#Motivação

Bare Minimum Monday: a tendência que começou no TikTok e tem vindo a expor um problema maior no trabalho

Em poucos meses, transformou-se num dos conceitos mais discutidos sobre trabalho. O Bare Minimum Monday (fazer apenas o essencial à segunda-feira) ganhou tração em 2023 e, desde então, entrou no vocabulário de empresas, consultores e especialistas em cultura organizacional. Três anos depois, ainda faz sentido?

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4 de mai. de 2026, 16:09

Ao contrário de todos os outros artigos, reportagens e entrevistas que publicamos diariamente no MOTIVO, este texto teve uma hora de saída tardia. E a culpa é do Bare Minimum Monday. O termo foi popularizado por Marisa Jo Mayes, que o descreveu como uma forma de reduzir a pressão associada ao início da semana e combater o desgaste acumulado. A proposta era simples: começar a semana com menos intensidade, focando apenas nas tarefas críticas e reservando espaço para autocuidado.

O contexto ajuda a explicar a adesão, até porque a aversão à segunda-feira não é nova. Num estudo da YouGov, 58% das pessoas identificavam esse dia como o menos favorito da semana. Mais recentemente, dados citados por especialistas apontam que até 75% dos trabalhadores sentem ansiedade ao domingo, antecipando o regresso ao trabalho.

O que mudou? A resposta. Em vez de tentar contrariar esse desconforto, muitos profissionais começaram a integrá-lo no seu comportamento. O Bare Minimum Monday surgiu como adaptação.



Entre burnout e cultura de performance

O crescimento do conceito está diretamente ligado ao aumento de situações de esgotamento das equipas e à transformação dos modelos de trabalho. A transição para formatos híbridos e remotos alterou ritmos, fronteiras e expectativas. O trabalho deixou de estar concentrado num espaço e passou a acompanhar-nos o dia inteiro.

Nesse contexto, reduzir a intensidade logo no primeiro dia da semana pode funcionar como estratégia de regulação. Alguns especialistas defendem que o conceito permite uma entrada mais gradual no trabalho, reduzindo ansiedade e melhorando a consistência ao longo da semana.

Mas a leitura não é consensual. Outros alertam para o risco de normalizar o "desengajamento". Comparado ao quiet quitting, o Bare Minimum Monday levanta a mesma questão de fundo: até que ponto cumprir apenas o mínimo é um mecanismo de proteção ou um sinal de afastamento do trabalho?


O que isto diz sobre as empresas?

Mais do que um comportamento individual, a tendência funciona como indicador organizacional. Se uma parte significativa dos profissionais sente necessidade de “abrandar” logo à segunda-feira, isso pode refletir problemas estruturais: carga excessiva, falta de autonomia ou expectativas desajustadas.

Alguns dados reforçam esse ponto. Estudos sobre motivação mostram que a energia e o envolvimento dos trabalhadores variam ao longo da semana, sendo particularmente baixos no início. Ao mesmo tempo, níveis elevados de stress e exigência contínua tornam esse arranque ainda mais difícil.

Para as empresas, a questão passa a ser sobre o desenho dos sistemas de trabalho. Ajustar reuniões, gerir carga de tarefas ou rever expectativas para o início da semana são respostas já discutidas em contextos de gestão de pessoas.


Trata-se de uma tendência ou um sintoma?

O Bare Minimum Monday não é uma política formal nem uma prática universal. Depende do tipo de trabalho, do nível de autonomia e da cultura de cada organização. Em muitos casos, simplesmente não é possível.

Ainda assim, o conceito ganhou relevância porque traduz algo mais profundo: uma mudança na forma como as pessoas se relacionam com o trabalho. Menos orientada para intensidade constante, mais focada na gestão de energia e na sustentabilidade ao longo do tempo.

Não resolve o problema, mas torna-o visível e trouxe-o para as redes sociais, num debate mais sério do que a cultura dos memes. Nesse sentido, talvez a pergunta mais relevante seja porque é que o Bare Minimum Monday começou a fazer sentido? E atualmente, com os alertas crescentes sobre saúde mental nas empresas, e os dados que vamos tendo acesso, que balanço fazemos de um conceito que começou a ser falado em 2023?


VER TAMBÉM:


(C) Foto de Compagnons na Unsplash
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Bare Minimum Monday: a tendência que começou no TikTok e tem vindo a expor um problema maior no trabalho

Em poucos meses, transformou-se num dos conceitos mais discutidos sobre trabalho. O Bare Minimum Monday (fazer apenas o essencial à segunda-feira) ganhou tração em 2023 e, desde então, entrou no vocabulário de empresas, consultores e especialistas em cultura organizacional. Três anos depois, ainda faz sentido?

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4 de mai. de 2026, 16:09

Ao contrário de todos os outros artigos, reportagens e entrevistas que publicamos diariamente no MOTIVO, este texto teve uma hora de saída tardia. E a culpa é do Bare Minimum Monday. O termo foi popularizado por Marisa Jo Mayes, que o descreveu como uma forma de reduzir a pressão associada ao início da semana e combater o desgaste acumulado. A proposta era simples: começar a semana com menos intensidade, focando apenas nas tarefas críticas e reservando espaço para autocuidado.

O contexto ajuda a explicar a adesão, até porque a aversão à segunda-feira não é nova. Num estudo da YouGov, 58% das pessoas identificavam esse dia como o menos favorito da semana. Mais recentemente, dados citados por especialistas apontam que até 75% dos trabalhadores sentem ansiedade ao domingo, antecipando o regresso ao trabalho.

O que mudou? A resposta. Em vez de tentar contrariar esse desconforto, muitos profissionais começaram a integrá-lo no seu comportamento. O Bare Minimum Monday surgiu como adaptação.



Entre burnout e cultura de performance

O crescimento do conceito está diretamente ligado ao aumento de situações de esgotamento das equipas e à transformação dos modelos de trabalho. A transição para formatos híbridos e remotos alterou ritmos, fronteiras e expectativas. O trabalho deixou de estar concentrado num espaço e passou a acompanhar-nos o dia inteiro.

Nesse contexto, reduzir a intensidade logo no primeiro dia da semana pode funcionar como estratégia de regulação. Alguns especialistas defendem que o conceito permite uma entrada mais gradual no trabalho, reduzindo ansiedade e melhorando a consistência ao longo da semana.

Mas a leitura não é consensual. Outros alertam para o risco de normalizar o "desengajamento". Comparado ao quiet quitting, o Bare Minimum Monday levanta a mesma questão de fundo: até que ponto cumprir apenas o mínimo é um mecanismo de proteção ou um sinal de afastamento do trabalho?


O que isto diz sobre as empresas?

Mais do que um comportamento individual, a tendência funciona como indicador organizacional. Se uma parte significativa dos profissionais sente necessidade de “abrandar” logo à segunda-feira, isso pode refletir problemas estruturais: carga excessiva, falta de autonomia ou expectativas desajustadas.

Alguns dados reforçam esse ponto. Estudos sobre motivação mostram que a energia e o envolvimento dos trabalhadores variam ao longo da semana, sendo particularmente baixos no início. Ao mesmo tempo, níveis elevados de stress e exigência contínua tornam esse arranque ainda mais difícil.

Para as empresas, a questão passa a ser sobre o desenho dos sistemas de trabalho. Ajustar reuniões, gerir carga de tarefas ou rever expectativas para o início da semana são respostas já discutidas em contextos de gestão de pessoas.


Trata-se de uma tendência ou um sintoma?

O Bare Minimum Monday não é uma política formal nem uma prática universal. Depende do tipo de trabalho, do nível de autonomia e da cultura de cada organização. Em muitos casos, simplesmente não é possível.

Ainda assim, o conceito ganhou relevância porque traduz algo mais profundo: uma mudança na forma como as pessoas se relacionam com o trabalho. Menos orientada para intensidade constante, mais focada na gestão de energia e na sustentabilidade ao longo do tempo.

Não resolve o problema, mas torna-o visível e trouxe-o para as redes sociais, num debate mais sério do que a cultura dos memes. Nesse sentido, talvez a pergunta mais relevante seja porque é que o Bare Minimum Monday começou a fazer sentido? E atualmente, com os alertas crescentes sobre saúde mental nas empresas, e os dados que vamos tendo acesso, que balanço fazemos de um conceito que começou a ser falado em 2023?


VER TAMBÉM:


(C) Foto de Compagnons na Unsplash

#Motivação

Bare Minimum Monday: a tendência que começou no TikTok e tem vindo a expor um problema maior no trabalho

Em poucos meses, transformou-se num dos conceitos mais discutidos sobre trabalho. O Bare Minimum Monday (fazer apenas o essencial à segunda-feira) ganhou tração em 2023 e, desde então, entrou no vocabulário de empresas, consultores e especialistas em cultura organizacional. Três anos depois, ainda faz sentido?

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4 de mai. de 2026, 16:09

Ao contrário de todos os outros artigos, reportagens e entrevistas que publicamos diariamente no MOTIVO, este texto teve uma hora de saída tardia. E a culpa é do Bare Minimum Monday. O termo foi popularizado por Marisa Jo Mayes, que o descreveu como uma forma de reduzir a pressão associada ao início da semana e combater o desgaste acumulado. A proposta era simples: começar a semana com menos intensidade, focando apenas nas tarefas críticas e reservando espaço para autocuidado.

O contexto ajuda a explicar a adesão, até porque a aversão à segunda-feira não é nova. Num estudo da YouGov, 58% das pessoas identificavam esse dia como o menos favorito da semana. Mais recentemente, dados citados por especialistas apontam que até 75% dos trabalhadores sentem ansiedade ao domingo, antecipando o regresso ao trabalho.

O que mudou? A resposta. Em vez de tentar contrariar esse desconforto, muitos profissionais começaram a integrá-lo no seu comportamento. O Bare Minimum Monday surgiu como adaptação.



Entre burnout e cultura de performance

O crescimento do conceito está diretamente ligado ao aumento de situações de esgotamento das equipas e à transformação dos modelos de trabalho. A transição para formatos híbridos e remotos alterou ritmos, fronteiras e expectativas. O trabalho deixou de estar concentrado num espaço e passou a acompanhar-nos o dia inteiro.

Nesse contexto, reduzir a intensidade logo no primeiro dia da semana pode funcionar como estratégia de regulação. Alguns especialistas defendem que o conceito permite uma entrada mais gradual no trabalho, reduzindo ansiedade e melhorando a consistência ao longo da semana.

Mas a leitura não é consensual. Outros alertam para o risco de normalizar o "desengajamento". Comparado ao quiet quitting, o Bare Minimum Monday levanta a mesma questão de fundo: até que ponto cumprir apenas o mínimo é um mecanismo de proteção ou um sinal de afastamento do trabalho?


O que isto diz sobre as empresas?

Mais do que um comportamento individual, a tendência funciona como indicador organizacional. Se uma parte significativa dos profissionais sente necessidade de “abrandar” logo à segunda-feira, isso pode refletir problemas estruturais: carga excessiva, falta de autonomia ou expectativas desajustadas.

Alguns dados reforçam esse ponto. Estudos sobre motivação mostram que a energia e o envolvimento dos trabalhadores variam ao longo da semana, sendo particularmente baixos no início. Ao mesmo tempo, níveis elevados de stress e exigência contínua tornam esse arranque ainda mais difícil.

Para as empresas, a questão passa a ser sobre o desenho dos sistemas de trabalho. Ajustar reuniões, gerir carga de tarefas ou rever expectativas para o início da semana são respostas já discutidas em contextos de gestão de pessoas.


Trata-se de uma tendência ou um sintoma?

O Bare Minimum Monday não é uma política formal nem uma prática universal. Depende do tipo de trabalho, do nível de autonomia e da cultura de cada organização. Em muitos casos, simplesmente não é possível.

Ainda assim, o conceito ganhou relevância porque traduz algo mais profundo: uma mudança na forma como as pessoas se relacionam com o trabalho. Menos orientada para intensidade constante, mais focada na gestão de energia e na sustentabilidade ao longo do tempo.

Não resolve o problema, mas torna-o visível e trouxe-o para as redes sociais, num debate mais sério do que a cultura dos memes. Nesse sentido, talvez a pergunta mais relevante seja porque é que o Bare Minimum Monday começou a fazer sentido? E atualmente, com os alertas crescentes sobre saúde mental nas empresas, e os dados que vamos tendo acesso, que balanço fazemos de um conceito que começou a ser falado em 2023?


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#Motivação

Bare Minimum Monday: a tendência que começou no TikTok e tem vindo a expor um problema maior no trabalho

Em poucos meses, transformou-se num dos conceitos mais discutidos sobre trabalho. O Bare Minimum Monday (fazer apenas o essencial à segunda-feira) ganhou tração em 2023 e, desde então, entrou no vocabulário de empresas, consultores e especialistas em cultura organizacional. Três anos depois, ainda faz sentido?

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4 de mai. de 2026, 16:09

Ao contrário de todos os outros artigos, reportagens e entrevistas que publicamos diariamente no MOTIVO, este texto teve uma hora de saída tardia. E a culpa é do Bare Minimum Monday. O termo foi popularizado por Marisa Jo Mayes, que o descreveu como uma forma de reduzir a pressão associada ao início da semana e combater o desgaste acumulado. A proposta era simples: começar a semana com menos intensidade, focando apenas nas tarefas críticas e reservando espaço para autocuidado.

O contexto ajuda a explicar a adesão, até porque a aversão à segunda-feira não é nova. Num estudo da YouGov, 58% das pessoas identificavam esse dia como o menos favorito da semana. Mais recentemente, dados citados por especialistas apontam que até 75% dos trabalhadores sentem ansiedade ao domingo, antecipando o regresso ao trabalho.

O que mudou? A resposta. Em vez de tentar contrariar esse desconforto, muitos profissionais começaram a integrá-lo no seu comportamento. O Bare Minimum Monday surgiu como adaptação.



Entre burnout e cultura de performance

O crescimento do conceito está diretamente ligado ao aumento de situações de esgotamento das equipas e à transformação dos modelos de trabalho. A transição para formatos híbridos e remotos alterou ritmos, fronteiras e expectativas. O trabalho deixou de estar concentrado num espaço e passou a acompanhar-nos o dia inteiro.

Nesse contexto, reduzir a intensidade logo no primeiro dia da semana pode funcionar como estratégia de regulação. Alguns especialistas defendem que o conceito permite uma entrada mais gradual no trabalho, reduzindo ansiedade e melhorando a consistência ao longo da semana.

Mas a leitura não é consensual. Outros alertam para o risco de normalizar o "desengajamento". Comparado ao quiet quitting, o Bare Minimum Monday levanta a mesma questão de fundo: até que ponto cumprir apenas o mínimo é um mecanismo de proteção ou um sinal de afastamento do trabalho?


O que isto diz sobre as empresas?

Mais do que um comportamento individual, a tendência funciona como indicador organizacional. Se uma parte significativa dos profissionais sente necessidade de “abrandar” logo à segunda-feira, isso pode refletir problemas estruturais: carga excessiva, falta de autonomia ou expectativas desajustadas.

Alguns dados reforçam esse ponto. Estudos sobre motivação mostram que a energia e o envolvimento dos trabalhadores variam ao longo da semana, sendo particularmente baixos no início. Ao mesmo tempo, níveis elevados de stress e exigência contínua tornam esse arranque ainda mais difícil.

Para as empresas, a questão passa a ser sobre o desenho dos sistemas de trabalho. Ajustar reuniões, gerir carga de tarefas ou rever expectativas para o início da semana são respostas já discutidas em contextos de gestão de pessoas.


Trata-se de uma tendência ou um sintoma?

O Bare Minimum Monday não é uma política formal nem uma prática universal. Depende do tipo de trabalho, do nível de autonomia e da cultura de cada organização. Em muitos casos, simplesmente não é possível.

Ainda assim, o conceito ganhou relevância porque traduz algo mais profundo: uma mudança na forma como as pessoas se relacionam com o trabalho. Menos orientada para intensidade constante, mais focada na gestão de energia e na sustentabilidade ao longo do tempo.

Não resolve o problema, mas torna-o visível e trouxe-o para as redes sociais, num debate mais sério do que a cultura dos memes. Nesse sentido, talvez a pergunta mais relevante seja porque é que o Bare Minimum Monday começou a fazer sentido? E atualmente, com os alertas crescentes sobre saúde mental nas empresas, e os dados que vamos tendo acesso, que balanço fazemos de um conceito que começou a ser falado em 2023?


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