Quando é que agosto acaba?
#Motivação
Opinião

O verão é a minha estação preferida. Gosto dos dias compridos, gosto das temperaturas altas, gosto de ter quase sempre planos after work, gosto do espírito que se instala de mais calma e da sensação de abrandamento coletivo. O problema é que eu, neste momento, não quero abrandar. Quero resultados e respostas e reuniões e rapidez. Quero enviar um e-mail de manhã e ter uma resposta à tarde. Quero marcar uma conversa para esta semana, fechar uma parceria na próxima, perceber se uma ideia funciona antes de ter tempo de inventar outras três.
Construir um projeto como o MOTIVO tem-me levado a viver assim. Sempre com algo a acontecer e algo à espera que aconteça. A resposta a uma entrevista que demora a chegar, uma proposta que precisa de mais tempo, uma pessoa com quem quero falar, um artigo que ainda não encontrei maneira de fazer, uma reunião que pode abrir uma porta. E agosto põe uma resposta automática no meio disto tudo. Está toda a gente out of office. Volto dia 24. Volto dia 31. Falamos em setembro. E eu olho para o calendário como se demorássemos três meses a lá chegar. (Eu sei, "setembro é amanhã").
Atenção: reconheço que isto é um problema só meu. Ninguém tem obrigação de acompanhar a velocidade a que eu gostaria que as coisas acontecessem. Muito menos de adiar férias porque me lembrei, numa terça-feira de agosto, que era uma excelente altura para propor uma reunião.
Nas últimas semanas, tenho vindo a constatar a dificuldade de gerir a espera quando estamos a construir algo. Porque, quando um projeto ainda está a dar os primeiros passos, parar é demasiado parecido com desaparecer. E eu quero os tais resultados e respostas e reuniões e rapidez. Para ontem, se possível.
Claro que também existe uma espécie de ansiedade por estar a fazer um projeto independente. Se eu não mexer, quem mexe? Se não publicar, ninguém publica por mim. Se não enviar o e-mail, ele não se envia sozinho. Se uma semana corre mais devagar, sinto-a nos números. Se duas correm mais devagar, começo a fazer contas. É por isso que este agosto está a ser estranho e desafiante para mim. Tem-me obrigado a aceitar que, apesar de fazer a minha parte, vão sempre existir pontas soltas em suspenso do outro lado.
Tenho tentado aproveitar esse silêncio para fazer aquilo que normalmente vai ficando para depois. Pensar melhor, arrumar ideias, olhar para números, preparar setembro e outubro e novembro, planear sem interrupções. Até funciona. Durante algum tempo. Depois, atualizo a caixa de entrada outra vez. Continuo a querer os resultados e respostas e reuniões e rapidez.
Construir um projeto também é aprender a conviver com tempos que não controlamos. Há o tempo de fazer e o tempo de esperar. O tempo em que tudo acontece ao mesmo tempo e o tempo em que parece que ninguém está disponível. Afinal, estamos em agosto. Quando é que acaba?
Xavier Pereira assina, todos os meses, o espaço Motivo Próprio. Leia também:

O verão é a minha estação preferida. Gosto dos dias compridos, gosto das temperaturas altas, gosto de ter quase sempre planos after work, gosto do espírito que se instala de mais calma e da sensação de abrandamento coletivo. O problema é que eu, neste momento, não quero abrandar. Quero resultados e respostas e reuniões e rapidez. Quero enviar um e-mail de manhã e ter uma resposta à tarde. Quero marcar uma conversa para esta semana, fechar uma parceria na próxima, perceber se uma ideia funciona antes de ter tempo de inventar outras três.
Construir um projeto como o MOTIVO tem-me levado a viver assim. Sempre com algo a acontecer e algo à espera que aconteça. A resposta a uma entrevista que demora a chegar, uma proposta que precisa de mais tempo, uma pessoa com quem quero falar, um artigo que ainda não encontrei maneira de fazer, uma reunião que pode abrir uma porta. E agosto põe uma resposta automática no meio disto tudo. Está toda a gente out of office. Volto dia 24. Volto dia 31. Falamos em setembro. E eu olho para o calendário como se demorássemos três meses a lá chegar. (Eu sei, "setembro é amanhã").
Atenção: reconheço que isto é um problema só meu. Ninguém tem obrigação de acompanhar a velocidade a que eu gostaria que as coisas acontecessem. Muito menos de adiar férias porque me lembrei, numa terça-feira de agosto, que era uma excelente altura para propor uma reunião.
Nas últimas semanas, tenho vindo a constatar a dificuldade de gerir a espera quando estamos a construir algo. Porque, quando um projeto ainda está a dar os primeiros passos, parar é demasiado parecido com desaparecer. E eu quero os tais resultados e respostas e reuniões e rapidez. Para ontem, se possível.
Claro que também existe uma espécie de ansiedade por estar a fazer um projeto independente. Se eu não mexer, quem mexe? Se não publicar, ninguém publica por mim. Se não enviar o e-mail, ele não se envia sozinho. Se uma semana corre mais devagar, sinto-a nos números. Se duas correm mais devagar, começo a fazer contas. É por isso que este agosto está a ser estranho e desafiante para mim. Tem-me obrigado a aceitar que, apesar de fazer a minha parte, vão sempre existir pontas soltas em suspenso do outro lado.
Tenho tentado aproveitar esse silêncio para fazer aquilo que normalmente vai ficando para depois. Pensar melhor, arrumar ideias, olhar para números, preparar setembro e outubro e novembro, planear sem interrupções. Até funciona. Durante algum tempo. Depois, atualizo a caixa de entrada outra vez. Continuo a querer os resultados e respostas e reuniões e rapidez.
Construir um projeto também é aprender a conviver com tempos que não controlamos. Há o tempo de fazer e o tempo de esperar. O tempo em que tudo acontece ao mesmo tempo e o tempo em que parece que ninguém está disponível. Afinal, estamos em agosto. Quando é que acaba?
Xavier Pereira assina, todos os meses, o espaço Motivo Próprio. Leia também:

O verão é a minha estação preferida. Gosto dos dias compridos, gosto das temperaturas altas, gosto de ter quase sempre planos after work, gosto do espírito que se instala de mais calma e da sensação de abrandamento coletivo. O problema é que eu, neste momento, não quero abrandar. Quero resultados e respostas e reuniões e rapidez. Quero enviar um e-mail de manhã e ter uma resposta à tarde. Quero marcar uma conversa para esta semana, fechar uma parceria na próxima, perceber se uma ideia funciona antes de ter tempo de inventar outras três.
Construir um projeto como o MOTIVO tem-me levado a viver assim. Sempre com algo a acontecer e algo à espera que aconteça. A resposta a uma entrevista que demora a chegar, uma proposta que precisa de mais tempo, uma pessoa com quem quero falar, um artigo que ainda não encontrei maneira de fazer, uma reunião que pode abrir uma porta. E agosto põe uma resposta automática no meio disto tudo. Está toda a gente out of office. Volto dia 24. Volto dia 31. Falamos em setembro. E eu olho para o calendário como se demorássemos três meses a lá chegar. (Eu sei, "setembro é amanhã").
Atenção: reconheço que isto é um problema só meu. Ninguém tem obrigação de acompanhar a velocidade a que eu gostaria que as coisas acontecessem. Muito menos de adiar férias porque me lembrei, numa terça-feira de agosto, que era uma excelente altura para propor uma reunião.
Nas últimas semanas, tenho vindo a constatar a dificuldade de gerir a espera quando estamos a construir algo. Porque, quando um projeto ainda está a dar os primeiros passos, parar é demasiado parecido com desaparecer. E eu quero os tais resultados e respostas e reuniões e rapidez. Para ontem, se possível.
Claro que também existe uma espécie de ansiedade por estar a fazer um projeto independente. Se eu não mexer, quem mexe? Se não publicar, ninguém publica por mim. Se não enviar o e-mail, ele não se envia sozinho. Se uma semana corre mais devagar, sinto-a nos números. Se duas correm mais devagar, começo a fazer contas. É por isso que este agosto está a ser estranho e desafiante para mim. Tem-me obrigado a aceitar que, apesar de fazer a minha parte, vão sempre existir pontas soltas em suspenso do outro lado.
Tenho tentado aproveitar esse silêncio para fazer aquilo que normalmente vai ficando para depois. Pensar melhor, arrumar ideias, olhar para números, preparar setembro e outubro e novembro, planear sem interrupções. Até funciona. Durante algum tempo. Depois, atualizo a caixa de entrada outra vez. Continuo a querer os resultados e respostas e reuniões e rapidez.
Construir um projeto também é aprender a conviver com tempos que não controlamos. Há o tempo de fazer e o tempo de esperar. O tempo em que tudo acontece ao mesmo tempo e o tempo em que parece que ninguém está disponível. Afinal, estamos em agosto. Quando é que acaba?
Xavier Pereira assina, todos os meses, o espaço Motivo Próprio. Leia também:
Quando é que agosto acaba?
#Motivação
Opinião

O verão é a minha estação preferida. Gosto dos dias compridos, gosto das temperaturas altas, gosto de ter quase sempre planos after work, gosto do espírito que se instala de mais calma e da sensação de abrandamento coletivo. O problema é que eu, neste momento, não quero abrandar. Quero resultados e respostas e reuniões e rapidez. Quero enviar um e-mail de manhã e ter uma resposta à tarde. Quero marcar uma conversa para esta semana, fechar uma parceria na próxima, perceber se uma ideia funciona antes de ter tempo de inventar outras três.
Construir um projeto como o MOTIVO tem-me levado a viver assim. Sempre com algo a acontecer e algo à espera que aconteça. A resposta a uma entrevista que demora a chegar, uma proposta que precisa de mais tempo, uma pessoa com quem quero falar, um artigo que ainda não encontrei maneira de fazer, uma reunião que pode abrir uma porta. E agosto põe uma resposta automática no meio disto tudo. Está toda a gente out of office. Volto dia 24. Volto dia 31. Falamos em setembro. E eu olho para o calendário como se demorássemos três meses a lá chegar. (Eu sei, "setembro é amanhã").
Atenção: reconheço que isto é um problema só meu. Ninguém tem obrigação de acompanhar a velocidade a que eu gostaria que as coisas acontecessem. Muito menos de adiar férias porque me lembrei, numa terça-feira de agosto, que era uma excelente altura para propor uma reunião.
Nas últimas semanas, tenho vindo a constatar a dificuldade de gerir a espera quando estamos a construir algo. Porque, quando um projeto ainda está a dar os primeiros passos, parar é demasiado parecido com desaparecer. E eu quero os tais resultados e respostas e reuniões e rapidez. Para ontem, se possível.
Claro que também existe uma espécie de ansiedade por estar a fazer um projeto independente. Se eu não mexer, quem mexe? Se não publicar, ninguém publica por mim. Se não enviar o e-mail, ele não se envia sozinho. Se uma semana corre mais devagar, sinto-a nos números. Se duas correm mais devagar, começo a fazer contas. É por isso que este agosto está a ser estranho e desafiante para mim. Tem-me obrigado a aceitar que, apesar de fazer a minha parte, vão sempre existir pontas soltas em suspenso do outro lado.
Tenho tentado aproveitar esse silêncio para fazer aquilo que normalmente vai ficando para depois. Pensar melhor, arrumar ideias, olhar para números, preparar setembro e outubro e novembro, planear sem interrupções. Até funciona. Durante algum tempo. Depois, atualizo a caixa de entrada outra vez. Continuo a querer os resultados e respostas e reuniões e rapidez.
Construir um projeto também é aprender a conviver com tempos que não controlamos. Há o tempo de fazer e o tempo de esperar. O tempo em que tudo acontece ao mesmo tempo e o tempo em que parece que ninguém está disponível. Afinal, estamos em agosto. Quando é que acaba?



