#Protagonistas

Seis perguntas a Diogo Morgado

Portuguese Love estreou dia 23 de julho nas salas de cinema. O filme cruza Portugal e Turquia numa coprodução inédita, com Diogo Morgado no centro de uma história sobre afetos, diferenças culturais e aquilo que nos aproxima. Ao MOTIVO, o ator e realizador fala da contracena com Cansu Dere, da exigência da comédia romântica e da capacidade do cinema para levar Portugal a novos públicos.

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1 de ago. de 2026, 08:30

Que significado tem para si fazer parte da primeira coprodução entre Portugal e a Turquia, num projeto que aproxima duas cinematografias e duas culturas?

DIOGO MORGADO — É um enorme privilégio e, ao mesmo tempo, uma enorme responsabilidade. Não estamos apenas a fazer um filme; estamos a abrir uma porta que espero sinceramente que muitos outros possam atravessar. Enquanto ator, é naturalmente estimulante trabalhar com profissionais de outros países e outras formas de olhar para o cinema. Mas, enquanto realizador, talvez veja este projeto com uma perspetiva ainda mais abrangente. Acredito que o futuro do cinema europeu passa inevitavelmente por coproduções internacionais. Os desafios financeiros são cada vez maiores, e faz cada vez mais sentido unir recursos, talento e mercados para contar histórias com maior ambição e maior alcance. Portugal tem profissionais extraordinários, tanto à frente como atrás das câmaras. Projetos como este demonstram que temos capacidade para integrar produções internacionais ao mais alto nível. Espero que Portuguese Love seja apenas o primeiro de muitos.



O que o atraiu nesta história e na personagem de José?

D.M. — Aquilo que mais me conquistou foi a humanidade da personagem. O José não é um herói perfeito nem uma caricatura romântica. É alguém cheio de virtudes, mas também de inseguranças, contradições e fragilidades, e é precisamente aí que reside o interesse de interpretar uma personagem. Também gostei muito da ideia central da história. Vivemos numa altura em que tantas vezes se fala das diferenças entre culturas, quando, na verdade, aquilo que nos une é muito maior do que aquilo que nos separa. O filme aborda isso de uma forma leve, divertida e acessível, sem nunca perder autenticidade. Enquanto ator, procuro sempre personagens que tenham verdade. Independentemente do género, seja drama, thriller ou comédia romântica, é isso que me motiva.

Como foi construir a contracena com Cansu Dere, também a partir desse encontro entre línguas, ritmos e referências culturais?

D.M. — Foi uma experiência extremamente enriquecedora. A Cansu é uma atriz muito experiente, muito rigorosa e, acima de tudo, muito generosa em cena. Isso facilita muito a construção da relação entre as personagens. É curioso porque, quando se fala da barreira da língua, as pessoas imaginam logo dificuldades. Na realidade, o trabalho do ator vive muito além das palavras. Vive do olhar, do silêncio, do ritmo, da escuta e da confiança. Claro que existiram momentos engraçados em que recorríamos ao inglês, aos tradutores ou simplesmente aos gestos, mas isso acabou por criar uma dinâmica muito humana entre toda a equipa. No fundo, o bonito de tudo isto é que o cinema tem uma linguagem universal. Quando todos estão focados em contar a melhor história possível, as diferenças culturais deixam de ser obstáculos e tornam-se uma riqueza criativa.



A comédia romântica vive muito de leveza e química, mas também de verdade. O que é mais desafiante para um ator neste género?

D.M. — Talvez seja precisamente convencer o público de que tudo aquilo acontece de forma espontânea. A boa comédia romântica tem uma aparente simplicidade que é profundamente enganadora. O humor não funciona quando um ator tenta ser engraçado. Funciona quando a personagem acredita genuinamente naquilo que está a viver. O mesmo acontece com o romance. A química não se fabrica; constrói-se através da confiança, da disponibilidade e da escuta entre os atores. Há um enorme trabalho invisível para que tudo pareça natural. E esse, para mim, é um dos maiores desafios deste género. Quando o espectador esquece que está a ver atores e passa simplesmente a acompanhar duas pessoas, sentimos que cumprimos a nossa missão.

Que Portugal é mostrado ao público neste filme? 

D.M. — O filme mostra um Portugal muito bonito, naturalmente, porque o nosso país tem uma identidade visual extraordinária. Mas aquilo que mais gosto é que não se limita a funcionar como um postal ilustrado. Mostra também a forma como recebemos quem vem de fora, a nossa proximidade, a nossa maneira de viver e de nos relacionarmos. São aspetos que nem sempre se conseguem transmitir apenas através da paisagem. Enquanto realizador, acredito muito que o cinema tem uma enorme capacidade de promover um país sem o transformar numa campanha turística. Quando uma história é boa, desperta naturalmente a curiosidade sobre os lugares onde acontece. Se este filme levar pessoas a querer conhecer Portugal, será uma consequência muito feliz.



Por fim, que lugar ocupa Portuguese Love no seu percurso e que portas acredita que este tipo de coprodução pode abrir para o cinema português?

D.M. — Vejo este projeto como um marco muito interessante no meu percurso. Não apenas porque me permitiu trabalhar com outra equipa internacional com uma cultura que ainda não tinha contactado até agora, neste caso a cultura turca, mas porque representa exatamente o tipo de cinema em que acredito; histórias capazes de atravessar fronteiras sem perderem a sua identidade. Ao longo da minha carreira, tenho procurado construir um caminho que passe pelo panorama internacional, mas nunca deixando de olhar para Portugal como a minha base criativa. Creio que o nosso cinema tem muito para oferecer ao mundo. Temos excelentes atores, realizadores, diretores de fotografia, argumentistas e equipas técnicas. O talento nunca foi o problema. O verdadeiro desafio é criar oportunidades para que esse talento circule além das nossas fronteiras. As coproduções são uma das melhores formas de o conseguir. Não trazem apenas investimento; trazem novos públicos, novas redes de distribuição, novas formas de trabalhar e uma troca artística que faz crescer toda a indústria. Espero sinceramente que Portuguese Love seja visto, daqui a alguns anos, não apenas como um filme bem-sucedido, mas como um exemplo de que Portugal pode ser um parceiro criativo relevante no panorama internacional. Se contribuir, ainda que de forma modesta, para abrir caminho a mais coproduções e a mais histórias portuguesas com projeção mundial, então terá deixado uma marca que vai muito além do próprio filme.

#Protagonistas

Seis perguntas a Diogo Morgado

Portuguese Love estreou dia 23 de julho nas salas de cinema. O filme cruza Portugal e Turquia numa coprodução inédita, com Diogo Morgado no centro de uma história sobre afetos, diferenças culturais e aquilo que nos aproxima. Ao MOTIVO, o ator e realizador fala da contracena com Cansu Dere, da exigência da comédia romântica e da capacidade do cinema para levar Portugal a novos públicos.

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1 de ago. de 2026, 08:30

Que significado tem para si fazer parte da primeira coprodução entre Portugal e a Turquia, num projeto que aproxima duas cinematografias e duas culturas?

DIOGO MORGADO — É um enorme privilégio e, ao mesmo tempo, uma enorme responsabilidade. Não estamos apenas a fazer um filme; estamos a abrir uma porta que espero sinceramente que muitos outros possam atravessar. Enquanto ator, é naturalmente estimulante trabalhar com profissionais de outros países e outras formas de olhar para o cinema. Mas, enquanto realizador, talvez veja este projeto com uma perspetiva ainda mais abrangente. Acredito que o futuro do cinema europeu passa inevitavelmente por coproduções internacionais. Os desafios financeiros são cada vez maiores, e faz cada vez mais sentido unir recursos, talento e mercados para contar histórias com maior ambição e maior alcance. Portugal tem profissionais extraordinários, tanto à frente como atrás das câmaras. Projetos como este demonstram que temos capacidade para integrar produções internacionais ao mais alto nível. Espero que Portuguese Love seja apenas o primeiro de muitos.



O que o atraiu nesta história e na personagem de José?

D.M. — Aquilo que mais me conquistou foi a humanidade da personagem. O José não é um herói perfeito nem uma caricatura romântica. É alguém cheio de virtudes, mas também de inseguranças, contradições e fragilidades, e é precisamente aí que reside o interesse de interpretar uma personagem. Também gostei muito da ideia central da história. Vivemos numa altura em que tantas vezes se fala das diferenças entre culturas, quando, na verdade, aquilo que nos une é muito maior do que aquilo que nos separa. O filme aborda isso de uma forma leve, divertida e acessível, sem nunca perder autenticidade. Enquanto ator, procuro sempre personagens que tenham verdade. Independentemente do género, seja drama, thriller ou comédia romântica, é isso que me motiva.

Como foi construir a contracena com Cansu Dere, também a partir desse encontro entre línguas, ritmos e referências culturais?

D.M. — Foi uma experiência extremamente enriquecedora. A Cansu é uma atriz muito experiente, muito rigorosa e, acima de tudo, muito generosa em cena. Isso facilita muito a construção da relação entre as personagens. É curioso porque, quando se fala da barreira da língua, as pessoas imaginam logo dificuldades. Na realidade, o trabalho do ator vive muito além das palavras. Vive do olhar, do silêncio, do ritmo, da escuta e da confiança. Claro que existiram momentos engraçados em que recorríamos ao inglês, aos tradutores ou simplesmente aos gestos, mas isso acabou por criar uma dinâmica muito humana entre toda a equipa. No fundo, o bonito de tudo isto é que o cinema tem uma linguagem universal. Quando todos estão focados em contar a melhor história possível, as diferenças culturais deixam de ser obstáculos e tornam-se uma riqueza criativa.



A comédia romântica vive muito de leveza e química, mas também de verdade. O que é mais desafiante para um ator neste género?

D.M. — Talvez seja precisamente convencer o público de que tudo aquilo acontece de forma espontânea. A boa comédia romântica tem uma aparente simplicidade que é profundamente enganadora. O humor não funciona quando um ator tenta ser engraçado. Funciona quando a personagem acredita genuinamente naquilo que está a viver. O mesmo acontece com o romance. A química não se fabrica; constrói-se através da confiança, da disponibilidade e da escuta entre os atores. Há um enorme trabalho invisível para que tudo pareça natural. E esse, para mim, é um dos maiores desafios deste género. Quando o espectador esquece que está a ver atores e passa simplesmente a acompanhar duas pessoas, sentimos que cumprimos a nossa missão.

Que Portugal é mostrado ao público neste filme? 

D.M. — O filme mostra um Portugal muito bonito, naturalmente, porque o nosso país tem uma identidade visual extraordinária. Mas aquilo que mais gosto é que não se limita a funcionar como um postal ilustrado. Mostra também a forma como recebemos quem vem de fora, a nossa proximidade, a nossa maneira de viver e de nos relacionarmos. São aspetos que nem sempre se conseguem transmitir apenas através da paisagem. Enquanto realizador, acredito muito que o cinema tem uma enorme capacidade de promover um país sem o transformar numa campanha turística. Quando uma história é boa, desperta naturalmente a curiosidade sobre os lugares onde acontece. Se este filme levar pessoas a querer conhecer Portugal, será uma consequência muito feliz.



Por fim, que lugar ocupa Portuguese Love no seu percurso e que portas acredita que este tipo de coprodução pode abrir para o cinema português?

D.M. — Vejo este projeto como um marco muito interessante no meu percurso. Não apenas porque me permitiu trabalhar com outra equipa internacional com uma cultura que ainda não tinha contactado até agora, neste caso a cultura turca, mas porque representa exatamente o tipo de cinema em que acredito; histórias capazes de atravessar fronteiras sem perderem a sua identidade. Ao longo da minha carreira, tenho procurado construir um caminho que passe pelo panorama internacional, mas nunca deixando de olhar para Portugal como a minha base criativa. Creio que o nosso cinema tem muito para oferecer ao mundo. Temos excelentes atores, realizadores, diretores de fotografia, argumentistas e equipas técnicas. O talento nunca foi o problema. O verdadeiro desafio é criar oportunidades para que esse talento circule além das nossas fronteiras. As coproduções são uma das melhores formas de o conseguir. Não trazem apenas investimento; trazem novos públicos, novas redes de distribuição, novas formas de trabalhar e uma troca artística que faz crescer toda a indústria. Espero sinceramente que Portuguese Love seja visto, daqui a alguns anos, não apenas como um filme bem-sucedido, mas como um exemplo de que Portugal pode ser um parceiro criativo relevante no panorama internacional. Se contribuir, ainda que de forma modesta, para abrir caminho a mais coproduções e a mais histórias portuguesas com projeção mundial, então terá deixado uma marca que vai muito além do próprio filme.

#Protagonistas

Seis perguntas a Diogo Morgado

Portuguese Love estreou dia 23 de julho nas salas de cinema. O filme cruza Portugal e Turquia numa coprodução inédita, com Diogo Morgado no centro de uma história sobre afetos, diferenças culturais e aquilo que nos aproxima. Ao MOTIVO, o ator e realizador fala da contracena com Cansu Dere, da exigência da comédia romântica e da capacidade do cinema para levar Portugal a novos públicos.

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1 de ago. de 2026, 08:30

Que significado tem para si fazer parte da primeira coprodução entre Portugal e a Turquia, num projeto que aproxima duas cinematografias e duas culturas?

DIOGO MORGADO — É um enorme privilégio e, ao mesmo tempo, uma enorme responsabilidade. Não estamos apenas a fazer um filme; estamos a abrir uma porta que espero sinceramente que muitos outros possam atravessar. Enquanto ator, é naturalmente estimulante trabalhar com profissionais de outros países e outras formas de olhar para o cinema. Mas, enquanto realizador, talvez veja este projeto com uma perspetiva ainda mais abrangente. Acredito que o futuro do cinema europeu passa inevitavelmente por coproduções internacionais. Os desafios financeiros são cada vez maiores, e faz cada vez mais sentido unir recursos, talento e mercados para contar histórias com maior ambição e maior alcance. Portugal tem profissionais extraordinários, tanto à frente como atrás das câmaras. Projetos como este demonstram que temos capacidade para integrar produções internacionais ao mais alto nível. Espero que Portuguese Love seja apenas o primeiro de muitos.



O que o atraiu nesta história e na personagem de José?

D.M. — Aquilo que mais me conquistou foi a humanidade da personagem. O José não é um herói perfeito nem uma caricatura romântica. É alguém cheio de virtudes, mas também de inseguranças, contradições e fragilidades, e é precisamente aí que reside o interesse de interpretar uma personagem. Também gostei muito da ideia central da história. Vivemos numa altura em que tantas vezes se fala das diferenças entre culturas, quando, na verdade, aquilo que nos une é muito maior do que aquilo que nos separa. O filme aborda isso de uma forma leve, divertida e acessível, sem nunca perder autenticidade. Enquanto ator, procuro sempre personagens que tenham verdade. Independentemente do género, seja drama, thriller ou comédia romântica, é isso que me motiva.

Como foi construir a contracena com Cansu Dere, também a partir desse encontro entre línguas, ritmos e referências culturais?

D.M. — Foi uma experiência extremamente enriquecedora. A Cansu é uma atriz muito experiente, muito rigorosa e, acima de tudo, muito generosa em cena. Isso facilita muito a construção da relação entre as personagens. É curioso porque, quando se fala da barreira da língua, as pessoas imaginam logo dificuldades. Na realidade, o trabalho do ator vive muito além das palavras. Vive do olhar, do silêncio, do ritmo, da escuta e da confiança. Claro que existiram momentos engraçados em que recorríamos ao inglês, aos tradutores ou simplesmente aos gestos, mas isso acabou por criar uma dinâmica muito humana entre toda a equipa. No fundo, o bonito de tudo isto é que o cinema tem uma linguagem universal. Quando todos estão focados em contar a melhor história possível, as diferenças culturais deixam de ser obstáculos e tornam-se uma riqueza criativa.



A comédia romântica vive muito de leveza e química, mas também de verdade. O que é mais desafiante para um ator neste género?

D.M. — Talvez seja precisamente convencer o público de que tudo aquilo acontece de forma espontânea. A boa comédia romântica tem uma aparente simplicidade que é profundamente enganadora. O humor não funciona quando um ator tenta ser engraçado. Funciona quando a personagem acredita genuinamente naquilo que está a viver. O mesmo acontece com o romance. A química não se fabrica; constrói-se através da confiança, da disponibilidade e da escuta entre os atores. Há um enorme trabalho invisível para que tudo pareça natural. E esse, para mim, é um dos maiores desafios deste género. Quando o espectador esquece que está a ver atores e passa simplesmente a acompanhar duas pessoas, sentimos que cumprimos a nossa missão.

Que Portugal é mostrado ao público neste filme? 

D.M. — O filme mostra um Portugal muito bonito, naturalmente, porque o nosso país tem uma identidade visual extraordinária. Mas aquilo que mais gosto é que não se limita a funcionar como um postal ilustrado. Mostra também a forma como recebemos quem vem de fora, a nossa proximidade, a nossa maneira de viver e de nos relacionarmos. São aspetos que nem sempre se conseguem transmitir apenas através da paisagem. Enquanto realizador, acredito muito que o cinema tem uma enorme capacidade de promover um país sem o transformar numa campanha turística. Quando uma história é boa, desperta naturalmente a curiosidade sobre os lugares onde acontece. Se este filme levar pessoas a querer conhecer Portugal, será uma consequência muito feliz.



Por fim, que lugar ocupa Portuguese Love no seu percurso e que portas acredita que este tipo de coprodução pode abrir para o cinema português?

D.M. — Vejo este projeto como um marco muito interessante no meu percurso. Não apenas porque me permitiu trabalhar com outra equipa internacional com uma cultura que ainda não tinha contactado até agora, neste caso a cultura turca, mas porque representa exatamente o tipo de cinema em que acredito; histórias capazes de atravessar fronteiras sem perderem a sua identidade. Ao longo da minha carreira, tenho procurado construir um caminho que passe pelo panorama internacional, mas nunca deixando de olhar para Portugal como a minha base criativa. Creio que o nosso cinema tem muito para oferecer ao mundo. Temos excelentes atores, realizadores, diretores de fotografia, argumentistas e equipas técnicas. O talento nunca foi o problema. O verdadeiro desafio é criar oportunidades para que esse talento circule além das nossas fronteiras. As coproduções são uma das melhores formas de o conseguir. Não trazem apenas investimento; trazem novos públicos, novas redes de distribuição, novas formas de trabalhar e uma troca artística que faz crescer toda a indústria. Espero sinceramente que Portuguese Love seja visto, daqui a alguns anos, não apenas como um filme bem-sucedido, mas como um exemplo de que Portugal pode ser um parceiro criativo relevante no panorama internacional. Se contribuir, ainda que de forma modesta, para abrir caminho a mais coproduções e a mais histórias portuguesas com projeção mundial, então terá deixado uma marca que vai muito além do próprio filme.

#Protagonistas

Seis perguntas a Diogo Morgado

Portuguese Love estreou dia 23 de julho nas salas de cinema. O filme cruza Portugal e Turquia numa coprodução inédita, com Diogo Morgado no centro de uma história sobre afetos, diferenças culturais e aquilo que nos aproxima. Ao MOTIVO, o ator e realizador fala da contracena com Cansu Dere, da exigência da comédia romântica e da capacidade do cinema para levar Portugal a novos públicos.

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1 de ago. de 2026, 08:30

Que significado tem para si fazer parte da primeira coprodução entre Portugal e a Turquia, num projeto que aproxima duas cinematografias e duas culturas?

DIOGO MORGADO — É um enorme privilégio e, ao mesmo tempo, uma enorme responsabilidade. Não estamos apenas a fazer um filme; estamos a abrir uma porta que espero sinceramente que muitos outros possam atravessar. Enquanto ator, é naturalmente estimulante trabalhar com profissionais de outros países e outras formas de olhar para o cinema. Mas, enquanto realizador, talvez veja este projeto com uma perspetiva ainda mais abrangente. Acredito que o futuro do cinema europeu passa inevitavelmente por coproduções internacionais. Os desafios financeiros são cada vez maiores, e faz cada vez mais sentido unir recursos, talento e mercados para contar histórias com maior ambição e maior alcance. Portugal tem profissionais extraordinários, tanto à frente como atrás das câmaras. Projetos como este demonstram que temos capacidade para integrar produções internacionais ao mais alto nível. Espero que Portuguese Love seja apenas o primeiro de muitos.



O que o atraiu nesta história e na personagem de José?

D.M. — Aquilo que mais me conquistou foi a humanidade da personagem. O José não é um herói perfeito nem uma caricatura romântica. É alguém cheio de virtudes, mas também de inseguranças, contradições e fragilidades, e é precisamente aí que reside o interesse de interpretar uma personagem. Também gostei muito da ideia central da história. Vivemos numa altura em que tantas vezes se fala das diferenças entre culturas, quando, na verdade, aquilo que nos une é muito maior do que aquilo que nos separa. O filme aborda isso de uma forma leve, divertida e acessível, sem nunca perder autenticidade. Enquanto ator, procuro sempre personagens que tenham verdade. Independentemente do género, seja drama, thriller ou comédia romântica, é isso que me motiva.

Como foi construir a contracena com Cansu Dere, também a partir desse encontro entre línguas, ritmos e referências culturais?

D.M. — Foi uma experiência extremamente enriquecedora. A Cansu é uma atriz muito experiente, muito rigorosa e, acima de tudo, muito generosa em cena. Isso facilita muito a construção da relação entre as personagens. É curioso porque, quando se fala da barreira da língua, as pessoas imaginam logo dificuldades. Na realidade, o trabalho do ator vive muito além das palavras. Vive do olhar, do silêncio, do ritmo, da escuta e da confiança. Claro que existiram momentos engraçados em que recorríamos ao inglês, aos tradutores ou simplesmente aos gestos, mas isso acabou por criar uma dinâmica muito humana entre toda a equipa. No fundo, o bonito de tudo isto é que o cinema tem uma linguagem universal. Quando todos estão focados em contar a melhor história possível, as diferenças culturais deixam de ser obstáculos e tornam-se uma riqueza criativa.



A comédia romântica vive muito de leveza e química, mas também de verdade. O que é mais desafiante para um ator neste género?

D.M. — Talvez seja precisamente convencer o público de que tudo aquilo acontece de forma espontânea. A boa comédia romântica tem uma aparente simplicidade que é profundamente enganadora. O humor não funciona quando um ator tenta ser engraçado. Funciona quando a personagem acredita genuinamente naquilo que está a viver. O mesmo acontece com o romance. A química não se fabrica; constrói-se através da confiança, da disponibilidade e da escuta entre os atores. Há um enorme trabalho invisível para que tudo pareça natural. E esse, para mim, é um dos maiores desafios deste género. Quando o espectador esquece que está a ver atores e passa simplesmente a acompanhar duas pessoas, sentimos que cumprimos a nossa missão.

Que Portugal é mostrado ao público neste filme? 

D.M. — O filme mostra um Portugal muito bonito, naturalmente, porque o nosso país tem uma identidade visual extraordinária. Mas aquilo que mais gosto é que não se limita a funcionar como um postal ilustrado. Mostra também a forma como recebemos quem vem de fora, a nossa proximidade, a nossa maneira de viver e de nos relacionarmos. São aspetos que nem sempre se conseguem transmitir apenas através da paisagem. Enquanto realizador, acredito muito que o cinema tem uma enorme capacidade de promover um país sem o transformar numa campanha turística. Quando uma história é boa, desperta naturalmente a curiosidade sobre os lugares onde acontece. Se este filme levar pessoas a querer conhecer Portugal, será uma consequência muito feliz.



Por fim, que lugar ocupa Portuguese Love no seu percurso e que portas acredita que este tipo de coprodução pode abrir para o cinema português?

D.M. — Vejo este projeto como um marco muito interessante no meu percurso. Não apenas porque me permitiu trabalhar com outra equipa internacional com uma cultura que ainda não tinha contactado até agora, neste caso a cultura turca, mas porque representa exatamente o tipo de cinema em que acredito; histórias capazes de atravessar fronteiras sem perderem a sua identidade. Ao longo da minha carreira, tenho procurado construir um caminho que passe pelo panorama internacional, mas nunca deixando de olhar para Portugal como a minha base criativa. Creio que o nosso cinema tem muito para oferecer ao mundo. Temos excelentes atores, realizadores, diretores de fotografia, argumentistas e equipas técnicas. O talento nunca foi o problema. O verdadeiro desafio é criar oportunidades para que esse talento circule além das nossas fronteiras. As coproduções são uma das melhores formas de o conseguir. Não trazem apenas investimento; trazem novos públicos, novas redes de distribuição, novas formas de trabalhar e uma troca artística que faz crescer toda a indústria. Espero sinceramente que Portuguese Love seja visto, daqui a alguns anos, não apenas como um filme bem-sucedido, mas como um exemplo de que Portugal pode ser um parceiro criativo relevante no panorama internacional. Se contribuir, ainda que de forma modesta, para abrir caminho a mais coproduções e a mais histórias portuguesas com projeção mundial, então terá deixado uma marca que vai muito além do próprio filme.

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