CRÍTICA | MAGIA E SEDUÇÃO: SEGREDOS DE FAMÍLIA, as irmãs Owens ainda bebem margaritas à meia-noite

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Viciado em filmes

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13 de set. de 2026, 11:55

#Motivação
Opinião
After Work

Vinte e oito anos depois, Sandra Bullock e Nicole Kidman regressam à cozinha das Owens. A química continua intacta. A magia à volta delas é que nem sempre funciona.


Classificação: ★★★☆☆



Em 1998, Magia e Sedução (Practical Magic, no original) foi um fracasso. Contava a história de Sally e Gillian Owens (Sandra Bullock e Nicole Kidman), duas irmãs órfãs criadas pelas tias numa casa à beira-mar em Massachusetts, herdeiras de uma linhagem de bruxas e de uma maldição que condena à morte qualquer homem que as ame. A crítica não se enfeitiçou. Acusou-o de não saber o que queria ser (comédia romântica, filme de terror ou drama familiar), de ter um argumento que é um amontoado de peripécias sem ordem e de desperdiçar Dianne Wiest e Stockard Channing, as duas melhores actrizes do elenco, já então reconhecidas em Hollywood por vitórias e nomeações aos Óscares. Foi nas cassetes VHS e nos DVD que o público o foi descobrindo. Tornou-se um ritual de Outono, a rever quando o Dia das Bruxas se aproxima (hoje, está na HBO Max, para quem quiser cumprir a tradição).

De fracasso a filme de culto, porque o público assim o quis. Uma mudança de patamar que se estende também às suas protagonistas: em 1998, Bullock vinha de Speed e Kidman era, para muitos, ainda a mulher de Tom Cruise. Entretanto, são duas lendas de Hollywood, ambas com um Óscar na prateleira (Kidman por As Horas, Bullock por Um Sonho Possível). Quem volta à casa das Owens já não são as mesmas mulheres, e a realizadora Susanne Bier (que trabalhou com Bullock em Bird Box) reconhece essa mudança ao adaptar o último volume da saga Owens, de Alice Hoffman.



Passaram 25 anos na ficção. Sally (Bullock) é viúva e tentou, mais uma vez, deixar a magia à porta. Gillian (Kidman) continua a ser a irmã rebelde cujas acções ninguém consegue prever. As tias Frances (Channing) e Jet (Wiest) continuam lá. E as filhas de Sally, Antonia (Maisie Williams) e Kylie (Joey King), são agora adultas. Um segredo de família, o do título, arrasta as Owens de Massachusetts até Inglaterra, na tentativa de quebrar a maldição que as persegue há séculos.

Comédia, romance, terror, drama familiar. A falta de identidade, a mistura de géneros que a crítica assinalou em 1998, surge novamente em Segredos de Família, como herança de família. É previsível e de humor fácil? Sim, caso contrário não seria a sequela de Magia e Sedução. No entanto, Bullock e Kidman não perderam a química, e é aí que reside o coração do filme: a dinâmica realista entre as duas, o apoio mútuo, os laços de uma amizade feminina que atravessa décadas. Em 1998 acabavam as frases uma da outra. Hoje, interrompem-se. Afinal, a maturidade também pode trazer alguma impaciência.



Essa química sempre teve banda sonora. Em 1998, Stevie Nicks emprestou "Crystal" à cozinha das Owens, e a música tornou-se a outra narradora deste universo. Agora é a própria Bullock quem assume a curadoria, e nota-se o carinho. Nicks volta com "Landslide" e traz consigo a nova geração: Olivia Rodrigo assina "The Cure". Brandi Carlile, Bleachers e Faith Hill completam o alinhamento. Se o argumento hesita entre gerações, é a banda sonora que consegue uni-las, com uma lenda dos anos 70 a passar o testemunho a uma estrela pop de 23 anos.

As irmãs e as canções aguentam o filme. O resto é que nem sempre acompanha, porque o filme só funciona se já tivermos afecto por estas personagens. Quem chega de novo vai achá-lo menos mágico do que promete. Segredos de Família abraça a nostalgia, evocando as midnight margaritas, as canções e as caras de 1998. Segue a fórmula fácil e algo redutora das sequelas tardias: expande o mundo da narrativa original, mas com um brilho de estúdio que lhe tira a textura artesanal dos anos 90. Traz a memória do primeiro filme, mas também os seus defeitos: personagens que simplesmente desaparecem do argumento, da filha Antonia às tias Jet e Frances, que, tal como há 28 anos, têm menos minutos do que mereciam, apesar de serem elas a trazer os momentos de maior profundidade dramática.



Ainda assim, estamos perante um filme com uma mensagem comovente sobre aceitar a herança que nos deixaram e assumir o poder que é nosso. "Não há magia mais forte do que a irmandade", dizem as tias às sobrinhas. Dizem-no uma única vez, e chega. O primeiro Magia e Sedução precisou de anos, de cassetes e de tardes de televisão para encontrar quem o amasse. Segredos de Família chega aos cinemas com o caminho já aberto. Vale a ida à sala, nem que seja por uma margarita. No fim, mais do que feitiços, o que fica é a imagem de duas irmãs que nunca desistem uma da outra. Essa magia não envelhece.


LEIA OUTRAS CRÍTICAS DE CINEMA, ASSINADAS POR DIOGO MARQUES PARA O MOTIVO, AQUI.

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After Work

Vinte e oito anos depois, Sandra Bullock e Nicole Kidman regressam à cozinha das Owens. A química continua intacta. A magia à volta delas é que nem sempre funciona.


Classificação: ★★★☆☆



Em 1998, Magia e Sedução (Practical Magic, no original) foi um fracasso. Contava a história de Sally e Gillian Owens (Sandra Bullock e Nicole Kidman), duas irmãs órfãs criadas pelas tias numa casa à beira-mar em Massachusetts, herdeiras de uma linhagem de bruxas e de uma maldição que condena à morte qualquer homem que as ame. A crítica não se enfeitiçou. Acusou-o de não saber o que queria ser (comédia romântica, filme de terror ou drama familiar), de ter um argumento que é um amontoado de peripécias sem ordem e de desperdiçar Dianne Wiest e Stockard Channing, as duas melhores actrizes do elenco, já então reconhecidas em Hollywood por vitórias e nomeações aos Óscares. Foi nas cassetes VHS e nos DVD que o público o foi descobrindo. Tornou-se um ritual de Outono, a rever quando o Dia das Bruxas se aproxima (hoje, está na HBO Max, para quem quiser cumprir a tradição).

De fracasso a filme de culto, porque o público assim o quis. Uma mudança de patamar que se estende também às suas protagonistas: em 1998, Bullock vinha de Speed e Kidman era, para muitos, ainda a mulher de Tom Cruise. Entretanto, são duas lendas de Hollywood, ambas com um Óscar na prateleira (Kidman por As Horas, Bullock por Um Sonho Possível). Quem volta à casa das Owens já não são as mesmas mulheres, e a realizadora Susanne Bier (que trabalhou com Bullock em Bird Box) reconhece essa mudança ao adaptar o último volume da saga Owens, de Alice Hoffman.



Passaram 25 anos na ficção. Sally (Bullock) é viúva e tentou, mais uma vez, deixar a magia à porta. Gillian (Kidman) continua a ser a irmã rebelde cujas acções ninguém consegue prever. As tias Frances (Channing) e Jet (Wiest) continuam lá. E as filhas de Sally, Antonia (Maisie Williams) e Kylie (Joey King), são agora adultas. Um segredo de família, o do título, arrasta as Owens de Massachusetts até Inglaterra, na tentativa de quebrar a maldição que as persegue há séculos.

Comédia, romance, terror, drama familiar. A falta de identidade, a mistura de géneros que a crítica assinalou em 1998, surge novamente em Segredos de Família, como herança de família. É previsível e de humor fácil? Sim, caso contrário não seria a sequela de Magia e Sedução. No entanto, Bullock e Kidman não perderam a química, e é aí que reside o coração do filme: a dinâmica realista entre as duas, o apoio mútuo, os laços de uma amizade feminina que atravessa décadas. Em 1998 acabavam as frases uma da outra. Hoje, interrompem-se. Afinal, a maturidade também pode trazer alguma impaciência.



Essa química sempre teve banda sonora. Em 1998, Stevie Nicks emprestou "Crystal" à cozinha das Owens, e a música tornou-se a outra narradora deste universo. Agora é a própria Bullock quem assume a curadoria, e nota-se o carinho. Nicks volta com "Landslide" e traz consigo a nova geração: Olivia Rodrigo assina "The Cure". Brandi Carlile, Bleachers e Faith Hill completam o alinhamento. Se o argumento hesita entre gerações, é a banda sonora que consegue uni-las, com uma lenda dos anos 70 a passar o testemunho a uma estrela pop de 23 anos.

As irmãs e as canções aguentam o filme. O resto é que nem sempre acompanha, porque o filme só funciona se já tivermos afecto por estas personagens. Quem chega de novo vai achá-lo menos mágico do que promete. Segredos de Família abraça a nostalgia, evocando as midnight margaritas, as canções e as caras de 1998. Segue a fórmula fácil e algo redutora das sequelas tardias: expande o mundo da narrativa original, mas com um brilho de estúdio que lhe tira a textura artesanal dos anos 90. Traz a memória do primeiro filme, mas também os seus defeitos: personagens que simplesmente desaparecem do argumento, da filha Antonia às tias Jet e Frances, que, tal como há 28 anos, têm menos minutos do que mereciam, apesar de serem elas a trazer os momentos de maior profundidade dramática.



Ainda assim, estamos perante um filme com uma mensagem comovente sobre aceitar a herança que nos deixaram e assumir o poder que é nosso. "Não há magia mais forte do que a irmandade", dizem as tias às sobrinhas. Dizem-no uma única vez, e chega. O primeiro Magia e Sedução precisou de anos, de cassetes e de tardes de televisão para encontrar quem o amasse. Segredos de Família chega aos cinemas com o caminho já aberto. Vale a ida à sala, nem que seja por uma margarita. No fim, mais do que feitiços, o que fica é a imagem de duas irmãs que nunca desistem uma da outra. Essa magia não envelhece.


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Vinte e oito anos depois, Sandra Bullock e Nicole Kidman regressam à cozinha das Owens. A química continua intacta. A magia à volta delas é que nem sempre funciona.


Classificação: ★★★☆☆



Em 1998, Magia e Sedução (Practical Magic, no original) foi um fracasso. Contava a história de Sally e Gillian Owens (Sandra Bullock e Nicole Kidman), duas irmãs órfãs criadas pelas tias numa casa à beira-mar em Massachusetts, herdeiras de uma linhagem de bruxas e de uma maldição que condena à morte qualquer homem que as ame. A crítica não se enfeitiçou. Acusou-o de não saber o que queria ser (comédia romântica, filme de terror ou drama familiar), de ter um argumento que é um amontoado de peripécias sem ordem e de desperdiçar Dianne Wiest e Stockard Channing, as duas melhores actrizes do elenco, já então reconhecidas em Hollywood por vitórias e nomeações aos Óscares. Foi nas cassetes VHS e nos DVD que o público o foi descobrindo. Tornou-se um ritual de Outono, a rever quando o Dia das Bruxas se aproxima (hoje, está na HBO Max, para quem quiser cumprir a tradição).

De fracasso a filme de culto, porque o público assim o quis. Uma mudança de patamar que se estende também às suas protagonistas: em 1998, Bullock vinha de Speed e Kidman era, para muitos, ainda a mulher de Tom Cruise. Entretanto, são duas lendas de Hollywood, ambas com um Óscar na prateleira (Kidman por As Horas, Bullock por Um Sonho Possível). Quem volta à casa das Owens já não são as mesmas mulheres, e a realizadora Susanne Bier (que trabalhou com Bullock em Bird Box) reconhece essa mudança ao adaptar o último volume da saga Owens, de Alice Hoffman.



Passaram 25 anos na ficção. Sally (Bullock) é viúva e tentou, mais uma vez, deixar a magia à porta. Gillian (Kidman) continua a ser a irmã rebelde cujas acções ninguém consegue prever. As tias Frances (Channing) e Jet (Wiest) continuam lá. E as filhas de Sally, Antonia (Maisie Williams) e Kylie (Joey King), são agora adultas. Um segredo de família, o do título, arrasta as Owens de Massachusetts até Inglaterra, na tentativa de quebrar a maldição que as persegue há séculos.

Comédia, romance, terror, drama familiar. A falta de identidade, a mistura de géneros que a crítica assinalou em 1998, surge novamente em Segredos de Família, como herança de família. É previsível e de humor fácil? Sim, caso contrário não seria a sequela de Magia e Sedução. No entanto, Bullock e Kidman não perderam a química, e é aí que reside o coração do filme: a dinâmica realista entre as duas, o apoio mútuo, os laços de uma amizade feminina que atravessa décadas. Em 1998 acabavam as frases uma da outra. Hoje, interrompem-se. Afinal, a maturidade também pode trazer alguma impaciência.



Essa química sempre teve banda sonora. Em 1998, Stevie Nicks emprestou "Crystal" à cozinha das Owens, e a música tornou-se a outra narradora deste universo. Agora é a própria Bullock quem assume a curadoria, e nota-se o carinho. Nicks volta com "Landslide" e traz consigo a nova geração: Olivia Rodrigo assina "The Cure". Brandi Carlile, Bleachers e Faith Hill completam o alinhamento. Se o argumento hesita entre gerações, é a banda sonora que consegue uni-las, com uma lenda dos anos 70 a passar o testemunho a uma estrela pop de 23 anos.

As irmãs e as canções aguentam o filme. O resto é que nem sempre acompanha, porque o filme só funciona se já tivermos afecto por estas personagens. Quem chega de novo vai achá-lo menos mágico do que promete. Segredos de Família abraça a nostalgia, evocando as midnight margaritas, as canções e as caras de 1998. Segue a fórmula fácil e algo redutora das sequelas tardias: expande o mundo da narrativa original, mas com um brilho de estúdio que lhe tira a textura artesanal dos anos 90. Traz a memória do primeiro filme, mas também os seus defeitos: personagens que simplesmente desaparecem do argumento, da filha Antonia às tias Jet e Frances, que, tal como há 28 anos, têm menos minutos do que mereciam, apesar de serem elas a trazer os momentos de maior profundidade dramática.



Ainda assim, estamos perante um filme com uma mensagem comovente sobre aceitar a herança que nos deixaram e assumir o poder que é nosso. "Não há magia mais forte do que a irmandade", dizem as tias às sobrinhas. Dizem-no uma única vez, e chega. O primeiro Magia e Sedução precisou de anos, de cassetes e de tardes de televisão para encontrar quem o amasse. Segredos de Família chega aos cinemas com o caminho já aberto. Vale a ida à sala, nem que seja por uma margarita. No fim, mais do que feitiços, o que fica é a imagem de duas irmãs que nunca desistem uma da outra. Essa magia não envelhece.


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CRÍTICA | MAGIA E SEDUÇÃO: SEGREDOS DE FAMÍLIA, as irmãs Owens ainda bebem margaritas à meia-noite

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#Motivação

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After Work

Vinte e oito anos depois, Sandra Bullock e Nicole Kidman regressam à cozinha das Owens. A química continua intacta. A magia à volta delas é que nem sempre funciona.


Classificação: ★★★☆☆



Em 1998, Magia e Sedução (Practical Magic, no original) foi um fracasso. Contava a história de Sally e Gillian Owens (Sandra Bullock e Nicole Kidman), duas irmãs órfãs criadas pelas tias numa casa à beira-mar em Massachusetts, herdeiras de uma linhagem de bruxas e de uma maldição que condena à morte qualquer homem que as ame. A crítica não se enfeitiçou. Acusou-o de não saber o que queria ser (comédia romântica, filme de terror ou drama familiar), de ter um argumento que é um amontoado de peripécias sem ordem e de desperdiçar Dianne Wiest e Stockard Channing, as duas melhores actrizes do elenco, já então reconhecidas em Hollywood por vitórias e nomeações aos Óscares. Foi nas cassetes VHS e nos DVD que o público o foi descobrindo. Tornou-se um ritual de Outono, a rever quando o Dia das Bruxas se aproxima (hoje, está na HBO Max, para quem quiser cumprir a tradição).

De fracasso a filme de culto, porque o público assim o quis. Uma mudança de patamar que se estende também às suas protagonistas: em 1998, Bullock vinha de Speed e Kidman era, para muitos, ainda a mulher de Tom Cruise. Entretanto, são duas lendas de Hollywood, ambas com um Óscar na prateleira (Kidman por As Horas, Bullock por Um Sonho Possível). Quem volta à casa das Owens já não são as mesmas mulheres, e a realizadora Susanne Bier (que trabalhou com Bullock em Bird Box) reconhece essa mudança ao adaptar o último volume da saga Owens, de Alice Hoffman.



Passaram 25 anos na ficção. Sally (Bullock) é viúva e tentou, mais uma vez, deixar a magia à porta. Gillian (Kidman) continua a ser a irmã rebelde cujas acções ninguém consegue prever. As tias Frances (Channing) e Jet (Wiest) continuam lá. E as filhas de Sally, Antonia (Maisie Williams) e Kylie (Joey King), são agora adultas. Um segredo de família, o do título, arrasta as Owens de Massachusetts até Inglaterra, na tentativa de quebrar a maldição que as persegue há séculos.

Comédia, romance, terror, drama familiar. A falta de identidade, a mistura de géneros que a crítica assinalou em 1998, surge novamente em Segredos de Família, como herança de família. É previsível e de humor fácil? Sim, caso contrário não seria a sequela de Magia e Sedução. No entanto, Bullock e Kidman não perderam a química, e é aí que reside o coração do filme: a dinâmica realista entre as duas, o apoio mútuo, os laços de uma amizade feminina que atravessa décadas. Em 1998 acabavam as frases uma da outra. Hoje, interrompem-se. Afinal, a maturidade também pode trazer alguma impaciência.



Essa química sempre teve banda sonora. Em 1998, Stevie Nicks emprestou "Crystal" à cozinha das Owens, e a música tornou-se a outra narradora deste universo. Agora é a própria Bullock quem assume a curadoria, e nota-se o carinho. Nicks volta com "Landslide" e traz consigo a nova geração: Olivia Rodrigo assina "The Cure". Brandi Carlile, Bleachers e Faith Hill completam o alinhamento. Se o argumento hesita entre gerações, é a banda sonora que consegue uni-las, com uma lenda dos anos 70 a passar o testemunho a uma estrela pop de 23 anos.

As irmãs e as canções aguentam o filme. O resto é que nem sempre acompanha, porque o filme só funciona se já tivermos afecto por estas personagens. Quem chega de novo vai achá-lo menos mágico do que promete. Segredos de Família abraça a nostalgia, evocando as midnight margaritas, as canções e as caras de 1998. Segue a fórmula fácil e algo redutora das sequelas tardias: expande o mundo da narrativa original, mas com um brilho de estúdio que lhe tira a textura artesanal dos anos 90. Traz a memória do primeiro filme, mas também os seus defeitos: personagens que simplesmente desaparecem do argumento, da filha Antonia às tias Jet e Frances, que, tal como há 28 anos, têm menos minutos do que mereciam, apesar de serem elas a trazer os momentos de maior profundidade dramática.



Ainda assim, estamos perante um filme com uma mensagem comovente sobre aceitar a herança que nos deixaram e assumir o poder que é nosso. "Não há magia mais forte do que a irmandade", dizem as tias às sobrinhas. Dizem-no uma única vez, e chega. O primeiro Magia e Sedução precisou de anos, de cassetes e de tardes de televisão para encontrar quem o amasse. Segredos de Família chega aos cinemas com o caminho já aberto. Vale a ida à sala, nem que seja por uma margarita. No fim, mais do que feitiços, o que fica é a imagem de duas irmãs que nunca desistem uma da outra. Essa magia não envelhece.


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