O seu chefe também está a fazer o mínimo

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Autora, Keynote Speaker e Consultora

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17 de set. de 2026, 18:18

#Motivação
Opinião

Há uma frase que já ganhou estatuto de lei nas conversas sobre trabalho: «As pessoas não deixam as empresas, deixam os chefes.» Ouve-se em formações, em entrevistas de saída, em publicações com milhares de gostos, e tem a vantagem de arrumar o assunto num segundo. Se a equipa está desmotivada, a culpa é do chefe. Se a equipa se vai embora, também. Passei anos a repeti-la e continuo a achar que tem muito de verdade. Só que, entretanto, aconteceu uma coisa a que quase ninguém está a prestar atenção: o chefe ficou pior do que a equipa.

Os números são da Gallup, que mede o envolvimento no trabalho há mais de vinte anos. Em 2022, 31% dos gestores diziam-se envolvidos naquilo que faziam. Em 2025, eram 22%. Foi a maior queda de qualquer grupo profissional e teve uma consequência que passou despercebida: pela primeira vez, desde que estas contas se fazem, os gestores deixaram de estar mais motivados do que as pessoas que lideram. Estão ao mesmo nível. E, nalgumas dimensões, abaixo: os líderes dizem sorrir menos, rir menos e sentir-se mais sozinhos do que os colaboradores sem funções de chefia. A mesma organização confirma que cerca de 70% das diferenças de envolvimento entre equipas se explicam por uma única pessoa: o chefe direto. Ou seja, a peça de que tudo depende é a que está a partir-se sem ninguém dar por isso.

Não me admira. Pense no que se pediu a quem chefia nos últimos cinco anos. Que gerisse equipas à distância e, depois, as trouxesse de volta ao escritório sem perder ninguém. Que absorvesse reestruturações, congelamentos e despedimentos, e os explicasse com um sorriso. Que fosse coach, mentor, psicólogo de serviço, guardião da cultura e ainda entregasse os números. Que aprendesse inteligência artificial ao fim de semana. E que fizesse tudo isto com menos gente, porque as camadas intermédias foram as primeiras a ser cortadas, e cada gestor que sobrou ficou com o dobro da equipa. Depois, mandaram-no a uma formação sobre empatia.

E a opinião impopular é esta: o chefe que faz o mínimo não é um mau chefe, é um chefe exausto que percebeu que ninguém repara. A empresa mede o que ele entrega, não como ele está. A equipa espera dele aquilo que a frase da moda diz que ele deve dar. E ele, entre os dois, aprendeu a manter o barco a andar e a não pedir nada, porque pedir seria admitir que não aguenta, e admitir isso, na maior parte das culturas, ainda custa uma carreira.

Passámos duas décadas a formar chefes para cuidarem das equipas. Foi um investimento certo. Só nos esquecemos de responder à pergunta que vem a seguir: quem cuida do chefe? Não é a equipa, que não tem esse papel nem esse poder. Não é o chefe dele, que está na mesma situação um andar acima. E raramente é a organização, que continua a tratar a liderança como um prémio que se recebe e não como um trabalho que se aprende, se apoia e, de vez em quando, se descansa.

Se dirige uma empresa, há uma pergunta simples que vale mais do que qualquer inquérito de clima social: quando foi a última vez que perguntou a um chefe de equipa como ele estava, sem que a resposta tivesse de ser sobre resultados? Se não se lembra, já sabe por onde começar. Se se lembra, pergunte-lhe outra vez; a resposta pode ter mudado.

E se é chefe e chegou ao fim desta crónica com a sensação de estar a ler sobre si, respire. Não está sozinho. Está apenas rodeado de gente que também não o diz.


Sofia Castro Fernandes assina, semanalmente, o espaço Opinião Impopular no MOTIVO. Leia também:

O seu chefe também está a fazer o mínimo

Autora, Keynote Speaker e Consultora

17 de set. de 2026, 18:18

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Há uma frase que já ganhou estatuto de lei nas conversas sobre trabalho: «As pessoas não deixam as empresas, deixam os chefes.» Ouve-se em formações, em entrevistas de saída, em publicações com milhares de gostos, e tem a vantagem de arrumar o assunto num segundo. Se a equipa está desmotivada, a culpa é do chefe. Se a equipa se vai embora, também. Passei anos a repeti-la e continuo a achar que tem muito de verdade. Só que, entretanto, aconteceu uma coisa a que quase ninguém está a prestar atenção: o chefe ficou pior do que a equipa.

Os números são da Gallup, que mede o envolvimento no trabalho há mais de vinte anos. Em 2022, 31% dos gestores diziam-se envolvidos naquilo que faziam. Em 2025, eram 22%. Foi a maior queda de qualquer grupo profissional e teve uma consequência que passou despercebida: pela primeira vez, desde que estas contas se fazem, os gestores deixaram de estar mais motivados do que as pessoas que lideram. Estão ao mesmo nível. E, nalgumas dimensões, abaixo: os líderes dizem sorrir menos, rir menos e sentir-se mais sozinhos do que os colaboradores sem funções de chefia. A mesma organização confirma que cerca de 70% das diferenças de envolvimento entre equipas se explicam por uma única pessoa: o chefe direto. Ou seja, a peça de que tudo depende é a que está a partir-se sem ninguém dar por isso.

Não me admira. Pense no que se pediu a quem chefia nos últimos cinco anos. Que gerisse equipas à distância e, depois, as trouxesse de volta ao escritório sem perder ninguém. Que absorvesse reestruturações, congelamentos e despedimentos, e os explicasse com um sorriso. Que fosse coach, mentor, psicólogo de serviço, guardião da cultura e ainda entregasse os números. Que aprendesse inteligência artificial ao fim de semana. E que fizesse tudo isto com menos gente, porque as camadas intermédias foram as primeiras a ser cortadas, e cada gestor que sobrou ficou com o dobro da equipa. Depois, mandaram-no a uma formação sobre empatia.

E a opinião impopular é esta: o chefe que faz o mínimo não é um mau chefe, é um chefe exausto que percebeu que ninguém repara. A empresa mede o que ele entrega, não como ele está. A equipa espera dele aquilo que a frase da moda diz que ele deve dar. E ele, entre os dois, aprendeu a manter o barco a andar e a não pedir nada, porque pedir seria admitir que não aguenta, e admitir isso, na maior parte das culturas, ainda custa uma carreira.

Passámos duas décadas a formar chefes para cuidarem das equipas. Foi um investimento certo. Só nos esquecemos de responder à pergunta que vem a seguir: quem cuida do chefe? Não é a equipa, que não tem esse papel nem esse poder. Não é o chefe dele, que está na mesma situação um andar acima. E raramente é a organização, que continua a tratar a liderança como um prémio que se recebe e não como um trabalho que se aprende, se apoia e, de vez em quando, se descansa.

Se dirige uma empresa, há uma pergunta simples que vale mais do que qualquer inquérito de clima social: quando foi a última vez que perguntou a um chefe de equipa como ele estava, sem que a resposta tivesse de ser sobre resultados? Se não se lembra, já sabe por onde começar. Se se lembra, pergunte-lhe outra vez; a resposta pode ter mudado.

E se é chefe e chegou ao fim desta crónica com a sensação de estar a ler sobre si, respire. Não está sozinho. Está apenas rodeado de gente que também não o diz.


Sofia Castro Fernandes assina, semanalmente, o espaço Opinião Impopular no MOTIVO. Leia também:

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17 de set. de 2026, 18:18

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Há uma frase que já ganhou estatuto de lei nas conversas sobre trabalho: «As pessoas não deixam as empresas, deixam os chefes.» Ouve-se em formações, em entrevistas de saída, em publicações com milhares de gostos, e tem a vantagem de arrumar o assunto num segundo. Se a equipa está desmotivada, a culpa é do chefe. Se a equipa se vai embora, também. Passei anos a repeti-la e continuo a achar que tem muito de verdade. Só que, entretanto, aconteceu uma coisa a que quase ninguém está a prestar atenção: o chefe ficou pior do que a equipa.

Os números são da Gallup, que mede o envolvimento no trabalho há mais de vinte anos. Em 2022, 31% dos gestores diziam-se envolvidos naquilo que faziam. Em 2025, eram 22%. Foi a maior queda de qualquer grupo profissional e teve uma consequência que passou despercebida: pela primeira vez, desde que estas contas se fazem, os gestores deixaram de estar mais motivados do que as pessoas que lideram. Estão ao mesmo nível. E, nalgumas dimensões, abaixo: os líderes dizem sorrir menos, rir menos e sentir-se mais sozinhos do que os colaboradores sem funções de chefia. A mesma organização confirma que cerca de 70% das diferenças de envolvimento entre equipas se explicam por uma única pessoa: o chefe direto. Ou seja, a peça de que tudo depende é a que está a partir-se sem ninguém dar por isso.

Não me admira. Pense no que se pediu a quem chefia nos últimos cinco anos. Que gerisse equipas à distância e, depois, as trouxesse de volta ao escritório sem perder ninguém. Que absorvesse reestruturações, congelamentos e despedimentos, e os explicasse com um sorriso. Que fosse coach, mentor, psicólogo de serviço, guardião da cultura e ainda entregasse os números. Que aprendesse inteligência artificial ao fim de semana. E que fizesse tudo isto com menos gente, porque as camadas intermédias foram as primeiras a ser cortadas, e cada gestor que sobrou ficou com o dobro da equipa. Depois, mandaram-no a uma formação sobre empatia.

E a opinião impopular é esta: o chefe que faz o mínimo não é um mau chefe, é um chefe exausto que percebeu que ninguém repara. A empresa mede o que ele entrega, não como ele está. A equipa espera dele aquilo que a frase da moda diz que ele deve dar. E ele, entre os dois, aprendeu a manter o barco a andar e a não pedir nada, porque pedir seria admitir que não aguenta, e admitir isso, na maior parte das culturas, ainda custa uma carreira.

Passámos duas décadas a formar chefes para cuidarem das equipas. Foi um investimento certo. Só nos esquecemos de responder à pergunta que vem a seguir: quem cuida do chefe? Não é a equipa, que não tem esse papel nem esse poder. Não é o chefe dele, que está na mesma situação um andar acima. E raramente é a organização, que continua a tratar a liderança como um prémio que se recebe e não como um trabalho que se aprende, se apoia e, de vez em quando, se descansa.

Se dirige uma empresa, há uma pergunta simples que vale mais do que qualquer inquérito de clima social: quando foi a última vez que perguntou a um chefe de equipa como ele estava, sem que a resposta tivesse de ser sobre resultados? Se não se lembra, já sabe por onde começar. Se se lembra, pergunte-lhe outra vez; a resposta pode ter mudado.

E se é chefe e chegou ao fim desta crónica com a sensação de estar a ler sobre si, respire. Não está sozinho. Está apenas rodeado de gente que também não o diz.


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Há uma frase que já ganhou estatuto de lei nas conversas sobre trabalho: «As pessoas não deixam as empresas, deixam os chefes.» Ouve-se em formações, em entrevistas de saída, em publicações com milhares de gostos, e tem a vantagem de arrumar o assunto num segundo. Se a equipa está desmotivada, a culpa é do chefe. Se a equipa se vai embora, também. Passei anos a repeti-la e continuo a achar que tem muito de verdade. Só que, entretanto, aconteceu uma coisa a que quase ninguém está a prestar atenção: o chefe ficou pior do que a equipa.

Os números são da Gallup, que mede o envolvimento no trabalho há mais de vinte anos. Em 2022, 31% dos gestores diziam-se envolvidos naquilo que faziam. Em 2025, eram 22%. Foi a maior queda de qualquer grupo profissional e teve uma consequência que passou despercebida: pela primeira vez, desde que estas contas se fazem, os gestores deixaram de estar mais motivados do que as pessoas que lideram. Estão ao mesmo nível. E, nalgumas dimensões, abaixo: os líderes dizem sorrir menos, rir menos e sentir-se mais sozinhos do que os colaboradores sem funções de chefia. A mesma organização confirma que cerca de 70% das diferenças de envolvimento entre equipas se explicam por uma única pessoa: o chefe direto. Ou seja, a peça de que tudo depende é a que está a partir-se sem ninguém dar por isso.

Não me admira. Pense no que se pediu a quem chefia nos últimos cinco anos. Que gerisse equipas à distância e, depois, as trouxesse de volta ao escritório sem perder ninguém. Que absorvesse reestruturações, congelamentos e despedimentos, e os explicasse com um sorriso. Que fosse coach, mentor, psicólogo de serviço, guardião da cultura e ainda entregasse os números. Que aprendesse inteligência artificial ao fim de semana. E que fizesse tudo isto com menos gente, porque as camadas intermédias foram as primeiras a ser cortadas, e cada gestor que sobrou ficou com o dobro da equipa. Depois, mandaram-no a uma formação sobre empatia.

E a opinião impopular é esta: o chefe que faz o mínimo não é um mau chefe, é um chefe exausto que percebeu que ninguém repara. A empresa mede o que ele entrega, não como ele está. A equipa espera dele aquilo que a frase da moda diz que ele deve dar. E ele, entre os dois, aprendeu a manter o barco a andar e a não pedir nada, porque pedir seria admitir que não aguenta, e admitir isso, na maior parte das culturas, ainda custa uma carreira.

Passámos duas décadas a formar chefes para cuidarem das equipas. Foi um investimento certo. Só nos esquecemos de responder à pergunta que vem a seguir: quem cuida do chefe? Não é a equipa, que não tem esse papel nem esse poder. Não é o chefe dele, que está na mesma situação um andar acima. E raramente é a organização, que continua a tratar a liderança como um prémio que se recebe e não como um trabalho que se aprende, se apoia e, de vez em quando, se descansa.

Se dirige uma empresa, há uma pergunta simples que vale mais do que qualquer inquérito de clima social: quando foi a última vez que perguntou a um chefe de equipa como ele estava, sem que a resposta tivesse de ser sobre resultados? Se não se lembra, já sabe por onde começar. Se se lembra, pergunte-lhe outra vez; a resposta pode ter mudado.

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