
Fui criado por três mulheres: a minha mãe, a minha avó e a minha outra avó. Apesar da falta de aspas, estas palavras não são realmente minhas, pertencem ao início de Agarrar a Faca pelo Gume. Na verdade, não fui criado exatamente pelas mulheres que aqui referi. Na casa onde fui criado, tinha a minha mãe e as minhas irmãs. Para o que pretendo dizer, esse é um detalhe. Se parafraseio este início do livro de Inês Bernardo, é porque, depois de lê-lo, sinto que há vínculos entre essas mulheres e as mulheres que conheço. Com muita probabilidade, essa relação pode estabelecer-se relativamente à maioria das mulheres portuguesas das últimas décadas.

As diferentes gerações femininas que habitam estas páginas, as suas histórias, segmentadas por múltiplos episódios, são como um paradigma caleidoscópico, um espelho partido que, com frequência, reflete o que conhecemos. A narradora, principalmente na segunda parte do texto, traz-nos ecos de uma vivência mais contemporânea, desafios que as mulheres atravessam hoje. Ainda assim, a biografia da mãe e das avós fala-nos também sobre a nossa realidade. Mesmo quando o contexto histórico mudou, ficam ali expostas raízes que, mais tarde, se desenvolvem, que nunca existem sem consequências.
O cotejamento entre o que é narrado e o que conhecemos pode aproximar-nos ou afastar-nos, mas nunca deixa de nos tocar e envolver. Os capítulos breves criam um ritmo célere e, talvez por isso mesmo, são contundentes, são como o gume da faca, não é raro que incomodem. Esse desconforto, no entanto, parece necessário, é uma forma de crescermos.
Entre o explícito e o simbólico, a condição das mulheres afirma-se como o eixo central deste livro. Ou seja, é tratado um tema universal, que diz respeito a todas as pessoas.
Agarrar a Faca pelo Gume, Inês Bernardo, Tinta da China, 2026
José Luís Peixoto assina a rubrica Os Livros Pensam, quinzenalmente, no MOTIVO.

Fui criado por três mulheres: a minha mãe, a minha avó e a minha outra avó. Apesar da falta de aspas, estas palavras não são realmente minhas, pertencem ao início de Agarrar a Faca pelo Gume. Na verdade, não fui criado exatamente pelas mulheres que aqui referi. Na casa onde fui criado, tinha a minha mãe e as minhas irmãs. Para o que pretendo dizer, esse é um detalhe. Se parafraseio este início do livro de Inês Bernardo, é porque, depois de lê-lo, sinto que há vínculos entre essas mulheres e as mulheres que conheço. Com muita probabilidade, essa relação pode estabelecer-se relativamente à maioria das mulheres portuguesas das últimas décadas.

As diferentes gerações femininas que habitam estas páginas, as suas histórias, segmentadas por múltiplos episódios, são como um paradigma caleidoscópico, um espelho partido que, com frequência, reflete o que conhecemos. A narradora, principalmente na segunda parte do texto, traz-nos ecos de uma vivência mais contemporânea, desafios que as mulheres atravessam hoje. Ainda assim, a biografia da mãe e das avós fala-nos também sobre a nossa realidade. Mesmo quando o contexto histórico mudou, ficam ali expostas raízes que, mais tarde, se desenvolvem, que nunca existem sem consequências.
O cotejamento entre o que é narrado e o que conhecemos pode aproximar-nos ou afastar-nos, mas nunca deixa de nos tocar e envolver. Os capítulos breves criam um ritmo célere e, talvez por isso mesmo, são contundentes, são como o gume da faca, não é raro que incomodem. Esse desconforto, no entanto, parece necessário, é uma forma de crescermos.
Entre o explícito e o simbólico, a condição das mulheres afirma-se como o eixo central deste livro. Ou seja, é tratado um tema universal, que diz respeito a todas as pessoas.
Agarrar a Faca pelo Gume, Inês Bernardo, Tinta da China, 2026
José Luís Peixoto assina a rubrica Os Livros Pensam, quinzenalmente, no MOTIVO.

Fui criado por três mulheres: a minha mãe, a minha avó e a minha outra avó. Apesar da falta de aspas, estas palavras não são realmente minhas, pertencem ao início de Agarrar a Faca pelo Gume. Na verdade, não fui criado exatamente pelas mulheres que aqui referi. Na casa onde fui criado, tinha a minha mãe e as minhas irmãs. Para o que pretendo dizer, esse é um detalhe. Se parafraseio este início do livro de Inês Bernardo, é porque, depois de lê-lo, sinto que há vínculos entre essas mulheres e as mulheres que conheço. Com muita probabilidade, essa relação pode estabelecer-se relativamente à maioria das mulheres portuguesas das últimas décadas.

As diferentes gerações femininas que habitam estas páginas, as suas histórias, segmentadas por múltiplos episódios, são como um paradigma caleidoscópico, um espelho partido que, com frequência, reflete o que conhecemos. A narradora, principalmente na segunda parte do texto, traz-nos ecos de uma vivência mais contemporânea, desafios que as mulheres atravessam hoje. Ainda assim, a biografia da mãe e das avós fala-nos também sobre a nossa realidade. Mesmo quando o contexto histórico mudou, ficam ali expostas raízes que, mais tarde, se desenvolvem, que nunca existem sem consequências.
O cotejamento entre o que é narrado e o que conhecemos pode aproximar-nos ou afastar-nos, mas nunca deixa de nos tocar e envolver. Os capítulos breves criam um ritmo célere e, talvez por isso mesmo, são contundentes, são como o gume da faca, não é raro que incomodem. Esse desconforto, no entanto, parece necessário, é uma forma de crescermos.
Entre o explícito e o simbólico, a condição das mulheres afirma-se como o eixo central deste livro. Ou seja, é tratado um tema universal, que diz respeito a todas as pessoas.
Agarrar a Faca pelo Gume, Inês Bernardo, Tinta da China, 2026
José Luís Peixoto assina a rubrica Os Livros Pensam, quinzenalmente, no MOTIVO.

Fui criado por três mulheres: a minha mãe, a minha avó e a minha outra avó. Apesar da falta de aspas, estas palavras não são realmente minhas, pertencem ao início de Agarrar a Faca pelo Gume. Na verdade, não fui criado exatamente pelas mulheres que aqui referi. Na casa onde fui criado, tinha a minha mãe e as minhas irmãs. Para o que pretendo dizer, esse é um detalhe. Se parafraseio este início do livro de Inês Bernardo, é porque, depois de lê-lo, sinto que há vínculos entre essas mulheres e as mulheres que conheço. Com muita probabilidade, essa relação pode estabelecer-se relativamente à maioria das mulheres portuguesas das últimas décadas.

As diferentes gerações femininas que habitam estas páginas, as suas histórias, segmentadas por múltiplos episódios, são como um paradigma caleidoscópico, um espelho partido que, com frequência, reflete o que conhecemos. A narradora, principalmente na segunda parte do texto, traz-nos ecos de uma vivência mais contemporânea, desafios que as mulheres atravessam hoje. Ainda assim, a biografia da mãe e das avós fala-nos também sobre a nossa realidade. Mesmo quando o contexto histórico mudou, ficam ali expostas raízes que, mais tarde, se desenvolvem, que nunca existem sem consequências.
O cotejamento entre o que é narrado e o que conhecemos pode aproximar-nos ou afastar-nos, mas nunca deixa de nos tocar e envolver. Os capítulos breves criam um ritmo célere e, talvez por isso mesmo, são contundentes, são como o gume da faca, não é raro que incomodem. Esse desconforto, no entanto, parece necessário, é uma forma de crescermos.
Entre o explícito e o simbólico, a condição das mulheres afirma-se como o eixo central deste livro. Ou seja, é tratado um tema universal, que diz respeito a todas as pessoas.
Agarrar a Faca pelo Gume, Inês Bernardo, Tinta da China, 2026




