
CRÍTICA: O MONTE DOS VENDAVAIS, um amor que devora com pulsação pop
#Motivação
Opinião

A realizadora britânica Emerald Fennell convoca Margot Robbie e Jacob Elordi para a sua versão deliberadamente infiel do clássico gótico de Emily Brontë, onde o amor tóxico de Cathy e Heathcliff surge estilizado e a bater ao ritmo de Charli XCX.
Classificação: ★★★★☆

Determinados clássicos da literatura tornam-se intemporais porque continuam a atrair novos leitores e a permitir reinterpretações sucessivas no cinema, na televisão e no palco. É o caso de O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë, publicado em 1847, e adaptado para o grande ecrã em múltiplas ocasiões: a primeira em 1920, ainda no território do cinema mudo; e, em 1939, a versão de William Wyler, frequentemente citada como clássico da sétima arte. Agora, em 2026, ironicamente colado à efeméride do Dia dos Namorados, Emerald Fennell, realizadora que tende a dividir audiências com os seus filmes, apropria-se do romance e toma liberdades assumidas sobre a narrativa gótica. O resultado é uma obra em que quase tudo parece carregar uma segunda intenção, com intuito de provocar, exagerar e mergulhar o clássico em códigos contemporâneos.
As aspas a confinar o título do poster promocional à porta da sala de cinema não são inocentes: são uma nota de intenções da realizadora que, sem rodeios, assume ser deliberadamente infiel à obra original, e ainda bem. Mais do que adaptar o conteúdo do livro, interessa-lhe traduzir visualmente o que sentiu durante a sua leitura — a violência do desejo, a crueldade do ressentimento, o fascínio pelo abismo. Este posicionamento dá origem a uma linguagem visual impactante que não se limita a reproduzir a era vitoriana presente no livro, mas antes a cruzá-la com o excesso, contraste e saturação do século XXI. É uma obra que, consciente da sua cenografia e estética, parece ambicionar apresentar este clássico da literatura inglesa a uma nova geração que prima pela intensidade expressiva de emoções.

Para a ajudar nessa missão, Fennell escolhe Margot Robbie e Jacob Elordi, dois dos nomes australianos mais cobiçados em Hollywood, como os seus Cathy e Heathcliff, o casal de amantes da história que não se elevam um ao outro, arrastam-se. Individualmente, as suas atuações são emocionantes, mas é quando estão juntos que a química se sente por inteiro e alimenta uma sensação transversal de erotismo e tensão sadomasoquista onde, enquanto audiência, aceitamos ser colocados na posição de cúmplices de um relacionamento tóxico do qual não conseguimos (nem queremos) fugir para testemunhar o lado degenerativo e vingativo do amor. Fennell sabe que o motor desta sua versão está na atração desconfortável pelo estranho.
A paixão, desejo e desgosto de Cathy e Heathcliff são tão vívidos e avassaladores quanto as anacrónicas escolhas artísticas da realizadora. A fotografia de Linus Sandgren (vencedor do Óscar com LA LA LAND) assenta numa alta saturação que transforma os cenários em reflexos dos estados emocionais dos protagonistas; os estuantes figurinos de época de Jacqueline Durran (vencedora de dois Óscares), usam cortes e texturas que dialogam com a exuberância do presente; e a reinterpretação das personagens da família Linton – Edgar Linton (Shazad Latif), o refúgio socialmente aceitável que Cathy escolhe quando Heathcliff desaparece; e Isabella, aqui com um arco de repressão e desejo que encontra na atriz Alison Oliver um desempenho brilhante, capaz de “roubar” o filme a cada aparição no ecrã.

Este esbater de fronteiras entre o vitoriano e o moderno torna-se ainda mais cativante quando a banda sonora, composta por Charli XCX, entra como comentário e pulso eletrónico que, até à entrada dos créditos finais, amplifica a vertigem visual do amor obsessivo e corrosivo.
No final, tal como sucede com cada um de nós, “O Monte dos Vendavais” é simultaneamente bom, imperfeito e caótico. É nessa imperfeição que se reconhece a ousadia criativa de Emerald Fennell ao apresentar um filme que não pede desculpa por ser excessivo, infiel à obra original: não tem de o fazer. Numa altura em que remakes e reciclagens dominam Hollywood, há um mérito claro em ver uma realizadora usar um clássico como matéria-prima para uma experiência contemporânea, ambígua e estilizada, interessada em provocar uma tempestade mais emocional do que narrativa. E, mesmo quando vacila, o filme cumpre e, como um coração despedaçado, deixa sempre algum tipo de marca.
CRÍTICA: O MONTE DOS VENDAVAIS, um amor que devora com pulsação pop
#Motivação
Opinião

A realizadora britânica Emerald Fennell convoca Margot Robbie e Jacob Elordi para a sua versão deliberadamente infiel do clássico gótico de Emily Brontë, onde o amor tóxico de Cathy e Heathcliff surge estilizado e a bater ao ritmo de Charli XCX.
Classificação: ★★★★☆

Determinados clássicos da literatura tornam-se intemporais porque continuam a atrair novos leitores e a permitir reinterpretações sucessivas no cinema, na televisão e no palco. É o caso de O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë, publicado em 1847, e adaptado para o grande ecrã em múltiplas ocasiões: a primeira em 1920, ainda no território do cinema mudo; e, em 1939, a versão de William Wyler, frequentemente citada como clássico da sétima arte. Agora, em 2026, ironicamente colado à efeméride do Dia dos Namorados, Emerald Fennell, realizadora que tende a dividir audiências com os seus filmes, apropria-se do romance e toma liberdades assumidas sobre a narrativa gótica. O resultado é uma obra em que quase tudo parece carregar uma segunda intenção, com intuito de provocar, exagerar e mergulhar o clássico em códigos contemporâneos.
As aspas a confinar o título do poster promocional à porta da sala de cinema não são inocentes: são uma nota de intenções da realizadora que, sem rodeios, assume ser deliberadamente infiel à obra original, e ainda bem. Mais do que adaptar o conteúdo do livro, interessa-lhe traduzir visualmente o que sentiu durante a sua leitura — a violência do desejo, a crueldade do ressentimento, o fascínio pelo abismo. Este posicionamento dá origem a uma linguagem visual impactante que não se limita a reproduzir a era vitoriana presente no livro, mas antes a cruzá-la com o excesso, contraste e saturação do século XXI. É uma obra que, consciente da sua cenografia e estética, parece ambicionar apresentar este clássico da literatura inglesa a uma nova geração que prima pela intensidade expressiva de emoções.

Para a ajudar nessa missão, Fennell escolhe Margot Robbie e Jacob Elordi, dois dos nomes australianos mais cobiçados em Hollywood, como os seus Cathy e Heathcliff, o casal de amantes da história que não se elevam um ao outro, arrastam-se. Individualmente, as suas atuações são emocionantes, mas é quando estão juntos que a química se sente por inteiro e alimenta uma sensação transversal de erotismo e tensão sadomasoquista onde, enquanto audiência, aceitamos ser colocados na posição de cúmplices de um relacionamento tóxico do qual não conseguimos (nem queremos) fugir para testemunhar o lado degenerativo e vingativo do amor. Fennell sabe que o motor desta sua versão está na atração desconfortável pelo estranho.
A paixão, desejo e desgosto de Cathy e Heathcliff são tão vívidos e avassaladores quanto as anacrónicas escolhas artísticas da realizadora. A fotografia de Linus Sandgren (vencedor do Óscar com LA LA LAND) assenta numa alta saturação que transforma os cenários em reflexos dos estados emocionais dos protagonistas; os estuantes figurinos de época de Jacqueline Durran (vencedora de dois Óscares), usam cortes e texturas que dialogam com a exuberância do presente; e a reinterpretação das personagens da família Linton – Edgar Linton (Shazad Latif), o refúgio socialmente aceitável que Cathy escolhe quando Heathcliff desaparece; e Isabella, aqui com um arco de repressão e desejo que encontra na atriz Alison Oliver um desempenho brilhante, capaz de “roubar” o filme a cada aparição no ecrã.

Este esbater de fronteiras entre o vitoriano e o moderno torna-se ainda mais cativante quando a banda sonora, composta por Charli XCX, entra como comentário e pulso eletrónico que, até à entrada dos créditos finais, amplifica a vertigem visual do amor obsessivo e corrosivo.
No final, tal como sucede com cada um de nós, “O Monte dos Vendavais” é simultaneamente bom, imperfeito e caótico. É nessa imperfeição que se reconhece a ousadia criativa de Emerald Fennell ao apresentar um filme que não pede desculpa por ser excessivo, infiel à obra original: não tem de o fazer. Numa altura em que remakes e reciclagens dominam Hollywood, há um mérito claro em ver uma realizadora usar um clássico como matéria-prima para uma experiência contemporânea, ambígua e estilizada, interessada em provocar uma tempestade mais emocional do que narrativa. E, mesmo quando vacila, o filme cumpre e, como um coração despedaçado, deixa sempre algum tipo de marca.
CRÍTICA: O MONTE DOS VENDAVAIS, um amor que devora com pulsação pop
#Motivação
Opinião

A realizadora britânica Emerald Fennell convoca Margot Robbie e Jacob Elordi para a sua versão deliberadamente infiel do clássico gótico de Emily Brontë, onde o amor tóxico de Cathy e Heathcliff surge estilizado e a bater ao ritmo de Charli XCX.
Classificação: ★★★★☆

Determinados clássicos da literatura tornam-se intemporais porque continuam a atrair novos leitores e a permitir reinterpretações sucessivas no cinema, na televisão e no palco. É o caso de O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë, publicado em 1847, e adaptado para o grande ecrã em múltiplas ocasiões: a primeira em 1920, ainda no território do cinema mudo; e, em 1939, a versão de William Wyler, frequentemente citada como clássico da sétima arte. Agora, em 2026, ironicamente colado à efeméride do Dia dos Namorados, Emerald Fennell, realizadora que tende a dividir audiências com os seus filmes, apropria-se do romance e toma liberdades assumidas sobre a narrativa gótica. O resultado é uma obra em que quase tudo parece carregar uma segunda intenção, com intuito de provocar, exagerar e mergulhar o clássico em códigos contemporâneos.
As aspas a confinar o título do poster promocional à porta da sala de cinema não são inocentes: são uma nota de intenções da realizadora que, sem rodeios, assume ser deliberadamente infiel à obra original, e ainda bem. Mais do que adaptar o conteúdo do livro, interessa-lhe traduzir visualmente o que sentiu durante a sua leitura — a violência do desejo, a crueldade do ressentimento, o fascínio pelo abismo. Este posicionamento dá origem a uma linguagem visual impactante que não se limita a reproduzir a era vitoriana presente no livro, mas antes a cruzá-la com o excesso, contraste e saturação do século XXI. É uma obra que, consciente da sua cenografia e estética, parece ambicionar apresentar este clássico da literatura inglesa a uma nova geração que prima pela intensidade expressiva de emoções.

Para a ajudar nessa missão, Fennell escolhe Margot Robbie e Jacob Elordi, dois dos nomes australianos mais cobiçados em Hollywood, como os seus Cathy e Heathcliff, o casal de amantes da história que não se elevam um ao outro, arrastam-se. Individualmente, as suas atuações são emocionantes, mas é quando estão juntos que a química se sente por inteiro e alimenta uma sensação transversal de erotismo e tensão sadomasoquista onde, enquanto audiência, aceitamos ser colocados na posição de cúmplices de um relacionamento tóxico do qual não conseguimos (nem queremos) fugir para testemunhar o lado degenerativo e vingativo do amor. Fennell sabe que o motor desta sua versão está na atração desconfortável pelo estranho.
A paixão, desejo e desgosto de Cathy e Heathcliff são tão vívidos e avassaladores quanto as anacrónicas escolhas artísticas da realizadora. A fotografia de Linus Sandgren (vencedor do Óscar com LA LA LAND) assenta numa alta saturação que transforma os cenários em reflexos dos estados emocionais dos protagonistas; os estuantes figurinos de época de Jacqueline Durran (vencedora de dois Óscares), usam cortes e texturas que dialogam com a exuberância do presente; e a reinterpretação das personagens da família Linton – Edgar Linton (Shazad Latif), o refúgio socialmente aceitável que Cathy escolhe quando Heathcliff desaparece; e Isabella, aqui com um arco de repressão e desejo que encontra na atriz Alison Oliver um desempenho brilhante, capaz de “roubar” o filme a cada aparição no ecrã.

Este esbater de fronteiras entre o vitoriano e o moderno torna-se ainda mais cativante quando a banda sonora, composta por Charli XCX, entra como comentário e pulso eletrónico que, até à entrada dos créditos finais, amplifica a vertigem visual do amor obsessivo e corrosivo.
No final, tal como sucede com cada um de nós, “O Monte dos Vendavais” é simultaneamente bom, imperfeito e caótico. É nessa imperfeição que se reconhece a ousadia criativa de Emerald Fennell ao apresentar um filme que não pede desculpa por ser excessivo, infiel à obra original: não tem de o fazer. Numa altura em que remakes e reciclagens dominam Hollywood, há um mérito claro em ver uma realizadora usar um clássico como matéria-prima para uma experiência contemporânea, ambígua e estilizada, interessada em provocar uma tempestade mais emocional do que narrativa. E, mesmo quando vacila, o filme cumpre e, como um coração despedaçado, deixa sempre algum tipo de marca.
CRÍTICA: O MONTE DOS VENDAVAIS, um amor que devora com pulsação pop
#Motivação
Opinião

A realizadora britânica Emerald Fennell convoca Margot Robbie e Jacob Elordi para a sua versão deliberadamente infiel do clássico gótico de Emily Brontë, onde o amor tóxico de Cathy e Heathcliff surge estilizado e a bater ao ritmo de Charli XCX.
Classificação: ★★★★☆

Determinados clássicos da literatura tornam-se intemporais porque continuam a atrair novos leitores e a permitir reinterpretações sucessivas no cinema, na televisão e no palco. É o caso de O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë, publicado em 1847, e adaptado para o grande ecrã em múltiplas ocasiões: a primeira em 1920, ainda no território do cinema mudo; e, em 1939, a versão de William Wyler, frequentemente citada como clássico da sétima arte. Agora, em 2026, ironicamente colado à efeméride do Dia dos Namorados, Emerald Fennell, realizadora que tende a dividir audiências com os seus filmes, apropria-se do romance e toma liberdades assumidas sobre a narrativa gótica. O resultado é uma obra em que quase tudo parece carregar uma segunda intenção, com intuito de provocar, exagerar e mergulhar o clássico em códigos contemporâneos.
As aspas a confinar o título do poster promocional à porta da sala de cinema não são inocentes: são uma nota de intenções da realizadora que, sem rodeios, assume ser deliberadamente infiel à obra original, e ainda bem. Mais do que adaptar o conteúdo do livro, interessa-lhe traduzir visualmente o que sentiu durante a sua leitura — a violência do desejo, a crueldade do ressentimento, o fascínio pelo abismo. Este posicionamento dá origem a uma linguagem visual impactante que não se limita a reproduzir a era vitoriana presente no livro, mas antes a cruzá-la com o excesso, contraste e saturação do século XXI. É uma obra que, consciente da sua cenografia e estética, parece ambicionar apresentar este clássico da literatura inglesa a uma nova geração que prima pela intensidade expressiva de emoções.

Para a ajudar nessa missão, Fennell escolhe Margot Robbie e Jacob Elordi, dois dos nomes australianos mais cobiçados em Hollywood, como os seus Cathy e Heathcliff, o casal de amantes da história que não se elevam um ao outro, arrastam-se. Individualmente, as suas atuações são emocionantes, mas é quando estão juntos que a química se sente por inteiro e alimenta uma sensação transversal de erotismo e tensão sadomasoquista onde, enquanto audiência, aceitamos ser colocados na posição de cúmplices de um relacionamento tóxico do qual não conseguimos (nem queremos) fugir para testemunhar o lado degenerativo e vingativo do amor. Fennell sabe que o motor desta sua versão está na atração desconfortável pelo estranho.
A paixão, desejo e desgosto de Cathy e Heathcliff são tão vívidos e avassaladores quanto as anacrónicas escolhas artísticas da realizadora. A fotografia de Linus Sandgren (vencedor do Óscar com LA LA LAND) assenta numa alta saturação que transforma os cenários em reflexos dos estados emocionais dos protagonistas; os estuantes figurinos de época de Jacqueline Durran (vencedora de dois Óscares), usam cortes e texturas que dialogam com a exuberância do presente; e a reinterpretação das personagens da família Linton – Edgar Linton (Shazad Latif), o refúgio socialmente aceitável que Cathy escolhe quando Heathcliff desaparece; e Isabella, aqui com um arco de repressão e desejo que encontra na atriz Alison Oliver um desempenho brilhante, capaz de “roubar” o filme a cada aparição no ecrã.

Este esbater de fronteiras entre o vitoriano e o moderno torna-se ainda mais cativante quando a banda sonora, composta por Charli XCX, entra como comentário e pulso eletrónico que, até à entrada dos créditos finais, amplifica a vertigem visual do amor obsessivo e corrosivo.
No final, tal como sucede com cada um de nós, “O Monte dos Vendavais” é simultaneamente bom, imperfeito e caótico. É nessa imperfeição que se reconhece a ousadia criativa de Emerald Fennell ao apresentar um filme que não pede desculpa por ser excessivo, infiel à obra original: não tem de o fazer. Numa altura em que remakes e reciclagens dominam Hollywood, há um mérito claro em ver uma realizadora usar um clássico como matéria-prima para uma experiência contemporânea, ambígua e estilizada, interessada em provocar uma tempestade mais emocional do que narrativa. E, mesmo quando vacila, o filme cumpre e, como um coração despedaçado, deixa sempre algum tipo de marca.





