Todos no top com a rádio alcatifa
#Motivação
Opinião

Todas as empresas têm uma rádio alcatifa. Não consta do organograma, não tem um diretor designado nem um horário de emissão, mas transmite durante todo o dia. O alinhamento raramente muda: um colega, um chefe, um cliente. O importante é que alguém ocupe o lugar de notícia.
A rádio alcatifa nunca é a doença. É o primeiro sintoma de que qualquer coisa deixou de funcionar. E também pode ser o resultado de tédio, de falta de objetivos claros, de empenho. Pode significar apenas um vazio corporativo, o temido “nada”. E a rádio alcatifa vai chegando ao top dos mais ouvidos com notícias, rumores e conspirações que em nada ajudam à coesão e dinâmica de equipa. Porque é que ele pode chegar atrasado e eu não? Porque é que ela foi aumentada? Porque é que aquele projeto lhe foi entregue? Porque é que o chefe sorriu quando ela entrou e comigo mal levantou os olhos?
A emissão é contínua. Ora transmite sobre o chefe, que passa de bestial a besta em dois segundos, ora escolhe um colega para ocupar o lugar de vilão da semana. Em dias mais calmos sobra sempre para um cliente. Está fora da empresa, logo pode ser o alvo perfeito. Vinga, então, essa espécie de coscuvilhice e desdém combinadas.
Que quantidade de energia gastamos nesta rádio alcatifa que é tudo menos construtiva? O que ganhamos com esta prática?
Há quem prefira dizer que é da natureza humana a língua comprida e a comparação, o desdém e a inveja são a base do mundo. Prefiro pensar que, numa estrutura empresarial, é apenas uma cultura paupérrima ou inexistente ou simplesmente um grave, gravíssimo problema de comunicação.
Se as pessoas que constituem uma equipa não conseguem comunicar convenientemente, a rádio alcatifa floresce com a rapidez da erva daninha. Se o chefe não impõe uma cultura de respeito entre as várias partes, um cliente pode, de repente, ser sinónimo de todas as maldades do mundo. A boa vontade para processar o trabalho fica então em que nível? Abaixo de zero, diria. Sim, as pessoas a serem pessoas, já sabe, nunca é fácil.
Mas, digo eu que sou uma optimista por natureza, é possível ter uma equipa coesa e com uma dinâmica positiva, capaz de comunicar, de criticar sem que esse gesto seja entendido como um ataque pessoal. O fundamental é que estejamos disponíveis para nos entendermos e isso, já se sabe, implica que estejamos dispostos a mudar de opinião, a acatar a opinião alheia como sendo uma melhor ideia. Ouvir o outro, afinal. Num mundo encaixado na maldita polarização e na ideia do que estás comigo ou estás contra mim, onde é que as empresas e as equipas podem florescer? Uma equipa começa a tornar-se verdadeiramente uma equipa no dia em que as conversas sobre alguém passam a acontecer na presença desse alguém. Até lá, a rádio alcatifa continuará a liderar as audiências.
Todos no top com a rádio alcatifa
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Todas as empresas têm uma rádio alcatifa. Não consta do organograma, não tem um diretor designado nem um horário de emissão, mas transmite durante todo o dia. O alinhamento raramente muda: um colega, um chefe, um cliente. O importante é que alguém ocupe o lugar de notícia.
A rádio alcatifa nunca é a doença. É o primeiro sintoma de que qualquer coisa deixou de funcionar. E também pode ser o resultado de tédio, de falta de objetivos claros, de empenho. Pode significar apenas um vazio corporativo, o temido “nada”. E a rádio alcatifa vai chegando ao top dos mais ouvidos com notícias, rumores e conspirações que em nada ajudam à coesão e dinâmica de equipa. Porque é que ele pode chegar atrasado e eu não? Porque é que ela foi aumentada? Porque é que aquele projeto lhe foi entregue? Porque é que o chefe sorriu quando ela entrou e comigo mal levantou os olhos?
A emissão é contínua. Ora transmite sobre o chefe, que passa de bestial a besta em dois segundos, ora escolhe um colega para ocupar o lugar de vilão da semana. Em dias mais calmos sobra sempre para um cliente. Está fora da empresa, logo pode ser o alvo perfeito. Vinga, então, essa espécie de coscuvilhice e desdém combinadas.
Que quantidade de energia gastamos nesta rádio alcatifa que é tudo menos construtiva? O que ganhamos com esta prática?
Há quem prefira dizer que é da natureza humana a língua comprida e a comparação, o desdém e a inveja são a base do mundo. Prefiro pensar que, numa estrutura empresarial, é apenas uma cultura paupérrima ou inexistente ou simplesmente um grave, gravíssimo problema de comunicação.
Se as pessoas que constituem uma equipa não conseguem comunicar convenientemente, a rádio alcatifa floresce com a rapidez da erva daninha. Se o chefe não impõe uma cultura de respeito entre as várias partes, um cliente pode, de repente, ser sinónimo de todas as maldades do mundo. A boa vontade para processar o trabalho fica então em que nível? Abaixo de zero, diria. Sim, as pessoas a serem pessoas, já sabe, nunca é fácil.
Mas, digo eu que sou uma optimista por natureza, é possível ter uma equipa coesa e com uma dinâmica positiva, capaz de comunicar, de criticar sem que esse gesto seja entendido como um ataque pessoal. O fundamental é que estejamos disponíveis para nos entendermos e isso, já se sabe, implica que estejamos dispostos a mudar de opinião, a acatar a opinião alheia como sendo uma melhor ideia. Ouvir o outro, afinal. Num mundo encaixado na maldita polarização e na ideia do que estás comigo ou estás contra mim, onde é que as empresas e as equipas podem florescer? Uma equipa começa a tornar-se verdadeiramente uma equipa no dia em que as conversas sobre alguém passam a acontecer na presença desse alguém. Até lá, a rádio alcatifa continuará a liderar as audiências.
Todos no top com a rádio alcatifa
#Motivação
Opinião

Todas as empresas têm uma rádio alcatifa. Não consta do organograma, não tem um diretor designado nem um horário de emissão, mas transmite durante todo o dia. O alinhamento raramente muda: um colega, um chefe, um cliente. O importante é que alguém ocupe o lugar de notícia.
A rádio alcatifa nunca é a doença. É o primeiro sintoma de que qualquer coisa deixou de funcionar. E também pode ser o resultado de tédio, de falta de objetivos claros, de empenho. Pode significar apenas um vazio corporativo, o temido “nada”. E a rádio alcatifa vai chegando ao top dos mais ouvidos com notícias, rumores e conspirações que em nada ajudam à coesão e dinâmica de equipa. Porque é que ele pode chegar atrasado e eu não? Porque é que ela foi aumentada? Porque é que aquele projeto lhe foi entregue? Porque é que o chefe sorriu quando ela entrou e comigo mal levantou os olhos?
A emissão é contínua. Ora transmite sobre o chefe, que passa de bestial a besta em dois segundos, ora escolhe um colega para ocupar o lugar de vilão da semana. Em dias mais calmos sobra sempre para um cliente. Está fora da empresa, logo pode ser o alvo perfeito. Vinga, então, essa espécie de coscuvilhice e desdém combinadas.
Que quantidade de energia gastamos nesta rádio alcatifa que é tudo menos construtiva? O que ganhamos com esta prática?
Há quem prefira dizer que é da natureza humana a língua comprida e a comparação, o desdém e a inveja são a base do mundo. Prefiro pensar que, numa estrutura empresarial, é apenas uma cultura paupérrima ou inexistente ou simplesmente um grave, gravíssimo problema de comunicação.
Se as pessoas que constituem uma equipa não conseguem comunicar convenientemente, a rádio alcatifa floresce com a rapidez da erva daninha. Se o chefe não impõe uma cultura de respeito entre as várias partes, um cliente pode, de repente, ser sinónimo de todas as maldades do mundo. A boa vontade para processar o trabalho fica então em que nível? Abaixo de zero, diria. Sim, as pessoas a serem pessoas, já sabe, nunca é fácil.
Mas, digo eu que sou uma optimista por natureza, é possível ter uma equipa coesa e com uma dinâmica positiva, capaz de comunicar, de criticar sem que esse gesto seja entendido como um ataque pessoal. O fundamental é que estejamos disponíveis para nos entendermos e isso, já se sabe, implica que estejamos dispostos a mudar de opinião, a acatar a opinião alheia como sendo uma melhor ideia. Ouvir o outro, afinal. Num mundo encaixado na maldita polarização e na ideia do que estás comigo ou estás contra mim, onde é que as empresas e as equipas podem florescer? Uma equipa começa a tornar-se verdadeiramente uma equipa no dia em que as conversas sobre alguém passam a acontecer na presença desse alguém. Até lá, a rádio alcatifa continuará a liderar as audiências.
Todos no top com a rádio alcatifa
#Motivação
Opinião

Todas as empresas têm uma rádio alcatifa. Não consta do organograma, não tem um diretor designado nem um horário de emissão, mas transmite durante todo o dia. O alinhamento raramente muda: um colega, um chefe, um cliente. O importante é que alguém ocupe o lugar de notícia.
A rádio alcatifa nunca é a doença. É o primeiro sintoma de que qualquer coisa deixou de funcionar. E também pode ser o resultado de tédio, de falta de objetivos claros, de empenho. Pode significar apenas um vazio corporativo, o temido “nada”. E a rádio alcatifa vai chegando ao top dos mais ouvidos com notícias, rumores e conspirações que em nada ajudam à coesão e dinâmica de equipa. Porque é que ele pode chegar atrasado e eu não? Porque é que ela foi aumentada? Porque é que aquele projeto lhe foi entregue? Porque é que o chefe sorriu quando ela entrou e comigo mal levantou os olhos?
A emissão é contínua. Ora transmite sobre o chefe, que passa de bestial a besta em dois segundos, ora escolhe um colega para ocupar o lugar de vilão da semana. Em dias mais calmos sobra sempre para um cliente. Está fora da empresa, logo pode ser o alvo perfeito. Vinga, então, essa espécie de coscuvilhice e desdém combinadas.
Que quantidade de energia gastamos nesta rádio alcatifa que é tudo menos construtiva? O que ganhamos com esta prática?
Há quem prefira dizer que é da natureza humana a língua comprida e a comparação, o desdém e a inveja são a base do mundo. Prefiro pensar que, numa estrutura empresarial, é apenas uma cultura paupérrima ou inexistente ou simplesmente um grave, gravíssimo problema de comunicação.
Se as pessoas que constituem uma equipa não conseguem comunicar convenientemente, a rádio alcatifa floresce com a rapidez da erva daninha. Se o chefe não impõe uma cultura de respeito entre as várias partes, um cliente pode, de repente, ser sinónimo de todas as maldades do mundo. A boa vontade para processar o trabalho fica então em que nível? Abaixo de zero, diria. Sim, as pessoas a serem pessoas, já sabe, nunca é fácil.
Mas, digo eu que sou uma optimista por natureza, é possível ter uma equipa coesa e com uma dinâmica positiva, capaz de comunicar, de criticar sem que esse gesto seja entendido como um ataque pessoal. O fundamental é que estejamos disponíveis para nos entendermos e isso, já se sabe, implica que estejamos dispostos a mudar de opinião, a acatar a opinião alheia como sendo uma melhor ideia. Ouvir o outro, afinal. Num mundo encaixado na maldita polarização e na ideia do que estás comigo ou estás contra mim, onde é que as empresas e as equipas podem florescer? Uma equipa começa a tornar-se verdadeiramente uma equipa no dia em que as conversas sobre alguém passam a acontecer na presença desse alguém. Até lá, a rádio alcatifa continuará a liderar as audiências.




