#Protagonistas

VÍTOR FERREIRA, CEO STARTUP LEIRIA: "Passámos de uma incubadora local para um operador de inovação regional"

Mais de 180 empresas incubadas, criação de mais de 1 100 postos de trabalho qualificados e levantamento de cerca de 60 milhões de euros são dados que fazem um retrato muito auspicioso da Startup Leiria. Nesta entrevista, o CEO faz um balanço do caminho trilhado e traça as linhas do futuro.

|

19 de fev. de 2026, 13:37

Como descreve a evolução do ecossistema empreendedor da sua cidade, desde a criação da Startup Leiria até hoje, e quais foram os principais marcos desta trajetória?

VÍTOR FERREIRA — A evolução tem sido marcada pela transformação de Leiria no que chamamos de "Full Stack Valley": uma região onde é possível ir da ideia à produção em massa, unindo a nossa forte base industrial tecnológica ao empreendedorismo digital. A nossa génese remonta a 2004, com a Incubadora D. Dinis, mas o grande ponto de viragem foi a fusão, em 2020, que criou a marca Startup Leiria, unificando a "porta de entrada" para empreendedores e investidores. Hoje, somos um ecossistema com mais de 180 empresas incubadas e uma taxa de ocupação a roçar os 100%. Os marcos mais significativos incluem a criação de mais de 1 100 postos de trabalho qualificados e o levantamento de cerca de 60 milhões de euros em capital de risco pelas nossas startups apenas no biénio 2024/2025. Passámos de uma incubadora local para um operador de inovação regional, gerindo agora hubs em Alcanena, Ansião, Alcobaça e agora Coimbra, em parceria com o IPC.


Além de CEO, Vítor Ferreira é sócio-fundador da Startup Leiria


O reconhecimento como um dos hubs de inovação mais promissores da Europa, em 68º no ranking do Financial Times, foi um marco importante. Que impacto essa distinção teve no posicionamento da incubadora e na atração de talentos e capital?

V.F. — Foi um momento de enorme orgulho e, acima de tudo, uma validação externa da nossa estratégia de excelência. Nunca definimos como objetivo primário "ganhar rankings", mas sim construir uma organização de classe mundial. O reconhecimento foi a consequência direta desse foco na qualidade e no impacto mensurável. Este selo de qualidade, juntamente com o facto de sermos o 3º melhor ecossistema de Portugal, segundo a StartupBlink, colocou Leiria no radar internacional. Hoje, temos cerca de 30% de fundadores internacionais no nosso ecossistema. Este prestígio mitiga o risco para investidores e parceiros corporativos, provando que, mesmo fora das capitais, existe massa crítica, talento e capacidade de execução ao nível dos melhores da Europa.

Quais são os principais critérios e prioridades que orientam a seleção de projetos para incubação ou aceleração na Startup Leiria?

V.F. — Embora sejamos um hub agnóstico, damos preferência a projetos de base tecnológica ou com elevado potencial de inovação. Na avaliação, o critério número um é sempre a equipa. Avaliamos a sua competência técnica, capacidade de gestão e motivação. Além disso, olhamos para a escalabilidade do modelo de negócio, o grau de inovação da solução e o potencial de internacionalização. Valorizamos também projetos que criem sinergias com o tecido industrial da região (o tal "impacto no sistema regional de inovação"). No caso dos nossos programas de aceleração, como o Set UP, procuramos startups que já tenham um MVP ou estejam em fase de validação de mercado, prontas para crescer.


A Startup Leiria organiza dezenas de eventos ao longo do ano. O PITX é descrito como "o maior evento do ano para as startups de Leiria"


Como conseguem equilibrar o apoio a startups tecnológicas com iniciativas de impacto social e inovação sustentável?

V.F. — Para nós, não é uma questão de equilíbrio, mas de integração numa lógica de "Triple Bottom Line": valor económico, social e ambiental. A nossa missão é potenciar a felicidade e resolver problemas reais da comunidade. Por isso, gerimos uma incubadora dedicada à inovação social, que já apoiou mais de 20 projetos, desde apps para o autismo a soluções para a terceira idade. Estamos a lançar a "Social Spin-off Academy" para transformar investigação académica e desafios municipais em negócios sociais sustentáveis. Acreditamos que a tecnologia deve servir um propósito, e é por isso que integramos estas vertentes no mesmo ecossistema vibrante, onde uma startup de IA pode partilhar o espaço com um projeto de inclusão social.

Que papel desempenham as parcerias com universidades, instituições públicas e investidores no fortalecimento do ecossistema de Leiria, e como essas colaborações influenciam o desenvolvimento das startups incubadas?

V.F. — O nosso modelo de governação é uma "Tripla Hélice" clássica: Academia (Politécnico de Leiria), Indústria (NERLEI) e Governo (Câmara Municipal). Esta estrutura é vital. As parcerias com o Politécnico garantem-nos acesso a talento e I&D, e estamos agora a expandir essa ligação ao Politécnico de Coimbra para criar uma "Academia de Spin-offs". Do lado da indústria, temos parceiros como o Grupo Lusiaves e a inCentea que abrem portas para testes reais de produtos. Programas como o "Vodafone Living Lab" ou o "Future Builders" com a Visabeira permitem que as nossas startups validem as suas soluções em ambiente corporativo real, acelerando a sua entrada no mercado. Sem esta rede, seríamos apenas um espaço de escritórios; com ela, somos um motor de negócios.


As instalações da Startup Leiria incluem todas as comodidades e áreas específicas para as diferentes necessidades das equipas


O programa Set Up e o recente Defense Accelerator ilustram diferentes vertentes de apoio. Como definem a estratégia para criar programas especializados e quais são os desafios associados?

V.F. — A nossa estratégia passa por "verticalizar" onde a região tem vantagens competitivas. O programa Set Up é a nossa base horizontal, focada nas competências essenciais de negócio para qualquer startup tecnológica. Já o Defense Accelerator nasce da identificação de uma oportunidade única: capacitar a nossa indústria de moldes, plásticos e engenharia para o setor da Defesa (tecnologias de duplo uso), em parceria com a TEKEVER e a idD Portugal Defence. O desafio aqui é a complexidade técnica e regulatória — lidar com licenciamentos, credenciação de segurança e acesso a fundos como o da NATO (DIANA). O nosso papel é traduzir essa complexidade e criar uma ponte entre as PME ágeis e os grandes requisitos da defesa.

Olhando para os próximos anos, como encara o crescimento do ecossistema de Leiria?

V.F. — A recente depressão Kristin foi um choque  e também um espelho. Mostrou como uma região industrial pode ser, ao mesmo tempo, extraordinariamente capaz e estruturalmente vulnerável. A recuperação em curso tem de ser rápida, mas sobretudo inteligente: um plano de modernização acelerada das PME, com redundâncias, digitalização e eficiência, e com uma estratégia clara de diversificação para mercados onde a região pode ganhar, do agroalimentar tecnológico ao dual-use, da cibersegurança à indústria avançada. A nossa ambição é simples: transformar a reconstrução numa oportunidade de competitividade, ligando PME e startups a corporates que permitem testes, escala e acesso a novos mercados, porque é aí que a inovação deixa de ser discurso e passa a ser contrato. A estratégia para 2026/2030 focar-se-á, assim, no apoio regional, na internacionalização, atraindo mais investimento estrangeiro, e na especialização em áreas como Cibersegurança, Agrotech, Defesa e Indústria 5.0. Queremos continuar a ser uma "team of givers", mantendo a cultura de proximidade enquanto escalamos o impacto regional e nacional.

#Protagonistas

VÍTOR FERREIRA, CEO STARTUP LEIRIA: "Passámos de uma incubadora local para um operador de inovação regional"

Mais de 180 empresas incubadas, criação de mais de 1 100 postos de trabalho qualificados e levantamento de cerca de 60 milhões de euros são dados que fazem um retrato muito auspicioso da Startup Leiria. Nesta entrevista, o CEO faz um balanço do caminho trilhado e traça as linhas do futuro.

|

19 de fev. de 2026, 13:37

Como descreve a evolução do ecossistema empreendedor da sua cidade, desde a criação da Startup Leiria até hoje, e quais foram os principais marcos desta trajetória?

VÍTOR FERREIRA — A evolução tem sido marcada pela transformação de Leiria no que chamamos de "Full Stack Valley": uma região onde é possível ir da ideia à produção em massa, unindo a nossa forte base industrial tecnológica ao empreendedorismo digital. A nossa génese remonta a 2004, com a Incubadora D. Dinis, mas o grande ponto de viragem foi a fusão, em 2020, que criou a marca Startup Leiria, unificando a "porta de entrada" para empreendedores e investidores. Hoje, somos um ecossistema com mais de 180 empresas incubadas e uma taxa de ocupação a roçar os 100%. Os marcos mais significativos incluem a criação de mais de 1 100 postos de trabalho qualificados e o levantamento de cerca de 60 milhões de euros em capital de risco pelas nossas startups apenas no biénio 2024/2025. Passámos de uma incubadora local para um operador de inovação regional, gerindo agora hubs em Alcanena, Ansião, Alcobaça e agora Coimbra, em parceria com o IPC.


Além de CEO, Vítor Ferreira é sócio-fundador da Startup Leiria


O reconhecimento como um dos hubs de inovação mais promissores da Europa, em 68º no ranking do Financial Times, foi um marco importante. Que impacto essa distinção teve no posicionamento da incubadora e na atração de talentos e capital?

V.F. — Foi um momento de enorme orgulho e, acima de tudo, uma validação externa da nossa estratégia de excelência. Nunca definimos como objetivo primário "ganhar rankings", mas sim construir uma organização de classe mundial. O reconhecimento foi a consequência direta desse foco na qualidade e no impacto mensurável. Este selo de qualidade, juntamente com o facto de sermos o 3º melhor ecossistema de Portugal, segundo a StartupBlink, colocou Leiria no radar internacional. Hoje, temos cerca de 30% de fundadores internacionais no nosso ecossistema. Este prestígio mitiga o risco para investidores e parceiros corporativos, provando que, mesmo fora das capitais, existe massa crítica, talento e capacidade de execução ao nível dos melhores da Europa.

Quais são os principais critérios e prioridades que orientam a seleção de projetos para incubação ou aceleração na Startup Leiria?

V.F. — Embora sejamos um hub agnóstico, damos preferência a projetos de base tecnológica ou com elevado potencial de inovação. Na avaliação, o critério número um é sempre a equipa. Avaliamos a sua competência técnica, capacidade de gestão e motivação. Além disso, olhamos para a escalabilidade do modelo de negócio, o grau de inovação da solução e o potencial de internacionalização. Valorizamos também projetos que criem sinergias com o tecido industrial da região (o tal "impacto no sistema regional de inovação"). No caso dos nossos programas de aceleração, como o Set UP, procuramos startups que já tenham um MVP ou estejam em fase de validação de mercado, prontas para crescer.


A Startup Leiria organiza dezenas de eventos ao longo do ano. O PITX é descrito como "o maior evento do ano para as startups de Leiria"


Como conseguem equilibrar o apoio a startups tecnológicas com iniciativas de impacto social e inovação sustentável?

V.F. — Para nós, não é uma questão de equilíbrio, mas de integração numa lógica de "Triple Bottom Line": valor económico, social e ambiental. A nossa missão é potenciar a felicidade e resolver problemas reais da comunidade. Por isso, gerimos uma incubadora dedicada à inovação social, que já apoiou mais de 20 projetos, desde apps para o autismo a soluções para a terceira idade. Estamos a lançar a "Social Spin-off Academy" para transformar investigação académica e desafios municipais em negócios sociais sustentáveis. Acreditamos que a tecnologia deve servir um propósito, e é por isso que integramos estas vertentes no mesmo ecossistema vibrante, onde uma startup de IA pode partilhar o espaço com um projeto de inclusão social.

Que papel desempenham as parcerias com universidades, instituições públicas e investidores no fortalecimento do ecossistema de Leiria, e como essas colaborações influenciam o desenvolvimento das startups incubadas?

V.F. — O nosso modelo de governação é uma "Tripla Hélice" clássica: Academia (Politécnico de Leiria), Indústria (NERLEI) e Governo (Câmara Municipal). Esta estrutura é vital. As parcerias com o Politécnico garantem-nos acesso a talento e I&D, e estamos agora a expandir essa ligação ao Politécnico de Coimbra para criar uma "Academia de Spin-offs". Do lado da indústria, temos parceiros como o Grupo Lusiaves e a inCentea que abrem portas para testes reais de produtos. Programas como o "Vodafone Living Lab" ou o "Future Builders" com a Visabeira permitem que as nossas startups validem as suas soluções em ambiente corporativo real, acelerando a sua entrada no mercado. Sem esta rede, seríamos apenas um espaço de escritórios; com ela, somos um motor de negócios.


As instalações da Startup Leiria incluem todas as comodidades e áreas específicas para as diferentes necessidades das equipas


O programa Set Up e o recente Defense Accelerator ilustram diferentes vertentes de apoio. Como definem a estratégia para criar programas especializados e quais são os desafios associados?

V.F. — A nossa estratégia passa por "verticalizar" onde a região tem vantagens competitivas. O programa Set Up é a nossa base horizontal, focada nas competências essenciais de negócio para qualquer startup tecnológica. Já o Defense Accelerator nasce da identificação de uma oportunidade única: capacitar a nossa indústria de moldes, plásticos e engenharia para o setor da Defesa (tecnologias de duplo uso), em parceria com a TEKEVER e a idD Portugal Defence. O desafio aqui é a complexidade técnica e regulatória — lidar com licenciamentos, credenciação de segurança e acesso a fundos como o da NATO (DIANA). O nosso papel é traduzir essa complexidade e criar uma ponte entre as PME ágeis e os grandes requisitos da defesa.

Olhando para os próximos anos, como encara o crescimento do ecossistema de Leiria?

V.F. — A recente depressão Kristin foi um choque  e também um espelho. Mostrou como uma região industrial pode ser, ao mesmo tempo, extraordinariamente capaz e estruturalmente vulnerável. A recuperação em curso tem de ser rápida, mas sobretudo inteligente: um plano de modernização acelerada das PME, com redundâncias, digitalização e eficiência, e com uma estratégia clara de diversificação para mercados onde a região pode ganhar, do agroalimentar tecnológico ao dual-use, da cibersegurança à indústria avançada. A nossa ambição é simples: transformar a reconstrução numa oportunidade de competitividade, ligando PME e startups a corporates que permitem testes, escala e acesso a novos mercados, porque é aí que a inovação deixa de ser discurso e passa a ser contrato. A estratégia para 2026/2030 focar-se-á, assim, no apoio regional, na internacionalização, atraindo mais investimento estrangeiro, e na especialização em áreas como Cibersegurança, Agrotech, Defesa e Indústria 5.0. Queremos continuar a ser uma "team of givers", mantendo a cultura de proximidade enquanto escalamos o impacto regional e nacional.

#Protagonistas

VÍTOR FERREIRA, CEO STARTUP LEIRIA: "Passámos de uma incubadora local para um operador de inovação regional"

Mais de 180 empresas incubadas, criação de mais de 1 100 postos de trabalho qualificados e levantamento de cerca de 60 milhões de euros são dados que fazem um retrato muito auspicioso da Startup Leiria. Nesta entrevista, o CEO faz um balanço do caminho trilhado e traça as linhas do futuro.

|

19 de fev. de 2026, 13:37

Como descreve a evolução do ecossistema empreendedor da sua cidade, desde a criação da Startup Leiria até hoje, e quais foram os principais marcos desta trajetória?

VÍTOR FERREIRA — A evolução tem sido marcada pela transformação de Leiria no que chamamos de "Full Stack Valley": uma região onde é possível ir da ideia à produção em massa, unindo a nossa forte base industrial tecnológica ao empreendedorismo digital. A nossa génese remonta a 2004, com a Incubadora D. Dinis, mas o grande ponto de viragem foi a fusão, em 2020, que criou a marca Startup Leiria, unificando a "porta de entrada" para empreendedores e investidores. Hoje, somos um ecossistema com mais de 180 empresas incubadas e uma taxa de ocupação a roçar os 100%. Os marcos mais significativos incluem a criação de mais de 1 100 postos de trabalho qualificados e o levantamento de cerca de 60 milhões de euros em capital de risco pelas nossas startups apenas no biénio 2024/2025. Passámos de uma incubadora local para um operador de inovação regional, gerindo agora hubs em Alcanena, Ansião, Alcobaça e agora Coimbra, em parceria com o IPC.


Além de CEO, Vítor Ferreira é sócio-fundador da Startup Leiria


O reconhecimento como um dos hubs de inovação mais promissores da Europa, em 68º no ranking do Financial Times, foi um marco importante. Que impacto essa distinção teve no posicionamento da incubadora e na atração de talentos e capital?

V.F. — Foi um momento de enorme orgulho e, acima de tudo, uma validação externa da nossa estratégia de excelência. Nunca definimos como objetivo primário "ganhar rankings", mas sim construir uma organização de classe mundial. O reconhecimento foi a consequência direta desse foco na qualidade e no impacto mensurável. Este selo de qualidade, juntamente com o facto de sermos o 3º melhor ecossistema de Portugal, segundo a StartupBlink, colocou Leiria no radar internacional. Hoje, temos cerca de 30% de fundadores internacionais no nosso ecossistema. Este prestígio mitiga o risco para investidores e parceiros corporativos, provando que, mesmo fora das capitais, existe massa crítica, talento e capacidade de execução ao nível dos melhores da Europa.

Quais são os principais critérios e prioridades que orientam a seleção de projetos para incubação ou aceleração na Startup Leiria?

V.F. — Embora sejamos um hub agnóstico, damos preferência a projetos de base tecnológica ou com elevado potencial de inovação. Na avaliação, o critério número um é sempre a equipa. Avaliamos a sua competência técnica, capacidade de gestão e motivação. Além disso, olhamos para a escalabilidade do modelo de negócio, o grau de inovação da solução e o potencial de internacionalização. Valorizamos também projetos que criem sinergias com o tecido industrial da região (o tal "impacto no sistema regional de inovação"). No caso dos nossos programas de aceleração, como o Set UP, procuramos startups que já tenham um MVP ou estejam em fase de validação de mercado, prontas para crescer.


A Startup Leiria organiza dezenas de eventos ao longo do ano. O PITX é descrito como "o maior evento do ano para as startups de Leiria"


Como conseguem equilibrar o apoio a startups tecnológicas com iniciativas de impacto social e inovação sustentável?

V.F. — Para nós, não é uma questão de equilíbrio, mas de integração numa lógica de "Triple Bottom Line": valor económico, social e ambiental. A nossa missão é potenciar a felicidade e resolver problemas reais da comunidade. Por isso, gerimos uma incubadora dedicada à inovação social, que já apoiou mais de 20 projetos, desde apps para o autismo a soluções para a terceira idade. Estamos a lançar a "Social Spin-off Academy" para transformar investigação académica e desafios municipais em negócios sociais sustentáveis. Acreditamos que a tecnologia deve servir um propósito, e é por isso que integramos estas vertentes no mesmo ecossistema vibrante, onde uma startup de IA pode partilhar o espaço com um projeto de inclusão social.

Que papel desempenham as parcerias com universidades, instituições públicas e investidores no fortalecimento do ecossistema de Leiria, e como essas colaborações influenciam o desenvolvimento das startups incubadas?

V.F. — O nosso modelo de governação é uma "Tripla Hélice" clássica: Academia (Politécnico de Leiria), Indústria (NERLEI) e Governo (Câmara Municipal). Esta estrutura é vital. As parcerias com o Politécnico garantem-nos acesso a talento e I&D, e estamos agora a expandir essa ligação ao Politécnico de Coimbra para criar uma "Academia de Spin-offs". Do lado da indústria, temos parceiros como o Grupo Lusiaves e a inCentea que abrem portas para testes reais de produtos. Programas como o "Vodafone Living Lab" ou o "Future Builders" com a Visabeira permitem que as nossas startups validem as suas soluções em ambiente corporativo real, acelerando a sua entrada no mercado. Sem esta rede, seríamos apenas um espaço de escritórios; com ela, somos um motor de negócios.


As instalações da Startup Leiria incluem todas as comodidades e áreas específicas para as diferentes necessidades das equipas


O programa Set Up e o recente Defense Accelerator ilustram diferentes vertentes de apoio. Como definem a estratégia para criar programas especializados e quais são os desafios associados?

V.F. — A nossa estratégia passa por "verticalizar" onde a região tem vantagens competitivas. O programa Set Up é a nossa base horizontal, focada nas competências essenciais de negócio para qualquer startup tecnológica. Já o Defense Accelerator nasce da identificação de uma oportunidade única: capacitar a nossa indústria de moldes, plásticos e engenharia para o setor da Defesa (tecnologias de duplo uso), em parceria com a TEKEVER e a idD Portugal Defence. O desafio aqui é a complexidade técnica e regulatória — lidar com licenciamentos, credenciação de segurança e acesso a fundos como o da NATO (DIANA). O nosso papel é traduzir essa complexidade e criar uma ponte entre as PME ágeis e os grandes requisitos da defesa.

Olhando para os próximos anos, como encara o crescimento do ecossistema de Leiria?

V.F. — A recente depressão Kristin foi um choque  e também um espelho. Mostrou como uma região industrial pode ser, ao mesmo tempo, extraordinariamente capaz e estruturalmente vulnerável. A recuperação em curso tem de ser rápida, mas sobretudo inteligente: um plano de modernização acelerada das PME, com redundâncias, digitalização e eficiência, e com uma estratégia clara de diversificação para mercados onde a região pode ganhar, do agroalimentar tecnológico ao dual-use, da cibersegurança à indústria avançada. A nossa ambição é simples: transformar a reconstrução numa oportunidade de competitividade, ligando PME e startups a corporates que permitem testes, escala e acesso a novos mercados, porque é aí que a inovação deixa de ser discurso e passa a ser contrato. A estratégia para 2026/2030 focar-se-á, assim, no apoio regional, na internacionalização, atraindo mais investimento estrangeiro, e na especialização em áreas como Cibersegurança, Agrotech, Defesa e Indústria 5.0. Queremos continuar a ser uma "team of givers", mantendo a cultura de proximidade enquanto escalamos o impacto regional e nacional.

#Protagonistas

VÍTOR FERREIRA, CEO STARTUP LEIRIA: "Passámos de uma incubadora local para um operador de inovação regional"

Mais de 180 empresas incubadas, criação de mais de 1 100 postos de trabalho qualificados e levantamento de cerca de 60 milhões de euros são dados que fazem um retrato muito auspicioso da Startup Leiria. Nesta entrevista, o CEO faz um balanço do caminho trilhado e traça as linhas do futuro.

|

19 de fev. de 2026, 13:37

Como descreve a evolução do ecossistema empreendedor da sua cidade, desde a criação da Startup Leiria até hoje, e quais foram os principais marcos desta trajetória?

VÍTOR FERREIRA — A evolução tem sido marcada pela transformação de Leiria no que chamamos de "Full Stack Valley": uma região onde é possível ir da ideia à produção em massa, unindo a nossa forte base industrial tecnológica ao empreendedorismo digital. A nossa génese remonta a 2004, com a Incubadora D. Dinis, mas o grande ponto de viragem foi a fusão, em 2020, que criou a marca Startup Leiria, unificando a "porta de entrada" para empreendedores e investidores. Hoje, somos um ecossistema com mais de 180 empresas incubadas e uma taxa de ocupação a roçar os 100%. Os marcos mais significativos incluem a criação de mais de 1 100 postos de trabalho qualificados e o levantamento de cerca de 60 milhões de euros em capital de risco pelas nossas startups apenas no biénio 2024/2025. Passámos de uma incubadora local para um operador de inovação regional, gerindo agora hubs em Alcanena, Ansião, Alcobaça e agora Coimbra, em parceria com o IPC.


Além de CEO, Vítor Ferreira é sócio-fundador da Startup Leiria


O reconhecimento como um dos hubs de inovação mais promissores da Europa, em 68º no ranking do Financial Times, foi um marco importante. Que impacto essa distinção teve no posicionamento da incubadora e na atração de talentos e capital?

V.F. — Foi um momento de enorme orgulho e, acima de tudo, uma validação externa da nossa estratégia de excelência. Nunca definimos como objetivo primário "ganhar rankings", mas sim construir uma organização de classe mundial. O reconhecimento foi a consequência direta desse foco na qualidade e no impacto mensurável. Este selo de qualidade, juntamente com o facto de sermos o 3º melhor ecossistema de Portugal, segundo a StartupBlink, colocou Leiria no radar internacional. Hoje, temos cerca de 30% de fundadores internacionais no nosso ecossistema. Este prestígio mitiga o risco para investidores e parceiros corporativos, provando que, mesmo fora das capitais, existe massa crítica, talento e capacidade de execução ao nível dos melhores da Europa.

Quais são os principais critérios e prioridades que orientam a seleção de projetos para incubação ou aceleração na Startup Leiria?

V.F. — Embora sejamos um hub agnóstico, damos preferência a projetos de base tecnológica ou com elevado potencial de inovação. Na avaliação, o critério número um é sempre a equipa. Avaliamos a sua competência técnica, capacidade de gestão e motivação. Além disso, olhamos para a escalabilidade do modelo de negócio, o grau de inovação da solução e o potencial de internacionalização. Valorizamos também projetos que criem sinergias com o tecido industrial da região (o tal "impacto no sistema regional de inovação"). No caso dos nossos programas de aceleração, como o Set UP, procuramos startups que já tenham um MVP ou estejam em fase de validação de mercado, prontas para crescer.


A Startup Leiria organiza dezenas de eventos ao longo do ano. O PITX é descrito como "o maior evento do ano para as startups de Leiria"


Como conseguem equilibrar o apoio a startups tecnológicas com iniciativas de impacto social e inovação sustentável?

V.F. — Para nós, não é uma questão de equilíbrio, mas de integração numa lógica de "Triple Bottom Line": valor económico, social e ambiental. A nossa missão é potenciar a felicidade e resolver problemas reais da comunidade. Por isso, gerimos uma incubadora dedicada à inovação social, que já apoiou mais de 20 projetos, desde apps para o autismo a soluções para a terceira idade. Estamos a lançar a "Social Spin-off Academy" para transformar investigação académica e desafios municipais em negócios sociais sustentáveis. Acreditamos que a tecnologia deve servir um propósito, e é por isso que integramos estas vertentes no mesmo ecossistema vibrante, onde uma startup de IA pode partilhar o espaço com um projeto de inclusão social.

Que papel desempenham as parcerias com universidades, instituições públicas e investidores no fortalecimento do ecossistema de Leiria, e como essas colaborações influenciam o desenvolvimento das startups incubadas?

V.F. — O nosso modelo de governação é uma "Tripla Hélice" clássica: Academia (Politécnico de Leiria), Indústria (NERLEI) e Governo (Câmara Municipal). Esta estrutura é vital. As parcerias com o Politécnico garantem-nos acesso a talento e I&D, e estamos agora a expandir essa ligação ao Politécnico de Coimbra para criar uma "Academia de Spin-offs". Do lado da indústria, temos parceiros como o Grupo Lusiaves e a inCentea que abrem portas para testes reais de produtos. Programas como o "Vodafone Living Lab" ou o "Future Builders" com a Visabeira permitem que as nossas startups validem as suas soluções em ambiente corporativo real, acelerando a sua entrada no mercado. Sem esta rede, seríamos apenas um espaço de escritórios; com ela, somos um motor de negócios.


As instalações da Startup Leiria incluem todas as comodidades e áreas específicas para as diferentes necessidades das equipas


O programa Set Up e o recente Defense Accelerator ilustram diferentes vertentes de apoio. Como definem a estratégia para criar programas especializados e quais são os desafios associados?

V.F. — A nossa estratégia passa por "verticalizar" onde a região tem vantagens competitivas. O programa Set Up é a nossa base horizontal, focada nas competências essenciais de negócio para qualquer startup tecnológica. Já o Defense Accelerator nasce da identificação de uma oportunidade única: capacitar a nossa indústria de moldes, plásticos e engenharia para o setor da Defesa (tecnologias de duplo uso), em parceria com a TEKEVER e a idD Portugal Defence. O desafio aqui é a complexidade técnica e regulatória — lidar com licenciamentos, credenciação de segurança e acesso a fundos como o da NATO (DIANA). O nosso papel é traduzir essa complexidade e criar uma ponte entre as PME ágeis e os grandes requisitos da defesa.

Olhando para os próximos anos, como encara o crescimento do ecossistema de Leiria?

V.F. — A recente depressão Kristin foi um choque  e também um espelho. Mostrou como uma região industrial pode ser, ao mesmo tempo, extraordinariamente capaz e estruturalmente vulnerável. A recuperação em curso tem de ser rápida, mas sobretudo inteligente: um plano de modernização acelerada das PME, com redundâncias, digitalização e eficiência, e com uma estratégia clara de diversificação para mercados onde a região pode ganhar, do agroalimentar tecnológico ao dual-use, da cibersegurança à indústria avançada. A nossa ambição é simples: transformar a reconstrução numa oportunidade de competitividade, ligando PME e startups a corporates que permitem testes, escala e acesso a novos mercados, porque é aí que a inovação deixa de ser discurso e passa a ser contrato. A estratégia para 2026/2030 focar-se-á, assim, no apoio regional, na internacionalização, atraindo mais investimento estrangeiro, e na especialização em áreas como Cibersegurança, Agrotech, Defesa e Indústria 5.0. Queremos continuar a ser uma "team of givers", mantendo a cultura de proximidade enquanto escalamos o impacto regional e nacional.

Newsletter

Tenha acesso exclusivo à entrevista semanal em vídeo e a outros conteúdos em primeira mão. A Newsletter do MOTIVO é gratuita, sai às segundas-feiras de manhã e vai dar-lhe muitas razões para começar a semana com a motivação certa.

Newsletter

Tenha acesso exclusivo à entrevista semanal em vídeo e a outros conteúdos em primeira mão. A Newsletter do MOTIVO é gratuita, sai às segundas-feiras de manhã e vai dar-lhe muitas razões para começar a semana com a motivação certa.

Newsletter

Tenha acesso exclusivo à entrevista semanal em vídeo e a outros conteúdos em primeira mão. A Newsletter do MOTIVO é gratuita, sai às segundas-feiras de manhã e vai dar-lhe muitas razões para começar a semana com a motivação certa.

Newsletter

Tenha acesso exclusivo à entrevista semanal em vídeo e a outros conteúdos em primeira mão. A Newsletter do MOTIVO é gratuita, sai às segundas-feiras de manhã e vai dar-lhe muitas razões para começar a semana com a motivação certa.