#Conhecimento

Energia renovável pode ser armazenada em rochas profundas, revela estudo português

Formações rochosas localizadas a grande profundidade poderão funcionar como enormes sistemas de armazenamento de energia renovável, com capacidades na ordem de 1 terawatt-hora (TWh), energia suficiente para abastecer centenas de milhares de habitações. A conclusão é de um estudo de investigadores da NOVA FCT e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, publicado na revista científica Geoenergy.

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28 de ago. de 2026, 08:50

A tecnologia estudada chama-se armazenamento de energia por ar comprimido em meios porosos. O princípio é relativamente simples: quando existe produção de eletricidade renovável em excesso, essa energia é utilizada para comprimir ar atmosférico e injetá-lo em reservatórios geológicos profundos. Quando a rede volta a precisar de eletricidade, o ar é libertado e usado para acionar turbinas. Em vez de armazenar diretamente eletricidade numa bateria convencional, guarda-se, portanto, a energia sob a forma de ar comprimido.



A solução procura responder a um dos principais problemas da expansão das energias solar e eólica: a produção não acontece necessariamente quando o consumo é maior. Armazenar o excedente durante dias, ou mesmo meses, permitiria aproveitá-lo mais tarde, reduzindo desperdícios e aumentando a estabilidade do sistema elétrico. Tecnologias de longa duração podem ainda contribuir para serviços críticos, como o chamado black start — o processo de restabelecimento da rede depois de uma falha generalizada, como a que afetou Portugal e Espanha em abril de 2025. Isso não significa que esta tecnologia tivesse evitado esse apagão; mostra antes uma das funções que sistemas deste tipo poderão desempenhar no futuro.

Segundo os investigadores, a profundidade é determinante porque altera simultaneamente a pressão e a temperatura e, consequentemente, a quantidade de energia que pode ser armazenada. “As rochas irão funcionar como uma gigante bateria debaixo dos nossos pés”, resume Ricardo Pereira, investigador do GeoBioTec da NOVA FCT. O estudo é apresentado como o primeiro a combinar de forma integrada critérios geológicos e termodinâmicos para avaliar o potencial desta tecnologia em meios porosos.


Ricardo Pereira, investigador do GeoBioTec da NOVA FCT


Existe, contudo, uma distância importante entre demonstrar potencial científico e construir uma infraestrutura deste género. Nem todas as formações geológicas são adequadas: dimensão do reservatório, porosidade, permeabilidade, limites de pressão e condições geotérmicas condicionam tanto a viabilidade técnica como económica. A investigação propõe precisamente uma metodologia para ajudar a identificar locais com características adequadas para futuros projetos.

O trabalho, assinado por Ricardo Pereira, João Silva e Jorge Maia Alves, acrescenta assim uma possibilidade ao debate sobre armazenamento, uma peça cada vez mais importante da transição energética. À medida que aumenta a eletricidade produzida por fontes renováveis, o desafio deixa de ser apenas produzir energia limpa: passa também por conseguir guardá-la quando existe em excesso e recuperá-la quando é realmente necessária.


(C) Foto de Deon Hua na Unsplash
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Energia renovável pode ser armazenada em rochas profundas, revela estudo português

Formações rochosas localizadas a grande profundidade poderão funcionar como enormes sistemas de armazenamento de energia renovável, com capacidades na ordem de 1 terawatt-hora (TWh), energia suficiente para abastecer centenas de milhares de habitações. A conclusão é de um estudo de investigadores da NOVA FCT e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, publicado na revista científica Geoenergy.

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28 de ago. de 2026, 08:50

A tecnologia estudada chama-se armazenamento de energia por ar comprimido em meios porosos. O princípio é relativamente simples: quando existe produção de eletricidade renovável em excesso, essa energia é utilizada para comprimir ar atmosférico e injetá-lo em reservatórios geológicos profundos. Quando a rede volta a precisar de eletricidade, o ar é libertado e usado para acionar turbinas. Em vez de armazenar diretamente eletricidade numa bateria convencional, guarda-se, portanto, a energia sob a forma de ar comprimido.



A solução procura responder a um dos principais problemas da expansão das energias solar e eólica: a produção não acontece necessariamente quando o consumo é maior. Armazenar o excedente durante dias, ou mesmo meses, permitiria aproveitá-lo mais tarde, reduzindo desperdícios e aumentando a estabilidade do sistema elétrico. Tecnologias de longa duração podem ainda contribuir para serviços críticos, como o chamado black start — o processo de restabelecimento da rede depois de uma falha generalizada, como a que afetou Portugal e Espanha em abril de 2025. Isso não significa que esta tecnologia tivesse evitado esse apagão; mostra antes uma das funções que sistemas deste tipo poderão desempenhar no futuro.

Segundo os investigadores, a profundidade é determinante porque altera simultaneamente a pressão e a temperatura e, consequentemente, a quantidade de energia que pode ser armazenada. “As rochas irão funcionar como uma gigante bateria debaixo dos nossos pés”, resume Ricardo Pereira, investigador do GeoBioTec da NOVA FCT. O estudo é apresentado como o primeiro a combinar de forma integrada critérios geológicos e termodinâmicos para avaliar o potencial desta tecnologia em meios porosos.


Ricardo Pereira, investigador do GeoBioTec da NOVA FCT


Existe, contudo, uma distância importante entre demonstrar potencial científico e construir uma infraestrutura deste género. Nem todas as formações geológicas são adequadas: dimensão do reservatório, porosidade, permeabilidade, limites de pressão e condições geotérmicas condicionam tanto a viabilidade técnica como económica. A investigação propõe precisamente uma metodologia para ajudar a identificar locais com características adequadas para futuros projetos.

O trabalho, assinado por Ricardo Pereira, João Silva e Jorge Maia Alves, acrescenta assim uma possibilidade ao debate sobre armazenamento, uma peça cada vez mais importante da transição energética. À medida que aumenta a eletricidade produzida por fontes renováveis, o desafio deixa de ser apenas produzir energia limpa: passa também por conseguir guardá-la quando existe em excesso e recuperá-la quando é realmente necessária.


(C) Foto de Deon Hua na Unsplash

#Conhecimento

Energia renovável pode ser armazenada em rochas profundas, revela estudo português

Formações rochosas localizadas a grande profundidade poderão funcionar como enormes sistemas de armazenamento de energia renovável, com capacidades na ordem de 1 terawatt-hora (TWh), energia suficiente para abastecer centenas de milhares de habitações. A conclusão é de um estudo de investigadores da NOVA FCT e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, publicado na revista científica Geoenergy.

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28 de ago. de 2026, 08:50

A tecnologia estudada chama-se armazenamento de energia por ar comprimido em meios porosos. O princípio é relativamente simples: quando existe produção de eletricidade renovável em excesso, essa energia é utilizada para comprimir ar atmosférico e injetá-lo em reservatórios geológicos profundos. Quando a rede volta a precisar de eletricidade, o ar é libertado e usado para acionar turbinas. Em vez de armazenar diretamente eletricidade numa bateria convencional, guarda-se, portanto, a energia sob a forma de ar comprimido.



A solução procura responder a um dos principais problemas da expansão das energias solar e eólica: a produção não acontece necessariamente quando o consumo é maior. Armazenar o excedente durante dias, ou mesmo meses, permitiria aproveitá-lo mais tarde, reduzindo desperdícios e aumentando a estabilidade do sistema elétrico. Tecnologias de longa duração podem ainda contribuir para serviços críticos, como o chamado black start — o processo de restabelecimento da rede depois de uma falha generalizada, como a que afetou Portugal e Espanha em abril de 2025. Isso não significa que esta tecnologia tivesse evitado esse apagão; mostra antes uma das funções que sistemas deste tipo poderão desempenhar no futuro.

Segundo os investigadores, a profundidade é determinante porque altera simultaneamente a pressão e a temperatura e, consequentemente, a quantidade de energia que pode ser armazenada. “As rochas irão funcionar como uma gigante bateria debaixo dos nossos pés”, resume Ricardo Pereira, investigador do GeoBioTec da NOVA FCT. O estudo é apresentado como o primeiro a combinar de forma integrada critérios geológicos e termodinâmicos para avaliar o potencial desta tecnologia em meios porosos.


Ricardo Pereira, investigador do GeoBioTec da NOVA FCT


Existe, contudo, uma distância importante entre demonstrar potencial científico e construir uma infraestrutura deste género. Nem todas as formações geológicas são adequadas: dimensão do reservatório, porosidade, permeabilidade, limites de pressão e condições geotérmicas condicionam tanto a viabilidade técnica como económica. A investigação propõe precisamente uma metodologia para ajudar a identificar locais com características adequadas para futuros projetos.

O trabalho, assinado por Ricardo Pereira, João Silva e Jorge Maia Alves, acrescenta assim uma possibilidade ao debate sobre armazenamento, uma peça cada vez mais importante da transição energética. À medida que aumenta a eletricidade produzida por fontes renováveis, o desafio deixa de ser apenas produzir energia limpa: passa também por conseguir guardá-la quando existe em excesso e recuperá-la quando é realmente necessária.


(C) Foto de Deon Hua na Unsplash
#Conhecimento

Energia renovável pode ser armazenada em rochas profundas, revela estudo português

Formações rochosas localizadas a grande profundidade poderão funcionar como enormes sistemas de armazenamento de energia renovável, com capacidades na ordem de 1 terawatt-hora (TWh), energia suficiente para abastecer centenas de milhares de habitações. A conclusão é de um estudo de investigadores da NOVA FCT e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, publicado na revista científica Geoenergy.

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28 de ago. de 2026, 08:50

A tecnologia estudada chama-se armazenamento de energia por ar comprimido em meios porosos. O princípio é relativamente simples: quando existe produção de eletricidade renovável em excesso, essa energia é utilizada para comprimir ar atmosférico e injetá-lo em reservatórios geológicos profundos. Quando a rede volta a precisar de eletricidade, o ar é libertado e usado para acionar turbinas. Em vez de armazenar diretamente eletricidade numa bateria convencional, guarda-se, portanto, a energia sob a forma de ar comprimido.



A solução procura responder a um dos principais problemas da expansão das energias solar e eólica: a produção não acontece necessariamente quando o consumo é maior. Armazenar o excedente durante dias, ou mesmo meses, permitiria aproveitá-lo mais tarde, reduzindo desperdícios e aumentando a estabilidade do sistema elétrico. Tecnologias de longa duração podem ainda contribuir para serviços críticos, como o chamado black start — o processo de restabelecimento da rede depois de uma falha generalizada, como a que afetou Portugal e Espanha em abril de 2025. Isso não significa que esta tecnologia tivesse evitado esse apagão; mostra antes uma das funções que sistemas deste tipo poderão desempenhar no futuro.

Segundo os investigadores, a profundidade é determinante porque altera simultaneamente a pressão e a temperatura e, consequentemente, a quantidade de energia que pode ser armazenada. “As rochas irão funcionar como uma gigante bateria debaixo dos nossos pés”, resume Ricardo Pereira, investigador do GeoBioTec da NOVA FCT. O estudo é apresentado como o primeiro a combinar de forma integrada critérios geológicos e termodinâmicos para avaliar o potencial desta tecnologia em meios porosos.


Ricardo Pereira, investigador do GeoBioTec da NOVA FCT


Existe, contudo, uma distância importante entre demonstrar potencial científico e construir uma infraestrutura deste género. Nem todas as formações geológicas são adequadas: dimensão do reservatório, porosidade, permeabilidade, limites de pressão e condições geotérmicas condicionam tanto a viabilidade técnica como económica. A investigação propõe precisamente uma metodologia para ajudar a identificar locais com características adequadas para futuros projetos.

O trabalho, assinado por Ricardo Pereira, João Silva e Jorge Maia Alves, acrescenta assim uma possibilidade ao debate sobre armazenamento, uma peça cada vez mais importante da transição energética. À medida que aumenta a eletricidade produzida por fontes renováveis, o desafio deixa de ser apenas produzir energia limpa: passa também por conseguir guardá-la quando existe em excesso e recuperá-la quando é realmente necessária.


(C) Foto de Deon Hua na Unsplash

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