Há uma ideia quase romântica de que liderar é decidir

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Jornalista e escritora

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28 de abr. de 2026, 09:00

#Protagonistas
Opinião

Como se a liderança se afirmasse na clareza da ordem, na rapidez da resposta ou na capacidade de avançar sem hesitação. A experiência, essa matéria menos glamorosa e mais exigente, diz-nos outra coisa: liderar é, muitas vezes, criar condições. E criar condições, sendo um território menos visível, menos mensurável, é determinante.

Uma equipa não se sustenta apenas em competências.

Sustenta-se na confiança e esta não nasce de organogramas nem de discursos formais, nasce de conversas reais, com tempo, com escuta, com fricção até. Porque é na possibilidade de dizer e de ser ouvido que se constrói a ideia fundamental de que o outro não é um obstáculo, antes sim um aliado. Equipas que funcionam são aquelas nas quais as pessoas sabem que podem depender umas das outras. E essa dependência, ao contrário do que a palavra sugere, não fragiliza, fortalece.

A liderança desloca-se do lugar clássico do comando para um espaço mais exigente, o da escuta activa. Escutar não como gesto passivo, é uma prática intencional, porque tem por objetivo compreender e não apenas responder. Escutar implica suspender o automatismo da resposta imediata, implica aceitar que nem sempre se tem razão e implica reconhecer que o conhecimento está distribuído. Um líder que não escuta está, na prática, a reduzir a inteligência da sua própria equipa.

Claro que a escuta, por si só, não basta.

É preciso garantir que aquilo que circula dito presencialmente, e não pelos lados. A comunicação frontal, clara, ainda que por vezes desconfortável, é uma das formas mais eficazes de respeito. Evita mal-entendidos, reduz a ansiedade e, acima de tudo, impede o crescimento de um fenómeno tão comum quanto corrosivo: a chamada “rádio alcatifa”.

A comunicação de corredor tem uma aparência inofensiva, quase inevitável, no entanto os seus efeitos são profundamente desestabilizadores. Alimenta desconfianças, distorce intenções, cria versões paralelas da realidade. E quando uma equipa passa a funcionar com base em suposições e murmúrios, deixa de ser uma equipa. Torna-se um conjunto de ilhas, cada uma a interpretar o todo a partir de fragmentos.

Liderar é também conter o ruído, não através de controlo excessivo ou de vigilância, antes através da criação de uma cultura na qual falar abertamente é a norma e não a exceção. Os  problemas são trazidos para o centro e não empurrados para os cantos, para debaixo da tal alcatifa tóxica. O desconforto deve ser reconhecido como parte do processo e não como algo a evitar a todo o custo.

Há um equívoco frequente que associa bem-estar à ausência de conflito.

Como se um ambiente saudável fosse, necessariamente, um ambiente pacificado. Ora, equipas sem conflito são, muitas vezes, equipas silenciosas, e o silêncio pode ser apenas a forma mais sofisticada de afastamento. O verdadeiro bem-estar constrói-se na capacidade de discordar sem romper, de confrontar sem destruir, de debater sem medo de retaliação.

Num tempo em que tudo parece acelerar, talvez a liderança mais exigente seja precisamente aquela que abranda para ouvir. 


LER TAMBÉM:


Patrícia Reis assina a crónica Instruções para o teu chefe, todos os meses, no MOTIVO.

Há uma ideia quase romântica de que liderar é decidir

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Como se a liderança se afirmasse na clareza da ordem, na rapidez da resposta ou na capacidade de avançar sem hesitação. A experiência, essa matéria menos glamorosa e mais exigente, diz-nos outra coisa: liderar é, muitas vezes, criar condições. E criar condições, sendo um território menos visível, menos mensurável, é determinante.

Uma equipa não se sustenta apenas em competências.

Sustenta-se na confiança e esta não nasce de organogramas nem de discursos formais, nasce de conversas reais, com tempo, com escuta, com fricção até. Porque é na possibilidade de dizer e de ser ouvido que se constrói a ideia fundamental de que o outro não é um obstáculo, antes sim um aliado. Equipas que funcionam são aquelas nas quais as pessoas sabem que podem depender umas das outras. E essa dependência, ao contrário do que a palavra sugere, não fragiliza, fortalece.

A liderança desloca-se do lugar clássico do comando para um espaço mais exigente, o da escuta activa. Escutar não como gesto passivo, é uma prática intencional, porque tem por objetivo compreender e não apenas responder. Escutar implica suspender o automatismo da resposta imediata, implica aceitar que nem sempre se tem razão e implica reconhecer que o conhecimento está distribuído. Um líder que não escuta está, na prática, a reduzir a inteligência da sua própria equipa.

Claro que a escuta, por si só, não basta.

É preciso garantir que aquilo que circula dito presencialmente, e não pelos lados. A comunicação frontal, clara, ainda que por vezes desconfortável, é uma das formas mais eficazes de respeito. Evita mal-entendidos, reduz a ansiedade e, acima de tudo, impede o crescimento de um fenómeno tão comum quanto corrosivo: a chamada “rádio alcatifa”.

A comunicação de corredor tem uma aparência inofensiva, quase inevitável, no entanto os seus efeitos são profundamente desestabilizadores. Alimenta desconfianças, distorce intenções, cria versões paralelas da realidade. E quando uma equipa passa a funcionar com base em suposições e murmúrios, deixa de ser uma equipa. Torna-se um conjunto de ilhas, cada uma a interpretar o todo a partir de fragmentos.

Liderar é também conter o ruído, não através de controlo excessivo ou de vigilância, antes através da criação de uma cultura na qual falar abertamente é a norma e não a exceção. Os  problemas são trazidos para o centro e não empurrados para os cantos, para debaixo da tal alcatifa tóxica. O desconforto deve ser reconhecido como parte do processo e não como algo a evitar a todo o custo.

Há um equívoco frequente que associa bem-estar à ausência de conflito.

Como se um ambiente saudável fosse, necessariamente, um ambiente pacificado. Ora, equipas sem conflito são, muitas vezes, equipas silenciosas, e o silêncio pode ser apenas a forma mais sofisticada de afastamento. O verdadeiro bem-estar constrói-se na capacidade de discordar sem romper, de confrontar sem destruir, de debater sem medo de retaliação.

Num tempo em que tudo parece acelerar, talvez a liderança mais exigente seja precisamente aquela que abranda para ouvir. 


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Há uma ideia quase romântica de que liderar é decidir

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Como se a liderança se afirmasse na clareza da ordem, na rapidez da resposta ou na capacidade de avançar sem hesitação. A experiência, essa matéria menos glamorosa e mais exigente, diz-nos outra coisa: liderar é, muitas vezes, criar condições. E criar condições, sendo um território menos visível, menos mensurável, é determinante.

Uma equipa não se sustenta apenas em competências.

Sustenta-se na confiança e esta não nasce de organogramas nem de discursos formais, nasce de conversas reais, com tempo, com escuta, com fricção até. Porque é na possibilidade de dizer e de ser ouvido que se constrói a ideia fundamental de que o outro não é um obstáculo, antes sim um aliado. Equipas que funcionam são aquelas nas quais as pessoas sabem que podem depender umas das outras. E essa dependência, ao contrário do que a palavra sugere, não fragiliza, fortalece.

A liderança desloca-se do lugar clássico do comando para um espaço mais exigente, o da escuta activa. Escutar não como gesto passivo, é uma prática intencional, porque tem por objetivo compreender e não apenas responder. Escutar implica suspender o automatismo da resposta imediata, implica aceitar que nem sempre se tem razão e implica reconhecer que o conhecimento está distribuído. Um líder que não escuta está, na prática, a reduzir a inteligência da sua própria equipa.

Claro que a escuta, por si só, não basta.

É preciso garantir que aquilo que circula dito presencialmente, e não pelos lados. A comunicação frontal, clara, ainda que por vezes desconfortável, é uma das formas mais eficazes de respeito. Evita mal-entendidos, reduz a ansiedade e, acima de tudo, impede o crescimento de um fenómeno tão comum quanto corrosivo: a chamada “rádio alcatifa”.

A comunicação de corredor tem uma aparência inofensiva, quase inevitável, no entanto os seus efeitos são profundamente desestabilizadores. Alimenta desconfianças, distorce intenções, cria versões paralelas da realidade. E quando uma equipa passa a funcionar com base em suposições e murmúrios, deixa de ser uma equipa. Torna-se um conjunto de ilhas, cada uma a interpretar o todo a partir de fragmentos.

Liderar é também conter o ruído, não através de controlo excessivo ou de vigilância, antes através da criação de uma cultura na qual falar abertamente é a norma e não a exceção. Os  problemas são trazidos para o centro e não empurrados para os cantos, para debaixo da tal alcatifa tóxica. O desconforto deve ser reconhecido como parte do processo e não como algo a evitar a todo o custo.

Há um equívoco frequente que associa bem-estar à ausência de conflito.

Como se um ambiente saudável fosse, necessariamente, um ambiente pacificado. Ora, equipas sem conflito são, muitas vezes, equipas silenciosas, e o silêncio pode ser apenas a forma mais sofisticada de afastamento. O verdadeiro bem-estar constrói-se na capacidade de discordar sem romper, de confrontar sem destruir, de debater sem medo de retaliação.

Num tempo em que tudo parece acelerar, talvez a liderança mais exigente seja precisamente aquela que abranda para ouvir. 


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Como se a liderança se afirmasse na clareza da ordem, na rapidez da resposta ou na capacidade de avançar sem hesitação. A experiência, essa matéria menos glamorosa e mais exigente, diz-nos outra coisa: liderar é, muitas vezes, criar condições. E criar condições, sendo um território menos visível, menos mensurável, é determinante.

Uma equipa não se sustenta apenas em competências.

Sustenta-se na confiança e esta não nasce de organogramas nem de discursos formais, nasce de conversas reais, com tempo, com escuta, com fricção até. Porque é na possibilidade de dizer e de ser ouvido que se constrói a ideia fundamental de que o outro não é um obstáculo, antes sim um aliado. Equipas que funcionam são aquelas nas quais as pessoas sabem que podem depender umas das outras. E essa dependência, ao contrário do que a palavra sugere, não fragiliza, fortalece.

A liderança desloca-se do lugar clássico do comando para um espaço mais exigente, o da escuta activa. Escutar não como gesto passivo, é uma prática intencional, porque tem por objetivo compreender e não apenas responder. Escutar implica suspender o automatismo da resposta imediata, implica aceitar que nem sempre se tem razão e implica reconhecer que o conhecimento está distribuído. Um líder que não escuta está, na prática, a reduzir a inteligência da sua própria equipa.

Claro que a escuta, por si só, não basta.

É preciso garantir que aquilo que circula dito presencialmente, e não pelos lados. A comunicação frontal, clara, ainda que por vezes desconfortável, é uma das formas mais eficazes de respeito. Evita mal-entendidos, reduz a ansiedade e, acima de tudo, impede o crescimento de um fenómeno tão comum quanto corrosivo: a chamada “rádio alcatifa”.

A comunicação de corredor tem uma aparência inofensiva, quase inevitável, no entanto os seus efeitos são profundamente desestabilizadores. Alimenta desconfianças, distorce intenções, cria versões paralelas da realidade. E quando uma equipa passa a funcionar com base em suposições e murmúrios, deixa de ser uma equipa. Torna-se um conjunto de ilhas, cada uma a interpretar o todo a partir de fragmentos.

Liderar é também conter o ruído, não através de controlo excessivo ou de vigilância, antes através da criação de uma cultura na qual falar abertamente é a norma e não a exceção. Os  problemas são trazidos para o centro e não empurrados para os cantos, para debaixo da tal alcatifa tóxica. O desconforto deve ser reconhecido como parte do processo e não como algo a evitar a todo o custo.

Há um equívoco frequente que associa bem-estar à ausência de conflito.

Como se um ambiente saudável fosse, necessariamente, um ambiente pacificado. Ora, equipas sem conflito são, muitas vezes, equipas silenciosas, e o silêncio pode ser apenas a forma mais sofisticada de afastamento. O verdadeiro bem-estar constrói-se na capacidade de discordar sem romper, de confrontar sem destruir, de debater sem medo de retaliação.

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