#Protagonistas

Seis perguntas a Rui Couceiro

Além de escritor e editor, Rui Couceiro é um enorme apaixonado por livros. Acaba de lançar A Mais Bela Maldição, que é uma coleção de histórias e o resumo de uma série de viagens por diferentes geografias. Em comum, têm a mesma ideia: a de que os livros ainda têm o poder de mudar vidas.

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25 de abr. de 2026, 09:00

As histórias que contas neste teu novo livro atravessam geografias muito distintas. O que encontraste de comum nestas pessoas e o que revelam sobre a relação contemporânea com os livros?

RUI COUCEIRO — Os protagonistas destas histórias têm perfis e histórias de vida muito diferentes, mas há entre eles uma profundíssima e incontrariável paixão pelos livros e pela leitura, que os levou a dedicarem-lhes as vidas. Em alguns desses casos, e não sendo o propósito deste livro moralizar, a verdade é que os livros lhes transformaram as vidas por completo. E isso é bonito de constatar.



O título, A Mais Bela Maldição, sugere uma relação intensa com a leitura. Que significado atribuis a esta “maldição” e até que ponto ela também reflete a tua própria relação com os livros?

R.C. — Muito mais do que falar de mim, este livro é, como digo na introdução, sobre nós, leitores. Sobre essa tribo, mais ou menos rara, à qual tanto gostamos de pertencer. Os viciados em livros são, no fundo, pessoas amaldiçoadas por aquilo que sabem ser uma bênção, a bênção da leitura.

Houve alguma história ou personagem que te tenha marcado particularmente durante este percurso?

R.C. — Sim, o encontro com a Baronesa de 96 anos foi o mais profundo, porque vivi várias semanas com ela, na mais extraordinária residência literária do mundo. E encontrei uma mulher formidável, em cujo casamento Salvador Dalí marcou presença, e que foi amiga de Calvino, um dos meus heróis literários. Só para dar uma ideia da vida que teve. Mas a verdade é que este livro reúne também vários encontros com cidades, países e culturas muito distintas e creio que isso o enrique, tal como me enriqueceu a mim. O livro levou-me a cenários tão diferentes como as florestas da Baixa Saxónia, os Alpes Apuanos, a colossal Bogotá, a Medina de Rabat, a ilha de São Tomé, ou a frenética Nova Iorque.

Livros sobre livros têm quase a sua própria categoria. Como foi deixar o romance, para escreveres estas histórias?

R.C. — Digamos que eu não deixei o romance, porque continuei sempre a trabalhar, mesmo que de modo mais lento, naquele que pretendo publicar a seguir. E também escrevi muitos contos. Mas esta incursão pela não-ficção permitiu-me, sem dúvida, descansar da ficção em vários momentos. Escrever um romance é construir um mundo e fazer textos destes é um exercício muito mais simples. Mas o facto é que gostei muito da experiência. Guardo dela um entusiasmo sereno e persistente, digamos assim.



Que papel acreditas que os livros continuam a desempenhar na forma como as pessoas constroem identidade, comunidade e sentido de vida?

R.C. — Acho que podem desempenhar um papel determinante, sobretudo na Europa de hoje, que não tem poderio militar para fazer frente aos loucos que regem o mundo, mas pode ser capaz de, através das ideias, do pensamento e da cultura fazer mais do que imaginamos que as palavras podem contra os canhões.

Na apresentação do livro vais contar com Marcelo Rebelo de Sousa, que feedback ele te deu ao livro?

R.C. — O melhor que poderia ter dado. E não o deu através de palavras, mas sim de um gesto, porque, na primeira visita que fez a uma escola, desde que deixou de ser Presidente, a Secundária José Saramago, em Mafra, levou com ele o meu livro, para falar dele aos alunos. E eu fiquei felicíssimo, como se pode imaginar, porque Marcelo Rebelo de Sousa é, há muitos anos, um grande divulgador do livro e da leitura, e sensibiliza-me que tenha gostado deste.


(C) Alexandra Teófilo
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Seis perguntas a Rui Couceiro

Além de escritor e editor, Rui Couceiro é um enorme apaixonado por livros. Acaba de lançar A Mais Bela Maldição, que é uma coleção de histórias e o resumo de uma série de viagens por diferentes geografias. Em comum, têm a mesma ideia: a de que os livros ainda têm o poder de mudar vidas.

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25 de abr. de 2026, 09:00

As histórias que contas neste teu novo livro atravessam geografias muito distintas. O que encontraste de comum nestas pessoas e o que revelam sobre a relação contemporânea com os livros?

RUI COUCEIRO — Os protagonistas destas histórias têm perfis e histórias de vida muito diferentes, mas há entre eles uma profundíssima e incontrariável paixão pelos livros e pela leitura, que os levou a dedicarem-lhes as vidas. Em alguns desses casos, e não sendo o propósito deste livro moralizar, a verdade é que os livros lhes transformaram as vidas por completo. E isso é bonito de constatar.



O título, A Mais Bela Maldição, sugere uma relação intensa com a leitura. Que significado atribuis a esta “maldição” e até que ponto ela também reflete a tua própria relação com os livros?

R.C. — Muito mais do que falar de mim, este livro é, como digo na introdução, sobre nós, leitores. Sobre essa tribo, mais ou menos rara, à qual tanto gostamos de pertencer. Os viciados em livros são, no fundo, pessoas amaldiçoadas por aquilo que sabem ser uma bênção, a bênção da leitura.

Houve alguma história ou personagem que te tenha marcado particularmente durante este percurso?

R.C. — Sim, o encontro com a Baronesa de 96 anos foi o mais profundo, porque vivi várias semanas com ela, na mais extraordinária residência literária do mundo. E encontrei uma mulher formidável, em cujo casamento Salvador Dalí marcou presença, e que foi amiga de Calvino, um dos meus heróis literários. Só para dar uma ideia da vida que teve. Mas a verdade é que este livro reúne também vários encontros com cidades, países e culturas muito distintas e creio que isso o enrique, tal como me enriqueceu a mim. O livro levou-me a cenários tão diferentes como as florestas da Baixa Saxónia, os Alpes Apuanos, a colossal Bogotá, a Medina de Rabat, a ilha de São Tomé, ou a frenética Nova Iorque.

Livros sobre livros têm quase a sua própria categoria. Como foi deixar o romance, para escreveres estas histórias?

R.C. — Digamos que eu não deixei o romance, porque continuei sempre a trabalhar, mesmo que de modo mais lento, naquele que pretendo publicar a seguir. E também escrevi muitos contos. Mas esta incursão pela não-ficção permitiu-me, sem dúvida, descansar da ficção em vários momentos. Escrever um romance é construir um mundo e fazer textos destes é um exercício muito mais simples. Mas o facto é que gostei muito da experiência. Guardo dela um entusiasmo sereno e persistente, digamos assim.



Que papel acreditas que os livros continuam a desempenhar na forma como as pessoas constroem identidade, comunidade e sentido de vida?

R.C. — Acho que podem desempenhar um papel determinante, sobretudo na Europa de hoje, que não tem poderio militar para fazer frente aos loucos que regem o mundo, mas pode ser capaz de, através das ideias, do pensamento e da cultura fazer mais do que imaginamos que as palavras podem contra os canhões.

Na apresentação do livro vais contar com Marcelo Rebelo de Sousa, que feedback ele te deu ao livro?

R.C. — O melhor que poderia ter dado. E não o deu através de palavras, mas sim de um gesto, porque, na primeira visita que fez a uma escola, desde que deixou de ser Presidente, a Secundária José Saramago, em Mafra, levou com ele o meu livro, para falar dele aos alunos. E eu fiquei felicíssimo, como se pode imaginar, porque Marcelo Rebelo de Sousa é, há muitos anos, um grande divulgador do livro e da leitura, e sensibiliza-me que tenha gostado deste.


(C) Alexandra Teófilo

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Seis perguntas a Rui Couceiro

Além de escritor e editor, Rui Couceiro é um enorme apaixonado por livros. Acaba de lançar A Mais Bela Maldição, que é uma coleção de histórias e o resumo de uma série de viagens por diferentes geografias. Em comum, têm a mesma ideia: a de que os livros ainda têm o poder de mudar vidas.

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25 de abr. de 2026, 09:00

As histórias que contas neste teu novo livro atravessam geografias muito distintas. O que encontraste de comum nestas pessoas e o que revelam sobre a relação contemporânea com os livros?

RUI COUCEIRO — Os protagonistas destas histórias têm perfis e histórias de vida muito diferentes, mas há entre eles uma profundíssima e incontrariável paixão pelos livros e pela leitura, que os levou a dedicarem-lhes as vidas. Em alguns desses casos, e não sendo o propósito deste livro moralizar, a verdade é que os livros lhes transformaram as vidas por completo. E isso é bonito de constatar.



O título, A Mais Bela Maldição, sugere uma relação intensa com a leitura. Que significado atribuis a esta “maldição” e até que ponto ela também reflete a tua própria relação com os livros?

R.C. — Muito mais do que falar de mim, este livro é, como digo na introdução, sobre nós, leitores. Sobre essa tribo, mais ou menos rara, à qual tanto gostamos de pertencer. Os viciados em livros são, no fundo, pessoas amaldiçoadas por aquilo que sabem ser uma bênção, a bênção da leitura.

Houve alguma história ou personagem que te tenha marcado particularmente durante este percurso?

R.C. — Sim, o encontro com a Baronesa de 96 anos foi o mais profundo, porque vivi várias semanas com ela, na mais extraordinária residência literária do mundo. E encontrei uma mulher formidável, em cujo casamento Salvador Dalí marcou presença, e que foi amiga de Calvino, um dos meus heróis literários. Só para dar uma ideia da vida que teve. Mas a verdade é que este livro reúne também vários encontros com cidades, países e culturas muito distintas e creio que isso o enrique, tal como me enriqueceu a mim. O livro levou-me a cenários tão diferentes como as florestas da Baixa Saxónia, os Alpes Apuanos, a colossal Bogotá, a Medina de Rabat, a ilha de São Tomé, ou a frenética Nova Iorque.

Livros sobre livros têm quase a sua própria categoria. Como foi deixar o romance, para escreveres estas histórias?

R.C. — Digamos que eu não deixei o romance, porque continuei sempre a trabalhar, mesmo que de modo mais lento, naquele que pretendo publicar a seguir. E também escrevi muitos contos. Mas esta incursão pela não-ficção permitiu-me, sem dúvida, descansar da ficção em vários momentos. Escrever um romance é construir um mundo e fazer textos destes é um exercício muito mais simples. Mas o facto é que gostei muito da experiência. Guardo dela um entusiasmo sereno e persistente, digamos assim.



Que papel acreditas que os livros continuam a desempenhar na forma como as pessoas constroem identidade, comunidade e sentido de vida?

R.C. — Acho que podem desempenhar um papel determinante, sobretudo na Europa de hoje, que não tem poderio militar para fazer frente aos loucos que regem o mundo, mas pode ser capaz de, através das ideias, do pensamento e da cultura fazer mais do que imaginamos que as palavras podem contra os canhões.

Na apresentação do livro vais contar com Marcelo Rebelo de Sousa, que feedback ele te deu ao livro?

R.C. — O melhor que poderia ter dado. E não o deu através de palavras, mas sim de um gesto, porque, na primeira visita que fez a uma escola, desde que deixou de ser Presidente, a Secundária José Saramago, em Mafra, levou com ele o meu livro, para falar dele aos alunos. E eu fiquei felicíssimo, como se pode imaginar, porque Marcelo Rebelo de Sousa é, há muitos anos, um grande divulgador do livro e da leitura, e sensibiliza-me que tenha gostado deste.


(C) Alexandra Teófilo
#Protagonistas

Seis perguntas a Rui Couceiro

Além de escritor e editor, Rui Couceiro é um enorme apaixonado por livros. Acaba de lançar A Mais Bela Maldição, que é uma coleção de histórias e o resumo de uma série de viagens por diferentes geografias. Em comum, têm a mesma ideia: a de que os livros ainda têm o poder de mudar vidas.

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25 de abr. de 2026, 09:00

As histórias que contas neste teu novo livro atravessam geografias muito distintas. O que encontraste de comum nestas pessoas e o que revelam sobre a relação contemporânea com os livros?

RUI COUCEIRO — Os protagonistas destas histórias têm perfis e histórias de vida muito diferentes, mas há entre eles uma profundíssima e incontrariável paixão pelos livros e pela leitura, que os levou a dedicarem-lhes as vidas. Em alguns desses casos, e não sendo o propósito deste livro moralizar, a verdade é que os livros lhes transformaram as vidas por completo. E isso é bonito de constatar.



O título, A Mais Bela Maldição, sugere uma relação intensa com a leitura. Que significado atribuis a esta “maldição” e até que ponto ela também reflete a tua própria relação com os livros?

R.C. — Muito mais do que falar de mim, este livro é, como digo na introdução, sobre nós, leitores. Sobre essa tribo, mais ou menos rara, à qual tanto gostamos de pertencer. Os viciados em livros são, no fundo, pessoas amaldiçoadas por aquilo que sabem ser uma bênção, a bênção da leitura.

Houve alguma história ou personagem que te tenha marcado particularmente durante este percurso?

R.C. — Sim, o encontro com a Baronesa de 96 anos foi o mais profundo, porque vivi várias semanas com ela, na mais extraordinária residência literária do mundo. E encontrei uma mulher formidável, em cujo casamento Salvador Dalí marcou presença, e que foi amiga de Calvino, um dos meus heróis literários. Só para dar uma ideia da vida que teve. Mas a verdade é que este livro reúne também vários encontros com cidades, países e culturas muito distintas e creio que isso o enrique, tal como me enriqueceu a mim. O livro levou-me a cenários tão diferentes como as florestas da Baixa Saxónia, os Alpes Apuanos, a colossal Bogotá, a Medina de Rabat, a ilha de São Tomé, ou a frenética Nova Iorque.

Livros sobre livros têm quase a sua própria categoria. Como foi deixar o romance, para escreveres estas histórias?

R.C. — Digamos que eu não deixei o romance, porque continuei sempre a trabalhar, mesmo que de modo mais lento, naquele que pretendo publicar a seguir. E também escrevi muitos contos. Mas esta incursão pela não-ficção permitiu-me, sem dúvida, descansar da ficção em vários momentos. Escrever um romance é construir um mundo e fazer textos destes é um exercício muito mais simples. Mas o facto é que gostei muito da experiência. Guardo dela um entusiasmo sereno e persistente, digamos assim.



Que papel acreditas que os livros continuam a desempenhar na forma como as pessoas constroem identidade, comunidade e sentido de vida?

R.C. — Acho que podem desempenhar um papel determinante, sobretudo na Europa de hoje, que não tem poderio militar para fazer frente aos loucos que regem o mundo, mas pode ser capaz de, através das ideias, do pensamento e da cultura fazer mais do que imaginamos que as palavras podem contra os canhões.

Na apresentação do livro vais contar com Marcelo Rebelo de Sousa, que feedback ele te deu ao livro?

R.C. — O melhor que poderia ter dado. E não o deu através de palavras, mas sim de um gesto, porque, na primeira visita que fez a uma escola, desde que deixou de ser Presidente, a Secundária José Saramago, em Mafra, levou com ele o meu livro, para falar dele aos alunos. E eu fiquei felicíssimo, como se pode imaginar, porque Marcelo Rebelo de Sousa é, há muitos anos, um grande divulgador do livro e da leitura, e sensibiliza-me que tenha gostado deste.


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