#Protagonistas

Como Joana Barrios transformou as marmitas que prepara para os filhos numa comunidade digital

Num tempo dominado por conteúdos rápidos e altamente polidos, Joana Barrios escolheu o caminho oposto. A partir de algo tão quotidiano como a preparação das marmitas, criou um canal de transmissão no Instagram que reúne milhares de pessoas interessadas em acompanhar, sem filtros, a vida real. O resultado é uma comunidade próxima, atenta e inesperadamente envolvida.

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6 de fev. de 2026, 08:31

Quando, em meados de 2023, o Instagram anunciou a nova funcionalidade dos canais de transmissão, muitas marcas e criadores de conteúdo começaram a explorar aquele espaço, visto como uma espécie de chat de grupo e mais um ponto de contacto com os seguidores. A verdade é que, passados quase três anos, existem poucos casos em que a novidade se tenha revelado de enorme utilidade ou acrescentado resultados. Arriscamos a dizer que Joana Barrios é um dos melhores exemplos de utilização desta ferramenta, em Portugal. Porquê? Ora espreite:


O canal de transmissão de Joana Barrios tem mais de 12 mil seguidores


A criação do canal de transmissão dedicado às marmitas nasceu de um pequeno momento de fricção, sem uma grade estratégia por trás. Quando Joana Barrios perguntou nos stories se as pessoas queriam continuar a ver aquele tipo de conteúdo, algumas respostas foram negativas. “Fiquei assim um bocado aparvalhada”, admite. Em vez de abandonar o tema, decidiu repensar o formato. “Vi nessa resposta a oportunidade de repensar o conteúdo e a sua forma. O canal de transmissão pareceu-me uma excelente forma de viabilizar o mesmo conteúdo imediato, de forma mais elaborada, para quem o quer realmente consumir”. O resultado está à vista.

O crescimento do canal foi silencioso, mas expressivo. Só mais tarde Joana se apercebeu da dimensão que tinha atingido. “De repente, olhei e havia nove mil subscritores!”, conta. Apesar de reconhecer que o formato limita a ligação com quem está do outro lado: “não adoro a ausência de dinâmica do canal, porque não permite interação e isso irrita-me”, os números revelam uma atenção pouco comum nas redes sociais. As publicações têm uma taxa de visualização que ronda os 70%, o que, nos dias de hoje, é sinal de um público verdadeiramente interessado e presente.


Às fotografias das marmitas, Joana acrescenta uma descrição que não se limita a enumerar ingredientes. Com frequência, acrescenta comentários feitos pelos filhos ou pequenas reflexões quotidianas


A força dos MARMITTERS está, em grande parte, na honestidade do conteúdo. Não há mise-en-scène, nem preocupação em embelezar. “Acho que as pessoas gostam muito de ver que a comida é real, e a sério, e que não há ali nada de polimento da realidade”, explica. As marmitas refletem os dias como eles são: umas vezes mais elaborados, outras mais simples. “É a comida doméstica, dos dias, porque a vida também é assim”. Para Joana, essa franqueza cria identificação e vínculo. A comida carrega memórias, emoções e histórias, e isso passa para quem está do outro lado.

Mesmo mantendo um registo espontâneo, o projeto começou a ganhar outras formas. “Continua a obedecer a essa desobediência”, diz, assumindo uma relação deliberadamente solta com a ideia de consistência. Ainda assim, o canal deu origem a workshops e a uma pequena fanzine, CALDO, que acabou de ser reeditada, devido à procura. O crescimento existe, mas sem pressão. “Eu sou só uma a fazer estas coisas todas em registo de abertura de linhas de diálogo”, explica, sublinhando que o objetivo não é transformar o projeto numa máquina de receita, mas num espaço capacitador, quase experimental.


Joana Barrios é autora de cinco livros de receitas e de vários programas no 24Kitchen


No fundo, os MARMITTERS mostram que a construção de comunidade nas redes sociais não depende apenas de algoritmos ou formatos novos. Depende de escuta, de verdade e da coragem de assumir o quotidiano como ele é. “O caminho faz-se caminhando”, resume Joana Barrios. E, neste caso, faz-se também com marmitas.

#Protagonistas

Como Joana Barrios transformou as marmitas que prepara para os filhos numa comunidade digital

Num tempo dominado por conteúdos rápidos e altamente polidos, Joana Barrios escolheu o caminho oposto. A partir de algo tão quotidiano como a preparação das marmitas, criou um canal de transmissão no Instagram que reúne milhares de pessoas interessadas em acompanhar, sem filtros, a vida real. O resultado é uma comunidade próxima, atenta e inesperadamente envolvida.

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6 de fev. de 2026, 08:31

Quando, em meados de 2023, o Instagram anunciou a nova funcionalidade dos canais de transmissão, muitas marcas e criadores de conteúdo começaram a explorar aquele espaço, visto como uma espécie de chat de grupo e mais um ponto de contacto com os seguidores. A verdade é que, passados quase três anos, existem poucos casos em que a novidade se tenha revelado de enorme utilidade ou acrescentado resultados. Arriscamos a dizer que Joana Barrios é um dos melhores exemplos de utilização desta ferramenta, em Portugal. Porquê? Ora espreite:


O canal de transmissão de Joana Barrios tem mais de 12 mil seguidores


A criação do canal de transmissão dedicado às marmitas nasceu de um pequeno momento de fricção, sem uma grade estratégia por trás. Quando Joana Barrios perguntou nos stories se as pessoas queriam continuar a ver aquele tipo de conteúdo, algumas respostas foram negativas. “Fiquei assim um bocado aparvalhada”, admite. Em vez de abandonar o tema, decidiu repensar o formato. “Vi nessa resposta a oportunidade de repensar o conteúdo e a sua forma. O canal de transmissão pareceu-me uma excelente forma de viabilizar o mesmo conteúdo imediato, de forma mais elaborada, para quem o quer realmente consumir”. O resultado está à vista.

O crescimento do canal foi silencioso, mas expressivo. Só mais tarde Joana se apercebeu da dimensão que tinha atingido. “De repente, olhei e havia nove mil subscritores!”, conta. Apesar de reconhecer que o formato limita a ligação com quem está do outro lado: “não adoro a ausência de dinâmica do canal, porque não permite interação e isso irrita-me”, os números revelam uma atenção pouco comum nas redes sociais. As publicações têm uma taxa de visualização que ronda os 70%, o que, nos dias de hoje, é sinal de um público verdadeiramente interessado e presente.


Às fotografias das marmitas, Joana acrescenta uma descrição que não se limita a enumerar ingredientes. Com frequência, acrescenta comentários feitos pelos filhos ou pequenas reflexões quotidianas


A força dos MARMITTERS está, em grande parte, na honestidade do conteúdo. Não há mise-en-scène, nem preocupação em embelezar. “Acho que as pessoas gostam muito de ver que a comida é real, e a sério, e que não há ali nada de polimento da realidade”, explica. As marmitas refletem os dias como eles são: umas vezes mais elaborados, outras mais simples. “É a comida doméstica, dos dias, porque a vida também é assim”. Para Joana, essa franqueza cria identificação e vínculo. A comida carrega memórias, emoções e histórias, e isso passa para quem está do outro lado.

Mesmo mantendo um registo espontâneo, o projeto começou a ganhar outras formas. “Continua a obedecer a essa desobediência”, diz, assumindo uma relação deliberadamente solta com a ideia de consistência. Ainda assim, o canal deu origem a workshops e a uma pequena fanzine, CALDO, que acabou de ser reeditada, devido à procura. O crescimento existe, mas sem pressão. “Eu sou só uma a fazer estas coisas todas em registo de abertura de linhas de diálogo”, explica, sublinhando que o objetivo não é transformar o projeto numa máquina de receita, mas num espaço capacitador, quase experimental.


Joana Barrios é autora de cinco livros de receitas e de vários programas no 24Kitchen


No fundo, os MARMITTERS mostram que a construção de comunidade nas redes sociais não depende apenas de algoritmos ou formatos novos. Depende de escuta, de verdade e da coragem de assumir o quotidiano como ele é. “O caminho faz-se caminhando”, resume Joana Barrios. E, neste caso, faz-se também com marmitas.

#Protagonistas

Como Joana Barrios transformou as marmitas que prepara para os filhos numa comunidade digital

Num tempo dominado por conteúdos rápidos e altamente polidos, Joana Barrios escolheu o caminho oposto. A partir de algo tão quotidiano como a preparação das marmitas, criou um canal de transmissão no Instagram que reúne milhares de pessoas interessadas em acompanhar, sem filtros, a vida real. O resultado é uma comunidade próxima, atenta e inesperadamente envolvida.

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6 de fev. de 2026, 08:31

Quando, em meados de 2023, o Instagram anunciou a nova funcionalidade dos canais de transmissão, muitas marcas e criadores de conteúdo começaram a explorar aquele espaço, visto como uma espécie de chat de grupo e mais um ponto de contacto com os seguidores. A verdade é que, passados quase três anos, existem poucos casos em que a novidade se tenha revelado de enorme utilidade ou acrescentado resultados. Arriscamos a dizer que Joana Barrios é um dos melhores exemplos de utilização desta ferramenta, em Portugal. Porquê? Ora espreite:


O canal de transmissão de Joana Barrios tem mais de 12 mil seguidores


A criação do canal de transmissão dedicado às marmitas nasceu de um pequeno momento de fricção, sem uma grade estratégia por trás. Quando Joana Barrios perguntou nos stories se as pessoas queriam continuar a ver aquele tipo de conteúdo, algumas respostas foram negativas. “Fiquei assim um bocado aparvalhada”, admite. Em vez de abandonar o tema, decidiu repensar o formato. “Vi nessa resposta a oportunidade de repensar o conteúdo e a sua forma. O canal de transmissão pareceu-me uma excelente forma de viabilizar o mesmo conteúdo imediato, de forma mais elaborada, para quem o quer realmente consumir”. O resultado está à vista.

O crescimento do canal foi silencioso, mas expressivo. Só mais tarde Joana se apercebeu da dimensão que tinha atingido. “De repente, olhei e havia nove mil subscritores!”, conta. Apesar de reconhecer que o formato limita a ligação com quem está do outro lado: “não adoro a ausência de dinâmica do canal, porque não permite interação e isso irrita-me”, os números revelam uma atenção pouco comum nas redes sociais. As publicações têm uma taxa de visualização que ronda os 70%, o que, nos dias de hoje, é sinal de um público verdadeiramente interessado e presente.


Às fotografias das marmitas, Joana acrescenta uma descrição que não se limita a enumerar ingredientes. Com frequência, acrescenta comentários feitos pelos filhos ou pequenas reflexões quotidianas


A força dos MARMITTERS está, em grande parte, na honestidade do conteúdo. Não há mise-en-scène, nem preocupação em embelezar. “Acho que as pessoas gostam muito de ver que a comida é real, e a sério, e que não há ali nada de polimento da realidade”, explica. As marmitas refletem os dias como eles são: umas vezes mais elaborados, outras mais simples. “É a comida doméstica, dos dias, porque a vida também é assim”. Para Joana, essa franqueza cria identificação e vínculo. A comida carrega memórias, emoções e histórias, e isso passa para quem está do outro lado.

Mesmo mantendo um registo espontâneo, o projeto começou a ganhar outras formas. “Continua a obedecer a essa desobediência”, diz, assumindo uma relação deliberadamente solta com a ideia de consistência. Ainda assim, o canal deu origem a workshops e a uma pequena fanzine, CALDO, que acabou de ser reeditada, devido à procura. O crescimento existe, mas sem pressão. “Eu sou só uma a fazer estas coisas todas em registo de abertura de linhas de diálogo”, explica, sublinhando que o objetivo não é transformar o projeto numa máquina de receita, mas num espaço capacitador, quase experimental.


Joana Barrios é autora de cinco livros de receitas e de vários programas no 24Kitchen


No fundo, os MARMITTERS mostram que a construção de comunidade nas redes sociais não depende apenas de algoritmos ou formatos novos. Depende de escuta, de verdade e da coragem de assumir o quotidiano como ele é. “O caminho faz-se caminhando”, resume Joana Barrios. E, neste caso, faz-se também com marmitas.

#Protagonistas

Como Joana Barrios transformou as marmitas que prepara para os filhos numa comunidade digital

Num tempo dominado por conteúdos rápidos e altamente polidos, Joana Barrios escolheu o caminho oposto. A partir de algo tão quotidiano como a preparação das marmitas, criou um canal de transmissão no Instagram que reúne milhares de pessoas interessadas em acompanhar, sem filtros, a vida real. O resultado é uma comunidade próxima, atenta e inesperadamente envolvida.

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6 de fev. de 2026, 08:31

Quando, em meados de 2023, o Instagram anunciou a nova funcionalidade dos canais de transmissão, muitas marcas e criadores de conteúdo começaram a explorar aquele espaço, visto como uma espécie de chat de grupo e mais um ponto de contacto com os seguidores. A verdade é que, passados quase três anos, existem poucos casos em que a novidade se tenha revelado de enorme utilidade ou acrescentado resultados. Arriscamos a dizer que Joana Barrios é um dos melhores exemplos de utilização desta ferramenta, em Portugal. Porquê? Ora espreite:


O canal de transmissão de Joana Barrios tem mais de 12 mil seguidores


A criação do canal de transmissão dedicado às marmitas nasceu de um pequeno momento de fricção, sem uma grade estratégia por trás. Quando Joana Barrios perguntou nos stories se as pessoas queriam continuar a ver aquele tipo de conteúdo, algumas respostas foram negativas. “Fiquei assim um bocado aparvalhada”, admite. Em vez de abandonar o tema, decidiu repensar o formato. “Vi nessa resposta a oportunidade de repensar o conteúdo e a sua forma. O canal de transmissão pareceu-me uma excelente forma de viabilizar o mesmo conteúdo imediato, de forma mais elaborada, para quem o quer realmente consumir”. O resultado está à vista.

O crescimento do canal foi silencioso, mas expressivo. Só mais tarde Joana se apercebeu da dimensão que tinha atingido. “De repente, olhei e havia nove mil subscritores!”, conta. Apesar de reconhecer que o formato limita a ligação com quem está do outro lado: “não adoro a ausência de dinâmica do canal, porque não permite interação e isso irrita-me”, os números revelam uma atenção pouco comum nas redes sociais. As publicações têm uma taxa de visualização que ronda os 70%, o que, nos dias de hoje, é sinal de um público verdadeiramente interessado e presente.


Às fotografias das marmitas, Joana acrescenta uma descrição que não se limita a enumerar ingredientes. Com frequência, acrescenta comentários feitos pelos filhos ou pequenas reflexões quotidianas


A força dos MARMITTERS está, em grande parte, na honestidade do conteúdo. Não há mise-en-scène, nem preocupação em embelezar. “Acho que as pessoas gostam muito de ver que a comida é real, e a sério, e que não há ali nada de polimento da realidade”, explica. As marmitas refletem os dias como eles são: umas vezes mais elaborados, outras mais simples. “É a comida doméstica, dos dias, porque a vida também é assim”. Para Joana, essa franqueza cria identificação e vínculo. A comida carrega memórias, emoções e histórias, e isso passa para quem está do outro lado.

Mesmo mantendo um registo espontâneo, o projeto começou a ganhar outras formas. “Continua a obedecer a essa desobediência”, diz, assumindo uma relação deliberadamente solta com a ideia de consistência. Ainda assim, o canal deu origem a workshops e a uma pequena fanzine, CALDO, que acabou de ser reeditada, devido à procura. O crescimento existe, mas sem pressão. “Eu sou só uma a fazer estas coisas todas em registo de abertura de linhas de diálogo”, explica, sublinhando que o objetivo não é transformar o projeto numa máquina de receita, mas num espaço capacitador, quase experimental.


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