
#Protagonistas
FÁBIO CASTRO: “O Instagram é uma distribuição, não é o negócio”
O projeto digital Timeless Dad começou pela vontade de Fábio Castro em ser o pai que não teve. Hoje, reúne uma comunidade com mais de 150 mil pessoas e procura ocupar um território mais amplo, entre paternidade, liderança, desenvolvimento pessoal, criação de conteúdos e lifestyle. O autor do livro Liderar é um Ato de Amor, explica ao MOTIVO como pensa o crescimento da marca, os limites da exposição familiar, as parcerias comerciais e o negócio que quer construir para lá das redes sociais.
Em que momento percebeu que o projeto que tinha criado tinha deixado de ser apenas um perfil sobre paternidade e começado a construir uma marca?
FÁBIO CASTRO — O Timeless Dad nasceu de uma experiência muito pessoal. Queria ser o pai que não tive e, nesse processo, comecei a perceber que ser um bom pai não começa nos filhos. Começa na pessoa que somos. A forma como tratamos o nosso corpo, como lidamos com as nossas emoções, como trabalhamos, como amamos, como comunicamos: tudo isso acaba, inevitavelmente, por chegar aos nossos filhos. Foi aí que percebi que a paternidade era apenas a porta de entrada para uma conversa muito maior sobre a forma como construímos a nossa vida. Hoje, vejo o Timeless Dad quase como uma filosofia de vida: ser melhor pessoa, cuidar melhor das pessoas que amamos e criar algo que tenha significado. A paternidade continua e vai continuar, sempre, no centro, mas não é o único assunto de um homem, marido e pai.

A estabilidade, segurança e conforto da família é o principal foco de Fábio Castro
Hoje, apresenta-se como pai, empreendedor, formador e autor. Tanto fala de parentalidade como de liderança e lifestyle. Como tem pensado a evolução do posicionamento do Timeless Dad?
F.C. — A evolução tem sido bastante natural. Não acordei um dia e pensei: “Agora vou falar de criação de conteúdos, liderança, empreendedorismo, jiu-jitsu e lifestyle”. Esses temas já estavam dentro da minha vida. O que mudou foi perceber que existia uma ligação entre eles. Para mim, liderança pessoal, familiar e profissional não são três vidas diferentes. É a mesma pessoa a viver em contextos diferentes. Posso ser um excelente profissional e um péssimo pai. Posso ser um pai presente e estar completamente ausente de mim próprio. Posso construir uma empresa de sucesso e destruir a minha relação ou a minha saúde pelo caminho. Isso não me interessa. O posicionamento que estou a construir hoje é, precisamente, sobre essa coerência: ser, cuidar, criar. Ser a pessoa que quero ser; cuidar das pessoas que escolhi ter na minha vida; e criar uma obra, uma carreira, uma empresa ou, simplesmente, uma vida de que me possa orgulhar.
Construir uma comunidade de mais de 100 mil pessoas em torno da paternidade implica perceber muito bem o que gera identificação. O que aprendeu sobre criação de conteúdos ao longo deste crescimento?
F.C. — Aprendi que a criação de conteúdos acaba por ser uma excelente escola de desenvolvimento pessoal, onde estamos em constante aprendizagem, mudança e a trabalhar algumas crenças que carregamos do passado. A comunicação, lidar com o desconforto, a criatividade e, acima de tudo, o comportamento humano são competências que acabam por ser trabalhadas de forma consciente ou inconsciente. É um trabalho em que, nos primeiros anos, desenvolvemos várias profissões ao mesmo tempo e que exige muita dedicação, mas pode trazer bons frutos quando é feito com consistência e autenticidade.
Os seus filhos e a sua vida familiar estão na origem do projeto. Que limites estabeleceu entre aquilo que pertence ao conteúdo e aquilo que deve continuar privado?
F.C. — Na verdade, a origem do projeto está na minha vontade de quebrar o ciclo e ser o pai que nunca tive. Mas percebo a questão e existem limites bem claros desde o início. Eu documento toda a nossa vida e crio pequenos documentários em vídeo para a nossa família, uma verdadeira biblioteca multimédia com momentos importantes e tudo aquilo que possa importar. A minha veia de fotógrafo nunca deixou de estar presente. Dentro das milhares de horas gravadas, por vezes são partilhados apenas dez segundos ou um minuto de um momento específico que acredito que possa fazer sentido mostrar. Atualmente, faço por não expor praticamente nada da vida pessoal além do desporto — treinamos e competimos em jiu-jitsu — e de alguns momentos entre pai e filhos. É importante saber filtrar e ter consciência do que devemos ou não partilhar.
Quando uma comunidade cresce, chegam, também, oportunidades comerciais. O que determina, hoje, uma parceria que faz sentido para o Timeless Dad?
F.C. — A marca e a proposta têm de estar alinhadas comigo e fazer sentido no meu universo de conteúdos. E, obviamente, têm de valer a pena em termos monetários, porque este é um dos nossos sustentos e um trabalho que precisa de ser levado a sério. Tenho tido a sorte de trabalhar com marcas bastante interessantes e conhecidas, dentro e fora do país. O objetivo é voltar a criar, fazer aquilo que ninguém fez e tentar ser o mais humano possível numa época dominada pela inteligência artificial.

Fábio Castro é autor do livro Liderar é um Ato de Amor, publicado em janeiro de 2025
No livro Liderar é um Ato de Amor, aproxima a parentalidade da liderança. O que é que ser pai lhe ensinou sobre liderar pessoas que o mundo empresarial ainda tende a ignorar?
F.C. — Ensinou-me uma coisa que parece simples, mas que é brutalmente difícil: as pessoas não fazem aquilo que lhes dizes. Fazem aquilo que veem. Um filho percebe imediatamente a diferença entre aquilo que o pai diz e aquilo que o pai faz. E os adultos também. Podemos falar de cultura, valores, liderança, propósito e tudo o mais. No final, as pessoas observam o comportamento do líder. Ser pai também me ensinou que autoridade e controlo são coisas completamente diferentes. Eu não quero que os meus filhos façam alguma coisa porque têm medo de mim. Quero que confiem em mim o suficiente para me ouvirem, mesmo quando não concordam comigo. Liderar com amor é conseguir que alguém cresça e evolua na tua presença, e não que alguém te obedeça apenas porque tens uma posição que te permite dar ordens.
Já afirmou querer tornar-se “na maior referência de parentalidade e liderança do mundo”. O que existe de estratégia por trás dessa ambição e que caminho imagina para a concretizar?
F.C. — Existe uma ambição enorme, obviamente. Mas, nesse vídeo de regresso às redes sociais, a mensagem acaba por ser também uma sátira a todos os gurus e especialistas que promovem desinformação sobre o tema e deixam pais e famílias ainda mais frustrados. À parte disso, existe uma estratégia muito concreta. Mais do que muitos seguidores ou muito alcance em várias redes sociais, o objetivo é construir um ecossistema: conteúdo gratuito e com valor para servir e chegar a milhões de pessoas; livros para aprofundar ideias; formação para transformar conhecimento em competência; comunidade para criar relações; produtos e experiências que ajudem as pessoas a aplicar aquilo que aprendem. Mas há uma coisa importante que quero reforçar: não quero ser conhecido ou famoso de forma fútil fora da minha casa. Quero que, daqui a 20 ou 30 anos, alguém diga que o Timeless Dad ajudou uma geração de pais a olhar para a paternidade de outra forma. Se conseguir isso, os números tornam-se uma consequência. O ponto de partida e o objetivo principal continuam a ser muito simples: um homem a tentar ser melhor pai do que o pai que teve, e a querer conquistar o verdadeiro sucesso dentro de casa, com a sua família.

O Instagram pode construir uma audiência muito depressa, mas também deixa os criadores dependentes de uma plataforma e de um algoritmo. Que negócio quer construir em torno do Timeless Dad para que o projeto possa existir para lá das redes sociais?
F.C. — Essa é provavelmente uma das questões mais importantes neste momento. O objetivo é precisamente que o Timeless Dad não seja um negócio dependente do Instagram. O Instagram é uma distribuição. Não é o negócio. Quero construir uma marca que consiga existir mesmo que amanhã o Instagram desapareça. Isso passa por comunidade, educação, formação, livros, eventos, produtos e, sobretudo, por uma relação direta e mais humana com as pessoas que fazem parte da comunidade. É também por isso que tenho explorado evoluções além do próprio Timeless Dad, através das áreas de criação de conteúdos e desenvolvimento pessoal. Porque há uma coisa que aprendi nestes anos: uma audiência é ótima, mas uma comunidade é muito mais poderosa. Como sempre, reforço que o objetivo final não é ter milhões de seguidores. É conseguir impactar pessoas, pais e famílias que digam: “Esta marca mudou a forma como vivo. Ajudou-me a quebrar o ciclo. Fez-me querer ser mais presente”. Aí, já não estamos a falar apenas de redes sociais, mas daquele que foi o meu sonho desde o início: criar um legado positivo e intemporal.

#Protagonistas
FÁBIO CASTRO: “O Instagram é uma distribuição, não é o negócio”
O projeto digital Timeless Dad começou pela vontade de Fábio Castro em ser o pai que não teve. Hoje, reúne uma comunidade com mais de 150 mil pessoas e procura ocupar um território mais amplo, entre paternidade, liderança, desenvolvimento pessoal, criação de conteúdos e lifestyle. O autor do livro Liderar é um Ato de Amor, explica ao MOTIVO como pensa o crescimento da marca, os limites da exposição familiar, as parcerias comerciais e o negócio que quer construir para lá das redes sociais.
Em que momento percebeu que o projeto que tinha criado tinha deixado de ser apenas um perfil sobre paternidade e começado a construir uma marca?
FÁBIO CASTRO — O Timeless Dad nasceu de uma experiência muito pessoal. Queria ser o pai que não tive e, nesse processo, comecei a perceber que ser um bom pai não começa nos filhos. Começa na pessoa que somos. A forma como tratamos o nosso corpo, como lidamos com as nossas emoções, como trabalhamos, como amamos, como comunicamos: tudo isso acaba, inevitavelmente, por chegar aos nossos filhos. Foi aí que percebi que a paternidade era apenas a porta de entrada para uma conversa muito maior sobre a forma como construímos a nossa vida. Hoje, vejo o Timeless Dad quase como uma filosofia de vida: ser melhor pessoa, cuidar melhor das pessoas que amamos e criar algo que tenha significado. A paternidade continua e vai continuar, sempre, no centro, mas não é o único assunto de um homem, marido e pai.

A estabilidade, segurança e conforto da família é o principal foco de Fábio Castro
Hoje, apresenta-se como pai, empreendedor, formador e autor. Tanto fala de parentalidade como de liderança e lifestyle. Como tem pensado a evolução do posicionamento do Timeless Dad?
F.C. — A evolução tem sido bastante natural. Não acordei um dia e pensei: “Agora vou falar de criação de conteúdos, liderança, empreendedorismo, jiu-jitsu e lifestyle”. Esses temas já estavam dentro da minha vida. O que mudou foi perceber que existia uma ligação entre eles. Para mim, liderança pessoal, familiar e profissional não são três vidas diferentes. É a mesma pessoa a viver em contextos diferentes. Posso ser um excelente profissional e um péssimo pai. Posso ser um pai presente e estar completamente ausente de mim próprio. Posso construir uma empresa de sucesso e destruir a minha relação ou a minha saúde pelo caminho. Isso não me interessa. O posicionamento que estou a construir hoje é, precisamente, sobre essa coerência: ser, cuidar, criar. Ser a pessoa que quero ser; cuidar das pessoas que escolhi ter na minha vida; e criar uma obra, uma carreira, uma empresa ou, simplesmente, uma vida de que me possa orgulhar.
Construir uma comunidade de mais de 100 mil pessoas em torno da paternidade implica perceber muito bem o que gera identificação. O que aprendeu sobre criação de conteúdos ao longo deste crescimento?
F.C. — Aprendi que a criação de conteúdos acaba por ser uma excelente escola de desenvolvimento pessoal, onde estamos em constante aprendizagem, mudança e a trabalhar algumas crenças que carregamos do passado. A comunicação, lidar com o desconforto, a criatividade e, acima de tudo, o comportamento humano são competências que acabam por ser trabalhadas de forma consciente ou inconsciente. É um trabalho em que, nos primeiros anos, desenvolvemos várias profissões ao mesmo tempo e que exige muita dedicação, mas pode trazer bons frutos quando é feito com consistência e autenticidade.
Os seus filhos e a sua vida familiar estão na origem do projeto. Que limites estabeleceu entre aquilo que pertence ao conteúdo e aquilo que deve continuar privado?
F.C. — Na verdade, a origem do projeto está na minha vontade de quebrar o ciclo e ser o pai que nunca tive. Mas percebo a questão e existem limites bem claros desde o início. Eu documento toda a nossa vida e crio pequenos documentários em vídeo para a nossa família, uma verdadeira biblioteca multimédia com momentos importantes e tudo aquilo que possa importar. A minha veia de fotógrafo nunca deixou de estar presente. Dentro das milhares de horas gravadas, por vezes são partilhados apenas dez segundos ou um minuto de um momento específico que acredito que possa fazer sentido mostrar. Atualmente, faço por não expor praticamente nada da vida pessoal além do desporto — treinamos e competimos em jiu-jitsu — e de alguns momentos entre pai e filhos. É importante saber filtrar e ter consciência do que devemos ou não partilhar.
Quando uma comunidade cresce, chegam, também, oportunidades comerciais. O que determina, hoje, uma parceria que faz sentido para o Timeless Dad?
F.C. — A marca e a proposta têm de estar alinhadas comigo e fazer sentido no meu universo de conteúdos. E, obviamente, têm de valer a pena em termos monetários, porque este é um dos nossos sustentos e um trabalho que precisa de ser levado a sério. Tenho tido a sorte de trabalhar com marcas bastante interessantes e conhecidas, dentro e fora do país. O objetivo é voltar a criar, fazer aquilo que ninguém fez e tentar ser o mais humano possível numa época dominada pela inteligência artificial.

Fábio Castro é autor do livro Liderar é um Ato de Amor, publicado em janeiro de 2025
No livro Liderar é um Ato de Amor, aproxima a parentalidade da liderança. O que é que ser pai lhe ensinou sobre liderar pessoas que o mundo empresarial ainda tende a ignorar?
F.C. — Ensinou-me uma coisa que parece simples, mas que é brutalmente difícil: as pessoas não fazem aquilo que lhes dizes. Fazem aquilo que veem. Um filho percebe imediatamente a diferença entre aquilo que o pai diz e aquilo que o pai faz. E os adultos também. Podemos falar de cultura, valores, liderança, propósito e tudo o mais. No final, as pessoas observam o comportamento do líder. Ser pai também me ensinou que autoridade e controlo são coisas completamente diferentes. Eu não quero que os meus filhos façam alguma coisa porque têm medo de mim. Quero que confiem em mim o suficiente para me ouvirem, mesmo quando não concordam comigo. Liderar com amor é conseguir que alguém cresça e evolua na tua presença, e não que alguém te obedeça apenas porque tens uma posição que te permite dar ordens.
Já afirmou querer tornar-se “na maior referência de parentalidade e liderança do mundo”. O que existe de estratégia por trás dessa ambição e que caminho imagina para a concretizar?
F.C. — Existe uma ambição enorme, obviamente. Mas, nesse vídeo de regresso às redes sociais, a mensagem acaba por ser também uma sátira a todos os gurus e especialistas que promovem desinformação sobre o tema e deixam pais e famílias ainda mais frustrados. À parte disso, existe uma estratégia muito concreta. Mais do que muitos seguidores ou muito alcance em várias redes sociais, o objetivo é construir um ecossistema: conteúdo gratuito e com valor para servir e chegar a milhões de pessoas; livros para aprofundar ideias; formação para transformar conhecimento em competência; comunidade para criar relações; produtos e experiências que ajudem as pessoas a aplicar aquilo que aprendem. Mas há uma coisa importante que quero reforçar: não quero ser conhecido ou famoso de forma fútil fora da minha casa. Quero que, daqui a 20 ou 30 anos, alguém diga que o Timeless Dad ajudou uma geração de pais a olhar para a paternidade de outra forma. Se conseguir isso, os números tornam-se uma consequência. O ponto de partida e o objetivo principal continuam a ser muito simples: um homem a tentar ser melhor pai do que o pai que teve, e a querer conquistar o verdadeiro sucesso dentro de casa, com a sua família.

O Instagram pode construir uma audiência muito depressa, mas também deixa os criadores dependentes de uma plataforma e de um algoritmo. Que negócio quer construir em torno do Timeless Dad para que o projeto possa existir para lá das redes sociais?
F.C. — Essa é provavelmente uma das questões mais importantes neste momento. O objetivo é precisamente que o Timeless Dad não seja um negócio dependente do Instagram. O Instagram é uma distribuição. Não é o negócio. Quero construir uma marca que consiga existir mesmo que amanhã o Instagram desapareça. Isso passa por comunidade, educação, formação, livros, eventos, produtos e, sobretudo, por uma relação direta e mais humana com as pessoas que fazem parte da comunidade. É também por isso que tenho explorado evoluções além do próprio Timeless Dad, através das áreas de criação de conteúdos e desenvolvimento pessoal. Porque há uma coisa que aprendi nestes anos: uma audiência é ótima, mas uma comunidade é muito mais poderosa. Como sempre, reforço que o objetivo final não é ter milhões de seguidores. É conseguir impactar pessoas, pais e famílias que digam: “Esta marca mudou a forma como vivo. Ajudou-me a quebrar o ciclo. Fez-me querer ser mais presente”. Aí, já não estamos a falar apenas de redes sociais, mas daquele que foi o meu sonho desde o início: criar um legado positivo e intemporal.

#Protagonistas
FÁBIO CASTRO: “O Instagram é uma distribuição, não é o negócio”
O projeto digital Timeless Dad começou pela vontade de Fábio Castro em ser o pai que não teve. Hoje, reúne uma comunidade com mais de 150 mil pessoas e procura ocupar um território mais amplo, entre paternidade, liderança, desenvolvimento pessoal, criação de conteúdos e lifestyle. O autor do livro Liderar é um Ato de Amor, explica ao MOTIVO como pensa o crescimento da marca, os limites da exposição familiar, as parcerias comerciais e o negócio que quer construir para lá das redes sociais.
Em que momento percebeu que o projeto que tinha criado tinha deixado de ser apenas um perfil sobre paternidade e começado a construir uma marca?
FÁBIO CASTRO — O Timeless Dad nasceu de uma experiência muito pessoal. Queria ser o pai que não tive e, nesse processo, comecei a perceber que ser um bom pai não começa nos filhos. Começa na pessoa que somos. A forma como tratamos o nosso corpo, como lidamos com as nossas emoções, como trabalhamos, como amamos, como comunicamos: tudo isso acaba, inevitavelmente, por chegar aos nossos filhos. Foi aí que percebi que a paternidade era apenas a porta de entrada para uma conversa muito maior sobre a forma como construímos a nossa vida. Hoje, vejo o Timeless Dad quase como uma filosofia de vida: ser melhor pessoa, cuidar melhor das pessoas que amamos e criar algo que tenha significado. A paternidade continua e vai continuar, sempre, no centro, mas não é o único assunto de um homem, marido e pai.

A estabilidade, segurança e conforto da família é o principal foco de Fábio Castro
Hoje, apresenta-se como pai, empreendedor, formador e autor. Tanto fala de parentalidade como de liderança e lifestyle. Como tem pensado a evolução do posicionamento do Timeless Dad?
F.C. — A evolução tem sido bastante natural. Não acordei um dia e pensei: “Agora vou falar de criação de conteúdos, liderança, empreendedorismo, jiu-jitsu e lifestyle”. Esses temas já estavam dentro da minha vida. O que mudou foi perceber que existia uma ligação entre eles. Para mim, liderança pessoal, familiar e profissional não são três vidas diferentes. É a mesma pessoa a viver em contextos diferentes. Posso ser um excelente profissional e um péssimo pai. Posso ser um pai presente e estar completamente ausente de mim próprio. Posso construir uma empresa de sucesso e destruir a minha relação ou a minha saúde pelo caminho. Isso não me interessa. O posicionamento que estou a construir hoje é, precisamente, sobre essa coerência: ser, cuidar, criar. Ser a pessoa que quero ser; cuidar das pessoas que escolhi ter na minha vida; e criar uma obra, uma carreira, uma empresa ou, simplesmente, uma vida de que me possa orgulhar.
Construir uma comunidade de mais de 100 mil pessoas em torno da paternidade implica perceber muito bem o que gera identificação. O que aprendeu sobre criação de conteúdos ao longo deste crescimento?
F.C. — Aprendi que a criação de conteúdos acaba por ser uma excelente escola de desenvolvimento pessoal, onde estamos em constante aprendizagem, mudança e a trabalhar algumas crenças que carregamos do passado. A comunicação, lidar com o desconforto, a criatividade e, acima de tudo, o comportamento humano são competências que acabam por ser trabalhadas de forma consciente ou inconsciente. É um trabalho em que, nos primeiros anos, desenvolvemos várias profissões ao mesmo tempo e que exige muita dedicação, mas pode trazer bons frutos quando é feito com consistência e autenticidade.
Os seus filhos e a sua vida familiar estão na origem do projeto. Que limites estabeleceu entre aquilo que pertence ao conteúdo e aquilo que deve continuar privado?
F.C. — Na verdade, a origem do projeto está na minha vontade de quebrar o ciclo e ser o pai que nunca tive. Mas percebo a questão e existem limites bem claros desde o início. Eu documento toda a nossa vida e crio pequenos documentários em vídeo para a nossa família, uma verdadeira biblioteca multimédia com momentos importantes e tudo aquilo que possa importar. A minha veia de fotógrafo nunca deixou de estar presente. Dentro das milhares de horas gravadas, por vezes são partilhados apenas dez segundos ou um minuto de um momento específico que acredito que possa fazer sentido mostrar. Atualmente, faço por não expor praticamente nada da vida pessoal além do desporto — treinamos e competimos em jiu-jitsu — e de alguns momentos entre pai e filhos. É importante saber filtrar e ter consciência do que devemos ou não partilhar.
Quando uma comunidade cresce, chegam, também, oportunidades comerciais. O que determina, hoje, uma parceria que faz sentido para o Timeless Dad?
F.C. — A marca e a proposta têm de estar alinhadas comigo e fazer sentido no meu universo de conteúdos. E, obviamente, têm de valer a pena em termos monetários, porque este é um dos nossos sustentos e um trabalho que precisa de ser levado a sério. Tenho tido a sorte de trabalhar com marcas bastante interessantes e conhecidas, dentro e fora do país. O objetivo é voltar a criar, fazer aquilo que ninguém fez e tentar ser o mais humano possível numa época dominada pela inteligência artificial.

Fábio Castro é autor do livro Liderar é um Ato de Amor, publicado em janeiro de 2025
No livro Liderar é um Ato de Amor, aproxima a parentalidade da liderança. O que é que ser pai lhe ensinou sobre liderar pessoas que o mundo empresarial ainda tende a ignorar?
F.C. — Ensinou-me uma coisa que parece simples, mas que é brutalmente difícil: as pessoas não fazem aquilo que lhes dizes. Fazem aquilo que veem. Um filho percebe imediatamente a diferença entre aquilo que o pai diz e aquilo que o pai faz. E os adultos também. Podemos falar de cultura, valores, liderança, propósito e tudo o mais. No final, as pessoas observam o comportamento do líder. Ser pai também me ensinou que autoridade e controlo são coisas completamente diferentes. Eu não quero que os meus filhos façam alguma coisa porque têm medo de mim. Quero que confiem em mim o suficiente para me ouvirem, mesmo quando não concordam comigo. Liderar com amor é conseguir que alguém cresça e evolua na tua presença, e não que alguém te obedeça apenas porque tens uma posição que te permite dar ordens.
Já afirmou querer tornar-se “na maior referência de parentalidade e liderança do mundo”. O que existe de estratégia por trás dessa ambição e que caminho imagina para a concretizar?
F.C. — Existe uma ambição enorme, obviamente. Mas, nesse vídeo de regresso às redes sociais, a mensagem acaba por ser também uma sátira a todos os gurus e especialistas que promovem desinformação sobre o tema e deixam pais e famílias ainda mais frustrados. À parte disso, existe uma estratégia muito concreta. Mais do que muitos seguidores ou muito alcance em várias redes sociais, o objetivo é construir um ecossistema: conteúdo gratuito e com valor para servir e chegar a milhões de pessoas; livros para aprofundar ideias; formação para transformar conhecimento em competência; comunidade para criar relações; produtos e experiências que ajudem as pessoas a aplicar aquilo que aprendem. Mas há uma coisa importante que quero reforçar: não quero ser conhecido ou famoso de forma fútil fora da minha casa. Quero que, daqui a 20 ou 30 anos, alguém diga que o Timeless Dad ajudou uma geração de pais a olhar para a paternidade de outra forma. Se conseguir isso, os números tornam-se uma consequência. O ponto de partida e o objetivo principal continuam a ser muito simples: um homem a tentar ser melhor pai do que o pai que teve, e a querer conquistar o verdadeiro sucesso dentro de casa, com a sua família.

O Instagram pode construir uma audiência muito depressa, mas também deixa os criadores dependentes de uma plataforma e de um algoritmo. Que negócio quer construir em torno do Timeless Dad para que o projeto possa existir para lá das redes sociais?
F.C. — Essa é provavelmente uma das questões mais importantes neste momento. O objetivo é precisamente que o Timeless Dad não seja um negócio dependente do Instagram. O Instagram é uma distribuição. Não é o negócio. Quero construir uma marca que consiga existir mesmo que amanhã o Instagram desapareça. Isso passa por comunidade, educação, formação, livros, eventos, produtos e, sobretudo, por uma relação direta e mais humana com as pessoas que fazem parte da comunidade. É também por isso que tenho explorado evoluções além do próprio Timeless Dad, através das áreas de criação de conteúdos e desenvolvimento pessoal. Porque há uma coisa que aprendi nestes anos: uma audiência é ótima, mas uma comunidade é muito mais poderosa. Como sempre, reforço que o objetivo final não é ter milhões de seguidores. É conseguir impactar pessoas, pais e famílias que digam: “Esta marca mudou a forma como vivo. Ajudou-me a quebrar o ciclo. Fez-me querer ser mais presente”. Aí, já não estamos a falar apenas de redes sociais, mas daquele que foi o meu sonho desde o início: criar um legado positivo e intemporal.

#Protagonistas
FÁBIO CASTRO: “O Instagram é uma distribuição, não é o negócio”
O projeto digital Timeless Dad começou pela vontade de Fábio Castro em ser o pai que não teve. Hoje, reúne uma comunidade com mais de 150 mil pessoas e procura ocupar um território mais amplo, entre paternidade, liderança, desenvolvimento pessoal, criação de conteúdos e lifestyle. O autor do livro Liderar é um Ato de Amor, explica ao MOTIVO como pensa o crescimento da marca, os limites da exposição familiar, as parcerias comerciais e o negócio que quer construir para lá das redes sociais.
Em que momento percebeu que o projeto que tinha criado tinha deixado de ser apenas um perfil sobre paternidade e começado a construir uma marca?
FÁBIO CASTRO — O Timeless Dad nasceu de uma experiência muito pessoal. Queria ser o pai que não tive e, nesse processo, comecei a perceber que ser um bom pai não começa nos filhos. Começa na pessoa que somos. A forma como tratamos o nosso corpo, como lidamos com as nossas emoções, como trabalhamos, como amamos, como comunicamos: tudo isso acaba, inevitavelmente, por chegar aos nossos filhos. Foi aí que percebi que a paternidade era apenas a porta de entrada para uma conversa muito maior sobre a forma como construímos a nossa vida. Hoje, vejo o Timeless Dad quase como uma filosofia de vida: ser melhor pessoa, cuidar melhor das pessoas que amamos e criar algo que tenha significado. A paternidade continua e vai continuar, sempre, no centro, mas não é o único assunto de um homem, marido e pai.

A estabilidade, segurança e conforto da família é o principal foco de Fábio Castro
Hoje, apresenta-se como pai, empreendedor, formador e autor. Tanto fala de parentalidade como de liderança e lifestyle. Como tem pensado a evolução do posicionamento do Timeless Dad?
F.C. — A evolução tem sido bastante natural. Não acordei um dia e pensei: “Agora vou falar de criação de conteúdos, liderança, empreendedorismo, jiu-jitsu e lifestyle”. Esses temas já estavam dentro da minha vida. O que mudou foi perceber que existia uma ligação entre eles. Para mim, liderança pessoal, familiar e profissional não são três vidas diferentes. É a mesma pessoa a viver em contextos diferentes. Posso ser um excelente profissional e um péssimo pai. Posso ser um pai presente e estar completamente ausente de mim próprio. Posso construir uma empresa de sucesso e destruir a minha relação ou a minha saúde pelo caminho. Isso não me interessa. O posicionamento que estou a construir hoje é, precisamente, sobre essa coerência: ser, cuidar, criar. Ser a pessoa que quero ser; cuidar das pessoas que escolhi ter na minha vida; e criar uma obra, uma carreira, uma empresa ou, simplesmente, uma vida de que me possa orgulhar.
Construir uma comunidade de mais de 100 mil pessoas em torno da paternidade implica perceber muito bem o que gera identificação. O que aprendeu sobre criação de conteúdos ao longo deste crescimento?
F.C. — Aprendi que a criação de conteúdos acaba por ser uma excelente escola de desenvolvimento pessoal, onde estamos em constante aprendizagem, mudança e a trabalhar algumas crenças que carregamos do passado. A comunicação, lidar com o desconforto, a criatividade e, acima de tudo, o comportamento humano são competências que acabam por ser trabalhadas de forma consciente ou inconsciente. É um trabalho em que, nos primeiros anos, desenvolvemos várias profissões ao mesmo tempo e que exige muita dedicação, mas pode trazer bons frutos quando é feito com consistência e autenticidade.
Os seus filhos e a sua vida familiar estão na origem do projeto. Que limites estabeleceu entre aquilo que pertence ao conteúdo e aquilo que deve continuar privado?
F.C. — Na verdade, a origem do projeto está na minha vontade de quebrar o ciclo e ser o pai que nunca tive. Mas percebo a questão e existem limites bem claros desde o início. Eu documento toda a nossa vida e crio pequenos documentários em vídeo para a nossa família, uma verdadeira biblioteca multimédia com momentos importantes e tudo aquilo que possa importar. A minha veia de fotógrafo nunca deixou de estar presente. Dentro das milhares de horas gravadas, por vezes são partilhados apenas dez segundos ou um minuto de um momento específico que acredito que possa fazer sentido mostrar. Atualmente, faço por não expor praticamente nada da vida pessoal além do desporto — treinamos e competimos em jiu-jitsu — e de alguns momentos entre pai e filhos. É importante saber filtrar e ter consciência do que devemos ou não partilhar.
Quando uma comunidade cresce, chegam, também, oportunidades comerciais. O que determina, hoje, uma parceria que faz sentido para o Timeless Dad?
F.C. — A marca e a proposta têm de estar alinhadas comigo e fazer sentido no meu universo de conteúdos. E, obviamente, têm de valer a pena em termos monetários, porque este é um dos nossos sustentos e um trabalho que precisa de ser levado a sério. Tenho tido a sorte de trabalhar com marcas bastante interessantes e conhecidas, dentro e fora do país. O objetivo é voltar a criar, fazer aquilo que ninguém fez e tentar ser o mais humano possível numa época dominada pela inteligência artificial.

Fábio Castro é autor do livro Liderar é um Ato de Amor, publicado em janeiro de 2025
No livro Liderar é um Ato de Amor, aproxima a parentalidade da liderança. O que é que ser pai lhe ensinou sobre liderar pessoas que o mundo empresarial ainda tende a ignorar?
F.C. — Ensinou-me uma coisa que parece simples, mas que é brutalmente difícil: as pessoas não fazem aquilo que lhes dizes. Fazem aquilo que veem. Um filho percebe imediatamente a diferença entre aquilo que o pai diz e aquilo que o pai faz. E os adultos também. Podemos falar de cultura, valores, liderança, propósito e tudo o mais. No final, as pessoas observam o comportamento do líder. Ser pai também me ensinou que autoridade e controlo são coisas completamente diferentes. Eu não quero que os meus filhos façam alguma coisa porque têm medo de mim. Quero que confiem em mim o suficiente para me ouvirem, mesmo quando não concordam comigo. Liderar com amor é conseguir que alguém cresça e evolua na tua presença, e não que alguém te obedeça apenas porque tens uma posição que te permite dar ordens.
Já afirmou querer tornar-se “na maior referência de parentalidade e liderança do mundo”. O que existe de estratégia por trás dessa ambição e que caminho imagina para a concretizar?
F.C. — Existe uma ambição enorme, obviamente. Mas, nesse vídeo de regresso às redes sociais, a mensagem acaba por ser também uma sátira a todos os gurus e especialistas que promovem desinformação sobre o tema e deixam pais e famílias ainda mais frustrados. À parte disso, existe uma estratégia muito concreta. Mais do que muitos seguidores ou muito alcance em várias redes sociais, o objetivo é construir um ecossistema: conteúdo gratuito e com valor para servir e chegar a milhões de pessoas; livros para aprofundar ideias; formação para transformar conhecimento em competência; comunidade para criar relações; produtos e experiências que ajudem as pessoas a aplicar aquilo que aprendem. Mas há uma coisa importante que quero reforçar: não quero ser conhecido ou famoso de forma fútil fora da minha casa. Quero que, daqui a 20 ou 30 anos, alguém diga que o Timeless Dad ajudou uma geração de pais a olhar para a paternidade de outra forma. Se conseguir isso, os números tornam-se uma consequência. O ponto de partida e o objetivo principal continuam a ser muito simples: um homem a tentar ser melhor pai do que o pai que teve, e a querer conquistar o verdadeiro sucesso dentro de casa, com a sua família.

O Instagram pode construir uma audiência muito depressa, mas também deixa os criadores dependentes de uma plataforma e de um algoritmo. Que negócio quer construir em torno do Timeless Dad para que o projeto possa existir para lá das redes sociais?
F.C. — Essa é provavelmente uma das questões mais importantes neste momento. O objetivo é precisamente que o Timeless Dad não seja um negócio dependente do Instagram. O Instagram é uma distribuição. Não é o negócio. Quero construir uma marca que consiga existir mesmo que amanhã o Instagram desapareça. Isso passa por comunidade, educação, formação, livros, eventos, produtos e, sobretudo, por uma relação direta e mais humana com as pessoas que fazem parte da comunidade. É também por isso que tenho explorado evoluções além do próprio Timeless Dad, através das áreas de criação de conteúdos e desenvolvimento pessoal. Porque há uma coisa que aprendi nestes anos: uma audiência é ótima, mas uma comunidade é muito mais poderosa. Como sempre, reforço que o objetivo final não é ter milhões de seguidores. É conseguir impactar pessoas, pais e famílias que digam: “Esta marca mudou a forma como vivo. Ajudou-me a quebrar o ciclo. Fez-me querer ser mais presente”. Aí, já não estamos a falar apenas de redes sociais, mas daquele que foi o meu sonho desde o início: criar um legado positivo e intemporal.




