Já não sabemos esperar 

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Psicóloga

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25 de set. de 2026, 14:55

#Motivação
Opinião

Quando foi a última vez que esperou por alguém sem pegar no telemóvel? Ou que ficou na fila do supermercado apenas a observar o que o rodeava? Ou que conduziu sem música, sem um podcast, sem atender uma chamada? Provavelmente, já nem se lembra.

Vivemos numa época em que, qualquer segundo livre, parece precisar de ser preenchido.

Se existe um momento de silêncio, procuramos um vídeo. Se surge um intervalo, abrimos uma aplicação. Se sentimos um ligeiro desconforto, procuramos distração. Sem percebermos, transformámos o aborrecimento num inimigo. Mas será que ele merece essa fama?

Durante muito tempo, acreditou-se que o tédio era apenas perda de tempo. Hoje, sabemos que não é assim. Quando a mente não está constantemente ocupada a responder a estímulos externos, ativa redes cerebrais importantes para a criatividade, a memória, a autorreflexão e a resolução de problemas. É nesses momentos, aparentemente vazios, que organizamos pensamentos, processamos emoções e, muitas vezes, encontramos respostas que andávamos à procura. O problema é que estamos cada vez menos disponíveis para esses momentos. Não porque sejamos mais impacientes do que as gerações anteriores. Mas porque vivemos rodeados de estímulos concebidos para captar a nossa atenção.

As notificações, os vídeos curtos, as atualizações permanentes e o acesso imediato à informação habituaram o cérebro a procurar novidade a cada instante. E um cérebro habituado a estímulos constantes começa a estranhar o silêncio. Talvez por isso tantas pessoas digam que não conseguem estar sozinhas com os próprios pensamentos. Não porque exista algo de errado com elas, mas porque já não treinam essa capacidade.

O paradoxo é evidente. Nunca tivemos tanto entretenimento disponível e, ainda assim, tantas pessoas descrevem dificuldade em concentrar-se, em descansar ou simplesmente em sentir que estão verdadeiramente presentes. Não estou a defender que abandonemos a tecnologia. Seria irrealista e, provavelmente, pouco útil. A questão é outra. Será que ainda sabemos estar connosco, sem precisar de preencher todos os espaços? 

Da próxima vez que sentir vontade de pegar automaticamente no telemóvel, durante um momento de espera, experimente fazer uma coisa diferente. Não faça nada. Pode parecer estranho. Mas talvez descubra que era precisamente esse espaço vazio que a sua mente precisava para voltar a respirar.

Já não sabemos esperar 

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25 de set. de 2026, 14:55

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Quando foi a última vez que esperou por alguém sem pegar no telemóvel? Ou que ficou na fila do supermercado apenas a observar o que o rodeava? Ou que conduziu sem música, sem um podcast, sem atender uma chamada? Provavelmente, já nem se lembra.

Vivemos numa época em que, qualquer segundo livre, parece precisar de ser preenchido.

Se existe um momento de silêncio, procuramos um vídeo. Se surge um intervalo, abrimos uma aplicação. Se sentimos um ligeiro desconforto, procuramos distração. Sem percebermos, transformámos o aborrecimento num inimigo. Mas será que ele merece essa fama?

Durante muito tempo, acreditou-se que o tédio era apenas perda de tempo. Hoje, sabemos que não é assim. Quando a mente não está constantemente ocupada a responder a estímulos externos, ativa redes cerebrais importantes para a criatividade, a memória, a autorreflexão e a resolução de problemas. É nesses momentos, aparentemente vazios, que organizamos pensamentos, processamos emoções e, muitas vezes, encontramos respostas que andávamos à procura. O problema é que estamos cada vez menos disponíveis para esses momentos. Não porque sejamos mais impacientes do que as gerações anteriores. Mas porque vivemos rodeados de estímulos concebidos para captar a nossa atenção.

As notificações, os vídeos curtos, as atualizações permanentes e o acesso imediato à informação habituaram o cérebro a procurar novidade a cada instante. E um cérebro habituado a estímulos constantes começa a estranhar o silêncio. Talvez por isso tantas pessoas digam que não conseguem estar sozinhas com os próprios pensamentos. Não porque exista algo de errado com elas, mas porque já não treinam essa capacidade.

O paradoxo é evidente. Nunca tivemos tanto entretenimento disponível e, ainda assim, tantas pessoas descrevem dificuldade em concentrar-se, em descansar ou simplesmente em sentir que estão verdadeiramente presentes. Não estou a defender que abandonemos a tecnologia. Seria irrealista e, provavelmente, pouco útil. A questão é outra. Será que ainda sabemos estar connosco, sem precisar de preencher todos os espaços? 

Da próxima vez que sentir vontade de pegar automaticamente no telemóvel, durante um momento de espera, experimente fazer uma coisa diferente. Não faça nada. Pode parecer estranho. Mas talvez descubra que era precisamente esse espaço vazio que a sua mente precisava para voltar a respirar.

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Quando foi a última vez que esperou por alguém sem pegar no telemóvel? Ou que ficou na fila do supermercado apenas a observar o que o rodeava? Ou que conduziu sem música, sem um podcast, sem atender uma chamada? Provavelmente, já nem se lembra.

Vivemos numa época em que, qualquer segundo livre, parece precisar de ser preenchido.

Se existe um momento de silêncio, procuramos um vídeo. Se surge um intervalo, abrimos uma aplicação. Se sentimos um ligeiro desconforto, procuramos distração. Sem percebermos, transformámos o aborrecimento num inimigo. Mas será que ele merece essa fama?

Durante muito tempo, acreditou-se que o tédio era apenas perda de tempo. Hoje, sabemos que não é assim. Quando a mente não está constantemente ocupada a responder a estímulos externos, ativa redes cerebrais importantes para a criatividade, a memória, a autorreflexão e a resolução de problemas. É nesses momentos, aparentemente vazios, que organizamos pensamentos, processamos emoções e, muitas vezes, encontramos respostas que andávamos à procura. O problema é que estamos cada vez menos disponíveis para esses momentos. Não porque sejamos mais impacientes do que as gerações anteriores. Mas porque vivemos rodeados de estímulos concebidos para captar a nossa atenção.

As notificações, os vídeos curtos, as atualizações permanentes e o acesso imediato à informação habituaram o cérebro a procurar novidade a cada instante. E um cérebro habituado a estímulos constantes começa a estranhar o silêncio. Talvez por isso tantas pessoas digam que não conseguem estar sozinhas com os próprios pensamentos. Não porque exista algo de errado com elas, mas porque já não treinam essa capacidade.

O paradoxo é evidente. Nunca tivemos tanto entretenimento disponível e, ainda assim, tantas pessoas descrevem dificuldade em concentrar-se, em descansar ou simplesmente em sentir que estão verdadeiramente presentes. Não estou a defender que abandonemos a tecnologia. Seria irrealista e, provavelmente, pouco útil. A questão é outra. Será que ainda sabemos estar connosco, sem precisar de preencher todos os espaços? 

Da próxima vez que sentir vontade de pegar automaticamente no telemóvel, durante um momento de espera, experimente fazer uma coisa diferente. Não faça nada. Pode parecer estranho. Mas talvez descubra que era precisamente esse espaço vazio que a sua mente precisava para voltar a respirar.

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Quando foi a última vez que esperou por alguém sem pegar no telemóvel? Ou que ficou na fila do supermercado apenas a observar o que o rodeava? Ou que conduziu sem música, sem um podcast, sem atender uma chamada? Provavelmente, já nem se lembra.

Vivemos numa época em que, qualquer segundo livre, parece precisar de ser preenchido.

Se existe um momento de silêncio, procuramos um vídeo. Se surge um intervalo, abrimos uma aplicação. Se sentimos um ligeiro desconforto, procuramos distração. Sem percebermos, transformámos o aborrecimento num inimigo. Mas será que ele merece essa fama?

Durante muito tempo, acreditou-se que o tédio era apenas perda de tempo. Hoje, sabemos que não é assim. Quando a mente não está constantemente ocupada a responder a estímulos externos, ativa redes cerebrais importantes para a criatividade, a memória, a autorreflexão e a resolução de problemas. É nesses momentos, aparentemente vazios, que organizamos pensamentos, processamos emoções e, muitas vezes, encontramos respostas que andávamos à procura. O problema é que estamos cada vez menos disponíveis para esses momentos. Não porque sejamos mais impacientes do que as gerações anteriores. Mas porque vivemos rodeados de estímulos concebidos para captar a nossa atenção.

As notificações, os vídeos curtos, as atualizações permanentes e o acesso imediato à informação habituaram o cérebro a procurar novidade a cada instante. E um cérebro habituado a estímulos constantes começa a estranhar o silêncio. Talvez por isso tantas pessoas digam que não conseguem estar sozinhas com os próprios pensamentos. Não porque exista algo de errado com elas, mas porque já não treinam essa capacidade.

O paradoxo é evidente. Nunca tivemos tanto entretenimento disponível e, ainda assim, tantas pessoas descrevem dificuldade em concentrar-se, em descansar ou simplesmente em sentir que estão verdadeiramente presentes. Não estou a defender que abandonemos a tecnologia. Seria irrealista e, provavelmente, pouco útil. A questão é outra. Será que ainda sabemos estar connosco, sem precisar de preencher todos os espaços? 

Da próxima vez que sentir vontade de pegar automaticamente no telemóvel, durante um momento de espera, experimente fazer uma coisa diferente. Não faça nada. Pode parecer estranho. Mas talvez descubra que era precisamente esse espaço vazio que a sua mente precisava para voltar a respirar.

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