#Protagonistas

Seis perguntas a Ruben Alves

Lisboa é a cidade onde procura inspiração. Paris é onde se construiu enquanto homem e artista. Entre as duas, Ruben Alves observa a transformação das cidades, preocupa-se com a perda de identidade e continua a procurar no cinema aquilo que o streaming dificilmente consegue substituir: a experiência de viver alguma coisa em conjunto. O realizador tem um novo filme e foi sobre ele que respondeu às Seis perguntas do MOTIVO.

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12 de set. de 2026, 09:00

O seu novo filme gira em torno dos Casamentos de Santo António. O que encontrou nesta tradição que lhe pareceu dar um filme?

RUBEN ALVES — A ideia surgiu de um encontro com a produtora espanhola Hemi Fortes, que vive em Lisboa, e de um amigo dela, Fer Pérez, guionista espanhol. Tinham descoberto os Casamentos de Santo António e ficaram fascinados com esta tradição única. Pensaram que havia aqui um filme e vieram ter comigo. Percebi que, através dos Casamentos de Santo António, podia explorar muitos outros assuntos. Quando começámos a acompanhar de perto a organização, fiquei também fascinado pelas pessoas que estavam à frente dos casamentos, naquela altura, e pela luta delas para fazer daquele evento uma coisa incrível, mesmo sem um grande orçamento e com todo aquele lado kitsch. Havia ali uma energia muito genuína que achei tocante e interessante.



Lisboa é quase uma personagem do filme. Que cidade quis mostrar?

R.A. — Uma cidade em evolução e em mudança, para o bem e para o mal, como no casamento. Tudo acontece muito depressa, hoje. Preocupa-me esta globalização avassaladora porque se perde identidade. Quando viajamos, queremos encontrar as pessoas, os cheiros e aquilo que pertence àquele lugar. Não me dá gozo encontrar as mesmas grandes marcas em todas as cidades. Gosto muito do que ainda acontece em Itália, sobretudo no sul, onde existe um orgulho enorme em salvaguardar aquilo que é deles. Lisboa também tinha muito essa cultura de ir tomar um café, falar sobre a vida, queixar-se. Isso fazia parte do ritmo e do pulsar da cidade. A questão é perceber como podemos modernizar sem deixar desaparecer aquilo que é genuíno.

E que relação mantém, atualmente, com Lisboa?

R.A. — É uma ligação muito emocional. A minha base profissional está em Paris e, de uma forma geral, venho a Lisboa para me inspirar. É aqui que gosto de estar nas fases em que procuro um novo projeto ou estou a escrever. A luz de Lisboa é inacreditável. Sou muito dependente da luz e do sol, e isso ajuda-me bastante. Lisboa tinha também uma suavidade muito própria: podias demorar 20 minutos ou meia hora a tomar um café, parar, ter tempo. Hoje, existe muito mais gente, muito mais turismo e os sons são diferentes, mas essa parte continua lá. Para mim, Lisboa continua a ser reconfortante.



Paris ocupa um lugar muito diferente na sua vida?

R. A. — Paris é a minha cidade de nascimento e de descoberta de tudo: das sensações, da cultura e do multiculturalismo. Existem encontros incríveis com pessoas vindas do mundo inteiro e existe uma relação permanente com a beleza, a arte e a cultura. Há uma pulsação muito forte. Num único dia, existem centenas de espetáculos ao vivo na Grande Paris. É uma cidade viva. Lisboa tem uma relação mais emocional comigo. Paris está muito ligada à minha construção enquanto homem e, sobretudo, enquanto artista.

Neste filme, juntou atores com percursos e experiências muito diferentes. O que procurou neste elenco?

R.A. — Queria mesmo misturar pessoas muito diferentes. Há atores muito habituados ao cinema e outros com experiências diferentes, muitos atores de comédia e humoristas, que considero incríveis porque fazer rir é das coisas mais difíceis. Pedi também à Patrícia Vasconcelos, com quem fizemos o casting, que procurássemos caras diferentes, pessoas que não vemos sempre nas novelas ou no cinema. Existem atores extraordinários de teatro, e atrizes com uma enorme experiência, que quase já não vemos no audiovisual. Queria juntar tudo isso. Foi muito trabalho, porque havia muitas personagens, muitos atores e pouco tempo para procurar e falhar. Ainda assim, os atores portugueses são tecnicamente muito bons e muito preparados, tal como as equipas técnicas.



Já está a pensar no próximo filme?

R.A. — Estamos sempre a pensar nos projetos seguintes, embora eu precise de acabar um para conseguir mergulhar realmente noutro. Sou muito guiado pela intuição e pelo meu estado de espírito naquele momento, por isso, posso mudar completamente de direção. Fiz recentemente uma série em França para a Amazon Prime que ocupou quatro anos da minha vida, duas temporadas, e foi muito desgastante. Hoje, sinto ainda mais vontade de oferecer às pessoas um verdadeiro momento de cinema. Existe muita coisa boa no streaming, por isso, se queremos que alguém saia de casa e vá ao cinema com a mãe, o pai, a namorada, um filho ou um amigo, temos de lhes oferecer uma experiência: rir, chorar, discutir o filme, viver alguma coisa. Foi também por isso que fiz questão de que este filme tivesse primeiro uma vida nas salas de cinema antes de seguir para a Disney+, onde será o primeiro filme português a estar disponível na plataforma.

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Seis perguntas a Ruben Alves

Lisboa é a cidade onde procura inspiração. Paris é onde se construiu enquanto homem e artista. Entre as duas, Ruben Alves observa a transformação das cidades, preocupa-se com a perda de identidade e continua a procurar no cinema aquilo que o streaming dificilmente consegue substituir: a experiência de viver alguma coisa em conjunto. O realizador tem um novo filme e foi sobre ele que respondeu às Seis perguntas do MOTIVO.

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12 de set. de 2026, 09:00

O seu novo filme gira em torno dos Casamentos de Santo António. O que encontrou nesta tradição que lhe pareceu dar um filme?

RUBEN ALVES — A ideia surgiu de um encontro com a produtora espanhola Hemi Fortes, que vive em Lisboa, e de um amigo dela, Fer Pérez, guionista espanhol. Tinham descoberto os Casamentos de Santo António e ficaram fascinados com esta tradição única. Pensaram que havia aqui um filme e vieram ter comigo. Percebi que, através dos Casamentos de Santo António, podia explorar muitos outros assuntos. Quando começámos a acompanhar de perto a organização, fiquei também fascinado pelas pessoas que estavam à frente dos casamentos, naquela altura, e pela luta delas para fazer daquele evento uma coisa incrível, mesmo sem um grande orçamento e com todo aquele lado kitsch. Havia ali uma energia muito genuína que achei tocante e interessante.



Lisboa é quase uma personagem do filme. Que cidade quis mostrar?

R.A. — Uma cidade em evolução e em mudança, para o bem e para o mal, como no casamento. Tudo acontece muito depressa, hoje. Preocupa-me esta globalização avassaladora porque se perde identidade. Quando viajamos, queremos encontrar as pessoas, os cheiros e aquilo que pertence àquele lugar. Não me dá gozo encontrar as mesmas grandes marcas em todas as cidades. Gosto muito do que ainda acontece em Itália, sobretudo no sul, onde existe um orgulho enorme em salvaguardar aquilo que é deles. Lisboa também tinha muito essa cultura de ir tomar um café, falar sobre a vida, queixar-se. Isso fazia parte do ritmo e do pulsar da cidade. A questão é perceber como podemos modernizar sem deixar desaparecer aquilo que é genuíno.

E que relação mantém, atualmente, com Lisboa?

R.A. — É uma ligação muito emocional. A minha base profissional está em Paris e, de uma forma geral, venho a Lisboa para me inspirar. É aqui que gosto de estar nas fases em que procuro um novo projeto ou estou a escrever. A luz de Lisboa é inacreditável. Sou muito dependente da luz e do sol, e isso ajuda-me bastante. Lisboa tinha também uma suavidade muito própria: podias demorar 20 minutos ou meia hora a tomar um café, parar, ter tempo. Hoje, existe muito mais gente, muito mais turismo e os sons são diferentes, mas essa parte continua lá. Para mim, Lisboa continua a ser reconfortante.



Paris ocupa um lugar muito diferente na sua vida?

R. A. — Paris é a minha cidade de nascimento e de descoberta de tudo: das sensações, da cultura e do multiculturalismo. Existem encontros incríveis com pessoas vindas do mundo inteiro e existe uma relação permanente com a beleza, a arte e a cultura. Há uma pulsação muito forte. Num único dia, existem centenas de espetáculos ao vivo na Grande Paris. É uma cidade viva. Lisboa tem uma relação mais emocional comigo. Paris está muito ligada à minha construção enquanto homem e, sobretudo, enquanto artista.

Neste filme, juntou atores com percursos e experiências muito diferentes. O que procurou neste elenco?

R.A. — Queria mesmo misturar pessoas muito diferentes. Há atores muito habituados ao cinema e outros com experiências diferentes, muitos atores de comédia e humoristas, que considero incríveis porque fazer rir é das coisas mais difíceis. Pedi também à Patrícia Vasconcelos, com quem fizemos o casting, que procurássemos caras diferentes, pessoas que não vemos sempre nas novelas ou no cinema. Existem atores extraordinários de teatro, e atrizes com uma enorme experiência, que quase já não vemos no audiovisual. Queria juntar tudo isso. Foi muito trabalho, porque havia muitas personagens, muitos atores e pouco tempo para procurar e falhar. Ainda assim, os atores portugueses são tecnicamente muito bons e muito preparados, tal como as equipas técnicas.



Já está a pensar no próximo filme?

R.A. — Estamos sempre a pensar nos projetos seguintes, embora eu precise de acabar um para conseguir mergulhar realmente noutro. Sou muito guiado pela intuição e pelo meu estado de espírito naquele momento, por isso, posso mudar completamente de direção. Fiz recentemente uma série em França para a Amazon Prime que ocupou quatro anos da minha vida, duas temporadas, e foi muito desgastante. Hoje, sinto ainda mais vontade de oferecer às pessoas um verdadeiro momento de cinema. Existe muita coisa boa no streaming, por isso, se queremos que alguém saia de casa e vá ao cinema com a mãe, o pai, a namorada, um filho ou um amigo, temos de lhes oferecer uma experiência: rir, chorar, discutir o filme, viver alguma coisa. Foi também por isso que fiz questão de que este filme tivesse primeiro uma vida nas salas de cinema antes de seguir para a Disney+, onde será o primeiro filme português a estar disponível na plataforma.

#Protagonistas

Seis perguntas a Ruben Alves

Lisboa é a cidade onde procura inspiração. Paris é onde se construiu enquanto homem e artista. Entre as duas, Ruben Alves observa a transformação das cidades, preocupa-se com a perda de identidade e continua a procurar no cinema aquilo que o streaming dificilmente consegue substituir: a experiência de viver alguma coisa em conjunto. O realizador tem um novo filme e foi sobre ele que respondeu às Seis perguntas do MOTIVO.

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12 de set. de 2026, 09:00

O seu novo filme gira em torno dos Casamentos de Santo António. O que encontrou nesta tradição que lhe pareceu dar um filme?

RUBEN ALVES — A ideia surgiu de um encontro com a produtora espanhola Hemi Fortes, que vive em Lisboa, e de um amigo dela, Fer Pérez, guionista espanhol. Tinham descoberto os Casamentos de Santo António e ficaram fascinados com esta tradição única. Pensaram que havia aqui um filme e vieram ter comigo. Percebi que, através dos Casamentos de Santo António, podia explorar muitos outros assuntos. Quando começámos a acompanhar de perto a organização, fiquei também fascinado pelas pessoas que estavam à frente dos casamentos, naquela altura, e pela luta delas para fazer daquele evento uma coisa incrível, mesmo sem um grande orçamento e com todo aquele lado kitsch. Havia ali uma energia muito genuína que achei tocante e interessante.



Lisboa é quase uma personagem do filme. Que cidade quis mostrar?

R.A. — Uma cidade em evolução e em mudança, para o bem e para o mal, como no casamento. Tudo acontece muito depressa, hoje. Preocupa-me esta globalização avassaladora porque se perde identidade. Quando viajamos, queremos encontrar as pessoas, os cheiros e aquilo que pertence àquele lugar. Não me dá gozo encontrar as mesmas grandes marcas em todas as cidades. Gosto muito do que ainda acontece em Itália, sobretudo no sul, onde existe um orgulho enorme em salvaguardar aquilo que é deles. Lisboa também tinha muito essa cultura de ir tomar um café, falar sobre a vida, queixar-se. Isso fazia parte do ritmo e do pulsar da cidade. A questão é perceber como podemos modernizar sem deixar desaparecer aquilo que é genuíno.

E que relação mantém, atualmente, com Lisboa?

R.A. — É uma ligação muito emocional. A minha base profissional está em Paris e, de uma forma geral, venho a Lisboa para me inspirar. É aqui que gosto de estar nas fases em que procuro um novo projeto ou estou a escrever. A luz de Lisboa é inacreditável. Sou muito dependente da luz e do sol, e isso ajuda-me bastante. Lisboa tinha também uma suavidade muito própria: podias demorar 20 minutos ou meia hora a tomar um café, parar, ter tempo. Hoje, existe muito mais gente, muito mais turismo e os sons são diferentes, mas essa parte continua lá. Para mim, Lisboa continua a ser reconfortante.



Paris ocupa um lugar muito diferente na sua vida?

R. A. — Paris é a minha cidade de nascimento e de descoberta de tudo: das sensações, da cultura e do multiculturalismo. Existem encontros incríveis com pessoas vindas do mundo inteiro e existe uma relação permanente com a beleza, a arte e a cultura. Há uma pulsação muito forte. Num único dia, existem centenas de espetáculos ao vivo na Grande Paris. É uma cidade viva. Lisboa tem uma relação mais emocional comigo. Paris está muito ligada à minha construção enquanto homem e, sobretudo, enquanto artista.

Neste filme, juntou atores com percursos e experiências muito diferentes. O que procurou neste elenco?

R.A. — Queria mesmo misturar pessoas muito diferentes. Há atores muito habituados ao cinema e outros com experiências diferentes, muitos atores de comédia e humoristas, que considero incríveis porque fazer rir é das coisas mais difíceis. Pedi também à Patrícia Vasconcelos, com quem fizemos o casting, que procurássemos caras diferentes, pessoas que não vemos sempre nas novelas ou no cinema. Existem atores extraordinários de teatro, e atrizes com uma enorme experiência, que quase já não vemos no audiovisual. Queria juntar tudo isso. Foi muito trabalho, porque havia muitas personagens, muitos atores e pouco tempo para procurar e falhar. Ainda assim, os atores portugueses são tecnicamente muito bons e muito preparados, tal como as equipas técnicas.



Já está a pensar no próximo filme?

R.A. — Estamos sempre a pensar nos projetos seguintes, embora eu precise de acabar um para conseguir mergulhar realmente noutro. Sou muito guiado pela intuição e pelo meu estado de espírito naquele momento, por isso, posso mudar completamente de direção. Fiz recentemente uma série em França para a Amazon Prime que ocupou quatro anos da minha vida, duas temporadas, e foi muito desgastante. Hoje, sinto ainda mais vontade de oferecer às pessoas um verdadeiro momento de cinema. Existe muita coisa boa no streaming, por isso, se queremos que alguém saia de casa e vá ao cinema com a mãe, o pai, a namorada, um filho ou um amigo, temos de lhes oferecer uma experiência: rir, chorar, discutir o filme, viver alguma coisa. Foi também por isso que fiz questão de que este filme tivesse primeiro uma vida nas salas de cinema antes de seguir para a Disney+, onde será o primeiro filme português a estar disponível na plataforma.

#Protagonistas

Seis perguntas a Ruben Alves

Lisboa é a cidade onde procura inspiração. Paris é onde se construiu enquanto homem e artista. Entre as duas, Ruben Alves observa a transformação das cidades, preocupa-se com a perda de identidade e continua a procurar no cinema aquilo que o streaming dificilmente consegue substituir: a experiência de viver alguma coisa em conjunto. O realizador tem um novo filme e foi sobre ele que respondeu às Seis perguntas do MOTIVO.

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12 de set. de 2026, 09:00

O seu novo filme gira em torno dos Casamentos de Santo António. O que encontrou nesta tradição que lhe pareceu dar um filme?

RUBEN ALVES — A ideia surgiu de um encontro com a produtora espanhola Hemi Fortes, que vive em Lisboa, e de um amigo dela, Fer Pérez, guionista espanhol. Tinham descoberto os Casamentos de Santo António e ficaram fascinados com esta tradição única. Pensaram que havia aqui um filme e vieram ter comigo. Percebi que, através dos Casamentos de Santo António, podia explorar muitos outros assuntos. Quando começámos a acompanhar de perto a organização, fiquei também fascinado pelas pessoas que estavam à frente dos casamentos, naquela altura, e pela luta delas para fazer daquele evento uma coisa incrível, mesmo sem um grande orçamento e com todo aquele lado kitsch. Havia ali uma energia muito genuína que achei tocante e interessante.



Lisboa é quase uma personagem do filme. Que cidade quis mostrar?

R.A. — Uma cidade em evolução e em mudança, para o bem e para o mal, como no casamento. Tudo acontece muito depressa, hoje. Preocupa-me esta globalização avassaladora porque se perde identidade. Quando viajamos, queremos encontrar as pessoas, os cheiros e aquilo que pertence àquele lugar. Não me dá gozo encontrar as mesmas grandes marcas em todas as cidades. Gosto muito do que ainda acontece em Itália, sobretudo no sul, onde existe um orgulho enorme em salvaguardar aquilo que é deles. Lisboa também tinha muito essa cultura de ir tomar um café, falar sobre a vida, queixar-se. Isso fazia parte do ritmo e do pulsar da cidade. A questão é perceber como podemos modernizar sem deixar desaparecer aquilo que é genuíno.

E que relação mantém, atualmente, com Lisboa?

R.A. — É uma ligação muito emocional. A minha base profissional está em Paris e, de uma forma geral, venho a Lisboa para me inspirar. É aqui que gosto de estar nas fases em que procuro um novo projeto ou estou a escrever. A luz de Lisboa é inacreditável. Sou muito dependente da luz e do sol, e isso ajuda-me bastante. Lisboa tinha também uma suavidade muito própria: podias demorar 20 minutos ou meia hora a tomar um café, parar, ter tempo. Hoje, existe muito mais gente, muito mais turismo e os sons são diferentes, mas essa parte continua lá. Para mim, Lisboa continua a ser reconfortante.



Paris ocupa um lugar muito diferente na sua vida?

R. A. — Paris é a minha cidade de nascimento e de descoberta de tudo: das sensações, da cultura e do multiculturalismo. Existem encontros incríveis com pessoas vindas do mundo inteiro e existe uma relação permanente com a beleza, a arte e a cultura. Há uma pulsação muito forte. Num único dia, existem centenas de espetáculos ao vivo na Grande Paris. É uma cidade viva. Lisboa tem uma relação mais emocional comigo. Paris está muito ligada à minha construção enquanto homem e, sobretudo, enquanto artista.

Neste filme, juntou atores com percursos e experiências muito diferentes. O que procurou neste elenco?

R.A. — Queria mesmo misturar pessoas muito diferentes. Há atores muito habituados ao cinema e outros com experiências diferentes, muitos atores de comédia e humoristas, que considero incríveis porque fazer rir é das coisas mais difíceis. Pedi também à Patrícia Vasconcelos, com quem fizemos o casting, que procurássemos caras diferentes, pessoas que não vemos sempre nas novelas ou no cinema. Existem atores extraordinários de teatro, e atrizes com uma enorme experiência, que quase já não vemos no audiovisual. Queria juntar tudo isso. Foi muito trabalho, porque havia muitas personagens, muitos atores e pouco tempo para procurar e falhar. Ainda assim, os atores portugueses são tecnicamente muito bons e muito preparados, tal como as equipas técnicas.



Já está a pensar no próximo filme?

R.A. — Estamos sempre a pensar nos projetos seguintes, embora eu precise de acabar um para conseguir mergulhar realmente noutro. Sou muito guiado pela intuição e pelo meu estado de espírito naquele momento, por isso, posso mudar completamente de direção. Fiz recentemente uma série em França para a Amazon Prime que ocupou quatro anos da minha vida, duas temporadas, e foi muito desgastante. Hoje, sinto ainda mais vontade de oferecer às pessoas um verdadeiro momento de cinema. Existe muita coisa boa no streaming, por isso, se queremos que alguém saia de casa e vá ao cinema com a mãe, o pai, a namorada, um filho ou um amigo, temos de lhes oferecer uma experiência: rir, chorar, discutir o filme, viver alguma coisa. Foi também por isso que fiz questão de que este filme tivesse primeiro uma vida nas salas de cinema antes de seguir para a Disney+, onde será o primeiro filme português a estar disponível na plataforma.

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