#Protagonistas

MARTA BICHO: “A sustentabilidade tem vindo a ser tratada de forma isolada e quase externa”

A sustentabilidade entrou definitivamente no discurso das empresas, mas continua longe de estar integrada na forma como operam. Para Marta Bicho, diretora do IPAM, o maior desafio está na passagem da teoria à prática. Em entrevista ao MOTIVO, a docente universitária explica por que razão muitas organizações continuam a tratar o tema de forma isolada e o que está a mudar.

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14 de mai. de 2026, 12:34

Foi publicado recentemente o livro Organizações Sustentáveis 360º, coordenado por si. O livro insiste na ideia de interdependência entre clima, desigualdade social, economia, talento. O grande erro das organizações continua a ser tratar sustentabilidade de forma isolada?

MARTA BICHO A sustentabilidade, embora já tenha alguns anos e tenha evoluído, continua a ser um tema ainda pouco conhecido, sobretudo nas micro e pequenas empresas, que são a base do tecido empresarial português. É uma área que tem vindo a ser tratada de uma forma isolada e quase externa. Quando, na verdade, deve ser integrada no contexto da organização e numa visão mais holística. Diria que, de forma geral, sim a sustentabilidade tem sido tratada de forma isolada, mas também importa referir que há exceções.



Quem está mais avançado neste caminho, as grandes empresas ou PME?

M.B. As grandes empresas. Têm mais exigências regulamentares para cumprir, sobretudo nos últimos quatro anos, com novas regras a serem implementadas a nível europeu. Isso obriga-as a responder mais rapidamente.

Ainda sente que muitas empresas olham para a sustentabilidade como comunicação e não como transformação estrutural?

M.B. Sim. Nem sempre se sabe bem o que é a sustentabilidade, o que corresponde ao ambiente, à sociedade e à parte económica. Há ainda ideias pré-formatadas e, muitas vezes, um foco na comunicação externa. Isso pode levar ao greenwashing: fazer algo porque “fica bem”, e não necessariamente porque é o que está certo.

O conceito de triple bottom line — económico, social e ambiental — continua a ser difícil de equilibrar?

M.B. Continua. Tudo está interligado. As pessoas vivem no ambiente e dependem dele. E a economia está no centro dessa relação, porque organiza a forma como tudo funciona. Nenhuma destas dimensões existe isoladamente.

O contexto económico recente coloca a sustentabilidade em causa ou torna-a mais evidente?

M.B. Depende. Para alguns, funciona como um despertar. Veja-se a questão da energia: a dependência de combustíveis pode levar as pessoas a pensar em alternativas. Mas também pode gerar medo. Cada pessoa reage de forma diferente.

No que diz respeito à sustentabilidade nas organizações, o maior desafio está na passagem da teoria à prática?

M.B. Sim, sobretudo na cadeia de valor (supply chain). Quando falamos de produtos, estamos a falar de cadeias globais já montadas, que são difíceis de alterar. Isso implica custos e investimento. E depois há as pessoas. Sem consciência interna, não há alinhamento.

Pode dar um exemplo?

M.B. Uma empresa pode ter sede em Portugal, mas produzir na Ásia. Temos de questionar: quais são as condições de produção? Qual o impacto do transporte? Toda a cadeia conta, e mudar isso é complexo.

Que papel têm as lideranças nessa questão?

M.B. Têm de dar o exemplo. Não basta dizer que se é sustentável, é preciso agir nesse sentido.

E as novas gerações? Podem ser motor de mudança?

M.B. Sim, estão mais despertas para o tema. Mas têm um mindset diferente no trabalho, valorizam mais o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e têm maior ligação ao propósito. Muitas vezes, quando não estão de acordo com práticas das organizações, tentam influenciar a mudança. Mas tem de haver um encontro entre organizações e pessoas. Caso contrário, será difícil reter talento.

Como é que se pode comunicar sustentabilidade sem cair em greenwashing?

M.B. Com rigor. Quem comunica tem de conhecer bem a organização, o público e adaptar a mensagem. Depende muito das pessoas responsáveis pela comunicação.

A sustentabilidade está ligada a áreas como tecnologia e finanças. As empresas ainda subestimam essa interligação?

M.B. Sim. A sustentabilidade tem de ser 360º. A tecnologia pode reduzir o uso de recursos, mas também consome energia. As finanças têm de integrar critérios de sustentabilidade. Tudo está interligado: pessoas, ambiente e economia.

Como se podem convencer líderes de que sustentabilidade não é custo, mas sobrevivência?

M.B. Porque a sustentabilidade não é uma moda. As organizações que não procurarem alternativas dificilmente vão conseguir sobreviver no futuro. O mundo está a mudar constantemente, muito mais depressa do que antes.

Que tipo de organização quis ajudar com este livro?

M.B. Todas. Queríamos que fosse um “manual de bolso”, útil tanto para quem já está avançado como para quem está a começar. O livro está organizado por temas, com ideias-chave e estudos de caso, para ser usado de forma prática. Pode ser lido do início ao fim ou pode ser consultado como um manual, à medida que as equipas forem sentido necessidade.


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MARTA BICHO: “A sustentabilidade tem vindo a ser tratada de forma isolada e quase externa”

A sustentabilidade entrou definitivamente no discurso das empresas, mas continua longe de estar integrada na forma como operam. Para Marta Bicho, diretora do IPAM, o maior desafio está na passagem da teoria à prática. Em entrevista ao MOTIVO, a docente universitária explica por que razão muitas organizações continuam a tratar o tema de forma isolada e o que está a mudar.

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14 de mai. de 2026, 12:34

Foi publicado recentemente o livro Organizações Sustentáveis 360º, coordenado por si. O livro insiste na ideia de interdependência entre clima, desigualdade social, economia, talento. O grande erro das organizações continua a ser tratar sustentabilidade de forma isolada?

MARTA BICHO A sustentabilidade, embora já tenha alguns anos e tenha evoluído, continua a ser um tema ainda pouco conhecido, sobretudo nas micro e pequenas empresas, que são a base do tecido empresarial português. É uma área que tem vindo a ser tratada de uma forma isolada e quase externa. Quando, na verdade, deve ser integrada no contexto da organização e numa visão mais holística. Diria que, de forma geral, sim a sustentabilidade tem sido tratada de forma isolada, mas também importa referir que há exceções.



Quem está mais avançado neste caminho, as grandes empresas ou PME?

M.B. As grandes empresas. Têm mais exigências regulamentares para cumprir, sobretudo nos últimos quatro anos, com novas regras a serem implementadas a nível europeu. Isso obriga-as a responder mais rapidamente.

Ainda sente que muitas empresas olham para a sustentabilidade como comunicação e não como transformação estrutural?

M.B. Sim. Nem sempre se sabe bem o que é a sustentabilidade, o que corresponde ao ambiente, à sociedade e à parte económica. Há ainda ideias pré-formatadas e, muitas vezes, um foco na comunicação externa. Isso pode levar ao greenwashing: fazer algo porque “fica bem”, e não necessariamente porque é o que está certo.

O conceito de triple bottom line — económico, social e ambiental — continua a ser difícil de equilibrar?

M.B. Continua. Tudo está interligado. As pessoas vivem no ambiente e dependem dele. E a economia está no centro dessa relação, porque organiza a forma como tudo funciona. Nenhuma destas dimensões existe isoladamente.

O contexto económico recente coloca a sustentabilidade em causa ou torna-a mais evidente?

M.B. Depende. Para alguns, funciona como um despertar. Veja-se a questão da energia: a dependência de combustíveis pode levar as pessoas a pensar em alternativas. Mas também pode gerar medo. Cada pessoa reage de forma diferente.

No que diz respeito à sustentabilidade nas organizações, o maior desafio está na passagem da teoria à prática?

M.B. Sim, sobretudo na cadeia de valor (supply chain). Quando falamos de produtos, estamos a falar de cadeias globais já montadas, que são difíceis de alterar. Isso implica custos e investimento. E depois há as pessoas. Sem consciência interna, não há alinhamento.

Pode dar um exemplo?

M.B. Uma empresa pode ter sede em Portugal, mas produzir na Ásia. Temos de questionar: quais são as condições de produção? Qual o impacto do transporte? Toda a cadeia conta, e mudar isso é complexo.

Que papel têm as lideranças nessa questão?

M.B. Têm de dar o exemplo. Não basta dizer que se é sustentável, é preciso agir nesse sentido.

E as novas gerações? Podem ser motor de mudança?

M.B. Sim, estão mais despertas para o tema. Mas têm um mindset diferente no trabalho, valorizam mais o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e têm maior ligação ao propósito. Muitas vezes, quando não estão de acordo com práticas das organizações, tentam influenciar a mudança. Mas tem de haver um encontro entre organizações e pessoas. Caso contrário, será difícil reter talento.

Como é que se pode comunicar sustentabilidade sem cair em greenwashing?

M.B. Com rigor. Quem comunica tem de conhecer bem a organização, o público e adaptar a mensagem. Depende muito das pessoas responsáveis pela comunicação.

A sustentabilidade está ligada a áreas como tecnologia e finanças. As empresas ainda subestimam essa interligação?

M.B. Sim. A sustentabilidade tem de ser 360º. A tecnologia pode reduzir o uso de recursos, mas também consome energia. As finanças têm de integrar critérios de sustentabilidade. Tudo está interligado: pessoas, ambiente e economia.

Como se podem convencer líderes de que sustentabilidade não é custo, mas sobrevivência?

M.B. Porque a sustentabilidade não é uma moda. As organizações que não procurarem alternativas dificilmente vão conseguir sobreviver no futuro. O mundo está a mudar constantemente, muito mais depressa do que antes.

Que tipo de organização quis ajudar com este livro?

M.B. Todas. Queríamos que fosse um “manual de bolso”, útil tanto para quem já está avançado como para quem está a começar. O livro está organizado por temas, com ideias-chave e estudos de caso, para ser usado de forma prática. Pode ser lido do início ao fim ou pode ser consultado como um manual, à medida que as equipas forem sentido necessidade.


#Protagonistas

MARTA BICHO: “A sustentabilidade tem vindo a ser tratada de forma isolada e quase externa”

A sustentabilidade entrou definitivamente no discurso das empresas, mas continua longe de estar integrada na forma como operam. Para Marta Bicho, diretora do IPAM, o maior desafio está na passagem da teoria à prática. Em entrevista ao MOTIVO, a docente universitária explica por que razão muitas organizações continuam a tratar o tema de forma isolada e o que está a mudar.

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14 de mai. de 2026, 12:34

Foi publicado recentemente o livro Organizações Sustentáveis 360º, coordenado por si. O livro insiste na ideia de interdependência entre clima, desigualdade social, economia, talento. O grande erro das organizações continua a ser tratar sustentabilidade de forma isolada?

MARTA BICHO A sustentabilidade, embora já tenha alguns anos e tenha evoluído, continua a ser um tema ainda pouco conhecido, sobretudo nas micro e pequenas empresas, que são a base do tecido empresarial português. É uma área que tem vindo a ser tratada de uma forma isolada e quase externa. Quando, na verdade, deve ser integrada no contexto da organização e numa visão mais holística. Diria que, de forma geral, sim a sustentabilidade tem sido tratada de forma isolada, mas também importa referir que há exceções.



Quem está mais avançado neste caminho, as grandes empresas ou PME?

M.B. As grandes empresas. Têm mais exigências regulamentares para cumprir, sobretudo nos últimos quatro anos, com novas regras a serem implementadas a nível europeu. Isso obriga-as a responder mais rapidamente.

Ainda sente que muitas empresas olham para a sustentabilidade como comunicação e não como transformação estrutural?

M.B. Sim. Nem sempre se sabe bem o que é a sustentabilidade, o que corresponde ao ambiente, à sociedade e à parte económica. Há ainda ideias pré-formatadas e, muitas vezes, um foco na comunicação externa. Isso pode levar ao greenwashing: fazer algo porque “fica bem”, e não necessariamente porque é o que está certo.

O conceito de triple bottom line — económico, social e ambiental — continua a ser difícil de equilibrar?

M.B. Continua. Tudo está interligado. As pessoas vivem no ambiente e dependem dele. E a economia está no centro dessa relação, porque organiza a forma como tudo funciona. Nenhuma destas dimensões existe isoladamente.

O contexto económico recente coloca a sustentabilidade em causa ou torna-a mais evidente?

M.B. Depende. Para alguns, funciona como um despertar. Veja-se a questão da energia: a dependência de combustíveis pode levar as pessoas a pensar em alternativas. Mas também pode gerar medo. Cada pessoa reage de forma diferente.

No que diz respeito à sustentabilidade nas organizações, o maior desafio está na passagem da teoria à prática?

M.B. Sim, sobretudo na cadeia de valor (supply chain). Quando falamos de produtos, estamos a falar de cadeias globais já montadas, que são difíceis de alterar. Isso implica custos e investimento. E depois há as pessoas. Sem consciência interna, não há alinhamento.

Pode dar um exemplo?

M.B. Uma empresa pode ter sede em Portugal, mas produzir na Ásia. Temos de questionar: quais são as condições de produção? Qual o impacto do transporte? Toda a cadeia conta, e mudar isso é complexo.

Que papel têm as lideranças nessa questão?

M.B. Têm de dar o exemplo. Não basta dizer que se é sustentável, é preciso agir nesse sentido.

E as novas gerações? Podem ser motor de mudança?

M.B. Sim, estão mais despertas para o tema. Mas têm um mindset diferente no trabalho, valorizam mais o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e têm maior ligação ao propósito. Muitas vezes, quando não estão de acordo com práticas das organizações, tentam influenciar a mudança. Mas tem de haver um encontro entre organizações e pessoas. Caso contrário, será difícil reter talento.

Como é que se pode comunicar sustentabilidade sem cair em greenwashing?

M.B. Com rigor. Quem comunica tem de conhecer bem a organização, o público e adaptar a mensagem. Depende muito das pessoas responsáveis pela comunicação.

A sustentabilidade está ligada a áreas como tecnologia e finanças. As empresas ainda subestimam essa interligação?

M.B. Sim. A sustentabilidade tem de ser 360º. A tecnologia pode reduzir o uso de recursos, mas também consome energia. As finanças têm de integrar critérios de sustentabilidade. Tudo está interligado: pessoas, ambiente e economia.

Como se podem convencer líderes de que sustentabilidade não é custo, mas sobrevivência?

M.B. Porque a sustentabilidade não é uma moda. As organizações que não procurarem alternativas dificilmente vão conseguir sobreviver no futuro. O mundo está a mudar constantemente, muito mais depressa do que antes.

Que tipo de organização quis ajudar com este livro?

M.B. Todas. Queríamos que fosse um “manual de bolso”, útil tanto para quem já está avançado como para quem está a começar. O livro está organizado por temas, com ideias-chave e estudos de caso, para ser usado de forma prática. Pode ser lido do início ao fim ou pode ser consultado como um manual, à medida que as equipas forem sentido necessidade.


#Protagonistas

MARTA BICHO: “A sustentabilidade tem vindo a ser tratada de forma isolada e quase externa”

A sustentabilidade entrou definitivamente no discurso das empresas, mas continua longe de estar integrada na forma como operam. Para Marta Bicho, diretora do IPAM, o maior desafio está na passagem da teoria à prática. Em entrevista ao MOTIVO, a docente universitária explica por que razão muitas organizações continuam a tratar o tema de forma isolada e o que está a mudar.

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14 de mai. de 2026, 12:34

Foi publicado recentemente o livro Organizações Sustentáveis 360º, coordenado por si. O livro insiste na ideia de interdependência entre clima, desigualdade social, economia, talento. O grande erro das organizações continua a ser tratar sustentabilidade de forma isolada?

MARTA BICHO A sustentabilidade, embora já tenha alguns anos e tenha evoluído, continua a ser um tema ainda pouco conhecido, sobretudo nas micro e pequenas empresas, que são a base do tecido empresarial português. É uma área que tem vindo a ser tratada de uma forma isolada e quase externa. Quando, na verdade, deve ser integrada no contexto da organização e numa visão mais holística. Diria que, de forma geral, sim a sustentabilidade tem sido tratada de forma isolada, mas também importa referir que há exceções.



Quem está mais avançado neste caminho, as grandes empresas ou PME?

M.B. As grandes empresas. Têm mais exigências regulamentares para cumprir, sobretudo nos últimos quatro anos, com novas regras a serem implementadas a nível europeu. Isso obriga-as a responder mais rapidamente.

Ainda sente que muitas empresas olham para a sustentabilidade como comunicação e não como transformação estrutural?

M.B. Sim. Nem sempre se sabe bem o que é a sustentabilidade, o que corresponde ao ambiente, à sociedade e à parte económica. Há ainda ideias pré-formatadas e, muitas vezes, um foco na comunicação externa. Isso pode levar ao greenwashing: fazer algo porque “fica bem”, e não necessariamente porque é o que está certo.

O conceito de triple bottom line — económico, social e ambiental — continua a ser difícil de equilibrar?

M.B. Continua. Tudo está interligado. As pessoas vivem no ambiente e dependem dele. E a economia está no centro dessa relação, porque organiza a forma como tudo funciona. Nenhuma destas dimensões existe isoladamente.

O contexto económico recente coloca a sustentabilidade em causa ou torna-a mais evidente?

M.B. Depende. Para alguns, funciona como um despertar. Veja-se a questão da energia: a dependência de combustíveis pode levar as pessoas a pensar em alternativas. Mas também pode gerar medo. Cada pessoa reage de forma diferente.

No que diz respeito à sustentabilidade nas organizações, o maior desafio está na passagem da teoria à prática?

M.B. Sim, sobretudo na cadeia de valor (supply chain). Quando falamos de produtos, estamos a falar de cadeias globais já montadas, que são difíceis de alterar. Isso implica custos e investimento. E depois há as pessoas. Sem consciência interna, não há alinhamento.

Pode dar um exemplo?

M.B. Uma empresa pode ter sede em Portugal, mas produzir na Ásia. Temos de questionar: quais são as condições de produção? Qual o impacto do transporte? Toda a cadeia conta, e mudar isso é complexo.

Que papel têm as lideranças nessa questão?

M.B. Têm de dar o exemplo. Não basta dizer que se é sustentável, é preciso agir nesse sentido.

E as novas gerações? Podem ser motor de mudança?

M.B. Sim, estão mais despertas para o tema. Mas têm um mindset diferente no trabalho, valorizam mais o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e têm maior ligação ao propósito. Muitas vezes, quando não estão de acordo com práticas das organizações, tentam influenciar a mudança. Mas tem de haver um encontro entre organizações e pessoas. Caso contrário, será difícil reter talento.

Como é que se pode comunicar sustentabilidade sem cair em greenwashing?

M.B. Com rigor. Quem comunica tem de conhecer bem a organização, o público e adaptar a mensagem. Depende muito das pessoas responsáveis pela comunicação.

A sustentabilidade está ligada a áreas como tecnologia e finanças. As empresas ainda subestimam essa interligação?

M.B. Sim. A sustentabilidade tem de ser 360º. A tecnologia pode reduzir o uso de recursos, mas também consome energia. As finanças têm de integrar critérios de sustentabilidade. Tudo está interligado: pessoas, ambiente e economia.

Como se podem convencer líderes de que sustentabilidade não é custo, mas sobrevivência?

M.B. Porque a sustentabilidade não é uma moda. As organizações que não procurarem alternativas dificilmente vão conseguir sobreviver no futuro. O mundo está a mudar constantemente, muito mais depressa do que antes.

Que tipo de organização quis ajudar com este livro?

M.B. Todas. Queríamos que fosse um “manual de bolso”, útil tanto para quem já está avançado como para quem está a começar. O livro está organizado por temas, com ideias-chave e estudos de caso, para ser usado de forma prática. Pode ser lido do início ao fim ou pode ser consultado como um manual, à medida que as equipas forem sentido necessidade.


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