Nem todos os diabos vestem Prada

|

Sócio e diretor de comunicação na Boca a Boca

|

17 de jul. de 2026, 08:09

#Protagonistas
Opinião

“Nós não trabalhamos para vocês, trabalhamos convosco. Somos uma extensão da vossa equipa”.


É desta forma que acabo a maior parte dos kick-offs com clientes novos. Procuro desmontar, desde o momento zero, a ideia que ainda persiste em muitas relações profissionais, de que existe um fosso hierárquico entre quem contrata e quem presta um serviço.

Naturalmente, existe uma diferença no papel de cada um. Há quem contrate e apresente as necessidades, e quem seja contratado para as mitigar. Há também quem tenha a responsabilidade final sobre o negócio e um peso diferente sobre as decisões tomadas. E há também quem seja contratado pela sua expertise. Daqui, parto diretamente para um pressuposto que faço questão de o dizer (de forma não verbal) que uma relação profissional saudável não deve ser construída sobre a lógica de subserviência, mas sim de parceria.

Acredito que esta minha posição face às relações, profissionais e não só, seja resultado da forma como fui educado: nunca me ensinaram a fazer vénias ao poder. Quando entrei no mercado de trabalho rapidamente percebi que a maioria das pessoas não vê o mundo como eu.

A minha porta de entrada foi a fotografia no, por um lado fascinante, universo da indústria da moda, mas por outro, profundamente marcado por egos. Foi durante esses curtos anos que me apercebi que nem todos os diabos vestem Prada. Alguns vestem Primark, fumam cigarros aesthetic, mas atiram as beatas para o chão. Pessoas já estabelecidas nas suas áreas que, com algum provincianismo, entendem que qualquer pessoa nova terá de passar exatamente pelas mesmas experiências negativas, que nem um ritual praxis de entrada. Porque “antigamente é que era”.

Tudo isto para mascarar a fragilidade dos métodos de trabalho obsoletos, as visões fora de moda ou mesmo uma arrogância tão latente, assente em alguma insegurança de estarem a ser afastadas da indústria.

É uma lógica estranha esta, de que a única forma de preservar este lugar inatingível é continuarmos a comportar-nos assim. Operamos cegamente sobre a premissa de que todos os que quiserem entrar e fazer algo diferente, estarão a ocupar demasiado espaço. Um espaço que não lhes pertence. É precisamente o contrário, na maioria das vezes. Se até quando jantamos fora, há sempre espaço para sobremesa, que lugar é este onde não há espaço para novo talento?

Mais tarde, no universo da Comunicação, fui identificando outro tipo de desafios. Não necessariamente os mesmos egos, mas uma outra manifestação da mesma necessidade de afirmação através do poder.

Refiro-me aos clientes que encaram uma agência (e não só) como uma extensão da sua autoridade e não como um parceiro estratégico. Aos que acreditam que a relação comercial suspende as regras básicas de civilidade e que transformam a sua impaciência numa urgência coletiva. Aos que acham que o pagamento de uma fatura lhes compra também o direito à falta de educação.

Curiosamente, são muitas vezes estas pessoas que menos compreendem a natureza do trabalho que estão a contratar.

A Comunicação, e aqui já não falo da indústria, não prospera sob autoridade excessiva, muito pelo contrário. Desenvolve-se plenamente quando existe confiança suficiente para discordar, maturidade suficiente para ouvir e inteligência suficiente para perceber que as melhores ideias raramente nascem de uma hierarquia.

Porque uma agência não é um centro de execução de tarefas. O valor de qualquer especialista está precisamente na sua capacidade de questionar, desafiar e estimular a reflexão. Talvez por isso continue a terminar tantas reuniões da mesma forma. “Nós não trabalhamos para vocês, trabalhamos convosco".


LER TAMBÉM:

Nem todos os diabos vestem Prada

Sócio e diretor de comunicação na Boca a Boca

17 de jul. de 2026, 08:09

#Protagonistas

Opinião

“Nós não trabalhamos para vocês, trabalhamos convosco. Somos uma extensão da vossa equipa”.


É desta forma que acabo a maior parte dos kick-offs com clientes novos. Procuro desmontar, desde o momento zero, a ideia que ainda persiste em muitas relações profissionais, de que existe um fosso hierárquico entre quem contrata e quem presta um serviço.

Naturalmente, existe uma diferença no papel de cada um. Há quem contrate e apresente as necessidades, e quem seja contratado para as mitigar. Há também quem tenha a responsabilidade final sobre o negócio e um peso diferente sobre as decisões tomadas. E há também quem seja contratado pela sua expertise. Daqui, parto diretamente para um pressuposto que faço questão de o dizer (de forma não verbal) que uma relação profissional saudável não deve ser construída sobre a lógica de subserviência, mas sim de parceria.

Acredito que esta minha posição face às relações, profissionais e não só, seja resultado da forma como fui educado: nunca me ensinaram a fazer vénias ao poder. Quando entrei no mercado de trabalho rapidamente percebi que a maioria das pessoas não vê o mundo como eu.

A minha porta de entrada foi a fotografia no, por um lado fascinante, universo da indústria da moda, mas por outro, profundamente marcado por egos. Foi durante esses curtos anos que me apercebi que nem todos os diabos vestem Prada. Alguns vestem Primark, fumam cigarros aesthetic, mas atiram as beatas para o chão. Pessoas já estabelecidas nas suas áreas que, com algum provincianismo, entendem que qualquer pessoa nova terá de passar exatamente pelas mesmas experiências negativas, que nem um ritual praxis de entrada. Porque “antigamente é que era”.

Tudo isto para mascarar a fragilidade dos métodos de trabalho obsoletos, as visões fora de moda ou mesmo uma arrogância tão latente, assente em alguma insegurança de estarem a ser afastadas da indústria.

É uma lógica estranha esta, de que a única forma de preservar este lugar inatingível é continuarmos a comportar-nos assim. Operamos cegamente sobre a premissa de que todos os que quiserem entrar e fazer algo diferente, estarão a ocupar demasiado espaço. Um espaço que não lhes pertence. É precisamente o contrário, na maioria das vezes. Se até quando jantamos fora, há sempre espaço para sobremesa, que lugar é este onde não há espaço para novo talento?

Mais tarde, no universo da Comunicação, fui identificando outro tipo de desafios. Não necessariamente os mesmos egos, mas uma outra manifestação da mesma necessidade de afirmação através do poder.

Refiro-me aos clientes que encaram uma agência (e não só) como uma extensão da sua autoridade e não como um parceiro estratégico. Aos que acreditam que a relação comercial suspende as regras básicas de civilidade e que transformam a sua impaciência numa urgência coletiva. Aos que acham que o pagamento de uma fatura lhes compra também o direito à falta de educação.

Curiosamente, são muitas vezes estas pessoas que menos compreendem a natureza do trabalho que estão a contratar.

A Comunicação, e aqui já não falo da indústria, não prospera sob autoridade excessiva, muito pelo contrário. Desenvolve-se plenamente quando existe confiança suficiente para discordar, maturidade suficiente para ouvir e inteligência suficiente para perceber que as melhores ideias raramente nascem de uma hierarquia.

Porque uma agência não é um centro de execução de tarefas. O valor de qualquer especialista está precisamente na sua capacidade de questionar, desafiar e estimular a reflexão. Talvez por isso continue a terminar tantas reuniões da mesma forma. “Nós não trabalhamos para vocês, trabalhamos convosco".


LER TAMBÉM:

Nem todos os diabos vestem Prada

Sócio e diretor de comunicação na Boca a Boca

17 de jul. de 2026, 08:09

#Protagonistas

Opinião

“Nós não trabalhamos para vocês, trabalhamos convosco. Somos uma extensão da vossa equipa”.


É desta forma que acabo a maior parte dos kick-offs com clientes novos. Procuro desmontar, desde o momento zero, a ideia que ainda persiste em muitas relações profissionais, de que existe um fosso hierárquico entre quem contrata e quem presta um serviço.

Naturalmente, existe uma diferença no papel de cada um. Há quem contrate e apresente as necessidades, e quem seja contratado para as mitigar. Há também quem tenha a responsabilidade final sobre o negócio e um peso diferente sobre as decisões tomadas. E há também quem seja contratado pela sua expertise. Daqui, parto diretamente para um pressuposto que faço questão de o dizer (de forma não verbal) que uma relação profissional saudável não deve ser construída sobre a lógica de subserviência, mas sim de parceria.

Acredito que esta minha posição face às relações, profissionais e não só, seja resultado da forma como fui educado: nunca me ensinaram a fazer vénias ao poder. Quando entrei no mercado de trabalho rapidamente percebi que a maioria das pessoas não vê o mundo como eu.

A minha porta de entrada foi a fotografia no, por um lado fascinante, universo da indústria da moda, mas por outro, profundamente marcado por egos. Foi durante esses curtos anos que me apercebi que nem todos os diabos vestem Prada. Alguns vestem Primark, fumam cigarros aesthetic, mas atiram as beatas para o chão. Pessoas já estabelecidas nas suas áreas que, com algum provincianismo, entendem que qualquer pessoa nova terá de passar exatamente pelas mesmas experiências negativas, que nem um ritual praxis de entrada. Porque “antigamente é que era”.

Tudo isto para mascarar a fragilidade dos métodos de trabalho obsoletos, as visões fora de moda ou mesmo uma arrogância tão latente, assente em alguma insegurança de estarem a ser afastadas da indústria.

É uma lógica estranha esta, de que a única forma de preservar este lugar inatingível é continuarmos a comportar-nos assim. Operamos cegamente sobre a premissa de que todos os que quiserem entrar e fazer algo diferente, estarão a ocupar demasiado espaço. Um espaço que não lhes pertence. É precisamente o contrário, na maioria das vezes. Se até quando jantamos fora, há sempre espaço para sobremesa, que lugar é este onde não há espaço para novo talento?

Mais tarde, no universo da Comunicação, fui identificando outro tipo de desafios. Não necessariamente os mesmos egos, mas uma outra manifestação da mesma necessidade de afirmação através do poder.

Refiro-me aos clientes que encaram uma agência (e não só) como uma extensão da sua autoridade e não como um parceiro estratégico. Aos que acreditam que a relação comercial suspende as regras básicas de civilidade e que transformam a sua impaciência numa urgência coletiva. Aos que acham que o pagamento de uma fatura lhes compra também o direito à falta de educação.

Curiosamente, são muitas vezes estas pessoas que menos compreendem a natureza do trabalho que estão a contratar.

A Comunicação, e aqui já não falo da indústria, não prospera sob autoridade excessiva, muito pelo contrário. Desenvolve-se plenamente quando existe confiança suficiente para discordar, maturidade suficiente para ouvir e inteligência suficiente para perceber que as melhores ideias raramente nascem de uma hierarquia.

Porque uma agência não é um centro de execução de tarefas. O valor de qualquer especialista está precisamente na sua capacidade de questionar, desafiar e estimular a reflexão. Talvez por isso continue a terminar tantas reuniões da mesma forma. “Nós não trabalhamos para vocês, trabalhamos convosco".


LER TAMBÉM:

Nem todos os diabos vestem Prada

|

Sócio e diretor de comunicação na Boca a Boca

|

17 de jul. de 2026, 08:09

#Protagonistas

Opinião

“Nós não trabalhamos para vocês, trabalhamos convosco. Somos uma extensão da vossa equipa”.


É desta forma que acabo a maior parte dos kick-offs com clientes novos. Procuro desmontar, desde o momento zero, a ideia que ainda persiste em muitas relações profissionais, de que existe um fosso hierárquico entre quem contrata e quem presta um serviço.

Naturalmente, existe uma diferença no papel de cada um. Há quem contrate e apresente as necessidades, e quem seja contratado para as mitigar. Há também quem tenha a responsabilidade final sobre o negócio e um peso diferente sobre as decisões tomadas. E há também quem seja contratado pela sua expertise. Daqui, parto diretamente para um pressuposto que faço questão de o dizer (de forma não verbal) que uma relação profissional saudável não deve ser construída sobre a lógica de subserviência, mas sim de parceria.

Acredito que esta minha posição face às relações, profissionais e não só, seja resultado da forma como fui educado: nunca me ensinaram a fazer vénias ao poder. Quando entrei no mercado de trabalho rapidamente percebi que a maioria das pessoas não vê o mundo como eu.

A minha porta de entrada foi a fotografia no, por um lado fascinante, universo da indústria da moda, mas por outro, profundamente marcado por egos. Foi durante esses curtos anos que me apercebi que nem todos os diabos vestem Prada. Alguns vestem Primark, fumam cigarros aesthetic, mas atiram as beatas para o chão. Pessoas já estabelecidas nas suas áreas que, com algum provincianismo, entendem que qualquer pessoa nova terá de passar exatamente pelas mesmas experiências negativas, que nem um ritual praxis de entrada. Porque “antigamente é que era”.

Tudo isto para mascarar a fragilidade dos métodos de trabalho obsoletos, as visões fora de moda ou mesmo uma arrogância tão latente, assente em alguma insegurança de estarem a ser afastadas da indústria.

É uma lógica estranha esta, de que a única forma de preservar este lugar inatingível é continuarmos a comportar-nos assim. Operamos cegamente sobre a premissa de que todos os que quiserem entrar e fazer algo diferente, estarão a ocupar demasiado espaço. Um espaço que não lhes pertence. É precisamente o contrário, na maioria das vezes. Se até quando jantamos fora, há sempre espaço para sobremesa, que lugar é este onde não há espaço para novo talento?

Mais tarde, no universo da Comunicação, fui identificando outro tipo de desafios. Não necessariamente os mesmos egos, mas uma outra manifestação da mesma necessidade de afirmação através do poder.

Refiro-me aos clientes que encaram uma agência (e não só) como uma extensão da sua autoridade e não como um parceiro estratégico. Aos que acreditam que a relação comercial suspende as regras básicas de civilidade e que transformam a sua impaciência numa urgência coletiva. Aos que acham que o pagamento de uma fatura lhes compra também o direito à falta de educação.

Curiosamente, são muitas vezes estas pessoas que menos compreendem a natureza do trabalho que estão a contratar.

A Comunicação, e aqui já não falo da indústria, não prospera sob autoridade excessiva, muito pelo contrário. Desenvolve-se plenamente quando existe confiança suficiente para discordar, maturidade suficiente para ouvir e inteligência suficiente para perceber que as melhores ideias raramente nascem de uma hierarquia.

Porque uma agência não é um centro de execução de tarefas. O valor de qualquer especialista está precisamente na sua capacidade de questionar, desafiar e estimular a reflexão. Talvez por isso continue a terminar tantas reuniões da mesma forma. “Nós não trabalhamos para vocês, trabalhamos convosco".


LER TAMBÉM:

Newsletter

Tenha acesso exclusivo à entrevista semanal em vídeo e a outros conteúdos em primeira mão. A Newsletter do MOTIVO é gratuita, sai às segundas-feiras de manhã e vai dar-lhe muitas razões para começar a semana com a motivação certa.

Newsletter

Tenha acesso exclusivo à entrevista semanal em vídeo e a outros conteúdos em primeira mão. A Newsletter do MOTIVO é gratuita, sai às segundas-feiras de manhã e vai dar-lhe muitas razões para começar a semana com a motivação certa.

Newsletter

Tenha acesso exclusivo à entrevista semanal em vídeo e a outros conteúdos em primeira mão. A Newsletter do MOTIVO é gratuita, sai às segundas-feiras de manhã e vai dar-lhe muitas razões para começar a semana com a motivação certa.

Newsletter

Tenha acesso exclusivo à entrevista semanal em vídeo e a outros conteúdos em primeira mão. A Newsletter do MOTIVO é gratuita, sai às segundas-feiras de manhã e vai dar-lhe muitas razões para começar a semana com a motivação certa.