#Conhecimento

EGOÍSTA: a publicação de nicho que assinala 25 anos

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27 de nov. de 2025, 10:20

A cantora Mafalda Veiga, os escritores Valter Hugo Mãe e José Luís Peixoto, as artistas plásticas Ana Vidigal e Adriana Molder ou o artista de street art Vhils são apenas uma ínfima parte dos nomes que já foram publicados na Egoísta, a revista que, há 25 anos, nascia com um propósito claro: ser “cronista do tempo que vivemos”. 

A publicação, projeto cultural e editorial do grupo Estoril Sol, assumia-se desde o início como um espaço de encontro entre literatura, artes visuais e pensamento, comprometido com o retrato do presente e a responsabilidade cultural. A missão mantém-se inalterada, garante Patrícia Reis, escritora, jornalista e curadora da revista: “Acredito firmemente que a arte nos pode salvar, ajudar a promover pensamento, a reconciliar o tempo de hoje com o passado e com o que pretendemos para o futuro”, afirma a também editora ao MOTIVO.


"Estamos a viver uma época de desvalorização dos projetos impressos, da indiferença face ao que é impresso em papel" (Patrícia Reis, curadora e editora da Egoísta)


O quarto de século da Egoísta surge num contexto nacional e internacional marcado por retrocessos, perda de direitos e ascensão de discursos populistas. É neste cenário que a revista reafirma o seu papel como espaço de reflexão e diálogo, dando voz a artistas consagrados e emergentes, nacionais e internacionais. Além-fronteiras, destaque para nomes como Annie Leibovitz ou Mario Testino.

O caminho, contudo, não tem sido isento de desafios. Num mercado cultural pequeno e com “reduzida apetência para adquirir produtos editoriais corporativos”, a aposta numa revista de arte em Portugal exige persistência e visão. “O maior desafio será a extinção”, admite Patrícia Reis. “Estamos a viver uma época de desvalorização dos projetos impressos, da indiferença face ao que é impresso em papel. O digital é um senhor voraz e poderoso que contribui para uma ideia — a meu ver, errada — de ego e validação”.

Dados do INE, citados pela Marktest, confirmam a quebra acentuada. Entre 2002 e 2022, desapareceram 1 267 títulos de imprensa escrita em Portugal. Em 2002, havia 2 107 títulos registados. Em 2022, restavam apenas 840, sem que tenham sido divulgados dados mais recentes. 



Ao longo de 25 anos, a curadora orgulha-se de ter construído uma coleção que funciona como arquivo vivo das últimas décadas: “Quando pegamos na coleção inteira, temos um pouco da história do mundo”. Essa liberdade de escolha, “o maior privilégio de todos”, permitiu-lhe arriscar, propor temas e colaboradores, dar espaço a vozes desconhecidas e a artistas de renome, criando edições que se tornaram verdadeiras peças de colecionador.

Patrícia Reis recorda que, em todo este percurso, foram recusados apenas dois convites para colaboração: um por incompatibilidades com o projeto editorial e outro “por puro mau feitio”, revela divertida. A profissional garante não haver arrependimentos, pelo contrário, sublinha a importância de cada edição como registo das temáticas e debates de cada época, espelhando a evolução de ideias e transformações sociais.



Apesar das ameaças que pairam sobre as publicações impressas, o papel continuará a ser o suporte preferencial da Egoísta. A curadora defende que a leitura e a escrita no formato físico potenciam capacidades cognitivas que se perdem no digital, e lembra que as elites educativas recorrem a estratégias de ensino baseadas no contacto com o papel e em tarefas manuais, conscientes dos benefícios para o desenvolvimento intelectual.

A Egoísta chega, assim, ao seu 25.º aniversário fiel ao seu propósito original: fixar o tempo presente através da arte e da cultura. Num mundo em que o efémero e o instantâneo ganham terreno, a publicação continua a lembrar que há histórias e nomes que merecem ser impressos para permanecer.

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EGOÍSTA: a publicação de nicho que assinala 25 anos

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27 de nov. de 2025, 10:20

A cantora Mafalda Veiga, os escritores Valter Hugo Mãe e José Luís Peixoto, as artistas plásticas Ana Vidigal e Adriana Molder ou o artista de street art Vhils são apenas uma ínfima parte dos nomes que já foram publicados na Egoísta, a revista que, há 25 anos, nascia com um propósito claro: ser “cronista do tempo que vivemos”. 

A publicação, projeto cultural e editorial do grupo Estoril Sol, assumia-se desde o início como um espaço de encontro entre literatura, artes visuais e pensamento, comprometido com o retrato do presente e a responsabilidade cultural. A missão mantém-se inalterada, garante Patrícia Reis, escritora, jornalista e curadora da revista: “Acredito firmemente que a arte nos pode salvar, ajudar a promover pensamento, a reconciliar o tempo de hoje com o passado e com o que pretendemos para o futuro”, afirma a também editora ao MOTIVO.


"Estamos a viver uma época de desvalorização dos projetos impressos, da indiferença face ao que é impresso em papel" (Patrícia Reis, curadora e editora da Egoísta)


O quarto de século da Egoísta surge num contexto nacional e internacional marcado por retrocessos, perda de direitos e ascensão de discursos populistas. É neste cenário que a revista reafirma o seu papel como espaço de reflexão e diálogo, dando voz a artistas consagrados e emergentes, nacionais e internacionais. Além-fronteiras, destaque para nomes como Annie Leibovitz ou Mario Testino.

O caminho, contudo, não tem sido isento de desafios. Num mercado cultural pequeno e com “reduzida apetência para adquirir produtos editoriais corporativos”, a aposta numa revista de arte em Portugal exige persistência e visão. “O maior desafio será a extinção”, admite Patrícia Reis. “Estamos a viver uma época de desvalorização dos projetos impressos, da indiferença face ao que é impresso em papel. O digital é um senhor voraz e poderoso que contribui para uma ideia — a meu ver, errada — de ego e validação”.

Dados do INE, citados pela Marktest, confirmam a quebra acentuada. Entre 2002 e 2022, desapareceram 1 267 títulos de imprensa escrita em Portugal. Em 2002, havia 2 107 títulos registados. Em 2022, restavam apenas 840, sem que tenham sido divulgados dados mais recentes. 



Ao longo de 25 anos, a curadora orgulha-se de ter construído uma coleção que funciona como arquivo vivo das últimas décadas: “Quando pegamos na coleção inteira, temos um pouco da história do mundo”. Essa liberdade de escolha, “o maior privilégio de todos”, permitiu-lhe arriscar, propor temas e colaboradores, dar espaço a vozes desconhecidas e a artistas de renome, criando edições que se tornaram verdadeiras peças de colecionador.

Patrícia Reis recorda que, em todo este percurso, foram recusados apenas dois convites para colaboração: um por incompatibilidades com o projeto editorial e outro “por puro mau feitio”, revela divertida. A profissional garante não haver arrependimentos, pelo contrário, sublinha a importância de cada edição como registo das temáticas e debates de cada época, espelhando a evolução de ideias e transformações sociais.



Apesar das ameaças que pairam sobre as publicações impressas, o papel continuará a ser o suporte preferencial da Egoísta. A curadora defende que a leitura e a escrita no formato físico potenciam capacidades cognitivas que se perdem no digital, e lembra que as elites educativas recorrem a estratégias de ensino baseadas no contacto com o papel e em tarefas manuais, conscientes dos benefícios para o desenvolvimento intelectual.

A Egoísta chega, assim, ao seu 25.º aniversário fiel ao seu propósito original: fixar o tempo presente através da arte e da cultura. Num mundo em que o efémero e o instantâneo ganham terreno, a publicação continua a lembrar que há histórias e nomes que merecem ser impressos para permanecer.

#Conhecimento

EGOÍSTA: a publicação de nicho que assinala 25 anos

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27 de nov. de 2025, 10:20

A cantora Mafalda Veiga, os escritores Valter Hugo Mãe e José Luís Peixoto, as artistas plásticas Ana Vidigal e Adriana Molder ou o artista de street art Vhils são apenas uma ínfima parte dos nomes que já foram publicados na Egoísta, a revista que, há 25 anos, nascia com um propósito claro: ser “cronista do tempo que vivemos”. 

A publicação, projeto cultural e editorial do grupo Estoril Sol, assumia-se desde o início como um espaço de encontro entre literatura, artes visuais e pensamento, comprometido com o retrato do presente e a responsabilidade cultural. A missão mantém-se inalterada, garante Patrícia Reis, escritora, jornalista e curadora da revista: “Acredito firmemente que a arte nos pode salvar, ajudar a promover pensamento, a reconciliar o tempo de hoje com o passado e com o que pretendemos para o futuro”, afirma a também editora ao MOTIVO.


"Estamos a viver uma época de desvalorização dos projetos impressos, da indiferença face ao que é impresso em papel" (Patrícia Reis, curadora e editora da Egoísta)


O quarto de século da Egoísta surge num contexto nacional e internacional marcado por retrocessos, perda de direitos e ascensão de discursos populistas. É neste cenário que a revista reafirma o seu papel como espaço de reflexão e diálogo, dando voz a artistas consagrados e emergentes, nacionais e internacionais. Além-fronteiras, destaque para nomes como Annie Leibovitz ou Mario Testino.

O caminho, contudo, não tem sido isento de desafios. Num mercado cultural pequeno e com “reduzida apetência para adquirir produtos editoriais corporativos”, a aposta numa revista de arte em Portugal exige persistência e visão. “O maior desafio será a extinção”, admite Patrícia Reis. “Estamos a viver uma época de desvalorização dos projetos impressos, da indiferença face ao que é impresso em papel. O digital é um senhor voraz e poderoso que contribui para uma ideia — a meu ver, errada — de ego e validação”.

Dados do INE, citados pela Marktest, confirmam a quebra acentuada. Entre 2002 e 2022, desapareceram 1 267 títulos de imprensa escrita em Portugal. Em 2002, havia 2 107 títulos registados. Em 2022, restavam apenas 840, sem que tenham sido divulgados dados mais recentes. 



Ao longo de 25 anos, a curadora orgulha-se de ter construído uma coleção que funciona como arquivo vivo das últimas décadas: “Quando pegamos na coleção inteira, temos um pouco da história do mundo”. Essa liberdade de escolha, “o maior privilégio de todos”, permitiu-lhe arriscar, propor temas e colaboradores, dar espaço a vozes desconhecidas e a artistas de renome, criando edições que se tornaram verdadeiras peças de colecionador.

Patrícia Reis recorda que, em todo este percurso, foram recusados apenas dois convites para colaboração: um por incompatibilidades com o projeto editorial e outro “por puro mau feitio”, revela divertida. A profissional garante não haver arrependimentos, pelo contrário, sublinha a importância de cada edição como registo das temáticas e debates de cada época, espelhando a evolução de ideias e transformações sociais.



Apesar das ameaças que pairam sobre as publicações impressas, o papel continuará a ser o suporte preferencial da Egoísta. A curadora defende que a leitura e a escrita no formato físico potenciam capacidades cognitivas que se perdem no digital, e lembra que as elites educativas recorrem a estratégias de ensino baseadas no contacto com o papel e em tarefas manuais, conscientes dos benefícios para o desenvolvimento intelectual.

A Egoísta chega, assim, ao seu 25.º aniversário fiel ao seu propósito original: fixar o tempo presente através da arte e da cultura. Num mundo em que o efémero e o instantâneo ganham terreno, a publicação continua a lembrar que há histórias e nomes que merecem ser impressos para permanecer.

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EGOÍSTA: a publicação de nicho que assinala 25 anos

Conta a história do país e do mundo através da arte, dos artistas. Sempre em papel. Sempre com arrojo. E com dezenas de prémios internacionais.

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27 de nov. de 2025, 10:20

A cantora Mafalda Veiga, os escritores Valter Hugo Mãe e José Luís Peixoto, as artistas plásticas Ana Vidigal e Adriana Molder ou o artista de street art Vhils são apenas uma ínfima parte dos nomes que já foram publicados na Egoísta, a revista que, há 25 anos, nascia com um propósito claro: ser “cronista do tempo que vivemos”. 

A publicação, projeto cultural e editorial do grupo Estoril Sol, assumia-se desde o início como um espaço de encontro entre literatura, artes visuais e pensamento, comprometido com o retrato do presente e a responsabilidade cultural. A missão mantém-se inalterada, garante Patrícia Reis, escritora, jornalista e curadora da revista: “Acredito firmemente que a arte nos pode salvar, ajudar a promover pensamento, a reconciliar o tempo de hoje com o passado e com o que pretendemos para o futuro”, afirma a também editora ao MOTIVO.


"Estamos a viver uma época de desvalorização dos projetos impressos, da indiferença face ao que é impresso em papel" (Patrícia Reis, curadora e editora da Egoísta)


O quarto de século da Egoísta surge num contexto nacional e internacional marcado por retrocessos, perda de direitos e ascensão de discursos populistas. É neste cenário que a revista reafirma o seu papel como espaço de reflexão e diálogo, dando voz a artistas consagrados e emergentes, nacionais e internacionais. Além-fronteiras, destaque para nomes como Annie Leibovitz ou Mario Testino.

O caminho, contudo, não tem sido isento de desafios. Num mercado cultural pequeno e com “reduzida apetência para adquirir produtos editoriais corporativos”, a aposta numa revista de arte em Portugal exige persistência e visão. “O maior desafio será a extinção”, admite Patrícia Reis. “Estamos a viver uma época de desvalorização dos projetos impressos, da indiferença face ao que é impresso em papel. O digital é um senhor voraz e poderoso que contribui para uma ideia — a meu ver, errada — de ego e validação”.

Dados do INE, citados pela Marktest, confirmam a quebra acentuada. Entre 2002 e 2022, desapareceram 1 267 títulos de imprensa escrita em Portugal. Em 2002, havia 2 107 títulos registados. Em 2022, restavam apenas 840, sem que tenham sido divulgados dados mais recentes. 



Ao longo de 25 anos, a curadora orgulha-se de ter construído uma coleção que funciona como arquivo vivo das últimas décadas: “Quando pegamos na coleção inteira, temos um pouco da história do mundo”. Essa liberdade de escolha, “o maior privilégio de todos”, permitiu-lhe arriscar, propor temas e colaboradores, dar espaço a vozes desconhecidas e a artistas de renome, criando edições que se tornaram verdadeiras peças de colecionador.

Patrícia Reis recorda que, em todo este percurso, foram recusados apenas dois convites para colaboração: um por incompatibilidades com o projeto editorial e outro “por puro mau feitio”, revela divertida. A profissional garante não haver arrependimentos, pelo contrário, sublinha a importância de cada edição como registo das temáticas e debates de cada época, espelhando a evolução de ideias e transformações sociais.



Apesar das ameaças que pairam sobre as publicações impressas, o papel continuará a ser o suporte preferencial da Egoísta. A curadora defende que a leitura e a escrita no formato físico potenciam capacidades cognitivas que se perdem no digital, e lembra que as elites educativas recorrem a estratégias de ensino baseadas no contacto com o papel e em tarefas manuais, conscientes dos benefícios para o desenvolvimento intelectual.

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