CRÍTICA: MAIS FORTE QUE EU, o direito de viver sem pedir desculpa

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Viciado em filmes

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17 de mai. de 2026, 10:02

#Motivação
Opinião
After Work

Baseado na história verídica do ativista escocês John Davidson, Mais Forte Que Eu, é um retrato humano e necessário sobre a síndrome de Tourette, distinguido com dois prémios BAFTA e elevado pela cativante interpretação de Robert Aramayo.


Classificação: ★★★★☆



Quantas vezes por dia contemos o que temos vontade de dizer? Em Mais Forte Que Eu (I Swear), John Davidson não tem total controlo desse filtro devido à síndrome de Tourette, e é daí, de uma condição neurológica ainda hoje mal compreendida, que o realizador Kirk Jones parte para contar, com generosidade, a história real de um homem que encontrou o seu propósito precisamente onde os outros queriam que desaparecesse ou fosse contido.

O filme tem uma estrutura clássica, mas eficaz. A história começa em 2019, com John Davidson (Robert Aramayo) a tentar controlar os nervos por estar prestes a receber a Ordem do Império Britânico das mãos da Rainha Isabel II, e recua depois até à sua adolescência, nos finais dos anos 80. É aí que a eventual carreira como guarda-redes e a vida familiar do jovem escocês natural de Galashiels começam a desmoronar-se com a manifestação dos primeiros tiques involuntários, exclamações impróprias e movimentos espasmódicos. Tudo é encarado como má educação ou provocação, e não como sintomas de uma síndrome de Tourette que, à época, era pouco conhecida e ainda menos compreendida pela sociedade.



Com o início da vida adulta, e a par do preconceito crescente, surgem as figuras que acabam por marcar a sua vida: a mãe (Shirley Henderson, atriz também conhecida pelo papel de Murta Queixosa nos filmes de Harry Potter), incapaz de lidar com aquilo que não compreende; Dottie (Maxine Peake), a enfermeira de saúde mental e mãe do seu amigo, que o acolhe com uma bondade enternecedora; e Tommy (Peter Mullan), o zelador do centro comunitário, de generosa rudeza, que lhe oferece o primeiro emprego.

A estreia portuguesa deste filme, um sucesso de bilheteira no Reino Unido em 2025, acontece numa semana carregada de simbolismo. O título chega aos cinemas no arranque do período de sensibilização para a síndrome de Tourette, assinalado entre 15 de maio e 15 de junho. Talvez seja apenas uma coincidência de calendário, mas é também um lembrete de como a sétima arte pode aproximar o público de uma realidade que, no caso da Tourette, continua a causar desconforto social e a ser reduzida a caricatura ou piada fácil.



É na exploração do humor que Mais Forte Que Eu é particularmente bem-sucedido, sobretudo na forma como contém a linha ténue entre o humor que acompanha a personagem e o humor que a poderia ridicularizar. Rimo-nos com John e com as situações proporcionadas pela Tourette, nunca dele. E o facto de esta fórmula funcionar durante quase duas horas deve-se, em grande parte, a Robert Aramayo. A sua interpretação, reconhecida com o BAFTA de Melhor Ator, podia facilmente cair no excesso, mas em vez disso é extraordinariamente sóbria. Não só na exigência técnica de reproduzir os tiques e impulsos físicos, mas também na capacidade de mostrar o homem que existe além da condição, através de cenas corriqueiras do quotidiano, como a partilha do banco traseiro de um carro. John, já adulto, e uma jovem adolescente com a mesma condição sentam-se lado a lado e, durante uns instantes, trocam os insultos mais improváveis sem qualquer julgamento. O que começa como absurdo e desconforto transforma-se rapidamente em alívio.

Esta é uma das cenas que tornam o filme algo mais do que apenas uma história de superação. É um retrato da solidão, do impacto de não ser compreendido e do que pode mudar quando alguém está disposto a ouvir e a aceitar a diferença. Ainda assim, há momentos em que o realizador parece mais empenhado em despertar emoções consecutivas, através do recurso desnecessário a músicas nostálgicas como Blue Monday, dos New Order, do que em deixar respirar a carga emotiva imprimida por Aramayo. É o que acontece no terceiro ato, onde o trabalho de ativismo de Davidson, em que ele se afirma sem pedir desculpa, tal como Dottie lhe ensinou, acaba infelizmente reduzido a uma montagem rápida e sem fôlego. Gostava de ter visto mais.



Ainda assim, Mais Forte Que Eu é um filme que importa, e não apenas pelo tema que retrata. É um lembrete de que a empatia não nasce apenas da compreensão intelectual da diferença, mas da interação com a pessoa que vive com ela. O cartaz à porta da sala de cinema apresentava a frase “Um filme que pode mudar vidas”. É uma nota de intenções ambiciosa, mas o que é certo é que saí da sala não só a saber mais sobre a síndrome de Tourette, mas também a refletir, enquanto pessoa com deficiência, no custo invisível de passar o dia a dia a ser mal interpretado ou a ter de dar explicações sobre a minha condição. E no que significa, finalmente, poder viver sem pedir desculpa ou sem estar sempre preocupado com o que os outros pensam. É esta a magia do cinema: desperta-nos e deixa-nos mais atentos ao que aqueles que nos rodeiam podem estar a viver.


CRÍTICA: MAIS FORTE QUE EU, o direito de viver sem pedir desculpa

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17 de mai. de 2026, 10:02

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Baseado na história verídica do ativista escocês John Davidson, Mais Forte Que Eu, é um retrato humano e necessário sobre a síndrome de Tourette, distinguido com dois prémios BAFTA e elevado pela cativante interpretação de Robert Aramayo.


Classificação: ★★★★☆



Quantas vezes por dia contemos o que temos vontade de dizer? Em Mais Forte Que Eu (I Swear), John Davidson não tem total controlo desse filtro devido à síndrome de Tourette, e é daí, de uma condição neurológica ainda hoje mal compreendida, que o realizador Kirk Jones parte para contar, com generosidade, a história real de um homem que encontrou o seu propósito precisamente onde os outros queriam que desaparecesse ou fosse contido.

O filme tem uma estrutura clássica, mas eficaz. A história começa em 2019, com John Davidson (Robert Aramayo) a tentar controlar os nervos por estar prestes a receber a Ordem do Império Britânico das mãos da Rainha Isabel II, e recua depois até à sua adolescência, nos finais dos anos 80. É aí que a eventual carreira como guarda-redes e a vida familiar do jovem escocês natural de Galashiels começam a desmoronar-se com a manifestação dos primeiros tiques involuntários, exclamações impróprias e movimentos espasmódicos. Tudo é encarado como má educação ou provocação, e não como sintomas de uma síndrome de Tourette que, à época, era pouco conhecida e ainda menos compreendida pela sociedade.



Com o início da vida adulta, e a par do preconceito crescente, surgem as figuras que acabam por marcar a sua vida: a mãe (Shirley Henderson, atriz também conhecida pelo papel de Murta Queixosa nos filmes de Harry Potter), incapaz de lidar com aquilo que não compreende; Dottie (Maxine Peake), a enfermeira de saúde mental e mãe do seu amigo, que o acolhe com uma bondade enternecedora; e Tommy (Peter Mullan), o zelador do centro comunitário, de generosa rudeza, que lhe oferece o primeiro emprego.

A estreia portuguesa deste filme, um sucesso de bilheteira no Reino Unido em 2025, acontece numa semana carregada de simbolismo. O título chega aos cinemas no arranque do período de sensibilização para a síndrome de Tourette, assinalado entre 15 de maio e 15 de junho. Talvez seja apenas uma coincidência de calendário, mas é também um lembrete de como a sétima arte pode aproximar o público de uma realidade que, no caso da Tourette, continua a causar desconforto social e a ser reduzida a caricatura ou piada fácil.



É na exploração do humor que Mais Forte Que Eu é particularmente bem-sucedido, sobretudo na forma como contém a linha ténue entre o humor que acompanha a personagem e o humor que a poderia ridicularizar. Rimo-nos com John e com as situações proporcionadas pela Tourette, nunca dele. E o facto de esta fórmula funcionar durante quase duas horas deve-se, em grande parte, a Robert Aramayo. A sua interpretação, reconhecida com o BAFTA de Melhor Ator, podia facilmente cair no excesso, mas em vez disso é extraordinariamente sóbria. Não só na exigência técnica de reproduzir os tiques e impulsos físicos, mas também na capacidade de mostrar o homem que existe além da condição, através de cenas corriqueiras do quotidiano, como a partilha do banco traseiro de um carro. John, já adulto, e uma jovem adolescente com a mesma condição sentam-se lado a lado e, durante uns instantes, trocam os insultos mais improváveis sem qualquer julgamento. O que começa como absurdo e desconforto transforma-se rapidamente em alívio.

Esta é uma das cenas que tornam o filme algo mais do que apenas uma história de superação. É um retrato da solidão, do impacto de não ser compreendido e do que pode mudar quando alguém está disposto a ouvir e a aceitar a diferença. Ainda assim, há momentos em que o realizador parece mais empenhado em despertar emoções consecutivas, através do recurso desnecessário a músicas nostálgicas como Blue Monday, dos New Order, do que em deixar respirar a carga emotiva imprimida por Aramayo. É o que acontece no terceiro ato, onde o trabalho de ativismo de Davidson, em que ele se afirma sem pedir desculpa, tal como Dottie lhe ensinou, acaba infelizmente reduzido a uma montagem rápida e sem fôlego. Gostava de ter visto mais.



Ainda assim, Mais Forte Que Eu é um filme que importa, e não apenas pelo tema que retrata. É um lembrete de que a empatia não nasce apenas da compreensão intelectual da diferença, mas da interação com a pessoa que vive com ela. O cartaz à porta da sala de cinema apresentava a frase “Um filme que pode mudar vidas”. É uma nota de intenções ambiciosa, mas o que é certo é que saí da sala não só a saber mais sobre a síndrome de Tourette, mas também a refletir, enquanto pessoa com deficiência, no custo invisível de passar o dia a dia a ser mal interpretado ou a ter de dar explicações sobre a minha condição. E no que significa, finalmente, poder viver sem pedir desculpa ou sem estar sempre preocupado com o que os outros pensam. É esta a magia do cinema: desperta-nos e deixa-nos mais atentos ao que aqueles que nos rodeiam podem estar a viver.


CRÍTICA: MAIS FORTE QUE EU, o direito de viver sem pedir desculpa

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17 de mai. de 2026, 10:02

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Baseado na história verídica do ativista escocês John Davidson, Mais Forte Que Eu, é um retrato humano e necessário sobre a síndrome de Tourette, distinguido com dois prémios BAFTA e elevado pela cativante interpretação de Robert Aramayo.


Classificação: ★★★★☆



Quantas vezes por dia contemos o que temos vontade de dizer? Em Mais Forte Que Eu (I Swear), John Davidson não tem total controlo desse filtro devido à síndrome de Tourette, e é daí, de uma condição neurológica ainda hoje mal compreendida, que o realizador Kirk Jones parte para contar, com generosidade, a história real de um homem que encontrou o seu propósito precisamente onde os outros queriam que desaparecesse ou fosse contido.

O filme tem uma estrutura clássica, mas eficaz. A história começa em 2019, com John Davidson (Robert Aramayo) a tentar controlar os nervos por estar prestes a receber a Ordem do Império Britânico das mãos da Rainha Isabel II, e recua depois até à sua adolescência, nos finais dos anos 80. É aí que a eventual carreira como guarda-redes e a vida familiar do jovem escocês natural de Galashiels começam a desmoronar-se com a manifestação dos primeiros tiques involuntários, exclamações impróprias e movimentos espasmódicos. Tudo é encarado como má educação ou provocação, e não como sintomas de uma síndrome de Tourette que, à época, era pouco conhecida e ainda menos compreendida pela sociedade.



Com o início da vida adulta, e a par do preconceito crescente, surgem as figuras que acabam por marcar a sua vida: a mãe (Shirley Henderson, atriz também conhecida pelo papel de Murta Queixosa nos filmes de Harry Potter), incapaz de lidar com aquilo que não compreende; Dottie (Maxine Peake), a enfermeira de saúde mental e mãe do seu amigo, que o acolhe com uma bondade enternecedora; e Tommy (Peter Mullan), o zelador do centro comunitário, de generosa rudeza, que lhe oferece o primeiro emprego.

A estreia portuguesa deste filme, um sucesso de bilheteira no Reino Unido em 2025, acontece numa semana carregada de simbolismo. O título chega aos cinemas no arranque do período de sensibilização para a síndrome de Tourette, assinalado entre 15 de maio e 15 de junho. Talvez seja apenas uma coincidência de calendário, mas é também um lembrete de como a sétima arte pode aproximar o público de uma realidade que, no caso da Tourette, continua a causar desconforto social e a ser reduzida a caricatura ou piada fácil.



É na exploração do humor que Mais Forte Que Eu é particularmente bem-sucedido, sobretudo na forma como contém a linha ténue entre o humor que acompanha a personagem e o humor que a poderia ridicularizar. Rimo-nos com John e com as situações proporcionadas pela Tourette, nunca dele. E o facto de esta fórmula funcionar durante quase duas horas deve-se, em grande parte, a Robert Aramayo. A sua interpretação, reconhecida com o BAFTA de Melhor Ator, podia facilmente cair no excesso, mas em vez disso é extraordinariamente sóbria. Não só na exigência técnica de reproduzir os tiques e impulsos físicos, mas também na capacidade de mostrar o homem que existe além da condição, através de cenas corriqueiras do quotidiano, como a partilha do banco traseiro de um carro. John, já adulto, e uma jovem adolescente com a mesma condição sentam-se lado a lado e, durante uns instantes, trocam os insultos mais improváveis sem qualquer julgamento. O que começa como absurdo e desconforto transforma-se rapidamente em alívio.

Esta é uma das cenas que tornam o filme algo mais do que apenas uma história de superação. É um retrato da solidão, do impacto de não ser compreendido e do que pode mudar quando alguém está disposto a ouvir e a aceitar a diferença. Ainda assim, há momentos em que o realizador parece mais empenhado em despertar emoções consecutivas, através do recurso desnecessário a músicas nostálgicas como Blue Monday, dos New Order, do que em deixar respirar a carga emotiva imprimida por Aramayo. É o que acontece no terceiro ato, onde o trabalho de ativismo de Davidson, em que ele se afirma sem pedir desculpa, tal como Dottie lhe ensinou, acaba infelizmente reduzido a uma montagem rápida e sem fôlego. Gostava de ter visto mais.



Ainda assim, Mais Forte Que Eu é um filme que importa, e não apenas pelo tema que retrata. É um lembrete de que a empatia não nasce apenas da compreensão intelectual da diferença, mas da interação com a pessoa que vive com ela. O cartaz à porta da sala de cinema apresentava a frase “Um filme que pode mudar vidas”. É uma nota de intenções ambiciosa, mas o que é certo é que saí da sala não só a saber mais sobre a síndrome de Tourette, mas também a refletir, enquanto pessoa com deficiência, no custo invisível de passar o dia a dia a ser mal interpretado ou a ter de dar explicações sobre a minha condição. E no que significa, finalmente, poder viver sem pedir desculpa ou sem estar sempre preocupado com o que os outros pensam. É esta a magia do cinema: desperta-nos e deixa-nos mais atentos ao que aqueles que nos rodeiam podem estar a viver.


CRÍTICA: MAIS FORTE QUE EU, o direito de viver sem pedir desculpa

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Baseado na história verídica do ativista escocês John Davidson, Mais Forte Que Eu, é um retrato humano e necessário sobre a síndrome de Tourette, distinguido com dois prémios BAFTA e elevado pela cativante interpretação de Robert Aramayo.


Classificação: ★★★★☆



Quantas vezes por dia contemos o que temos vontade de dizer? Em Mais Forte Que Eu (I Swear), John Davidson não tem total controlo desse filtro devido à síndrome de Tourette, e é daí, de uma condição neurológica ainda hoje mal compreendida, que o realizador Kirk Jones parte para contar, com generosidade, a história real de um homem que encontrou o seu propósito precisamente onde os outros queriam que desaparecesse ou fosse contido.

O filme tem uma estrutura clássica, mas eficaz. A história começa em 2019, com John Davidson (Robert Aramayo) a tentar controlar os nervos por estar prestes a receber a Ordem do Império Britânico das mãos da Rainha Isabel II, e recua depois até à sua adolescência, nos finais dos anos 80. É aí que a eventual carreira como guarda-redes e a vida familiar do jovem escocês natural de Galashiels começam a desmoronar-se com a manifestação dos primeiros tiques involuntários, exclamações impróprias e movimentos espasmódicos. Tudo é encarado como má educação ou provocação, e não como sintomas de uma síndrome de Tourette que, à época, era pouco conhecida e ainda menos compreendida pela sociedade.



Com o início da vida adulta, e a par do preconceito crescente, surgem as figuras que acabam por marcar a sua vida: a mãe (Shirley Henderson, atriz também conhecida pelo papel de Murta Queixosa nos filmes de Harry Potter), incapaz de lidar com aquilo que não compreende; Dottie (Maxine Peake), a enfermeira de saúde mental e mãe do seu amigo, que o acolhe com uma bondade enternecedora; e Tommy (Peter Mullan), o zelador do centro comunitário, de generosa rudeza, que lhe oferece o primeiro emprego.

A estreia portuguesa deste filme, um sucesso de bilheteira no Reino Unido em 2025, acontece numa semana carregada de simbolismo. O título chega aos cinemas no arranque do período de sensibilização para a síndrome de Tourette, assinalado entre 15 de maio e 15 de junho. Talvez seja apenas uma coincidência de calendário, mas é também um lembrete de como a sétima arte pode aproximar o público de uma realidade que, no caso da Tourette, continua a causar desconforto social e a ser reduzida a caricatura ou piada fácil.



É na exploração do humor que Mais Forte Que Eu é particularmente bem-sucedido, sobretudo na forma como contém a linha ténue entre o humor que acompanha a personagem e o humor que a poderia ridicularizar. Rimo-nos com John e com as situações proporcionadas pela Tourette, nunca dele. E o facto de esta fórmula funcionar durante quase duas horas deve-se, em grande parte, a Robert Aramayo. A sua interpretação, reconhecida com o BAFTA de Melhor Ator, podia facilmente cair no excesso, mas em vez disso é extraordinariamente sóbria. Não só na exigência técnica de reproduzir os tiques e impulsos físicos, mas também na capacidade de mostrar o homem que existe além da condição, através de cenas corriqueiras do quotidiano, como a partilha do banco traseiro de um carro. John, já adulto, e uma jovem adolescente com a mesma condição sentam-se lado a lado e, durante uns instantes, trocam os insultos mais improváveis sem qualquer julgamento. O que começa como absurdo e desconforto transforma-se rapidamente em alívio.

Esta é uma das cenas que tornam o filme algo mais do que apenas uma história de superação. É um retrato da solidão, do impacto de não ser compreendido e do que pode mudar quando alguém está disposto a ouvir e a aceitar a diferença. Ainda assim, há momentos em que o realizador parece mais empenhado em despertar emoções consecutivas, através do recurso desnecessário a músicas nostálgicas como Blue Monday, dos New Order, do que em deixar respirar a carga emotiva imprimida por Aramayo. É o que acontece no terceiro ato, onde o trabalho de ativismo de Davidson, em que ele se afirma sem pedir desculpa, tal como Dottie lhe ensinou, acaba infelizmente reduzido a uma montagem rápida e sem fôlego. Gostava de ter visto mais.



Ainda assim, Mais Forte Que Eu é um filme que importa, e não apenas pelo tema que retrata. É um lembrete de que a empatia não nasce apenas da compreensão intelectual da diferença, mas da interação com a pessoa que vive com ela. O cartaz à porta da sala de cinema apresentava a frase “Um filme que pode mudar vidas”. É uma nota de intenções ambiciosa, mas o que é certo é que saí da sala não só a saber mais sobre a síndrome de Tourette, mas também a refletir, enquanto pessoa com deficiência, no custo invisível de passar o dia a dia a ser mal interpretado ou a ter de dar explicações sobre a minha condição. E no que significa, finalmente, poder viver sem pedir desculpa ou sem estar sempre preocupado com o que os outros pensam. É esta a magia do cinema: desperta-nos e deixa-nos mais atentos ao que aqueles que nos rodeiam podem estar a viver.


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