#Protagonistas

JOÃO BARACHO: «A inclusão digital é um direito, não um privilégio»

O próximo fosso digital pode já não separar quem tem acesso a um dispositivo de quem ficou fora da transformação tecnológica. A nova fronteira está entre quem compreende a tecnologia, a questiona e a utiliza para criar, e quem se limita a consumir aquilo que lhe chega ao ecrã. Para João Baracho, diretor executivo do CDI Portugal, preparar o futuro exige muito mais do que distribuir ferramentas: implica desenvolver confiança, sentido crítico e capacidade de intervenção.

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7 de ago. de 2026, 09:27

A reflexão nasce de uma carreira construída dentro do próprio setor tecnológico. Depois de mais de três décadas em empresas nacionais e multinacionais, João Baracho procurava um projeto que colocasse a experiência acumulada ao serviço de problemas sociais. O convite para lançar o CDI Portugal permitiu-lhe transportar para a inovação social aquilo que aprendera no mundo empresarial: “estrutura, rigor, inovação e metodologia”, e aplicá-lo à criação de impacto. O ponto de partida foi também a constatação de um desequilíbrio: a tecnologia continuava a beneficiar sobretudo quem já tinha acesso a oportunidades, deixando milhares de pessoas à margem de uma transformação apresentada como universal.


Desde maio de 2013, o CDI Portugal trabalha para transformar vidas através da tecnologia


O CDI Portugal trabalha desde 2013 na ligação entre educação, tecnologia, cidadania e empreendedorismo, através de projetos como o Apps for Good, os Centros de Cidadania Digital e a plataforma Recode. A organização procura levar crianças, jovens, adultos e seniores a usar a tecnologia na resolução de problemas próprios e das suas comunidades. Para João Baracho, o acesso físico representa apenas o princípio. “Pensar que todos os jovens são incluídos digitalmente é tão errado como pensar que todos nascemos a saber escrever”, afirma. A verdadeira inclusão começa quando uma pessoa ganha autonomia para compreender, escolher e criar.

A inteligência artificial torna essa distinção mais urgente. Baracho antecipa uma sociedade dividida entre os que usam a IA de forma estratégica e consciente e os que recebem os seus resultados sem compreender o funcionamento, os riscos ou os enviesamentos. O debate costuma concentrar-se na automatização do trabalho. O diretor executivo do CDI Portugal aponta outra ameaça: “a erosão do pensamento crítico, da criatividade e, em geral, da produção de conhecimento científico”. Nos projetos da organização, a abordagem à IA inclui ética, propriedade intelectual e desinformação, procurando usá-la como amplificadora da criatividade e nunca como substituta do pensamento.


Em 13 anos de atividade em Portugal, o CDI já impactou mais de 80 mil beneficiários e assegurou mais de 6 mil horas de capacitação


O Apps for Good traduz essa visão para o contexto escolar. O programa desafia alunos do 5.º ao 12.º ano a identificar problemas reais e a desenvolver soluções digitais, percorrendo o ciclo de criação de um produto e relacionando os projetos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O ganho, defende João Baracho, ultrapassa a programação: “Quando um jovem passa de consumidor a criador, há uma transformação radical na autoperceção e no que acredita ser possível”. Trabalho de equipa, comunicação, criatividade, liderança e capacidade de resolver problemas surgem como competências tão relevantes como o domínio técnico.

Esta perspetiva também altera a forma de medir resultados. Participantes, horas de formação e projetos desenvolvidos continuam a ser indicadores importantes, embora revelem apenas a camada mais visível do trabalho. O impacto real está na mudança de comportamento, na continuidade das aprendizagens e no efeito multiplicador criado dentro das comunidades. O especialista encara o desconforto: “Se alguém sair de um projeto CDI e nunca mais usar o que aprendeu, não medimos isto como sucesso. Medimos como fracasso, por muito que os números digam o contrário”.

As empresas têm um lugar relevante neste modelo, desde que ultrapassem a lógica do apoio pontual. “Financiamento pontual é filantropia. É importante, no entanto insuficiente. As empresas podem ser parceiras estruturais de transformação”, sustenta. No Apps for Good, especialistas de diferentes organizações dedicam tempo à mentoria dos alunos, aproximando a escola do mercado de trabalho. Baracho chama-lhe “voluntariado do conhecimento”: os colaboradores oferecem competências da sua área, participam na construção dos projetos e tornam mais concreta a possibilidade de um futuro profissional. O retorno empresarial pode surgir na motivação interna, nos objetivos de sustentabilidade, na atração de talento e na diferenciação da própria marca.


João Baracho tem uma carreira construída entre a gestão, a tecnologia e a inovação social


Juntar escolas, municípios, empresas e comunidades continua a ser, nas palavras do responsável, “um quebra-cabeças permanente”. Cada organização trabalha com ritmos próprios: o calendário letivo das escolas, os ciclos políticos e orçamentais dos municípios, os resultados trimestrais das empresas. A resposta passa por compreender os interesses de cada parte e construir os projetos em conjunto. Os Centros de Cidadania Digital de Valongo e da Maia, por exemplo, foram desenvolvidos em colaboração com os municípios e as comunidades, em vez de seguirem uma solução fechada e replicada sem adaptação local.

Portugal tem mostrado abertura à educação tecnológica e à inovação social, embora persistam falhas na ligação entre formação e emprego, desigualdades regionais e dificuldades em garantir continuidade aos projetos. Para João Baracho, a resposta passa por uma “Educação 5.0”, capaz de colocar o humanismo, a inclusão e a cidadania no centro da evolução tecnológica. A questão decisiva já não é saber quantas ferramentas digitais existem. É perceber quem tem condições para as compreender, transformar e usar na construção do próprio futuro. “Convenhamos, não há escassez de talento. Há escassez de oportunidades”.


#Protagonistas

JOÃO BARACHO: «A inclusão digital é um direito, não um privilégio»

O próximo fosso digital pode já não separar quem tem acesso a um dispositivo de quem ficou fora da transformação tecnológica. A nova fronteira está entre quem compreende a tecnologia, a questiona e a utiliza para criar, e quem se limita a consumir aquilo que lhe chega ao ecrã. Para João Baracho, diretor executivo do CDI Portugal, preparar o futuro exige muito mais do que distribuir ferramentas: implica desenvolver confiança, sentido crítico e capacidade de intervenção.

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7 de ago. de 2026, 09:27

A reflexão nasce de uma carreira construída dentro do próprio setor tecnológico. Depois de mais de três décadas em empresas nacionais e multinacionais, João Baracho procurava um projeto que colocasse a experiência acumulada ao serviço de problemas sociais. O convite para lançar o CDI Portugal permitiu-lhe transportar para a inovação social aquilo que aprendera no mundo empresarial: “estrutura, rigor, inovação e metodologia”, e aplicá-lo à criação de impacto. O ponto de partida foi também a constatação de um desequilíbrio: a tecnologia continuava a beneficiar sobretudo quem já tinha acesso a oportunidades, deixando milhares de pessoas à margem de uma transformação apresentada como universal.


Desde maio de 2013, o CDI Portugal trabalha para transformar vidas através da tecnologia


O CDI Portugal trabalha desde 2013 na ligação entre educação, tecnologia, cidadania e empreendedorismo, através de projetos como o Apps for Good, os Centros de Cidadania Digital e a plataforma Recode. A organização procura levar crianças, jovens, adultos e seniores a usar a tecnologia na resolução de problemas próprios e das suas comunidades. Para João Baracho, o acesso físico representa apenas o princípio. “Pensar que todos os jovens são incluídos digitalmente é tão errado como pensar que todos nascemos a saber escrever”, afirma. A verdadeira inclusão começa quando uma pessoa ganha autonomia para compreender, escolher e criar.

A inteligência artificial torna essa distinção mais urgente. Baracho antecipa uma sociedade dividida entre os que usam a IA de forma estratégica e consciente e os que recebem os seus resultados sem compreender o funcionamento, os riscos ou os enviesamentos. O debate costuma concentrar-se na automatização do trabalho. O diretor executivo do CDI Portugal aponta outra ameaça: “a erosão do pensamento crítico, da criatividade e, em geral, da produção de conhecimento científico”. Nos projetos da organização, a abordagem à IA inclui ética, propriedade intelectual e desinformação, procurando usá-la como amplificadora da criatividade e nunca como substituta do pensamento.


Em 13 anos de atividade em Portugal, o CDI já impactou mais de 80 mil beneficiários e assegurou mais de 6 mil horas de capacitação


O Apps for Good traduz essa visão para o contexto escolar. O programa desafia alunos do 5.º ao 12.º ano a identificar problemas reais e a desenvolver soluções digitais, percorrendo o ciclo de criação de um produto e relacionando os projetos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O ganho, defende João Baracho, ultrapassa a programação: “Quando um jovem passa de consumidor a criador, há uma transformação radical na autoperceção e no que acredita ser possível”. Trabalho de equipa, comunicação, criatividade, liderança e capacidade de resolver problemas surgem como competências tão relevantes como o domínio técnico.

Esta perspetiva também altera a forma de medir resultados. Participantes, horas de formação e projetos desenvolvidos continuam a ser indicadores importantes, embora revelem apenas a camada mais visível do trabalho. O impacto real está na mudança de comportamento, na continuidade das aprendizagens e no efeito multiplicador criado dentro das comunidades. O especialista encara o desconforto: “Se alguém sair de um projeto CDI e nunca mais usar o que aprendeu, não medimos isto como sucesso. Medimos como fracasso, por muito que os números digam o contrário”.

As empresas têm um lugar relevante neste modelo, desde que ultrapassem a lógica do apoio pontual. “Financiamento pontual é filantropia. É importante, no entanto insuficiente. As empresas podem ser parceiras estruturais de transformação”, sustenta. No Apps for Good, especialistas de diferentes organizações dedicam tempo à mentoria dos alunos, aproximando a escola do mercado de trabalho. Baracho chama-lhe “voluntariado do conhecimento”: os colaboradores oferecem competências da sua área, participam na construção dos projetos e tornam mais concreta a possibilidade de um futuro profissional. O retorno empresarial pode surgir na motivação interna, nos objetivos de sustentabilidade, na atração de talento e na diferenciação da própria marca.


João Baracho tem uma carreira construída entre a gestão, a tecnologia e a inovação social


Juntar escolas, municípios, empresas e comunidades continua a ser, nas palavras do responsável, “um quebra-cabeças permanente”. Cada organização trabalha com ritmos próprios: o calendário letivo das escolas, os ciclos políticos e orçamentais dos municípios, os resultados trimestrais das empresas. A resposta passa por compreender os interesses de cada parte e construir os projetos em conjunto. Os Centros de Cidadania Digital de Valongo e da Maia, por exemplo, foram desenvolvidos em colaboração com os municípios e as comunidades, em vez de seguirem uma solução fechada e replicada sem adaptação local.

Portugal tem mostrado abertura à educação tecnológica e à inovação social, embora persistam falhas na ligação entre formação e emprego, desigualdades regionais e dificuldades em garantir continuidade aos projetos. Para João Baracho, a resposta passa por uma “Educação 5.0”, capaz de colocar o humanismo, a inclusão e a cidadania no centro da evolução tecnológica. A questão decisiva já não é saber quantas ferramentas digitais existem. É perceber quem tem condições para as compreender, transformar e usar na construção do próprio futuro. “Convenhamos, não há escassez de talento. Há escassez de oportunidades”.


#Protagonistas

JOÃO BARACHO: «A inclusão digital é um direito, não um privilégio»

O próximo fosso digital pode já não separar quem tem acesso a um dispositivo de quem ficou fora da transformação tecnológica. A nova fronteira está entre quem compreende a tecnologia, a questiona e a utiliza para criar, e quem se limita a consumir aquilo que lhe chega ao ecrã. Para João Baracho, diretor executivo do CDI Portugal, preparar o futuro exige muito mais do que distribuir ferramentas: implica desenvolver confiança, sentido crítico e capacidade de intervenção.

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7 de ago. de 2026, 09:27

A reflexão nasce de uma carreira construída dentro do próprio setor tecnológico. Depois de mais de três décadas em empresas nacionais e multinacionais, João Baracho procurava um projeto que colocasse a experiência acumulada ao serviço de problemas sociais. O convite para lançar o CDI Portugal permitiu-lhe transportar para a inovação social aquilo que aprendera no mundo empresarial: “estrutura, rigor, inovação e metodologia”, e aplicá-lo à criação de impacto. O ponto de partida foi também a constatação de um desequilíbrio: a tecnologia continuava a beneficiar sobretudo quem já tinha acesso a oportunidades, deixando milhares de pessoas à margem de uma transformação apresentada como universal.


Desde maio de 2013, o CDI Portugal trabalha para transformar vidas através da tecnologia


O CDI Portugal trabalha desde 2013 na ligação entre educação, tecnologia, cidadania e empreendedorismo, através de projetos como o Apps for Good, os Centros de Cidadania Digital e a plataforma Recode. A organização procura levar crianças, jovens, adultos e seniores a usar a tecnologia na resolução de problemas próprios e das suas comunidades. Para João Baracho, o acesso físico representa apenas o princípio. “Pensar que todos os jovens são incluídos digitalmente é tão errado como pensar que todos nascemos a saber escrever”, afirma. A verdadeira inclusão começa quando uma pessoa ganha autonomia para compreender, escolher e criar.

A inteligência artificial torna essa distinção mais urgente. Baracho antecipa uma sociedade dividida entre os que usam a IA de forma estratégica e consciente e os que recebem os seus resultados sem compreender o funcionamento, os riscos ou os enviesamentos. O debate costuma concentrar-se na automatização do trabalho. O diretor executivo do CDI Portugal aponta outra ameaça: “a erosão do pensamento crítico, da criatividade e, em geral, da produção de conhecimento científico”. Nos projetos da organização, a abordagem à IA inclui ética, propriedade intelectual e desinformação, procurando usá-la como amplificadora da criatividade e nunca como substituta do pensamento.


Em 13 anos de atividade em Portugal, o CDI já impactou mais de 80 mil beneficiários e assegurou mais de 6 mil horas de capacitação


O Apps for Good traduz essa visão para o contexto escolar. O programa desafia alunos do 5.º ao 12.º ano a identificar problemas reais e a desenvolver soluções digitais, percorrendo o ciclo de criação de um produto e relacionando os projetos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O ganho, defende João Baracho, ultrapassa a programação: “Quando um jovem passa de consumidor a criador, há uma transformação radical na autoperceção e no que acredita ser possível”. Trabalho de equipa, comunicação, criatividade, liderança e capacidade de resolver problemas surgem como competências tão relevantes como o domínio técnico.

Esta perspetiva também altera a forma de medir resultados. Participantes, horas de formação e projetos desenvolvidos continuam a ser indicadores importantes, embora revelem apenas a camada mais visível do trabalho. O impacto real está na mudança de comportamento, na continuidade das aprendizagens e no efeito multiplicador criado dentro das comunidades. O especialista encara o desconforto: “Se alguém sair de um projeto CDI e nunca mais usar o que aprendeu, não medimos isto como sucesso. Medimos como fracasso, por muito que os números digam o contrário”.

As empresas têm um lugar relevante neste modelo, desde que ultrapassem a lógica do apoio pontual. “Financiamento pontual é filantropia. É importante, no entanto insuficiente. As empresas podem ser parceiras estruturais de transformação”, sustenta. No Apps for Good, especialistas de diferentes organizações dedicam tempo à mentoria dos alunos, aproximando a escola do mercado de trabalho. Baracho chama-lhe “voluntariado do conhecimento”: os colaboradores oferecem competências da sua área, participam na construção dos projetos e tornam mais concreta a possibilidade de um futuro profissional. O retorno empresarial pode surgir na motivação interna, nos objetivos de sustentabilidade, na atração de talento e na diferenciação da própria marca.


João Baracho tem uma carreira construída entre a gestão, a tecnologia e a inovação social


Juntar escolas, municípios, empresas e comunidades continua a ser, nas palavras do responsável, “um quebra-cabeças permanente”. Cada organização trabalha com ritmos próprios: o calendário letivo das escolas, os ciclos políticos e orçamentais dos municípios, os resultados trimestrais das empresas. A resposta passa por compreender os interesses de cada parte e construir os projetos em conjunto. Os Centros de Cidadania Digital de Valongo e da Maia, por exemplo, foram desenvolvidos em colaboração com os municípios e as comunidades, em vez de seguirem uma solução fechada e replicada sem adaptação local.

Portugal tem mostrado abertura à educação tecnológica e à inovação social, embora persistam falhas na ligação entre formação e emprego, desigualdades regionais e dificuldades em garantir continuidade aos projetos. Para João Baracho, a resposta passa por uma “Educação 5.0”, capaz de colocar o humanismo, a inclusão e a cidadania no centro da evolução tecnológica. A questão decisiva já não é saber quantas ferramentas digitais existem. É perceber quem tem condições para as compreender, transformar e usar na construção do próprio futuro. “Convenhamos, não há escassez de talento. Há escassez de oportunidades”.


#Protagonistas

JOÃO BARACHO: «A inclusão digital é um direito, não um privilégio»

O próximo fosso digital pode já não separar quem tem acesso a um dispositivo de quem ficou fora da transformação tecnológica. A nova fronteira está entre quem compreende a tecnologia, a questiona e a utiliza para criar, e quem se limita a consumir aquilo que lhe chega ao ecrã. Para João Baracho, diretor executivo do CDI Portugal, preparar o futuro exige muito mais do que distribuir ferramentas: implica desenvolver confiança, sentido crítico e capacidade de intervenção.

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7 de ago. de 2026, 09:27

A reflexão nasce de uma carreira construída dentro do próprio setor tecnológico. Depois de mais de três décadas em empresas nacionais e multinacionais, João Baracho procurava um projeto que colocasse a experiência acumulada ao serviço de problemas sociais. O convite para lançar o CDI Portugal permitiu-lhe transportar para a inovação social aquilo que aprendera no mundo empresarial: “estrutura, rigor, inovação e metodologia”, e aplicá-lo à criação de impacto. O ponto de partida foi também a constatação de um desequilíbrio: a tecnologia continuava a beneficiar sobretudo quem já tinha acesso a oportunidades, deixando milhares de pessoas à margem de uma transformação apresentada como universal.


Desde maio de 2013, o CDI Portugal trabalha para transformar vidas através da tecnologia


O CDI Portugal trabalha desde 2013 na ligação entre educação, tecnologia, cidadania e empreendedorismo, através de projetos como o Apps for Good, os Centros de Cidadania Digital e a plataforma Recode. A organização procura levar crianças, jovens, adultos e seniores a usar a tecnologia na resolução de problemas próprios e das suas comunidades. Para João Baracho, o acesso físico representa apenas o princípio. “Pensar que todos os jovens são incluídos digitalmente é tão errado como pensar que todos nascemos a saber escrever”, afirma. A verdadeira inclusão começa quando uma pessoa ganha autonomia para compreender, escolher e criar.

A inteligência artificial torna essa distinção mais urgente. Baracho antecipa uma sociedade dividida entre os que usam a IA de forma estratégica e consciente e os que recebem os seus resultados sem compreender o funcionamento, os riscos ou os enviesamentos. O debate costuma concentrar-se na automatização do trabalho. O diretor executivo do CDI Portugal aponta outra ameaça: “a erosão do pensamento crítico, da criatividade e, em geral, da produção de conhecimento científico”. Nos projetos da organização, a abordagem à IA inclui ética, propriedade intelectual e desinformação, procurando usá-la como amplificadora da criatividade e nunca como substituta do pensamento.


Em 13 anos de atividade em Portugal, o CDI já impactou mais de 80 mil beneficiários e assegurou mais de 6 mil horas de capacitação


O Apps for Good traduz essa visão para o contexto escolar. O programa desafia alunos do 5.º ao 12.º ano a identificar problemas reais e a desenvolver soluções digitais, percorrendo o ciclo de criação de um produto e relacionando os projetos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O ganho, defende João Baracho, ultrapassa a programação: “Quando um jovem passa de consumidor a criador, há uma transformação radical na autoperceção e no que acredita ser possível”. Trabalho de equipa, comunicação, criatividade, liderança e capacidade de resolver problemas surgem como competências tão relevantes como o domínio técnico.

Esta perspetiva também altera a forma de medir resultados. Participantes, horas de formação e projetos desenvolvidos continuam a ser indicadores importantes, embora revelem apenas a camada mais visível do trabalho. O impacto real está na mudança de comportamento, na continuidade das aprendizagens e no efeito multiplicador criado dentro das comunidades. O especialista encara o desconforto: “Se alguém sair de um projeto CDI e nunca mais usar o que aprendeu, não medimos isto como sucesso. Medimos como fracasso, por muito que os números digam o contrário”.

As empresas têm um lugar relevante neste modelo, desde que ultrapassem a lógica do apoio pontual. “Financiamento pontual é filantropia. É importante, no entanto insuficiente. As empresas podem ser parceiras estruturais de transformação”, sustenta. No Apps for Good, especialistas de diferentes organizações dedicam tempo à mentoria dos alunos, aproximando a escola do mercado de trabalho. Baracho chama-lhe “voluntariado do conhecimento”: os colaboradores oferecem competências da sua área, participam na construção dos projetos e tornam mais concreta a possibilidade de um futuro profissional. O retorno empresarial pode surgir na motivação interna, nos objetivos de sustentabilidade, na atração de talento e na diferenciação da própria marca.


João Baracho tem uma carreira construída entre a gestão, a tecnologia e a inovação social


Juntar escolas, municípios, empresas e comunidades continua a ser, nas palavras do responsável, “um quebra-cabeças permanente”. Cada organização trabalha com ritmos próprios: o calendário letivo das escolas, os ciclos políticos e orçamentais dos municípios, os resultados trimestrais das empresas. A resposta passa por compreender os interesses de cada parte e construir os projetos em conjunto. Os Centros de Cidadania Digital de Valongo e da Maia, por exemplo, foram desenvolvidos em colaboração com os municípios e as comunidades, em vez de seguirem uma solução fechada e replicada sem adaptação local.

Portugal tem mostrado abertura à educação tecnológica e à inovação social, embora persistam falhas na ligação entre formação e emprego, desigualdades regionais e dificuldades em garantir continuidade aos projetos. Para João Baracho, a resposta passa por uma “Educação 5.0”, capaz de colocar o humanismo, a inclusão e a cidadania no centro da evolução tecnológica. A questão decisiva já não é saber quantas ferramentas digitais existem. É perceber quem tem condições para as compreender, transformar e usar na construção do próprio futuro. “Convenhamos, não há escassez de talento. Há escassez de oportunidades”.


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