#Protagonistas

“A tecnologia transforma um problema massivo numa solução quotidiana” — como a Too Good To Go está a mudar o consumo

Começou como uma forma simples de salvar excedentes alimentares, mas hoje, é uma operação tecnológica que cruza dados, inteligência artificial e comportamento humano. Em entrevista ao MOTIVO, Maria Tolentino, Country Manager da Too Good To Go em Portugal, explica como a empresa está a transformar um problema estrutural numa solução do dia-a-dia, e porque o verdadeiro impacto começa na forma como consumimos.

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6 de mai. de 2026, 08:08

O sucesso da Too Good To Go, hoje, é inegável, desde a ideia, aos resultados, passando pelo contributo para o debate sobre desperdício alimentar... Como definem a empresa, atualmente: é uma plataforma tecnológica, um marketplace de excedentes ou uma infra-estrutura de eficiência para o sector alimentar? 

MARIA TOLENTINO — Somos uma empresa de impacto social que combate o desperdício alimentar em 21 países. Atuamos em toda a cadeia de valor com soluções como a nossa app, um marketplace que liga milhões de pessoas a milhares de negócios para salvar excedentes alimentares a preços acessíveis. Dispomos, também, de ferramentas como a Too Good To Go Platform, sistema impulsionado por IA, que ajuda retalhistas na gestão eficiente de stock, e desenvolvemos campanhas de sensibilização direcionadas ao consumidor como “Observar, Cheirar, Provar”. O nosso foco, em tudo o que fazemos, é inspirar e capacitar todos para agir contra este desafio global, que é o desperdício alimentar.


Maria Tolentino, Country Manager da Too Good To Go para Portugal, entrou na empresa em abril de 2022 e tem formação em Economia Social e Gestão de Recursos Humanos


Como está, na prática, a tecnologia a redesenhar comportamentos de consumo e desperdício? Que mudanças concretas já conseguem medir? 

M.T. — A tecnologia transforma um problema massivo numa solução quotidiana e mensurável. Com a nossa app gratuita, e com apenas alguns cliques, salvar comida de qualidade a preços acessíveis em estabelecimentos próximos é uma solução fácil, escalável e rápida de adotar. Em Portugal, a nossa comunidade cresceu 20% nos últimos dois anos, superando 2,4 milhões de utilizadores, e mais de 4.000 parceiros, de grandes cadeias, como Auchan e Continente, a pequenos negócios, que já utilizam a app para redistribuir os seus excedentes. Já salvámos mais de 7,6 milhões de Surprise Bags no país, evitando o desperdício de mais de 7.600 toneladas de alimentos com impacto positivo para consumidores, negócios e o planeta.

Como é que a IA faz parte da operação da Too Good To Go?

M.T. — Além do nosso marketplace, a IA é o motor da Too Good To Go Platform. Trata-se de uma solução end-to-end para o setor do retalho que gere e redistribui excedentes a partir de uma única ferramenta. A solução automatiza a gestão das datas de validade em loja e aplica descontos inteligentes a produtos próximos do fim de validade, otimizando processos e a eficiência das equipas, garantindo que cada produto tem a melhor hipótese de ser consumido, seja através de reduções de preço em loja ou via o nosso marketplace. Em Portugal, o Celeiro já utiliza esta solução, melhorando a gestão de validades e poupando tempo em loja, garantindo que os produtos têm maior chance de consumo.  

"Utilizamos machine learning e geolocalização para personalizar recomendações"

E que papel têm os dados na vossa operação, desde a previsão de excedentes até à forma como ligam oferta e procura em tempo real?

M.T. — Os dados estão no centro das nossas operações. Através da Too Good To Go Platform, a recolha de dados ajuda parceiros a decidir melhor sobre a revalorização dos seus excedentes, desde a previsão à operação em loja. Na nossa app, usamos machine learning para ligar a oferta à procura em tempo real. Além disso, tornamos o impacto visível: traduzimos o ganho ambiental e económico de cada Surprise Bag salva no perfil do utilizador. Isto gera envolvimento e consciência, reforçando a mudança de hábitos ao mostrar o benefício real para a carteira e o ambiente.

O vosso modelo depende muito de timing e proximidade. Que desafios tecnológicos existem em garantir essa eficiência à escala?

M.T. — Enquanto marketplace, o principal desafio é ligar, rápida e eficazmente, excedentes a utilizadores próximos. Apostamos em tecnologia para criar interfaces intuitivas e proporcionar uma experiência simples e agradável, não só para o parceiro, também para o utilizador, disponibilizando informação relevante, avaliações precisas e os filtros necessários para encontrar opções disponíveis por tipo de comida e horário de recolha em lugares convenientes. Focamo-nos, também, em otimizar a utilização de alertas e incentivos a salvar refeições na nossa app. Utilizamos machine learning e geolocalização para personalizar recomendações, de forma a garantir que o crescimento da rede não impede que ofereçamos uma experiência mais personalizada e eficiente.

Do lado dos parceiros, que tipo de integração ou adaptação tecnológica é necessária? Há ainda fricção na adopção?

M.T. — A integração na app é instantânea, simples e flexível. O sistema adapta-se a qualquer negócio, de padarias locais a grandes supermercados, e não requer adaptações tecnológicas complexas: basta um smartphone ou tablet. O nosso apoio foca-se na inclusão da ferramenta nas rotinas diárias. Quando os parceiros percebem que a solução reduz perdas (atrai novos clientes e é fácil de operar) a adoção e o compromisso acontecem de forma natural e fluida.

Existe o risco de a experiência ainda ser percecionada apenas como uma lógica de desconto?

M.T. — Os alimentos têm dois estados: são vendidos a preço completo ou são desperdiçados se não forem vendidos, mesmo estando ainda em boas condições. Acreditamos que existe um estado intermédio: comida de qualidade com valor oculto. Não criamos promoções; ajudamos os nossos parceiros a desbloquear esse valor. Oferecemos uma forma simples de levar comida de qualidade a quem a aprecia por um preço justo. Os utilizadores vêem e sentem a Too Good To Go como uma forma de poupar e, em simultâneo, gerar impacto positivo. Procuramos garantir que nenhum alimento em perfeitas condições seja desperdiçado.

A evolução da plataforma tem sido mais orientada pelo comportamento do utilizador ou por uma visão interna de produto?

M.T. — Unimos a nossa visão de produto ao comportamento de quem usa a app para escalar o impacto e para reduzir ainda mais o desperdício alimentar. Ouvimos e observamos parceiros e utilizadores para adaptar soluções às suas necessidades reais. Um exemplo desta escuta ativa são funcionalidades como o “Ask a friend”, que permite pedir a alguém que recolha a Surprise Bag, ou as notificações que avisam quando uma Surprise Bag, de uma loja favorita, fica disponível. Estas melhorias, guiadas pelos dados de interação, garantem que mais excedentes sejam salvos e que a experiência seja cada vez mais útil.

"Construímos uma cultura de inovação combinando propósito e impacto com uma forte orientação para o utilizador e o parceiro"

O que orienta a expansão para novas categorias, como pet food, do ponto de vista tecnológico e de produto?

 M.T. — A nossa expansão para novas categorias é impulsionada por uma combinação de visão de impacto, sinais claros dos utilizadores e oportunidades de parceiros que nos procuram proativamente e que avaliamos cuidadosamente. Foi o caso da Pet Food. Em Portugal, os donos de animais gastam, em média, 636€ anuais, por isso, vimos aqui uma oportunidade de poupança e de reduzir o impacto ambiental do desperdício destes alimentos. Parceiros como a Tibi ajudam a dar uma segunda oportunidade a estes produtos. Usamos a tecnologia para identificar estas lacunas e garantir que a nossa missão de desperdício zero cubra novas categorias.

Numa empresa como a Too Good To Go, que cruza impacto e tecnologia, como se constrói uma cultura de produto e inovação?

M.T. — Construímos uma cultura de inovação combinando propósito e impacto com uma forte orientação para o utilizador e o parceiro. O nosso objetivo de reduzir o desperdício alimentar orienta cada decisão de produto, mas são os dados e o feedback contínuo de utilizadores e parceiros que moldam a nossa evolução. Promovemos equipas ágeis, experimentação contínua e colaboração transversal para testar, aprender e escalar rapidamente as soluções que geram um impacto real.


A Too Good To Go está presente em 21 países


Onde é que a Too Good To Go quer estar daqui a cinco anos, enquanto produto tecnológico, e o que é que ainda falta desenvolver para lá chegar?

M.T. — Nos próximos cinco anos, queremos reforçar a nossa posição como parceiro-chave tanto para os negócios como para os consumidores na luta contra o desperdício alimentar. O nosso marketplace continuará a ser um pilar fundamental da nossa missão, mas iremos continuar a evoluir como um parceiro end-to-end para a indústria, com soluções como a Too Good To Go Platform que ajudam a gerir os excedentes de forma mais eficiente. O nosso foco estará em desenvolver tecnologia que nos permita atuar mais cedo ao longo de toda a cadeia de valor, combinando dados, IA e novas parcerias para maximizar o nosso impacto na redução do desperdício alimentar.

#Protagonistas

“A tecnologia transforma um problema massivo numa solução quotidiana” — como a Too Good To Go está a mudar o consumo

Começou como uma forma simples de salvar excedentes alimentares, mas hoje, é uma operação tecnológica que cruza dados, inteligência artificial e comportamento humano. Em entrevista ao MOTIVO, Maria Tolentino, Country Manager da Too Good To Go em Portugal, explica como a empresa está a transformar um problema estrutural numa solução do dia-a-dia, e porque o verdadeiro impacto começa na forma como consumimos.

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6 de mai. de 2026, 08:08

O sucesso da Too Good To Go, hoje, é inegável, desde a ideia, aos resultados, passando pelo contributo para o debate sobre desperdício alimentar... Como definem a empresa, atualmente: é uma plataforma tecnológica, um marketplace de excedentes ou uma infra-estrutura de eficiência para o sector alimentar? 

MARIA TOLENTINO — Somos uma empresa de impacto social que combate o desperdício alimentar em 21 países. Atuamos em toda a cadeia de valor com soluções como a nossa app, um marketplace que liga milhões de pessoas a milhares de negócios para salvar excedentes alimentares a preços acessíveis. Dispomos, também, de ferramentas como a Too Good To Go Platform, sistema impulsionado por IA, que ajuda retalhistas na gestão eficiente de stock, e desenvolvemos campanhas de sensibilização direcionadas ao consumidor como “Observar, Cheirar, Provar”. O nosso foco, em tudo o que fazemos, é inspirar e capacitar todos para agir contra este desafio global, que é o desperdício alimentar.


Maria Tolentino, Country Manager da Too Good To Go para Portugal, entrou na empresa em abril de 2022 e tem formação em Economia Social e Gestão de Recursos Humanos


Como está, na prática, a tecnologia a redesenhar comportamentos de consumo e desperdício? Que mudanças concretas já conseguem medir? 

M.T. — A tecnologia transforma um problema massivo numa solução quotidiana e mensurável. Com a nossa app gratuita, e com apenas alguns cliques, salvar comida de qualidade a preços acessíveis em estabelecimentos próximos é uma solução fácil, escalável e rápida de adotar. Em Portugal, a nossa comunidade cresceu 20% nos últimos dois anos, superando 2,4 milhões de utilizadores, e mais de 4.000 parceiros, de grandes cadeias, como Auchan e Continente, a pequenos negócios, que já utilizam a app para redistribuir os seus excedentes. Já salvámos mais de 7,6 milhões de Surprise Bags no país, evitando o desperdício de mais de 7.600 toneladas de alimentos com impacto positivo para consumidores, negócios e o planeta.

Como é que a IA faz parte da operação da Too Good To Go?

M.T. — Além do nosso marketplace, a IA é o motor da Too Good To Go Platform. Trata-se de uma solução end-to-end para o setor do retalho que gere e redistribui excedentes a partir de uma única ferramenta. A solução automatiza a gestão das datas de validade em loja e aplica descontos inteligentes a produtos próximos do fim de validade, otimizando processos e a eficiência das equipas, garantindo que cada produto tem a melhor hipótese de ser consumido, seja através de reduções de preço em loja ou via o nosso marketplace. Em Portugal, o Celeiro já utiliza esta solução, melhorando a gestão de validades e poupando tempo em loja, garantindo que os produtos têm maior chance de consumo.  

"Utilizamos machine learning e geolocalização para personalizar recomendações"

E que papel têm os dados na vossa operação, desde a previsão de excedentes até à forma como ligam oferta e procura em tempo real?

M.T. — Os dados estão no centro das nossas operações. Através da Too Good To Go Platform, a recolha de dados ajuda parceiros a decidir melhor sobre a revalorização dos seus excedentes, desde a previsão à operação em loja. Na nossa app, usamos machine learning para ligar a oferta à procura em tempo real. Além disso, tornamos o impacto visível: traduzimos o ganho ambiental e económico de cada Surprise Bag salva no perfil do utilizador. Isto gera envolvimento e consciência, reforçando a mudança de hábitos ao mostrar o benefício real para a carteira e o ambiente.

O vosso modelo depende muito de timing e proximidade. Que desafios tecnológicos existem em garantir essa eficiência à escala?

M.T. — Enquanto marketplace, o principal desafio é ligar, rápida e eficazmente, excedentes a utilizadores próximos. Apostamos em tecnologia para criar interfaces intuitivas e proporcionar uma experiência simples e agradável, não só para o parceiro, também para o utilizador, disponibilizando informação relevante, avaliações precisas e os filtros necessários para encontrar opções disponíveis por tipo de comida e horário de recolha em lugares convenientes. Focamo-nos, também, em otimizar a utilização de alertas e incentivos a salvar refeições na nossa app. Utilizamos machine learning e geolocalização para personalizar recomendações, de forma a garantir que o crescimento da rede não impede que ofereçamos uma experiência mais personalizada e eficiente.

Do lado dos parceiros, que tipo de integração ou adaptação tecnológica é necessária? Há ainda fricção na adopção?

M.T. — A integração na app é instantânea, simples e flexível. O sistema adapta-se a qualquer negócio, de padarias locais a grandes supermercados, e não requer adaptações tecnológicas complexas: basta um smartphone ou tablet. O nosso apoio foca-se na inclusão da ferramenta nas rotinas diárias. Quando os parceiros percebem que a solução reduz perdas (atrai novos clientes e é fácil de operar) a adoção e o compromisso acontecem de forma natural e fluida.

Existe o risco de a experiência ainda ser percecionada apenas como uma lógica de desconto?

M.T. — Os alimentos têm dois estados: são vendidos a preço completo ou são desperdiçados se não forem vendidos, mesmo estando ainda em boas condições. Acreditamos que existe um estado intermédio: comida de qualidade com valor oculto. Não criamos promoções; ajudamos os nossos parceiros a desbloquear esse valor. Oferecemos uma forma simples de levar comida de qualidade a quem a aprecia por um preço justo. Os utilizadores vêem e sentem a Too Good To Go como uma forma de poupar e, em simultâneo, gerar impacto positivo. Procuramos garantir que nenhum alimento em perfeitas condições seja desperdiçado.

A evolução da plataforma tem sido mais orientada pelo comportamento do utilizador ou por uma visão interna de produto?

M.T. — Unimos a nossa visão de produto ao comportamento de quem usa a app para escalar o impacto e para reduzir ainda mais o desperdício alimentar. Ouvimos e observamos parceiros e utilizadores para adaptar soluções às suas necessidades reais. Um exemplo desta escuta ativa são funcionalidades como o “Ask a friend”, que permite pedir a alguém que recolha a Surprise Bag, ou as notificações que avisam quando uma Surprise Bag, de uma loja favorita, fica disponível. Estas melhorias, guiadas pelos dados de interação, garantem que mais excedentes sejam salvos e que a experiência seja cada vez mais útil.

"Construímos uma cultura de inovação combinando propósito e impacto com uma forte orientação para o utilizador e o parceiro"

O que orienta a expansão para novas categorias, como pet food, do ponto de vista tecnológico e de produto?

 M.T. — A nossa expansão para novas categorias é impulsionada por uma combinação de visão de impacto, sinais claros dos utilizadores e oportunidades de parceiros que nos procuram proativamente e que avaliamos cuidadosamente. Foi o caso da Pet Food. Em Portugal, os donos de animais gastam, em média, 636€ anuais, por isso, vimos aqui uma oportunidade de poupança e de reduzir o impacto ambiental do desperdício destes alimentos. Parceiros como a Tibi ajudam a dar uma segunda oportunidade a estes produtos. Usamos a tecnologia para identificar estas lacunas e garantir que a nossa missão de desperdício zero cubra novas categorias.

Numa empresa como a Too Good To Go, que cruza impacto e tecnologia, como se constrói uma cultura de produto e inovação?

M.T. — Construímos uma cultura de inovação combinando propósito e impacto com uma forte orientação para o utilizador e o parceiro. O nosso objetivo de reduzir o desperdício alimentar orienta cada decisão de produto, mas são os dados e o feedback contínuo de utilizadores e parceiros que moldam a nossa evolução. Promovemos equipas ágeis, experimentação contínua e colaboração transversal para testar, aprender e escalar rapidamente as soluções que geram um impacto real.


A Too Good To Go está presente em 21 países


Onde é que a Too Good To Go quer estar daqui a cinco anos, enquanto produto tecnológico, e o que é que ainda falta desenvolver para lá chegar?

M.T. — Nos próximos cinco anos, queremos reforçar a nossa posição como parceiro-chave tanto para os negócios como para os consumidores na luta contra o desperdício alimentar. O nosso marketplace continuará a ser um pilar fundamental da nossa missão, mas iremos continuar a evoluir como um parceiro end-to-end para a indústria, com soluções como a Too Good To Go Platform que ajudam a gerir os excedentes de forma mais eficiente. O nosso foco estará em desenvolver tecnologia que nos permita atuar mais cedo ao longo de toda a cadeia de valor, combinando dados, IA e novas parcerias para maximizar o nosso impacto na redução do desperdício alimentar.

#Protagonistas

“A tecnologia transforma um problema massivo numa solução quotidiana” — como a Too Good To Go está a mudar o consumo

Começou como uma forma simples de salvar excedentes alimentares, mas hoje, é uma operação tecnológica que cruza dados, inteligência artificial e comportamento humano. Em entrevista ao MOTIVO, Maria Tolentino, Country Manager da Too Good To Go em Portugal, explica como a empresa está a transformar um problema estrutural numa solução do dia-a-dia, e porque o verdadeiro impacto começa na forma como consumimos.

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6 de mai. de 2026, 08:08

O sucesso da Too Good To Go, hoje, é inegável, desde a ideia, aos resultados, passando pelo contributo para o debate sobre desperdício alimentar... Como definem a empresa, atualmente: é uma plataforma tecnológica, um marketplace de excedentes ou uma infra-estrutura de eficiência para o sector alimentar? 

MARIA TOLENTINO — Somos uma empresa de impacto social que combate o desperdício alimentar em 21 países. Atuamos em toda a cadeia de valor com soluções como a nossa app, um marketplace que liga milhões de pessoas a milhares de negócios para salvar excedentes alimentares a preços acessíveis. Dispomos, também, de ferramentas como a Too Good To Go Platform, sistema impulsionado por IA, que ajuda retalhistas na gestão eficiente de stock, e desenvolvemos campanhas de sensibilização direcionadas ao consumidor como “Observar, Cheirar, Provar”. O nosso foco, em tudo o que fazemos, é inspirar e capacitar todos para agir contra este desafio global, que é o desperdício alimentar.


Maria Tolentino, Country Manager da Too Good To Go para Portugal, entrou na empresa em abril de 2022 e tem formação em Economia Social e Gestão de Recursos Humanos


Como está, na prática, a tecnologia a redesenhar comportamentos de consumo e desperdício? Que mudanças concretas já conseguem medir? 

M.T. — A tecnologia transforma um problema massivo numa solução quotidiana e mensurável. Com a nossa app gratuita, e com apenas alguns cliques, salvar comida de qualidade a preços acessíveis em estabelecimentos próximos é uma solução fácil, escalável e rápida de adotar. Em Portugal, a nossa comunidade cresceu 20% nos últimos dois anos, superando 2,4 milhões de utilizadores, e mais de 4.000 parceiros, de grandes cadeias, como Auchan e Continente, a pequenos negócios, que já utilizam a app para redistribuir os seus excedentes. Já salvámos mais de 7,6 milhões de Surprise Bags no país, evitando o desperdício de mais de 7.600 toneladas de alimentos com impacto positivo para consumidores, negócios e o planeta.

Como é que a IA faz parte da operação da Too Good To Go?

M.T. — Além do nosso marketplace, a IA é o motor da Too Good To Go Platform. Trata-se de uma solução end-to-end para o setor do retalho que gere e redistribui excedentes a partir de uma única ferramenta. A solução automatiza a gestão das datas de validade em loja e aplica descontos inteligentes a produtos próximos do fim de validade, otimizando processos e a eficiência das equipas, garantindo que cada produto tem a melhor hipótese de ser consumido, seja através de reduções de preço em loja ou via o nosso marketplace. Em Portugal, o Celeiro já utiliza esta solução, melhorando a gestão de validades e poupando tempo em loja, garantindo que os produtos têm maior chance de consumo.  

"Utilizamos machine learning e geolocalização para personalizar recomendações"

E que papel têm os dados na vossa operação, desde a previsão de excedentes até à forma como ligam oferta e procura em tempo real?

M.T. — Os dados estão no centro das nossas operações. Através da Too Good To Go Platform, a recolha de dados ajuda parceiros a decidir melhor sobre a revalorização dos seus excedentes, desde a previsão à operação em loja. Na nossa app, usamos machine learning para ligar a oferta à procura em tempo real. Além disso, tornamos o impacto visível: traduzimos o ganho ambiental e económico de cada Surprise Bag salva no perfil do utilizador. Isto gera envolvimento e consciência, reforçando a mudança de hábitos ao mostrar o benefício real para a carteira e o ambiente.

O vosso modelo depende muito de timing e proximidade. Que desafios tecnológicos existem em garantir essa eficiência à escala?

M.T. — Enquanto marketplace, o principal desafio é ligar, rápida e eficazmente, excedentes a utilizadores próximos. Apostamos em tecnologia para criar interfaces intuitivas e proporcionar uma experiência simples e agradável, não só para o parceiro, também para o utilizador, disponibilizando informação relevante, avaliações precisas e os filtros necessários para encontrar opções disponíveis por tipo de comida e horário de recolha em lugares convenientes. Focamo-nos, também, em otimizar a utilização de alertas e incentivos a salvar refeições na nossa app. Utilizamos machine learning e geolocalização para personalizar recomendações, de forma a garantir que o crescimento da rede não impede que ofereçamos uma experiência mais personalizada e eficiente.

Do lado dos parceiros, que tipo de integração ou adaptação tecnológica é necessária? Há ainda fricção na adopção?

M.T. — A integração na app é instantânea, simples e flexível. O sistema adapta-se a qualquer negócio, de padarias locais a grandes supermercados, e não requer adaptações tecnológicas complexas: basta um smartphone ou tablet. O nosso apoio foca-se na inclusão da ferramenta nas rotinas diárias. Quando os parceiros percebem que a solução reduz perdas (atrai novos clientes e é fácil de operar) a adoção e o compromisso acontecem de forma natural e fluida.

Existe o risco de a experiência ainda ser percecionada apenas como uma lógica de desconto?

M.T. — Os alimentos têm dois estados: são vendidos a preço completo ou são desperdiçados se não forem vendidos, mesmo estando ainda em boas condições. Acreditamos que existe um estado intermédio: comida de qualidade com valor oculto. Não criamos promoções; ajudamos os nossos parceiros a desbloquear esse valor. Oferecemos uma forma simples de levar comida de qualidade a quem a aprecia por um preço justo. Os utilizadores vêem e sentem a Too Good To Go como uma forma de poupar e, em simultâneo, gerar impacto positivo. Procuramos garantir que nenhum alimento em perfeitas condições seja desperdiçado.

A evolução da plataforma tem sido mais orientada pelo comportamento do utilizador ou por uma visão interna de produto?

M.T. — Unimos a nossa visão de produto ao comportamento de quem usa a app para escalar o impacto e para reduzir ainda mais o desperdício alimentar. Ouvimos e observamos parceiros e utilizadores para adaptar soluções às suas necessidades reais. Um exemplo desta escuta ativa são funcionalidades como o “Ask a friend”, que permite pedir a alguém que recolha a Surprise Bag, ou as notificações que avisam quando uma Surprise Bag, de uma loja favorita, fica disponível. Estas melhorias, guiadas pelos dados de interação, garantem que mais excedentes sejam salvos e que a experiência seja cada vez mais útil.

"Construímos uma cultura de inovação combinando propósito e impacto com uma forte orientação para o utilizador e o parceiro"

O que orienta a expansão para novas categorias, como pet food, do ponto de vista tecnológico e de produto?

 M.T. — A nossa expansão para novas categorias é impulsionada por uma combinação de visão de impacto, sinais claros dos utilizadores e oportunidades de parceiros que nos procuram proativamente e que avaliamos cuidadosamente. Foi o caso da Pet Food. Em Portugal, os donos de animais gastam, em média, 636€ anuais, por isso, vimos aqui uma oportunidade de poupança e de reduzir o impacto ambiental do desperdício destes alimentos. Parceiros como a Tibi ajudam a dar uma segunda oportunidade a estes produtos. Usamos a tecnologia para identificar estas lacunas e garantir que a nossa missão de desperdício zero cubra novas categorias.

Numa empresa como a Too Good To Go, que cruza impacto e tecnologia, como se constrói uma cultura de produto e inovação?

M.T. — Construímos uma cultura de inovação combinando propósito e impacto com uma forte orientação para o utilizador e o parceiro. O nosso objetivo de reduzir o desperdício alimentar orienta cada decisão de produto, mas são os dados e o feedback contínuo de utilizadores e parceiros que moldam a nossa evolução. Promovemos equipas ágeis, experimentação contínua e colaboração transversal para testar, aprender e escalar rapidamente as soluções que geram um impacto real.


A Too Good To Go está presente em 21 países


Onde é que a Too Good To Go quer estar daqui a cinco anos, enquanto produto tecnológico, e o que é que ainda falta desenvolver para lá chegar?

M.T. — Nos próximos cinco anos, queremos reforçar a nossa posição como parceiro-chave tanto para os negócios como para os consumidores na luta contra o desperdício alimentar. O nosso marketplace continuará a ser um pilar fundamental da nossa missão, mas iremos continuar a evoluir como um parceiro end-to-end para a indústria, com soluções como a Too Good To Go Platform que ajudam a gerir os excedentes de forma mais eficiente. O nosso foco estará em desenvolver tecnologia que nos permita atuar mais cedo ao longo de toda a cadeia de valor, combinando dados, IA e novas parcerias para maximizar o nosso impacto na redução do desperdício alimentar.

#Protagonistas

“A tecnologia transforma um problema massivo numa solução quotidiana” — como a Too Good To Go está a mudar o consumo

Começou como uma forma simples de salvar excedentes alimentares, mas hoje, é uma operação tecnológica que cruza dados, inteligência artificial e comportamento humano. Em entrevista ao MOTIVO, Maria Tolentino, Country Manager da Too Good To Go em Portugal, explica como a empresa está a transformar um problema estrutural numa solução do dia-a-dia, e porque o verdadeiro impacto começa na forma como consumimos.

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6 de mai. de 2026, 08:08

O sucesso da Too Good To Go, hoje, é inegável, desde a ideia, aos resultados, passando pelo contributo para o debate sobre desperdício alimentar... Como definem a empresa, atualmente: é uma plataforma tecnológica, um marketplace de excedentes ou uma infra-estrutura de eficiência para o sector alimentar? 

MARIA TOLENTINO — Somos uma empresa de impacto social que combate o desperdício alimentar em 21 países. Atuamos em toda a cadeia de valor com soluções como a nossa app, um marketplace que liga milhões de pessoas a milhares de negócios para salvar excedentes alimentares a preços acessíveis. Dispomos, também, de ferramentas como a Too Good To Go Platform, sistema impulsionado por IA, que ajuda retalhistas na gestão eficiente de stock, e desenvolvemos campanhas de sensibilização direcionadas ao consumidor como “Observar, Cheirar, Provar”. O nosso foco, em tudo o que fazemos, é inspirar e capacitar todos para agir contra este desafio global, que é o desperdício alimentar.


Maria Tolentino, Country Manager da Too Good To Go para Portugal, entrou na empresa em abril de 2022 e tem formação em Economia Social e Gestão de Recursos Humanos


Como está, na prática, a tecnologia a redesenhar comportamentos de consumo e desperdício? Que mudanças concretas já conseguem medir? 

M.T. — A tecnologia transforma um problema massivo numa solução quotidiana e mensurável. Com a nossa app gratuita, e com apenas alguns cliques, salvar comida de qualidade a preços acessíveis em estabelecimentos próximos é uma solução fácil, escalável e rápida de adotar. Em Portugal, a nossa comunidade cresceu 20% nos últimos dois anos, superando 2,4 milhões de utilizadores, e mais de 4.000 parceiros, de grandes cadeias, como Auchan e Continente, a pequenos negócios, que já utilizam a app para redistribuir os seus excedentes. Já salvámos mais de 7,6 milhões de Surprise Bags no país, evitando o desperdício de mais de 7.600 toneladas de alimentos com impacto positivo para consumidores, negócios e o planeta.

Como é que a IA faz parte da operação da Too Good To Go?

M.T. — Além do nosso marketplace, a IA é o motor da Too Good To Go Platform. Trata-se de uma solução end-to-end para o setor do retalho que gere e redistribui excedentes a partir de uma única ferramenta. A solução automatiza a gestão das datas de validade em loja e aplica descontos inteligentes a produtos próximos do fim de validade, otimizando processos e a eficiência das equipas, garantindo que cada produto tem a melhor hipótese de ser consumido, seja através de reduções de preço em loja ou via o nosso marketplace. Em Portugal, o Celeiro já utiliza esta solução, melhorando a gestão de validades e poupando tempo em loja, garantindo que os produtos têm maior chance de consumo.  

"Utilizamos machine learning e geolocalização para personalizar recomendações"

E que papel têm os dados na vossa operação, desde a previsão de excedentes até à forma como ligam oferta e procura em tempo real?

M.T. — Os dados estão no centro das nossas operações. Através da Too Good To Go Platform, a recolha de dados ajuda parceiros a decidir melhor sobre a revalorização dos seus excedentes, desde a previsão à operação em loja. Na nossa app, usamos machine learning para ligar a oferta à procura em tempo real. Além disso, tornamos o impacto visível: traduzimos o ganho ambiental e económico de cada Surprise Bag salva no perfil do utilizador. Isto gera envolvimento e consciência, reforçando a mudança de hábitos ao mostrar o benefício real para a carteira e o ambiente.

O vosso modelo depende muito de timing e proximidade. Que desafios tecnológicos existem em garantir essa eficiência à escala?

M.T. — Enquanto marketplace, o principal desafio é ligar, rápida e eficazmente, excedentes a utilizadores próximos. Apostamos em tecnologia para criar interfaces intuitivas e proporcionar uma experiência simples e agradável, não só para o parceiro, também para o utilizador, disponibilizando informação relevante, avaliações precisas e os filtros necessários para encontrar opções disponíveis por tipo de comida e horário de recolha em lugares convenientes. Focamo-nos, também, em otimizar a utilização de alertas e incentivos a salvar refeições na nossa app. Utilizamos machine learning e geolocalização para personalizar recomendações, de forma a garantir que o crescimento da rede não impede que ofereçamos uma experiência mais personalizada e eficiente.

Do lado dos parceiros, que tipo de integração ou adaptação tecnológica é necessária? Há ainda fricção na adopção?

M.T. — A integração na app é instantânea, simples e flexível. O sistema adapta-se a qualquer negócio, de padarias locais a grandes supermercados, e não requer adaptações tecnológicas complexas: basta um smartphone ou tablet. O nosso apoio foca-se na inclusão da ferramenta nas rotinas diárias. Quando os parceiros percebem que a solução reduz perdas (atrai novos clientes e é fácil de operar) a adoção e o compromisso acontecem de forma natural e fluida.

Existe o risco de a experiência ainda ser percecionada apenas como uma lógica de desconto?

M.T. — Os alimentos têm dois estados: são vendidos a preço completo ou são desperdiçados se não forem vendidos, mesmo estando ainda em boas condições. Acreditamos que existe um estado intermédio: comida de qualidade com valor oculto. Não criamos promoções; ajudamos os nossos parceiros a desbloquear esse valor. Oferecemos uma forma simples de levar comida de qualidade a quem a aprecia por um preço justo. Os utilizadores vêem e sentem a Too Good To Go como uma forma de poupar e, em simultâneo, gerar impacto positivo. Procuramos garantir que nenhum alimento em perfeitas condições seja desperdiçado.

A evolução da plataforma tem sido mais orientada pelo comportamento do utilizador ou por uma visão interna de produto?

M.T. — Unimos a nossa visão de produto ao comportamento de quem usa a app para escalar o impacto e para reduzir ainda mais o desperdício alimentar. Ouvimos e observamos parceiros e utilizadores para adaptar soluções às suas necessidades reais. Um exemplo desta escuta ativa são funcionalidades como o “Ask a friend”, que permite pedir a alguém que recolha a Surprise Bag, ou as notificações que avisam quando uma Surprise Bag, de uma loja favorita, fica disponível. Estas melhorias, guiadas pelos dados de interação, garantem que mais excedentes sejam salvos e que a experiência seja cada vez mais útil.

"Construímos uma cultura de inovação combinando propósito e impacto com uma forte orientação para o utilizador e o parceiro"

O que orienta a expansão para novas categorias, como pet food, do ponto de vista tecnológico e de produto?

 M.T. — A nossa expansão para novas categorias é impulsionada por uma combinação de visão de impacto, sinais claros dos utilizadores e oportunidades de parceiros que nos procuram proativamente e que avaliamos cuidadosamente. Foi o caso da Pet Food. Em Portugal, os donos de animais gastam, em média, 636€ anuais, por isso, vimos aqui uma oportunidade de poupança e de reduzir o impacto ambiental do desperdício destes alimentos. Parceiros como a Tibi ajudam a dar uma segunda oportunidade a estes produtos. Usamos a tecnologia para identificar estas lacunas e garantir que a nossa missão de desperdício zero cubra novas categorias.

Numa empresa como a Too Good To Go, que cruza impacto e tecnologia, como se constrói uma cultura de produto e inovação?

M.T. — Construímos uma cultura de inovação combinando propósito e impacto com uma forte orientação para o utilizador e o parceiro. O nosso objetivo de reduzir o desperdício alimentar orienta cada decisão de produto, mas são os dados e o feedback contínuo de utilizadores e parceiros que moldam a nossa evolução. Promovemos equipas ágeis, experimentação contínua e colaboração transversal para testar, aprender e escalar rapidamente as soluções que geram um impacto real.


A Too Good To Go está presente em 21 países


Onde é que a Too Good To Go quer estar daqui a cinco anos, enquanto produto tecnológico, e o que é que ainda falta desenvolver para lá chegar?

M.T. — Nos próximos cinco anos, queremos reforçar a nossa posição como parceiro-chave tanto para os negócios como para os consumidores na luta contra o desperdício alimentar. O nosso marketplace continuará a ser um pilar fundamental da nossa missão, mas iremos continuar a evoluir como um parceiro end-to-end para a indústria, com soluções como a Too Good To Go Platform que ajudam a gerir os excedentes de forma mais eficiente. O nosso foco estará em desenvolver tecnologia que nos permita atuar mais cedo ao longo de toda a cadeia de valor, combinando dados, IA e novas parcerias para maximizar o nosso impacto na redução do desperdício alimentar.

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