ser sedutor, de ser tão encantador que não queremos abdicar dele. Não podemos confundir poder político com serviço público porque, infelizmente, está comprovado que nem sempre são sinónimos. Não podemos, também, assumir que a liderança se faz com os olhos postos no bem colectivo; a realidade mostra-nos que, muitas vezes, as lideranças têm filhos e enteados. 

Vivemos tempos difíceis no mundo, não é apenas em Portugal, embora nós gostemos mais de olhar para nós do que para os outros. A maior tristeza está nos ombros dos mais novos que estão com pés e mãos atadas, mesmo que tenham feito o esforço de seguir um caminho de estudo. A frustração acumula-se. Fim à vista? Não o vejo. Os líderes que se consideram líderes tão pouco, vão dizendo umas coisas, vão acusando líderes anteriores e o tempo urge. 

Para que uma nova geração possa ter futuro condigno estamos já atrasados. 


Patrícia Reis assina, mensalmente, a crónica Instruções para o teu chefe no MOTIVO. Leia também:

E os jovens?

|

Jornalista e escritora

|

30 de out. de 2026, 15:27

#Protagonistas

Opinião

Tenho vários curriculum vitae no meu computador. Acabei por fazer uma pasta para os guardar e, todos os dias, penso a quem posso mandar, quem poderia estar interessado neste ou noutro CV. Na sua maioria são de jovens à procura do primeiro emprego. Têm todos licenciatura feita, mestrado concluído com boa nota, estão conscientes da importância da formação e vivem no desespero de não conseguir uma colocação. Dizem: “a grande parte das propostas de trabalho que surgem em anúncios pedem experiência prévia”. Dizem: “o mercado não tem espaço para mim”. Dizem: “por este andar, nunca irei abandonar a casa dos meus pais”. Dizem: “talvez seja melhor continuar a estudar e fazer doutoramento, mas para isso precisaria de uma bolsa de estudos e ninguém ma garante”. 

O estado a que chegámos é este: jovens desesperançados à procura de emprego e jovens desiludidos por ganharem o ordenado mínimo. 

Qual é a solução? Que políticas públicas existem para mitigar estes problemas? Acabamos sempre aqui, neste lugar vazio, neste deserto sem oásis à vista, cheio de perguntas e poucas respostas. 

Liderar um país tem, certamente, um nível de complexidade que posso apenas imaginar, no entanto implica, de forma obrigatória, humanismo e empatia.

As pessoas não são números, as estatísticas, sabemos bem, podem maquilhar realidades. As redes sociais servem de altifalante para o desencanto. As manifestações sucedem-se. Não vale a pena tapar o sol com a peneira, vale a pena reconhecer a realidade de muitos e procurar, em conjunto, caminhos alternativos, soluções. 

O poder político tem a vantagem de ser sedutor, de ser tão encantador que não queremos abdicar dele. Não podemos confundir poder político com serviço público porque, infelizmente, está comprovado que nem sempre são sinónimos. Não podemos, também, assumir que a liderança se faz com os olhos postos no bem colectivo; a realidade mostra-nos que, muitas vezes, as lideranças têm filhos e enteados. 

Vivemos tempos difíceis no mundo, não é apenas em Portugal, embora nós gostemos mais de olhar para nós do que para os outros. A maior tristeza está nos ombros dos mais novos que estão com pés e mãos atadas, mesmo que tenham feito o esforço de seguir um caminho de estudo. A frustração acumula-se. Fim à vista? Não o vejo. Os líderes que se consideram líderes tão pouco, vão dizendo umas coisas, vão acusando líderes anteriores e o tempo urge. 

Para que uma nova geração possa ter futuro condigno estamos já atrasados. 


Patrícia Reis assina, mensalmente, a crónica Instruções para o teu chefe no MOTIVO. Leia também:

Newsletter

Inscreva-se para receber a Newsletter do MOTIVO, com todas as novidades e conteúdos exclusivos. Deixe o seu e-mail.

Newsletter

Inscreva-se para receber a Newsletter do MOTIVO, com todas as novidades e conteúdos exclusivos. Deixe o seu e-mail.

Newsletter

Inscreva-se para receber a Newsletter do MOTIVO, com todas as novidades e conteúdos exclusivos. Deixe o seu e-mail.

Newsletter

Inscreva-se para receber a Newsletter do MOTIVO, com todas as novidades e conteúdos exclusivos. Deixe o seu e-mail.