
#Protagonistas
Martim de Botton: "O trabalho remoto resolveu algumas questões, mas agravou outras"
Em entrevista ao MOTIVO, o CEO do LACS fala sobre a lógica de trabalho flexível, os benefícios de partilhar escritório, o tipo de clientes que procura um cowork e partilha ainda a sua visão sobre liderar um projeto que está assente em comunidade.
Durante anos, o escritório foi sinónimo de obrigação. Hoje, fala-se de experiência, comunidade e pertença. O que mudou, na prática?
MARTIM DE BOTTON — O contexto imobiliário dos escritórios tem vindo a mudar de forma crescente ao longo dos últimos seis anos. Hoje, as pessoas querem ir para o escritório porque encontram algo que não existe em casa: contexto, relação, estímulo e troca. O escritório deixou de ser um espaço de controlo e passou a ser um espaço de conexão, onde as equipas se encontram, as decisões importantes acontecem e a cultura se constrói. Em paralelo, as empresas deixaram de procurar edifícios isolados e rígidos, pressionadas pela inflação imobiliária, e passaram a valorizar soluções flexíveis como o LACS, que concentram tudo numa única mensalidade e se adaptam ao momento do negócio.

Martim de Botton assumiu a liderança do LACS em outubro de 2022
Em que é que o LACS é diferente de um coworking tradicional? Onde é que começa a arquitetura e acaba a cultura, ou vice-versa?
M.B. — O imaginário de um cowork remete-nos para open spaces onde estão vários freelancers, ou até mesmo pequenas empresas, a trabalhar em conjunto, mas o LACS é muito mais do que isso. Além de termos os nossos espaços de cowork dentro dos edifícios, trabalhamos com empresas de todas as dimensões, oferecendo salas privadas (os nossos private offices) integradas num ecossistema partilhado. Isso permite às empresas operarem com menos metros quadrados do que num escritório tradicional, usando de forma inteligente os espaços comuns. O resultado são menos edifícios exclusivos e mais espaços de partilha e convívio. No LACS, arquitetura e cultura são indissociáveis: os espaços são desenhados para servir as empresas, mas também para promover encontro, troca e comunidade.
O trabalho remoto prometeu liberdade, mas também trouxe isolamento. Estamos a assistir a um regresso aos espaços partilhados por necessidade humana?
M.B. — O trabalho remoto resolveu algumas questões, mas agravou outras e a solidão profissional e social foi uma delas. É diferente uma pessoa estar a trabalhar num espaço de trabalho flexível, com outras empresas e outras pessoas, onde existe um estímulo pelo contacto humano, face a estar em casa, onde vive a rotina e lhe falta este espaço em que a troca acontece de forma natural e contínua. Hoje, as empresas e as pessoas estão à procura de um equilíbrio e os nossos espaços oferecem essas soluções, pois os edifícios estão localizados em zonas de fácil acesso, perto de áreas de residência, o que diminui o tempo no trajeto casa–trabalho–casa e são também desenhados a pensar no bem-estar de quem os frequenta. Há decisões, conversas e momentos de criação coletiva que simplesmente não acontecem com a mesma qualidade através de um ecrã.
"A nova geração não está contra o trabalho, está contra modelos rígidos, vazios e pouco humanos"
Que tipo de pessoas e empresas procuram hoje o LACS? E o que é que isso diz sobre a nova geração de profissionais?
M.B. — Espaços de trabalho flexíveis como o LACS são atualmente procurados por todo o tipo de empresas: desde equipas criativas e startups, a scale-ups e empresas mais estruturadas. Se, há alguns anos, éramos vistos como uma solução temporária ou informal, hoje, somos uma alternativa sólida ao arrendamento tradicional. O facto de oferecermos flexibilidade, possibilidade de contacto entre pessoas de diferentes culturas e empresas de diferentes quadrantes, um serviço “chave na mão” e com maior previsibilidade de custos, comparando ao mercado tradicional, faz com que as empresas tenham começado a olhar para o LACS como a escolha perfeita para se instalarem. A nova geração não está contra o trabalho, está contra modelos rígidos, vazios e pouco humanos.

Atualmente, o LACS conta com cinco localizações entre Cascais, Lisboa e Porto. Todos têm áreas comuns e um constante apelo ao sentido de comunidade
Como é que têm vindo a construir uma comunidade verdadeira e não apenas um espaço de trabalho bonito?
M.B. — Com os parceiros e a equipa certa. Uma comunidade não se cria com eventos pontuais nem com design bonito. Cria-se com equipas on-site, escuta ativa, curadoria de parceiros e uma cultura clara. No LACS, a comunidade é um trabalho diário, operacional, quase invisível e é exatamente por isso que funciona. Existe um foco claríssimo na satisfação máxima do cliente.
Lisboa tornou-se uma cidade de trabalho híbrido e criativo. Que papel projetos como o LACS podem ter na vida dos bairros e da cidade?
M.B. — Um papel muito concreto: aliviar a pressão imobiliária e dinamizar a cidade. Num espaço de trabalho flexível, as empresas precisam de menos área privada porque partilham infraestruturas comuns, o que evita a proliferação de edifícios exclusivos para escritórios. Além disso, a diversidade de empresas e pessoas num edifício, com diferentes horários e estilos de vida, cria um consumo local diverso ao longo do dia e dá vida contínua aos bairros, em vez de uma lógica rígida das 9h às 18h. Isso torna a cidade mais equilibrada, mais viva e mais sustentável.
"De uma forma geral, liderança não é controlo"
Liderar um projeto baseado em comunidade é diferente de liderar uma empresa tradicional?
M.B. — Cada pessoa lidera da forma que acha mais eficiente para a sua equipa e que lhe trará melhores resultados. Dentro da minha visão do que é um líder, não acredito que o estilo deva mudar consoante o projeto. De uma forma geral, liderança não é controlo. Num ecossistema tão dinâmico e tão vivo como o LACS, temos de ter uma capacidade de adaptação rápida. É preciso ter as equipas muito envolvidas e haver um diálogo constante sobre o caminho a seguir. É fundamental definir princípios fortes, tomar decisões difíceis e confiar nas pessoas que convivem de perto com as comunidades dos edifícios.
Se tivesse de resumir numa frase, qual é o verdadeiro papel do LACS na vida de quem lá trabalha?
M.B. — Ser o espaço onde o trabalho faz sentido. Onde as equipas se encontram, os momentos importantes acontecem e o crescimento empresarial e pessoal é vivido em comunidade.

#Protagonistas
Martim de Botton: "O trabalho remoto resolveu algumas questões, mas agravou outras"
Em entrevista ao MOTIVO, o CEO do LACS fala sobre a lógica de trabalho flexível, os benefícios de partilhar escritório, o tipo de clientes que procura um cowork e partilha ainda a sua visão sobre liderar um projeto que está assente em comunidade.
Durante anos, o escritório foi sinónimo de obrigação. Hoje, fala-se de experiência, comunidade e pertença. O que mudou, na prática?
MARTIM DE BOTTON — O contexto imobiliário dos escritórios tem vindo a mudar de forma crescente ao longo dos últimos seis anos. Hoje, as pessoas querem ir para o escritório porque encontram algo que não existe em casa: contexto, relação, estímulo e troca. O escritório deixou de ser um espaço de controlo e passou a ser um espaço de conexão, onde as equipas se encontram, as decisões importantes acontecem e a cultura se constrói. Em paralelo, as empresas deixaram de procurar edifícios isolados e rígidos, pressionadas pela inflação imobiliária, e passaram a valorizar soluções flexíveis como o LACS, que concentram tudo numa única mensalidade e se adaptam ao momento do negócio.

Martim de Botton assumiu a liderança do LACS em outubro de 2022
Em que é que o LACS é diferente de um coworking tradicional? Onde é que começa a arquitetura e acaba a cultura, ou vice-versa?
M.B. — O imaginário de um cowork remete-nos para open spaces onde estão vários freelancers, ou até mesmo pequenas empresas, a trabalhar em conjunto, mas o LACS é muito mais do que isso. Além de termos os nossos espaços de cowork dentro dos edifícios, trabalhamos com empresas de todas as dimensões, oferecendo salas privadas (os nossos private offices) integradas num ecossistema partilhado. Isso permite às empresas operarem com menos metros quadrados do que num escritório tradicional, usando de forma inteligente os espaços comuns. O resultado são menos edifícios exclusivos e mais espaços de partilha e convívio. No LACS, arquitetura e cultura são indissociáveis: os espaços são desenhados para servir as empresas, mas também para promover encontro, troca e comunidade.
O trabalho remoto prometeu liberdade, mas também trouxe isolamento. Estamos a assistir a um regresso aos espaços partilhados por necessidade humana?
M.B. — O trabalho remoto resolveu algumas questões, mas agravou outras e a solidão profissional e social foi uma delas. É diferente uma pessoa estar a trabalhar num espaço de trabalho flexível, com outras empresas e outras pessoas, onde existe um estímulo pelo contacto humano, face a estar em casa, onde vive a rotina e lhe falta este espaço em que a troca acontece de forma natural e contínua. Hoje, as empresas e as pessoas estão à procura de um equilíbrio e os nossos espaços oferecem essas soluções, pois os edifícios estão localizados em zonas de fácil acesso, perto de áreas de residência, o que diminui o tempo no trajeto casa–trabalho–casa e são também desenhados a pensar no bem-estar de quem os frequenta. Há decisões, conversas e momentos de criação coletiva que simplesmente não acontecem com a mesma qualidade através de um ecrã.
"A nova geração não está contra o trabalho, está contra modelos rígidos, vazios e pouco humanos"
Que tipo de pessoas e empresas procuram hoje o LACS? E o que é que isso diz sobre a nova geração de profissionais?
M.B. — Espaços de trabalho flexíveis como o LACS são atualmente procurados por todo o tipo de empresas: desde equipas criativas e startups, a scale-ups e empresas mais estruturadas. Se, há alguns anos, éramos vistos como uma solução temporária ou informal, hoje, somos uma alternativa sólida ao arrendamento tradicional. O facto de oferecermos flexibilidade, possibilidade de contacto entre pessoas de diferentes culturas e empresas de diferentes quadrantes, um serviço “chave na mão” e com maior previsibilidade de custos, comparando ao mercado tradicional, faz com que as empresas tenham começado a olhar para o LACS como a escolha perfeita para se instalarem. A nova geração não está contra o trabalho, está contra modelos rígidos, vazios e pouco humanos.

Atualmente, o LACS conta com cinco localizações entre Cascais, Lisboa e Porto. Todos têm áreas comuns e um constante apelo ao sentido de comunidade
Como é que têm vindo a construir uma comunidade verdadeira e não apenas um espaço de trabalho bonito?
M.B. — Com os parceiros e a equipa certa. Uma comunidade não se cria com eventos pontuais nem com design bonito. Cria-se com equipas on-site, escuta ativa, curadoria de parceiros e uma cultura clara. No LACS, a comunidade é um trabalho diário, operacional, quase invisível e é exatamente por isso que funciona. Existe um foco claríssimo na satisfação máxima do cliente.
Lisboa tornou-se uma cidade de trabalho híbrido e criativo. Que papel projetos como o LACS podem ter na vida dos bairros e da cidade?
M.B. — Um papel muito concreto: aliviar a pressão imobiliária e dinamizar a cidade. Num espaço de trabalho flexível, as empresas precisam de menos área privada porque partilham infraestruturas comuns, o que evita a proliferação de edifícios exclusivos para escritórios. Além disso, a diversidade de empresas e pessoas num edifício, com diferentes horários e estilos de vida, cria um consumo local diverso ao longo do dia e dá vida contínua aos bairros, em vez de uma lógica rígida das 9h às 18h. Isso torna a cidade mais equilibrada, mais viva e mais sustentável.
"De uma forma geral, liderança não é controlo"
Liderar um projeto baseado em comunidade é diferente de liderar uma empresa tradicional?
M.B. — Cada pessoa lidera da forma que acha mais eficiente para a sua equipa e que lhe trará melhores resultados. Dentro da minha visão do que é um líder, não acredito que o estilo deva mudar consoante o projeto. De uma forma geral, liderança não é controlo. Num ecossistema tão dinâmico e tão vivo como o LACS, temos de ter uma capacidade de adaptação rápida. É preciso ter as equipas muito envolvidas e haver um diálogo constante sobre o caminho a seguir. É fundamental definir princípios fortes, tomar decisões difíceis e confiar nas pessoas que convivem de perto com as comunidades dos edifícios.
Se tivesse de resumir numa frase, qual é o verdadeiro papel do LACS na vida de quem lá trabalha?
M.B. — Ser o espaço onde o trabalho faz sentido. Onde as equipas se encontram, os momentos importantes acontecem e o crescimento empresarial e pessoal é vivido em comunidade.

#Protagonistas
Martim de Botton: "O trabalho remoto resolveu algumas questões, mas agravou outras"
Em entrevista ao MOTIVO, o CEO do LACS fala sobre a lógica de trabalho flexível, os benefícios de partilhar escritório, o tipo de clientes que procura um cowork e partilha ainda a sua visão sobre liderar um projeto que está assente em comunidade.
Durante anos, o escritório foi sinónimo de obrigação. Hoje, fala-se de experiência, comunidade e pertença. O que mudou, na prática?
MARTIM DE BOTTON — O contexto imobiliário dos escritórios tem vindo a mudar de forma crescente ao longo dos últimos seis anos. Hoje, as pessoas querem ir para o escritório porque encontram algo que não existe em casa: contexto, relação, estímulo e troca. O escritório deixou de ser um espaço de controlo e passou a ser um espaço de conexão, onde as equipas se encontram, as decisões importantes acontecem e a cultura se constrói. Em paralelo, as empresas deixaram de procurar edifícios isolados e rígidos, pressionadas pela inflação imobiliária, e passaram a valorizar soluções flexíveis como o LACS, que concentram tudo numa única mensalidade e se adaptam ao momento do negócio.

Martim de Botton assumiu a liderança do LACS em outubro de 2022
Em que é que o LACS é diferente de um coworking tradicional? Onde é que começa a arquitetura e acaba a cultura, ou vice-versa?
M.B. — O imaginário de um cowork remete-nos para open spaces onde estão vários freelancers, ou até mesmo pequenas empresas, a trabalhar em conjunto, mas o LACS é muito mais do que isso. Além de termos os nossos espaços de cowork dentro dos edifícios, trabalhamos com empresas de todas as dimensões, oferecendo salas privadas (os nossos private offices) integradas num ecossistema partilhado. Isso permite às empresas operarem com menos metros quadrados do que num escritório tradicional, usando de forma inteligente os espaços comuns. O resultado são menos edifícios exclusivos e mais espaços de partilha e convívio. No LACS, arquitetura e cultura são indissociáveis: os espaços são desenhados para servir as empresas, mas também para promover encontro, troca e comunidade.
O trabalho remoto prometeu liberdade, mas também trouxe isolamento. Estamos a assistir a um regresso aos espaços partilhados por necessidade humana?
M.B. — O trabalho remoto resolveu algumas questões, mas agravou outras e a solidão profissional e social foi uma delas. É diferente uma pessoa estar a trabalhar num espaço de trabalho flexível, com outras empresas e outras pessoas, onde existe um estímulo pelo contacto humano, face a estar em casa, onde vive a rotina e lhe falta este espaço em que a troca acontece de forma natural e contínua. Hoje, as empresas e as pessoas estão à procura de um equilíbrio e os nossos espaços oferecem essas soluções, pois os edifícios estão localizados em zonas de fácil acesso, perto de áreas de residência, o que diminui o tempo no trajeto casa–trabalho–casa e são também desenhados a pensar no bem-estar de quem os frequenta. Há decisões, conversas e momentos de criação coletiva que simplesmente não acontecem com a mesma qualidade através de um ecrã.
"A nova geração não está contra o trabalho, está contra modelos rígidos, vazios e pouco humanos"
Que tipo de pessoas e empresas procuram hoje o LACS? E o que é que isso diz sobre a nova geração de profissionais?
M.B. — Espaços de trabalho flexíveis como o LACS são atualmente procurados por todo o tipo de empresas: desde equipas criativas e startups, a scale-ups e empresas mais estruturadas. Se, há alguns anos, éramos vistos como uma solução temporária ou informal, hoje, somos uma alternativa sólida ao arrendamento tradicional. O facto de oferecermos flexibilidade, possibilidade de contacto entre pessoas de diferentes culturas e empresas de diferentes quadrantes, um serviço “chave na mão” e com maior previsibilidade de custos, comparando ao mercado tradicional, faz com que as empresas tenham começado a olhar para o LACS como a escolha perfeita para se instalarem. A nova geração não está contra o trabalho, está contra modelos rígidos, vazios e pouco humanos.

Atualmente, o LACS conta com cinco localizações entre Cascais, Lisboa e Porto. Todos têm áreas comuns e um constante apelo ao sentido de comunidade
Como é que têm vindo a construir uma comunidade verdadeira e não apenas um espaço de trabalho bonito?
M.B. — Com os parceiros e a equipa certa. Uma comunidade não se cria com eventos pontuais nem com design bonito. Cria-se com equipas on-site, escuta ativa, curadoria de parceiros e uma cultura clara. No LACS, a comunidade é um trabalho diário, operacional, quase invisível e é exatamente por isso que funciona. Existe um foco claríssimo na satisfação máxima do cliente.
Lisboa tornou-se uma cidade de trabalho híbrido e criativo. Que papel projetos como o LACS podem ter na vida dos bairros e da cidade?
M.B. — Um papel muito concreto: aliviar a pressão imobiliária e dinamizar a cidade. Num espaço de trabalho flexível, as empresas precisam de menos área privada porque partilham infraestruturas comuns, o que evita a proliferação de edifícios exclusivos para escritórios. Além disso, a diversidade de empresas e pessoas num edifício, com diferentes horários e estilos de vida, cria um consumo local diverso ao longo do dia e dá vida contínua aos bairros, em vez de uma lógica rígida das 9h às 18h. Isso torna a cidade mais equilibrada, mais viva e mais sustentável.
"De uma forma geral, liderança não é controlo"
Liderar um projeto baseado em comunidade é diferente de liderar uma empresa tradicional?
M.B. — Cada pessoa lidera da forma que acha mais eficiente para a sua equipa e que lhe trará melhores resultados. Dentro da minha visão do que é um líder, não acredito que o estilo deva mudar consoante o projeto. De uma forma geral, liderança não é controlo. Num ecossistema tão dinâmico e tão vivo como o LACS, temos de ter uma capacidade de adaptação rápida. É preciso ter as equipas muito envolvidas e haver um diálogo constante sobre o caminho a seguir. É fundamental definir princípios fortes, tomar decisões difíceis e confiar nas pessoas que convivem de perto com as comunidades dos edifícios.
Se tivesse de resumir numa frase, qual é o verdadeiro papel do LACS na vida de quem lá trabalha?
M.B. — Ser o espaço onde o trabalho faz sentido. Onde as equipas se encontram, os momentos importantes acontecem e o crescimento empresarial e pessoal é vivido em comunidade.

#Protagonistas
Martim de Botton: "O trabalho remoto resolveu algumas questões, mas agravou outras"
Em entrevista ao MOTIVO, o CEO do LACS fala sobre a lógica de trabalho flexível, os benefícios de partilhar escritório, o tipo de clientes que procura um cowork e partilha ainda a sua visão sobre liderar um projeto que está assente em comunidade.
Durante anos, o escritório foi sinónimo de obrigação. Hoje, fala-se de experiência, comunidade e pertença. O que mudou, na prática?
MARTIM DE BOTTON — O contexto imobiliário dos escritórios tem vindo a mudar de forma crescente ao longo dos últimos seis anos. Hoje, as pessoas querem ir para o escritório porque encontram algo que não existe em casa: contexto, relação, estímulo e troca. O escritório deixou de ser um espaço de controlo e passou a ser um espaço de conexão, onde as equipas se encontram, as decisões importantes acontecem e a cultura se constrói. Em paralelo, as empresas deixaram de procurar edifícios isolados e rígidos, pressionadas pela inflação imobiliária, e passaram a valorizar soluções flexíveis como o LACS, que concentram tudo numa única mensalidade e se adaptam ao momento do negócio.

Martim de Botton assumiu a liderança do LACS em outubro de 2022
Em que é que o LACS é diferente de um coworking tradicional? Onde é que começa a arquitetura e acaba a cultura, ou vice-versa?
M.B. — O imaginário de um cowork remete-nos para open spaces onde estão vários freelancers, ou até mesmo pequenas empresas, a trabalhar em conjunto, mas o LACS é muito mais do que isso. Além de termos os nossos espaços de cowork dentro dos edifícios, trabalhamos com empresas de todas as dimensões, oferecendo salas privadas (os nossos private offices) integradas num ecossistema partilhado. Isso permite às empresas operarem com menos metros quadrados do que num escritório tradicional, usando de forma inteligente os espaços comuns. O resultado são menos edifícios exclusivos e mais espaços de partilha e convívio. No LACS, arquitetura e cultura são indissociáveis: os espaços são desenhados para servir as empresas, mas também para promover encontro, troca e comunidade.
O trabalho remoto prometeu liberdade, mas também trouxe isolamento. Estamos a assistir a um regresso aos espaços partilhados por necessidade humana?
M.B. — O trabalho remoto resolveu algumas questões, mas agravou outras e a solidão profissional e social foi uma delas. É diferente uma pessoa estar a trabalhar num espaço de trabalho flexível, com outras empresas e outras pessoas, onde existe um estímulo pelo contacto humano, face a estar em casa, onde vive a rotina e lhe falta este espaço em que a troca acontece de forma natural e contínua. Hoje, as empresas e as pessoas estão à procura de um equilíbrio e os nossos espaços oferecem essas soluções, pois os edifícios estão localizados em zonas de fácil acesso, perto de áreas de residência, o que diminui o tempo no trajeto casa–trabalho–casa e são também desenhados a pensar no bem-estar de quem os frequenta. Há decisões, conversas e momentos de criação coletiva que simplesmente não acontecem com a mesma qualidade através de um ecrã.
"A nova geração não está contra o trabalho, está contra modelos rígidos, vazios e pouco humanos"
Que tipo de pessoas e empresas procuram hoje o LACS? E o que é que isso diz sobre a nova geração de profissionais?
M.B. — Espaços de trabalho flexíveis como o LACS são atualmente procurados por todo o tipo de empresas: desde equipas criativas e startups, a scale-ups e empresas mais estruturadas. Se, há alguns anos, éramos vistos como uma solução temporária ou informal, hoje, somos uma alternativa sólida ao arrendamento tradicional. O facto de oferecermos flexibilidade, possibilidade de contacto entre pessoas de diferentes culturas e empresas de diferentes quadrantes, um serviço “chave na mão” e com maior previsibilidade de custos, comparando ao mercado tradicional, faz com que as empresas tenham começado a olhar para o LACS como a escolha perfeita para se instalarem. A nova geração não está contra o trabalho, está contra modelos rígidos, vazios e pouco humanos.

Atualmente, o LACS conta com cinco localizações entre Cascais, Lisboa e Porto. Todos têm áreas comuns e um constante apelo ao sentido de comunidade
Como é que têm vindo a construir uma comunidade verdadeira e não apenas um espaço de trabalho bonito?
M.B. — Com os parceiros e a equipa certa. Uma comunidade não se cria com eventos pontuais nem com design bonito. Cria-se com equipas on-site, escuta ativa, curadoria de parceiros e uma cultura clara. No LACS, a comunidade é um trabalho diário, operacional, quase invisível e é exatamente por isso que funciona. Existe um foco claríssimo na satisfação máxima do cliente.
Lisboa tornou-se uma cidade de trabalho híbrido e criativo. Que papel projetos como o LACS podem ter na vida dos bairros e da cidade?
M.B. — Um papel muito concreto: aliviar a pressão imobiliária e dinamizar a cidade. Num espaço de trabalho flexível, as empresas precisam de menos área privada porque partilham infraestruturas comuns, o que evita a proliferação de edifícios exclusivos para escritórios. Além disso, a diversidade de empresas e pessoas num edifício, com diferentes horários e estilos de vida, cria um consumo local diverso ao longo do dia e dá vida contínua aos bairros, em vez de uma lógica rígida das 9h às 18h. Isso torna a cidade mais equilibrada, mais viva e mais sustentável.
"De uma forma geral, liderança não é controlo"
Liderar um projeto baseado em comunidade é diferente de liderar uma empresa tradicional?
M.B. — Cada pessoa lidera da forma que acha mais eficiente para a sua equipa e que lhe trará melhores resultados. Dentro da minha visão do que é um líder, não acredito que o estilo deva mudar consoante o projeto. De uma forma geral, liderança não é controlo. Num ecossistema tão dinâmico e tão vivo como o LACS, temos de ter uma capacidade de adaptação rápida. É preciso ter as equipas muito envolvidas e haver um diálogo constante sobre o caminho a seguir. É fundamental definir princípios fortes, tomar decisões difíceis e confiar nas pessoas que convivem de perto com as comunidades dos edifícios.
Se tivesse de resumir numa frase, qual é o verdadeiro papel do LACS na vida de quem lá trabalha?
M.B. — Ser o espaço onde o trabalho faz sentido. Onde as equipas se encontram, os momentos importantes acontecem e o crescimento empresarial e pessoal é vivido em comunidade.




