TIAGO MARQUES: "As situações em que mais crescemos, raramente são aquelas em que planeamos estar"

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Cofundador e CEO da GreenMetrics.Ai

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9 de jul. de 2026, 13:05

#Protagonistas
Opinião

Recentemente, fui convidado pela BMW Foundation para um programa de aceleração de startups em que passei três dias nas montanhas da Baviera, na Alemanha, a conversar com atletas olímpicos, altos quadros do Grupo BMW e fundadores de outras startups do segmento de resiliência e adaptação climática.

Ainda não sei bem como resumir a experiência deste fim de semana, mas vou tentar. Talvez uma das principais lições que retiro seja que as situações em que mais crescemos, raramente são aquelas em que planeamos estar.

A greenmetrics.ai, que fundei com dois amigos e sócios, foi convidada para o programa RESPOND, um acelerador organizado pela BMW Foundation Herbert Quandt focado em empresas com soluções de alto impacto social e ambiental. 

Quando recebemos o convite, a primeira sensação foi de dúvida e de um certo ceticismo. Será mais um programa para ensinar founders a fazer um pitch? Para falar sobre captação e rondas de investimento? Para discutir como é importante focar em soluções com impacto positivo no ambiente e na sociedade? Caminhando para o quarto ano depois de fundar a empresa, estes tópicos já não são propriamente novidade, e é difícil saber o que esperar.

Aceitei o convite e, quando cheguei ao evento, deparei-me com uma sala cheia com outros 23 fundadores de startups de países como Alemanha, Suíça, Japão, Brasil, Reino Unido, Holanda, Estónia, Estados Unidos e Emiratos Árabes Unidos. Eu era o único Português presente. 

Todas as startups estavam em estágios semelhantes de desenvolvimento, com produtos validados, receita em rápido crescimento, 20-25 membros na equipa e muita experiência acumulada. Além dos fundadores, mais 25 profissionais veteranos da indústria, quatro coaches de alta performance e alguns nomes graúdos do grupo BMW.

Depois das apresentações, começaram as conversas. Falei com a Magdalena Neuner, bi-campeã olímpica, sobre como aguentar a pressão quando tudo está em jogo em poucos segundos e como gerir as emoções em contextos de alto stress. O paralelo entre desporto de alta competição e a gestão de um negócio em rápido crescimento pode parecer longínquo, mas as semelhanças são vastas e profundas.

Jantei com o Dr. Nicolas Peter, antigo presidente do conselho de administração do Grupo BMW e ouvi-o contar como conduziu mais de 150 mil funcionários através de planos estratégicos multi-década, lidando com a incerteza de nunca saber o que vinha a seguir.

Ao pequeno-almoço, a Heike Schneeweis, que foi Senior Vice-President de recursos humanos do Grupo BMW, explicou-me casualmente como se escolhe e se prepara quem vai liderar uma empresa daquele tamanho, incluindo o atual CEO que foi contratado e preparado diretamente por ela. 

Troquei ideias com o Martin Schichtel, fundador da KRAFTBLOCK com um copo de vinho branco na mão, em que falámos dos principais desafios que costumam travar uma startup quando tenta expandir internacionalmente. 

E aprendi com a Karolien Notebaert, investigadora em neurociência e palestrante da TEDx, várias dicas importantes sobre como treinar o cérebro a funcionar melhor sob stress prolongado.

Tudo isto foi uma experiência de grande humildade, mas de ainda maior ambição. No entanto, o que mais me marcou não foi nenhuma das sessões formais. Foram as conversas casuais, à mesa, ou durante uma caminhada com os outros fundadores. Ouvir alguém que vive do outro lado do mundo descrever exatamente a mesma frustração que, há meses, nos ocupa espaço mental. Perceber que aquilo que, às vezes, tomamos com um sentimento de incompetência ou incapacidade é, afinal, comum a todos os que buscam alcançar objetivos semelhantes. Não há livro nem conferência que ensine isto.

Levo comigo uma ideia simples, e que me custou algum tempo a assentar. Os problemas e preocupações que parecem só nossos, não são realmente nossos. São fruto do contexto, das circunstâncias e dos desafios a que estamos expostos. Dividir uma situação difícil com quem já passou por outra parecida, ouvir o que resultou e o que correu mal, vale mais do que qualquer conselho abstrato. 

Voltei para casa inspirado, não porque tenha as respostas todas arrumadas, mas porque deixei de me sentir sozinho a fazer as perguntas. É importante lembrar: independentemente dos nossos planos, estratégias e teorias, muitas vezes as situações que nos ensinam mais são aquelas em que não planeamos estar.

TIAGO MARQUES: "As situações em que mais crescemos, raramente são aquelas em que planeamos estar"

Cofundador e CEO da GreenMetrics.Ai

9 de jul. de 2026, 13:05

#Protagonistas

Opinião

Recentemente, fui convidado pela BMW Foundation para um programa de aceleração de startups em que passei três dias nas montanhas da Baviera, na Alemanha, a conversar com atletas olímpicos, altos quadros do Grupo BMW e fundadores de outras startups do segmento de resiliência e adaptação climática.

Ainda não sei bem como resumir a experiência deste fim de semana, mas vou tentar. Talvez uma das principais lições que retiro seja que as situações em que mais crescemos, raramente são aquelas em que planeamos estar.

A greenmetrics.ai, que fundei com dois amigos e sócios, foi convidada para o programa RESPOND, um acelerador organizado pela BMW Foundation Herbert Quandt focado em empresas com soluções de alto impacto social e ambiental. 

Quando recebemos o convite, a primeira sensação foi de dúvida e de um certo ceticismo. Será mais um programa para ensinar founders a fazer um pitch? Para falar sobre captação e rondas de investimento? Para discutir como é importante focar em soluções com impacto positivo no ambiente e na sociedade? Caminhando para o quarto ano depois de fundar a empresa, estes tópicos já não são propriamente novidade, e é difícil saber o que esperar.

Aceitei o convite e, quando cheguei ao evento, deparei-me com uma sala cheia com outros 23 fundadores de startups de países como Alemanha, Suíça, Japão, Brasil, Reino Unido, Holanda, Estónia, Estados Unidos e Emiratos Árabes Unidos. Eu era o único Português presente. 

Todas as startups estavam em estágios semelhantes de desenvolvimento, com produtos validados, receita em rápido crescimento, 20-25 membros na equipa e muita experiência acumulada. Além dos fundadores, mais 25 profissionais veteranos da indústria, quatro coaches de alta performance e alguns nomes graúdos do grupo BMW.

Depois das apresentações, começaram as conversas. Falei com a Magdalena Neuner, bi-campeã olímpica, sobre como aguentar a pressão quando tudo está em jogo em poucos segundos e como gerir as emoções em contextos de alto stress. O paralelo entre desporto de alta competição e a gestão de um negócio em rápido crescimento pode parecer longínquo, mas as semelhanças são vastas e profundas.

Jantei com o Dr. Nicolas Peter, antigo presidente do conselho de administração do Grupo BMW e ouvi-o contar como conduziu mais de 150 mil funcionários através de planos estratégicos multi-década, lidando com a incerteza de nunca saber o que vinha a seguir.

Ao pequeno-almoço, a Heike Schneeweis, que foi Senior Vice-President de recursos humanos do Grupo BMW, explicou-me casualmente como se escolhe e se prepara quem vai liderar uma empresa daquele tamanho, incluindo o atual CEO que foi contratado e preparado diretamente por ela. 

Troquei ideias com o Martin Schichtel, fundador da KRAFTBLOCK com um copo de vinho branco na mão, em que falámos dos principais desafios que costumam travar uma startup quando tenta expandir internacionalmente. 

E aprendi com a Karolien Notebaert, investigadora em neurociência e palestrante da TEDx, várias dicas importantes sobre como treinar o cérebro a funcionar melhor sob stress prolongado.

Tudo isto foi uma experiência de grande humildade, mas de ainda maior ambição. No entanto, o que mais me marcou não foi nenhuma das sessões formais. Foram as conversas casuais, à mesa, ou durante uma caminhada com os outros fundadores. Ouvir alguém que vive do outro lado do mundo descrever exatamente a mesma frustração que, há meses, nos ocupa espaço mental. Perceber que aquilo que, às vezes, tomamos com um sentimento de incompetência ou incapacidade é, afinal, comum a todos os que buscam alcançar objetivos semelhantes. Não há livro nem conferência que ensine isto.

Levo comigo uma ideia simples, e que me custou algum tempo a assentar. Os problemas e preocupações que parecem só nossos, não são realmente nossos. São fruto do contexto, das circunstâncias e dos desafios a que estamos expostos. Dividir uma situação difícil com quem já passou por outra parecida, ouvir o que resultou e o que correu mal, vale mais do que qualquer conselho abstrato. 

Voltei para casa inspirado, não porque tenha as respostas todas arrumadas, mas porque deixei de me sentir sozinho a fazer as perguntas. É importante lembrar: independentemente dos nossos planos, estratégias e teorias, muitas vezes as situações que nos ensinam mais são aquelas em que não planeamos estar.

TIAGO MARQUES: "As situações em que mais crescemos, raramente são aquelas em que planeamos estar"

Cofundador e CEO da GreenMetrics.Ai

9 de jul. de 2026, 13:05

#Protagonistas

Opinião

Recentemente, fui convidado pela BMW Foundation para um programa de aceleração de startups em que passei três dias nas montanhas da Baviera, na Alemanha, a conversar com atletas olímpicos, altos quadros do Grupo BMW e fundadores de outras startups do segmento de resiliência e adaptação climática.

Ainda não sei bem como resumir a experiência deste fim de semana, mas vou tentar. Talvez uma das principais lições que retiro seja que as situações em que mais crescemos, raramente são aquelas em que planeamos estar.

A greenmetrics.ai, que fundei com dois amigos e sócios, foi convidada para o programa RESPOND, um acelerador organizado pela BMW Foundation Herbert Quandt focado em empresas com soluções de alto impacto social e ambiental. 

Quando recebemos o convite, a primeira sensação foi de dúvida e de um certo ceticismo. Será mais um programa para ensinar founders a fazer um pitch? Para falar sobre captação e rondas de investimento? Para discutir como é importante focar em soluções com impacto positivo no ambiente e na sociedade? Caminhando para o quarto ano depois de fundar a empresa, estes tópicos já não são propriamente novidade, e é difícil saber o que esperar.

Aceitei o convite e, quando cheguei ao evento, deparei-me com uma sala cheia com outros 23 fundadores de startups de países como Alemanha, Suíça, Japão, Brasil, Reino Unido, Holanda, Estónia, Estados Unidos e Emiratos Árabes Unidos. Eu era o único Português presente. 

Todas as startups estavam em estágios semelhantes de desenvolvimento, com produtos validados, receita em rápido crescimento, 20-25 membros na equipa e muita experiência acumulada. Além dos fundadores, mais 25 profissionais veteranos da indústria, quatro coaches de alta performance e alguns nomes graúdos do grupo BMW.

Depois das apresentações, começaram as conversas. Falei com a Magdalena Neuner, bi-campeã olímpica, sobre como aguentar a pressão quando tudo está em jogo em poucos segundos e como gerir as emoções em contextos de alto stress. O paralelo entre desporto de alta competição e a gestão de um negócio em rápido crescimento pode parecer longínquo, mas as semelhanças são vastas e profundas.

Jantei com o Dr. Nicolas Peter, antigo presidente do conselho de administração do Grupo BMW e ouvi-o contar como conduziu mais de 150 mil funcionários através de planos estratégicos multi-década, lidando com a incerteza de nunca saber o que vinha a seguir.

Ao pequeno-almoço, a Heike Schneeweis, que foi Senior Vice-President de recursos humanos do Grupo BMW, explicou-me casualmente como se escolhe e se prepara quem vai liderar uma empresa daquele tamanho, incluindo o atual CEO que foi contratado e preparado diretamente por ela. 

Troquei ideias com o Martin Schichtel, fundador da KRAFTBLOCK com um copo de vinho branco na mão, em que falámos dos principais desafios que costumam travar uma startup quando tenta expandir internacionalmente. 

E aprendi com a Karolien Notebaert, investigadora em neurociência e palestrante da TEDx, várias dicas importantes sobre como treinar o cérebro a funcionar melhor sob stress prolongado.

Tudo isto foi uma experiência de grande humildade, mas de ainda maior ambição. No entanto, o que mais me marcou não foi nenhuma das sessões formais. Foram as conversas casuais, à mesa, ou durante uma caminhada com os outros fundadores. Ouvir alguém que vive do outro lado do mundo descrever exatamente a mesma frustração que, há meses, nos ocupa espaço mental. Perceber que aquilo que, às vezes, tomamos com um sentimento de incompetência ou incapacidade é, afinal, comum a todos os que buscam alcançar objetivos semelhantes. Não há livro nem conferência que ensine isto.

Levo comigo uma ideia simples, e que me custou algum tempo a assentar. Os problemas e preocupações que parecem só nossos, não são realmente nossos. São fruto do contexto, das circunstâncias e dos desafios a que estamos expostos. Dividir uma situação difícil com quem já passou por outra parecida, ouvir o que resultou e o que correu mal, vale mais do que qualquer conselho abstrato. 

Voltei para casa inspirado, não porque tenha as respostas todas arrumadas, mas porque deixei de me sentir sozinho a fazer as perguntas. É importante lembrar: independentemente dos nossos planos, estratégias e teorias, muitas vezes as situações que nos ensinam mais são aquelas em que não planeamos estar.

TIAGO MARQUES: "As situações em que mais crescemos, raramente são aquelas em que planeamos estar"

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Cofundador e CEO da GreenMetrics.Ai

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9 de jul. de 2026, 13:05

#Protagonistas

Opinião

Recentemente, fui convidado pela BMW Foundation para um programa de aceleração de startups em que passei três dias nas montanhas da Baviera, na Alemanha, a conversar com atletas olímpicos, altos quadros do Grupo BMW e fundadores de outras startups do segmento de resiliência e adaptação climática.

Ainda não sei bem como resumir a experiência deste fim de semana, mas vou tentar. Talvez uma das principais lições que retiro seja que as situações em que mais crescemos, raramente são aquelas em que planeamos estar.

A greenmetrics.ai, que fundei com dois amigos e sócios, foi convidada para o programa RESPOND, um acelerador organizado pela BMW Foundation Herbert Quandt focado em empresas com soluções de alto impacto social e ambiental. 

Quando recebemos o convite, a primeira sensação foi de dúvida e de um certo ceticismo. Será mais um programa para ensinar founders a fazer um pitch? Para falar sobre captação e rondas de investimento? Para discutir como é importante focar em soluções com impacto positivo no ambiente e na sociedade? Caminhando para o quarto ano depois de fundar a empresa, estes tópicos já não são propriamente novidade, e é difícil saber o que esperar.

Aceitei o convite e, quando cheguei ao evento, deparei-me com uma sala cheia com outros 23 fundadores de startups de países como Alemanha, Suíça, Japão, Brasil, Reino Unido, Holanda, Estónia, Estados Unidos e Emiratos Árabes Unidos. Eu era o único Português presente. 

Todas as startups estavam em estágios semelhantes de desenvolvimento, com produtos validados, receita em rápido crescimento, 20-25 membros na equipa e muita experiência acumulada. Além dos fundadores, mais 25 profissionais veteranos da indústria, quatro coaches de alta performance e alguns nomes graúdos do grupo BMW.

Depois das apresentações, começaram as conversas. Falei com a Magdalena Neuner, bi-campeã olímpica, sobre como aguentar a pressão quando tudo está em jogo em poucos segundos e como gerir as emoções em contextos de alto stress. O paralelo entre desporto de alta competição e a gestão de um negócio em rápido crescimento pode parecer longínquo, mas as semelhanças são vastas e profundas.

Jantei com o Dr. Nicolas Peter, antigo presidente do conselho de administração do Grupo BMW e ouvi-o contar como conduziu mais de 150 mil funcionários através de planos estratégicos multi-década, lidando com a incerteza de nunca saber o que vinha a seguir.

Ao pequeno-almoço, a Heike Schneeweis, que foi Senior Vice-President de recursos humanos do Grupo BMW, explicou-me casualmente como se escolhe e se prepara quem vai liderar uma empresa daquele tamanho, incluindo o atual CEO que foi contratado e preparado diretamente por ela. 

Troquei ideias com o Martin Schichtel, fundador da KRAFTBLOCK com um copo de vinho branco na mão, em que falámos dos principais desafios que costumam travar uma startup quando tenta expandir internacionalmente. 

E aprendi com a Karolien Notebaert, investigadora em neurociência e palestrante da TEDx, várias dicas importantes sobre como treinar o cérebro a funcionar melhor sob stress prolongado.

Tudo isto foi uma experiência de grande humildade, mas de ainda maior ambição. No entanto, o que mais me marcou não foi nenhuma das sessões formais. Foram as conversas casuais, à mesa, ou durante uma caminhada com os outros fundadores. Ouvir alguém que vive do outro lado do mundo descrever exatamente a mesma frustração que, há meses, nos ocupa espaço mental. Perceber que aquilo que, às vezes, tomamos com um sentimento de incompetência ou incapacidade é, afinal, comum a todos os que buscam alcançar objetivos semelhantes. Não há livro nem conferência que ensine isto.

Levo comigo uma ideia simples, e que me custou algum tempo a assentar. Os problemas e preocupações que parecem só nossos, não são realmente nossos. São fruto do contexto, das circunstâncias e dos desafios a que estamos expostos. Dividir uma situação difícil com quem já passou por outra parecida, ouvir o que resultou e o que correu mal, vale mais do que qualquer conselho abstrato. 

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