Uma primeira viagem: o que ficou da Futura Time Machine no Porto
#Conhecimento
Opinião

E se não nos faltassem ideias, mas coragem para imaginá-las?
Imaginar o Porto em 2050 é um exercício difícil. Durante dois dias, tornou-se surpreendentemente concreto. Foi essa a experiência da Futura Time Machine, que reuniu cerca de 100 pessoas para pensar futuros possíveis para a cidade onde nasci e cresci, o Porto.
Não cheguei a esse exercício como quem observa de fora. Faço parte da geração que estará por aqui em 2050 e que vai herdar as decisões que hoje se tomam, ou a falta delas. Confesso que, ao início, 2050 parecia uma data longínqua, com o presente tão urgente. Percebi depressa que era ao contrário, é precisamente quando tudo “aperta” que mais precisamos de decidir para onde queremos ir. Talvez por isso me tenha revisto tanto no propósito da Futura.
A Futura Foundation nasceu da convicção de que as mulheres jovens devem ter um papel central na construção do futuro e de que a imaginação pode ser uma ferramenta pública, não um luxo.
A Time Machine é a forma como levamos essa ideia à rua, não uma conferência, mas uma experiência participativa. Com contributos de investigadores, artistas e ativistas, e com o trabalho de doze Futura Fellows, perguntámos como pode o Porto tornar-se uma cidade mais fresca, mais verde e mais habitável. Mas o que mais me ficou não foi o mapa. Foi ver pessoas que chegaram como espectadoras saírem como coautoras da cidade que querem habitar. Há algo de raro, e de esperançoso, em ver estranhos a discutir o lugar onde vão viver daqui a 25 anos e a perceber que têm mais a dizer do que julgavam. Saí com a ideia de que a distância entre a cidade que temos e a que queremos é, em boa parte, uma falta de espaços onde a possamos pensar em conjunto.
Levo também perguntas, e acho-as saudáveis. Como se transforma a energia de dois dias em decisões que duram? Quem lhes dá continuidade quando as cadeiras se arrumam? E como garantir que estas conversas chegam também a quem raramente é chamado a participar, e não apenas a quem já costuma ter voz?
Uma das aprendizagens mais claras foi perceber que as pessoas participam quando são convidadas a discutir problemas concretos e não apenas a reagir a decisões já tomadas.
Fico com uma certeza simples de dizer e difícil de praticar. A imaginação produz resultados quando é coletiva e tem método, não é ingenuidade, é disciplina. E, perante o calor extremo e a desconfiança nas instituições, saímos convencidos de que é preciso mais imaginação, não menos, e de que a liderança das mulheres é parte da resposta, não um detalhe. Colocar mulheres a conduzir estas conversas muda quem fala, o que se pergunta e para quem se desenha o futuro.
O Porto foi apenas o primeiro capítulo. Mas, se há algo que estes dois dias mostraram, é que o futuro é algo que começamos a construir no momento em que nos sentamos, juntos, para o imaginar.
Uma primeira viagem: o que ficou da Futura Time Machine no Porto
#Conhecimento
Opinião

E se não nos faltassem ideias, mas coragem para imaginá-las?
Imaginar o Porto em 2050 é um exercício difícil. Durante dois dias, tornou-se surpreendentemente concreto. Foi essa a experiência da Futura Time Machine, que reuniu cerca de 100 pessoas para pensar futuros possíveis para a cidade onde nasci e cresci, o Porto.
Não cheguei a esse exercício como quem observa de fora. Faço parte da geração que estará por aqui em 2050 e que vai herdar as decisões que hoje se tomam, ou a falta delas. Confesso que, ao início, 2050 parecia uma data longínqua, com o presente tão urgente. Percebi depressa que era ao contrário, é precisamente quando tudo “aperta” que mais precisamos de decidir para onde queremos ir. Talvez por isso me tenha revisto tanto no propósito da Futura.
A Futura Foundation nasceu da convicção de que as mulheres jovens devem ter um papel central na construção do futuro e de que a imaginação pode ser uma ferramenta pública, não um luxo.
A Time Machine é a forma como levamos essa ideia à rua, não uma conferência, mas uma experiência participativa. Com contributos de investigadores, artistas e ativistas, e com o trabalho de doze Futura Fellows, perguntámos como pode o Porto tornar-se uma cidade mais fresca, mais verde e mais habitável. Mas o que mais me ficou não foi o mapa. Foi ver pessoas que chegaram como espectadoras saírem como coautoras da cidade que querem habitar. Há algo de raro, e de esperançoso, em ver estranhos a discutir o lugar onde vão viver daqui a 25 anos e a perceber que têm mais a dizer do que julgavam. Saí com a ideia de que a distância entre a cidade que temos e a que queremos é, em boa parte, uma falta de espaços onde a possamos pensar em conjunto.
Levo também perguntas, e acho-as saudáveis. Como se transforma a energia de dois dias em decisões que duram? Quem lhes dá continuidade quando as cadeiras se arrumam? E como garantir que estas conversas chegam também a quem raramente é chamado a participar, e não apenas a quem já costuma ter voz?
Uma das aprendizagens mais claras foi perceber que as pessoas participam quando são convidadas a discutir problemas concretos e não apenas a reagir a decisões já tomadas.
Fico com uma certeza simples de dizer e difícil de praticar. A imaginação produz resultados quando é coletiva e tem método, não é ingenuidade, é disciplina. E, perante o calor extremo e a desconfiança nas instituições, saímos convencidos de que é preciso mais imaginação, não menos, e de que a liderança das mulheres é parte da resposta, não um detalhe. Colocar mulheres a conduzir estas conversas muda quem fala, o que se pergunta e para quem se desenha o futuro.
O Porto foi apenas o primeiro capítulo. Mas, se há algo que estes dois dias mostraram, é que o futuro é algo que começamos a construir no momento em que nos sentamos, juntos, para o imaginar.
Uma primeira viagem: o que ficou da Futura Time Machine no Porto
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Opinião

E se não nos faltassem ideias, mas coragem para imaginá-las?
Imaginar o Porto em 2050 é um exercício difícil. Durante dois dias, tornou-se surpreendentemente concreto. Foi essa a experiência da Futura Time Machine, que reuniu cerca de 100 pessoas para pensar futuros possíveis para a cidade onde nasci e cresci, o Porto.
Não cheguei a esse exercício como quem observa de fora. Faço parte da geração que estará por aqui em 2050 e que vai herdar as decisões que hoje se tomam, ou a falta delas. Confesso que, ao início, 2050 parecia uma data longínqua, com o presente tão urgente. Percebi depressa que era ao contrário, é precisamente quando tudo “aperta” que mais precisamos de decidir para onde queremos ir. Talvez por isso me tenha revisto tanto no propósito da Futura.
A Futura Foundation nasceu da convicção de que as mulheres jovens devem ter um papel central na construção do futuro e de que a imaginação pode ser uma ferramenta pública, não um luxo.
A Time Machine é a forma como levamos essa ideia à rua, não uma conferência, mas uma experiência participativa. Com contributos de investigadores, artistas e ativistas, e com o trabalho de doze Futura Fellows, perguntámos como pode o Porto tornar-se uma cidade mais fresca, mais verde e mais habitável. Mas o que mais me ficou não foi o mapa. Foi ver pessoas que chegaram como espectadoras saírem como coautoras da cidade que querem habitar. Há algo de raro, e de esperançoso, em ver estranhos a discutir o lugar onde vão viver daqui a 25 anos e a perceber que têm mais a dizer do que julgavam. Saí com a ideia de que a distância entre a cidade que temos e a que queremos é, em boa parte, uma falta de espaços onde a possamos pensar em conjunto.
Levo também perguntas, e acho-as saudáveis. Como se transforma a energia de dois dias em decisões que duram? Quem lhes dá continuidade quando as cadeiras se arrumam? E como garantir que estas conversas chegam também a quem raramente é chamado a participar, e não apenas a quem já costuma ter voz?
Uma das aprendizagens mais claras foi perceber que as pessoas participam quando são convidadas a discutir problemas concretos e não apenas a reagir a decisões já tomadas.
Fico com uma certeza simples de dizer e difícil de praticar. A imaginação produz resultados quando é coletiva e tem método, não é ingenuidade, é disciplina. E, perante o calor extremo e a desconfiança nas instituições, saímos convencidos de que é preciso mais imaginação, não menos, e de que a liderança das mulheres é parte da resposta, não um detalhe. Colocar mulheres a conduzir estas conversas muda quem fala, o que se pergunta e para quem se desenha o futuro.
O Porto foi apenas o primeiro capítulo. Mas, se há algo que estes dois dias mostraram, é que o futuro é algo que começamos a construir no momento em que nos sentamos, juntos, para o imaginar.
Uma primeira viagem: o que ficou da Futura Time Machine no Porto
#Conhecimento
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E se não nos faltassem ideias, mas coragem para imaginá-las?
Imaginar o Porto em 2050 é um exercício difícil. Durante dois dias, tornou-se surpreendentemente concreto. Foi essa a experiência da Futura Time Machine, que reuniu cerca de 100 pessoas para pensar futuros possíveis para a cidade onde nasci e cresci, o Porto.
Não cheguei a esse exercício como quem observa de fora. Faço parte da geração que estará por aqui em 2050 e que vai herdar as decisões que hoje se tomam, ou a falta delas. Confesso que, ao início, 2050 parecia uma data longínqua, com o presente tão urgente. Percebi depressa que era ao contrário, é precisamente quando tudo “aperta” que mais precisamos de decidir para onde queremos ir. Talvez por isso me tenha revisto tanto no propósito da Futura.
A Futura Foundation nasceu da convicção de que as mulheres jovens devem ter um papel central na construção do futuro e de que a imaginação pode ser uma ferramenta pública, não um luxo.
A Time Machine é a forma como levamos essa ideia à rua, não uma conferência, mas uma experiência participativa. Com contributos de investigadores, artistas e ativistas, e com o trabalho de doze Futura Fellows, perguntámos como pode o Porto tornar-se uma cidade mais fresca, mais verde e mais habitável. Mas o que mais me ficou não foi o mapa. Foi ver pessoas que chegaram como espectadoras saírem como coautoras da cidade que querem habitar. Há algo de raro, e de esperançoso, em ver estranhos a discutir o lugar onde vão viver daqui a 25 anos e a perceber que têm mais a dizer do que julgavam. Saí com a ideia de que a distância entre a cidade que temos e a que queremos é, em boa parte, uma falta de espaços onde a possamos pensar em conjunto.
Levo também perguntas, e acho-as saudáveis. Como se transforma a energia de dois dias em decisões que duram? Quem lhes dá continuidade quando as cadeiras se arrumam? E como garantir que estas conversas chegam também a quem raramente é chamado a participar, e não apenas a quem já costuma ter voz?
Uma das aprendizagens mais claras foi perceber que as pessoas participam quando são convidadas a discutir problemas concretos e não apenas a reagir a decisões já tomadas.
Fico com uma certeza simples de dizer e difícil de praticar. A imaginação produz resultados quando é coletiva e tem método, não é ingenuidade, é disciplina. E, perante o calor extremo e a desconfiança nas instituições, saímos convencidos de que é preciso mais imaginação, não menos, e de que a liderança das mulheres é parte da resposta, não um detalhe. Colocar mulheres a conduzir estas conversas muda quem fala, o que se pergunta e para quem se desenha o futuro.
O Porto foi apenas o primeiro capítulo. Mas, se há algo que estes dois dias mostraram, é que o futuro é algo que começamos a construir no momento em que nos sentamos, juntos, para o imaginar.




