O lado invisível do employer branding

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Coordenadora do Serviço à Comunidade da NOVA Medical School

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4 de ago. de 2026, 08:29

#Protagonistas
Opinião

Simon Sinek defendia que as pessoas não se mobilizam apenas pelo que uma organização faz, mas pelo porquê que está por detrás do que faz. Esta ideia, muitas vezes aplicada à liderança e às marcas, é também central quando falamos de retenção de talento e employer branding. 

Durante muito tempo, as organizações tentaram reter pessoas olhando sobretudo para aquilo que se vê: salário, benefícios, progressão, flexibilidade, seguros, dias extra, fruta na copa, títulos interessantes. Tudo isto importa, seria ingénuo dizer que não. Mas há uma dimensão menos visível que pesa muito mais do que muitas empresas imaginam: a forma como as pessoas compreendem o seu lugar, o seu contributo e o impacto do que fazem.

No fundo, as pessoas não ficam apenas porque têm boas condições. Ficam quando sentem que aquilo que fazem tem utilidade, consequência e significado.

E isto aproxima-se muito do que aprendi na comunicação em saúde e na literacia em saúde: não basta transmitir informação. É preciso que a pessoa compreenda, se reconheça, confie e consiga agir a partir daí.

Nas organizações acontece o mesmo. Podemos comunicar objetivos, valores, estratégias e mudanças. Podemos fazer apresentações, enviar newsletters, criar campanhas internas e repetir mensagens-chave. Mas se as pessoas não perceberem o porquê, se não entenderem como o seu trabalho contribui para algo maior, se não se sentirem envolvidas na narrativa da organização, a comunicação não cria pertença, pelo contrário, cria ruído.

A literacia não é importante apenas em saúde. Também é importante dentro das empresas. Há uma espécie de literacia organizacional que permite às pessoas compreenderem o contexto em que trabalham - para onde a organização vai, porque toma determinadas decisões, como cada função contribui, que impacto existe para clientes, utentes, comunidades ou sociedade.

Quando essa compreensão existe, o trabalho deixa de ser apenas uma tarefa e passa a ser contributo. E é aqui que Recursos Humanos, Comunicação e Responsabilidade Social se cruzam. Porque reter talento não é apenas construir formas de compensação. É construir ambientes onde as pessoas sintam que fazem parte de algo coerente, humano e com propósito real.

Ambientes onde a liderança explica e não apenas exige. Onde a comunicação aproxima e não apenas informa. Onde as pessoas conhecem o impacto do seu trabalho. Onde há espaço para crescer, participar e pertencer. Onde os projetos não existem só para cumprir indicadores, mas para gerar uma mudança efetiva.

Nos projetos de impacto social, isto torna-se ainda mais evidente. Quem trabalha nestas áreas precisa de ver sentido no esforço.

Precisa de perceber que uma campanha, uma parceria, uma intervenção numa comunidade ou uma estratégia de comunicação não são apenas entregáveis. São formas de chegar a pessoas, reduzir desigualdades, aumentar acesso, criar confiança e melhorar decisões.

E quando falamos de comunicação em saúde, este sentido torna-se ainda mais profundo. Porque uma mensagem clara pode ajudar alguém a compreender um diagnóstico. Uma campanha bem pensada pode levar uma pessoa a fazer um rastreio. Um projeto de literacia pode devolver autonomia a quem se sentia perdido num sistema complexo. Isto também é retenção.

Porque há profissionais que ficam não apenas pelo que recebem, mas pelo que sentem que conseguem transformar. Talvez as organizações precisem de olhar mais para isto - para o salário emocional que nasce do sentido, da clareza, da pertença e do impacto. As pessoas precisam de saber quanto ganham, sim. Mas também precisam de saber para que serve o que fazem. Precisam de se sentir cuidadas, mas também úteis. Precisam de benefícios, mas também de coerência. Precisam de objetivos, mas também de significado.

No fim, uma boa estratégia de RH não vive separada da comunicação. E uma boa comunicação interna não vive separada da cultura. Reter pessoas é, cada vez mais, saber comunicar sentido. Employer branding não é apenas aquilo que uma organização promete cá fora. É sobretudo, aquilo que as pessoas sentem cá dentro, e escolhem dia após dia continuar a contar. E o sentido constrói-se todos os dias.

O lado invisível do employer branding

Coordenadora do Serviço à Comunidade da NOVA Medical School

4 de ago. de 2026, 08:29

#Protagonistas

Opinião

Simon Sinek defendia que as pessoas não se mobilizam apenas pelo que uma organização faz, mas pelo porquê que está por detrás do que faz. Esta ideia, muitas vezes aplicada à liderança e às marcas, é também central quando falamos de retenção de talento e employer branding. 

Durante muito tempo, as organizações tentaram reter pessoas olhando sobretudo para aquilo que se vê: salário, benefícios, progressão, flexibilidade, seguros, dias extra, fruta na copa, títulos interessantes. Tudo isto importa, seria ingénuo dizer que não. Mas há uma dimensão menos visível que pesa muito mais do que muitas empresas imaginam: a forma como as pessoas compreendem o seu lugar, o seu contributo e o impacto do que fazem.

No fundo, as pessoas não ficam apenas porque têm boas condições. Ficam quando sentem que aquilo que fazem tem utilidade, consequência e significado.

E isto aproxima-se muito do que aprendi na comunicação em saúde e na literacia em saúde: não basta transmitir informação. É preciso que a pessoa compreenda, se reconheça, confie e consiga agir a partir daí.

Nas organizações acontece o mesmo. Podemos comunicar objetivos, valores, estratégias e mudanças. Podemos fazer apresentações, enviar newsletters, criar campanhas internas e repetir mensagens-chave. Mas se as pessoas não perceberem o porquê, se não entenderem como o seu trabalho contribui para algo maior, se não se sentirem envolvidas na narrativa da organização, a comunicação não cria pertença, pelo contrário, cria ruído.

A literacia não é importante apenas em saúde. Também é importante dentro das empresas. Há uma espécie de literacia organizacional que permite às pessoas compreenderem o contexto em que trabalham - para onde a organização vai, porque toma determinadas decisões, como cada função contribui, que impacto existe para clientes, utentes, comunidades ou sociedade.

Quando essa compreensão existe, o trabalho deixa de ser apenas uma tarefa e passa a ser contributo. E é aqui que Recursos Humanos, Comunicação e Responsabilidade Social se cruzam. Porque reter talento não é apenas construir formas de compensação. É construir ambientes onde as pessoas sintam que fazem parte de algo coerente, humano e com propósito real.

Ambientes onde a liderança explica e não apenas exige. Onde a comunicação aproxima e não apenas informa. Onde as pessoas conhecem o impacto do seu trabalho. Onde há espaço para crescer, participar e pertencer. Onde os projetos não existem só para cumprir indicadores, mas para gerar uma mudança efetiva.

Nos projetos de impacto social, isto torna-se ainda mais evidente. Quem trabalha nestas áreas precisa de ver sentido no esforço.

Precisa de perceber que uma campanha, uma parceria, uma intervenção numa comunidade ou uma estratégia de comunicação não são apenas entregáveis. São formas de chegar a pessoas, reduzir desigualdades, aumentar acesso, criar confiança e melhorar decisões.

E quando falamos de comunicação em saúde, este sentido torna-se ainda mais profundo. Porque uma mensagem clara pode ajudar alguém a compreender um diagnóstico. Uma campanha bem pensada pode levar uma pessoa a fazer um rastreio. Um projeto de literacia pode devolver autonomia a quem se sentia perdido num sistema complexo. Isto também é retenção.

Porque há profissionais que ficam não apenas pelo que recebem, mas pelo que sentem que conseguem transformar. Talvez as organizações precisem de olhar mais para isto - para o salário emocional que nasce do sentido, da clareza, da pertença e do impacto. As pessoas precisam de saber quanto ganham, sim. Mas também precisam de saber para que serve o que fazem. Precisam de se sentir cuidadas, mas também úteis. Precisam de benefícios, mas também de coerência. Precisam de objetivos, mas também de significado.

No fim, uma boa estratégia de RH não vive separada da comunicação. E uma boa comunicação interna não vive separada da cultura. Reter pessoas é, cada vez mais, saber comunicar sentido. Employer branding não é apenas aquilo que uma organização promete cá fora. É sobretudo, aquilo que as pessoas sentem cá dentro, e escolhem dia após dia continuar a contar. E o sentido constrói-se todos os dias.

O lado invisível do employer branding

Coordenadora do Serviço à Comunidade da NOVA Medical School

4 de ago. de 2026, 08:29

#Protagonistas

Opinião

Simon Sinek defendia que as pessoas não se mobilizam apenas pelo que uma organização faz, mas pelo porquê que está por detrás do que faz. Esta ideia, muitas vezes aplicada à liderança e às marcas, é também central quando falamos de retenção de talento e employer branding. 

Durante muito tempo, as organizações tentaram reter pessoas olhando sobretudo para aquilo que se vê: salário, benefícios, progressão, flexibilidade, seguros, dias extra, fruta na copa, títulos interessantes. Tudo isto importa, seria ingénuo dizer que não. Mas há uma dimensão menos visível que pesa muito mais do que muitas empresas imaginam: a forma como as pessoas compreendem o seu lugar, o seu contributo e o impacto do que fazem.

No fundo, as pessoas não ficam apenas porque têm boas condições. Ficam quando sentem que aquilo que fazem tem utilidade, consequência e significado.

E isto aproxima-se muito do que aprendi na comunicação em saúde e na literacia em saúde: não basta transmitir informação. É preciso que a pessoa compreenda, se reconheça, confie e consiga agir a partir daí.

Nas organizações acontece o mesmo. Podemos comunicar objetivos, valores, estratégias e mudanças. Podemos fazer apresentações, enviar newsletters, criar campanhas internas e repetir mensagens-chave. Mas se as pessoas não perceberem o porquê, se não entenderem como o seu trabalho contribui para algo maior, se não se sentirem envolvidas na narrativa da organização, a comunicação não cria pertença, pelo contrário, cria ruído.

A literacia não é importante apenas em saúde. Também é importante dentro das empresas. Há uma espécie de literacia organizacional que permite às pessoas compreenderem o contexto em que trabalham - para onde a organização vai, porque toma determinadas decisões, como cada função contribui, que impacto existe para clientes, utentes, comunidades ou sociedade.

Quando essa compreensão existe, o trabalho deixa de ser apenas uma tarefa e passa a ser contributo. E é aqui que Recursos Humanos, Comunicação e Responsabilidade Social se cruzam. Porque reter talento não é apenas construir formas de compensação. É construir ambientes onde as pessoas sintam que fazem parte de algo coerente, humano e com propósito real.

Ambientes onde a liderança explica e não apenas exige. Onde a comunicação aproxima e não apenas informa. Onde as pessoas conhecem o impacto do seu trabalho. Onde há espaço para crescer, participar e pertencer. Onde os projetos não existem só para cumprir indicadores, mas para gerar uma mudança efetiva.

Nos projetos de impacto social, isto torna-se ainda mais evidente. Quem trabalha nestas áreas precisa de ver sentido no esforço.

Precisa de perceber que uma campanha, uma parceria, uma intervenção numa comunidade ou uma estratégia de comunicação não são apenas entregáveis. São formas de chegar a pessoas, reduzir desigualdades, aumentar acesso, criar confiança e melhorar decisões.

E quando falamos de comunicação em saúde, este sentido torna-se ainda mais profundo. Porque uma mensagem clara pode ajudar alguém a compreender um diagnóstico. Uma campanha bem pensada pode levar uma pessoa a fazer um rastreio. Um projeto de literacia pode devolver autonomia a quem se sentia perdido num sistema complexo. Isto também é retenção.

Porque há profissionais que ficam não apenas pelo que recebem, mas pelo que sentem que conseguem transformar. Talvez as organizações precisem de olhar mais para isto - para o salário emocional que nasce do sentido, da clareza, da pertença e do impacto. As pessoas precisam de saber quanto ganham, sim. Mas também precisam de saber para que serve o que fazem. Precisam de se sentir cuidadas, mas também úteis. Precisam de benefícios, mas também de coerência. Precisam de objetivos, mas também de significado.

No fim, uma boa estratégia de RH não vive separada da comunicação. E uma boa comunicação interna não vive separada da cultura. Reter pessoas é, cada vez mais, saber comunicar sentido. Employer branding não é apenas aquilo que uma organização promete cá fora. É sobretudo, aquilo que as pessoas sentem cá dentro, e escolhem dia após dia continuar a contar. E o sentido constrói-se todos os dias.

O lado invisível do employer branding

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Coordenadora do Serviço à Comunidade da NOVA Medical School

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4 de ago. de 2026, 08:29

#Protagonistas

Opinião

Simon Sinek defendia que as pessoas não se mobilizam apenas pelo que uma organização faz, mas pelo porquê que está por detrás do que faz. Esta ideia, muitas vezes aplicada à liderança e às marcas, é também central quando falamos de retenção de talento e employer branding. 

Durante muito tempo, as organizações tentaram reter pessoas olhando sobretudo para aquilo que se vê: salário, benefícios, progressão, flexibilidade, seguros, dias extra, fruta na copa, títulos interessantes. Tudo isto importa, seria ingénuo dizer que não. Mas há uma dimensão menos visível que pesa muito mais do que muitas empresas imaginam: a forma como as pessoas compreendem o seu lugar, o seu contributo e o impacto do que fazem.

No fundo, as pessoas não ficam apenas porque têm boas condições. Ficam quando sentem que aquilo que fazem tem utilidade, consequência e significado.

E isto aproxima-se muito do que aprendi na comunicação em saúde e na literacia em saúde: não basta transmitir informação. É preciso que a pessoa compreenda, se reconheça, confie e consiga agir a partir daí.

Nas organizações acontece o mesmo. Podemos comunicar objetivos, valores, estratégias e mudanças. Podemos fazer apresentações, enviar newsletters, criar campanhas internas e repetir mensagens-chave. Mas se as pessoas não perceberem o porquê, se não entenderem como o seu trabalho contribui para algo maior, se não se sentirem envolvidas na narrativa da organização, a comunicação não cria pertença, pelo contrário, cria ruído.

A literacia não é importante apenas em saúde. Também é importante dentro das empresas. Há uma espécie de literacia organizacional que permite às pessoas compreenderem o contexto em que trabalham - para onde a organização vai, porque toma determinadas decisões, como cada função contribui, que impacto existe para clientes, utentes, comunidades ou sociedade.

Quando essa compreensão existe, o trabalho deixa de ser apenas uma tarefa e passa a ser contributo. E é aqui que Recursos Humanos, Comunicação e Responsabilidade Social se cruzam. Porque reter talento não é apenas construir formas de compensação. É construir ambientes onde as pessoas sintam que fazem parte de algo coerente, humano e com propósito real.

Ambientes onde a liderança explica e não apenas exige. Onde a comunicação aproxima e não apenas informa. Onde as pessoas conhecem o impacto do seu trabalho. Onde há espaço para crescer, participar e pertencer. Onde os projetos não existem só para cumprir indicadores, mas para gerar uma mudança efetiva.

Nos projetos de impacto social, isto torna-se ainda mais evidente. Quem trabalha nestas áreas precisa de ver sentido no esforço.

Precisa de perceber que uma campanha, uma parceria, uma intervenção numa comunidade ou uma estratégia de comunicação não são apenas entregáveis. São formas de chegar a pessoas, reduzir desigualdades, aumentar acesso, criar confiança e melhorar decisões.

E quando falamos de comunicação em saúde, este sentido torna-se ainda mais profundo. Porque uma mensagem clara pode ajudar alguém a compreender um diagnóstico. Uma campanha bem pensada pode levar uma pessoa a fazer um rastreio. Um projeto de literacia pode devolver autonomia a quem se sentia perdido num sistema complexo. Isto também é retenção.

Porque há profissionais que ficam não apenas pelo que recebem, mas pelo que sentem que conseguem transformar. Talvez as organizações precisem de olhar mais para isto - para o salário emocional que nasce do sentido, da clareza, da pertença e do impacto. As pessoas precisam de saber quanto ganham, sim. Mas também precisam de saber para que serve o que fazem. Precisam de se sentir cuidadas, mas também úteis. Precisam de benefícios, mas também de coerência. Precisam de objetivos, mas também de significado.

No fim, uma boa estratégia de RH não vive separada da comunicação. E uma boa comunicação interna não vive separada da cultura. Reter pessoas é, cada vez mais, saber comunicar sentido. Employer branding não é apenas aquilo que uma organização promete cá fora. É sobretudo, aquilo que as pessoas sentem cá dentro, e escolhem dia após dia continuar a contar. E o sentido constrói-se todos os dias.

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