
#Conhecimento
Portugal tem falta de competências digitais
Há fibra, 5G, serviços públicos digitais e uma infraestrutura tecnológica que, em vários indicadores, supera a média europeia. No entanto, o país chega a 2026 com apenas 59,2% da população entre os 16 e os 74 anos a possuir, pelo menos, competências digitais básicas. A contradição ajuda a explicar um dos desafios da transformação digital portuguesa: disponibilizar tecnologia é diferente de garantir que pessoas e empresas sabem tirar partido dela.
O mais recente Relatório sobre a Década Digital, publicado pela Comissão Europeia em junho, apresenta um retrato desigual. Portugal tem cobertura de redes fixas de muito alta capacidade de 97,1%, fibra até às instalações de 95,5% e cobertura 5G básica de 99,1%, todos valores superiores à média da União Europeia. Nos serviços públicos digitais, também está acima da média europeia. Quando a análise passa para as competências, a vantagem desaparece: os 59,2% de portugueses com competências digitais básicas ficam abaixo dos 60,4% registados na UE e ainda bastante longe da meta de 80% definida para 2030.
A expressão “competências digitais básicas” pode sugerir simplesmente saber usar um computador ou navegar na internet, mas o indicador europeu é mais exigente. Avalia cinco áreas: literacia de informação e dados, comunicação e colaboração, criação de conteúdos digitais, segurança e resolução de problemas. Entre as atividades consideradas estão pesquisar e avaliar informação, utilizar folhas de cálculo, editar conteúdos, gerir dados pessoais, instalar aplicações, alterar configurações de software ou utilizar ferramentas digitais para resolver problemas. Para ser considerado como tendo competências básicas, um indivíduo tem de demonstrar pelo menos um nível básico nas cinco dimensões.
É também por isso que ser utilizador intensivo de tecnologia não significa de forma linear ser digitalmente competente. Usar diariamente WhatsApp, Instagram, aplicações bancárias ou plataformas de streaming revela familiaridade com ferramentas digitais, embora diga pouco sobre a capacidade para trabalhar com dados, identificar informação pouco credível, proteger informação sensível, utilizar software de produtividade ou adaptar-se a novas plataformas profissionais. Num mercado de trabalho onde estas tarefas atravessam um número crescente de profissões, a literacia digital deixou de ser apenas uma competência de quem trabalha em tecnologia.
O problema torna-se mais evidente quando se olha para as empresas
Em 2025, 34,1% das empresas portuguesas utilizavam serviços de cloud de nível intermédio ou sofisticado, perante 46,7% na União Europeia. Na inteligência artificial, Portugal chegava aos 11,5%, contra 20% na média europeia. A exceção está na análise de dados: 45% das empresas portuguesas utilizavam estas tecnologias, acima dos 39,9% da UE. A Comissão conclui que as empresas nacionais estão a progredir, embora a um ritmo inferior ao europeu em várias áreas de digitalização avançada.
Esta distância não é apenas tecnológica. A própria Comissão aponta as competências como uma parte do problema e os portugueses reconhecem a dificuldade. No Eurobarómetro da Década Digital de 2026, 35% dos inquiridos em Portugal identificaram a falta de formação ou de competências relevantes como um dos principais obstáculos à utilização de ferramentas de inteligência artificial generativa. É um dado particularmente relevante num momento em que ferramentas deste tipo começam a entrar em funções que até recentemente exigiam pouca especialização tecnológica.
Portugal apresenta, ainda assim, um indicador positivo no extremo mais especializado do mercado. Os profissionais de tecnologias de informação e comunicação já representam 5,4% do emprego nacional, acima dos 5% da média europeia. O paradoxo está precisamente aí: o país consegue aumentar o número de especialistas altamente qualificados enquanto uma parte significativa da população continua sem atingir o patamar definido como básico. A Comissão destaca ainda uma evolução mais lenta das competências entre mulheres, pessoas com níveis de escolaridade mais baixos e adultos mais velhos, reforçando o risco de a digitalização aprofundar diferenças já existentes.
Como se resolve?
A resposta pública passa pelo Pacto de Competências Digitais, integrado na Estratégia Digital Nacional. O plano pretende capacitar 2,8 milhões de portugueses até 2030 e abrange desde literacia básica até competências intermédias, avançadas e emergentes, como inteligência artificial, ciência de dados, cibersegurança, robótica e computação em nuvem. O objetivo nacional coincide com o europeu: chegar ao final da década com pelo menos 80% da população dotada de competências digitais básicas.
Para o mercado de trabalho, porém, a questão ultrapassa a formação de programadores, cientistas de dados ou especialistas em cibersegurança. Um profissional de marketing precisa de interpretar métricas e compreender as ferramentas que automatizam parte do seu trabalho; alguém em recursos humanos trabalha com plataformas, dados e IA; equipas financeiras lidam com sistemas de análise e automatização; gestores precisam de avaliar informação digital e tomar decisões sobre tecnologia. Folhas de cálculo, análise de dados, segurança, colaboração digital, utilização responsável de IA e capacidade de aprender novas ferramentas são cada vez mais competências de trabalho, e não competências “de informática”.
A infraestrutura digital portuguesa avançou mais depressa do que a capacidade de algumas pessoas e organizações para a utilizar plenamente. Esse desfasamento ajuda a explicar por que razão um país pode ter quase todo o território coberto por redes avançadas, serviços públicos digitais acima da média europeia e, simultaneamente, empresas atrás dos seus pares na adoção de cloud e IA. O próximo salto da digitalização portuguesa dependerá menos de colocar mais tecnologia à disposição e mais de garantir que trabalhadores e empresas sabem o que fazer com ela.
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(C) Foto de John na Unsplash

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Há fibra, 5G, serviços públicos digitais e uma infraestrutura tecnológica que, em vários indicadores, supera a média europeia. No entanto, o país chega a 2026 com apenas 59,2% da população entre os 16 e os 74 anos a possuir, pelo menos, competências digitais básicas. A contradição ajuda a explicar um dos desafios da transformação digital portuguesa: disponibilizar tecnologia é diferente de garantir que pessoas e empresas sabem tirar partido dela.
O mais recente Relatório sobre a Década Digital, publicado pela Comissão Europeia em junho, apresenta um retrato desigual. Portugal tem cobertura de redes fixas de muito alta capacidade de 97,1%, fibra até às instalações de 95,5% e cobertura 5G básica de 99,1%, todos valores superiores à média da União Europeia. Nos serviços públicos digitais, também está acima da média europeia. Quando a análise passa para as competências, a vantagem desaparece: os 59,2% de portugueses com competências digitais básicas ficam abaixo dos 60,4% registados na UE e ainda bastante longe da meta de 80% definida para 2030.
A expressão “competências digitais básicas” pode sugerir simplesmente saber usar um computador ou navegar na internet, mas o indicador europeu é mais exigente. Avalia cinco áreas: literacia de informação e dados, comunicação e colaboração, criação de conteúdos digitais, segurança e resolução de problemas. Entre as atividades consideradas estão pesquisar e avaliar informação, utilizar folhas de cálculo, editar conteúdos, gerir dados pessoais, instalar aplicações, alterar configurações de software ou utilizar ferramentas digitais para resolver problemas. Para ser considerado como tendo competências básicas, um indivíduo tem de demonstrar pelo menos um nível básico nas cinco dimensões.
É também por isso que ser utilizador intensivo de tecnologia não significa de forma linear ser digitalmente competente. Usar diariamente WhatsApp, Instagram, aplicações bancárias ou plataformas de streaming revela familiaridade com ferramentas digitais, embora diga pouco sobre a capacidade para trabalhar com dados, identificar informação pouco credível, proteger informação sensível, utilizar software de produtividade ou adaptar-se a novas plataformas profissionais. Num mercado de trabalho onde estas tarefas atravessam um número crescente de profissões, a literacia digital deixou de ser apenas uma competência de quem trabalha em tecnologia.
O problema torna-se mais evidente quando se olha para as empresas
Em 2025, 34,1% das empresas portuguesas utilizavam serviços de cloud de nível intermédio ou sofisticado, perante 46,7% na União Europeia. Na inteligência artificial, Portugal chegava aos 11,5%, contra 20% na média europeia. A exceção está na análise de dados: 45% das empresas portuguesas utilizavam estas tecnologias, acima dos 39,9% da UE. A Comissão conclui que as empresas nacionais estão a progredir, embora a um ritmo inferior ao europeu em várias áreas de digitalização avançada.
Esta distância não é apenas tecnológica. A própria Comissão aponta as competências como uma parte do problema e os portugueses reconhecem a dificuldade. No Eurobarómetro da Década Digital de 2026, 35% dos inquiridos em Portugal identificaram a falta de formação ou de competências relevantes como um dos principais obstáculos à utilização de ferramentas de inteligência artificial generativa. É um dado particularmente relevante num momento em que ferramentas deste tipo começam a entrar em funções que até recentemente exigiam pouca especialização tecnológica.
Portugal apresenta, ainda assim, um indicador positivo no extremo mais especializado do mercado. Os profissionais de tecnologias de informação e comunicação já representam 5,4% do emprego nacional, acima dos 5% da média europeia. O paradoxo está precisamente aí: o país consegue aumentar o número de especialistas altamente qualificados enquanto uma parte significativa da população continua sem atingir o patamar definido como básico. A Comissão destaca ainda uma evolução mais lenta das competências entre mulheres, pessoas com níveis de escolaridade mais baixos e adultos mais velhos, reforçando o risco de a digitalização aprofundar diferenças já existentes.
Como se resolve?
A resposta pública passa pelo Pacto de Competências Digitais, integrado na Estratégia Digital Nacional. O plano pretende capacitar 2,8 milhões de portugueses até 2030 e abrange desde literacia básica até competências intermédias, avançadas e emergentes, como inteligência artificial, ciência de dados, cibersegurança, robótica e computação em nuvem. O objetivo nacional coincide com o europeu: chegar ao final da década com pelo menos 80% da população dotada de competências digitais básicas.
Para o mercado de trabalho, porém, a questão ultrapassa a formação de programadores, cientistas de dados ou especialistas em cibersegurança. Um profissional de marketing precisa de interpretar métricas e compreender as ferramentas que automatizam parte do seu trabalho; alguém em recursos humanos trabalha com plataformas, dados e IA; equipas financeiras lidam com sistemas de análise e automatização; gestores precisam de avaliar informação digital e tomar decisões sobre tecnologia. Folhas de cálculo, análise de dados, segurança, colaboração digital, utilização responsável de IA e capacidade de aprender novas ferramentas são cada vez mais competências de trabalho, e não competências “de informática”.
A infraestrutura digital portuguesa avançou mais depressa do que a capacidade de algumas pessoas e organizações para a utilizar plenamente. Esse desfasamento ajuda a explicar por que razão um país pode ter quase todo o território coberto por redes avançadas, serviços públicos digitais acima da média europeia e, simultaneamente, empresas atrás dos seus pares na adoção de cloud e IA. O próximo salto da digitalização portuguesa dependerá menos de colocar mais tecnologia à disposição e mais de garantir que trabalhadores e empresas sabem o que fazer com ela.
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Há fibra, 5G, serviços públicos digitais e uma infraestrutura tecnológica que, em vários indicadores, supera a média europeia. No entanto, o país chega a 2026 com apenas 59,2% da população entre os 16 e os 74 anos a possuir, pelo menos, competências digitais básicas. A contradição ajuda a explicar um dos desafios da transformação digital portuguesa: disponibilizar tecnologia é diferente de garantir que pessoas e empresas sabem tirar partido dela.
O mais recente Relatório sobre a Década Digital, publicado pela Comissão Europeia em junho, apresenta um retrato desigual. Portugal tem cobertura de redes fixas de muito alta capacidade de 97,1%, fibra até às instalações de 95,5% e cobertura 5G básica de 99,1%, todos valores superiores à média da União Europeia. Nos serviços públicos digitais, também está acima da média europeia. Quando a análise passa para as competências, a vantagem desaparece: os 59,2% de portugueses com competências digitais básicas ficam abaixo dos 60,4% registados na UE e ainda bastante longe da meta de 80% definida para 2030.
A expressão “competências digitais básicas” pode sugerir simplesmente saber usar um computador ou navegar na internet, mas o indicador europeu é mais exigente. Avalia cinco áreas: literacia de informação e dados, comunicação e colaboração, criação de conteúdos digitais, segurança e resolução de problemas. Entre as atividades consideradas estão pesquisar e avaliar informação, utilizar folhas de cálculo, editar conteúdos, gerir dados pessoais, instalar aplicações, alterar configurações de software ou utilizar ferramentas digitais para resolver problemas. Para ser considerado como tendo competências básicas, um indivíduo tem de demonstrar pelo menos um nível básico nas cinco dimensões.
É também por isso que ser utilizador intensivo de tecnologia não significa de forma linear ser digitalmente competente. Usar diariamente WhatsApp, Instagram, aplicações bancárias ou plataformas de streaming revela familiaridade com ferramentas digitais, embora diga pouco sobre a capacidade para trabalhar com dados, identificar informação pouco credível, proteger informação sensível, utilizar software de produtividade ou adaptar-se a novas plataformas profissionais. Num mercado de trabalho onde estas tarefas atravessam um número crescente de profissões, a literacia digital deixou de ser apenas uma competência de quem trabalha em tecnologia.
O problema torna-se mais evidente quando se olha para as empresas
Em 2025, 34,1% das empresas portuguesas utilizavam serviços de cloud de nível intermédio ou sofisticado, perante 46,7% na União Europeia. Na inteligência artificial, Portugal chegava aos 11,5%, contra 20% na média europeia. A exceção está na análise de dados: 45% das empresas portuguesas utilizavam estas tecnologias, acima dos 39,9% da UE. A Comissão conclui que as empresas nacionais estão a progredir, embora a um ritmo inferior ao europeu em várias áreas de digitalização avançada.
Esta distância não é apenas tecnológica. A própria Comissão aponta as competências como uma parte do problema e os portugueses reconhecem a dificuldade. No Eurobarómetro da Década Digital de 2026, 35% dos inquiridos em Portugal identificaram a falta de formação ou de competências relevantes como um dos principais obstáculos à utilização de ferramentas de inteligência artificial generativa. É um dado particularmente relevante num momento em que ferramentas deste tipo começam a entrar em funções que até recentemente exigiam pouca especialização tecnológica.
Portugal apresenta, ainda assim, um indicador positivo no extremo mais especializado do mercado. Os profissionais de tecnologias de informação e comunicação já representam 5,4% do emprego nacional, acima dos 5% da média europeia. O paradoxo está precisamente aí: o país consegue aumentar o número de especialistas altamente qualificados enquanto uma parte significativa da população continua sem atingir o patamar definido como básico. A Comissão destaca ainda uma evolução mais lenta das competências entre mulheres, pessoas com níveis de escolaridade mais baixos e adultos mais velhos, reforçando o risco de a digitalização aprofundar diferenças já existentes.
Como se resolve?
A resposta pública passa pelo Pacto de Competências Digitais, integrado na Estratégia Digital Nacional. O plano pretende capacitar 2,8 milhões de portugueses até 2030 e abrange desde literacia básica até competências intermédias, avançadas e emergentes, como inteligência artificial, ciência de dados, cibersegurança, robótica e computação em nuvem. O objetivo nacional coincide com o europeu: chegar ao final da década com pelo menos 80% da população dotada de competências digitais básicas.
Para o mercado de trabalho, porém, a questão ultrapassa a formação de programadores, cientistas de dados ou especialistas em cibersegurança. Um profissional de marketing precisa de interpretar métricas e compreender as ferramentas que automatizam parte do seu trabalho; alguém em recursos humanos trabalha com plataformas, dados e IA; equipas financeiras lidam com sistemas de análise e automatização; gestores precisam de avaliar informação digital e tomar decisões sobre tecnologia. Folhas de cálculo, análise de dados, segurança, colaboração digital, utilização responsável de IA e capacidade de aprender novas ferramentas são cada vez mais competências de trabalho, e não competências “de informática”.
A infraestrutura digital portuguesa avançou mais depressa do que a capacidade de algumas pessoas e organizações para a utilizar plenamente. Esse desfasamento ajuda a explicar por que razão um país pode ter quase todo o território coberto por redes avançadas, serviços públicos digitais acima da média europeia e, simultaneamente, empresas atrás dos seus pares na adoção de cloud e IA. O próximo salto da digitalização portuguesa dependerá menos de colocar mais tecnologia à disposição e mais de garantir que trabalhadores e empresas sabem o que fazer com ela.
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Há fibra, 5G, serviços públicos digitais e uma infraestrutura tecnológica que, em vários indicadores, supera a média europeia. No entanto, o país chega a 2026 com apenas 59,2% da população entre os 16 e os 74 anos a possuir, pelo menos, competências digitais básicas. A contradição ajuda a explicar um dos desafios da transformação digital portuguesa: disponibilizar tecnologia é diferente de garantir que pessoas e empresas sabem tirar partido dela.
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A expressão “competências digitais básicas” pode sugerir simplesmente saber usar um computador ou navegar na internet, mas o indicador europeu é mais exigente. Avalia cinco áreas: literacia de informação e dados, comunicação e colaboração, criação de conteúdos digitais, segurança e resolução de problemas. Entre as atividades consideradas estão pesquisar e avaliar informação, utilizar folhas de cálculo, editar conteúdos, gerir dados pessoais, instalar aplicações, alterar configurações de software ou utilizar ferramentas digitais para resolver problemas. Para ser considerado como tendo competências básicas, um indivíduo tem de demonstrar pelo menos um nível básico nas cinco dimensões.
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Esta distância não é apenas tecnológica. A própria Comissão aponta as competências como uma parte do problema e os portugueses reconhecem a dificuldade. No Eurobarómetro da Década Digital de 2026, 35% dos inquiridos em Portugal identificaram a falta de formação ou de competências relevantes como um dos principais obstáculos à utilização de ferramentas de inteligência artificial generativa. É um dado particularmente relevante num momento em que ferramentas deste tipo começam a entrar em funções que até recentemente exigiam pouca especialização tecnológica.
Portugal apresenta, ainda assim, um indicador positivo no extremo mais especializado do mercado. Os profissionais de tecnologias de informação e comunicação já representam 5,4% do emprego nacional, acima dos 5% da média europeia. O paradoxo está precisamente aí: o país consegue aumentar o número de especialistas altamente qualificados enquanto uma parte significativa da população continua sem atingir o patamar definido como básico. A Comissão destaca ainda uma evolução mais lenta das competências entre mulheres, pessoas com níveis de escolaridade mais baixos e adultos mais velhos, reforçando o risco de a digitalização aprofundar diferenças já existentes.
Como se resolve?
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Para o mercado de trabalho, porém, a questão ultrapassa a formação de programadores, cientistas de dados ou especialistas em cibersegurança. Um profissional de marketing precisa de interpretar métricas e compreender as ferramentas que automatizam parte do seu trabalho; alguém em recursos humanos trabalha com plataformas, dados e IA; equipas financeiras lidam com sistemas de análise e automatização; gestores precisam de avaliar informação digital e tomar decisões sobre tecnologia. Folhas de cálculo, análise de dados, segurança, colaboração digital, utilização responsável de IA e capacidade de aprender novas ferramentas são cada vez mais competências de trabalho, e não competências “de informática”.
A infraestrutura digital portuguesa avançou mais depressa do que a capacidade de algumas pessoas e organizações para a utilizar plenamente. Esse desfasamento ajuda a explicar por que razão um país pode ter quase todo o território coberto por redes avançadas, serviços públicos digitais acima da média europeia e, simultaneamente, empresas atrás dos seus pares na adoção de cloud e IA. O próximo salto da digitalização portuguesa dependerá menos de colocar mais tecnologia à disposição e mais de garantir que trabalhadores e empresas sabem o que fazer com ela.
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