
#Protagonistas
TATIANA FIGUEIREDO: "Sou mais empreendedora hoje, e sinto-me mais empoderada"
Esteve 17 anos na TVI, como jornalista, repórter, apresentadora e coordenadora. Nesta entrevista, faz o balanço de três anos de trabalho freelancer na área da comunicação. Hoje, é assessora de comunicação, apresentadora de eventos, criadora de conteúdos. Também é mais livre, mais consciente do seu valor, e sente-se mais pronta para enfrentar o mundo.
No dia 31 de janeiro, cumpriram-se três anos desde que saíste da TVI. Qual é o balanço que fazes deste tempo?
TATIANA FIGUEIREDO — Um balanço muito positivo. Têm sido três anos felizes, com novos desafios, de grande crescimento pessoal e profissional. Hoje, conheço-me melhor a todos os níveis. Na realidade, acredito que precisava desta experiência, de me lançar ao mundo, fazer novos voos, de me sentir aprendiz novamente. E, embora os dias não sejam todos fáceis, no final, o saldo é muito positivo. Trabalho sozinha, nunca mais fui de férias sem levar o computador atrás, sou todas as vertentes do meu trabalho, mas faço-o com muita liberdade, consciência e responsabilidade. Estar fora da minha zona de conforto despertou em mim uma força que estava adormecida, e fez com que olhasse as minhas fragilidades de forma diferente. Agarrei nessas inseguranças e transformei-as em algo bom. Sair da TVI e “deixar para trás” décadas de dedicação e trabalho foi uma decisão muito pensada e ponderada, mas quando o fiz, estava certa e confiante de que o que estava cá fora, à minha espera, seria incrível. E foi. Está a ser!

Nos últimos três anos, Tatiana Figueiredo tem-se dedicado a vários papéis na área da comunicação, em regime freelancer
Consegues recordar-te qual foi a primeira decisão “de empresária” que tiveste mesmo de tomar?
T.F. — Ao início, o mais complexo para mim foi dar um valor financeiro à minha experiência profissional, à minha carteira de contactos, ao meu trabalho. Lembro-me de receber pedidos de orçamentos e ficar nervosa, ansiosa, sem saber o que fazer. O meu marido foi uma ajuda preciosa neste sentido (e em muitos outros). Ele costumava dizer-me: “tens de saber quanto vale a tua hora!”. E esse foi o primeiro passo para começar aos poucos a mover-me como freelancer. Não estava habituada a fazer isto, nunca foi preciso porque, quando trabalhamos numa empresa, esse valor é dado por outras pessoas. E agora não, sou eu que decido.
O que é que a vida de repórter te ensinou sobre pessoas e narrativas que hoje aplicas, de forma muito concreta, na assessoria de comunicação e na criação de conteúdos?
T.F. — Acredito que ser jornalista, e ter trabalhado num meio de comunicação social, é uma mais-valia na assessoria de imprensa porque me faz compreender o que os meios procuram, que temas e abordagens têm mais impacto, que histórias podem ser mais interessantes. Além disso, estar habituada a escrever também me ajuda na elaboração dos press releases e na revisão dos artigos de opinião dos meus clientes. É um outro lado da comunicação que me tem apaixonado muito, apesar de ser um caminho recente e estar a desbravar terreno sozinha. Percebi que os meus anos como jornalista me deram muita sensibilidade.
"Aprendi que mudar é bom, faz-nos bem"
Nestes três anos, qual foi a tua maior conquista profissional em regime freelancer?
T.F. — Sem dúvida, que confiar mais no meu valor profissional tem sido a maior conquista. Isso reflete-se, depois, na forma como lido com os clientes, como faço a gestão de todas as responsabilidades e tarefas e, até como aceito ou não, novos trabalhos. Aprendi que mudar é bom, faz-nos bem e tenho tido muita sorte (com muito esforço e dedicação) nestes últimos anos.
Do que sentes mais saudades do tempo da televisão?
T.F. — Sinto saudades de algumas pessoas, de momentos específicos que vivi nos quase 17 anos na TVI, de alguns programas, do trabalho meio louco em equipa. Gostava de fazer mais reportagens (que foi sempre a minha paixão) e entrevistas. Mas tenho conseguido um bom equilíbrio nesse sentido, porque me têm surgido vários desafios dentro dessa área. E, claro, existe uma azáfama especial, e quase mágica, no ambiente televisivo que nunca se esquece, mas hoje estou onde quero estar. Vou fazendo trabalhos que me ajudam a matar estas saudades e, quando vou acompanhar algum cliente a programas de televisão, revejo sempre pessoas. Fui muito feliz a fazer televisão, tenho memórias incríveis e bons amigos.
E o que ganhaste com a mudança, em termos de liberdade, tempo, foco e escolha de projetos?
T.F. — Ganhei muito. Para começar, tempo. Percebi que, de facto, o trabalho em televisão nos exige muitas horas, muitas mais do que é suposto. Hoje, sou eu que controlo os meus horários, faço a gestão do meu tempo, conforme as minhas necessidades. E isso foi uma conquista enorme, porque me permite andar mais calma, mais tranquila, menos ansiosa e com tempo de qualidade e presença para outras áreas da minha vida que são muito importantes. Depois, avalio bem todos os pedidos que me chegam e sou muito honesta e transparente. Como trabalho sozinha, tenho mesmo de o ser. Escolho aquilo que acho que me vai fazer bem, com pessoas que me acrescentam e onde vou conseguir fazer um bom trabalho. Se não é para mim, está tudo bem. É uma maturidade que ganhei com a idade e com esta nova experiência profissional.

Tatiana Figueiredo não exclui a possibilidade de voltar a trabalhar por conta de outrem, mas afirma que, neste momento, se sente realizada enquanto freelancer
Qual foi a aprendizagem mais dura deste período?
T.F. — Penso que foi estar sozinha tanto tempo, não ter nenhum tipo de backup, trabalhar completamente sozinha. Ao início, não geria isso muito bem. Depois, fui percebendo que tinha de fazer algumas mudanças, estabelecer alguns limites (até para mim). E, hoje, acho que estou no bom caminho. Esta mudança profissional coincide também com um momento de grande desenvolvimento pessoal, então tudo está interligado.
Como conseguiste estabilidade num negócio de prestação de serviços na área da comunicação?
T.F. — Quando percebemos que não controlamos nada, nem quando temos um trabalho por conta de outrem, isso ajuda a gerir essa ansiedade. Tive muita sorte porque tenho clientes fixos, que estão comigo desde o início, e depois outros trabalhos mais pontuais. Tenho a noção de que isso foi muito importante para me sentir segura e estável. Mas nada dura para sempre e estou preparada para isso. Tal como me preparei para sair da TVI e, com calma, construir este meu pequeno negócio. Não é fácil mas é possível.
Como é que encontras novos projetos e clientes?
T.F. — Tem sido muito no diálogo, muitos projetos vêm ter comigo e estou mais atenta. Percebi cedo que tinha de me movimentar: ir, fazer, acontecer e isso depois gera fluxo, contactos, passa a palavra. Não tenho site, não tenho página de instagram só de assessoria. E gosto disso.

Recentemente, Tatiana Figueiredo lançou o podcast É preciso Mais que Chá, onde tem conversas com especialistas na área da saúde, bem-estar e desenvolvimento pessoal
Como geres a fronteira entre a “marca pessoal” e o trabalho para as marcas ou clientes?
T.F. — De forma muito tranquila e fácil. Nunca senti que tivesse uma “marca pessoal”, nem mesmo nos meus tempos de TVI. Mas trabalho em várias vertentes porque eu também sou várias mulheres: sou apresentadora de eventos corporate, continuo a ser jornalista/repórter, também sou produtora de eventos e assessora de imprensa. E movimento-me muito bem nestas áreas todas. Os meus clientes conhecem o meu background e sabem que trabalho nestas áreas todas. E até costuma ser positivo, porque nunca se sabe onde os trabalhos se vão cruzar, eventualmente. Já fiz reportagem em eventos que, posteriormente, foram palco para clientes meus de assessoria. E adoro que seja assim, gosto de fazer coisas diferentes todos os dias.
Que conselhos darias a alguém que quer sair de um trabalho institucional para ser freelancer, mas que tem medo?
T.F. — Dar conselhos é de grande responsabilidade! Penso que depende muito da fase de vida de cada um. Acima de tudo, não devemos ter medo de mudar (seja onde for). E na verdade, instabilidade existe em qualquer emprego. Claro que ser freelancer traz novos desafios, mas também muita adrenalina e liberdade. Lutei muito para perder os meus medos e consegui. Penso todos os dias: se acontecer alguma coisa e tudo isto cair, agarro em mim e vou trabalhar onde for. Não tenho medo disso. Acho que me ajuda muito a estar tranquila e a confiar neste meu momento de vida. É ter força, confiar e agarrar as oportunidades. E claro, ter uma boa base em casa que me ajuda, que incentiva e confia em mim. Sou mais empreendedora hoje, e sinto-me mais empoderada. Se voltar para uma empresa, sei que serei uma Tatiana diferente por ter passado por esta fase.

#Protagonistas
TATIANA FIGUEIREDO: "Sou mais empreendedora hoje, e sinto-me mais empoderada"
Esteve 17 anos na TVI, como jornalista, repórter, apresentadora e coordenadora. Nesta entrevista, faz o balanço de três anos de trabalho freelancer na área da comunicação. Hoje, é assessora de comunicação, apresentadora de eventos, criadora de conteúdos. Também é mais livre, mais consciente do seu valor, e sente-se mais pronta para enfrentar o mundo.
No dia 31 de janeiro, cumpriram-se três anos desde que saíste da TVI. Qual é o balanço que fazes deste tempo?
TATIANA FIGUEIREDO — Um balanço muito positivo. Têm sido três anos felizes, com novos desafios, de grande crescimento pessoal e profissional. Hoje, conheço-me melhor a todos os níveis. Na realidade, acredito que precisava desta experiência, de me lançar ao mundo, fazer novos voos, de me sentir aprendiz novamente. E, embora os dias não sejam todos fáceis, no final, o saldo é muito positivo. Trabalho sozinha, nunca mais fui de férias sem levar o computador atrás, sou todas as vertentes do meu trabalho, mas faço-o com muita liberdade, consciência e responsabilidade. Estar fora da minha zona de conforto despertou em mim uma força que estava adormecida, e fez com que olhasse as minhas fragilidades de forma diferente. Agarrei nessas inseguranças e transformei-as em algo bom. Sair da TVI e “deixar para trás” décadas de dedicação e trabalho foi uma decisão muito pensada e ponderada, mas quando o fiz, estava certa e confiante de que o que estava cá fora, à minha espera, seria incrível. E foi. Está a ser!

Nos últimos três anos, Tatiana Figueiredo tem-se dedicado a vários papéis na área da comunicação, em regime freelancer
Consegues recordar-te qual foi a primeira decisão “de empresária” que tiveste mesmo de tomar?
T.F. — Ao início, o mais complexo para mim foi dar um valor financeiro à minha experiência profissional, à minha carteira de contactos, ao meu trabalho. Lembro-me de receber pedidos de orçamentos e ficar nervosa, ansiosa, sem saber o que fazer. O meu marido foi uma ajuda preciosa neste sentido (e em muitos outros). Ele costumava dizer-me: “tens de saber quanto vale a tua hora!”. E esse foi o primeiro passo para começar aos poucos a mover-me como freelancer. Não estava habituada a fazer isto, nunca foi preciso porque, quando trabalhamos numa empresa, esse valor é dado por outras pessoas. E agora não, sou eu que decido.
O que é que a vida de repórter te ensinou sobre pessoas e narrativas que hoje aplicas, de forma muito concreta, na assessoria de comunicação e na criação de conteúdos?
T.F. — Acredito que ser jornalista, e ter trabalhado num meio de comunicação social, é uma mais-valia na assessoria de imprensa porque me faz compreender o que os meios procuram, que temas e abordagens têm mais impacto, que histórias podem ser mais interessantes. Além disso, estar habituada a escrever também me ajuda na elaboração dos press releases e na revisão dos artigos de opinião dos meus clientes. É um outro lado da comunicação que me tem apaixonado muito, apesar de ser um caminho recente e estar a desbravar terreno sozinha. Percebi que os meus anos como jornalista me deram muita sensibilidade.
"Aprendi que mudar é bom, faz-nos bem"
Nestes três anos, qual foi a tua maior conquista profissional em regime freelancer?
T.F. — Sem dúvida, que confiar mais no meu valor profissional tem sido a maior conquista. Isso reflete-se, depois, na forma como lido com os clientes, como faço a gestão de todas as responsabilidades e tarefas e, até como aceito ou não, novos trabalhos. Aprendi que mudar é bom, faz-nos bem e tenho tido muita sorte (com muito esforço e dedicação) nestes últimos anos.
Do que sentes mais saudades do tempo da televisão?
T.F. — Sinto saudades de algumas pessoas, de momentos específicos que vivi nos quase 17 anos na TVI, de alguns programas, do trabalho meio louco em equipa. Gostava de fazer mais reportagens (que foi sempre a minha paixão) e entrevistas. Mas tenho conseguido um bom equilíbrio nesse sentido, porque me têm surgido vários desafios dentro dessa área. E, claro, existe uma azáfama especial, e quase mágica, no ambiente televisivo que nunca se esquece, mas hoje estou onde quero estar. Vou fazendo trabalhos que me ajudam a matar estas saudades e, quando vou acompanhar algum cliente a programas de televisão, revejo sempre pessoas. Fui muito feliz a fazer televisão, tenho memórias incríveis e bons amigos.
E o que ganhaste com a mudança, em termos de liberdade, tempo, foco e escolha de projetos?
T.F. — Ganhei muito. Para começar, tempo. Percebi que, de facto, o trabalho em televisão nos exige muitas horas, muitas mais do que é suposto. Hoje, sou eu que controlo os meus horários, faço a gestão do meu tempo, conforme as minhas necessidades. E isso foi uma conquista enorme, porque me permite andar mais calma, mais tranquila, menos ansiosa e com tempo de qualidade e presença para outras áreas da minha vida que são muito importantes. Depois, avalio bem todos os pedidos que me chegam e sou muito honesta e transparente. Como trabalho sozinha, tenho mesmo de o ser. Escolho aquilo que acho que me vai fazer bem, com pessoas que me acrescentam e onde vou conseguir fazer um bom trabalho. Se não é para mim, está tudo bem. É uma maturidade que ganhei com a idade e com esta nova experiência profissional.

Tatiana Figueiredo não exclui a possibilidade de voltar a trabalhar por conta de outrem, mas afirma que, neste momento, se sente realizada enquanto freelancer
Qual foi a aprendizagem mais dura deste período?
T.F. — Penso que foi estar sozinha tanto tempo, não ter nenhum tipo de backup, trabalhar completamente sozinha. Ao início, não geria isso muito bem. Depois, fui percebendo que tinha de fazer algumas mudanças, estabelecer alguns limites (até para mim). E, hoje, acho que estou no bom caminho. Esta mudança profissional coincide também com um momento de grande desenvolvimento pessoal, então tudo está interligado.
Como conseguiste estabilidade num negócio de prestação de serviços na área da comunicação?
T.F. — Quando percebemos que não controlamos nada, nem quando temos um trabalho por conta de outrem, isso ajuda a gerir essa ansiedade. Tive muita sorte porque tenho clientes fixos, que estão comigo desde o início, e depois outros trabalhos mais pontuais. Tenho a noção de que isso foi muito importante para me sentir segura e estável. Mas nada dura para sempre e estou preparada para isso. Tal como me preparei para sair da TVI e, com calma, construir este meu pequeno negócio. Não é fácil mas é possível.
Como é que encontras novos projetos e clientes?
T.F. — Tem sido muito no diálogo, muitos projetos vêm ter comigo e estou mais atenta. Percebi cedo que tinha de me movimentar: ir, fazer, acontecer e isso depois gera fluxo, contactos, passa a palavra. Não tenho site, não tenho página de instagram só de assessoria. E gosto disso.

Recentemente, Tatiana Figueiredo lançou o podcast É preciso Mais que Chá, onde tem conversas com especialistas na área da saúde, bem-estar e desenvolvimento pessoal
Como geres a fronteira entre a “marca pessoal” e o trabalho para as marcas ou clientes?
T.F. — De forma muito tranquila e fácil. Nunca senti que tivesse uma “marca pessoal”, nem mesmo nos meus tempos de TVI. Mas trabalho em várias vertentes porque eu também sou várias mulheres: sou apresentadora de eventos corporate, continuo a ser jornalista/repórter, também sou produtora de eventos e assessora de imprensa. E movimento-me muito bem nestas áreas todas. Os meus clientes conhecem o meu background e sabem que trabalho nestas áreas todas. E até costuma ser positivo, porque nunca se sabe onde os trabalhos se vão cruzar, eventualmente. Já fiz reportagem em eventos que, posteriormente, foram palco para clientes meus de assessoria. E adoro que seja assim, gosto de fazer coisas diferentes todos os dias.
Que conselhos darias a alguém que quer sair de um trabalho institucional para ser freelancer, mas que tem medo?
T.F. — Dar conselhos é de grande responsabilidade! Penso que depende muito da fase de vida de cada um. Acima de tudo, não devemos ter medo de mudar (seja onde for). E na verdade, instabilidade existe em qualquer emprego. Claro que ser freelancer traz novos desafios, mas também muita adrenalina e liberdade. Lutei muito para perder os meus medos e consegui. Penso todos os dias: se acontecer alguma coisa e tudo isto cair, agarro em mim e vou trabalhar onde for. Não tenho medo disso. Acho que me ajuda muito a estar tranquila e a confiar neste meu momento de vida. É ter força, confiar e agarrar as oportunidades. E claro, ter uma boa base em casa que me ajuda, que incentiva e confia em mim. Sou mais empreendedora hoje, e sinto-me mais empoderada. Se voltar para uma empresa, sei que serei uma Tatiana diferente por ter passado por esta fase.

#Protagonistas
TATIANA FIGUEIREDO: "Sou mais empreendedora hoje, e sinto-me mais empoderada"
Esteve 17 anos na TVI, como jornalista, repórter, apresentadora e coordenadora. Nesta entrevista, faz o balanço de três anos de trabalho freelancer na área da comunicação. Hoje, é assessora de comunicação, apresentadora de eventos, criadora de conteúdos. Também é mais livre, mais consciente do seu valor, e sente-se mais pronta para enfrentar o mundo.
No dia 31 de janeiro, cumpriram-se três anos desde que saíste da TVI. Qual é o balanço que fazes deste tempo?
TATIANA FIGUEIREDO — Um balanço muito positivo. Têm sido três anos felizes, com novos desafios, de grande crescimento pessoal e profissional. Hoje, conheço-me melhor a todos os níveis. Na realidade, acredito que precisava desta experiência, de me lançar ao mundo, fazer novos voos, de me sentir aprendiz novamente. E, embora os dias não sejam todos fáceis, no final, o saldo é muito positivo. Trabalho sozinha, nunca mais fui de férias sem levar o computador atrás, sou todas as vertentes do meu trabalho, mas faço-o com muita liberdade, consciência e responsabilidade. Estar fora da minha zona de conforto despertou em mim uma força que estava adormecida, e fez com que olhasse as minhas fragilidades de forma diferente. Agarrei nessas inseguranças e transformei-as em algo bom. Sair da TVI e “deixar para trás” décadas de dedicação e trabalho foi uma decisão muito pensada e ponderada, mas quando o fiz, estava certa e confiante de que o que estava cá fora, à minha espera, seria incrível. E foi. Está a ser!

Nos últimos três anos, Tatiana Figueiredo tem-se dedicado a vários papéis na área da comunicação, em regime freelancer
Consegues recordar-te qual foi a primeira decisão “de empresária” que tiveste mesmo de tomar?
T.F. — Ao início, o mais complexo para mim foi dar um valor financeiro à minha experiência profissional, à minha carteira de contactos, ao meu trabalho. Lembro-me de receber pedidos de orçamentos e ficar nervosa, ansiosa, sem saber o que fazer. O meu marido foi uma ajuda preciosa neste sentido (e em muitos outros). Ele costumava dizer-me: “tens de saber quanto vale a tua hora!”. E esse foi o primeiro passo para começar aos poucos a mover-me como freelancer. Não estava habituada a fazer isto, nunca foi preciso porque, quando trabalhamos numa empresa, esse valor é dado por outras pessoas. E agora não, sou eu que decido.
O que é que a vida de repórter te ensinou sobre pessoas e narrativas que hoje aplicas, de forma muito concreta, na assessoria de comunicação e na criação de conteúdos?
T.F. — Acredito que ser jornalista, e ter trabalhado num meio de comunicação social, é uma mais-valia na assessoria de imprensa porque me faz compreender o que os meios procuram, que temas e abordagens têm mais impacto, que histórias podem ser mais interessantes. Além disso, estar habituada a escrever também me ajuda na elaboração dos press releases e na revisão dos artigos de opinião dos meus clientes. É um outro lado da comunicação que me tem apaixonado muito, apesar de ser um caminho recente e estar a desbravar terreno sozinha. Percebi que os meus anos como jornalista me deram muita sensibilidade.
"Aprendi que mudar é bom, faz-nos bem"
Nestes três anos, qual foi a tua maior conquista profissional em regime freelancer?
T.F. — Sem dúvida, que confiar mais no meu valor profissional tem sido a maior conquista. Isso reflete-se, depois, na forma como lido com os clientes, como faço a gestão de todas as responsabilidades e tarefas e, até como aceito ou não, novos trabalhos. Aprendi que mudar é bom, faz-nos bem e tenho tido muita sorte (com muito esforço e dedicação) nestes últimos anos.
Do que sentes mais saudades do tempo da televisão?
T.F. — Sinto saudades de algumas pessoas, de momentos específicos que vivi nos quase 17 anos na TVI, de alguns programas, do trabalho meio louco em equipa. Gostava de fazer mais reportagens (que foi sempre a minha paixão) e entrevistas. Mas tenho conseguido um bom equilíbrio nesse sentido, porque me têm surgido vários desafios dentro dessa área. E, claro, existe uma azáfama especial, e quase mágica, no ambiente televisivo que nunca se esquece, mas hoje estou onde quero estar. Vou fazendo trabalhos que me ajudam a matar estas saudades e, quando vou acompanhar algum cliente a programas de televisão, revejo sempre pessoas. Fui muito feliz a fazer televisão, tenho memórias incríveis e bons amigos.
E o que ganhaste com a mudança, em termos de liberdade, tempo, foco e escolha de projetos?
T.F. — Ganhei muito. Para começar, tempo. Percebi que, de facto, o trabalho em televisão nos exige muitas horas, muitas mais do que é suposto. Hoje, sou eu que controlo os meus horários, faço a gestão do meu tempo, conforme as minhas necessidades. E isso foi uma conquista enorme, porque me permite andar mais calma, mais tranquila, menos ansiosa e com tempo de qualidade e presença para outras áreas da minha vida que são muito importantes. Depois, avalio bem todos os pedidos que me chegam e sou muito honesta e transparente. Como trabalho sozinha, tenho mesmo de o ser. Escolho aquilo que acho que me vai fazer bem, com pessoas que me acrescentam e onde vou conseguir fazer um bom trabalho. Se não é para mim, está tudo bem. É uma maturidade que ganhei com a idade e com esta nova experiência profissional.

Tatiana Figueiredo não exclui a possibilidade de voltar a trabalhar por conta de outrem, mas afirma que, neste momento, se sente realizada enquanto freelancer
Qual foi a aprendizagem mais dura deste período?
T.F. — Penso que foi estar sozinha tanto tempo, não ter nenhum tipo de backup, trabalhar completamente sozinha. Ao início, não geria isso muito bem. Depois, fui percebendo que tinha de fazer algumas mudanças, estabelecer alguns limites (até para mim). E, hoje, acho que estou no bom caminho. Esta mudança profissional coincide também com um momento de grande desenvolvimento pessoal, então tudo está interligado.
Como conseguiste estabilidade num negócio de prestação de serviços na área da comunicação?
T.F. — Quando percebemos que não controlamos nada, nem quando temos um trabalho por conta de outrem, isso ajuda a gerir essa ansiedade. Tive muita sorte porque tenho clientes fixos, que estão comigo desde o início, e depois outros trabalhos mais pontuais. Tenho a noção de que isso foi muito importante para me sentir segura e estável. Mas nada dura para sempre e estou preparada para isso. Tal como me preparei para sair da TVI e, com calma, construir este meu pequeno negócio. Não é fácil mas é possível.
Como é que encontras novos projetos e clientes?
T.F. — Tem sido muito no diálogo, muitos projetos vêm ter comigo e estou mais atenta. Percebi cedo que tinha de me movimentar: ir, fazer, acontecer e isso depois gera fluxo, contactos, passa a palavra. Não tenho site, não tenho página de instagram só de assessoria. E gosto disso.

Recentemente, Tatiana Figueiredo lançou o podcast É preciso Mais que Chá, onde tem conversas com especialistas na área da saúde, bem-estar e desenvolvimento pessoal
Como geres a fronteira entre a “marca pessoal” e o trabalho para as marcas ou clientes?
T.F. — De forma muito tranquila e fácil. Nunca senti que tivesse uma “marca pessoal”, nem mesmo nos meus tempos de TVI. Mas trabalho em várias vertentes porque eu também sou várias mulheres: sou apresentadora de eventos corporate, continuo a ser jornalista/repórter, também sou produtora de eventos e assessora de imprensa. E movimento-me muito bem nestas áreas todas. Os meus clientes conhecem o meu background e sabem que trabalho nestas áreas todas. E até costuma ser positivo, porque nunca se sabe onde os trabalhos se vão cruzar, eventualmente. Já fiz reportagem em eventos que, posteriormente, foram palco para clientes meus de assessoria. E adoro que seja assim, gosto de fazer coisas diferentes todos os dias.
Que conselhos darias a alguém que quer sair de um trabalho institucional para ser freelancer, mas que tem medo?
T.F. — Dar conselhos é de grande responsabilidade! Penso que depende muito da fase de vida de cada um. Acima de tudo, não devemos ter medo de mudar (seja onde for). E na verdade, instabilidade existe em qualquer emprego. Claro que ser freelancer traz novos desafios, mas também muita adrenalina e liberdade. Lutei muito para perder os meus medos e consegui. Penso todos os dias: se acontecer alguma coisa e tudo isto cair, agarro em mim e vou trabalhar onde for. Não tenho medo disso. Acho que me ajuda muito a estar tranquila e a confiar neste meu momento de vida. É ter força, confiar e agarrar as oportunidades. E claro, ter uma boa base em casa que me ajuda, que incentiva e confia em mim. Sou mais empreendedora hoje, e sinto-me mais empoderada. Se voltar para uma empresa, sei que serei uma Tatiana diferente por ter passado por esta fase.

#Protagonistas
TATIANA FIGUEIREDO: "Sou mais empreendedora hoje, e sinto-me mais empoderada"
Esteve 17 anos na TVI, como jornalista, repórter, apresentadora e coordenadora. Nesta entrevista, faz o balanço de três anos de trabalho freelancer na área da comunicação. Hoje, é assessora de comunicação, apresentadora de eventos, criadora de conteúdos. Também é mais livre, mais consciente do seu valor, e sente-se mais pronta para enfrentar o mundo.
No dia 31 de janeiro, cumpriram-se três anos desde que saíste da TVI. Qual é o balanço que fazes deste tempo?
TATIANA FIGUEIREDO — Um balanço muito positivo. Têm sido três anos felizes, com novos desafios, de grande crescimento pessoal e profissional. Hoje, conheço-me melhor a todos os níveis. Na realidade, acredito que precisava desta experiência, de me lançar ao mundo, fazer novos voos, de me sentir aprendiz novamente. E, embora os dias não sejam todos fáceis, no final, o saldo é muito positivo. Trabalho sozinha, nunca mais fui de férias sem levar o computador atrás, sou todas as vertentes do meu trabalho, mas faço-o com muita liberdade, consciência e responsabilidade. Estar fora da minha zona de conforto despertou em mim uma força que estava adormecida, e fez com que olhasse as minhas fragilidades de forma diferente. Agarrei nessas inseguranças e transformei-as em algo bom. Sair da TVI e “deixar para trás” décadas de dedicação e trabalho foi uma decisão muito pensada e ponderada, mas quando o fiz, estava certa e confiante de que o que estava cá fora, à minha espera, seria incrível. E foi. Está a ser!

Nos últimos três anos, Tatiana Figueiredo tem-se dedicado a vários papéis na área da comunicação, em regime freelancer
Consegues recordar-te qual foi a primeira decisão “de empresária” que tiveste mesmo de tomar?
T.F. — Ao início, o mais complexo para mim foi dar um valor financeiro à minha experiência profissional, à minha carteira de contactos, ao meu trabalho. Lembro-me de receber pedidos de orçamentos e ficar nervosa, ansiosa, sem saber o que fazer. O meu marido foi uma ajuda preciosa neste sentido (e em muitos outros). Ele costumava dizer-me: “tens de saber quanto vale a tua hora!”. E esse foi o primeiro passo para começar aos poucos a mover-me como freelancer. Não estava habituada a fazer isto, nunca foi preciso porque, quando trabalhamos numa empresa, esse valor é dado por outras pessoas. E agora não, sou eu que decido.
O que é que a vida de repórter te ensinou sobre pessoas e narrativas que hoje aplicas, de forma muito concreta, na assessoria de comunicação e na criação de conteúdos?
T.F. — Acredito que ser jornalista, e ter trabalhado num meio de comunicação social, é uma mais-valia na assessoria de imprensa porque me faz compreender o que os meios procuram, que temas e abordagens têm mais impacto, que histórias podem ser mais interessantes. Além disso, estar habituada a escrever também me ajuda na elaboração dos press releases e na revisão dos artigos de opinião dos meus clientes. É um outro lado da comunicação que me tem apaixonado muito, apesar de ser um caminho recente e estar a desbravar terreno sozinha. Percebi que os meus anos como jornalista me deram muita sensibilidade.
"Aprendi que mudar é bom, faz-nos bem"
Nestes três anos, qual foi a tua maior conquista profissional em regime freelancer?
T.F. — Sem dúvida, que confiar mais no meu valor profissional tem sido a maior conquista. Isso reflete-se, depois, na forma como lido com os clientes, como faço a gestão de todas as responsabilidades e tarefas e, até como aceito ou não, novos trabalhos. Aprendi que mudar é bom, faz-nos bem e tenho tido muita sorte (com muito esforço e dedicação) nestes últimos anos.
Do que sentes mais saudades do tempo da televisão?
T.F. — Sinto saudades de algumas pessoas, de momentos específicos que vivi nos quase 17 anos na TVI, de alguns programas, do trabalho meio louco em equipa. Gostava de fazer mais reportagens (que foi sempre a minha paixão) e entrevistas. Mas tenho conseguido um bom equilíbrio nesse sentido, porque me têm surgido vários desafios dentro dessa área. E, claro, existe uma azáfama especial, e quase mágica, no ambiente televisivo que nunca se esquece, mas hoje estou onde quero estar. Vou fazendo trabalhos que me ajudam a matar estas saudades e, quando vou acompanhar algum cliente a programas de televisão, revejo sempre pessoas. Fui muito feliz a fazer televisão, tenho memórias incríveis e bons amigos.
E o que ganhaste com a mudança, em termos de liberdade, tempo, foco e escolha de projetos?
T.F. — Ganhei muito. Para começar, tempo. Percebi que, de facto, o trabalho em televisão nos exige muitas horas, muitas mais do que é suposto. Hoje, sou eu que controlo os meus horários, faço a gestão do meu tempo, conforme as minhas necessidades. E isso foi uma conquista enorme, porque me permite andar mais calma, mais tranquila, menos ansiosa e com tempo de qualidade e presença para outras áreas da minha vida que são muito importantes. Depois, avalio bem todos os pedidos que me chegam e sou muito honesta e transparente. Como trabalho sozinha, tenho mesmo de o ser. Escolho aquilo que acho que me vai fazer bem, com pessoas que me acrescentam e onde vou conseguir fazer um bom trabalho. Se não é para mim, está tudo bem. É uma maturidade que ganhei com a idade e com esta nova experiência profissional.

Tatiana Figueiredo não exclui a possibilidade de voltar a trabalhar por conta de outrem, mas afirma que, neste momento, se sente realizada enquanto freelancer
Qual foi a aprendizagem mais dura deste período?
T.F. — Penso que foi estar sozinha tanto tempo, não ter nenhum tipo de backup, trabalhar completamente sozinha. Ao início, não geria isso muito bem. Depois, fui percebendo que tinha de fazer algumas mudanças, estabelecer alguns limites (até para mim). E, hoje, acho que estou no bom caminho. Esta mudança profissional coincide também com um momento de grande desenvolvimento pessoal, então tudo está interligado.
Como conseguiste estabilidade num negócio de prestação de serviços na área da comunicação?
T.F. — Quando percebemos que não controlamos nada, nem quando temos um trabalho por conta de outrem, isso ajuda a gerir essa ansiedade. Tive muita sorte porque tenho clientes fixos, que estão comigo desde o início, e depois outros trabalhos mais pontuais. Tenho a noção de que isso foi muito importante para me sentir segura e estável. Mas nada dura para sempre e estou preparada para isso. Tal como me preparei para sair da TVI e, com calma, construir este meu pequeno negócio. Não é fácil mas é possível.
Como é que encontras novos projetos e clientes?
T.F. — Tem sido muito no diálogo, muitos projetos vêm ter comigo e estou mais atenta. Percebi cedo que tinha de me movimentar: ir, fazer, acontecer e isso depois gera fluxo, contactos, passa a palavra. Não tenho site, não tenho página de instagram só de assessoria. E gosto disso.

Recentemente, Tatiana Figueiredo lançou o podcast É preciso Mais que Chá, onde tem conversas com especialistas na área da saúde, bem-estar e desenvolvimento pessoal
Como geres a fronteira entre a “marca pessoal” e o trabalho para as marcas ou clientes?
T.F. — De forma muito tranquila e fácil. Nunca senti que tivesse uma “marca pessoal”, nem mesmo nos meus tempos de TVI. Mas trabalho em várias vertentes porque eu também sou várias mulheres: sou apresentadora de eventos corporate, continuo a ser jornalista/repórter, também sou produtora de eventos e assessora de imprensa. E movimento-me muito bem nestas áreas todas. Os meus clientes conhecem o meu background e sabem que trabalho nestas áreas todas. E até costuma ser positivo, porque nunca se sabe onde os trabalhos se vão cruzar, eventualmente. Já fiz reportagem em eventos que, posteriormente, foram palco para clientes meus de assessoria. E adoro que seja assim, gosto de fazer coisas diferentes todos os dias.
Que conselhos darias a alguém que quer sair de um trabalho institucional para ser freelancer, mas que tem medo?
T.F. — Dar conselhos é de grande responsabilidade! Penso que depende muito da fase de vida de cada um. Acima de tudo, não devemos ter medo de mudar (seja onde for). E na verdade, instabilidade existe em qualquer emprego. Claro que ser freelancer traz novos desafios, mas também muita adrenalina e liberdade. Lutei muito para perder os meus medos e consegui. Penso todos os dias: se acontecer alguma coisa e tudo isto cair, agarro em mim e vou trabalhar onde for. Não tenho medo disso. Acho que me ajuda muito a estar tranquila e a confiar neste meu momento de vida. É ter força, confiar e agarrar as oportunidades. E claro, ter uma boa base em casa que me ajuda, que incentiva e confia em mim. Sou mais empreendedora hoje, e sinto-me mais empoderada. Se voltar para uma empresa, sei que serei uma Tatiana diferente por ter passado por esta fase.




