
#Protagonistas
Pedro Simões: “Quem não se atualiza desaparece do mercado”
Nasceu numa família onde o vinho sempre fez parte do quotidiano. Hoje, e ao lado do irmão, lidera a Casa Agrícola Horácio Simões com uma visão clara: respeitar a tradição, mas fazer diferente. Nesta conversa, que aconteceu ao vivo, no âmbito da segunda edição do Só Castas, Pedro Simões fala-nos sobre legado familiar, castas autóctones, identidade e os desafios de empreender no setor do vinho.
Qual é o seu motivo?
PEDRO SIMÕES — O meu motivo é fazer diferente. A identidade da Casa Agrícola Horácio Simões nasce muito dessa ideia: ir beber à origem, ao que os nossos antepassados nos ensinaram, e trazer isso para o dia de hoje. Muitas castas e métodos de vinificação foram sendo esquecidos, ao longo do tempo, e nós procuramos resgatá-los, reinterpretando-os de forma contemporânea. Não queremos copiar o que os outros fazem, nem repetir sempre o que já fizemos. Temos de aprender com o que é bem feito, mas sempre com a nossa interpretação.

A conversa com Pedro Simões decorreu ao vivo, durante a segunda edição do Só Castas, nos passados dias 10 e 11 de abril, no Hotel Tivoli, em Lisboa
Sabia desde cedo que o seu futuro passaria pela Casa Agrícola Horácio Simões?
P.S. — Nunca fomos obrigados a seguir este caminho, mas também nunca fomos afastados dele. Nas refeições de família falava-se sempre de vinho, naturalmente. Com o tempo, comecei a interessar-me mais, a querer perceber e a aprender com o meu avô e com o meu pai. A ligação foi surgindo de forma natural.
O futuro da Casa Agrícola Horácio Simões está assegurado?
P.S. — Estamos a tentar, mas ninguém é obrigado. No entanto, há pelo menos um dos meus sobrinhos e o meu filho que já demonstram ligação e paixão por esta área. É algo que acontece de forma natural.
Como é que a memória e o legado familiar continuam a orientar a estratégia do negócio?
P.S. — O mais importante é não esquecer o que nos foi passado. Procuramos os métodos ancestrais, perceber o que os nossos antepassados faziam e trazer isso para o presente. Depois, conjugamos esse conhecimento com a informação e a tecnologia que temos hoje. Tentamos sempre equilibrar tradição e modernidade. Quem não se atualiza acaba por desaparecer do mercado.

Durante a segunda edição do Só Castas, os vinhos da Casa Agrícola Horácio Simões estiveram em prova
A Península de Setúbal tem vindo a ganhar destaque. O que explica essa valorização?
P.S. — Temos uma região diferenciadora pela geografia, pela proximidade de Lisboa e pela diversidade de terroirs. Há castas originárias pouco conhecidas que nos permitem trabalhar de forma diferenciadora. Além disso, temos o Moscatel, que é um verdadeiro abre-portas para a região. E depois temos algo muito interessante: numa área geográfica pequena, conseguimos ter terroirs muito diferentes, o que permite criar vinhos distintos até com a mesma casta.
Porque continuam a apostar em castas autóctones?
P.S. — Eu tento fazer sempre o que os outros não querem fazer. São castas difíceis, mas hoje, com o conhecimento que temos, conseguimos trabalhá-las melhor. Antigamente, muitas destas castas desapareceram porque tinham ciclos diferentes e eram difíceis de gerir. Hoje, conseguimos adaptar as vindimas e trazer essas castas de volta.
Como é trabalhar com o seu irmão?
P.S. — Nunca tínhamos trabalhado diretamente até há cerca de dois anos. Sempre vinificámos juntos, mas cada um seguia depois o seu caminho. Hoje, a ligação é mais próxima. No início, houve alguns desentendimentos, mas faz parte. (Risos) Conheço-o há 49 anos e conseguimos encontrar o equilíbrio. (Risos)
Qual é a estrutura da empresa atualmente?
P.S. — No dia a dia estamos eu, a minha mãe e o meu pai. A minha mãe está mais ligada ao enoturismo e aos eventos, o meu pai apoia a produção. Depois, temos mais três colaboradores e reforços pontuais quando necessário.

Pedro Simões tem 52 anos e é quem está, atualmente, à frente da Casa Agrícola Horácio Simões
O perfil do consumidor de vinho está a mudar. Como respondem a esse desafio?
P.S. — O mundo do vinho é muito cíclico e segue modas. Como somos uma casa pequena, não conseguimos andar atrás das tendências. Prefiro manter a nossa identidade. Tento manter-me informado e acompanhar as mudanças, mas sem perder aquilo que nos define.
Que conselho daria a quem quer empreender no setor do vinho?
P.S. — É preciso identidade. O vinho é muito sobre comparação e experiência. Cada um tem o seu gosto, mas é fundamental manter coerência e propósito. Mais do que criar um projeto, é importante ter uma forma de estar.
Há espaço para novos projetos no setor?
P.S. — Há espaço, desde que tragam algo diferente. Não faz sentido fazer mais do mesmo. É preciso ter propósito.
O que diria o seu avô ao ver a Casa Agrícola Horácio Simões, aqui, hoje?
P.S. — O meu avô sempre aceitou a inovação. Quando decidimos lançar novos vinhos ou experimentar novos caminhos, apoiou-nos. Acredito que ficaria satisfeito por ver que continuamos a inovar sem perder a identidade.
(C) Prism

#Protagonistas
Pedro Simões: “Quem não se atualiza desaparece do mercado”
Nasceu numa família onde o vinho sempre fez parte do quotidiano. Hoje, e ao lado do irmão, lidera a Casa Agrícola Horácio Simões com uma visão clara: respeitar a tradição, mas fazer diferente. Nesta conversa, que aconteceu ao vivo, no âmbito da segunda edição do Só Castas, Pedro Simões fala-nos sobre legado familiar, castas autóctones, identidade e os desafios de empreender no setor do vinho.
Qual é o seu motivo?
PEDRO SIMÕES — O meu motivo é fazer diferente. A identidade da Casa Agrícola Horácio Simões nasce muito dessa ideia: ir beber à origem, ao que os nossos antepassados nos ensinaram, e trazer isso para o dia de hoje. Muitas castas e métodos de vinificação foram sendo esquecidos, ao longo do tempo, e nós procuramos resgatá-los, reinterpretando-os de forma contemporânea. Não queremos copiar o que os outros fazem, nem repetir sempre o que já fizemos. Temos de aprender com o que é bem feito, mas sempre com a nossa interpretação.

A conversa com Pedro Simões decorreu ao vivo, durante a segunda edição do Só Castas, nos passados dias 10 e 11 de abril, no Hotel Tivoli, em Lisboa
Sabia desde cedo que o seu futuro passaria pela Casa Agrícola Horácio Simões?
P.S. — Nunca fomos obrigados a seguir este caminho, mas também nunca fomos afastados dele. Nas refeições de família falava-se sempre de vinho, naturalmente. Com o tempo, comecei a interessar-me mais, a querer perceber e a aprender com o meu avô e com o meu pai. A ligação foi surgindo de forma natural.
O futuro da Casa Agrícola Horácio Simões está assegurado?
P.S. — Estamos a tentar, mas ninguém é obrigado. No entanto, há pelo menos um dos meus sobrinhos e o meu filho que já demonstram ligação e paixão por esta área. É algo que acontece de forma natural.
Como é que a memória e o legado familiar continuam a orientar a estratégia do negócio?
P.S. — O mais importante é não esquecer o que nos foi passado. Procuramos os métodos ancestrais, perceber o que os nossos antepassados faziam e trazer isso para o presente. Depois, conjugamos esse conhecimento com a informação e a tecnologia que temos hoje. Tentamos sempre equilibrar tradição e modernidade. Quem não se atualiza acaba por desaparecer do mercado.

Durante a segunda edição do Só Castas, os vinhos da Casa Agrícola Horácio Simões estiveram em prova
A Península de Setúbal tem vindo a ganhar destaque. O que explica essa valorização?
P.S. — Temos uma região diferenciadora pela geografia, pela proximidade de Lisboa e pela diversidade de terroirs. Há castas originárias pouco conhecidas que nos permitem trabalhar de forma diferenciadora. Além disso, temos o Moscatel, que é um verdadeiro abre-portas para a região. E depois temos algo muito interessante: numa área geográfica pequena, conseguimos ter terroirs muito diferentes, o que permite criar vinhos distintos até com a mesma casta.
Porque continuam a apostar em castas autóctones?
P.S. — Eu tento fazer sempre o que os outros não querem fazer. São castas difíceis, mas hoje, com o conhecimento que temos, conseguimos trabalhá-las melhor. Antigamente, muitas destas castas desapareceram porque tinham ciclos diferentes e eram difíceis de gerir. Hoje, conseguimos adaptar as vindimas e trazer essas castas de volta.
Como é trabalhar com o seu irmão?
P.S. — Nunca tínhamos trabalhado diretamente até há cerca de dois anos. Sempre vinificámos juntos, mas cada um seguia depois o seu caminho. Hoje, a ligação é mais próxima. No início, houve alguns desentendimentos, mas faz parte. (Risos) Conheço-o há 49 anos e conseguimos encontrar o equilíbrio. (Risos)
Qual é a estrutura da empresa atualmente?
P.S. — No dia a dia estamos eu, a minha mãe e o meu pai. A minha mãe está mais ligada ao enoturismo e aos eventos, o meu pai apoia a produção. Depois, temos mais três colaboradores e reforços pontuais quando necessário.

Pedro Simões tem 52 anos e é quem está, atualmente, à frente da Casa Agrícola Horácio Simões
O perfil do consumidor de vinho está a mudar. Como respondem a esse desafio?
P.S. — O mundo do vinho é muito cíclico e segue modas. Como somos uma casa pequena, não conseguimos andar atrás das tendências. Prefiro manter a nossa identidade. Tento manter-me informado e acompanhar as mudanças, mas sem perder aquilo que nos define.
Que conselho daria a quem quer empreender no setor do vinho?
P.S. — É preciso identidade. O vinho é muito sobre comparação e experiência. Cada um tem o seu gosto, mas é fundamental manter coerência e propósito. Mais do que criar um projeto, é importante ter uma forma de estar.
Há espaço para novos projetos no setor?
P.S. — Há espaço, desde que tragam algo diferente. Não faz sentido fazer mais do mesmo. É preciso ter propósito.
O que diria o seu avô ao ver a Casa Agrícola Horácio Simões, aqui, hoje?
P.S. — O meu avô sempre aceitou a inovação. Quando decidimos lançar novos vinhos ou experimentar novos caminhos, apoiou-nos. Acredito que ficaria satisfeito por ver que continuamos a inovar sem perder a identidade.
(C) Prism

#Protagonistas
Pedro Simões: “Quem não se atualiza desaparece do mercado”
Nasceu numa família onde o vinho sempre fez parte do quotidiano. Hoje, e ao lado do irmão, lidera a Casa Agrícola Horácio Simões com uma visão clara: respeitar a tradição, mas fazer diferente. Nesta conversa, que aconteceu ao vivo, no âmbito da segunda edição do Só Castas, Pedro Simões fala-nos sobre legado familiar, castas autóctones, identidade e os desafios de empreender no setor do vinho.
Qual é o seu motivo?
PEDRO SIMÕES — O meu motivo é fazer diferente. A identidade da Casa Agrícola Horácio Simões nasce muito dessa ideia: ir beber à origem, ao que os nossos antepassados nos ensinaram, e trazer isso para o dia de hoje. Muitas castas e métodos de vinificação foram sendo esquecidos, ao longo do tempo, e nós procuramos resgatá-los, reinterpretando-os de forma contemporânea. Não queremos copiar o que os outros fazem, nem repetir sempre o que já fizemos. Temos de aprender com o que é bem feito, mas sempre com a nossa interpretação.

A conversa com Pedro Simões decorreu ao vivo, durante a segunda edição do Só Castas, nos passados dias 10 e 11 de abril, no Hotel Tivoli, em Lisboa
Sabia desde cedo que o seu futuro passaria pela Casa Agrícola Horácio Simões?
P.S. — Nunca fomos obrigados a seguir este caminho, mas também nunca fomos afastados dele. Nas refeições de família falava-se sempre de vinho, naturalmente. Com o tempo, comecei a interessar-me mais, a querer perceber e a aprender com o meu avô e com o meu pai. A ligação foi surgindo de forma natural.
O futuro da Casa Agrícola Horácio Simões está assegurado?
P.S. — Estamos a tentar, mas ninguém é obrigado. No entanto, há pelo menos um dos meus sobrinhos e o meu filho que já demonstram ligação e paixão por esta área. É algo que acontece de forma natural.
Como é que a memória e o legado familiar continuam a orientar a estratégia do negócio?
P.S. — O mais importante é não esquecer o que nos foi passado. Procuramos os métodos ancestrais, perceber o que os nossos antepassados faziam e trazer isso para o presente. Depois, conjugamos esse conhecimento com a informação e a tecnologia que temos hoje. Tentamos sempre equilibrar tradição e modernidade. Quem não se atualiza acaba por desaparecer do mercado.

Durante a segunda edição do Só Castas, os vinhos da Casa Agrícola Horácio Simões estiveram em prova
A Península de Setúbal tem vindo a ganhar destaque. O que explica essa valorização?
P.S. — Temos uma região diferenciadora pela geografia, pela proximidade de Lisboa e pela diversidade de terroirs. Há castas originárias pouco conhecidas que nos permitem trabalhar de forma diferenciadora. Além disso, temos o Moscatel, que é um verdadeiro abre-portas para a região. E depois temos algo muito interessante: numa área geográfica pequena, conseguimos ter terroirs muito diferentes, o que permite criar vinhos distintos até com a mesma casta.
Porque continuam a apostar em castas autóctones?
P.S. — Eu tento fazer sempre o que os outros não querem fazer. São castas difíceis, mas hoje, com o conhecimento que temos, conseguimos trabalhá-las melhor. Antigamente, muitas destas castas desapareceram porque tinham ciclos diferentes e eram difíceis de gerir. Hoje, conseguimos adaptar as vindimas e trazer essas castas de volta.
Como é trabalhar com o seu irmão?
P.S. — Nunca tínhamos trabalhado diretamente até há cerca de dois anos. Sempre vinificámos juntos, mas cada um seguia depois o seu caminho. Hoje, a ligação é mais próxima. No início, houve alguns desentendimentos, mas faz parte. (Risos) Conheço-o há 49 anos e conseguimos encontrar o equilíbrio. (Risos)
Qual é a estrutura da empresa atualmente?
P.S. — No dia a dia estamos eu, a minha mãe e o meu pai. A minha mãe está mais ligada ao enoturismo e aos eventos, o meu pai apoia a produção. Depois, temos mais três colaboradores e reforços pontuais quando necessário.

Pedro Simões tem 52 anos e é quem está, atualmente, à frente da Casa Agrícola Horácio Simões
O perfil do consumidor de vinho está a mudar. Como respondem a esse desafio?
P.S. — O mundo do vinho é muito cíclico e segue modas. Como somos uma casa pequena, não conseguimos andar atrás das tendências. Prefiro manter a nossa identidade. Tento manter-me informado e acompanhar as mudanças, mas sem perder aquilo que nos define.
Que conselho daria a quem quer empreender no setor do vinho?
P.S. — É preciso identidade. O vinho é muito sobre comparação e experiência. Cada um tem o seu gosto, mas é fundamental manter coerência e propósito. Mais do que criar um projeto, é importante ter uma forma de estar.
Há espaço para novos projetos no setor?
P.S. — Há espaço, desde que tragam algo diferente. Não faz sentido fazer mais do mesmo. É preciso ter propósito.
O que diria o seu avô ao ver a Casa Agrícola Horácio Simões, aqui, hoje?
P.S. — O meu avô sempre aceitou a inovação. Quando decidimos lançar novos vinhos ou experimentar novos caminhos, apoiou-nos. Acredito que ficaria satisfeito por ver que continuamos a inovar sem perder a identidade.
(C) Prism

#Protagonistas
Pedro Simões: “Quem não se atualiza desaparece do mercado”
Nasceu numa família onde o vinho sempre fez parte do quotidiano. Hoje, e ao lado do irmão, lidera a Casa Agrícola Horácio Simões com uma visão clara: respeitar a tradição, mas fazer diferente. Nesta conversa, que aconteceu ao vivo, no âmbito da segunda edição do Só Castas, Pedro Simões fala-nos sobre legado familiar, castas autóctones, identidade e os desafios de empreender no setor do vinho.
Qual é o seu motivo?
PEDRO SIMÕES — O meu motivo é fazer diferente. A identidade da Casa Agrícola Horácio Simões nasce muito dessa ideia: ir beber à origem, ao que os nossos antepassados nos ensinaram, e trazer isso para o dia de hoje. Muitas castas e métodos de vinificação foram sendo esquecidos, ao longo do tempo, e nós procuramos resgatá-los, reinterpretando-os de forma contemporânea. Não queremos copiar o que os outros fazem, nem repetir sempre o que já fizemos. Temos de aprender com o que é bem feito, mas sempre com a nossa interpretação.

A conversa com Pedro Simões decorreu ao vivo, durante a segunda edição do Só Castas, nos passados dias 10 e 11 de abril, no Hotel Tivoli, em Lisboa
Sabia desde cedo que o seu futuro passaria pela Casa Agrícola Horácio Simões?
P.S. — Nunca fomos obrigados a seguir este caminho, mas também nunca fomos afastados dele. Nas refeições de família falava-se sempre de vinho, naturalmente. Com o tempo, comecei a interessar-me mais, a querer perceber e a aprender com o meu avô e com o meu pai. A ligação foi surgindo de forma natural.
O futuro da Casa Agrícola Horácio Simões está assegurado?
P.S. — Estamos a tentar, mas ninguém é obrigado. No entanto, há pelo menos um dos meus sobrinhos e o meu filho que já demonstram ligação e paixão por esta área. É algo que acontece de forma natural.
Como é que a memória e o legado familiar continuam a orientar a estratégia do negócio?
P.S. — O mais importante é não esquecer o que nos foi passado. Procuramos os métodos ancestrais, perceber o que os nossos antepassados faziam e trazer isso para o presente. Depois, conjugamos esse conhecimento com a informação e a tecnologia que temos hoje. Tentamos sempre equilibrar tradição e modernidade. Quem não se atualiza acaba por desaparecer do mercado.

Durante a segunda edição do Só Castas, os vinhos da Casa Agrícola Horácio Simões estiveram em prova
A Península de Setúbal tem vindo a ganhar destaque. O que explica essa valorização?
P.S. — Temos uma região diferenciadora pela geografia, pela proximidade de Lisboa e pela diversidade de terroirs. Há castas originárias pouco conhecidas que nos permitem trabalhar de forma diferenciadora. Além disso, temos o Moscatel, que é um verdadeiro abre-portas para a região. E depois temos algo muito interessante: numa área geográfica pequena, conseguimos ter terroirs muito diferentes, o que permite criar vinhos distintos até com a mesma casta.
Porque continuam a apostar em castas autóctones?
P.S. — Eu tento fazer sempre o que os outros não querem fazer. São castas difíceis, mas hoje, com o conhecimento que temos, conseguimos trabalhá-las melhor. Antigamente, muitas destas castas desapareceram porque tinham ciclos diferentes e eram difíceis de gerir. Hoje, conseguimos adaptar as vindimas e trazer essas castas de volta.
Como é trabalhar com o seu irmão?
P.S. — Nunca tínhamos trabalhado diretamente até há cerca de dois anos. Sempre vinificámos juntos, mas cada um seguia depois o seu caminho. Hoje, a ligação é mais próxima. No início, houve alguns desentendimentos, mas faz parte. (Risos) Conheço-o há 49 anos e conseguimos encontrar o equilíbrio. (Risos)
Qual é a estrutura da empresa atualmente?
P.S. — No dia a dia estamos eu, a minha mãe e o meu pai. A minha mãe está mais ligada ao enoturismo e aos eventos, o meu pai apoia a produção. Depois, temos mais três colaboradores e reforços pontuais quando necessário.

Pedro Simões tem 52 anos e é quem está, atualmente, à frente da Casa Agrícola Horácio Simões
O perfil do consumidor de vinho está a mudar. Como respondem a esse desafio?
P.S. — O mundo do vinho é muito cíclico e segue modas. Como somos uma casa pequena, não conseguimos andar atrás das tendências. Prefiro manter a nossa identidade. Tento manter-me informado e acompanhar as mudanças, mas sem perder aquilo que nos define.
Que conselho daria a quem quer empreender no setor do vinho?
P.S. — É preciso identidade. O vinho é muito sobre comparação e experiência. Cada um tem o seu gosto, mas é fundamental manter coerência e propósito. Mais do que criar um projeto, é importante ter uma forma de estar.
Há espaço para novos projetos no setor?
P.S. — Há espaço, desde que tragam algo diferente. Não faz sentido fazer mais do mesmo. É preciso ter propósito.
O que diria o seu avô ao ver a Casa Agrícola Horácio Simões, aqui, hoje?
P.S. — O meu avô sempre aceitou a inovação. Quando decidimos lançar novos vinhos ou experimentar novos caminhos, apoiou-nos. Acredito que ficaria satisfeito por ver que continuamos a inovar sem perder a identidade.




