
#Protagonistas
Nir Eyal: “Não se chega a uma nova crença pelo pensamento. Chega-se pela ação”
Primeiro ensinou empresas a criar produtos capazes de formar hábitos. Depois virou a pergunta para o utilizador e escreveu sobre como recuperar o controlo da atenção. Em Para Lá da Crença, o terceiro livro de Nir Eyal, o autor de Hooked e Indistraível concentra-se agora numa camada anterior ao comportamento: aquilo em que acreditamos ser possível.
Publicado em Portugal pela Penguin, em setembro, Para Lá da Crença parte da psicologia e da neurociência para explorar como as crenças condicionam aquilo que vemos, tentamos e fazemos, e de que forma podem ser revistas quando deixam de nos servir. O livro tornou-se bestseller do New York Times após o lançamento.
Nesta entrevista ao MOTIVO, Nir Eyal fala sobre a relação entre crença e comportamento, o peso dos algoritmos naquilo que pensamos e uma necessidade muito humana: sentir que temos algum controlo mesmo quando o futuro é imprevisível.

Somos aquilo em que acreditamos ou aquilo que fazemos?
NIR EYAL — Tendemos a assumir que a crença vem primeiro e que o comportamento surge depois. Muitas vezes, acontece o contrário. Observamo-nos a agir e, a partir daí, decidimos quem somos. Os psicólogos chamam-lhe autoperceção. Corremos três manhãs seguidas e começamos a pensar em nós próprios como corredores. A crença é uma conclusão que retiramos da evidência do nosso próprio comportamento.
Onde está o risco?
N.E. — O problema começa quando fixamos um rótulo demasiado cedo. “Não tenho jeito para matemática”. “Não sou criativo”. “Sou péssimo com dinheiro”. Estes rótulos apresentam-se como descrições, mas funcionam como instruções. Dizem-nos o que devemos tentar e aquilo que devemos evitar e, depois, a nossa própria atitude de evitar transforma-se na prova. Por isso, diria assim: aquilo que fazemos define-nos, mas aquilo em que acreditamos determina o que estamos dispostos a tentar. As crenças estabelecem os limites da experiência; o comportamento testa-os.
Mas as nossas crenças determinam o comportamento?
N.E. — Moldam o nosso comportamento. Não o determinam.
Somos capazes de agir contra aquilo em que acreditamos?
N.E. — As pessoas agem contra aquilo em que acreditam todos os dias. A maioria dos fumadores acredita que fumar lhes faz mal. A maioria das pessoas que está a fazer scroll, à meia-noite, acredita que devia estar a dormir. A crença, por si só, não é suficiente para provocar um comportamento. Em Para Lá da Crença, descrevo aquilo a que chamo o Triângulo da Motivação. Para agir, precisamos de um comportamento que saibamos executar, de um benefício que desejemos e, por baixo dos dois, da crença de que o nosso esforço fará alguma diferença. Retire-se essa base e os outros dois elementos desmoronam-se. Podemos saber exatamente o que fazer e querer muito o resultado e, ainda assim, não agir porque alguma parte de nós concluiu que não vai resultar.
Que força pode ter essa expectativa?
N.E. — Uma das demonstrações mais fortes vem das experiências realizadas pelo psicobiólogo Curt Richter na década de 1950. Ratos colocados num tanque de água desistiam, em determinadas condições, ao fim de poucos minutos, enquanto outros que tinham sido retirados temporariamente da água e voltavam a ser colocados nela conseguiam nadar durante muito mais tempo. A interpretação era que aquilo que esperavam que acontecesse tinha mudado.
Como se muda, então, uma crença limitadora?
N.E. — Podemos agir contra uma crença e é precisamente assim que conseguimos mudá-la. Agir contra uma crença limitadora é dispendioso. Exige esforço, e o esforço esgota-se. Mas, sempre que agimos e o céu não cai, acumulamos evidência. Se reunirmos evidência suficiente, a crença atualiza-se. Não se chega a uma nova crença pelo pensamento. Chega-se pela ação.
O que deve prevalecer: uma crença que nos ajuda a viver melhor ou uma verdade que nos incomoda?
N.E. — A pergunta pressupõe que as crenças úteis são reconfortantes e que as verdades são dolorosas. Na minha experiência, costuma acontecer o contrário. Comecemos por fazer uma distinção. Um facto pode ser verificado. A fé não exige evidência. Uma crença fica entre os dois: é algo que aceitamos sem prova, mas que podemos rever. Quando os factos são claros, os factos ganham. Sempre. Se acreditar que consegue voar, a gravidade resolverá a discussão.
E quando os factos não permitem uma resposta definitiva?
N.E. — A maioria das crenças que orientam a nossa vida não pode ser provada de uma forma ou de outra. “Consigo aprender isto”. “Pessoas como eu não têm sucesso nesta área”. Não existe uma experiência que resolva antecipadamente estas questões. Nesse território, a pergunta útil não é “Isto é verdade?”, mas “Isto serve-me?”. Um carpinteiro não pergunta se um martelo é verdadeiro. Pergunta se é a ferramenta certa para aquele trabalho.

As crenças que nos limitam podem também ser as mais confortáveis?
N.E. — Normalmente, são. “Simplesmente não tenho jeito para matemática” é uma crença reconfortante. Dispensa-nos do trabalho difícil e protege-nos do fracasso. A crença útil — “Posso melhorar nisto se dedicar as horas necessárias” — é a desconfortável, porque devolve a responsabilidade para as nossas mãos. Por isso, a escolha raramente se faz entre uma mentira reconfortante e uma verdade dolorosa. Faz-se entre uma crença que nos protege e uma crença que nos impulsiona.
Nos seus livros anteriores, Hooked e Indistraível, explorou a influência da tecnologia no comportamento e na atenção. Num mundo em que os algoritmos condicionam cada vez mais aquilo que vemos, continuamos livres para escolher as nossas crenças ou estão a escolhê-las por nós?
N.E. — Sim, continuamos livres. E a crença de que não somos é uma das ideias mais prejudiciais que circulam atualmente. Quando escrevi Hooked, expliquei como os produtos são desenhados para criar hábitos. Quando escrevi Indistraível, percebi que a maior parte das distrações não começa no telemóvel. Começa numa sensação desconfortável da qual queremos escapar: tédio, solidão, ansiedade. O dispositivo é o mecanismo de entrega, não a causa de fundo.
E os algoritmos?
N.E. — Funcionam de forma semelhante. São muito bons a mostrar-nos mais daquilo em que já carregamos. Amplificam. Não implantam. A evidência é menos alarmante do que alguns títulos fazem parecer. Numa das maiores experiências de campo sobre o tema, investigadores que trabalharam com a Meta durante as eleições norte-americanas de 2020 passaram milhares de utilizadores do Facebook e Instagram para um feed cronológico durante três meses. Essas pessoas passaram menos tempo nas plataformas, mas os seus níveis de polarização política não se alteraram de forma significativa.
O que o preocupa mais, então?
N.E. — Nada disto significa que o feed seja neutro. Significa que nós continuamos a ser o parceiro principal dessa relação. O que me preocupa mais do que qualquer algoritmo é a história de que somos impotentes perante ele. Os psicólogos têm um nome para aquilo que acontece quando acreditamos que nada do que fazemos importa: desamparo aprendido ("learned helplessness" em inglês). Diga-se às pessoas que uma máquina controla a sua mente e damos-lhes a desculpa perfeita para deixarem de tentar. Por isso, devemos selecionar aquilo que consumimos como selecionamos aquilo que comemos. Seguir pessoas que nos fazem pensar. Silenciar aquelas que nos irritam apenas por desporto. E, quando nos apanhamos agarrados a uma crença, perguntar de onde veio e se ainda merece o lugar que ocupa.

Como podemos gerir a nossa necessidade de controlo perante a incerteza e o imprevisível?
N.E. — Primeiro, devemos abandonar a ideia de que a necessidade de controlo é uma fraqueza. É o motor da nossa capacidade de agir. O problema está na direção em que a apontamos.
O que sabemos hoje sobre essa necessidade de controlo?
N.E. — As experiências originais sobre desamparo aprendido pareciam mostrar que os animais aprendiam a desistir quando não conseguiam escapar a um choque. Cinquenta anos depois, Steven Maier e Martin Seligman, investigadores ligados a esse trabalho, revisitaram-no à luz da neurociência moderna e chegaram à conclusão oposta. A passividade é a resposta por defeito. Aquilo que os animais, e nós, aprendemos é o controlo. A capacidade de agir não é apenas algo que perdemos; é algo que construímos.
Porque nos custa tanto a incerteza?
N.E. — Porque o cérebro é uma máquina de previsão. Num estudo publicado em 2016 na Nature Communications, as pessoas apresentavam mais stress quando a probabilidade de receberem um choque elétrico rondava os 50% do que quando sabiam que o choque iria acontecer. Não saber provocava mais stress do que ter a certeza de receber uma má notícia.
Como se vive, então, com aquilo que não conseguimos controlar?
N.E. — O objetivo não é eliminar a incerteza. Não conseguimos. O objetivo é reduzir o círculo àquilo que conseguimos influenciar. Não controlamos o resultado de uma entrevista de emprego, mas controlamos a forma como nos preparamos. Não controlamos a economia, mas controlamos aquilo que fazemos na próxima hora. Nem sempre controlamos aquilo que sentimos, mas podemos controlar o que fazemos com esse sentimento. Sempre que agimos sobre alguma coisa que está dentro do nosso controlo e vemos um resultado, ensinamos a nós próprios: “As minhas ações importam”.

#Protagonistas
Nir Eyal: “Não se chega a uma nova crença pelo pensamento. Chega-se pela ação”
Primeiro ensinou empresas a criar produtos capazes de formar hábitos. Depois virou a pergunta para o utilizador e escreveu sobre como recuperar o controlo da atenção. Em Para Lá da Crença, o terceiro livro de Nir Eyal, o autor de Hooked e Indistraível concentra-se agora numa camada anterior ao comportamento: aquilo em que acreditamos ser possível.
Publicado em Portugal pela Penguin, em setembro, Para Lá da Crença parte da psicologia e da neurociência para explorar como as crenças condicionam aquilo que vemos, tentamos e fazemos, e de que forma podem ser revistas quando deixam de nos servir. O livro tornou-se bestseller do New York Times após o lançamento.
Nesta entrevista ao MOTIVO, Nir Eyal fala sobre a relação entre crença e comportamento, o peso dos algoritmos naquilo que pensamos e uma necessidade muito humana: sentir que temos algum controlo mesmo quando o futuro é imprevisível.

Somos aquilo em que acreditamos ou aquilo que fazemos?
NIR EYAL — Tendemos a assumir que a crença vem primeiro e que o comportamento surge depois. Muitas vezes, acontece o contrário. Observamo-nos a agir e, a partir daí, decidimos quem somos. Os psicólogos chamam-lhe autoperceção. Corremos três manhãs seguidas e começamos a pensar em nós próprios como corredores. A crença é uma conclusão que retiramos da evidência do nosso próprio comportamento.
Onde está o risco?
N.E. — O problema começa quando fixamos um rótulo demasiado cedo. “Não tenho jeito para matemática”. “Não sou criativo”. “Sou péssimo com dinheiro”. Estes rótulos apresentam-se como descrições, mas funcionam como instruções. Dizem-nos o que devemos tentar e aquilo que devemos evitar e, depois, a nossa própria atitude de evitar transforma-se na prova. Por isso, diria assim: aquilo que fazemos define-nos, mas aquilo em que acreditamos determina o que estamos dispostos a tentar. As crenças estabelecem os limites da experiência; o comportamento testa-os.
Mas as nossas crenças determinam o comportamento?
N.E. — Moldam o nosso comportamento. Não o determinam.
Somos capazes de agir contra aquilo em que acreditamos?
N.E. — As pessoas agem contra aquilo em que acreditam todos os dias. A maioria dos fumadores acredita que fumar lhes faz mal. A maioria das pessoas que está a fazer scroll, à meia-noite, acredita que devia estar a dormir. A crença, por si só, não é suficiente para provocar um comportamento. Em Para Lá da Crença, descrevo aquilo a que chamo o Triângulo da Motivação. Para agir, precisamos de um comportamento que saibamos executar, de um benefício que desejemos e, por baixo dos dois, da crença de que o nosso esforço fará alguma diferença. Retire-se essa base e os outros dois elementos desmoronam-se. Podemos saber exatamente o que fazer e querer muito o resultado e, ainda assim, não agir porque alguma parte de nós concluiu que não vai resultar.
Que força pode ter essa expectativa?
N.E. — Uma das demonstrações mais fortes vem das experiências realizadas pelo psicobiólogo Curt Richter na década de 1950. Ratos colocados num tanque de água desistiam, em determinadas condições, ao fim de poucos minutos, enquanto outros que tinham sido retirados temporariamente da água e voltavam a ser colocados nela conseguiam nadar durante muito mais tempo. A interpretação era que aquilo que esperavam que acontecesse tinha mudado.
Como se muda, então, uma crença limitadora?
N.E. — Podemos agir contra uma crença e é precisamente assim que conseguimos mudá-la. Agir contra uma crença limitadora é dispendioso. Exige esforço, e o esforço esgota-se. Mas, sempre que agimos e o céu não cai, acumulamos evidência. Se reunirmos evidência suficiente, a crença atualiza-se. Não se chega a uma nova crença pelo pensamento. Chega-se pela ação.
O que deve prevalecer: uma crença que nos ajuda a viver melhor ou uma verdade que nos incomoda?
N.E. — A pergunta pressupõe que as crenças úteis são reconfortantes e que as verdades são dolorosas. Na minha experiência, costuma acontecer o contrário. Comecemos por fazer uma distinção. Um facto pode ser verificado. A fé não exige evidência. Uma crença fica entre os dois: é algo que aceitamos sem prova, mas que podemos rever. Quando os factos são claros, os factos ganham. Sempre. Se acreditar que consegue voar, a gravidade resolverá a discussão.
E quando os factos não permitem uma resposta definitiva?
N.E. — A maioria das crenças que orientam a nossa vida não pode ser provada de uma forma ou de outra. “Consigo aprender isto”. “Pessoas como eu não têm sucesso nesta área”. Não existe uma experiência que resolva antecipadamente estas questões. Nesse território, a pergunta útil não é “Isto é verdade?”, mas “Isto serve-me?”. Um carpinteiro não pergunta se um martelo é verdadeiro. Pergunta se é a ferramenta certa para aquele trabalho.

As crenças que nos limitam podem também ser as mais confortáveis?
N.E. — Normalmente, são. “Simplesmente não tenho jeito para matemática” é uma crença reconfortante. Dispensa-nos do trabalho difícil e protege-nos do fracasso. A crença útil — “Posso melhorar nisto se dedicar as horas necessárias” — é a desconfortável, porque devolve a responsabilidade para as nossas mãos. Por isso, a escolha raramente se faz entre uma mentira reconfortante e uma verdade dolorosa. Faz-se entre uma crença que nos protege e uma crença que nos impulsiona.
Nos seus livros anteriores, Hooked e Indistraível, explorou a influência da tecnologia no comportamento e na atenção. Num mundo em que os algoritmos condicionam cada vez mais aquilo que vemos, continuamos livres para escolher as nossas crenças ou estão a escolhê-las por nós?
N.E. — Sim, continuamos livres. E a crença de que não somos é uma das ideias mais prejudiciais que circulam atualmente. Quando escrevi Hooked, expliquei como os produtos são desenhados para criar hábitos. Quando escrevi Indistraível, percebi que a maior parte das distrações não começa no telemóvel. Começa numa sensação desconfortável da qual queremos escapar: tédio, solidão, ansiedade. O dispositivo é o mecanismo de entrega, não a causa de fundo.
E os algoritmos?
N.E. — Funcionam de forma semelhante. São muito bons a mostrar-nos mais daquilo em que já carregamos. Amplificam. Não implantam. A evidência é menos alarmante do que alguns títulos fazem parecer. Numa das maiores experiências de campo sobre o tema, investigadores que trabalharam com a Meta durante as eleições norte-americanas de 2020 passaram milhares de utilizadores do Facebook e Instagram para um feed cronológico durante três meses. Essas pessoas passaram menos tempo nas plataformas, mas os seus níveis de polarização política não se alteraram de forma significativa.
O que o preocupa mais, então?
N.E. — Nada disto significa que o feed seja neutro. Significa que nós continuamos a ser o parceiro principal dessa relação. O que me preocupa mais do que qualquer algoritmo é a história de que somos impotentes perante ele. Os psicólogos têm um nome para aquilo que acontece quando acreditamos que nada do que fazemos importa: desamparo aprendido ("learned helplessness" em inglês). Diga-se às pessoas que uma máquina controla a sua mente e damos-lhes a desculpa perfeita para deixarem de tentar. Por isso, devemos selecionar aquilo que consumimos como selecionamos aquilo que comemos. Seguir pessoas que nos fazem pensar. Silenciar aquelas que nos irritam apenas por desporto. E, quando nos apanhamos agarrados a uma crença, perguntar de onde veio e se ainda merece o lugar que ocupa.

Como podemos gerir a nossa necessidade de controlo perante a incerteza e o imprevisível?
N.E. — Primeiro, devemos abandonar a ideia de que a necessidade de controlo é uma fraqueza. É o motor da nossa capacidade de agir. O problema está na direção em que a apontamos.
O que sabemos hoje sobre essa necessidade de controlo?
N.E. — As experiências originais sobre desamparo aprendido pareciam mostrar que os animais aprendiam a desistir quando não conseguiam escapar a um choque. Cinquenta anos depois, Steven Maier e Martin Seligman, investigadores ligados a esse trabalho, revisitaram-no à luz da neurociência moderna e chegaram à conclusão oposta. A passividade é a resposta por defeito. Aquilo que os animais, e nós, aprendemos é o controlo. A capacidade de agir não é apenas algo que perdemos; é algo que construímos.
Porque nos custa tanto a incerteza?
N.E. — Porque o cérebro é uma máquina de previsão. Num estudo publicado em 2016 na Nature Communications, as pessoas apresentavam mais stress quando a probabilidade de receberem um choque elétrico rondava os 50% do que quando sabiam que o choque iria acontecer. Não saber provocava mais stress do que ter a certeza de receber uma má notícia.
Como se vive, então, com aquilo que não conseguimos controlar?
N.E. — O objetivo não é eliminar a incerteza. Não conseguimos. O objetivo é reduzir o círculo àquilo que conseguimos influenciar. Não controlamos o resultado de uma entrevista de emprego, mas controlamos a forma como nos preparamos. Não controlamos a economia, mas controlamos aquilo que fazemos na próxima hora. Nem sempre controlamos aquilo que sentimos, mas podemos controlar o que fazemos com esse sentimento. Sempre que agimos sobre alguma coisa que está dentro do nosso controlo e vemos um resultado, ensinamos a nós próprios: “As minhas ações importam”.

#Protagonistas
Nir Eyal: “Não se chega a uma nova crença pelo pensamento. Chega-se pela ação”
Primeiro ensinou empresas a criar produtos capazes de formar hábitos. Depois virou a pergunta para o utilizador e escreveu sobre como recuperar o controlo da atenção. Em Para Lá da Crença, o terceiro livro de Nir Eyal, o autor de Hooked e Indistraível concentra-se agora numa camada anterior ao comportamento: aquilo em que acreditamos ser possível.
Publicado em Portugal pela Penguin, em setembro, Para Lá da Crença parte da psicologia e da neurociência para explorar como as crenças condicionam aquilo que vemos, tentamos e fazemos, e de que forma podem ser revistas quando deixam de nos servir. O livro tornou-se bestseller do New York Times após o lançamento.
Nesta entrevista ao MOTIVO, Nir Eyal fala sobre a relação entre crença e comportamento, o peso dos algoritmos naquilo que pensamos e uma necessidade muito humana: sentir que temos algum controlo mesmo quando o futuro é imprevisível.

Somos aquilo em que acreditamos ou aquilo que fazemos?
NIR EYAL — Tendemos a assumir que a crença vem primeiro e que o comportamento surge depois. Muitas vezes, acontece o contrário. Observamo-nos a agir e, a partir daí, decidimos quem somos. Os psicólogos chamam-lhe autoperceção. Corremos três manhãs seguidas e começamos a pensar em nós próprios como corredores. A crença é uma conclusão que retiramos da evidência do nosso próprio comportamento.
Onde está o risco?
N.E. — O problema começa quando fixamos um rótulo demasiado cedo. “Não tenho jeito para matemática”. “Não sou criativo”. “Sou péssimo com dinheiro”. Estes rótulos apresentam-se como descrições, mas funcionam como instruções. Dizem-nos o que devemos tentar e aquilo que devemos evitar e, depois, a nossa própria atitude de evitar transforma-se na prova. Por isso, diria assim: aquilo que fazemos define-nos, mas aquilo em que acreditamos determina o que estamos dispostos a tentar. As crenças estabelecem os limites da experiência; o comportamento testa-os.
Mas as nossas crenças determinam o comportamento?
N.E. — Moldam o nosso comportamento. Não o determinam.
Somos capazes de agir contra aquilo em que acreditamos?
N.E. — As pessoas agem contra aquilo em que acreditam todos os dias. A maioria dos fumadores acredita que fumar lhes faz mal. A maioria das pessoas que está a fazer scroll, à meia-noite, acredita que devia estar a dormir. A crença, por si só, não é suficiente para provocar um comportamento. Em Para Lá da Crença, descrevo aquilo a que chamo o Triângulo da Motivação. Para agir, precisamos de um comportamento que saibamos executar, de um benefício que desejemos e, por baixo dos dois, da crença de que o nosso esforço fará alguma diferença. Retire-se essa base e os outros dois elementos desmoronam-se. Podemos saber exatamente o que fazer e querer muito o resultado e, ainda assim, não agir porque alguma parte de nós concluiu que não vai resultar.
Que força pode ter essa expectativa?
N.E. — Uma das demonstrações mais fortes vem das experiências realizadas pelo psicobiólogo Curt Richter na década de 1950. Ratos colocados num tanque de água desistiam, em determinadas condições, ao fim de poucos minutos, enquanto outros que tinham sido retirados temporariamente da água e voltavam a ser colocados nela conseguiam nadar durante muito mais tempo. A interpretação era que aquilo que esperavam que acontecesse tinha mudado.
Como se muda, então, uma crença limitadora?
N.E. — Podemos agir contra uma crença e é precisamente assim que conseguimos mudá-la. Agir contra uma crença limitadora é dispendioso. Exige esforço, e o esforço esgota-se. Mas, sempre que agimos e o céu não cai, acumulamos evidência. Se reunirmos evidência suficiente, a crença atualiza-se. Não se chega a uma nova crença pelo pensamento. Chega-se pela ação.
O que deve prevalecer: uma crença que nos ajuda a viver melhor ou uma verdade que nos incomoda?
N.E. — A pergunta pressupõe que as crenças úteis são reconfortantes e que as verdades são dolorosas. Na minha experiência, costuma acontecer o contrário. Comecemos por fazer uma distinção. Um facto pode ser verificado. A fé não exige evidência. Uma crença fica entre os dois: é algo que aceitamos sem prova, mas que podemos rever. Quando os factos são claros, os factos ganham. Sempre. Se acreditar que consegue voar, a gravidade resolverá a discussão.
E quando os factos não permitem uma resposta definitiva?
N.E. — A maioria das crenças que orientam a nossa vida não pode ser provada de uma forma ou de outra. “Consigo aprender isto”. “Pessoas como eu não têm sucesso nesta área”. Não existe uma experiência que resolva antecipadamente estas questões. Nesse território, a pergunta útil não é “Isto é verdade?”, mas “Isto serve-me?”. Um carpinteiro não pergunta se um martelo é verdadeiro. Pergunta se é a ferramenta certa para aquele trabalho.

As crenças que nos limitam podem também ser as mais confortáveis?
N.E. — Normalmente, são. “Simplesmente não tenho jeito para matemática” é uma crença reconfortante. Dispensa-nos do trabalho difícil e protege-nos do fracasso. A crença útil — “Posso melhorar nisto se dedicar as horas necessárias” — é a desconfortável, porque devolve a responsabilidade para as nossas mãos. Por isso, a escolha raramente se faz entre uma mentira reconfortante e uma verdade dolorosa. Faz-se entre uma crença que nos protege e uma crença que nos impulsiona.
Nos seus livros anteriores, Hooked e Indistraível, explorou a influência da tecnologia no comportamento e na atenção. Num mundo em que os algoritmos condicionam cada vez mais aquilo que vemos, continuamos livres para escolher as nossas crenças ou estão a escolhê-las por nós?
N.E. — Sim, continuamos livres. E a crença de que não somos é uma das ideias mais prejudiciais que circulam atualmente. Quando escrevi Hooked, expliquei como os produtos são desenhados para criar hábitos. Quando escrevi Indistraível, percebi que a maior parte das distrações não começa no telemóvel. Começa numa sensação desconfortável da qual queremos escapar: tédio, solidão, ansiedade. O dispositivo é o mecanismo de entrega, não a causa de fundo.
E os algoritmos?
N.E. — Funcionam de forma semelhante. São muito bons a mostrar-nos mais daquilo em que já carregamos. Amplificam. Não implantam. A evidência é menos alarmante do que alguns títulos fazem parecer. Numa das maiores experiências de campo sobre o tema, investigadores que trabalharam com a Meta durante as eleições norte-americanas de 2020 passaram milhares de utilizadores do Facebook e Instagram para um feed cronológico durante três meses. Essas pessoas passaram menos tempo nas plataformas, mas os seus níveis de polarização política não se alteraram de forma significativa.
O que o preocupa mais, então?
N.E. — Nada disto significa que o feed seja neutro. Significa que nós continuamos a ser o parceiro principal dessa relação. O que me preocupa mais do que qualquer algoritmo é a história de que somos impotentes perante ele. Os psicólogos têm um nome para aquilo que acontece quando acreditamos que nada do que fazemos importa: desamparo aprendido ("learned helplessness" em inglês). Diga-se às pessoas que uma máquina controla a sua mente e damos-lhes a desculpa perfeita para deixarem de tentar. Por isso, devemos selecionar aquilo que consumimos como selecionamos aquilo que comemos. Seguir pessoas que nos fazem pensar. Silenciar aquelas que nos irritam apenas por desporto. E, quando nos apanhamos agarrados a uma crença, perguntar de onde veio e se ainda merece o lugar que ocupa.

Como podemos gerir a nossa necessidade de controlo perante a incerteza e o imprevisível?
N.E. — Primeiro, devemos abandonar a ideia de que a necessidade de controlo é uma fraqueza. É o motor da nossa capacidade de agir. O problema está na direção em que a apontamos.
O que sabemos hoje sobre essa necessidade de controlo?
N.E. — As experiências originais sobre desamparo aprendido pareciam mostrar que os animais aprendiam a desistir quando não conseguiam escapar a um choque. Cinquenta anos depois, Steven Maier e Martin Seligman, investigadores ligados a esse trabalho, revisitaram-no à luz da neurociência moderna e chegaram à conclusão oposta. A passividade é a resposta por defeito. Aquilo que os animais, e nós, aprendemos é o controlo. A capacidade de agir não é apenas algo que perdemos; é algo que construímos.
Porque nos custa tanto a incerteza?
N.E. — Porque o cérebro é uma máquina de previsão. Num estudo publicado em 2016 na Nature Communications, as pessoas apresentavam mais stress quando a probabilidade de receberem um choque elétrico rondava os 50% do que quando sabiam que o choque iria acontecer. Não saber provocava mais stress do que ter a certeza de receber uma má notícia.
Como se vive, então, com aquilo que não conseguimos controlar?
N.E. — O objetivo não é eliminar a incerteza. Não conseguimos. O objetivo é reduzir o círculo àquilo que conseguimos influenciar. Não controlamos o resultado de uma entrevista de emprego, mas controlamos a forma como nos preparamos. Não controlamos a economia, mas controlamos aquilo que fazemos na próxima hora. Nem sempre controlamos aquilo que sentimos, mas podemos controlar o que fazemos com esse sentimento. Sempre que agimos sobre alguma coisa que está dentro do nosso controlo e vemos um resultado, ensinamos a nós próprios: “As minhas ações importam”.

#Protagonistas
Nir Eyal: “Não se chega a uma nova crença pelo pensamento. Chega-se pela ação”
Primeiro ensinou empresas a criar produtos capazes de formar hábitos. Depois virou a pergunta para o utilizador e escreveu sobre como recuperar o controlo da atenção. Em Para Lá da Crença, o terceiro livro de Nir Eyal, o autor de Hooked e Indistraível concentra-se agora numa camada anterior ao comportamento: aquilo em que acreditamos ser possível.
Publicado em Portugal pela Penguin, em setembro, Para Lá da Crença parte da psicologia e da neurociência para explorar como as crenças condicionam aquilo que vemos, tentamos e fazemos, e de que forma podem ser revistas quando deixam de nos servir. O livro tornou-se bestseller do New York Times após o lançamento.
Nesta entrevista ao MOTIVO, Nir Eyal fala sobre a relação entre crença e comportamento, o peso dos algoritmos naquilo que pensamos e uma necessidade muito humana: sentir que temos algum controlo mesmo quando o futuro é imprevisível.

Somos aquilo em que acreditamos ou aquilo que fazemos?
NIR EYAL — Tendemos a assumir que a crença vem primeiro e que o comportamento surge depois. Muitas vezes, acontece o contrário. Observamo-nos a agir e, a partir daí, decidimos quem somos. Os psicólogos chamam-lhe autoperceção. Corremos três manhãs seguidas e começamos a pensar em nós próprios como corredores. A crença é uma conclusão que retiramos da evidência do nosso próprio comportamento.
Onde está o risco?
N.E. — O problema começa quando fixamos um rótulo demasiado cedo. “Não tenho jeito para matemática”. “Não sou criativo”. “Sou péssimo com dinheiro”. Estes rótulos apresentam-se como descrições, mas funcionam como instruções. Dizem-nos o que devemos tentar e aquilo que devemos evitar e, depois, a nossa própria atitude de evitar transforma-se na prova. Por isso, diria assim: aquilo que fazemos define-nos, mas aquilo em que acreditamos determina o que estamos dispostos a tentar. As crenças estabelecem os limites da experiência; o comportamento testa-os.
Mas as nossas crenças determinam o comportamento?
N.E. — Moldam o nosso comportamento. Não o determinam.
Somos capazes de agir contra aquilo em que acreditamos?
N.E. — As pessoas agem contra aquilo em que acreditam todos os dias. A maioria dos fumadores acredita que fumar lhes faz mal. A maioria das pessoas que está a fazer scroll, à meia-noite, acredita que devia estar a dormir. A crença, por si só, não é suficiente para provocar um comportamento. Em Para Lá da Crença, descrevo aquilo a que chamo o Triângulo da Motivação. Para agir, precisamos de um comportamento que saibamos executar, de um benefício que desejemos e, por baixo dos dois, da crença de que o nosso esforço fará alguma diferença. Retire-se essa base e os outros dois elementos desmoronam-se. Podemos saber exatamente o que fazer e querer muito o resultado e, ainda assim, não agir porque alguma parte de nós concluiu que não vai resultar.
Que força pode ter essa expectativa?
N.E. — Uma das demonstrações mais fortes vem das experiências realizadas pelo psicobiólogo Curt Richter na década de 1950. Ratos colocados num tanque de água desistiam, em determinadas condições, ao fim de poucos minutos, enquanto outros que tinham sido retirados temporariamente da água e voltavam a ser colocados nela conseguiam nadar durante muito mais tempo. A interpretação era que aquilo que esperavam que acontecesse tinha mudado.
Como se muda, então, uma crença limitadora?
N.E. — Podemos agir contra uma crença e é precisamente assim que conseguimos mudá-la. Agir contra uma crença limitadora é dispendioso. Exige esforço, e o esforço esgota-se. Mas, sempre que agimos e o céu não cai, acumulamos evidência. Se reunirmos evidência suficiente, a crença atualiza-se. Não se chega a uma nova crença pelo pensamento. Chega-se pela ação.
O que deve prevalecer: uma crença que nos ajuda a viver melhor ou uma verdade que nos incomoda?
N.E. — A pergunta pressupõe que as crenças úteis são reconfortantes e que as verdades são dolorosas. Na minha experiência, costuma acontecer o contrário. Comecemos por fazer uma distinção. Um facto pode ser verificado. A fé não exige evidência. Uma crença fica entre os dois: é algo que aceitamos sem prova, mas que podemos rever. Quando os factos são claros, os factos ganham. Sempre. Se acreditar que consegue voar, a gravidade resolverá a discussão.
E quando os factos não permitem uma resposta definitiva?
N.E. — A maioria das crenças que orientam a nossa vida não pode ser provada de uma forma ou de outra. “Consigo aprender isto”. “Pessoas como eu não têm sucesso nesta área”. Não existe uma experiência que resolva antecipadamente estas questões. Nesse território, a pergunta útil não é “Isto é verdade?”, mas “Isto serve-me?”. Um carpinteiro não pergunta se um martelo é verdadeiro. Pergunta se é a ferramenta certa para aquele trabalho.

As crenças que nos limitam podem também ser as mais confortáveis?
N.E. — Normalmente, são. “Simplesmente não tenho jeito para matemática” é uma crença reconfortante. Dispensa-nos do trabalho difícil e protege-nos do fracasso. A crença útil — “Posso melhorar nisto se dedicar as horas necessárias” — é a desconfortável, porque devolve a responsabilidade para as nossas mãos. Por isso, a escolha raramente se faz entre uma mentira reconfortante e uma verdade dolorosa. Faz-se entre uma crença que nos protege e uma crença que nos impulsiona.
Nos seus livros anteriores, Hooked e Indistraível, explorou a influência da tecnologia no comportamento e na atenção. Num mundo em que os algoritmos condicionam cada vez mais aquilo que vemos, continuamos livres para escolher as nossas crenças ou estão a escolhê-las por nós?
N.E. — Sim, continuamos livres. E a crença de que não somos é uma das ideias mais prejudiciais que circulam atualmente. Quando escrevi Hooked, expliquei como os produtos são desenhados para criar hábitos. Quando escrevi Indistraível, percebi que a maior parte das distrações não começa no telemóvel. Começa numa sensação desconfortável da qual queremos escapar: tédio, solidão, ansiedade. O dispositivo é o mecanismo de entrega, não a causa de fundo.
E os algoritmos?
N.E. — Funcionam de forma semelhante. São muito bons a mostrar-nos mais daquilo em que já carregamos. Amplificam. Não implantam. A evidência é menos alarmante do que alguns títulos fazem parecer. Numa das maiores experiências de campo sobre o tema, investigadores que trabalharam com a Meta durante as eleições norte-americanas de 2020 passaram milhares de utilizadores do Facebook e Instagram para um feed cronológico durante três meses. Essas pessoas passaram menos tempo nas plataformas, mas os seus níveis de polarização política não se alteraram de forma significativa.
O que o preocupa mais, então?
N.E. — Nada disto significa que o feed seja neutro. Significa que nós continuamos a ser o parceiro principal dessa relação. O que me preocupa mais do que qualquer algoritmo é a história de que somos impotentes perante ele. Os psicólogos têm um nome para aquilo que acontece quando acreditamos que nada do que fazemos importa: desamparo aprendido ("learned helplessness" em inglês). Diga-se às pessoas que uma máquina controla a sua mente e damos-lhes a desculpa perfeita para deixarem de tentar. Por isso, devemos selecionar aquilo que consumimos como selecionamos aquilo que comemos. Seguir pessoas que nos fazem pensar. Silenciar aquelas que nos irritam apenas por desporto. E, quando nos apanhamos agarrados a uma crença, perguntar de onde veio e se ainda merece o lugar que ocupa.

Como podemos gerir a nossa necessidade de controlo perante a incerteza e o imprevisível?
N.E. — Primeiro, devemos abandonar a ideia de que a necessidade de controlo é uma fraqueza. É o motor da nossa capacidade de agir. O problema está na direção em que a apontamos.
O que sabemos hoje sobre essa necessidade de controlo?
N.E. — As experiências originais sobre desamparo aprendido pareciam mostrar que os animais aprendiam a desistir quando não conseguiam escapar a um choque. Cinquenta anos depois, Steven Maier e Martin Seligman, investigadores ligados a esse trabalho, revisitaram-no à luz da neurociência moderna e chegaram à conclusão oposta. A passividade é a resposta por defeito. Aquilo que os animais, e nós, aprendemos é o controlo. A capacidade de agir não é apenas algo que perdemos; é algo que construímos.
Porque nos custa tanto a incerteza?
N.E. — Porque o cérebro é uma máquina de previsão. Num estudo publicado em 2016 na Nature Communications, as pessoas apresentavam mais stress quando a probabilidade de receberem um choque elétrico rondava os 50% do que quando sabiam que o choque iria acontecer. Não saber provocava mais stress do que ter a certeza de receber uma má notícia.
Como se vive, então, com aquilo que não conseguimos controlar?
N.E. — O objetivo não é eliminar a incerteza. Não conseguimos. O objetivo é reduzir o círculo àquilo que conseguimos influenciar. Não controlamos o resultado de uma entrevista de emprego, mas controlamos a forma como nos preparamos. Não controlamos a economia, mas controlamos aquilo que fazemos na próxima hora. Nem sempre controlamos aquilo que sentimos, mas podemos controlar o que fazemos com esse sentimento. Sempre que agimos sobre alguma coisa que está dentro do nosso controlo e vemos um resultado, ensinamos a nós próprios: “As minhas ações importam”.




