#Protagonistas

A história de Marta Rito Bezerra e da Pappa’Lab: “Se fosse fácil, todos faziam”

Aos 24 anos, decidiu abrir uma geladaria em Braga, sem antecipar os muitos desafios que haveria de enfrentar. Hoje, deixa-se guiar pela intuição e mantém-se empenhada em produzir "o gelado perfeito".

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17 de fev. de 2026, 09:37

Ao olhar para o caminho feito desde a abertura da primeira Pappa’Lab até ao momento atual, há uma fase que surge como verdadeiramente fundadora da marca. “A Pappa’Lab abriu e, quatro meses depois, deparamo-nos com uma pandemia mundial. Foram tempos muito desafiantes, quer para mim quer para a marca. Hoje, olho para essa fase como parte da história deste projeto”. As palavras são de Marta Rito Bezerra, a jovem fundadora desta geladaria de Braga.

Na altura, quando o mundo parou, tinha 25 anos acabados de fazer, muitos sonhos e expectativas. “Fiquei completamente perdida. Os medos e as inseguranças andavam de mão dada comigo. Questionava-me de tudo: se o facto de não estar a faturar era porque a empresa não tinha valor, se o problema estava nos preços, na localização, se era da pandemia, quanto mais tempo ia durar?". Tudo isto com o investimento inicial "enorme" para pagar.

No meio do caos global, Marta decidiu não ficar parada. “Não queria estar fechada em casa. Ia para a geladaria produzir gelados, colocava-os nas nossas caixas take-away e anunciava no Instagram que ia a casa das pessoas levar os gelados”. A estratégia resultou. “Até hoje, temos clientes que se fidelizaram e se uniram à nossa marca. Numa fase tão complicada, eu era a 'menina dos gelados'. Tocava à campainha e levava a casa de muitos bracarenses uma felicidade gelada que permitia, por momentos, terem algo para celebrar em família".

Foram quase três anos de proximidade. “Como o movimento era pouco, conseguia estar muito mais próxima dos clientes e de todas as necessidades". Além das entregas, passou muitas horas na loja e recorda: "Ainda hoje, conheço muitos clientes fidelizados por ter tido a oportunidade de passar muito tempo ao balcão, com eles a serem ‘mimados’ por mim”, recorda.


Desde o início do projeto, Marta Rito Bezerra desempenhou todas as funções necessárias


Empreender não é para todos

Marta começou cedo, aos 24 anos de idade, num processo longo e exigente antes mesmo de abrir a primeira loja. Esse tempo ensinou-lhe uma realidade que, hoje, considera evidente: “Se fosse fácil, todos faziam”. Para ela, empreender é ser “fora da norma”, alguém que acredita que tudo é possível, que sabe ignorar o ruído e ouvir apenas quem já construiu algo de valor.

O investimento necessário para uma produção artesanal é elevado. “Com 24 anos, sem licenciatura e um pitch de ‘shark tank’, andava de banco em banco, na esperança que alguém acreditasse em mim. Até que consegui”.

Hoje, Marta afirma, sem rodeios, que é o produto que importa. “A imagem, o branding, a comunicação e as lojas são os ímanes de atração para fazer o cliente chegar até nós, mas o que fideliza é o produto e o atendimento”.

O padrão interno é elevado. “Um novo gelado criado no nosso laboratório, se for muito bom, não vai para venda. Tem de ser perfeito e sempre ao nível do que sei que conseguimos produzir”.

Como empresária, Marta Rito Bezerra gosta de dominar todos os processos. “Gosto de saber como se faz tudo na minha empresa. Ser a primeira a fazer, cometer os erros, corrigir e, só depois, delegar”. A empresária diz precisar de sentir segurança interna. “Se algo falhar, volto a colocar uma touca e rede na minha cabeça e garantir que a produção de gelados não falha e as nossas lojas não param”.


O lema da Pappa’Lab é "never stop dreaming"


A solidão do percurso

Marta raramente romantiza o caminho feito. Há orgulho, mas também houve dor. “Fico muito grata por todas as manhãs conseguir agradecer por ter o privilégio de trabalhar em algo que me preenche, mas houve momentos de muita dor”. Crescer como pessoa ao mesmo tempo que se dá os primeiros passos na construção de uma empresa, é, nas suas palavras, “como estar no meio de um oceano, agarrada a uma boia, e acreditar que, se não desistir, em breve darei à costa”.

Houve momentos em que a jovem se questionou se o custo pessoal era demasiado alto. “Muitas horas de trabalho, muitas funções extremamente físicas e ainda a exigência de ter de liderar pessoas e abrir caminhos”.

Durante anos, acumulou praticamente todas as funções. Só há quatro meses largou a produção, com a abertura da segunda loja. “Produzi mais de 90 mil quilos de gelado”. E essa acumulação, aliada a adversidades profissionais e oportunidades de crescimento que não se concretizavam, fizeram-na questionar o rumo. Hoje, sabe que tudo faz parte do caminho.


Atualmente, a Pappa’Lab tem duas moradas: em Braga e Vila do Conde


Delegar é confiar

A primeira loja, em Braga, tinha 46m²: laboratório atrás, balcão à frente. Durante quatro anos, funcionou assim. Quando mudou o local de produção, teve de começar a delegar. “Não conseguia estar nos dois sítios ao mesmo tempo”. Foram momentos de grande aprendizagem. Marta escolheu manter-se na produção, mesmo que isso implicasse risco no atendimento. Desde outubro de 2025, tudo foi ganhando outra dimensão. Hoje, a empresária conta com uma equipa de responsáveis de produção, lojas e logística.

A transição de “fazer tudo” para liderar pessoas foi desafiante. “Mais para mim do que para a empresa”. Reconhece que a equipa é excelente e que aprende com ela todos os dias. O propósito mantém-se: provar que é possível trabalhar num ambiente saudável, sentir realização e, no final do dia, levar paz para casa. “O maior desafio, para mim, tem sido aprender a confiar que vai dar tudo certo, e que os outros conseguem fazer tão bem quanto eu”.


Crescer e ouvir a intuição

O crescimento da Pappa’Lab tem sido feito com tempo. E essa evolução também transformou Marta, a cada erro e aprendizagem. “Tornou-me uma pessoa muito mais calma, paciente e consciente. Sempre quis tudo para ontem, mas aprendi que não somos nós quem decide o tempo certo das coisas”. Hoje, aprendeu a estar presente, a desfrutar da jornada e a valorizar a vida. Diz que a intuição é o seu co-piloto. Aprender a abrandar e a ouvir-se trouxe-a até aqui. “Confio no que sinto e percebi que é por aqui o caminho”.

#Protagonistas

A história de Marta Rito Bezerra e da Pappa’Lab: “Se fosse fácil, todos faziam”

Aos 24 anos, decidiu abrir uma geladaria em Braga, sem antecipar os muitos desafios que haveria de enfrentar. Hoje, deixa-se guiar pela intuição e mantém-se empenhada em produzir "o gelado perfeito".

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17 de fev. de 2026, 09:37

Ao olhar para o caminho feito desde a abertura da primeira Pappa’Lab até ao momento atual, há uma fase que surge como verdadeiramente fundadora da marca. “A Pappa’Lab abriu e, quatro meses depois, deparamo-nos com uma pandemia mundial. Foram tempos muito desafiantes, quer para mim quer para a marca. Hoje, olho para essa fase como parte da história deste projeto”. As palavras são de Marta Rito Bezerra, a jovem fundadora desta geladaria de Braga.

Na altura, quando o mundo parou, tinha 25 anos acabados de fazer, muitos sonhos e expectativas. “Fiquei completamente perdida. Os medos e as inseguranças andavam de mão dada comigo. Questionava-me de tudo: se o facto de não estar a faturar era porque a empresa não tinha valor, se o problema estava nos preços, na localização, se era da pandemia, quanto mais tempo ia durar?". Tudo isto com o investimento inicial "enorme" para pagar.

No meio do caos global, Marta decidiu não ficar parada. “Não queria estar fechada em casa. Ia para a geladaria produzir gelados, colocava-os nas nossas caixas take-away e anunciava no Instagram que ia a casa das pessoas levar os gelados”. A estratégia resultou. “Até hoje, temos clientes que se fidelizaram e se uniram à nossa marca. Numa fase tão complicada, eu era a 'menina dos gelados'. Tocava à campainha e levava a casa de muitos bracarenses uma felicidade gelada que permitia, por momentos, terem algo para celebrar em família".

Foram quase três anos de proximidade. “Como o movimento era pouco, conseguia estar muito mais próxima dos clientes e de todas as necessidades". Além das entregas, passou muitas horas na loja e recorda: "Ainda hoje, conheço muitos clientes fidelizados por ter tido a oportunidade de passar muito tempo ao balcão, com eles a serem ‘mimados’ por mim”, recorda.


Desde o início do projeto, Marta Rito Bezerra desempenhou todas as funções necessárias


Empreender não é para todos

Marta começou cedo, aos 24 anos de idade, num processo longo e exigente antes mesmo de abrir a primeira loja. Esse tempo ensinou-lhe uma realidade que, hoje, considera evidente: “Se fosse fácil, todos faziam”. Para ela, empreender é ser “fora da norma”, alguém que acredita que tudo é possível, que sabe ignorar o ruído e ouvir apenas quem já construiu algo de valor.

O investimento necessário para uma produção artesanal é elevado. “Com 24 anos, sem licenciatura e um pitch de ‘shark tank’, andava de banco em banco, na esperança que alguém acreditasse em mim. Até que consegui”.

Hoje, Marta afirma, sem rodeios, que é o produto que importa. “A imagem, o branding, a comunicação e as lojas são os ímanes de atração para fazer o cliente chegar até nós, mas o que fideliza é o produto e o atendimento”.

O padrão interno é elevado. “Um novo gelado criado no nosso laboratório, se for muito bom, não vai para venda. Tem de ser perfeito e sempre ao nível do que sei que conseguimos produzir”.

Como empresária, Marta Rito Bezerra gosta de dominar todos os processos. “Gosto de saber como se faz tudo na minha empresa. Ser a primeira a fazer, cometer os erros, corrigir e, só depois, delegar”. A empresária diz precisar de sentir segurança interna. “Se algo falhar, volto a colocar uma touca e rede na minha cabeça e garantir que a produção de gelados não falha e as nossas lojas não param”.


O lema da Pappa’Lab é "never stop dreaming"


A solidão do percurso

Marta raramente romantiza o caminho feito. Há orgulho, mas também houve dor. “Fico muito grata por todas as manhãs conseguir agradecer por ter o privilégio de trabalhar em algo que me preenche, mas houve momentos de muita dor”. Crescer como pessoa ao mesmo tempo que se dá os primeiros passos na construção de uma empresa, é, nas suas palavras, “como estar no meio de um oceano, agarrada a uma boia, e acreditar que, se não desistir, em breve darei à costa”.

Houve momentos em que a jovem se questionou se o custo pessoal era demasiado alto. “Muitas horas de trabalho, muitas funções extremamente físicas e ainda a exigência de ter de liderar pessoas e abrir caminhos”.

Durante anos, acumulou praticamente todas as funções. Só há quatro meses largou a produção, com a abertura da segunda loja. “Produzi mais de 90 mil quilos de gelado”. E essa acumulação, aliada a adversidades profissionais e oportunidades de crescimento que não se concretizavam, fizeram-na questionar o rumo. Hoje, sabe que tudo faz parte do caminho.


Atualmente, a Pappa’Lab tem duas moradas: em Braga e Vila do Conde


Delegar é confiar

A primeira loja, em Braga, tinha 46m²: laboratório atrás, balcão à frente. Durante quatro anos, funcionou assim. Quando mudou o local de produção, teve de começar a delegar. “Não conseguia estar nos dois sítios ao mesmo tempo”. Foram momentos de grande aprendizagem. Marta escolheu manter-se na produção, mesmo que isso implicasse risco no atendimento. Desde outubro de 2025, tudo foi ganhando outra dimensão. Hoje, a empresária conta com uma equipa de responsáveis de produção, lojas e logística.

A transição de “fazer tudo” para liderar pessoas foi desafiante. “Mais para mim do que para a empresa”. Reconhece que a equipa é excelente e que aprende com ela todos os dias. O propósito mantém-se: provar que é possível trabalhar num ambiente saudável, sentir realização e, no final do dia, levar paz para casa. “O maior desafio, para mim, tem sido aprender a confiar que vai dar tudo certo, e que os outros conseguem fazer tão bem quanto eu”.


Crescer e ouvir a intuição

O crescimento da Pappa’Lab tem sido feito com tempo. E essa evolução também transformou Marta, a cada erro e aprendizagem. “Tornou-me uma pessoa muito mais calma, paciente e consciente. Sempre quis tudo para ontem, mas aprendi que não somos nós quem decide o tempo certo das coisas”. Hoje, aprendeu a estar presente, a desfrutar da jornada e a valorizar a vida. Diz que a intuição é o seu co-piloto. Aprender a abrandar e a ouvir-se trouxe-a até aqui. “Confio no que sinto e percebi que é por aqui o caminho”.

#Protagonistas

A história de Marta Rito Bezerra e da Pappa’Lab: “Se fosse fácil, todos faziam”

Aos 24 anos, decidiu abrir uma geladaria em Braga, sem antecipar os muitos desafios que haveria de enfrentar. Hoje, deixa-se guiar pela intuição e mantém-se empenhada em produzir "o gelado perfeito".

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17 de fev. de 2026, 09:37

Ao olhar para o caminho feito desde a abertura da primeira Pappa’Lab até ao momento atual, há uma fase que surge como verdadeiramente fundadora da marca. “A Pappa’Lab abriu e, quatro meses depois, deparamo-nos com uma pandemia mundial. Foram tempos muito desafiantes, quer para mim quer para a marca. Hoje, olho para essa fase como parte da história deste projeto”. As palavras são de Marta Rito Bezerra, a jovem fundadora desta geladaria de Braga.

Na altura, quando o mundo parou, tinha 25 anos acabados de fazer, muitos sonhos e expectativas. “Fiquei completamente perdida. Os medos e as inseguranças andavam de mão dada comigo. Questionava-me de tudo: se o facto de não estar a faturar era porque a empresa não tinha valor, se o problema estava nos preços, na localização, se era da pandemia, quanto mais tempo ia durar?". Tudo isto com o investimento inicial "enorme" para pagar.

No meio do caos global, Marta decidiu não ficar parada. “Não queria estar fechada em casa. Ia para a geladaria produzir gelados, colocava-os nas nossas caixas take-away e anunciava no Instagram que ia a casa das pessoas levar os gelados”. A estratégia resultou. “Até hoje, temos clientes que se fidelizaram e se uniram à nossa marca. Numa fase tão complicada, eu era a 'menina dos gelados'. Tocava à campainha e levava a casa de muitos bracarenses uma felicidade gelada que permitia, por momentos, terem algo para celebrar em família".

Foram quase três anos de proximidade. “Como o movimento era pouco, conseguia estar muito mais próxima dos clientes e de todas as necessidades". Além das entregas, passou muitas horas na loja e recorda: "Ainda hoje, conheço muitos clientes fidelizados por ter tido a oportunidade de passar muito tempo ao balcão, com eles a serem ‘mimados’ por mim”, recorda.


Desde o início do projeto, Marta Rito Bezerra desempenhou todas as funções necessárias


Empreender não é para todos

Marta começou cedo, aos 24 anos de idade, num processo longo e exigente antes mesmo de abrir a primeira loja. Esse tempo ensinou-lhe uma realidade que, hoje, considera evidente: “Se fosse fácil, todos faziam”. Para ela, empreender é ser “fora da norma”, alguém que acredita que tudo é possível, que sabe ignorar o ruído e ouvir apenas quem já construiu algo de valor.

O investimento necessário para uma produção artesanal é elevado. “Com 24 anos, sem licenciatura e um pitch de ‘shark tank’, andava de banco em banco, na esperança que alguém acreditasse em mim. Até que consegui”.

Hoje, Marta afirma, sem rodeios, que é o produto que importa. “A imagem, o branding, a comunicação e as lojas são os ímanes de atração para fazer o cliente chegar até nós, mas o que fideliza é o produto e o atendimento”.

O padrão interno é elevado. “Um novo gelado criado no nosso laboratório, se for muito bom, não vai para venda. Tem de ser perfeito e sempre ao nível do que sei que conseguimos produzir”.

Como empresária, Marta Rito Bezerra gosta de dominar todos os processos. “Gosto de saber como se faz tudo na minha empresa. Ser a primeira a fazer, cometer os erros, corrigir e, só depois, delegar”. A empresária diz precisar de sentir segurança interna. “Se algo falhar, volto a colocar uma touca e rede na minha cabeça e garantir que a produção de gelados não falha e as nossas lojas não param”.


O lema da Pappa’Lab é "never stop dreaming"


A solidão do percurso

Marta raramente romantiza o caminho feito. Há orgulho, mas também houve dor. “Fico muito grata por todas as manhãs conseguir agradecer por ter o privilégio de trabalhar em algo que me preenche, mas houve momentos de muita dor”. Crescer como pessoa ao mesmo tempo que se dá os primeiros passos na construção de uma empresa, é, nas suas palavras, “como estar no meio de um oceano, agarrada a uma boia, e acreditar que, se não desistir, em breve darei à costa”.

Houve momentos em que a jovem se questionou se o custo pessoal era demasiado alto. “Muitas horas de trabalho, muitas funções extremamente físicas e ainda a exigência de ter de liderar pessoas e abrir caminhos”.

Durante anos, acumulou praticamente todas as funções. Só há quatro meses largou a produção, com a abertura da segunda loja. “Produzi mais de 90 mil quilos de gelado”. E essa acumulação, aliada a adversidades profissionais e oportunidades de crescimento que não se concretizavam, fizeram-na questionar o rumo. Hoje, sabe que tudo faz parte do caminho.


Atualmente, a Pappa’Lab tem duas moradas: em Braga e Vila do Conde


Delegar é confiar

A primeira loja, em Braga, tinha 46m²: laboratório atrás, balcão à frente. Durante quatro anos, funcionou assim. Quando mudou o local de produção, teve de começar a delegar. “Não conseguia estar nos dois sítios ao mesmo tempo”. Foram momentos de grande aprendizagem. Marta escolheu manter-se na produção, mesmo que isso implicasse risco no atendimento. Desde outubro de 2025, tudo foi ganhando outra dimensão. Hoje, a empresária conta com uma equipa de responsáveis de produção, lojas e logística.

A transição de “fazer tudo” para liderar pessoas foi desafiante. “Mais para mim do que para a empresa”. Reconhece que a equipa é excelente e que aprende com ela todos os dias. O propósito mantém-se: provar que é possível trabalhar num ambiente saudável, sentir realização e, no final do dia, levar paz para casa. “O maior desafio, para mim, tem sido aprender a confiar que vai dar tudo certo, e que os outros conseguem fazer tão bem quanto eu”.


Crescer e ouvir a intuição

O crescimento da Pappa’Lab tem sido feito com tempo. E essa evolução também transformou Marta, a cada erro e aprendizagem. “Tornou-me uma pessoa muito mais calma, paciente e consciente. Sempre quis tudo para ontem, mas aprendi que não somos nós quem decide o tempo certo das coisas”. Hoje, aprendeu a estar presente, a desfrutar da jornada e a valorizar a vida. Diz que a intuição é o seu co-piloto. Aprender a abrandar e a ouvir-se trouxe-a até aqui. “Confio no que sinto e percebi que é por aqui o caminho”.

#Protagonistas

A história de Marta Rito Bezerra e da Pappa’Lab: “Se fosse fácil, todos faziam”

Aos 24 anos, decidiu abrir uma geladaria em Braga, sem antecipar os muitos desafios que haveria de enfrentar. Hoje, deixa-se guiar pela intuição e mantém-se empenhada em produzir "o gelado perfeito".

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17 de fev. de 2026, 09:37

Ao olhar para o caminho feito desde a abertura da primeira Pappa’Lab até ao momento atual, há uma fase que surge como verdadeiramente fundadora da marca. “A Pappa’Lab abriu e, quatro meses depois, deparamo-nos com uma pandemia mundial. Foram tempos muito desafiantes, quer para mim quer para a marca. Hoje, olho para essa fase como parte da história deste projeto”. As palavras são de Marta Rito Bezerra, a jovem fundadora desta geladaria de Braga.

Na altura, quando o mundo parou, tinha 25 anos acabados de fazer, muitos sonhos e expectativas. “Fiquei completamente perdida. Os medos e as inseguranças andavam de mão dada comigo. Questionava-me de tudo: se o facto de não estar a faturar era porque a empresa não tinha valor, se o problema estava nos preços, na localização, se era da pandemia, quanto mais tempo ia durar?". Tudo isto com o investimento inicial "enorme" para pagar.

No meio do caos global, Marta decidiu não ficar parada. “Não queria estar fechada em casa. Ia para a geladaria produzir gelados, colocava-os nas nossas caixas take-away e anunciava no Instagram que ia a casa das pessoas levar os gelados”. A estratégia resultou. “Até hoje, temos clientes que se fidelizaram e se uniram à nossa marca. Numa fase tão complicada, eu era a 'menina dos gelados'. Tocava à campainha e levava a casa de muitos bracarenses uma felicidade gelada que permitia, por momentos, terem algo para celebrar em família".

Foram quase três anos de proximidade. “Como o movimento era pouco, conseguia estar muito mais próxima dos clientes e de todas as necessidades". Além das entregas, passou muitas horas na loja e recorda: "Ainda hoje, conheço muitos clientes fidelizados por ter tido a oportunidade de passar muito tempo ao balcão, com eles a serem ‘mimados’ por mim”, recorda.


Desde o início do projeto, Marta Rito Bezerra desempenhou todas as funções necessárias


Empreender não é para todos

Marta começou cedo, aos 24 anos de idade, num processo longo e exigente antes mesmo de abrir a primeira loja. Esse tempo ensinou-lhe uma realidade que, hoje, considera evidente: “Se fosse fácil, todos faziam”. Para ela, empreender é ser “fora da norma”, alguém que acredita que tudo é possível, que sabe ignorar o ruído e ouvir apenas quem já construiu algo de valor.

O investimento necessário para uma produção artesanal é elevado. “Com 24 anos, sem licenciatura e um pitch de ‘shark tank’, andava de banco em banco, na esperança que alguém acreditasse em mim. Até que consegui”.

Hoje, Marta afirma, sem rodeios, que é o produto que importa. “A imagem, o branding, a comunicação e as lojas são os ímanes de atração para fazer o cliente chegar até nós, mas o que fideliza é o produto e o atendimento”.

O padrão interno é elevado. “Um novo gelado criado no nosso laboratório, se for muito bom, não vai para venda. Tem de ser perfeito e sempre ao nível do que sei que conseguimos produzir”.

Como empresária, Marta Rito Bezerra gosta de dominar todos os processos. “Gosto de saber como se faz tudo na minha empresa. Ser a primeira a fazer, cometer os erros, corrigir e, só depois, delegar”. A empresária diz precisar de sentir segurança interna. “Se algo falhar, volto a colocar uma touca e rede na minha cabeça e garantir que a produção de gelados não falha e as nossas lojas não param”.


O lema da Pappa’Lab é "never stop dreaming"


A solidão do percurso

Marta raramente romantiza o caminho feito. Há orgulho, mas também houve dor. “Fico muito grata por todas as manhãs conseguir agradecer por ter o privilégio de trabalhar em algo que me preenche, mas houve momentos de muita dor”. Crescer como pessoa ao mesmo tempo que se dá os primeiros passos na construção de uma empresa, é, nas suas palavras, “como estar no meio de um oceano, agarrada a uma boia, e acreditar que, se não desistir, em breve darei à costa”.

Houve momentos em que a jovem se questionou se o custo pessoal era demasiado alto. “Muitas horas de trabalho, muitas funções extremamente físicas e ainda a exigência de ter de liderar pessoas e abrir caminhos”.

Durante anos, acumulou praticamente todas as funções. Só há quatro meses largou a produção, com a abertura da segunda loja. “Produzi mais de 90 mil quilos de gelado”. E essa acumulação, aliada a adversidades profissionais e oportunidades de crescimento que não se concretizavam, fizeram-na questionar o rumo. Hoje, sabe que tudo faz parte do caminho.


Atualmente, a Pappa’Lab tem duas moradas: em Braga e Vila do Conde


Delegar é confiar

A primeira loja, em Braga, tinha 46m²: laboratório atrás, balcão à frente. Durante quatro anos, funcionou assim. Quando mudou o local de produção, teve de começar a delegar. “Não conseguia estar nos dois sítios ao mesmo tempo”. Foram momentos de grande aprendizagem. Marta escolheu manter-se na produção, mesmo que isso implicasse risco no atendimento. Desde outubro de 2025, tudo foi ganhando outra dimensão. Hoje, a empresária conta com uma equipa de responsáveis de produção, lojas e logística.

A transição de “fazer tudo” para liderar pessoas foi desafiante. “Mais para mim do que para a empresa”. Reconhece que a equipa é excelente e que aprende com ela todos os dias. O propósito mantém-se: provar que é possível trabalhar num ambiente saudável, sentir realização e, no final do dia, levar paz para casa. “O maior desafio, para mim, tem sido aprender a confiar que vai dar tudo certo, e que os outros conseguem fazer tão bem quanto eu”.


Crescer e ouvir a intuição

O crescimento da Pappa’Lab tem sido feito com tempo. E essa evolução também transformou Marta, a cada erro e aprendizagem. “Tornou-me uma pessoa muito mais calma, paciente e consciente. Sempre quis tudo para ontem, mas aprendi que não somos nós quem decide o tempo certo das coisas”. Hoje, aprendeu a estar presente, a desfrutar da jornada e a valorizar a vida. Diz que a intuição é o seu co-piloto. Aprender a abrandar e a ouvir-se trouxe-a até aqui. “Confio no que sinto e percebi que é por aqui o caminho”.

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