
#Protagonistas
ARCAICO: as conservas vegetais que querem mudar a mercearia portuguesa
Em Portugal, as “conservas” ainda nos levam quase sempre ao peixe, à lata, à sardinha, ao atum, à prateleira clássica da mercearia. Marta Maia e Diogo Prazeres escolheram outro caminho: vegetais em frascos de vidro, feitos à mão, em pequena escala, numa cozinha em Sintra. Esta é a história da Arcaico.
A marca nasceu em 2021 e foi criada por Marta, arquiteta, e por Diogo, cozinheiro, a partir de uma ideia simples e pouco óbvia: fazer conservas vegetais portuguesas com tempo e identidade. O primeiro desafio foi linguístico.
Como é que se constrói uma marca de conservas vegetais num país onde a categoria parece pertencer exclusivamente ao mar? A resposta da Arcaico tem passado por não deixar margem para equívocos. “Tentamos ser o mais diretos possível na comunicação do nosso produto, usando sempre as palavras ‘vegetais’ ou ‘veggie’”, explica Marta ao MOTIVO. A imagem acompanha essa clareza: cores, grafismo e linguagem visual remetem para o universo vegetal antes mesmo de se abrir o frasco. A curiosidade existe, admitem, embora não sintam resistência.

Diogo é o cozinheiro e responsável pelos sabores Arcaico, Marta é quem trata da logística, marketing, comunicação e design da
O produto também ajuda a contar a história. Pickles, molhos, chutneys, compotas e petiscos aparecem como uma nova forma de olhar para a mercearia: menos utilitária, mais autoral; menos apressada, mais intencional; menos stock infinito, mais sazonalidade.

A produção de pequena escala é uma questão de método. “Acreditamos que a produção manual faz toda a diferença no resultado final das nossas conservas”, diz Marta. A escolha dos vegetais é mais minuciosa, o manuseamento evita sobras desnecessárias ou pedaços esmagados, e as receitas mantêm maior controlo. A marca assume que essa forma de produzir tem custos: demora mais tempo, exige mais trabalho e encurta as margens. Ainda assim, criou uma clientela que percebe essa diferença. “Felizmente, ganhámos ao longo dos anos uma comunidade que respeita e valoriza os nossos processos e nos procura exatamente por isso”.
A proximidade ao território também define a Arcaico. A matéria-prima é comprada sobretudo a agricultores locais no Mercado Municipal, o que permite, literalmente, descer escadas, ver os vegetais, escolher o que está melhor e produzir sem perder frescura no transporte. A marca diz trabalhar com produtos de época, locais, de Sintra e Mafra, muitas vezes excedentes de pequenos agricultores ou ingredientes da própria horta. Para Marta e Diogo, essa sazonalidade é, também, identidade. “Numa época em que queremos tudo com tanta urgência, é importante lembrarmo-nos de que a natureza tem os seus tempos e nem tudo está sempre disponível”.
Essa frase talvez explique melhor a marca do que qualquer claim de sustentabilidade. A Arcaico fala do tema com cuidado, sem pose de perfeição. Usa embalagens de vidro reutilizáveis, faz compostagem de cascas e desperdícios, produz em pequenas quantidades e defende processos de conservação naturais e ancestrais ajustados às exigências atuais. Ainda assim, Marta rejeita o discurso demasiado limpo de quem faz da sustentabilidade uma medalha. “Não queremos nada ser a marca que fala em sustentabilidade só porque sim. Sabemos que não temos o modelo perfeito”. E esta honestidade aproxima.

A outra parte da história da Arcaico está no uso dos seus produtos. Uma conserva vegetal precisa de ser explicada, experimentada, integrada no quotidiano. A Arcaico tem feito isso pelas plataformas digitais, com receitas, sugestões e ideias para tornar os frascos menos misteriosos e mais práticos. A marca mantém uma área de receitas no site, com propostas que mostram como os produtos podem entrar em petiscos, brunches, lanches ou refeições. A pedagogia, contudo, já não vem só da marca. “Sentimos mesmo que a Arcaico se tornou uma comunidade”, diz Marta. “Hoje em dia, já são os nossos clientes a dar-nos novas ideias de utilizações que nunca nos passaram pela cabeça”.
É também por isso que a Arcaico encaixa tão bem no momento atual da mercearia portuguesa. O consumidor procura, cada vez mais, produtos com origem, história, estética, cuidado e alguma ideia de presente. Pode ser para levar a um jantar, uma forma de tornar uma refeição banal mais especial, um pequeno luxo comestível. “Sentimos que há cada vez mais procura por produtos diferentes e que tenham uma história por trás”, diz Marta. E acrescenta: muitos clientes chegam porque provaram os produtos em casa de alguém. A marca cresce assim, de mesa em mesa.

O lado visual também conta. Marta é arquiteta e isso reflete-se na forma como a Arcaico se apresenta: artesanal sem parecer amadora, contemporânea sem perder calor, gastronómica sem ficar distante. “Antes de alguém poder provar ou conhecer os nossos produtos, é a nossa imagem que tem o principal papel de cativar o consumidor”, explica. A estética abre a porta, mas o sabor tem de confirmar a promessa.
No futuro, Marta e Diogo querem que a Arcaico continue a fazer parte da mercearia dos clientes e dos momentos de partilha à mesa. “Que nunca seja ‘só uma loja’, mas sim uma forma de estar e de olhar para as refeições”. Com conservas vegetais que conservam, também, uma visão do mundo.

#Protagonistas
ARCAICO: as conservas vegetais que querem mudar a mercearia portuguesa
Em Portugal, as “conservas” ainda nos levam quase sempre ao peixe, à lata, à sardinha, ao atum, à prateleira clássica da mercearia. Marta Maia e Diogo Prazeres escolheram outro caminho: vegetais em frascos de vidro, feitos à mão, em pequena escala, numa cozinha em Sintra. Esta é a história da Arcaico.
A marca nasceu em 2021 e foi criada por Marta, arquiteta, e por Diogo, cozinheiro, a partir de uma ideia simples e pouco óbvia: fazer conservas vegetais portuguesas com tempo e identidade. O primeiro desafio foi linguístico.
Como é que se constrói uma marca de conservas vegetais num país onde a categoria parece pertencer exclusivamente ao mar? A resposta da Arcaico tem passado por não deixar margem para equívocos. “Tentamos ser o mais diretos possível na comunicação do nosso produto, usando sempre as palavras ‘vegetais’ ou ‘veggie’”, explica Marta ao MOTIVO. A imagem acompanha essa clareza: cores, grafismo e linguagem visual remetem para o universo vegetal antes mesmo de se abrir o frasco. A curiosidade existe, admitem, embora não sintam resistência.

Diogo é o cozinheiro e responsável pelos sabores Arcaico, Marta é quem trata da logística, marketing, comunicação e design da
O produto também ajuda a contar a história. Pickles, molhos, chutneys, compotas e petiscos aparecem como uma nova forma de olhar para a mercearia: menos utilitária, mais autoral; menos apressada, mais intencional; menos stock infinito, mais sazonalidade.

A produção de pequena escala é uma questão de método. “Acreditamos que a produção manual faz toda a diferença no resultado final das nossas conservas”, diz Marta. A escolha dos vegetais é mais minuciosa, o manuseamento evita sobras desnecessárias ou pedaços esmagados, e as receitas mantêm maior controlo. A marca assume que essa forma de produzir tem custos: demora mais tempo, exige mais trabalho e encurta as margens. Ainda assim, criou uma clientela que percebe essa diferença. “Felizmente, ganhámos ao longo dos anos uma comunidade que respeita e valoriza os nossos processos e nos procura exatamente por isso”.
A proximidade ao território também define a Arcaico. A matéria-prima é comprada sobretudo a agricultores locais no Mercado Municipal, o que permite, literalmente, descer escadas, ver os vegetais, escolher o que está melhor e produzir sem perder frescura no transporte. A marca diz trabalhar com produtos de época, locais, de Sintra e Mafra, muitas vezes excedentes de pequenos agricultores ou ingredientes da própria horta. Para Marta e Diogo, essa sazonalidade é, também, identidade. “Numa época em que queremos tudo com tanta urgência, é importante lembrarmo-nos de que a natureza tem os seus tempos e nem tudo está sempre disponível”.
Essa frase talvez explique melhor a marca do que qualquer claim de sustentabilidade. A Arcaico fala do tema com cuidado, sem pose de perfeição. Usa embalagens de vidro reutilizáveis, faz compostagem de cascas e desperdícios, produz em pequenas quantidades e defende processos de conservação naturais e ancestrais ajustados às exigências atuais. Ainda assim, Marta rejeita o discurso demasiado limpo de quem faz da sustentabilidade uma medalha. “Não queremos nada ser a marca que fala em sustentabilidade só porque sim. Sabemos que não temos o modelo perfeito”. E esta honestidade aproxima.

A outra parte da história da Arcaico está no uso dos seus produtos. Uma conserva vegetal precisa de ser explicada, experimentada, integrada no quotidiano. A Arcaico tem feito isso pelas plataformas digitais, com receitas, sugestões e ideias para tornar os frascos menos misteriosos e mais práticos. A marca mantém uma área de receitas no site, com propostas que mostram como os produtos podem entrar em petiscos, brunches, lanches ou refeições. A pedagogia, contudo, já não vem só da marca. “Sentimos mesmo que a Arcaico se tornou uma comunidade”, diz Marta. “Hoje em dia, já são os nossos clientes a dar-nos novas ideias de utilizações que nunca nos passaram pela cabeça”.
É também por isso que a Arcaico encaixa tão bem no momento atual da mercearia portuguesa. O consumidor procura, cada vez mais, produtos com origem, história, estética, cuidado e alguma ideia de presente. Pode ser para levar a um jantar, uma forma de tornar uma refeição banal mais especial, um pequeno luxo comestível. “Sentimos que há cada vez mais procura por produtos diferentes e que tenham uma história por trás”, diz Marta. E acrescenta: muitos clientes chegam porque provaram os produtos em casa de alguém. A marca cresce assim, de mesa em mesa.

O lado visual também conta. Marta é arquiteta e isso reflete-se na forma como a Arcaico se apresenta: artesanal sem parecer amadora, contemporânea sem perder calor, gastronómica sem ficar distante. “Antes de alguém poder provar ou conhecer os nossos produtos, é a nossa imagem que tem o principal papel de cativar o consumidor”, explica. A estética abre a porta, mas o sabor tem de confirmar a promessa.
No futuro, Marta e Diogo querem que a Arcaico continue a fazer parte da mercearia dos clientes e dos momentos de partilha à mesa. “Que nunca seja ‘só uma loja’, mas sim uma forma de estar e de olhar para as refeições”. Com conservas vegetais que conservam, também, uma visão do mundo.

#Protagonistas
ARCAICO: as conservas vegetais que querem mudar a mercearia portuguesa
Em Portugal, as “conservas” ainda nos levam quase sempre ao peixe, à lata, à sardinha, ao atum, à prateleira clássica da mercearia. Marta Maia e Diogo Prazeres escolheram outro caminho: vegetais em frascos de vidro, feitos à mão, em pequena escala, numa cozinha em Sintra. Esta é a história da Arcaico.
A marca nasceu em 2021 e foi criada por Marta, arquiteta, e por Diogo, cozinheiro, a partir de uma ideia simples e pouco óbvia: fazer conservas vegetais portuguesas com tempo e identidade. O primeiro desafio foi linguístico.
Como é que se constrói uma marca de conservas vegetais num país onde a categoria parece pertencer exclusivamente ao mar? A resposta da Arcaico tem passado por não deixar margem para equívocos. “Tentamos ser o mais diretos possível na comunicação do nosso produto, usando sempre as palavras ‘vegetais’ ou ‘veggie’”, explica Marta ao MOTIVO. A imagem acompanha essa clareza: cores, grafismo e linguagem visual remetem para o universo vegetal antes mesmo de se abrir o frasco. A curiosidade existe, admitem, embora não sintam resistência.

Diogo é o cozinheiro e responsável pelos sabores Arcaico, Marta é quem trata da logística, marketing, comunicação e design da
O produto também ajuda a contar a história. Pickles, molhos, chutneys, compotas e petiscos aparecem como uma nova forma de olhar para a mercearia: menos utilitária, mais autoral; menos apressada, mais intencional; menos stock infinito, mais sazonalidade.

A produção de pequena escala é uma questão de método. “Acreditamos que a produção manual faz toda a diferença no resultado final das nossas conservas”, diz Marta. A escolha dos vegetais é mais minuciosa, o manuseamento evita sobras desnecessárias ou pedaços esmagados, e as receitas mantêm maior controlo. A marca assume que essa forma de produzir tem custos: demora mais tempo, exige mais trabalho e encurta as margens. Ainda assim, criou uma clientela que percebe essa diferença. “Felizmente, ganhámos ao longo dos anos uma comunidade que respeita e valoriza os nossos processos e nos procura exatamente por isso”.
A proximidade ao território também define a Arcaico. A matéria-prima é comprada sobretudo a agricultores locais no Mercado Municipal, o que permite, literalmente, descer escadas, ver os vegetais, escolher o que está melhor e produzir sem perder frescura no transporte. A marca diz trabalhar com produtos de época, locais, de Sintra e Mafra, muitas vezes excedentes de pequenos agricultores ou ingredientes da própria horta. Para Marta e Diogo, essa sazonalidade é, também, identidade. “Numa época em que queremos tudo com tanta urgência, é importante lembrarmo-nos de que a natureza tem os seus tempos e nem tudo está sempre disponível”.
Essa frase talvez explique melhor a marca do que qualquer claim de sustentabilidade. A Arcaico fala do tema com cuidado, sem pose de perfeição. Usa embalagens de vidro reutilizáveis, faz compostagem de cascas e desperdícios, produz em pequenas quantidades e defende processos de conservação naturais e ancestrais ajustados às exigências atuais. Ainda assim, Marta rejeita o discurso demasiado limpo de quem faz da sustentabilidade uma medalha. “Não queremos nada ser a marca que fala em sustentabilidade só porque sim. Sabemos que não temos o modelo perfeito”. E esta honestidade aproxima.

A outra parte da história da Arcaico está no uso dos seus produtos. Uma conserva vegetal precisa de ser explicada, experimentada, integrada no quotidiano. A Arcaico tem feito isso pelas plataformas digitais, com receitas, sugestões e ideias para tornar os frascos menos misteriosos e mais práticos. A marca mantém uma área de receitas no site, com propostas que mostram como os produtos podem entrar em petiscos, brunches, lanches ou refeições. A pedagogia, contudo, já não vem só da marca. “Sentimos mesmo que a Arcaico se tornou uma comunidade”, diz Marta. “Hoje em dia, já são os nossos clientes a dar-nos novas ideias de utilizações que nunca nos passaram pela cabeça”.
É também por isso que a Arcaico encaixa tão bem no momento atual da mercearia portuguesa. O consumidor procura, cada vez mais, produtos com origem, história, estética, cuidado e alguma ideia de presente. Pode ser para levar a um jantar, uma forma de tornar uma refeição banal mais especial, um pequeno luxo comestível. “Sentimos que há cada vez mais procura por produtos diferentes e que tenham uma história por trás”, diz Marta. E acrescenta: muitos clientes chegam porque provaram os produtos em casa de alguém. A marca cresce assim, de mesa em mesa.

O lado visual também conta. Marta é arquiteta e isso reflete-se na forma como a Arcaico se apresenta: artesanal sem parecer amadora, contemporânea sem perder calor, gastronómica sem ficar distante. “Antes de alguém poder provar ou conhecer os nossos produtos, é a nossa imagem que tem o principal papel de cativar o consumidor”, explica. A estética abre a porta, mas o sabor tem de confirmar a promessa.
No futuro, Marta e Diogo querem que a Arcaico continue a fazer parte da mercearia dos clientes e dos momentos de partilha à mesa. “Que nunca seja ‘só uma loja’, mas sim uma forma de estar e de olhar para as refeições”. Com conservas vegetais que conservam, também, uma visão do mundo.

#Protagonistas
ARCAICO: as conservas vegetais que querem mudar a mercearia portuguesa
Em Portugal, as “conservas” ainda nos levam quase sempre ao peixe, à lata, à sardinha, ao atum, à prateleira clássica da mercearia. Marta Maia e Diogo Prazeres escolheram outro caminho: vegetais em frascos de vidro, feitos à mão, em pequena escala, numa cozinha em Sintra. Esta é a história da Arcaico.
A marca nasceu em 2021 e foi criada por Marta, arquiteta, e por Diogo, cozinheiro, a partir de uma ideia simples e pouco óbvia: fazer conservas vegetais portuguesas com tempo e identidade. O primeiro desafio foi linguístico.
Como é que se constrói uma marca de conservas vegetais num país onde a categoria parece pertencer exclusivamente ao mar? A resposta da Arcaico tem passado por não deixar margem para equívocos. “Tentamos ser o mais diretos possível na comunicação do nosso produto, usando sempre as palavras ‘vegetais’ ou ‘veggie’”, explica Marta ao MOTIVO. A imagem acompanha essa clareza: cores, grafismo e linguagem visual remetem para o universo vegetal antes mesmo de se abrir o frasco. A curiosidade existe, admitem, embora não sintam resistência.

Diogo é o cozinheiro e responsável pelos sabores Arcaico, Marta é quem trata da logística, marketing, comunicação e design da
O produto também ajuda a contar a história. Pickles, molhos, chutneys, compotas e petiscos aparecem como uma nova forma de olhar para a mercearia: menos utilitária, mais autoral; menos apressada, mais intencional; menos stock infinito, mais sazonalidade.

A produção de pequena escala é uma questão de método. “Acreditamos que a produção manual faz toda a diferença no resultado final das nossas conservas”, diz Marta. A escolha dos vegetais é mais minuciosa, o manuseamento evita sobras desnecessárias ou pedaços esmagados, e as receitas mantêm maior controlo. A marca assume que essa forma de produzir tem custos: demora mais tempo, exige mais trabalho e encurta as margens. Ainda assim, criou uma clientela que percebe essa diferença. “Felizmente, ganhámos ao longo dos anos uma comunidade que respeita e valoriza os nossos processos e nos procura exatamente por isso”.
A proximidade ao território também define a Arcaico. A matéria-prima é comprada sobretudo a agricultores locais no Mercado Municipal, o que permite, literalmente, descer escadas, ver os vegetais, escolher o que está melhor e produzir sem perder frescura no transporte. A marca diz trabalhar com produtos de época, locais, de Sintra e Mafra, muitas vezes excedentes de pequenos agricultores ou ingredientes da própria horta. Para Marta e Diogo, essa sazonalidade é, também, identidade. “Numa época em que queremos tudo com tanta urgência, é importante lembrarmo-nos de que a natureza tem os seus tempos e nem tudo está sempre disponível”.
Essa frase talvez explique melhor a marca do que qualquer claim de sustentabilidade. A Arcaico fala do tema com cuidado, sem pose de perfeição. Usa embalagens de vidro reutilizáveis, faz compostagem de cascas e desperdícios, produz em pequenas quantidades e defende processos de conservação naturais e ancestrais ajustados às exigências atuais. Ainda assim, Marta rejeita o discurso demasiado limpo de quem faz da sustentabilidade uma medalha. “Não queremos nada ser a marca que fala em sustentabilidade só porque sim. Sabemos que não temos o modelo perfeito”. E esta honestidade aproxima.

A outra parte da história da Arcaico está no uso dos seus produtos. Uma conserva vegetal precisa de ser explicada, experimentada, integrada no quotidiano. A Arcaico tem feito isso pelas plataformas digitais, com receitas, sugestões e ideias para tornar os frascos menos misteriosos e mais práticos. A marca mantém uma área de receitas no site, com propostas que mostram como os produtos podem entrar em petiscos, brunches, lanches ou refeições. A pedagogia, contudo, já não vem só da marca. “Sentimos mesmo que a Arcaico se tornou uma comunidade”, diz Marta. “Hoje em dia, já são os nossos clientes a dar-nos novas ideias de utilizações que nunca nos passaram pela cabeça”.
É também por isso que a Arcaico encaixa tão bem no momento atual da mercearia portuguesa. O consumidor procura, cada vez mais, produtos com origem, história, estética, cuidado e alguma ideia de presente. Pode ser para levar a um jantar, uma forma de tornar uma refeição banal mais especial, um pequeno luxo comestível. “Sentimos que há cada vez mais procura por produtos diferentes e que tenham uma história por trás”, diz Marta. E acrescenta: muitos clientes chegam porque provaram os produtos em casa de alguém. A marca cresce assim, de mesa em mesa.

O lado visual também conta. Marta é arquiteta e isso reflete-se na forma como a Arcaico se apresenta: artesanal sem parecer amadora, contemporânea sem perder calor, gastronómica sem ficar distante. “Antes de alguém poder provar ou conhecer os nossos produtos, é a nossa imagem que tem o principal papel de cativar o consumidor”, explica. A estética abre a porta, mas o sabor tem de confirmar a promessa.
No futuro, Marta e Diogo querem que a Arcaico continue a fazer parte da mercearia dos clientes e dos momentos de partilha à mesa. “Que nunca seja ‘só uma loja’, mas sim uma forma de estar e de olhar para as refeições”. Com conservas vegetais que conservam, também, uma visão do mundo.




