
#Protagonistas
Agência global sem escritório: como a OUT OF OFFICE lê o espírito do tempo das marcas
Num mercado criativo saturado de conteúdo, compreender o zeitgeist tornou-se uma vantagem competitiva para as marcas. A OUT OF OFFICE (OOO) construiu o seu modelo, precisamente, a partir dessa premissa: funcionar como um radar cultural permanente, capaz de interpretar e traduzir a evolução dos tempos em estratégia e comunicação. O MOTIVO conversou com Bruna Borges, Head of Agency Strategy and Operations da OOO, uma agência sem sede física e com equipas distribuídas entre Lisboa, Nova Iorque e São Paulo.
A OUT OF OFFICE (OOO) posiciona-se como uma agência que “conecta marcas ao zeitgeist”. Como definiriam, nas vossas palavras, essa abordagem estratégica e o que ela significa no trabalho diário com clientes?
BRUNA BORGES — Compreender o zeitgeist já é, por si só, uma tarefa complexa. Implica interpretar o momento sociocultural e económico do mundo para, a partir daí, entender o chamado “espírito do tempo”. É esse olhar que nos permite traduzir os movimentos que impactam consumo e comunicação, e que influenciam diretamente o posicionamento das marcas no mercado. Por outro lado, é comum que as marcas se tornem hiper imersas no seu próprio universo, correndo o risco de ter uma visão “míope” em relação às oportunidades que uma leitura mais ampla de mundo pode trazer — e digo isso com a propriedade de quem trabalhou anos dentro do time de comunicação de uma marca global. Isso não é um erro, é uma consequência. É natural que, dentro da operação, os olhares estejam voltados para dentro, respondendo às exigências e aos desafios do negócio. É aí que vejo a OOO como peça central na parceria com os seus clientes. A agência atua como um radar sempre ligado e conectado ao mundo. Estamos o tempo todo atentos ao zeitgeist que se vai construindo e, com isso, identificando oportunidades de comunicação e de negócio que possam ser inovadoras e colocar os nossos clientes à frente dos seus concorrentes. Para isso, construímos equipas que são observadoras e sagazes, e que sabem da sua responsabilidade constante de identificar oportunidades e levá-las para dentro das marcas no timing correto. Dessa forma, acreditamos que um cliente nosso possui um “passaporte” para obter um radar cultural de mercado acionado o tempo todo, e a tranquilidade de que tem um parceiro olhando para isso e buscando adicionar inteligência à camada do seu negócio.

Bruna Borges é Head of Agency Strategy and Operations da OOO
“Based nowhere, but often found in LIS – NY – SP”. Esta forma de estar influenciou a vossa cultura interna e a forma como se relacionam com talentos e clientes?
B.B. — Completamente. A nossa cultura foi muito costurada desde o dia 1 pelo facto de estarmos literalmente OUT OF OFFICE. Como o próprio nome diz, somos 100% remotos e não possuímos escritório físico em nenhum lugar do mundo. Apesar de termos bases de apoio nos EUA, Brasil e Europa, a teoria do “based nowhere” proporcionou-nos estarmos também “based anywhere". Com isso, já construímos equipas inteiras ao redor do mundo como no UK, US e Índia, por exemplo, para respondermos a necessidades específicas de projetos globais, e tudo isso sem enfrentarmos qualquer barreira física. Além disso, percebemos que, para determinados clientes e projetos, é fundamental termos uma diversidade regional dentro da construção da equipa, proporcionando, assim, um olhar mais múltiplo e descentralizado sobre o desafio. Temos clientes brasileiros que possuem equipas com pessoas de todas as regiões do Brasil e, se fôssemos uma agência baseada fisicamente em São Paulo, por exemplo, isso não seria possível. Dentro da operação, vejo que a cultura do trabalho remoto se cristalizou de forma a criar na equipa um enorme sentido de autogerenciamento e, com isso, uma autonomia ainda maior entre as equipas e suas lideranças, baseado na confiança em torno da entrega e não no micro-gerenciamento.
Qual é mesmo a filosofia de trabalho?
B.B. — Como o nome diz, somos 100% remotos. Acreditamos que a criatividade não mora entre as quatro paredes de um escritório, e que temos o poder de ampliar o nosso repertório estando com equipas plurais e óticas diversas vindas de diferentes lugares. Além disso, o tempo que perdíamos a deslocar-nos de casa para o escritório, todos os dias, pode ser melhor aproveitado para lermos um novo artigo, conhecermos uma nova referência ou termos um insight enquanto tomamos um café na varanda de casa. Acreditamos que a eficiência não está diretamente ligada ao encontro presencial dos nossos colaboradores, mas sim a um bom “way of working”, seja ele assíncrono ou não. É nisso que a nossa equipa de operações se foca mais, a cada dia, em encontrar formas de fazer o ambiente virtual de trabalho ser mais leve e fluído, termos colaboradores com clareza das suas entregas e autonomia sobre a sua gestão, muito baseado na confiança construída diariamente entre liderança e liderado.
"Sempre foi muito claro que o nosso desejo era entregar além da criatividade, mas também, adicionar inteligência à camada de negócios dos nossos clientes"
Que benefícios e desafios surgem em trabalhar em mercados tão distintos em termos culturais e de consumo?
B.B. — Conectando com a primeira pergunta, vejo que um dos benefícios é estarmos ligados a realidades distintas enquanto identificamos, também, semelhanças que nos dão pistas de como a comunicação caminha a nível global. Isso ajuda na compreensão e construção do zeitgeist, como mencionei. Por outro lado, é preciso entender de forma profunda o contexto de cada local e, por isso, buscamos construir equipas que possuem especialistas daquele território e que irão contribuir na conexão da ideia construída com o contexto local. Dificilmente alguém melhor do que um mexicano para ajuizar sobre o que irá ressoar da melhor forma no México, por exemplo. Dessa forma, conseguimos agregar aos projetos uma visão múltipla e global, sem nos desconectarmos totalmente com o contexto do local.
A vossa Newsletter no Substack é um conteúdo que acompanhamos e consideramos muito interessante e muito bem feito. Que origem teve essa ideia e que estratégia representa a existência da Newsletter?
B.B. — Desde o início da agência, sempre foi muito claro que o nosso desejo era entregar além da criatividade, mas também, adicionar inteligência à camada de negócios dos nossos clientes, agregando a nossa visão do mundo. A Newsletter surgiu como uma maneira de partilharmos essa visão e conectou a OOO com marcas incríveis que compactuam com a mesma forma de ver a comunicação, guiada pelo “inconformismo criativo”. Através da Newsletter, também fomos construindo uma comunidade de leitores que nos acompanha de forma interessada e que dividem connosco o ímpeto de questionar tudo o tempo todo. Muitos deles já viraram colaboradores e escreveram as suas próprias Newsletters, dado que esse é um espaço aberto para que qualquer um que trabalha connosco e tenha uma ideia fértil a ser compartilhada, possa contribuir.
Esta é apenas a primeira parte de uma entrevista mais alargada que o MOTIVO fez a Bruna Borges, da OUT OF OFFICE. Na segunda parte, falamos sobre inteligência artificial, economia da atenção e as tendências que vão redefinir o trabalho criativo.
(C) Foto de Kristin Wilson na Unsplash

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Agência global sem escritório: como a OUT OF OFFICE lê o espírito do tempo das marcas
Num mercado criativo saturado de conteúdo, compreender o zeitgeist tornou-se uma vantagem competitiva para as marcas. A OUT OF OFFICE (OOO) construiu o seu modelo, precisamente, a partir dessa premissa: funcionar como um radar cultural permanente, capaz de interpretar e traduzir a evolução dos tempos em estratégia e comunicação. O MOTIVO conversou com Bruna Borges, Head of Agency Strategy and Operations da OOO, uma agência sem sede física e com equipas distribuídas entre Lisboa, Nova Iorque e São Paulo.
A OUT OF OFFICE (OOO) posiciona-se como uma agência que “conecta marcas ao zeitgeist”. Como definiriam, nas vossas palavras, essa abordagem estratégica e o que ela significa no trabalho diário com clientes?
BRUNA BORGES — Compreender o zeitgeist já é, por si só, uma tarefa complexa. Implica interpretar o momento sociocultural e económico do mundo para, a partir daí, entender o chamado “espírito do tempo”. É esse olhar que nos permite traduzir os movimentos que impactam consumo e comunicação, e que influenciam diretamente o posicionamento das marcas no mercado. Por outro lado, é comum que as marcas se tornem hiper imersas no seu próprio universo, correndo o risco de ter uma visão “míope” em relação às oportunidades que uma leitura mais ampla de mundo pode trazer — e digo isso com a propriedade de quem trabalhou anos dentro do time de comunicação de uma marca global. Isso não é um erro, é uma consequência. É natural que, dentro da operação, os olhares estejam voltados para dentro, respondendo às exigências e aos desafios do negócio. É aí que vejo a OOO como peça central na parceria com os seus clientes. A agência atua como um radar sempre ligado e conectado ao mundo. Estamos o tempo todo atentos ao zeitgeist que se vai construindo e, com isso, identificando oportunidades de comunicação e de negócio que possam ser inovadoras e colocar os nossos clientes à frente dos seus concorrentes. Para isso, construímos equipas que são observadoras e sagazes, e que sabem da sua responsabilidade constante de identificar oportunidades e levá-las para dentro das marcas no timing correto. Dessa forma, acreditamos que um cliente nosso possui um “passaporte” para obter um radar cultural de mercado acionado o tempo todo, e a tranquilidade de que tem um parceiro olhando para isso e buscando adicionar inteligência à camada do seu negócio.

Bruna Borges é Head of Agency Strategy and Operations da OOO
“Based nowhere, but often found in LIS – NY – SP”. Esta forma de estar influenciou a vossa cultura interna e a forma como se relacionam com talentos e clientes?
B.B. — Completamente. A nossa cultura foi muito costurada desde o dia 1 pelo facto de estarmos literalmente OUT OF OFFICE. Como o próprio nome diz, somos 100% remotos e não possuímos escritório físico em nenhum lugar do mundo. Apesar de termos bases de apoio nos EUA, Brasil e Europa, a teoria do “based nowhere” proporcionou-nos estarmos também “based anywhere". Com isso, já construímos equipas inteiras ao redor do mundo como no UK, US e Índia, por exemplo, para respondermos a necessidades específicas de projetos globais, e tudo isso sem enfrentarmos qualquer barreira física. Além disso, percebemos que, para determinados clientes e projetos, é fundamental termos uma diversidade regional dentro da construção da equipa, proporcionando, assim, um olhar mais múltiplo e descentralizado sobre o desafio. Temos clientes brasileiros que possuem equipas com pessoas de todas as regiões do Brasil e, se fôssemos uma agência baseada fisicamente em São Paulo, por exemplo, isso não seria possível. Dentro da operação, vejo que a cultura do trabalho remoto se cristalizou de forma a criar na equipa um enorme sentido de autogerenciamento e, com isso, uma autonomia ainda maior entre as equipas e suas lideranças, baseado na confiança em torno da entrega e não no micro-gerenciamento.
Qual é mesmo a filosofia de trabalho?
B.B. — Como o nome diz, somos 100% remotos. Acreditamos que a criatividade não mora entre as quatro paredes de um escritório, e que temos o poder de ampliar o nosso repertório estando com equipas plurais e óticas diversas vindas de diferentes lugares. Além disso, o tempo que perdíamos a deslocar-nos de casa para o escritório, todos os dias, pode ser melhor aproveitado para lermos um novo artigo, conhecermos uma nova referência ou termos um insight enquanto tomamos um café na varanda de casa. Acreditamos que a eficiência não está diretamente ligada ao encontro presencial dos nossos colaboradores, mas sim a um bom “way of working”, seja ele assíncrono ou não. É nisso que a nossa equipa de operações se foca mais, a cada dia, em encontrar formas de fazer o ambiente virtual de trabalho ser mais leve e fluído, termos colaboradores com clareza das suas entregas e autonomia sobre a sua gestão, muito baseado na confiança construída diariamente entre liderança e liderado.
"Sempre foi muito claro que o nosso desejo era entregar além da criatividade, mas também, adicionar inteligência à camada de negócios dos nossos clientes"
Que benefícios e desafios surgem em trabalhar em mercados tão distintos em termos culturais e de consumo?
B.B. — Conectando com a primeira pergunta, vejo que um dos benefícios é estarmos ligados a realidades distintas enquanto identificamos, também, semelhanças que nos dão pistas de como a comunicação caminha a nível global. Isso ajuda na compreensão e construção do zeitgeist, como mencionei. Por outro lado, é preciso entender de forma profunda o contexto de cada local e, por isso, buscamos construir equipas que possuem especialistas daquele território e que irão contribuir na conexão da ideia construída com o contexto local. Dificilmente alguém melhor do que um mexicano para ajuizar sobre o que irá ressoar da melhor forma no México, por exemplo. Dessa forma, conseguimos agregar aos projetos uma visão múltipla e global, sem nos desconectarmos totalmente com o contexto do local.
A vossa Newsletter no Substack é um conteúdo que acompanhamos e consideramos muito interessante e muito bem feito. Que origem teve essa ideia e que estratégia representa a existência da Newsletter?
B.B. — Desde o início da agência, sempre foi muito claro que o nosso desejo era entregar além da criatividade, mas também, adicionar inteligência à camada de negócios dos nossos clientes, agregando a nossa visão do mundo. A Newsletter surgiu como uma maneira de partilharmos essa visão e conectou a OOO com marcas incríveis que compactuam com a mesma forma de ver a comunicação, guiada pelo “inconformismo criativo”. Através da Newsletter, também fomos construindo uma comunidade de leitores que nos acompanha de forma interessada e que dividem connosco o ímpeto de questionar tudo o tempo todo. Muitos deles já viraram colaboradores e escreveram as suas próprias Newsletters, dado que esse é um espaço aberto para que qualquer um que trabalha connosco e tenha uma ideia fértil a ser compartilhada, possa contribuir.
Esta é apenas a primeira parte de uma entrevista mais alargada que o MOTIVO fez a Bruna Borges, da OUT OF OFFICE. Na segunda parte, falamos sobre inteligência artificial, economia da atenção e as tendências que vão redefinir o trabalho criativo.
(C) Foto de Kristin Wilson na Unsplash

#Protagonistas
Agência global sem escritório: como a OUT OF OFFICE lê o espírito do tempo das marcas
Num mercado criativo saturado de conteúdo, compreender o zeitgeist tornou-se uma vantagem competitiva para as marcas. A OUT OF OFFICE (OOO) construiu o seu modelo, precisamente, a partir dessa premissa: funcionar como um radar cultural permanente, capaz de interpretar e traduzir a evolução dos tempos em estratégia e comunicação. O MOTIVO conversou com Bruna Borges, Head of Agency Strategy and Operations da OOO, uma agência sem sede física e com equipas distribuídas entre Lisboa, Nova Iorque e São Paulo.
A OUT OF OFFICE (OOO) posiciona-se como uma agência que “conecta marcas ao zeitgeist”. Como definiriam, nas vossas palavras, essa abordagem estratégica e o que ela significa no trabalho diário com clientes?
BRUNA BORGES — Compreender o zeitgeist já é, por si só, uma tarefa complexa. Implica interpretar o momento sociocultural e económico do mundo para, a partir daí, entender o chamado “espírito do tempo”. É esse olhar que nos permite traduzir os movimentos que impactam consumo e comunicação, e que influenciam diretamente o posicionamento das marcas no mercado. Por outro lado, é comum que as marcas se tornem hiper imersas no seu próprio universo, correndo o risco de ter uma visão “míope” em relação às oportunidades que uma leitura mais ampla de mundo pode trazer — e digo isso com a propriedade de quem trabalhou anos dentro do time de comunicação de uma marca global. Isso não é um erro, é uma consequência. É natural que, dentro da operação, os olhares estejam voltados para dentro, respondendo às exigências e aos desafios do negócio. É aí que vejo a OOO como peça central na parceria com os seus clientes. A agência atua como um radar sempre ligado e conectado ao mundo. Estamos o tempo todo atentos ao zeitgeist que se vai construindo e, com isso, identificando oportunidades de comunicação e de negócio que possam ser inovadoras e colocar os nossos clientes à frente dos seus concorrentes. Para isso, construímos equipas que são observadoras e sagazes, e que sabem da sua responsabilidade constante de identificar oportunidades e levá-las para dentro das marcas no timing correto. Dessa forma, acreditamos que um cliente nosso possui um “passaporte” para obter um radar cultural de mercado acionado o tempo todo, e a tranquilidade de que tem um parceiro olhando para isso e buscando adicionar inteligência à camada do seu negócio.

Bruna Borges é Head of Agency Strategy and Operations da OOO
“Based nowhere, but often found in LIS – NY – SP”. Esta forma de estar influenciou a vossa cultura interna e a forma como se relacionam com talentos e clientes?
B.B. — Completamente. A nossa cultura foi muito costurada desde o dia 1 pelo facto de estarmos literalmente OUT OF OFFICE. Como o próprio nome diz, somos 100% remotos e não possuímos escritório físico em nenhum lugar do mundo. Apesar de termos bases de apoio nos EUA, Brasil e Europa, a teoria do “based nowhere” proporcionou-nos estarmos também “based anywhere". Com isso, já construímos equipas inteiras ao redor do mundo como no UK, US e Índia, por exemplo, para respondermos a necessidades específicas de projetos globais, e tudo isso sem enfrentarmos qualquer barreira física. Além disso, percebemos que, para determinados clientes e projetos, é fundamental termos uma diversidade regional dentro da construção da equipa, proporcionando, assim, um olhar mais múltiplo e descentralizado sobre o desafio. Temos clientes brasileiros que possuem equipas com pessoas de todas as regiões do Brasil e, se fôssemos uma agência baseada fisicamente em São Paulo, por exemplo, isso não seria possível. Dentro da operação, vejo que a cultura do trabalho remoto se cristalizou de forma a criar na equipa um enorme sentido de autogerenciamento e, com isso, uma autonomia ainda maior entre as equipas e suas lideranças, baseado na confiança em torno da entrega e não no micro-gerenciamento.
Qual é mesmo a filosofia de trabalho?
B.B. — Como o nome diz, somos 100% remotos. Acreditamos que a criatividade não mora entre as quatro paredes de um escritório, e que temos o poder de ampliar o nosso repertório estando com equipas plurais e óticas diversas vindas de diferentes lugares. Além disso, o tempo que perdíamos a deslocar-nos de casa para o escritório, todos os dias, pode ser melhor aproveitado para lermos um novo artigo, conhecermos uma nova referência ou termos um insight enquanto tomamos um café na varanda de casa. Acreditamos que a eficiência não está diretamente ligada ao encontro presencial dos nossos colaboradores, mas sim a um bom “way of working”, seja ele assíncrono ou não. É nisso que a nossa equipa de operações se foca mais, a cada dia, em encontrar formas de fazer o ambiente virtual de trabalho ser mais leve e fluído, termos colaboradores com clareza das suas entregas e autonomia sobre a sua gestão, muito baseado na confiança construída diariamente entre liderança e liderado.
"Sempre foi muito claro que o nosso desejo era entregar além da criatividade, mas também, adicionar inteligência à camada de negócios dos nossos clientes"
Que benefícios e desafios surgem em trabalhar em mercados tão distintos em termos culturais e de consumo?
B.B. — Conectando com a primeira pergunta, vejo que um dos benefícios é estarmos ligados a realidades distintas enquanto identificamos, também, semelhanças que nos dão pistas de como a comunicação caminha a nível global. Isso ajuda na compreensão e construção do zeitgeist, como mencionei. Por outro lado, é preciso entender de forma profunda o contexto de cada local e, por isso, buscamos construir equipas que possuem especialistas daquele território e que irão contribuir na conexão da ideia construída com o contexto local. Dificilmente alguém melhor do que um mexicano para ajuizar sobre o que irá ressoar da melhor forma no México, por exemplo. Dessa forma, conseguimos agregar aos projetos uma visão múltipla e global, sem nos desconectarmos totalmente com o contexto do local.
A vossa Newsletter no Substack é um conteúdo que acompanhamos e consideramos muito interessante e muito bem feito. Que origem teve essa ideia e que estratégia representa a existência da Newsletter?
B.B. — Desde o início da agência, sempre foi muito claro que o nosso desejo era entregar além da criatividade, mas também, adicionar inteligência à camada de negócios dos nossos clientes, agregando a nossa visão do mundo. A Newsletter surgiu como uma maneira de partilharmos essa visão e conectou a OOO com marcas incríveis que compactuam com a mesma forma de ver a comunicação, guiada pelo “inconformismo criativo”. Através da Newsletter, também fomos construindo uma comunidade de leitores que nos acompanha de forma interessada e que dividem connosco o ímpeto de questionar tudo o tempo todo. Muitos deles já viraram colaboradores e escreveram as suas próprias Newsletters, dado que esse é um espaço aberto para que qualquer um que trabalha connosco e tenha uma ideia fértil a ser compartilhada, possa contribuir.
Esta é apenas a primeira parte de uma entrevista mais alargada que o MOTIVO fez a Bruna Borges, da OUT OF OFFICE. Na segunda parte, falamos sobre inteligência artificial, economia da atenção e as tendências que vão redefinir o trabalho criativo.
(C) Foto de Kristin Wilson na Unsplash

#Protagonistas
Agência global sem escritório: como a OUT OF OFFICE lê o espírito do tempo das marcas
Num mercado criativo saturado de conteúdo, compreender o zeitgeist tornou-se uma vantagem competitiva para as marcas. A OUT OF OFFICE (OOO) construiu o seu modelo, precisamente, a partir dessa premissa: funcionar como um radar cultural permanente, capaz de interpretar e traduzir a evolução dos tempos em estratégia e comunicação. O MOTIVO conversou com Bruna Borges, Head of Agency Strategy and Operations da OOO, uma agência sem sede física e com equipas distribuídas entre Lisboa, Nova Iorque e São Paulo.
A OUT OF OFFICE (OOO) posiciona-se como uma agência que “conecta marcas ao zeitgeist”. Como definiriam, nas vossas palavras, essa abordagem estratégica e o que ela significa no trabalho diário com clientes?
BRUNA BORGES — Compreender o zeitgeist já é, por si só, uma tarefa complexa. Implica interpretar o momento sociocultural e económico do mundo para, a partir daí, entender o chamado “espírito do tempo”. É esse olhar que nos permite traduzir os movimentos que impactam consumo e comunicação, e que influenciam diretamente o posicionamento das marcas no mercado. Por outro lado, é comum que as marcas se tornem hiper imersas no seu próprio universo, correndo o risco de ter uma visão “míope” em relação às oportunidades que uma leitura mais ampla de mundo pode trazer — e digo isso com a propriedade de quem trabalhou anos dentro do time de comunicação de uma marca global. Isso não é um erro, é uma consequência. É natural que, dentro da operação, os olhares estejam voltados para dentro, respondendo às exigências e aos desafios do negócio. É aí que vejo a OOO como peça central na parceria com os seus clientes. A agência atua como um radar sempre ligado e conectado ao mundo. Estamos o tempo todo atentos ao zeitgeist que se vai construindo e, com isso, identificando oportunidades de comunicação e de negócio que possam ser inovadoras e colocar os nossos clientes à frente dos seus concorrentes. Para isso, construímos equipas que são observadoras e sagazes, e que sabem da sua responsabilidade constante de identificar oportunidades e levá-las para dentro das marcas no timing correto. Dessa forma, acreditamos que um cliente nosso possui um “passaporte” para obter um radar cultural de mercado acionado o tempo todo, e a tranquilidade de que tem um parceiro olhando para isso e buscando adicionar inteligência à camada do seu negócio.

Bruna Borges é Head of Agency Strategy and Operations da OOO
“Based nowhere, but often found in LIS – NY – SP”. Esta forma de estar influenciou a vossa cultura interna e a forma como se relacionam com talentos e clientes?
B.B. — Completamente. A nossa cultura foi muito costurada desde o dia 1 pelo facto de estarmos literalmente OUT OF OFFICE. Como o próprio nome diz, somos 100% remotos e não possuímos escritório físico em nenhum lugar do mundo. Apesar de termos bases de apoio nos EUA, Brasil e Europa, a teoria do “based nowhere” proporcionou-nos estarmos também “based anywhere". Com isso, já construímos equipas inteiras ao redor do mundo como no UK, US e Índia, por exemplo, para respondermos a necessidades específicas de projetos globais, e tudo isso sem enfrentarmos qualquer barreira física. Além disso, percebemos que, para determinados clientes e projetos, é fundamental termos uma diversidade regional dentro da construção da equipa, proporcionando, assim, um olhar mais múltiplo e descentralizado sobre o desafio. Temos clientes brasileiros que possuem equipas com pessoas de todas as regiões do Brasil e, se fôssemos uma agência baseada fisicamente em São Paulo, por exemplo, isso não seria possível. Dentro da operação, vejo que a cultura do trabalho remoto se cristalizou de forma a criar na equipa um enorme sentido de autogerenciamento e, com isso, uma autonomia ainda maior entre as equipas e suas lideranças, baseado na confiança em torno da entrega e não no micro-gerenciamento.
Qual é mesmo a filosofia de trabalho?
B.B. — Como o nome diz, somos 100% remotos. Acreditamos que a criatividade não mora entre as quatro paredes de um escritório, e que temos o poder de ampliar o nosso repertório estando com equipas plurais e óticas diversas vindas de diferentes lugares. Além disso, o tempo que perdíamos a deslocar-nos de casa para o escritório, todos os dias, pode ser melhor aproveitado para lermos um novo artigo, conhecermos uma nova referência ou termos um insight enquanto tomamos um café na varanda de casa. Acreditamos que a eficiência não está diretamente ligada ao encontro presencial dos nossos colaboradores, mas sim a um bom “way of working”, seja ele assíncrono ou não. É nisso que a nossa equipa de operações se foca mais, a cada dia, em encontrar formas de fazer o ambiente virtual de trabalho ser mais leve e fluído, termos colaboradores com clareza das suas entregas e autonomia sobre a sua gestão, muito baseado na confiança construída diariamente entre liderança e liderado.
"Sempre foi muito claro que o nosso desejo era entregar além da criatividade, mas também, adicionar inteligência à camada de negócios dos nossos clientes"
Que benefícios e desafios surgem em trabalhar em mercados tão distintos em termos culturais e de consumo?
B.B. — Conectando com a primeira pergunta, vejo que um dos benefícios é estarmos ligados a realidades distintas enquanto identificamos, também, semelhanças que nos dão pistas de como a comunicação caminha a nível global. Isso ajuda na compreensão e construção do zeitgeist, como mencionei. Por outro lado, é preciso entender de forma profunda o contexto de cada local e, por isso, buscamos construir equipas que possuem especialistas daquele território e que irão contribuir na conexão da ideia construída com o contexto local. Dificilmente alguém melhor do que um mexicano para ajuizar sobre o que irá ressoar da melhor forma no México, por exemplo. Dessa forma, conseguimos agregar aos projetos uma visão múltipla e global, sem nos desconectarmos totalmente com o contexto do local.
A vossa Newsletter no Substack é um conteúdo que acompanhamos e consideramos muito interessante e muito bem feito. Que origem teve essa ideia e que estratégia representa a existência da Newsletter?
B.B. — Desde o início da agência, sempre foi muito claro que o nosso desejo era entregar além da criatividade, mas também, adicionar inteligência à camada de negócios dos nossos clientes, agregando a nossa visão do mundo. A Newsletter surgiu como uma maneira de partilharmos essa visão e conectou a OOO com marcas incríveis que compactuam com a mesma forma de ver a comunicação, guiada pelo “inconformismo criativo”. Através da Newsletter, também fomos construindo uma comunidade de leitores que nos acompanha de forma interessada e que dividem connosco o ímpeto de questionar tudo o tempo todo. Muitos deles já viraram colaboradores e escreveram as suas próprias Newsletters, dado que esse é um espaço aberto para que qualquer um que trabalha connosco e tenha uma ideia fértil a ser compartilhada, possa contribuir.
Esta é apenas a primeira parte de uma entrevista mais alargada que o MOTIVO fez a Bruna Borges, da OUT OF OFFICE. Na segunda parte, falamos sobre inteligência artificial, economia da atenção e as tendências que vão redefinir o trabalho criativo.




