
CRÍTICA: PROJETO HAIL MARY | No espaço, ainda há lugar para o coração
#Motivação
Opinião

Projeto Hail Mary é um blockbuster de grande orçamento que transforma uma missão espacial num hino à empatia e oferece a Ryan Gosling a melhor interpretação da sua carreira.
Classificação: ★★★★☆

Pode um blockbuster de ficção científica, construído sobre a premissa já familiar de uma viagem ao espaço para salvar a Terra, ainda surpreender? Projeto Hail Mary prova que sim. Sem reinventar o género, mas também sem se aprisionar por ele, o filme de 200 milhões de dólares, de Phil Lord e Christopher Miller, encontra uma via eficaz para se destacar no panorama do cinema comercial contemporâneo: apresenta-se como um espetáculo de grande escala, sustentado não só pelo aparato visual, mas também pela emoção e pela reafirmação de uma convicção, cada vez mais urgente nos dias de hoje, de que a cooperação continua a ser uma força mais mobilizadora do que o confronto.
Adaptado do romance homónimo de Andy Weir, o filme acompanha Ryland Grace (Ryan Gosling), um professor de Ciências que acorda sozinho numa nave espacial, a anos-luz da Terra, sem memória de quem é ou do que o levou até ali. A bordo, encontra apenas os corpos dos outros dois elementos da tripulação. À medida que vai recuperando a memória, através de uma estrutura de flashbacks bem construída, em que as cenas passadas na Terra contrabalançam com o presente sideral, ele começa a perceber qual o motivo da sua missão: o Sol está em risco de extinção devido a um organismo misterioso que já se alastrou a outros sistemas estelares e, perante essa ameaça, a Humanidade, liderada pela Drª Eva Stratt (Sandra Hüller), lançou uma expedição desesperada até um ponto remoto do universo, na esperança de encontrar uma resposta capaz de travar a catástrofe.
Ryland é, assim, obrigado a recorrer ao seu conhecimento científico e raciocínio pouco ortodoxo para tentar salvar a Terra da extinção. Mas uma amizade inesperada com um ser de outro planeta, também em risco, faz-lhe perceber que talvez não tenha de o fazer sozinho. É nesse ponto que o filme encontra uma dimensão emocional inesperada: a narrativa deixa de ser apenas uma história de sobrevivência em isolamento e passa também a ser uma história de encontro de vontades. E a ficção científica deixa de funcionar apenas como dispositivo de suspense ou deslumbramento e transforma-se num espaço de reflexão sobre temas como a confiança, companheirismo, a comunicação e a relação com os outros e com desconhecido.

Desde E.T. – O Extraterrestre, poucos filmes sobre seres de outro planeta me levavam a construir uma ligação afectiva com uma personagem alienígena, em vez de despertarem apenas o espanto ou o receio. Projeto Hail Mary demonstra que o desconhecido pode ser menos uma fonte de medo e mais uma possibilidade de entendimento. É nessa escolha que encontra o seu coração.
E Ryan Gosling é a força propulsora que faz tudo isto funcionar. Esta será mesmo a melhor interpretação da sua carreira. O ator canadiano encontra um equilíbrio notável entre comédia e drama, sem forçar nenhuma dessas dimensões, e confere à personagem uma vulnerabilidade, um humor e uma humanidade que sustentam o filme, mesmo nos momentos menos inspirados.
Isso não significa que o filme seja irrepreensível. Com 157 minutos, alonga-se e sublinha em demasia aspetos que já estavam claros. Falta-lhe, por vezes, alguma contenção. Ainda assim, Projeto Hail Mary é uma das experiências cinematográficas mais gratificantes dos últimos anos: um filme que cumpre o propósito de entreter, que nos oferece uma viagem de escape até outro mundo, mas que, no regresso, nos devolve um olhar mais lúcido. E lembra-nos que o melhor da Humanidade continua a residir, acima de tudo, na nossa capacidade de compreender e cuidar do outro.
Diogo Marques assina, todos os meses, uma crítica de cinema no MOTIVO
CRÍTICA: PROJETO HAIL MARY | No espaço, ainda há lugar para o coração
#Motivação
Opinião

Projeto Hail Mary é um blockbuster de grande orçamento que transforma uma missão espacial num hino à empatia e oferece a Ryan Gosling a melhor interpretação da sua carreira.
Classificação: ★★★★☆

Pode um blockbuster de ficção científica, construído sobre a premissa já familiar de uma viagem ao espaço para salvar a Terra, ainda surpreender? Projeto Hail Mary prova que sim. Sem reinventar o género, mas também sem se aprisionar por ele, o filme de 200 milhões de dólares, de Phil Lord e Christopher Miller, encontra uma via eficaz para se destacar no panorama do cinema comercial contemporâneo: apresenta-se como um espetáculo de grande escala, sustentado não só pelo aparato visual, mas também pela emoção e pela reafirmação de uma convicção, cada vez mais urgente nos dias de hoje, de que a cooperação continua a ser uma força mais mobilizadora do que o confronto.
Adaptado do romance homónimo de Andy Weir, o filme acompanha Ryland Grace (Ryan Gosling), um professor de Ciências que acorda sozinho numa nave espacial, a anos-luz da Terra, sem memória de quem é ou do que o levou até ali. A bordo, encontra apenas os corpos dos outros dois elementos da tripulação. À medida que vai recuperando a memória, através de uma estrutura de flashbacks bem construída, em que as cenas passadas na Terra contrabalançam com o presente sideral, ele começa a perceber qual o motivo da sua missão: o Sol está em risco de extinção devido a um organismo misterioso que já se alastrou a outros sistemas estelares e, perante essa ameaça, a Humanidade, liderada pela Drª Eva Stratt (Sandra Hüller), lançou uma expedição desesperada até um ponto remoto do universo, na esperança de encontrar uma resposta capaz de travar a catástrofe.
Ryland é, assim, obrigado a recorrer ao seu conhecimento científico e raciocínio pouco ortodoxo para tentar salvar a Terra da extinção. Mas uma amizade inesperada com um ser de outro planeta, também em risco, faz-lhe perceber que talvez não tenha de o fazer sozinho. É nesse ponto que o filme encontra uma dimensão emocional inesperada: a narrativa deixa de ser apenas uma história de sobrevivência em isolamento e passa também a ser uma história de encontro de vontades. E a ficção científica deixa de funcionar apenas como dispositivo de suspense ou deslumbramento e transforma-se num espaço de reflexão sobre temas como a confiança, companheirismo, a comunicação e a relação com os outros e com desconhecido.

Desde E.T. – O Extraterrestre, poucos filmes sobre seres de outro planeta me levavam a construir uma ligação afectiva com uma personagem alienígena, em vez de despertarem apenas o espanto ou o receio. Projeto Hail Mary demonstra que o desconhecido pode ser menos uma fonte de medo e mais uma possibilidade de entendimento. É nessa escolha que encontra o seu coração.
E Ryan Gosling é a força propulsora que faz tudo isto funcionar. Esta será mesmo a melhor interpretação da sua carreira. O ator canadiano encontra um equilíbrio notável entre comédia e drama, sem forçar nenhuma dessas dimensões, e confere à personagem uma vulnerabilidade, um humor e uma humanidade que sustentam o filme, mesmo nos momentos menos inspirados.
Isso não significa que o filme seja irrepreensível. Com 157 minutos, alonga-se e sublinha em demasia aspetos que já estavam claros. Falta-lhe, por vezes, alguma contenção. Ainda assim, Projeto Hail Mary é uma das experiências cinematográficas mais gratificantes dos últimos anos: um filme que cumpre o propósito de entreter, que nos oferece uma viagem de escape até outro mundo, mas que, no regresso, nos devolve um olhar mais lúcido. E lembra-nos que o melhor da Humanidade continua a residir, acima de tudo, na nossa capacidade de compreender e cuidar do outro.
Diogo Marques assina, todos os meses, uma crítica de cinema no MOTIVO
CRÍTICA: PROJETO HAIL MARY | No espaço, ainda há lugar para o coração
#Motivação
Opinião

Projeto Hail Mary é um blockbuster de grande orçamento que transforma uma missão espacial num hino à empatia e oferece a Ryan Gosling a melhor interpretação da sua carreira.
Classificação: ★★★★☆

Pode um blockbuster de ficção científica, construído sobre a premissa já familiar de uma viagem ao espaço para salvar a Terra, ainda surpreender? Projeto Hail Mary prova que sim. Sem reinventar o género, mas também sem se aprisionar por ele, o filme de 200 milhões de dólares, de Phil Lord e Christopher Miller, encontra uma via eficaz para se destacar no panorama do cinema comercial contemporâneo: apresenta-se como um espetáculo de grande escala, sustentado não só pelo aparato visual, mas também pela emoção e pela reafirmação de uma convicção, cada vez mais urgente nos dias de hoje, de que a cooperação continua a ser uma força mais mobilizadora do que o confronto.
Adaptado do romance homónimo de Andy Weir, o filme acompanha Ryland Grace (Ryan Gosling), um professor de Ciências que acorda sozinho numa nave espacial, a anos-luz da Terra, sem memória de quem é ou do que o levou até ali. A bordo, encontra apenas os corpos dos outros dois elementos da tripulação. À medida que vai recuperando a memória, através de uma estrutura de flashbacks bem construída, em que as cenas passadas na Terra contrabalançam com o presente sideral, ele começa a perceber qual o motivo da sua missão: o Sol está em risco de extinção devido a um organismo misterioso que já se alastrou a outros sistemas estelares e, perante essa ameaça, a Humanidade, liderada pela Drª Eva Stratt (Sandra Hüller), lançou uma expedição desesperada até um ponto remoto do universo, na esperança de encontrar uma resposta capaz de travar a catástrofe.
Ryland é, assim, obrigado a recorrer ao seu conhecimento científico e raciocínio pouco ortodoxo para tentar salvar a Terra da extinção. Mas uma amizade inesperada com um ser de outro planeta, também em risco, faz-lhe perceber que talvez não tenha de o fazer sozinho. É nesse ponto que o filme encontra uma dimensão emocional inesperada: a narrativa deixa de ser apenas uma história de sobrevivência em isolamento e passa também a ser uma história de encontro de vontades. E a ficção científica deixa de funcionar apenas como dispositivo de suspense ou deslumbramento e transforma-se num espaço de reflexão sobre temas como a confiança, companheirismo, a comunicação e a relação com os outros e com desconhecido.

Desde E.T. – O Extraterrestre, poucos filmes sobre seres de outro planeta me levavam a construir uma ligação afectiva com uma personagem alienígena, em vez de despertarem apenas o espanto ou o receio. Projeto Hail Mary demonstra que o desconhecido pode ser menos uma fonte de medo e mais uma possibilidade de entendimento. É nessa escolha que encontra o seu coração.
E Ryan Gosling é a força propulsora que faz tudo isto funcionar. Esta será mesmo a melhor interpretação da sua carreira. O ator canadiano encontra um equilíbrio notável entre comédia e drama, sem forçar nenhuma dessas dimensões, e confere à personagem uma vulnerabilidade, um humor e uma humanidade que sustentam o filme, mesmo nos momentos menos inspirados.
Isso não significa que o filme seja irrepreensível. Com 157 minutos, alonga-se e sublinha em demasia aspetos que já estavam claros. Falta-lhe, por vezes, alguma contenção. Ainda assim, Projeto Hail Mary é uma das experiências cinematográficas mais gratificantes dos últimos anos: um filme que cumpre o propósito de entreter, que nos oferece uma viagem de escape até outro mundo, mas que, no regresso, nos devolve um olhar mais lúcido. E lembra-nos que o melhor da Humanidade continua a residir, acima de tudo, na nossa capacidade de compreender e cuidar do outro.
Diogo Marques assina, todos os meses, uma crítica de cinema no MOTIVO
CRÍTICA: PROJETO HAIL MARY | No espaço, ainda há lugar para o coração
#Motivação
Opinião

Projeto Hail Mary é um blockbuster de grande orçamento que transforma uma missão espacial num hino à empatia e oferece a Ryan Gosling a melhor interpretação da sua carreira.
Classificação: ★★★★☆

Pode um blockbuster de ficção científica, construído sobre a premissa já familiar de uma viagem ao espaço para salvar a Terra, ainda surpreender? Projeto Hail Mary prova que sim. Sem reinventar o género, mas também sem se aprisionar por ele, o filme de 200 milhões de dólares, de Phil Lord e Christopher Miller, encontra uma via eficaz para se destacar no panorama do cinema comercial contemporâneo: apresenta-se como um espetáculo de grande escala, sustentado não só pelo aparato visual, mas também pela emoção e pela reafirmação de uma convicção, cada vez mais urgente nos dias de hoje, de que a cooperação continua a ser uma força mais mobilizadora do que o confronto.
Adaptado do romance homónimo de Andy Weir, o filme acompanha Ryland Grace (Ryan Gosling), um professor de Ciências que acorda sozinho numa nave espacial, a anos-luz da Terra, sem memória de quem é ou do que o levou até ali. A bordo, encontra apenas os corpos dos outros dois elementos da tripulação. À medida que vai recuperando a memória, através de uma estrutura de flashbacks bem construída, em que as cenas passadas na Terra contrabalançam com o presente sideral, ele começa a perceber qual o motivo da sua missão: o Sol está em risco de extinção devido a um organismo misterioso que já se alastrou a outros sistemas estelares e, perante essa ameaça, a Humanidade, liderada pela Drª Eva Stratt (Sandra Hüller), lançou uma expedição desesperada até um ponto remoto do universo, na esperança de encontrar uma resposta capaz de travar a catástrofe.
Ryland é, assim, obrigado a recorrer ao seu conhecimento científico e raciocínio pouco ortodoxo para tentar salvar a Terra da extinção. Mas uma amizade inesperada com um ser de outro planeta, também em risco, faz-lhe perceber que talvez não tenha de o fazer sozinho. É nesse ponto que o filme encontra uma dimensão emocional inesperada: a narrativa deixa de ser apenas uma história de sobrevivência em isolamento e passa também a ser uma história de encontro de vontades. E a ficção científica deixa de funcionar apenas como dispositivo de suspense ou deslumbramento e transforma-se num espaço de reflexão sobre temas como a confiança, companheirismo, a comunicação e a relação com os outros e com desconhecido.

Desde E.T. – O Extraterrestre, poucos filmes sobre seres de outro planeta me levavam a construir uma ligação afectiva com uma personagem alienígena, em vez de despertarem apenas o espanto ou o receio. Projeto Hail Mary demonstra que o desconhecido pode ser menos uma fonte de medo e mais uma possibilidade de entendimento. É nessa escolha que encontra o seu coração.
E Ryan Gosling é a força propulsora que faz tudo isto funcionar. Esta será mesmo a melhor interpretação da sua carreira. O ator canadiano encontra um equilíbrio notável entre comédia e drama, sem forçar nenhuma dessas dimensões, e confere à personagem uma vulnerabilidade, um humor e uma humanidade que sustentam o filme, mesmo nos momentos menos inspirados.
Isso não significa que o filme seja irrepreensível. Com 157 minutos, alonga-se e sublinha em demasia aspetos que já estavam claros. Falta-lhe, por vezes, alguma contenção. Ainda assim, Projeto Hail Mary é uma das experiências cinematográficas mais gratificantes dos últimos anos: um filme que cumpre o propósito de entreter, que nos oferece uma viagem de escape até outro mundo, mas que, no regresso, nos devolve um olhar mais lúcido. E lembra-nos que o melhor da Humanidade continua a residir, acima de tudo, na nossa capacidade de compreender e cuidar do outro.




