#Motivação

Faltam 20 dias para o BABELL: Porto prepara-se para ser a Cidade-Livro

É já dia 24 que a Invicta se vai transformar no palco de uma grande celebração dos livros, da leitura, dos escritores e das histórias. O MOTIVO conversou com Rui Couceiro, o Comissário da iniciativa, e, a esta distância, fazemos a antecipação de tudo o que irá acontecer.

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4 de jun. de 2026, 10:52

Faltam 20 dias para o BABELL transformar o Porto numa Cidade-Livro. Entre 24 e 29 de junho, o evento literário e cultural idealizado e produzido pela Fundação Livraria Lello, em coprodução com a Câmara Municipal do Porto, vai ocupar praças, ruas, livrarias e equipamentos culturais da cidade, com um programa que cruza literatura, cinema, exposições, concertos, performances, colóquios e programação infantil.

Mais do que apresentar-se como festival, o BABELL assume-se como uma proposta de cidade. Para Rui Couceiro, comissário da iniciativa, a ideia de Cidade-Livro é “tanto um manifesto como uma aspiração”. O objetivo, explica, é “ressignificar o Porto em torno do livro” e fazê-lo de forma duradoura. “É muito mais do que um festival, porque representa uma forma de encarar e sonhar a cidade”, afirma.


Rui Couceiro, autor e editor, é quem está à frente dos comandos do BABELL


A ambição tem expressão territorial. Segundo a informação oficial, o BABELL acontecerá sobretudo em espaços públicos e parte da ideia de que o Porto pode ser vivido como uma cidade ligada pelos livros. A organização descreve o projeto como uma forma de mapear livrarias, alfarrabistas e espaços culturais, afirmando a identidade portuense a partir da literatura. Os locais das sessões, acrescenta o site oficial, não distam entre si mais de 15 minutos a pé.

A escala do programa ajuda a perceber a complexidade da operação. No calendário oficial surgem conferências, conversas com escritores, exposições, sessões de cinema, concertos, colóquios, performances, apresentações e programação infantil, distribuídas por espaços como o Teatro Rivoli, Coliseu do Porto, Batalha Centro de Cinema, Avenida dos Aliados, Jardins do Palácio de Cristal, Torre dos Clérigos, Biblioteca Municipal Almeida Garrett, Museu Nacional Soares dos Reis e Livraria Lello, entre outros.

Montar um evento tão grande e tão ambicioso a partir do zero, em apenas um ano, está a ser muito exigente”, reconhece Rui Couceiro. O comissário sublinha o trabalho da equipa e enquadra o esforço numa relação muito portuense com a conquista: “No Porto, nunca nada nos foi dado, tudo foi, e é sempre, conquistado a pulso, por isso trabalhamos muito para, no final, nos orgulharmos daquilo que fizemos”.

O programa internacional é um dos pontos de atração, com nomes como Margaret Atwood e Salman Rushdie inscritos na programação oficial. Atwood participa numa sessão literária a 27 de junho, na Praça Gomes Teixeira, enquanto Rushdie estará no Coliseu do Porto, a 28 de junho, numa conversa moderada por Alberto Manguel.

A programação musical também ocupa lugar central. A Avenida dos Aliados recebe concertos de Carminho e Bárbara Bandeira, a 26 de junho, e um encontro entre GNR e Pedro Abrunhosa, apresentado como um momento inédito, com temas novos compostos especialmente para o BABELL a partir de textos de poetas portuenses.

Há ainda uma dimensão dirigida a famílias e públicos mais jovens. A BIBLLIOTERRA, extensão infantojuvenil do BABELL, ocupará os Jardins do Palácio de Cristal nos dias 27 e 28 de junho, reunindo autores, contadores de histórias, ilustradores, performers e mediadores em cinco estações temáticas dedicadas à escuta e à narração.



Um dos elementos mais distintivos do BABELL está no modelo de acesso. A entrada nas sessões não é cobrada pela organização, embora dependa da compra de um livro numa livraria aderente. Em troca, o leitor recebe uma senha com um código, que pode ser trocado por um bilhete no site do evento. A Fundação Livraria Lello e a organização afirmam que não recebem qualquer comissão pela venda desses livros, apresentando a medida como apoio direto às livrarias da cidade.

Rui Couceiro confirma que o modelo já está a produzir impacto: “Já se venderam muitos, muitos milhares de livros nas livrarias da cidade, mas não é ainda o momento de anunciar esses números. Estamos muito contentes e os livreiros também”.

A operação envolve ainda uma articulação institucional alargada. O evento nasce no ano em que a Livraria Lello assinala 120 anos e no contexto dos 25 anos da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura e dos 30 anos da classificação do Centro Histórico do Porto como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. Para o comissário, a coordenação tem dependido “do contributo fundamental de todos os parceiros envolvidos”, do apoio da Câmara Municipal do Porto e da Ágora, bem como da articulação com o vereador da Cultura, Jorge Sobrado.

A 20 dias da abertura, o BABELL posiciona-se como uma experiência de cidade, uma estratégia de ativação das livrarias e uma tentativa de colocar o livro no centro da vida urbana. “Queremos ressignificar o Porto em torno do livro”, resume Rui Couceiro. Essa será, afinal, a principal medida do evento: perceber se, durante seis dias, a literatura consegue deixar de estar apenas nas páginas e passar a organizar a forma como se atravessa uma cidade.


(C) Foto de Peter Thomas na Unsplash
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Faltam 20 dias para o BABELL: Porto prepara-se para ser a Cidade-Livro

É já dia 24 que a Invicta se vai transformar no palco de uma grande celebração dos livros, da leitura, dos escritores e das histórias. O MOTIVO conversou com Rui Couceiro, o Comissário da iniciativa, e, a esta distância, fazemos a antecipação de tudo o que irá acontecer.

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4 de jun. de 2026, 10:52

Faltam 20 dias para o BABELL transformar o Porto numa Cidade-Livro. Entre 24 e 29 de junho, o evento literário e cultural idealizado e produzido pela Fundação Livraria Lello, em coprodução com a Câmara Municipal do Porto, vai ocupar praças, ruas, livrarias e equipamentos culturais da cidade, com um programa que cruza literatura, cinema, exposições, concertos, performances, colóquios e programação infantil.

Mais do que apresentar-se como festival, o BABELL assume-se como uma proposta de cidade. Para Rui Couceiro, comissário da iniciativa, a ideia de Cidade-Livro é “tanto um manifesto como uma aspiração”. O objetivo, explica, é “ressignificar o Porto em torno do livro” e fazê-lo de forma duradoura. “É muito mais do que um festival, porque representa uma forma de encarar e sonhar a cidade”, afirma.


Rui Couceiro, autor e editor, é quem está à frente dos comandos do BABELL


A ambição tem expressão territorial. Segundo a informação oficial, o BABELL acontecerá sobretudo em espaços públicos e parte da ideia de que o Porto pode ser vivido como uma cidade ligada pelos livros. A organização descreve o projeto como uma forma de mapear livrarias, alfarrabistas e espaços culturais, afirmando a identidade portuense a partir da literatura. Os locais das sessões, acrescenta o site oficial, não distam entre si mais de 15 minutos a pé.

A escala do programa ajuda a perceber a complexidade da operação. No calendário oficial surgem conferências, conversas com escritores, exposições, sessões de cinema, concertos, colóquios, performances, apresentações e programação infantil, distribuídas por espaços como o Teatro Rivoli, Coliseu do Porto, Batalha Centro de Cinema, Avenida dos Aliados, Jardins do Palácio de Cristal, Torre dos Clérigos, Biblioteca Municipal Almeida Garrett, Museu Nacional Soares dos Reis e Livraria Lello, entre outros.

Montar um evento tão grande e tão ambicioso a partir do zero, em apenas um ano, está a ser muito exigente”, reconhece Rui Couceiro. O comissário sublinha o trabalho da equipa e enquadra o esforço numa relação muito portuense com a conquista: “No Porto, nunca nada nos foi dado, tudo foi, e é sempre, conquistado a pulso, por isso trabalhamos muito para, no final, nos orgulharmos daquilo que fizemos”.

O programa internacional é um dos pontos de atração, com nomes como Margaret Atwood e Salman Rushdie inscritos na programação oficial. Atwood participa numa sessão literária a 27 de junho, na Praça Gomes Teixeira, enquanto Rushdie estará no Coliseu do Porto, a 28 de junho, numa conversa moderada por Alberto Manguel.

A programação musical também ocupa lugar central. A Avenida dos Aliados recebe concertos de Carminho e Bárbara Bandeira, a 26 de junho, e um encontro entre GNR e Pedro Abrunhosa, apresentado como um momento inédito, com temas novos compostos especialmente para o BABELL a partir de textos de poetas portuenses.

Há ainda uma dimensão dirigida a famílias e públicos mais jovens. A BIBLLIOTERRA, extensão infantojuvenil do BABELL, ocupará os Jardins do Palácio de Cristal nos dias 27 e 28 de junho, reunindo autores, contadores de histórias, ilustradores, performers e mediadores em cinco estações temáticas dedicadas à escuta e à narração.



Um dos elementos mais distintivos do BABELL está no modelo de acesso. A entrada nas sessões não é cobrada pela organização, embora dependa da compra de um livro numa livraria aderente. Em troca, o leitor recebe uma senha com um código, que pode ser trocado por um bilhete no site do evento. A Fundação Livraria Lello e a organização afirmam que não recebem qualquer comissão pela venda desses livros, apresentando a medida como apoio direto às livrarias da cidade.

Rui Couceiro confirma que o modelo já está a produzir impacto: “Já se venderam muitos, muitos milhares de livros nas livrarias da cidade, mas não é ainda o momento de anunciar esses números. Estamos muito contentes e os livreiros também”.

A operação envolve ainda uma articulação institucional alargada. O evento nasce no ano em que a Livraria Lello assinala 120 anos e no contexto dos 25 anos da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura e dos 30 anos da classificação do Centro Histórico do Porto como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. Para o comissário, a coordenação tem dependido “do contributo fundamental de todos os parceiros envolvidos”, do apoio da Câmara Municipal do Porto e da Ágora, bem como da articulação com o vereador da Cultura, Jorge Sobrado.

A 20 dias da abertura, o BABELL posiciona-se como uma experiência de cidade, uma estratégia de ativação das livrarias e uma tentativa de colocar o livro no centro da vida urbana. “Queremos ressignificar o Porto em torno do livro”, resume Rui Couceiro. Essa será, afinal, a principal medida do evento: perceber se, durante seis dias, a literatura consegue deixar de estar apenas nas páginas e passar a organizar a forma como se atravessa uma cidade.


(C) Foto de Peter Thomas na Unsplash

#Motivação

Faltam 20 dias para o BABELL: Porto prepara-se para ser a Cidade-Livro

É já dia 24 que a Invicta se vai transformar no palco de uma grande celebração dos livros, da leitura, dos escritores e das histórias. O MOTIVO conversou com Rui Couceiro, o Comissário da iniciativa, e, a esta distância, fazemos a antecipação de tudo o que irá acontecer.

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4 de jun. de 2026, 10:52

Faltam 20 dias para o BABELL transformar o Porto numa Cidade-Livro. Entre 24 e 29 de junho, o evento literário e cultural idealizado e produzido pela Fundação Livraria Lello, em coprodução com a Câmara Municipal do Porto, vai ocupar praças, ruas, livrarias e equipamentos culturais da cidade, com um programa que cruza literatura, cinema, exposições, concertos, performances, colóquios e programação infantil.

Mais do que apresentar-se como festival, o BABELL assume-se como uma proposta de cidade. Para Rui Couceiro, comissário da iniciativa, a ideia de Cidade-Livro é “tanto um manifesto como uma aspiração”. O objetivo, explica, é “ressignificar o Porto em torno do livro” e fazê-lo de forma duradoura. “É muito mais do que um festival, porque representa uma forma de encarar e sonhar a cidade”, afirma.


Rui Couceiro, autor e editor, é quem está à frente dos comandos do BABELL


A ambição tem expressão territorial. Segundo a informação oficial, o BABELL acontecerá sobretudo em espaços públicos e parte da ideia de que o Porto pode ser vivido como uma cidade ligada pelos livros. A organização descreve o projeto como uma forma de mapear livrarias, alfarrabistas e espaços culturais, afirmando a identidade portuense a partir da literatura. Os locais das sessões, acrescenta o site oficial, não distam entre si mais de 15 minutos a pé.

A escala do programa ajuda a perceber a complexidade da operação. No calendário oficial surgem conferências, conversas com escritores, exposições, sessões de cinema, concertos, colóquios, performances, apresentações e programação infantil, distribuídas por espaços como o Teatro Rivoli, Coliseu do Porto, Batalha Centro de Cinema, Avenida dos Aliados, Jardins do Palácio de Cristal, Torre dos Clérigos, Biblioteca Municipal Almeida Garrett, Museu Nacional Soares dos Reis e Livraria Lello, entre outros.

Montar um evento tão grande e tão ambicioso a partir do zero, em apenas um ano, está a ser muito exigente”, reconhece Rui Couceiro. O comissário sublinha o trabalho da equipa e enquadra o esforço numa relação muito portuense com a conquista: “No Porto, nunca nada nos foi dado, tudo foi, e é sempre, conquistado a pulso, por isso trabalhamos muito para, no final, nos orgulharmos daquilo que fizemos”.

O programa internacional é um dos pontos de atração, com nomes como Margaret Atwood e Salman Rushdie inscritos na programação oficial. Atwood participa numa sessão literária a 27 de junho, na Praça Gomes Teixeira, enquanto Rushdie estará no Coliseu do Porto, a 28 de junho, numa conversa moderada por Alberto Manguel.

A programação musical também ocupa lugar central. A Avenida dos Aliados recebe concertos de Carminho e Bárbara Bandeira, a 26 de junho, e um encontro entre GNR e Pedro Abrunhosa, apresentado como um momento inédito, com temas novos compostos especialmente para o BABELL a partir de textos de poetas portuenses.

Há ainda uma dimensão dirigida a famílias e públicos mais jovens. A BIBLLIOTERRA, extensão infantojuvenil do BABELL, ocupará os Jardins do Palácio de Cristal nos dias 27 e 28 de junho, reunindo autores, contadores de histórias, ilustradores, performers e mediadores em cinco estações temáticas dedicadas à escuta e à narração.



Um dos elementos mais distintivos do BABELL está no modelo de acesso. A entrada nas sessões não é cobrada pela organização, embora dependa da compra de um livro numa livraria aderente. Em troca, o leitor recebe uma senha com um código, que pode ser trocado por um bilhete no site do evento. A Fundação Livraria Lello e a organização afirmam que não recebem qualquer comissão pela venda desses livros, apresentando a medida como apoio direto às livrarias da cidade.

Rui Couceiro confirma que o modelo já está a produzir impacto: “Já se venderam muitos, muitos milhares de livros nas livrarias da cidade, mas não é ainda o momento de anunciar esses números. Estamos muito contentes e os livreiros também”.

A operação envolve ainda uma articulação institucional alargada. O evento nasce no ano em que a Livraria Lello assinala 120 anos e no contexto dos 25 anos da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura e dos 30 anos da classificação do Centro Histórico do Porto como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. Para o comissário, a coordenação tem dependido “do contributo fundamental de todos os parceiros envolvidos”, do apoio da Câmara Municipal do Porto e da Ágora, bem como da articulação com o vereador da Cultura, Jorge Sobrado.

A 20 dias da abertura, o BABELL posiciona-se como uma experiência de cidade, uma estratégia de ativação das livrarias e uma tentativa de colocar o livro no centro da vida urbana. “Queremos ressignificar o Porto em torno do livro”, resume Rui Couceiro. Essa será, afinal, a principal medida do evento: perceber se, durante seis dias, a literatura consegue deixar de estar apenas nas páginas e passar a organizar a forma como se atravessa uma cidade.


(C) Foto de Peter Thomas na Unsplash
#Motivação

Faltam 20 dias para o BABELL: Porto prepara-se para ser a Cidade-Livro

É já dia 24 que a Invicta se vai transformar no palco de uma grande celebração dos livros, da leitura, dos escritores e das histórias. O MOTIVO conversou com Rui Couceiro, o Comissário da iniciativa, e, a esta distância, fazemos a antecipação de tudo o que irá acontecer.

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4 de jun. de 2026, 10:52

Faltam 20 dias para o BABELL transformar o Porto numa Cidade-Livro. Entre 24 e 29 de junho, o evento literário e cultural idealizado e produzido pela Fundação Livraria Lello, em coprodução com a Câmara Municipal do Porto, vai ocupar praças, ruas, livrarias e equipamentos culturais da cidade, com um programa que cruza literatura, cinema, exposições, concertos, performances, colóquios e programação infantil.

Mais do que apresentar-se como festival, o BABELL assume-se como uma proposta de cidade. Para Rui Couceiro, comissário da iniciativa, a ideia de Cidade-Livro é “tanto um manifesto como uma aspiração”. O objetivo, explica, é “ressignificar o Porto em torno do livro” e fazê-lo de forma duradoura. “É muito mais do que um festival, porque representa uma forma de encarar e sonhar a cidade”, afirma.


Rui Couceiro, autor e editor, é quem está à frente dos comandos do BABELL


A ambição tem expressão territorial. Segundo a informação oficial, o BABELL acontecerá sobretudo em espaços públicos e parte da ideia de que o Porto pode ser vivido como uma cidade ligada pelos livros. A organização descreve o projeto como uma forma de mapear livrarias, alfarrabistas e espaços culturais, afirmando a identidade portuense a partir da literatura. Os locais das sessões, acrescenta o site oficial, não distam entre si mais de 15 minutos a pé.

A escala do programa ajuda a perceber a complexidade da operação. No calendário oficial surgem conferências, conversas com escritores, exposições, sessões de cinema, concertos, colóquios, performances, apresentações e programação infantil, distribuídas por espaços como o Teatro Rivoli, Coliseu do Porto, Batalha Centro de Cinema, Avenida dos Aliados, Jardins do Palácio de Cristal, Torre dos Clérigos, Biblioteca Municipal Almeida Garrett, Museu Nacional Soares dos Reis e Livraria Lello, entre outros.

Montar um evento tão grande e tão ambicioso a partir do zero, em apenas um ano, está a ser muito exigente”, reconhece Rui Couceiro. O comissário sublinha o trabalho da equipa e enquadra o esforço numa relação muito portuense com a conquista: “No Porto, nunca nada nos foi dado, tudo foi, e é sempre, conquistado a pulso, por isso trabalhamos muito para, no final, nos orgulharmos daquilo que fizemos”.

O programa internacional é um dos pontos de atração, com nomes como Margaret Atwood e Salman Rushdie inscritos na programação oficial. Atwood participa numa sessão literária a 27 de junho, na Praça Gomes Teixeira, enquanto Rushdie estará no Coliseu do Porto, a 28 de junho, numa conversa moderada por Alberto Manguel.

A programação musical também ocupa lugar central. A Avenida dos Aliados recebe concertos de Carminho e Bárbara Bandeira, a 26 de junho, e um encontro entre GNR e Pedro Abrunhosa, apresentado como um momento inédito, com temas novos compostos especialmente para o BABELL a partir de textos de poetas portuenses.

Há ainda uma dimensão dirigida a famílias e públicos mais jovens. A BIBLLIOTERRA, extensão infantojuvenil do BABELL, ocupará os Jardins do Palácio de Cristal nos dias 27 e 28 de junho, reunindo autores, contadores de histórias, ilustradores, performers e mediadores em cinco estações temáticas dedicadas à escuta e à narração.



Um dos elementos mais distintivos do BABELL está no modelo de acesso. A entrada nas sessões não é cobrada pela organização, embora dependa da compra de um livro numa livraria aderente. Em troca, o leitor recebe uma senha com um código, que pode ser trocado por um bilhete no site do evento. A Fundação Livraria Lello e a organização afirmam que não recebem qualquer comissão pela venda desses livros, apresentando a medida como apoio direto às livrarias da cidade.

Rui Couceiro confirma que o modelo já está a produzir impacto: “Já se venderam muitos, muitos milhares de livros nas livrarias da cidade, mas não é ainda o momento de anunciar esses números. Estamos muito contentes e os livreiros também”.

A operação envolve ainda uma articulação institucional alargada. O evento nasce no ano em que a Livraria Lello assinala 120 anos e no contexto dos 25 anos da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura e dos 30 anos da classificação do Centro Histórico do Porto como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. Para o comissário, a coordenação tem dependido “do contributo fundamental de todos os parceiros envolvidos”, do apoio da Câmara Municipal do Porto e da Ágora, bem como da articulação com o vereador da Cultura, Jorge Sobrado.

A 20 dias da abertura, o BABELL posiciona-se como uma experiência de cidade, uma estratégia de ativação das livrarias e uma tentativa de colocar o livro no centro da vida urbana. “Queremos ressignificar o Porto em torno do livro”, resume Rui Couceiro. Essa será, afinal, a principal medida do evento: perceber se, durante seis dias, a literatura consegue deixar de estar apenas nas páginas e passar a organizar a forma como se atravessa uma cidade.


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