
#Protagonistas
Seis perguntas a Margarida Vaqueiro Lopes
Habituada a fazer perguntas difíceis, é agora ela quem responde. Editora-executiva do Diário de Notícias, Margarida Vaqueiro Lopes construiu uma carreira entre economia, investigação e liderança. Jornalista e autora publicada, cultiva um olhar atento sobre o vinho português e publica a newsletter MVL’s Winery. Antes do fecho de mais uma edição do jornal, respondeu a seis perguntas do MOTIVO.
Se pudesse eliminar uma prática atual do jornalismo português, qual seria, e quem perderia com isso?
MARGARIDA VAQUEIRO LOPES — Eliminava a tendência para só olharmos para o lado mau das notícias e das pessoas. Temos uma tendência natural para procurar a mentira e o engano, e acho que, nos tempos atuais, isso nos faz perder tantas coisas boas. Há quem acredite que jornalismo a sério é só aquele que diz mal ou que denuncia crimes; eu acredito que jornalismo a sério é todo aquele que conta boas histórias. Não me parece que se perdesse grande coisa com esta abordagem, o que me faz acreditar ainda mais que nos podemos libertar desse olhar 100% negativo.
"Um líder que não deixa errar é um líder que não deixa crescer"
A liderança numa redação faz-se mais pela influência ou pelo medo de errar?
M.V.L. — Acredito numa liderança por influência e exemplo. O medo de errar é algo profundamente português que temos de deixar de lado. Nós todos erramos, recorrentemente. Eu erro, faço questão de admitir esses erros junto da minha equipa e dos meus colegas. Há uma ideia muito tonta de que o erro nos fragiliza. Acredito que faz exatamente o oposto: humaniza-nos, torna-nos conscientes das nossas forças e do que temos de trabalhar. Não será por acaso que o erro é a base das grandes descobertas científicas, e faz parte do processo de aprendizagem e de melhoria. As falhas devem ser apontadas, corrigidas e evitadas. Mas um líder que não deixa errar é um líder que não deixa crescer. E a liderança pelo medo tem, para mim, um nome que agora está muito na moda e que é simples de entender: bullying. Não faz bem a ninguém e num líder é perigosíssimo, como, aliás, podemos constatar pelo estado do mundo.
O que é que o vinho lhe ensinou que a economia nunca conseguiu?
M.V.L. — Que o mundo tem muito mais cores do que aquelas que o Excel teima em ensinar. É certo que existe economia em tudo, mas é um campo em que tendemos a olhar para os números e somente para eles: o sucesso está diretamente ligado a lucros, margens financeiras, reduções de custos, controlo orçamental… Além de que há um pânico, muito presente, de que as variáveis que não controlamos mexam nesses números e ponham em causa o tal sucesso. O vinho ensinou-me que as variáveis que não controlamos podem ser muito boas, porque é feito precisamente delas: de anos mais ou menos quentes; de chuva, de geada, de castas que se vão dando melhor ou pior em cada região. E que o tempo e a paciência podem ser nossos aliados, sobretudo num mundo que está sempre a correr. Ensinou-me, ainda, que às vezes as teorias podem ser completamente destruídas por uma chuvada forte ou um escaldão inesperado e a importância das pessoas e dos momentos naquilo que é a construção de uma sociedade – já repararam como o mesmo vinho pode saber tão diferente consoante o que estamos a viver ou com quem o estamos a partilhar? É realmente fascinante.
"Gostava de ser resolvedora de problemas”
Há uma história que decidiu não publicar e que ainda a persegue?
M.V.L. — Até agora, nunca aconteceu. Felizmente sempre tive muita liberdade e ajuda, e apoio de bons chefes, para que isso não acontecesse.
O jornalismo económico é realmente independente ou apenas mais sofisticado na forma de dependência?
M.V.L. — O jornalismo económico é tão independente quanto o das outras áreas, aliás, nunca apreciei essa divisão de jornalismo económico, político, desportivo… Jornalismo é jornalismo e rege-se pelas mesmas regras e deveres deontológicos. Os jornalistas que acompanham a área da economia escrutinam exatamente da mesma forma as empresas, os governantes e os agentes económicos. Creio que existe uma perceção, que se prende com aquilo que já falámos no início desta conversa, de que se dissermos bem de uma empresa, por exemplo, não estamos a ser independentes. E isso é falso. Se uma empresa tem sustentabilidade financeira, trata bem os seus funcionários, cumpre os objetivos, por que razão não devemos contar a sua história? Costumo sempre pedir às pessoas que pensem nisto: se o jornalismo fosse tão pouco independente como as pessoas gostam de acreditar que é, por que razão é que os jornalistas não são todos ricos?
Se tivesse de lançar hoje um projeto totalmente fora da sua zona de conforto, qual seria, e porquê?
M.V.L. — Não sei se estaria fora da minha zona de conforto. Ser a terceira filha de uma família sempre me ajudou a estar confortável em praticamente todo o lado e a fazer muitas coisas, mas seria algo que acho que me divertiria muito: gostava de ser “resolvedora de problemas”. Adoro resolver questões às pessoas: encontrar médicos, encontrar os melhores destinos de viagem, encontrar bons seguros, descobrir onde se compra determinada coisa ao melhor preço, fazer reclamações (adoro fazer reclamações!), ir ao supermercado… Já pensei muitas vezes em dedicar-me a isso, porque acho que é algo com que muita gente não está confortável e eu, realmente, aprecio.

#Protagonistas
Seis perguntas a Margarida Vaqueiro Lopes
Habituada a fazer perguntas difíceis, é agora ela quem responde. Editora-executiva do Diário de Notícias, Margarida Vaqueiro Lopes construiu uma carreira entre economia, investigação e liderança. Jornalista e autora publicada, cultiva um olhar atento sobre o vinho português e publica a newsletter MVL’s Winery. Antes do fecho de mais uma edição do jornal, respondeu a seis perguntas do MOTIVO.
Se pudesse eliminar uma prática atual do jornalismo português, qual seria, e quem perderia com isso?
MARGARIDA VAQUEIRO LOPES — Eliminava a tendência para só olharmos para o lado mau das notícias e das pessoas. Temos uma tendência natural para procurar a mentira e o engano, e acho que, nos tempos atuais, isso nos faz perder tantas coisas boas. Há quem acredite que jornalismo a sério é só aquele que diz mal ou que denuncia crimes; eu acredito que jornalismo a sério é todo aquele que conta boas histórias. Não me parece que se perdesse grande coisa com esta abordagem, o que me faz acreditar ainda mais que nos podemos libertar desse olhar 100% negativo.
"Um líder que não deixa errar é um líder que não deixa crescer"
A liderança numa redação faz-se mais pela influência ou pelo medo de errar?
M.V.L. — Acredito numa liderança por influência e exemplo. O medo de errar é algo profundamente português que temos de deixar de lado. Nós todos erramos, recorrentemente. Eu erro, faço questão de admitir esses erros junto da minha equipa e dos meus colegas. Há uma ideia muito tonta de que o erro nos fragiliza. Acredito que faz exatamente o oposto: humaniza-nos, torna-nos conscientes das nossas forças e do que temos de trabalhar. Não será por acaso que o erro é a base das grandes descobertas científicas, e faz parte do processo de aprendizagem e de melhoria. As falhas devem ser apontadas, corrigidas e evitadas. Mas um líder que não deixa errar é um líder que não deixa crescer. E a liderança pelo medo tem, para mim, um nome que agora está muito na moda e que é simples de entender: bullying. Não faz bem a ninguém e num líder é perigosíssimo, como, aliás, podemos constatar pelo estado do mundo.
O que é que o vinho lhe ensinou que a economia nunca conseguiu?
M.V.L. — Que o mundo tem muito mais cores do que aquelas que o Excel teima em ensinar. É certo que existe economia em tudo, mas é um campo em que tendemos a olhar para os números e somente para eles: o sucesso está diretamente ligado a lucros, margens financeiras, reduções de custos, controlo orçamental… Além de que há um pânico, muito presente, de que as variáveis que não controlamos mexam nesses números e ponham em causa o tal sucesso. O vinho ensinou-me que as variáveis que não controlamos podem ser muito boas, porque é feito precisamente delas: de anos mais ou menos quentes; de chuva, de geada, de castas que se vão dando melhor ou pior em cada região. E que o tempo e a paciência podem ser nossos aliados, sobretudo num mundo que está sempre a correr. Ensinou-me, ainda, que às vezes as teorias podem ser completamente destruídas por uma chuvada forte ou um escaldão inesperado e a importância das pessoas e dos momentos naquilo que é a construção de uma sociedade – já repararam como o mesmo vinho pode saber tão diferente consoante o que estamos a viver ou com quem o estamos a partilhar? É realmente fascinante.
"Gostava de ser resolvedora de problemas”
Há uma história que decidiu não publicar e que ainda a persegue?
M.V.L. — Até agora, nunca aconteceu. Felizmente sempre tive muita liberdade e ajuda, e apoio de bons chefes, para que isso não acontecesse.
O jornalismo económico é realmente independente ou apenas mais sofisticado na forma de dependência?
M.V.L. — O jornalismo económico é tão independente quanto o das outras áreas, aliás, nunca apreciei essa divisão de jornalismo económico, político, desportivo… Jornalismo é jornalismo e rege-se pelas mesmas regras e deveres deontológicos. Os jornalistas que acompanham a área da economia escrutinam exatamente da mesma forma as empresas, os governantes e os agentes económicos. Creio que existe uma perceção, que se prende com aquilo que já falámos no início desta conversa, de que se dissermos bem de uma empresa, por exemplo, não estamos a ser independentes. E isso é falso. Se uma empresa tem sustentabilidade financeira, trata bem os seus funcionários, cumpre os objetivos, por que razão não devemos contar a sua história? Costumo sempre pedir às pessoas que pensem nisto: se o jornalismo fosse tão pouco independente como as pessoas gostam de acreditar que é, por que razão é que os jornalistas não são todos ricos?
Se tivesse de lançar hoje um projeto totalmente fora da sua zona de conforto, qual seria, e porquê?
M.V.L. — Não sei se estaria fora da minha zona de conforto. Ser a terceira filha de uma família sempre me ajudou a estar confortável em praticamente todo o lado e a fazer muitas coisas, mas seria algo que acho que me divertiria muito: gostava de ser “resolvedora de problemas”. Adoro resolver questões às pessoas: encontrar médicos, encontrar os melhores destinos de viagem, encontrar bons seguros, descobrir onde se compra determinada coisa ao melhor preço, fazer reclamações (adoro fazer reclamações!), ir ao supermercado… Já pensei muitas vezes em dedicar-me a isso, porque acho que é algo com que muita gente não está confortável e eu, realmente, aprecio.

#Protagonistas
Seis perguntas a Margarida Vaqueiro Lopes
Habituada a fazer perguntas difíceis, é agora ela quem responde. Editora-executiva do Diário de Notícias, Margarida Vaqueiro Lopes construiu uma carreira entre economia, investigação e liderança. Jornalista e autora publicada, cultiva um olhar atento sobre o vinho português e publica a newsletter MVL’s Winery. Antes do fecho de mais uma edição do jornal, respondeu a seis perguntas do MOTIVO.
Se pudesse eliminar uma prática atual do jornalismo português, qual seria, e quem perderia com isso?
MARGARIDA VAQUEIRO LOPES — Eliminava a tendência para só olharmos para o lado mau das notícias e das pessoas. Temos uma tendência natural para procurar a mentira e o engano, e acho que, nos tempos atuais, isso nos faz perder tantas coisas boas. Há quem acredite que jornalismo a sério é só aquele que diz mal ou que denuncia crimes; eu acredito que jornalismo a sério é todo aquele que conta boas histórias. Não me parece que se perdesse grande coisa com esta abordagem, o que me faz acreditar ainda mais que nos podemos libertar desse olhar 100% negativo.
"Um líder que não deixa errar é um líder que não deixa crescer"
A liderança numa redação faz-se mais pela influência ou pelo medo de errar?
M.V.L. — Acredito numa liderança por influência e exemplo. O medo de errar é algo profundamente português que temos de deixar de lado. Nós todos erramos, recorrentemente. Eu erro, faço questão de admitir esses erros junto da minha equipa e dos meus colegas. Há uma ideia muito tonta de que o erro nos fragiliza. Acredito que faz exatamente o oposto: humaniza-nos, torna-nos conscientes das nossas forças e do que temos de trabalhar. Não será por acaso que o erro é a base das grandes descobertas científicas, e faz parte do processo de aprendizagem e de melhoria. As falhas devem ser apontadas, corrigidas e evitadas. Mas um líder que não deixa errar é um líder que não deixa crescer. E a liderança pelo medo tem, para mim, um nome que agora está muito na moda e que é simples de entender: bullying. Não faz bem a ninguém e num líder é perigosíssimo, como, aliás, podemos constatar pelo estado do mundo.
O que é que o vinho lhe ensinou que a economia nunca conseguiu?
M.V.L. — Que o mundo tem muito mais cores do que aquelas que o Excel teima em ensinar. É certo que existe economia em tudo, mas é um campo em que tendemos a olhar para os números e somente para eles: o sucesso está diretamente ligado a lucros, margens financeiras, reduções de custos, controlo orçamental… Além de que há um pânico, muito presente, de que as variáveis que não controlamos mexam nesses números e ponham em causa o tal sucesso. O vinho ensinou-me que as variáveis que não controlamos podem ser muito boas, porque é feito precisamente delas: de anos mais ou menos quentes; de chuva, de geada, de castas que se vão dando melhor ou pior em cada região. E que o tempo e a paciência podem ser nossos aliados, sobretudo num mundo que está sempre a correr. Ensinou-me, ainda, que às vezes as teorias podem ser completamente destruídas por uma chuvada forte ou um escaldão inesperado e a importância das pessoas e dos momentos naquilo que é a construção de uma sociedade – já repararam como o mesmo vinho pode saber tão diferente consoante o que estamos a viver ou com quem o estamos a partilhar? É realmente fascinante.
"Gostava de ser resolvedora de problemas”
Há uma história que decidiu não publicar e que ainda a persegue?
M.V.L. — Até agora, nunca aconteceu. Felizmente sempre tive muita liberdade e ajuda, e apoio de bons chefes, para que isso não acontecesse.
O jornalismo económico é realmente independente ou apenas mais sofisticado na forma de dependência?
M.V.L. — O jornalismo económico é tão independente quanto o das outras áreas, aliás, nunca apreciei essa divisão de jornalismo económico, político, desportivo… Jornalismo é jornalismo e rege-se pelas mesmas regras e deveres deontológicos. Os jornalistas que acompanham a área da economia escrutinam exatamente da mesma forma as empresas, os governantes e os agentes económicos. Creio que existe uma perceção, que se prende com aquilo que já falámos no início desta conversa, de que se dissermos bem de uma empresa, por exemplo, não estamos a ser independentes. E isso é falso. Se uma empresa tem sustentabilidade financeira, trata bem os seus funcionários, cumpre os objetivos, por que razão não devemos contar a sua história? Costumo sempre pedir às pessoas que pensem nisto: se o jornalismo fosse tão pouco independente como as pessoas gostam de acreditar que é, por que razão é que os jornalistas não são todos ricos?
Se tivesse de lançar hoje um projeto totalmente fora da sua zona de conforto, qual seria, e porquê?
M.V.L. — Não sei se estaria fora da minha zona de conforto. Ser a terceira filha de uma família sempre me ajudou a estar confortável em praticamente todo o lado e a fazer muitas coisas, mas seria algo que acho que me divertiria muito: gostava de ser “resolvedora de problemas”. Adoro resolver questões às pessoas: encontrar médicos, encontrar os melhores destinos de viagem, encontrar bons seguros, descobrir onde se compra determinada coisa ao melhor preço, fazer reclamações (adoro fazer reclamações!), ir ao supermercado… Já pensei muitas vezes em dedicar-me a isso, porque acho que é algo com que muita gente não está confortável e eu, realmente, aprecio.

#Protagonistas
Seis perguntas a Margarida Vaqueiro Lopes
Habituada a fazer perguntas difíceis, é agora ela quem responde. Editora-executiva do Diário de Notícias, Margarida Vaqueiro Lopes construiu uma carreira entre economia, investigação e liderança. Jornalista e autora publicada, cultiva um olhar atento sobre o vinho português e publica a newsletter MVL’s Winery. Antes do fecho de mais uma edição do jornal, respondeu a seis perguntas do MOTIVO.
Se pudesse eliminar uma prática atual do jornalismo português, qual seria, e quem perderia com isso?
MARGARIDA VAQUEIRO LOPES — Eliminava a tendência para só olharmos para o lado mau das notícias e das pessoas. Temos uma tendência natural para procurar a mentira e o engano, e acho que, nos tempos atuais, isso nos faz perder tantas coisas boas. Há quem acredite que jornalismo a sério é só aquele que diz mal ou que denuncia crimes; eu acredito que jornalismo a sério é todo aquele que conta boas histórias. Não me parece que se perdesse grande coisa com esta abordagem, o que me faz acreditar ainda mais que nos podemos libertar desse olhar 100% negativo.
"Um líder que não deixa errar é um líder que não deixa crescer"
A liderança numa redação faz-se mais pela influência ou pelo medo de errar?
M.V.L. — Acredito numa liderança por influência e exemplo. O medo de errar é algo profundamente português que temos de deixar de lado. Nós todos erramos, recorrentemente. Eu erro, faço questão de admitir esses erros junto da minha equipa e dos meus colegas. Há uma ideia muito tonta de que o erro nos fragiliza. Acredito que faz exatamente o oposto: humaniza-nos, torna-nos conscientes das nossas forças e do que temos de trabalhar. Não será por acaso que o erro é a base das grandes descobertas científicas, e faz parte do processo de aprendizagem e de melhoria. As falhas devem ser apontadas, corrigidas e evitadas. Mas um líder que não deixa errar é um líder que não deixa crescer. E a liderança pelo medo tem, para mim, um nome que agora está muito na moda e que é simples de entender: bullying. Não faz bem a ninguém e num líder é perigosíssimo, como, aliás, podemos constatar pelo estado do mundo.
O que é que o vinho lhe ensinou que a economia nunca conseguiu?
M.V.L. — Que o mundo tem muito mais cores do que aquelas que o Excel teima em ensinar. É certo que existe economia em tudo, mas é um campo em que tendemos a olhar para os números e somente para eles: o sucesso está diretamente ligado a lucros, margens financeiras, reduções de custos, controlo orçamental… Além de que há um pânico, muito presente, de que as variáveis que não controlamos mexam nesses números e ponham em causa o tal sucesso. O vinho ensinou-me que as variáveis que não controlamos podem ser muito boas, porque é feito precisamente delas: de anos mais ou menos quentes; de chuva, de geada, de castas que se vão dando melhor ou pior em cada região. E que o tempo e a paciência podem ser nossos aliados, sobretudo num mundo que está sempre a correr. Ensinou-me, ainda, que às vezes as teorias podem ser completamente destruídas por uma chuvada forte ou um escaldão inesperado e a importância das pessoas e dos momentos naquilo que é a construção de uma sociedade – já repararam como o mesmo vinho pode saber tão diferente consoante o que estamos a viver ou com quem o estamos a partilhar? É realmente fascinante.
"Gostava de ser resolvedora de problemas”
Há uma história que decidiu não publicar e que ainda a persegue?
M.V.L. — Até agora, nunca aconteceu. Felizmente sempre tive muita liberdade e ajuda, e apoio de bons chefes, para que isso não acontecesse.
O jornalismo económico é realmente independente ou apenas mais sofisticado na forma de dependência?
M.V.L. — O jornalismo económico é tão independente quanto o das outras áreas, aliás, nunca apreciei essa divisão de jornalismo económico, político, desportivo… Jornalismo é jornalismo e rege-se pelas mesmas regras e deveres deontológicos. Os jornalistas que acompanham a área da economia escrutinam exatamente da mesma forma as empresas, os governantes e os agentes económicos. Creio que existe uma perceção, que se prende com aquilo que já falámos no início desta conversa, de que se dissermos bem de uma empresa, por exemplo, não estamos a ser independentes. E isso é falso. Se uma empresa tem sustentabilidade financeira, trata bem os seus funcionários, cumpre os objetivos, por que razão não devemos contar a sua história? Costumo sempre pedir às pessoas que pensem nisto: se o jornalismo fosse tão pouco independente como as pessoas gostam de acreditar que é, por que razão é que os jornalistas não são todos ricos?
Se tivesse de lançar hoje um projeto totalmente fora da sua zona de conforto, qual seria, e porquê?
M.V.L. — Não sei se estaria fora da minha zona de conforto. Ser a terceira filha de uma família sempre me ajudou a estar confortável em praticamente todo o lado e a fazer muitas coisas, mas seria algo que acho que me divertiria muito: gostava de ser “resolvedora de problemas”. Adoro resolver questões às pessoas: encontrar médicos, encontrar os melhores destinos de viagem, encontrar bons seguros, descobrir onde se compra determinada coisa ao melhor preço, fazer reclamações (adoro fazer reclamações!), ir ao supermercado… Já pensei muitas vezes em dedicar-me a isso, porque acho que é algo com que muita gente não está confortável e eu, realmente, aprecio.




