#Protagonistas

Francisco Mello e Castro: “Não queremos criar apenas mais um evento no calendário”

No dia 24 de outubro, o MOTIVO esteve presente no Dinner Of The Year. Hoje, fazemos o balanço da experiência e revelamos quais são os planos para o futuro, numa entrevista com o CEO da All In Events.

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2 de nov. de 2026, 15:15

Sete chefs, três países e uma noite em que gastronomia, música, performance e património se encontraram junto à Torre de Belém, em Lisboa. A primeira edição do Dinner of the Year – The Art of Living realizou-se a 24 de outubro, com nomes como Henrique Sá Pessoa, Noélia Jerónimo, Rui Paula, Claude Troisgros, Jéssica Trindade, Rodrigo Oliveira e Michael Schwartz. A lotação esgotou e o projeto, concebido desde o início com ambição internacional, prepara já os próximos passos.

Por detrás da iniciativa está Francisco Mello e Castro, CEO da All In Events. O empresário quer transformar um jantar-espetáculo nascido em Lisboa numa marca internacional de experiências culturais e gastronómicas. São Paulo surge como uma das prioridades para 2027; Miami continua no horizonte. Nesta entrevista ao MOTIVO, faz o balanço da estreia, explica onde está o modelo de negócio e defende que Portugal também pode criar conceitos capazes de viajar pelo mundo.


À esquerda, Francisco Mello e Castro, na noite do evento, junto à Torre de Belém, em Lisboa


Que balanço faz da primeira edição do Dinner of the Year e o que mais o surpreendeu na resposta do público, dos chefs e dos parceiros?

FRANCISCO MELLO E CASTRO — O balanço é extraordinariamente positivo. Concretizámos um sonho que, há poucos meses, parecia quase impossível: criar, de raiz, um evento desta dimensão, reunindo sete chefs de três países, num jantar-espetáculo único, com a Torre de Belém como cenário. Mais do que a dimensão da produção, o que verdadeiramente me emocionou foi perceber a forma como todos abraçaram o projeto. Os chefs entregaram-se de corpo e alma a uma experiência completamente diferente daquilo a que estão habituados. Os parceiros acreditaram numa primeira edição, sem histórico, e o público respondeu com um entusiasmo absolutamente contagiante.

Houve algum momento em que percebeu que a ideia tinha deixado de ser apenas vossa?

F.M.C. — Houve um momento, durante o jantar, em que olhei à minha volta e percebi que aquilo já não era apenas uma ideia nossa. Era uma celebração coletiva. E esse foi, sem dúvida, o momento mais gratificante.

Depois desta primeira edição, sente que a ambição de cruzar gastronomia, património, cultura e entretenimento funcionou como imaginava?

F.M.C. — Funcionou, e diria até que superou aquilo que imaginávamos. Desde o início que quisemos que o Dinner Of The Year fosse muito mais do que um jantar gastronómico. Portugal tem uma riqueza extraordinária que vai muito além daquilo que colocamos à mesa. Temos património, cultura, talento, criatividade e uma forma muito própria de receber e de celebrar a vida. A nossa ambição era juntar tudo isso numa única experiência, em que a gastronomia dialogasse com a música, o espetáculo e o lugar onde estávamos.

O que é que o público recebeu, então, além do jantar?

F.M.C. — Creio que conseguimos demonstrar que esta combinação faz sentido. O público não foi apenas assistir a um jantar preparado por grandes chefs. Viveu uma experiência completa, com uma narrativa, uma identidade e uma dimensão emocional. É precisamente aí que está a essência do Dinner Of The Year – The Art of Living.


O Dinner Of The Year incluiu momentos artísticos com música, coreografia e performance


Podemos esperar uma nova edição em Portugal em 2027?

F.M.C. — É essa a nossa vontade. Portugal é a origem deste projeto e queremos que continue a ter um papel central no seu futuro. A primeira edição permitiu-nos validar o conceito, perceber o que funcionou particularmente bem e identificar aquilo que podemos melhorar. Estamos ainda a fazer o balanço de tudo o que aconteceu, mas já começámos a pensar nos próximos passos. Há algo de que tenho a certeza: não queremos simplesmente repetir a experiência. Queremos surpreender novamente, elevar a fasquia e continuar a criar momentos verdadeiramente únicos.

Desde o início, falou na intenção de levar o projeto a outras cidades internacionais a partir de 2027. Essa ambição mantém-se?

F.M.C. — Absolutamente. Aliás, diria que saiu reforçada desta primeira edição. O Dinner Of The Year nasceu em Lisboa, mas foi pensado desde o primeiro momento como um conceito internacional. A ideia de celebrar a Art of Living através da gastronomia, do património e da cultura não tem fronteiras. Queremos levar esta experiência a outras cidades, mantendo a identidade do projeto, mas adaptando-o à cultura, aos talentos e às características de cada destino.

Portugal consegue exportar este tipo de conceito?

F.M.C. — Acredito muito na capacidade de Portugal para criar conceitos culturais e de entretenimento com dimensão internacional. Estamos habituados a receber grandes projetos vindos de fora, mas também temos talento, criatividade e capacidade para desenvolver projetos nossos e levá-los ao mundo. É essa ambição que queremos concretizar.

Que mercados ou cidades fazem mais sentido e porquê?

F.M.C. — O Brasil é, naturalmente, um mercado prioritário e São Paulo é uma das cidades em que estamos a trabalhar para uma possível edição já em 2027. Há uma ligação cultural e emocional muito forte entre Portugal e o Brasil, mas também uma cena gastronómica extraordinária e um público que valoriza experiências diferenciadoras. A presença de três chefs brasileiros nesta primeira edição reforçou ainda mais essa ligação.

E depois de São Paulo?

F.M.C. — Miami é outra cidade que temos no nosso horizonte. É um ponto de encontro de diferentes culturas, com uma enorme vitalidade gastronómica, artística e social, e uma ligação privilegiada à América Latina. Mas não queremos crescer apenas por crescer. A escolha de cada cidade terá de fazer sentido para o conceito, reunir os parceiros certos e permitir-nos criar uma experiência verdadeiramente especial.


A refeição dividiu-se em cinco momentos assinados por sete chefs


Como apresenta o modelo de negócio e que peso terão, no futuro, bilheteira, patrocínios e parceiros institucionais?

F.M.C. — O Dinner Of The Year é um projeto de entretenimento e experiências premium, com a gastronomia como elemento central, mas com uma proposta de valor muito mais abrangente. O modelo assenta numa combinação de receitas de bilheteira, patrocínios e parcerias estratégicas. A bilheteira é importante porque traduz o interesse e a valorização da experiência pelo público. Mas, num projeto com esta dimensão de produção e ambição artística, o envolvimento das marcas e dos parceiros institucionais é absolutamente determinante.

O que procuram numa marca que queira associar-se ao projeto?

F.M.C. — Queremos construir relações de longo prazo com parceiros que se revejam nos valores do projeto e que encontrem aqui uma plataforma diferenciadora para comunicar, criar experiências e estabelecer relações com os seus públicos.

E o que muda no modelo quando o Dinner Of The Year atravessa fronteiras?

F.M.C. — A internacionalização poderá abrir novas oportunidades de negócio, através de parcerias locais e de modelos de colaboração que permitam adaptar e desenvolver o conceito em diferentes mercados. O nosso objetivo é encontrar um equilíbrio sustentável entre ambição criativa, excelência na experiência e viabilidade económica.

Como imagina o Dinner Of The Year daqui a três anos?

F.M.C. — Imagino-o como uma marca internacional de referência no universo das experiências culturais e gastronómicas. Gostava que, daqui a três anos, o Dinner Of The Year estivesse presente em várias cidades, que cada edição tivesse uma identidade própria e que conseguíssemos continuar a reunir alguns dos maiores talentos da gastronomia mundial em lugares absolutamente extraordinários.

O que não pode perder à medida que cresce?

F.M.C. — Acima de tudo, quero que continue a ser um projeto capaz de emocionar e surpreender. Não queremos criar apenas mais um evento no calendário. Queremos criar momentos pelos quais as pessoas esperam, experiências que ficam na memória e histórias que vale a pena contar. Se, daqui a três anos, conseguirmos olhar para o Dinner Of The Year como um projeto nascido em Portugal, reconhecido internacionalmente e fiel à sua essência, então teremos concretizado uma parte muito importante deste sonho.

#Protagonistas

Francisco Mello e Castro: “Não queremos criar apenas mais um evento no calendário”

No dia 24 de outubro, o MOTIVO esteve presente no Dinner Of The Year. Hoje, fazemos o balanço da experiência e revelamos quais são os planos para o futuro, numa entrevista com o CEO da All In Events.

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2 de nov. de 2026, 15:15

Sete chefs, três países e uma noite em que gastronomia, música, performance e património se encontraram junto à Torre de Belém, em Lisboa. A primeira edição do Dinner of the Year – The Art of Living realizou-se a 24 de outubro, com nomes como Henrique Sá Pessoa, Noélia Jerónimo, Rui Paula, Claude Troisgros, Jéssica Trindade, Rodrigo Oliveira e Michael Schwartz. A lotação esgotou e o projeto, concebido desde o início com ambição internacional, prepara já os próximos passos.

Por detrás da iniciativa está Francisco Mello e Castro, CEO da All In Events. O empresário quer transformar um jantar-espetáculo nascido em Lisboa numa marca internacional de experiências culturais e gastronómicas. São Paulo surge como uma das prioridades para 2027; Miami continua no horizonte. Nesta entrevista ao MOTIVO, faz o balanço da estreia, explica onde está o modelo de negócio e defende que Portugal também pode criar conceitos capazes de viajar pelo mundo.


À esquerda, Francisco Mello e Castro, na noite do evento, junto à Torre de Belém, em Lisboa


Que balanço faz da primeira edição do Dinner of the Year e o que mais o surpreendeu na resposta do público, dos chefs e dos parceiros?

FRANCISCO MELLO E CASTRO — O balanço é extraordinariamente positivo. Concretizámos um sonho que, há poucos meses, parecia quase impossível: criar, de raiz, um evento desta dimensão, reunindo sete chefs de três países, num jantar-espetáculo único, com a Torre de Belém como cenário. Mais do que a dimensão da produção, o que verdadeiramente me emocionou foi perceber a forma como todos abraçaram o projeto. Os chefs entregaram-se de corpo e alma a uma experiência completamente diferente daquilo a que estão habituados. Os parceiros acreditaram numa primeira edição, sem histórico, e o público respondeu com um entusiasmo absolutamente contagiante.

Houve algum momento em que percebeu que a ideia tinha deixado de ser apenas vossa?

F.M.C. — Houve um momento, durante o jantar, em que olhei à minha volta e percebi que aquilo já não era apenas uma ideia nossa. Era uma celebração coletiva. E esse foi, sem dúvida, o momento mais gratificante.

Depois desta primeira edição, sente que a ambição de cruzar gastronomia, património, cultura e entretenimento funcionou como imaginava?

F.M.C. — Funcionou, e diria até que superou aquilo que imaginávamos. Desde o início que quisemos que o Dinner Of The Year fosse muito mais do que um jantar gastronómico. Portugal tem uma riqueza extraordinária que vai muito além daquilo que colocamos à mesa. Temos património, cultura, talento, criatividade e uma forma muito própria de receber e de celebrar a vida. A nossa ambição era juntar tudo isso numa única experiência, em que a gastronomia dialogasse com a música, o espetáculo e o lugar onde estávamos.

O que é que o público recebeu, então, além do jantar?

F.M.C. — Creio que conseguimos demonstrar que esta combinação faz sentido. O público não foi apenas assistir a um jantar preparado por grandes chefs. Viveu uma experiência completa, com uma narrativa, uma identidade e uma dimensão emocional. É precisamente aí que está a essência do Dinner Of The Year – The Art of Living.


O Dinner Of The Year incluiu momentos artísticos com música, coreografia e performance


Podemos esperar uma nova edição em Portugal em 2027?

F.M.C. — É essa a nossa vontade. Portugal é a origem deste projeto e queremos que continue a ter um papel central no seu futuro. A primeira edição permitiu-nos validar o conceito, perceber o que funcionou particularmente bem e identificar aquilo que podemos melhorar. Estamos ainda a fazer o balanço de tudo o que aconteceu, mas já começámos a pensar nos próximos passos. Há algo de que tenho a certeza: não queremos simplesmente repetir a experiência. Queremos surpreender novamente, elevar a fasquia e continuar a criar momentos verdadeiramente únicos.

Desde o início, falou na intenção de levar o projeto a outras cidades internacionais a partir de 2027. Essa ambição mantém-se?

F.M.C. — Absolutamente. Aliás, diria que saiu reforçada desta primeira edição. O Dinner Of The Year nasceu em Lisboa, mas foi pensado desde o primeiro momento como um conceito internacional. A ideia de celebrar a Art of Living através da gastronomia, do património e da cultura não tem fronteiras. Queremos levar esta experiência a outras cidades, mantendo a identidade do projeto, mas adaptando-o à cultura, aos talentos e às características de cada destino.

Portugal consegue exportar este tipo de conceito?

F.M.C. — Acredito muito na capacidade de Portugal para criar conceitos culturais e de entretenimento com dimensão internacional. Estamos habituados a receber grandes projetos vindos de fora, mas também temos talento, criatividade e capacidade para desenvolver projetos nossos e levá-los ao mundo. É essa ambição que queremos concretizar.

Que mercados ou cidades fazem mais sentido e porquê?

F.M.C. — O Brasil é, naturalmente, um mercado prioritário e São Paulo é uma das cidades em que estamos a trabalhar para uma possível edição já em 2027. Há uma ligação cultural e emocional muito forte entre Portugal e o Brasil, mas também uma cena gastronómica extraordinária e um público que valoriza experiências diferenciadoras. A presença de três chefs brasileiros nesta primeira edição reforçou ainda mais essa ligação.

E depois de São Paulo?

F.M.C. — Miami é outra cidade que temos no nosso horizonte. É um ponto de encontro de diferentes culturas, com uma enorme vitalidade gastronómica, artística e social, e uma ligação privilegiada à América Latina. Mas não queremos crescer apenas por crescer. A escolha de cada cidade terá de fazer sentido para o conceito, reunir os parceiros certos e permitir-nos criar uma experiência verdadeiramente especial.


A refeição dividiu-se em cinco momentos assinados por sete chefs


Como apresenta o modelo de negócio e que peso terão, no futuro, bilheteira, patrocínios e parceiros institucionais?

F.M.C. — O Dinner Of The Year é um projeto de entretenimento e experiências premium, com a gastronomia como elemento central, mas com uma proposta de valor muito mais abrangente. O modelo assenta numa combinação de receitas de bilheteira, patrocínios e parcerias estratégicas. A bilheteira é importante porque traduz o interesse e a valorização da experiência pelo público. Mas, num projeto com esta dimensão de produção e ambição artística, o envolvimento das marcas e dos parceiros institucionais é absolutamente determinante.

O que procuram numa marca que queira associar-se ao projeto?

F.M.C. — Queremos construir relações de longo prazo com parceiros que se revejam nos valores do projeto e que encontrem aqui uma plataforma diferenciadora para comunicar, criar experiências e estabelecer relações com os seus públicos.

E o que muda no modelo quando o Dinner Of The Year atravessa fronteiras?

F.M.C. — A internacionalização poderá abrir novas oportunidades de negócio, através de parcerias locais e de modelos de colaboração que permitam adaptar e desenvolver o conceito em diferentes mercados. O nosso objetivo é encontrar um equilíbrio sustentável entre ambição criativa, excelência na experiência e viabilidade económica.

Como imagina o Dinner Of The Year daqui a três anos?

F.M.C. — Imagino-o como uma marca internacional de referência no universo das experiências culturais e gastronómicas. Gostava que, daqui a três anos, o Dinner Of The Year estivesse presente em várias cidades, que cada edição tivesse uma identidade própria e que conseguíssemos continuar a reunir alguns dos maiores talentos da gastronomia mundial em lugares absolutamente extraordinários.

O que não pode perder à medida que cresce?

F.M.C. — Acima de tudo, quero que continue a ser um projeto capaz de emocionar e surpreender. Não queremos criar apenas mais um evento no calendário. Queremos criar momentos pelos quais as pessoas esperam, experiências que ficam na memória e histórias que vale a pena contar. Se, daqui a três anos, conseguirmos olhar para o Dinner Of The Year como um projeto nascido em Portugal, reconhecido internacionalmente e fiel à sua essência, então teremos concretizado uma parte muito importante deste sonho.

#Protagonistas

Francisco Mello e Castro: “Não queremos criar apenas mais um evento no calendário”

No dia 24 de outubro, o MOTIVO esteve presente no Dinner Of The Year. Hoje, fazemos o balanço da experiência e revelamos quais são os planos para o futuro, numa entrevista com o CEO da All In Events.

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2 de nov. de 2026, 15:15

Sete chefs, três países e uma noite em que gastronomia, música, performance e património se encontraram junto à Torre de Belém, em Lisboa. A primeira edição do Dinner of the Year – The Art of Living realizou-se a 24 de outubro, com nomes como Henrique Sá Pessoa, Noélia Jerónimo, Rui Paula, Claude Troisgros, Jéssica Trindade, Rodrigo Oliveira e Michael Schwartz. A lotação esgotou e o projeto, concebido desde o início com ambição internacional, prepara já os próximos passos.

Por detrás da iniciativa está Francisco Mello e Castro, CEO da All In Events. O empresário quer transformar um jantar-espetáculo nascido em Lisboa numa marca internacional de experiências culturais e gastronómicas. São Paulo surge como uma das prioridades para 2027; Miami continua no horizonte. Nesta entrevista ao MOTIVO, faz o balanço da estreia, explica onde está o modelo de negócio e defende que Portugal também pode criar conceitos capazes de viajar pelo mundo.


À esquerda, Francisco Mello e Castro, na noite do evento, junto à Torre de Belém, em Lisboa


Que balanço faz da primeira edição do Dinner of the Year e o que mais o surpreendeu na resposta do público, dos chefs e dos parceiros?

FRANCISCO MELLO E CASTRO — O balanço é extraordinariamente positivo. Concretizámos um sonho que, há poucos meses, parecia quase impossível: criar, de raiz, um evento desta dimensão, reunindo sete chefs de três países, num jantar-espetáculo único, com a Torre de Belém como cenário. Mais do que a dimensão da produção, o que verdadeiramente me emocionou foi perceber a forma como todos abraçaram o projeto. Os chefs entregaram-se de corpo e alma a uma experiência completamente diferente daquilo a que estão habituados. Os parceiros acreditaram numa primeira edição, sem histórico, e o público respondeu com um entusiasmo absolutamente contagiante.

Houve algum momento em que percebeu que a ideia tinha deixado de ser apenas vossa?

F.M.C. — Houve um momento, durante o jantar, em que olhei à minha volta e percebi que aquilo já não era apenas uma ideia nossa. Era uma celebração coletiva. E esse foi, sem dúvida, o momento mais gratificante.

Depois desta primeira edição, sente que a ambição de cruzar gastronomia, património, cultura e entretenimento funcionou como imaginava?

F.M.C. — Funcionou, e diria até que superou aquilo que imaginávamos. Desde o início que quisemos que o Dinner Of The Year fosse muito mais do que um jantar gastronómico. Portugal tem uma riqueza extraordinária que vai muito além daquilo que colocamos à mesa. Temos património, cultura, talento, criatividade e uma forma muito própria de receber e de celebrar a vida. A nossa ambição era juntar tudo isso numa única experiência, em que a gastronomia dialogasse com a música, o espetáculo e o lugar onde estávamos.

O que é que o público recebeu, então, além do jantar?

F.M.C. — Creio que conseguimos demonstrar que esta combinação faz sentido. O público não foi apenas assistir a um jantar preparado por grandes chefs. Viveu uma experiência completa, com uma narrativa, uma identidade e uma dimensão emocional. É precisamente aí que está a essência do Dinner Of The Year – The Art of Living.


O Dinner Of The Year incluiu momentos artísticos com música, coreografia e performance


Podemos esperar uma nova edição em Portugal em 2027?

F.M.C. — É essa a nossa vontade. Portugal é a origem deste projeto e queremos que continue a ter um papel central no seu futuro. A primeira edição permitiu-nos validar o conceito, perceber o que funcionou particularmente bem e identificar aquilo que podemos melhorar. Estamos ainda a fazer o balanço de tudo o que aconteceu, mas já começámos a pensar nos próximos passos. Há algo de que tenho a certeza: não queremos simplesmente repetir a experiência. Queremos surpreender novamente, elevar a fasquia e continuar a criar momentos verdadeiramente únicos.

Desde o início, falou na intenção de levar o projeto a outras cidades internacionais a partir de 2027. Essa ambição mantém-se?

F.M.C. — Absolutamente. Aliás, diria que saiu reforçada desta primeira edição. O Dinner Of The Year nasceu em Lisboa, mas foi pensado desde o primeiro momento como um conceito internacional. A ideia de celebrar a Art of Living através da gastronomia, do património e da cultura não tem fronteiras. Queremos levar esta experiência a outras cidades, mantendo a identidade do projeto, mas adaptando-o à cultura, aos talentos e às características de cada destino.

Portugal consegue exportar este tipo de conceito?

F.M.C. — Acredito muito na capacidade de Portugal para criar conceitos culturais e de entretenimento com dimensão internacional. Estamos habituados a receber grandes projetos vindos de fora, mas também temos talento, criatividade e capacidade para desenvolver projetos nossos e levá-los ao mundo. É essa ambição que queremos concretizar.

Que mercados ou cidades fazem mais sentido e porquê?

F.M.C. — O Brasil é, naturalmente, um mercado prioritário e São Paulo é uma das cidades em que estamos a trabalhar para uma possível edição já em 2027. Há uma ligação cultural e emocional muito forte entre Portugal e o Brasil, mas também uma cena gastronómica extraordinária e um público que valoriza experiências diferenciadoras. A presença de três chefs brasileiros nesta primeira edição reforçou ainda mais essa ligação.

E depois de São Paulo?

F.M.C. — Miami é outra cidade que temos no nosso horizonte. É um ponto de encontro de diferentes culturas, com uma enorme vitalidade gastronómica, artística e social, e uma ligação privilegiada à América Latina. Mas não queremos crescer apenas por crescer. A escolha de cada cidade terá de fazer sentido para o conceito, reunir os parceiros certos e permitir-nos criar uma experiência verdadeiramente especial.


A refeição dividiu-se em cinco momentos assinados por sete chefs


Como apresenta o modelo de negócio e que peso terão, no futuro, bilheteira, patrocínios e parceiros institucionais?

F.M.C. — O Dinner Of The Year é um projeto de entretenimento e experiências premium, com a gastronomia como elemento central, mas com uma proposta de valor muito mais abrangente. O modelo assenta numa combinação de receitas de bilheteira, patrocínios e parcerias estratégicas. A bilheteira é importante porque traduz o interesse e a valorização da experiência pelo público. Mas, num projeto com esta dimensão de produção e ambição artística, o envolvimento das marcas e dos parceiros institucionais é absolutamente determinante.

O que procuram numa marca que queira associar-se ao projeto?

F.M.C. — Queremos construir relações de longo prazo com parceiros que se revejam nos valores do projeto e que encontrem aqui uma plataforma diferenciadora para comunicar, criar experiências e estabelecer relações com os seus públicos.

E o que muda no modelo quando o Dinner Of The Year atravessa fronteiras?

F.M.C. — A internacionalização poderá abrir novas oportunidades de negócio, através de parcerias locais e de modelos de colaboração que permitam adaptar e desenvolver o conceito em diferentes mercados. O nosso objetivo é encontrar um equilíbrio sustentável entre ambição criativa, excelência na experiência e viabilidade económica.

Como imagina o Dinner Of The Year daqui a três anos?

F.M.C. — Imagino-o como uma marca internacional de referência no universo das experiências culturais e gastronómicas. Gostava que, daqui a três anos, o Dinner Of The Year estivesse presente em várias cidades, que cada edição tivesse uma identidade própria e que conseguíssemos continuar a reunir alguns dos maiores talentos da gastronomia mundial em lugares absolutamente extraordinários.

O que não pode perder à medida que cresce?

F.M.C. — Acima de tudo, quero que continue a ser um projeto capaz de emocionar e surpreender. Não queremos criar apenas mais um evento no calendário. Queremos criar momentos pelos quais as pessoas esperam, experiências que ficam na memória e histórias que vale a pena contar. Se, daqui a três anos, conseguirmos olhar para o Dinner Of The Year como um projeto nascido em Portugal, reconhecido internacionalmente e fiel à sua essência, então teremos concretizado uma parte muito importante deste sonho.

#Protagonistas

Francisco Mello e Castro: “Não queremos criar apenas mais um evento no calendário”

No dia 24 de outubro, o MOTIVO esteve presente no Dinner Of The Year. Hoje, fazemos o balanço da experiência e revelamos quais são os planos para o futuro, numa entrevista com o CEO da All In Events.

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2 de nov. de 2026, 15:15

Sete chefs, três países e uma noite em que gastronomia, música, performance e património se encontraram junto à Torre de Belém, em Lisboa. A primeira edição do Dinner of the Year – The Art of Living realizou-se a 24 de outubro, com nomes como Henrique Sá Pessoa, Noélia Jerónimo, Rui Paula, Claude Troisgros, Jéssica Trindade, Rodrigo Oliveira e Michael Schwartz. A lotação esgotou e o projeto, concebido desde o início com ambição internacional, prepara já os próximos passos.

Por detrás da iniciativa está Francisco Mello e Castro, CEO da All In Events. O empresário quer transformar um jantar-espetáculo nascido em Lisboa numa marca internacional de experiências culturais e gastronómicas. São Paulo surge como uma das prioridades para 2027; Miami continua no horizonte. Nesta entrevista ao MOTIVO, faz o balanço da estreia, explica onde está o modelo de negócio e defende que Portugal também pode criar conceitos capazes de viajar pelo mundo.


À esquerda, Francisco Mello e Castro, na noite do evento, junto à Torre de Belém, em Lisboa


Que balanço faz da primeira edição do Dinner of the Year e o que mais o surpreendeu na resposta do público, dos chefs e dos parceiros?

FRANCISCO MELLO E CASTRO — O balanço é extraordinariamente positivo. Concretizámos um sonho que, há poucos meses, parecia quase impossível: criar, de raiz, um evento desta dimensão, reunindo sete chefs de três países, num jantar-espetáculo único, com a Torre de Belém como cenário. Mais do que a dimensão da produção, o que verdadeiramente me emocionou foi perceber a forma como todos abraçaram o projeto. Os chefs entregaram-se de corpo e alma a uma experiência completamente diferente daquilo a que estão habituados. Os parceiros acreditaram numa primeira edição, sem histórico, e o público respondeu com um entusiasmo absolutamente contagiante.

Houve algum momento em que percebeu que a ideia tinha deixado de ser apenas vossa?

F.M.C. — Houve um momento, durante o jantar, em que olhei à minha volta e percebi que aquilo já não era apenas uma ideia nossa. Era uma celebração coletiva. E esse foi, sem dúvida, o momento mais gratificante.

Depois desta primeira edição, sente que a ambição de cruzar gastronomia, património, cultura e entretenimento funcionou como imaginava?

F.M.C. — Funcionou, e diria até que superou aquilo que imaginávamos. Desde o início que quisemos que o Dinner Of The Year fosse muito mais do que um jantar gastronómico. Portugal tem uma riqueza extraordinária que vai muito além daquilo que colocamos à mesa. Temos património, cultura, talento, criatividade e uma forma muito própria de receber e de celebrar a vida. A nossa ambição era juntar tudo isso numa única experiência, em que a gastronomia dialogasse com a música, o espetáculo e o lugar onde estávamos.

O que é que o público recebeu, então, além do jantar?

F.M.C. — Creio que conseguimos demonstrar que esta combinação faz sentido. O público não foi apenas assistir a um jantar preparado por grandes chefs. Viveu uma experiência completa, com uma narrativa, uma identidade e uma dimensão emocional. É precisamente aí que está a essência do Dinner Of The Year – The Art of Living.


O Dinner Of The Year incluiu momentos artísticos com música, coreografia e performance


Podemos esperar uma nova edição em Portugal em 2027?

F.M.C. — É essa a nossa vontade. Portugal é a origem deste projeto e queremos que continue a ter um papel central no seu futuro. A primeira edição permitiu-nos validar o conceito, perceber o que funcionou particularmente bem e identificar aquilo que podemos melhorar. Estamos ainda a fazer o balanço de tudo o que aconteceu, mas já começámos a pensar nos próximos passos. Há algo de que tenho a certeza: não queremos simplesmente repetir a experiência. Queremos surpreender novamente, elevar a fasquia e continuar a criar momentos verdadeiramente únicos.

Desde o início, falou na intenção de levar o projeto a outras cidades internacionais a partir de 2027. Essa ambição mantém-se?

F.M.C. — Absolutamente. Aliás, diria que saiu reforçada desta primeira edição. O Dinner Of The Year nasceu em Lisboa, mas foi pensado desde o primeiro momento como um conceito internacional. A ideia de celebrar a Art of Living através da gastronomia, do património e da cultura não tem fronteiras. Queremos levar esta experiência a outras cidades, mantendo a identidade do projeto, mas adaptando-o à cultura, aos talentos e às características de cada destino.

Portugal consegue exportar este tipo de conceito?

F.M.C. — Acredito muito na capacidade de Portugal para criar conceitos culturais e de entretenimento com dimensão internacional. Estamos habituados a receber grandes projetos vindos de fora, mas também temos talento, criatividade e capacidade para desenvolver projetos nossos e levá-los ao mundo. É essa ambição que queremos concretizar.

Que mercados ou cidades fazem mais sentido e porquê?

F.M.C. — O Brasil é, naturalmente, um mercado prioritário e São Paulo é uma das cidades em que estamos a trabalhar para uma possível edição já em 2027. Há uma ligação cultural e emocional muito forte entre Portugal e o Brasil, mas também uma cena gastronómica extraordinária e um público que valoriza experiências diferenciadoras. A presença de três chefs brasileiros nesta primeira edição reforçou ainda mais essa ligação.

E depois de São Paulo?

F.M.C. — Miami é outra cidade que temos no nosso horizonte. É um ponto de encontro de diferentes culturas, com uma enorme vitalidade gastronómica, artística e social, e uma ligação privilegiada à América Latina. Mas não queremos crescer apenas por crescer. A escolha de cada cidade terá de fazer sentido para o conceito, reunir os parceiros certos e permitir-nos criar uma experiência verdadeiramente especial.


A refeição dividiu-se em cinco momentos assinados por sete chefs


Como apresenta o modelo de negócio e que peso terão, no futuro, bilheteira, patrocínios e parceiros institucionais?

F.M.C. — O Dinner Of The Year é um projeto de entretenimento e experiências premium, com a gastronomia como elemento central, mas com uma proposta de valor muito mais abrangente. O modelo assenta numa combinação de receitas de bilheteira, patrocínios e parcerias estratégicas. A bilheteira é importante porque traduz o interesse e a valorização da experiência pelo público. Mas, num projeto com esta dimensão de produção e ambição artística, o envolvimento das marcas e dos parceiros institucionais é absolutamente determinante.

O que procuram numa marca que queira associar-se ao projeto?

F.M.C. — Queremos construir relações de longo prazo com parceiros que se revejam nos valores do projeto e que encontrem aqui uma plataforma diferenciadora para comunicar, criar experiências e estabelecer relações com os seus públicos.

E o que muda no modelo quando o Dinner Of The Year atravessa fronteiras?

F.M.C. — A internacionalização poderá abrir novas oportunidades de negócio, através de parcerias locais e de modelos de colaboração que permitam adaptar e desenvolver o conceito em diferentes mercados. O nosso objetivo é encontrar um equilíbrio sustentável entre ambição criativa, excelência na experiência e viabilidade económica.

Como imagina o Dinner Of The Year daqui a três anos?

F.M.C. — Imagino-o como uma marca internacional de referência no universo das experiências culturais e gastronómicas. Gostava que, daqui a três anos, o Dinner Of The Year estivesse presente em várias cidades, que cada edição tivesse uma identidade própria e que conseguíssemos continuar a reunir alguns dos maiores talentos da gastronomia mundial em lugares absolutamente extraordinários.

O que não pode perder à medida que cresce?

F.M.C. — Acima de tudo, quero que continue a ser um projeto capaz de emocionar e surpreender. Não queremos criar apenas mais um evento no calendário. Queremos criar momentos pelos quais as pessoas esperam, experiências que ficam na memória e histórias que vale a pena contar. Se, daqui a três anos, conseguirmos olhar para o Dinner Of The Year como um projeto nascido em Portugal, reconhecido internacionalmente e fiel à sua essência, então teremos concretizado uma parte muito importante deste sonho.

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