#Motivação

Out Jazz faz 20 anos: dos jardins de Lisboa aos finais de tarde em Oeiras

Em 2006, montar um palco num jardim de Lisboa, ao domingo à tarde, parecia improvável. Vinte anos depois, o Out Jazz já recebeu centenas de artistas, bandas e DJs, atravessou diferentes fases da cidade, cresceu até reunir milhares de pessoas e encontrou em Oeiras uma nova casa. Pelo caminho, ajudou também a instalar um hábito que se tornou familiar: reunir e encontrar amigos, e ficar até ao pôr do sol ao ritmo de boa música.

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1 de set. de 2026, 14:00

A ideia partiu de José Filipe Rebelo Pinto, fundador da NCS. A empresa tinha sido criada em 2004, trabalhava com audiovisuais e promoção musical, e o Out Jazz nasceu da procura de um espaço para novos artistas. Os jardins davam-lhe o cenário: estavam pouco utilizados e havia pouca programação ao domingo à tarde. “A ideia original foi criar um espaço de convívio para as famílias, para os amigos, numa onda tranquila nos jardins da cidade”, recorda o produtor ao MOTIVO. Desde o início, a ambição incluía longevidade: José Filipe Rebelo Pinto lembra-se de dizer que queria fazer o projeto durante, pelo menos, 20 anos.

Essa pequena escala não duraria muito. O fundador recorda uma primeira edição com cerca de 10 mil pessoas distribuídas pelos vários domingos e um crescimento progressivo que, anos mais tarde, chegou a colocar entre três e cinco mil pessoas num único jardim. A programação também se foi afastando de uma leitura estreita do nome: jazz na origem, depois soul, funk, hip-hop, afrobeat, reggae, disco e outras linguagens com forte influência da música negra. “Nós temos sempre espaço para novos artistas aparecerem”, explica, apontando a renovação do cartaz como uma das razões para o conceito ter atravessado duas décadas.


José Filipe Rebelo Pinto é o fundador do Out Jazz


Os músicos guardam, também, a memória dos lugares

Frankie Chavez passou pelo Out Jazz numa fase inicial da carreira e recorda: "A maior memória que tenho do Out Jazz foi uma vez que toquei no Jardim de Belé. A seguir a mim, tocava o Gipsy. Acabámos o dia a tocar juntos. Ele a meter som e eu a acpmanhar, rodeados de amigos". O artista deixa um desejo: "Espero que se mantenha por mais 10, 20, 30, 50 anos".

Tiago Bettencourt olha sobretudo para aquilo que os jardins permitiram fazer aos músicos. “Foi um festival que me permitiu tocar em sítios onde eu, de outra maneira, não ia tocar”, diz, recordando o coreto do Jardim da Estrela e a Tapada das Necessidades. Em setembro de 2010, Tiago Bettencourt & Mantha encerraram precisamente uma edição na Tapada; em 2013, o músico regressou para um concerto acústico no Jardim da Estrela. Para Bettencourt, essa ocupação teve um efeito mais amplo: o Out Jazz “veio trazer uma nova vida aos jardins lisboetas, que estavam um bocadinho esquecidos”.

A história teve, porém, momentos em que os 20 anos estiveram longe de parecer garantidos. José Filipe Rebelo Pinto lembra que, no terceiro ano, o principal patrocinador recuou a pouco tempo do arranque e a continuidade ficou em risco. A resposta veio dos próprios artistas: “Os músicos todos ofereceram-se para tocar de forma gratuita para nós mantermos o evento”. O episódio ajuda-o a explicar aquilo em que o festival se tornou: “É um evento comunitário, é de todos para todos”.


Dom Dia atuou em agosto no Parque Urbano do Jamor


O sucesso trouxe outros desafios

Quanto maior se tornava o público, mais difícil era preservar o equilíbrio entre festa e espaço público: picnics excessivos, vidro, lixo, necessidade de reforçar segurança e pressão sobre jardins que, na manhã seguinte, voltavam à sua função habitual. Era possível continuar a crescer em faturação e atratividade comercial, mas a organização preferiu alterar as regras e limitar comportamentos. “Os espaços verdes estão lá para nós naquele momento, mas sobretudo os espaços são de todos”, defende o fundador.

Depois de 15 anos ligados a Lisboa, 2022 marcou a mudança integral do festival para Oeiras. Para Rebelo Pinto, a transição permitiu recuperar uma escala mais próxima daquilo que procurava: o apoio municipal reduziu também a necessidade de uma presença comercial tão forte e o festival voltou a um ambiente mais tranquilo nos jardins.

Ao MOTIVO, a Câmara Municipal de Oeiras faz o balanço desta parceria: “O Out Jazz trouxe, acima de tudo, uma nova forma de viver os finais de tarde de verão em Oeiras”. Fonte oficial acrescenta que jardins e espaços públicos se transformaram em pontos de encontro entre música, natureza e convívio. Em 2026, o município definiu o investimento de 137.675 euros no evento e estima uma média próxima das mil pessoas por sessão. Para a a autarquia, existe ainda um efeito para lá do concerto: “É um programa que convida as pessoas a ficar, a conviver e a descobrir Oeiras de outra maneira”.


Todas as tardes de Out Jazz são de acesso gratuito


No ano do 20.º aniversário, a fórmula também cresce para fora dos domingos. Aos concertos regulares, distribuídos entre maio e setembro por espaços como Parque dos Poetas, Quinta Real de Caxias, Parque Urbano de Miraflores, Jamor e Jardins do Palácio Marquês de Pombal, juntam-se concertos na primeira sexta-feira de cada mês em outros cinco locais e a estreia do Out Market. A programação mantém a lógica de combinar bandas e DJs, com nomes como Ricardo Pinto & Miguel Martins Quarteto, Cicero Lee Quarteto, Max Moon com Bruno Pernadas, Hugo Trindade, Milton Gulli e Júlio Resende Trio na edição comemorativa.



Vinte anos depois, a história do Out Jazz mede-se tanto pelos artistas que passaram pelos palcos como pelos lugares que ficaram associados a eles. José Filipe Rebelo Pinto, que começou por desejar chegar às duas décadas, já mudou a meta: “O nosso grande objetivo, neste momento, é mesmo manter o Out Jazz por mais 20 anos”.

A música continua em setembro. Dia 4, a Fábrica da Pólvora, em Barcarena, recebe Maria Fonseca Quinteto; nos domingos seguintes, os Jardins do Palácio Marquês de Pombal recebem Júlio Resende Trio e Alexandre Barbosa & Pansorbe, a 6, Razy e Soulsista, a 13, e César Cardoso Quarteto e Oito Oito, a 20. Todos os encontros continuam a ter entrada gratuita.


#Motivação

Out Jazz faz 20 anos: dos jardins de Lisboa aos finais de tarde em Oeiras

Em 2006, montar um palco num jardim de Lisboa, ao domingo à tarde, parecia improvável. Vinte anos depois, o Out Jazz já recebeu centenas de artistas, bandas e DJs, atravessou diferentes fases da cidade, cresceu até reunir milhares de pessoas e encontrou em Oeiras uma nova casa. Pelo caminho, ajudou também a instalar um hábito que se tornou familiar: reunir e encontrar amigos, e ficar até ao pôr do sol ao ritmo de boa música.

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1 de set. de 2026, 14:00

A ideia partiu de José Filipe Rebelo Pinto, fundador da NCS. A empresa tinha sido criada em 2004, trabalhava com audiovisuais e promoção musical, e o Out Jazz nasceu da procura de um espaço para novos artistas. Os jardins davam-lhe o cenário: estavam pouco utilizados e havia pouca programação ao domingo à tarde. “A ideia original foi criar um espaço de convívio para as famílias, para os amigos, numa onda tranquila nos jardins da cidade”, recorda o produtor ao MOTIVO. Desde o início, a ambição incluía longevidade: José Filipe Rebelo Pinto lembra-se de dizer que queria fazer o projeto durante, pelo menos, 20 anos.

Essa pequena escala não duraria muito. O fundador recorda uma primeira edição com cerca de 10 mil pessoas distribuídas pelos vários domingos e um crescimento progressivo que, anos mais tarde, chegou a colocar entre três e cinco mil pessoas num único jardim. A programação também se foi afastando de uma leitura estreita do nome: jazz na origem, depois soul, funk, hip-hop, afrobeat, reggae, disco e outras linguagens com forte influência da música negra. “Nós temos sempre espaço para novos artistas aparecerem”, explica, apontando a renovação do cartaz como uma das razões para o conceito ter atravessado duas décadas.


José Filipe Rebelo Pinto é o fundador do Out Jazz


Os músicos guardam, também, a memória dos lugares

Frankie Chavez passou pelo Out Jazz numa fase inicial da carreira e recorda: "A maior memória que tenho do Out Jazz foi uma vez que toquei no Jardim de Belé. A seguir a mim, tocava o Gipsy. Acabámos o dia a tocar juntos. Ele a meter som e eu a acpmanhar, rodeados de amigos". O artista deixa um desejo: "Espero que se mantenha por mais 10, 20, 30, 50 anos".

Tiago Bettencourt olha sobretudo para aquilo que os jardins permitiram fazer aos músicos. “Foi um festival que me permitiu tocar em sítios onde eu, de outra maneira, não ia tocar”, diz, recordando o coreto do Jardim da Estrela e a Tapada das Necessidades. Em setembro de 2010, Tiago Bettencourt & Mantha encerraram precisamente uma edição na Tapada; em 2013, o músico regressou para um concerto acústico no Jardim da Estrela. Para Bettencourt, essa ocupação teve um efeito mais amplo: o Out Jazz “veio trazer uma nova vida aos jardins lisboetas, que estavam um bocadinho esquecidos”.

A história teve, porém, momentos em que os 20 anos estiveram longe de parecer garantidos. José Filipe Rebelo Pinto lembra que, no terceiro ano, o principal patrocinador recuou a pouco tempo do arranque e a continuidade ficou em risco. A resposta veio dos próprios artistas: “Os músicos todos ofereceram-se para tocar de forma gratuita para nós mantermos o evento”. O episódio ajuda-o a explicar aquilo em que o festival se tornou: “É um evento comunitário, é de todos para todos”.


Dom Dia atuou em agosto no Parque Urbano do Jamor


O sucesso trouxe outros desafios

Quanto maior se tornava o público, mais difícil era preservar o equilíbrio entre festa e espaço público: picnics excessivos, vidro, lixo, necessidade de reforçar segurança e pressão sobre jardins que, na manhã seguinte, voltavam à sua função habitual. Era possível continuar a crescer em faturação e atratividade comercial, mas a organização preferiu alterar as regras e limitar comportamentos. “Os espaços verdes estão lá para nós naquele momento, mas sobretudo os espaços são de todos”, defende o fundador.

Depois de 15 anos ligados a Lisboa, 2022 marcou a mudança integral do festival para Oeiras. Para Rebelo Pinto, a transição permitiu recuperar uma escala mais próxima daquilo que procurava: o apoio municipal reduziu também a necessidade de uma presença comercial tão forte e o festival voltou a um ambiente mais tranquilo nos jardins.

Ao MOTIVO, a Câmara Municipal de Oeiras faz o balanço desta parceria: “O Out Jazz trouxe, acima de tudo, uma nova forma de viver os finais de tarde de verão em Oeiras”. Fonte oficial acrescenta que jardins e espaços públicos se transformaram em pontos de encontro entre música, natureza e convívio. Em 2026, o município definiu o investimento de 137.675 euros no evento e estima uma média próxima das mil pessoas por sessão. Para a a autarquia, existe ainda um efeito para lá do concerto: “É um programa que convida as pessoas a ficar, a conviver e a descobrir Oeiras de outra maneira”.


Todas as tardes de Out Jazz são de acesso gratuito


No ano do 20.º aniversário, a fórmula também cresce para fora dos domingos. Aos concertos regulares, distribuídos entre maio e setembro por espaços como Parque dos Poetas, Quinta Real de Caxias, Parque Urbano de Miraflores, Jamor e Jardins do Palácio Marquês de Pombal, juntam-se concertos na primeira sexta-feira de cada mês em outros cinco locais e a estreia do Out Market. A programação mantém a lógica de combinar bandas e DJs, com nomes como Ricardo Pinto & Miguel Martins Quarteto, Cicero Lee Quarteto, Max Moon com Bruno Pernadas, Hugo Trindade, Milton Gulli e Júlio Resende Trio na edição comemorativa.



Vinte anos depois, a história do Out Jazz mede-se tanto pelos artistas que passaram pelos palcos como pelos lugares que ficaram associados a eles. José Filipe Rebelo Pinto, que começou por desejar chegar às duas décadas, já mudou a meta: “O nosso grande objetivo, neste momento, é mesmo manter o Out Jazz por mais 20 anos”.

A música continua em setembro. Dia 4, a Fábrica da Pólvora, em Barcarena, recebe Maria Fonseca Quinteto; nos domingos seguintes, os Jardins do Palácio Marquês de Pombal recebem Júlio Resende Trio e Alexandre Barbosa & Pansorbe, a 6, Razy e Soulsista, a 13, e César Cardoso Quarteto e Oito Oito, a 20. Todos os encontros continuam a ter entrada gratuita.


#Motivação

Out Jazz faz 20 anos: dos jardins de Lisboa aos finais de tarde em Oeiras

Em 2006, montar um palco num jardim de Lisboa, ao domingo à tarde, parecia improvável. Vinte anos depois, o Out Jazz já recebeu centenas de artistas, bandas e DJs, atravessou diferentes fases da cidade, cresceu até reunir milhares de pessoas e encontrou em Oeiras uma nova casa. Pelo caminho, ajudou também a instalar um hábito que se tornou familiar: reunir e encontrar amigos, e ficar até ao pôr do sol ao ritmo de boa música.

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1 de set. de 2026, 14:00

A ideia partiu de José Filipe Rebelo Pinto, fundador da NCS. A empresa tinha sido criada em 2004, trabalhava com audiovisuais e promoção musical, e o Out Jazz nasceu da procura de um espaço para novos artistas. Os jardins davam-lhe o cenário: estavam pouco utilizados e havia pouca programação ao domingo à tarde. “A ideia original foi criar um espaço de convívio para as famílias, para os amigos, numa onda tranquila nos jardins da cidade”, recorda o produtor ao MOTIVO. Desde o início, a ambição incluía longevidade: José Filipe Rebelo Pinto lembra-se de dizer que queria fazer o projeto durante, pelo menos, 20 anos.

Essa pequena escala não duraria muito. O fundador recorda uma primeira edição com cerca de 10 mil pessoas distribuídas pelos vários domingos e um crescimento progressivo que, anos mais tarde, chegou a colocar entre três e cinco mil pessoas num único jardim. A programação também se foi afastando de uma leitura estreita do nome: jazz na origem, depois soul, funk, hip-hop, afrobeat, reggae, disco e outras linguagens com forte influência da música negra. “Nós temos sempre espaço para novos artistas aparecerem”, explica, apontando a renovação do cartaz como uma das razões para o conceito ter atravessado duas décadas.


José Filipe Rebelo Pinto é o fundador do Out Jazz


Os músicos guardam, também, a memória dos lugares

Frankie Chavez passou pelo Out Jazz numa fase inicial da carreira e recorda: "A maior memória que tenho do Out Jazz foi uma vez que toquei no Jardim de Belé. A seguir a mim, tocava o Gipsy. Acabámos o dia a tocar juntos. Ele a meter som e eu a acpmanhar, rodeados de amigos". O artista deixa um desejo: "Espero que se mantenha por mais 10, 20, 30, 50 anos".

Tiago Bettencourt olha sobretudo para aquilo que os jardins permitiram fazer aos músicos. “Foi um festival que me permitiu tocar em sítios onde eu, de outra maneira, não ia tocar”, diz, recordando o coreto do Jardim da Estrela e a Tapada das Necessidades. Em setembro de 2010, Tiago Bettencourt & Mantha encerraram precisamente uma edição na Tapada; em 2013, o músico regressou para um concerto acústico no Jardim da Estrela. Para Bettencourt, essa ocupação teve um efeito mais amplo: o Out Jazz “veio trazer uma nova vida aos jardins lisboetas, que estavam um bocadinho esquecidos”.

A história teve, porém, momentos em que os 20 anos estiveram longe de parecer garantidos. José Filipe Rebelo Pinto lembra que, no terceiro ano, o principal patrocinador recuou a pouco tempo do arranque e a continuidade ficou em risco. A resposta veio dos próprios artistas: “Os músicos todos ofereceram-se para tocar de forma gratuita para nós mantermos o evento”. O episódio ajuda-o a explicar aquilo em que o festival se tornou: “É um evento comunitário, é de todos para todos”.


Dom Dia atuou em agosto no Parque Urbano do Jamor


O sucesso trouxe outros desafios

Quanto maior se tornava o público, mais difícil era preservar o equilíbrio entre festa e espaço público: picnics excessivos, vidro, lixo, necessidade de reforçar segurança e pressão sobre jardins que, na manhã seguinte, voltavam à sua função habitual. Era possível continuar a crescer em faturação e atratividade comercial, mas a organização preferiu alterar as regras e limitar comportamentos. “Os espaços verdes estão lá para nós naquele momento, mas sobretudo os espaços são de todos”, defende o fundador.

Depois de 15 anos ligados a Lisboa, 2022 marcou a mudança integral do festival para Oeiras. Para Rebelo Pinto, a transição permitiu recuperar uma escala mais próxima daquilo que procurava: o apoio municipal reduziu também a necessidade de uma presença comercial tão forte e o festival voltou a um ambiente mais tranquilo nos jardins.

Ao MOTIVO, a Câmara Municipal de Oeiras faz o balanço desta parceria: “O Out Jazz trouxe, acima de tudo, uma nova forma de viver os finais de tarde de verão em Oeiras”. Fonte oficial acrescenta que jardins e espaços públicos se transformaram em pontos de encontro entre música, natureza e convívio. Em 2026, o município definiu o investimento de 137.675 euros no evento e estima uma média próxima das mil pessoas por sessão. Para a a autarquia, existe ainda um efeito para lá do concerto: “É um programa que convida as pessoas a ficar, a conviver e a descobrir Oeiras de outra maneira”.


Todas as tardes de Out Jazz são de acesso gratuito


No ano do 20.º aniversário, a fórmula também cresce para fora dos domingos. Aos concertos regulares, distribuídos entre maio e setembro por espaços como Parque dos Poetas, Quinta Real de Caxias, Parque Urbano de Miraflores, Jamor e Jardins do Palácio Marquês de Pombal, juntam-se concertos na primeira sexta-feira de cada mês em outros cinco locais e a estreia do Out Market. A programação mantém a lógica de combinar bandas e DJs, com nomes como Ricardo Pinto & Miguel Martins Quarteto, Cicero Lee Quarteto, Max Moon com Bruno Pernadas, Hugo Trindade, Milton Gulli e Júlio Resende Trio na edição comemorativa.



Vinte anos depois, a história do Out Jazz mede-se tanto pelos artistas que passaram pelos palcos como pelos lugares que ficaram associados a eles. José Filipe Rebelo Pinto, que começou por desejar chegar às duas décadas, já mudou a meta: “O nosso grande objetivo, neste momento, é mesmo manter o Out Jazz por mais 20 anos”.

A música continua em setembro. Dia 4, a Fábrica da Pólvora, em Barcarena, recebe Maria Fonseca Quinteto; nos domingos seguintes, os Jardins do Palácio Marquês de Pombal recebem Júlio Resende Trio e Alexandre Barbosa & Pansorbe, a 6, Razy e Soulsista, a 13, e César Cardoso Quarteto e Oito Oito, a 20. Todos os encontros continuam a ter entrada gratuita.


#Motivação

Out Jazz faz 20 anos: dos jardins de Lisboa aos finais de tarde em Oeiras

Em 2006, montar um palco num jardim de Lisboa, ao domingo à tarde, parecia improvável. Vinte anos depois, o Out Jazz já recebeu centenas de artistas, bandas e DJs, atravessou diferentes fases da cidade, cresceu até reunir milhares de pessoas e encontrou em Oeiras uma nova casa. Pelo caminho, ajudou também a instalar um hábito que se tornou familiar: reunir e encontrar amigos, e ficar até ao pôr do sol ao ritmo de boa música.

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1 de set. de 2026, 14:00

A ideia partiu de José Filipe Rebelo Pinto, fundador da NCS. A empresa tinha sido criada em 2004, trabalhava com audiovisuais e promoção musical, e o Out Jazz nasceu da procura de um espaço para novos artistas. Os jardins davam-lhe o cenário: estavam pouco utilizados e havia pouca programação ao domingo à tarde. “A ideia original foi criar um espaço de convívio para as famílias, para os amigos, numa onda tranquila nos jardins da cidade”, recorda o produtor ao MOTIVO. Desde o início, a ambição incluía longevidade: José Filipe Rebelo Pinto lembra-se de dizer que queria fazer o projeto durante, pelo menos, 20 anos.

Essa pequena escala não duraria muito. O fundador recorda uma primeira edição com cerca de 10 mil pessoas distribuídas pelos vários domingos e um crescimento progressivo que, anos mais tarde, chegou a colocar entre três e cinco mil pessoas num único jardim. A programação também se foi afastando de uma leitura estreita do nome: jazz na origem, depois soul, funk, hip-hop, afrobeat, reggae, disco e outras linguagens com forte influência da música negra. “Nós temos sempre espaço para novos artistas aparecerem”, explica, apontando a renovação do cartaz como uma das razões para o conceito ter atravessado duas décadas.


José Filipe Rebelo Pinto é o fundador do Out Jazz


Os músicos guardam, também, a memória dos lugares

Frankie Chavez passou pelo Out Jazz numa fase inicial da carreira e recorda: "A maior memória que tenho do Out Jazz foi uma vez que toquei no Jardim de Belé. A seguir a mim, tocava o Gipsy. Acabámos o dia a tocar juntos. Ele a meter som e eu a acpmanhar, rodeados de amigos". O artista deixa um desejo: "Espero que se mantenha por mais 10, 20, 30, 50 anos".

Tiago Bettencourt olha sobretudo para aquilo que os jardins permitiram fazer aos músicos. “Foi um festival que me permitiu tocar em sítios onde eu, de outra maneira, não ia tocar”, diz, recordando o coreto do Jardim da Estrela e a Tapada das Necessidades. Em setembro de 2010, Tiago Bettencourt & Mantha encerraram precisamente uma edição na Tapada; em 2013, o músico regressou para um concerto acústico no Jardim da Estrela. Para Bettencourt, essa ocupação teve um efeito mais amplo: o Out Jazz “veio trazer uma nova vida aos jardins lisboetas, que estavam um bocadinho esquecidos”.

A história teve, porém, momentos em que os 20 anos estiveram longe de parecer garantidos. José Filipe Rebelo Pinto lembra que, no terceiro ano, o principal patrocinador recuou a pouco tempo do arranque e a continuidade ficou em risco. A resposta veio dos próprios artistas: “Os músicos todos ofereceram-se para tocar de forma gratuita para nós mantermos o evento”. O episódio ajuda-o a explicar aquilo em que o festival se tornou: “É um evento comunitário, é de todos para todos”.


Dom Dia atuou em agosto no Parque Urbano do Jamor


O sucesso trouxe outros desafios

Quanto maior se tornava o público, mais difícil era preservar o equilíbrio entre festa e espaço público: picnics excessivos, vidro, lixo, necessidade de reforçar segurança e pressão sobre jardins que, na manhã seguinte, voltavam à sua função habitual. Era possível continuar a crescer em faturação e atratividade comercial, mas a organização preferiu alterar as regras e limitar comportamentos. “Os espaços verdes estão lá para nós naquele momento, mas sobretudo os espaços são de todos”, defende o fundador.

Depois de 15 anos ligados a Lisboa, 2022 marcou a mudança integral do festival para Oeiras. Para Rebelo Pinto, a transição permitiu recuperar uma escala mais próxima daquilo que procurava: o apoio municipal reduziu também a necessidade de uma presença comercial tão forte e o festival voltou a um ambiente mais tranquilo nos jardins.

Ao MOTIVO, a Câmara Municipal de Oeiras faz o balanço desta parceria: “O Out Jazz trouxe, acima de tudo, uma nova forma de viver os finais de tarde de verão em Oeiras”. Fonte oficial acrescenta que jardins e espaços públicos se transformaram em pontos de encontro entre música, natureza e convívio. Em 2026, o município definiu o investimento de 137.675 euros no evento e estima uma média próxima das mil pessoas por sessão. Para a a autarquia, existe ainda um efeito para lá do concerto: “É um programa que convida as pessoas a ficar, a conviver e a descobrir Oeiras de outra maneira”.


Todas as tardes de Out Jazz são de acesso gratuito


No ano do 20.º aniversário, a fórmula também cresce para fora dos domingos. Aos concertos regulares, distribuídos entre maio e setembro por espaços como Parque dos Poetas, Quinta Real de Caxias, Parque Urbano de Miraflores, Jamor e Jardins do Palácio Marquês de Pombal, juntam-se concertos na primeira sexta-feira de cada mês em outros cinco locais e a estreia do Out Market. A programação mantém a lógica de combinar bandas e DJs, com nomes como Ricardo Pinto & Miguel Martins Quarteto, Cicero Lee Quarteto, Max Moon com Bruno Pernadas, Hugo Trindade, Milton Gulli e Júlio Resende Trio na edição comemorativa.



Vinte anos depois, a história do Out Jazz mede-se tanto pelos artistas que passaram pelos palcos como pelos lugares que ficaram associados a eles. José Filipe Rebelo Pinto, que começou por desejar chegar às duas décadas, já mudou a meta: “O nosso grande objetivo, neste momento, é mesmo manter o Out Jazz por mais 20 anos”.

A música continua em setembro. Dia 4, a Fábrica da Pólvora, em Barcarena, recebe Maria Fonseca Quinteto; nos domingos seguintes, os Jardins do Palácio Marquês de Pombal recebem Júlio Resende Trio e Alexandre Barbosa & Pansorbe, a 6, Razy e Soulsista, a 13, e César Cardoso Quarteto e Oito Oito, a 20. Todos os encontros continuam a ter entrada gratuita.


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