
#Conhecimento
RUI COUTINHO: "Devido à IA, vivemos entre a abundância de informação e a escassez de compreensão"
É inegável: a inteligência artificial está a mudar a forma como a informação é produzida, distribuída e consumida. Segundo Rui Coutinho, diretor executivo do Ecossistema de Inovação da Nova SBE e Chief Innovation Officer da Mota-Engil, essa transformação está também a obrigar-nos a repensar uma pergunta essencial: onde está, hoje, o verdadeiro valor no jornalismo e na comunicação social?
O tema esteve em foco numa talk para jornalistas, no âmbito de um encontro organizado pela Porto Editora. O especialista deixou um diagnóstico claro sobre o tempo em que vivemos, no qual a quantidade de informação cresce a uma velocidade vertiginosa, enquanto a capacidade de interpretar, contextualizar e decidir se torna cada vez mais rara.
“Estamos num tempo de profunda mudança, e a velocidade da mudança excedeu completamente a nossa capacidade de a acompanhar”, começou por afirmar Rui Coutinho, lembrando que a evolução dos media sempre existiu, do papel ao éter, do ecrã televisivo ao smartphone, mas nunca à velocidade atual. O que antes era um sistema relativamente estável, enfrenta uma transformação estrutural: “Hoje, é muito fácil produzir informação. Já não estamos a gerir a escassez de informação. Estamos a ter que gerir a abundância excessiva de informação”.

A talk de Rui Coutinho decorreu na Biblioteca do Palácio Galveias, em Lisboa, no âmbito de um evento da Porto Editora
Segundo o responsável, esta mudança é acelerada por dois fenómenos que se cruzam: a inteligência artificial e a desintermediação. Políticos, empresas, jornalistas e criadores já não precisam de redações ou de órgãos de comunicação social para falar diretamente com o público. “A mediação deixou de ser obrigatória. Se continuarmos a acreditar que o nosso papel é reclamar a função de gatekeepers, estamos fundamentalmente em trânsito de personagem”, avisou. A IA intensifica este processo porque permite produzir mais, mais depressa e em escala quase ilimitada. O problema, sublinha, não é a capacidade técnica das máquinas.
“A inteligência artificial é extraordinária a responder, mas continua profundamente limitada a perguntar”
E é aqui que surge o risco central: a tecnologia está a gerar “muitas soluções espetaculares para problemas errados e para perguntas mal colocadas”. Para Rui Coutinho, a competência crítica do futuro não é resolver problemas, é saber identificá-los. “Temos de começar a contratar, cada vez mais, aqueles que criam problemas, no bom sentido, os que sabem identificar os problemas certos”.
Há ainda um efeito colateral menos visível, mas igualmente preocupante: a normalização da linguagem e do pensamento. “Está-se a perder a voz, está-se a perder estilo, está-se a perder pensamento crítico”, alertou, descrevendo uma “harmonização da forma de escrita” gerada pelos modelos de IA. A consequência é uma espécie de “cacofonia de compreensão". Explica:
"Nunca houve tanta informação disponível, e nunca foi tão difícil transformá-la em entendimento".
Perante este cenário, Rui Coutinho defende que o papel do jornalismo não é competir com a máquina na velocidade ou no volume. “Se quisermos competir no mercado da desinformação, vamos perder. A IA vai ser sempre mais rápida, mais eficiente”. O valor, diz, está noutro lugar: na edição, na escolha, na responsabilidade. “Editar é decidir o que merece permanecer quando tudo o resto passa. Editar é assumir responsabilidade”.
Essa responsabilidade torna-se ainda mais central num contexto em que já existem apresentadores virtuais e conteúdos sem autor identificável. “Quem é que responde pelas notícias? Quem é que garante a responsabilidade?”, questionou, lembrando que no passado o erro tinha custo reputacional e memória. Hoje, a velocidade de produção dilui as consequências.
Apesar do diagnóstico duro, Rui Coutinho vê sinais de mudança no próprio comportamento dos públicos. O crescimento dos podcasts, das reportagens longas e do jornalismo de investigação mostra uma procura renovada por tempo e profundidade. “Já estamos todos fartos da vertigem”, disse. E é nesse espaço mais lento, mais contextualizado, mais consciente, que pode nascer uma nova forma de mediação.
No final, deixou uma imagem que resume a sua visão: a inteligência artificial não deve ser um “cérebro substituto”, mas um “exoesqueleto cognitivo”. “Um copiloto. Não toma decisões por nós, mas ajuda”. Porque, num mundo onde qualquer pessoa pode gerar notícias, “a verdadeira escassez passa a ser a responsabilidade”. E essa, conclui, continuará a ser insubstituivelmente humana.

#Conhecimento
RUI COUTINHO: "Devido à IA, vivemos entre a abundância de informação e a escassez de compreensão"
É inegável: a inteligência artificial está a mudar a forma como a informação é produzida, distribuída e consumida. Segundo Rui Coutinho, diretor executivo do Ecossistema de Inovação da Nova SBE e Chief Innovation Officer da Mota-Engil, essa transformação está também a obrigar-nos a repensar uma pergunta essencial: onde está, hoje, o verdadeiro valor no jornalismo e na comunicação social?
O tema esteve em foco numa talk para jornalistas, no âmbito de um encontro organizado pela Porto Editora. O especialista deixou um diagnóstico claro sobre o tempo em que vivemos, no qual a quantidade de informação cresce a uma velocidade vertiginosa, enquanto a capacidade de interpretar, contextualizar e decidir se torna cada vez mais rara.
“Estamos num tempo de profunda mudança, e a velocidade da mudança excedeu completamente a nossa capacidade de a acompanhar”, começou por afirmar Rui Coutinho, lembrando que a evolução dos media sempre existiu, do papel ao éter, do ecrã televisivo ao smartphone, mas nunca à velocidade atual. O que antes era um sistema relativamente estável, enfrenta uma transformação estrutural: “Hoje, é muito fácil produzir informação. Já não estamos a gerir a escassez de informação. Estamos a ter que gerir a abundância excessiva de informação”.

A talk de Rui Coutinho decorreu na Biblioteca do Palácio Galveias, em Lisboa, no âmbito de um evento da Porto Editora
Segundo o responsável, esta mudança é acelerada por dois fenómenos que se cruzam: a inteligência artificial e a desintermediação. Políticos, empresas, jornalistas e criadores já não precisam de redações ou de órgãos de comunicação social para falar diretamente com o público. “A mediação deixou de ser obrigatória. Se continuarmos a acreditar que o nosso papel é reclamar a função de gatekeepers, estamos fundamentalmente em trânsito de personagem”, avisou. A IA intensifica este processo porque permite produzir mais, mais depressa e em escala quase ilimitada. O problema, sublinha, não é a capacidade técnica das máquinas.
“A inteligência artificial é extraordinária a responder, mas continua profundamente limitada a perguntar”
E é aqui que surge o risco central: a tecnologia está a gerar “muitas soluções espetaculares para problemas errados e para perguntas mal colocadas”. Para Rui Coutinho, a competência crítica do futuro não é resolver problemas, é saber identificá-los. “Temos de começar a contratar, cada vez mais, aqueles que criam problemas, no bom sentido, os que sabem identificar os problemas certos”.
Há ainda um efeito colateral menos visível, mas igualmente preocupante: a normalização da linguagem e do pensamento. “Está-se a perder a voz, está-se a perder estilo, está-se a perder pensamento crítico”, alertou, descrevendo uma “harmonização da forma de escrita” gerada pelos modelos de IA. A consequência é uma espécie de “cacofonia de compreensão". Explica:
"Nunca houve tanta informação disponível, e nunca foi tão difícil transformá-la em entendimento".
Perante este cenário, Rui Coutinho defende que o papel do jornalismo não é competir com a máquina na velocidade ou no volume. “Se quisermos competir no mercado da desinformação, vamos perder. A IA vai ser sempre mais rápida, mais eficiente”. O valor, diz, está noutro lugar: na edição, na escolha, na responsabilidade. “Editar é decidir o que merece permanecer quando tudo o resto passa. Editar é assumir responsabilidade”.
Essa responsabilidade torna-se ainda mais central num contexto em que já existem apresentadores virtuais e conteúdos sem autor identificável. “Quem é que responde pelas notícias? Quem é que garante a responsabilidade?”, questionou, lembrando que no passado o erro tinha custo reputacional e memória. Hoje, a velocidade de produção dilui as consequências.
Apesar do diagnóstico duro, Rui Coutinho vê sinais de mudança no próprio comportamento dos públicos. O crescimento dos podcasts, das reportagens longas e do jornalismo de investigação mostra uma procura renovada por tempo e profundidade. “Já estamos todos fartos da vertigem”, disse. E é nesse espaço mais lento, mais contextualizado, mais consciente, que pode nascer uma nova forma de mediação.
No final, deixou uma imagem que resume a sua visão: a inteligência artificial não deve ser um “cérebro substituto”, mas um “exoesqueleto cognitivo”. “Um copiloto. Não toma decisões por nós, mas ajuda”. Porque, num mundo onde qualquer pessoa pode gerar notícias, “a verdadeira escassez passa a ser a responsabilidade”. E essa, conclui, continuará a ser insubstituivelmente humana.

#Conhecimento
RUI COUTINHO: "Devido à IA, vivemos entre a abundância de informação e a escassez de compreensão"
É inegável: a inteligência artificial está a mudar a forma como a informação é produzida, distribuída e consumida. Segundo Rui Coutinho, diretor executivo do Ecossistema de Inovação da Nova SBE e Chief Innovation Officer da Mota-Engil, essa transformação está também a obrigar-nos a repensar uma pergunta essencial: onde está, hoje, o verdadeiro valor no jornalismo e na comunicação social?
O tema esteve em foco numa talk para jornalistas, no âmbito de um encontro organizado pela Porto Editora. O especialista deixou um diagnóstico claro sobre o tempo em que vivemos, no qual a quantidade de informação cresce a uma velocidade vertiginosa, enquanto a capacidade de interpretar, contextualizar e decidir se torna cada vez mais rara.
“Estamos num tempo de profunda mudança, e a velocidade da mudança excedeu completamente a nossa capacidade de a acompanhar”, começou por afirmar Rui Coutinho, lembrando que a evolução dos media sempre existiu, do papel ao éter, do ecrã televisivo ao smartphone, mas nunca à velocidade atual. O que antes era um sistema relativamente estável, enfrenta uma transformação estrutural: “Hoje, é muito fácil produzir informação. Já não estamos a gerir a escassez de informação. Estamos a ter que gerir a abundância excessiva de informação”.

A talk de Rui Coutinho decorreu na Biblioteca do Palácio Galveias, em Lisboa, no âmbito de um evento da Porto Editora
Segundo o responsável, esta mudança é acelerada por dois fenómenos que se cruzam: a inteligência artificial e a desintermediação. Políticos, empresas, jornalistas e criadores já não precisam de redações ou de órgãos de comunicação social para falar diretamente com o público. “A mediação deixou de ser obrigatória. Se continuarmos a acreditar que o nosso papel é reclamar a função de gatekeepers, estamos fundamentalmente em trânsito de personagem”, avisou. A IA intensifica este processo porque permite produzir mais, mais depressa e em escala quase ilimitada. O problema, sublinha, não é a capacidade técnica das máquinas.
“A inteligência artificial é extraordinária a responder, mas continua profundamente limitada a perguntar”
E é aqui que surge o risco central: a tecnologia está a gerar “muitas soluções espetaculares para problemas errados e para perguntas mal colocadas”. Para Rui Coutinho, a competência crítica do futuro não é resolver problemas, é saber identificá-los. “Temos de começar a contratar, cada vez mais, aqueles que criam problemas, no bom sentido, os que sabem identificar os problemas certos”.
Há ainda um efeito colateral menos visível, mas igualmente preocupante: a normalização da linguagem e do pensamento. “Está-se a perder a voz, está-se a perder estilo, está-se a perder pensamento crítico”, alertou, descrevendo uma “harmonização da forma de escrita” gerada pelos modelos de IA. A consequência é uma espécie de “cacofonia de compreensão". Explica:
"Nunca houve tanta informação disponível, e nunca foi tão difícil transformá-la em entendimento".
Perante este cenário, Rui Coutinho defende que o papel do jornalismo não é competir com a máquina na velocidade ou no volume. “Se quisermos competir no mercado da desinformação, vamos perder. A IA vai ser sempre mais rápida, mais eficiente”. O valor, diz, está noutro lugar: na edição, na escolha, na responsabilidade. “Editar é decidir o que merece permanecer quando tudo o resto passa. Editar é assumir responsabilidade”.
Essa responsabilidade torna-se ainda mais central num contexto em que já existem apresentadores virtuais e conteúdos sem autor identificável. “Quem é que responde pelas notícias? Quem é que garante a responsabilidade?”, questionou, lembrando que no passado o erro tinha custo reputacional e memória. Hoje, a velocidade de produção dilui as consequências.
Apesar do diagnóstico duro, Rui Coutinho vê sinais de mudança no próprio comportamento dos públicos. O crescimento dos podcasts, das reportagens longas e do jornalismo de investigação mostra uma procura renovada por tempo e profundidade. “Já estamos todos fartos da vertigem”, disse. E é nesse espaço mais lento, mais contextualizado, mais consciente, que pode nascer uma nova forma de mediação.
No final, deixou uma imagem que resume a sua visão: a inteligência artificial não deve ser um “cérebro substituto”, mas um “exoesqueleto cognitivo”. “Um copiloto. Não toma decisões por nós, mas ajuda”. Porque, num mundo onde qualquer pessoa pode gerar notícias, “a verdadeira escassez passa a ser a responsabilidade”. E essa, conclui, continuará a ser insubstituivelmente humana.

#Conhecimento
RUI COUTINHO: "Devido à IA, vivemos entre a abundância de informação e a escassez de compreensão"
É inegável: a inteligência artificial está a mudar a forma como a informação é produzida, distribuída e consumida. Segundo Rui Coutinho, diretor executivo do Ecossistema de Inovação da Nova SBE e Chief Innovation Officer da Mota-Engil, essa transformação está também a obrigar-nos a repensar uma pergunta essencial: onde está, hoje, o verdadeiro valor no jornalismo e na comunicação social?
O tema esteve em foco numa talk para jornalistas, no âmbito de um encontro organizado pela Porto Editora. O especialista deixou um diagnóstico claro sobre o tempo em que vivemos, no qual a quantidade de informação cresce a uma velocidade vertiginosa, enquanto a capacidade de interpretar, contextualizar e decidir se torna cada vez mais rara.
“Estamos num tempo de profunda mudança, e a velocidade da mudança excedeu completamente a nossa capacidade de a acompanhar”, começou por afirmar Rui Coutinho, lembrando que a evolução dos media sempre existiu, do papel ao éter, do ecrã televisivo ao smartphone, mas nunca à velocidade atual. O que antes era um sistema relativamente estável, enfrenta uma transformação estrutural: “Hoje, é muito fácil produzir informação. Já não estamos a gerir a escassez de informação. Estamos a ter que gerir a abundância excessiva de informação”.

A talk de Rui Coutinho decorreu na Biblioteca do Palácio Galveias, em Lisboa, no âmbito de um evento da Porto Editora
Segundo o responsável, esta mudança é acelerada por dois fenómenos que se cruzam: a inteligência artificial e a desintermediação. Políticos, empresas, jornalistas e criadores já não precisam de redações ou de órgãos de comunicação social para falar diretamente com o público. “A mediação deixou de ser obrigatória. Se continuarmos a acreditar que o nosso papel é reclamar a função de gatekeepers, estamos fundamentalmente em trânsito de personagem”, avisou. A IA intensifica este processo porque permite produzir mais, mais depressa e em escala quase ilimitada. O problema, sublinha, não é a capacidade técnica das máquinas.
“A inteligência artificial é extraordinária a responder, mas continua profundamente limitada a perguntar”
E é aqui que surge o risco central: a tecnologia está a gerar “muitas soluções espetaculares para problemas errados e para perguntas mal colocadas”. Para Rui Coutinho, a competência crítica do futuro não é resolver problemas, é saber identificá-los. “Temos de começar a contratar, cada vez mais, aqueles que criam problemas, no bom sentido, os que sabem identificar os problemas certos”.
Há ainda um efeito colateral menos visível, mas igualmente preocupante: a normalização da linguagem e do pensamento. “Está-se a perder a voz, está-se a perder estilo, está-se a perder pensamento crítico”, alertou, descrevendo uma “harmonização da forma de escrita” gerada pelos modelos de IA. A consequência é uma espécie de “cacofonia de compreensão". Explica:
"Nunca houve tanta informação disponível, e nunca foi tão difícil transformá-la em entendimento".
Perante este cenário, Rui Coutinho defende que o papel do jornalismo não é competir com a máquina na velocidade ou no volume. “Se quisermos competir no mercado da desinformação, vamos perder. A IA vai ser sempre mais rápida, mais eficiente”. O valor, diz, está noutro lugar: na edição, na escolha, na responsabilidade. “Editar é decidir o que merece permanecer quando tudo o resto passa. Editar é assumir responsabilidade”.
Essa responsabilidade torna-se ainda mais central num contexto em que já existem apresentadores virtuais e conteúdos sem autor identificável. “Quem é que responde pelas notícias? Quem é que garante a responsabilidade?”, questionou, lembrando que no passado o erro tinha custo reputacional e memória. Hoje, a velocidade de produção dilui as consequências.
Apesar do diagnóstico duro, Rui Coutinho vê sinais de mudança no próprio comportamento dos públicos. O crescimento dos podcasts, das reportagens longas e do jornalismo de investigação mostra uma procura renovada por tempo e profundidade. “Já estamos todos fartos da vertigem”, disse. E é nesse espaço mais lento, mais contextualizado, mais consciente, que pode nascer uma nova forma de mediação.
No final, deixou uma imagem que resume a sua visão: a inteligência artificial não deve ser um “cérebro substituto”, mas um “exoesqueleto cognitivo”. “Um copiloto. Não toma decisões por nós, mas ajuda”. Porque, num mundo onde qualquer pessoa pode gerar notícias, “a verdadeira escassez passa a ser a responsabilidade”. E essa, conclui, continuará a ser insubstituivelmente humana.



