#Protagonistas

Seis perguntas a Tomás Castro Neves

O artista plástico apresenta este fim de semana uma nova coleção de trabalhos na exposição How To, em Lisboa. Ao mesmo tempo que mantém uma forte presença da pintura, explora a linguagem da escultura e diz que este é o conjunto mais íntimo que criou até à data. Na azáfama da preparação da mostra, aceitou responder às seis perguntas do MOTIVO.

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28 de mar. de 2026, 08:08

Que coleção de trabalhos apresentas nesta exposição?

TOMÁS CASTRO NEVESHow To é um corpo de trabalho desenvolvido ao longo do último ano, composto por pinturas e algumas esculturas, que parte de um conjunto de questões pessoais. É, no fundo, uma espécie de manual de desinstruções. As imagens surgem como respostas a perguntas para às quais não consegui chegar a uma solução prática, e os quadros aparecem como manifestação dessa impossibilidade de resposta.



Como foi o processo criativo e artístico?

T.C.N. — Parto sempre de uma ideia ou de um questionamento, utilizando frequentemente o corpo masculino como ferramenta de expressão. Estas imagens procuram apaziguar a ambiguidade dessas questões e são particularmente íntimas, porque partem muito da minha experiência neste último ano. É interessante partir da imagem para o título, mas depois regressar à imagem e perceber a ressonância que ela cria em quem vê as peças.

Que peça destacas e porquê?

T.C.N. — Destaco duas peças. A primeira é How to Exist, a maior pintura da exposição. É, provavelmente, a questão mais abrangente, porque engloba todas as dúvidas, inseguranças e decisões. É uma peça que reflete muito sobre a incerteza e sobre a necessidade de fazer escolhas, com várias figuras a tomar decisões (fotografia abaixo). A segunda peça é How to Stand on Your Own, uma desenho escultórico de grande escala. Existe aqui uma dicotomia entre a estrutura necessária para um corpo se sustentar e, na prática, a peça é um grande corpo feito de tela estendido no chão, ao mesmo tempo que se tenta abraçar. A peça nasce da tensão entre a ideia de autonomia e a fragilidade dessa possibilidade.



Como é que estes trabalhos vão ocupar o espaço NUMA.SALA?

T.C.N. — Os trabalhos vão estar expostos de forma progressiva, criando um percurso em direção a um momento cada vez mais íntimo. A última peça da sala, que se encontra mais resguardada, chama-se How to Heal, porque esse acaba por ser o objetivo. Existe uma ideia de continuidade, circulação e reflexão. O objetivo é que a exposição tenha um caráter íntimo e que essa intenção de reflexão, que esteve na origem dos trabalhos, se manifeste também na forma como o conjunto de peças é experienciado.

Nestes trabalhos brincas com a ideia de manual, regras e instruções. Como é que esse olhar se prolonga para o teu mundo quotidiano?

T.C.N. — Esta ideia de manual de instruções nasce da necessidade de encontrar uma forma correta de fazer as coisas, mas, com o tempo, percebi que não existe uma forma certa, existe apenas a forma que escolhemos. Não há melhor nem pior, e, muitas vezes, nem temos assim tanto controlo sobre as escolhas que fazemos. Essa aceitação trouxe-me tranquilidade. A ideia de “chegar” torna-se ilusória e passa a ser mais sobre o processo, o caminho e o registo desse percurso. Essa conclusão acabou por moldar a minha prática artística e também a forma como encaro o quotidiano.



Esta exposição marca seis anos do teu percurso artístico. Que balanço fazes e como encaras o futuro?

T.C.N. — Ao longo destes seis anos, o percurso tem sido desafiante, sobretudo por ser um artista independente. Hoje, um artista não é apenas alguém que cria. É também empreendedor, gestor, contabilista, alguém que trata da logística e de muitas outras áreas. Ao mesmo tempo, essa ausência de estrutura traz liberdade e autonomia. Ao longo destes anos, percebi que existe uma possibilidade de crescimento muito maior do que imaginei no início. À medida que o meu trabalho se torna mais pessoal e vulnerável, sinto também uma maior identificação por parte do público. Isso tem sido importante, porque cria espaço para diálogo e para reconhecimento. Para o futuro, ambiciono continuar a crescer, a pensar de forma mais ambiciosa e a afinar cada vez mais a minha prática e a minha linguagem.



A mostra fica patente até 31 de março, entre as 14h e as 20h, no espaço NUMA.SALA: Rua Neves Ferreira 17C, Lisbon 1170-273 Portugal.

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Seis perguntas a Tomás Castro Neves

O artista plástico apresenta este fim de semana uma nova coleção de trabalhos na exposição How To, em Lisboa. Ao mesmo tempo que mantém uma forte presença da pintura, explora a linguagem da escultura e diz que este é o conjunto mais íntimo que criou até à data. Na azáfama da preparação da mostra, aceitou responder às seis perguntas do MOTIVO.

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28 de mar. de 2026, 08:08

Que coleção de trabalhos apresentas nesta exposição?

TOMÁS CASTRO NEVESHow To é um corpo de trabalho desenvolvido ao longo do último ano, composto por pinturas e algumas esculturas, que parte de um conjunto de questões pessoais. É, no fundo, uma espécie de manual de desinstruções. As imagens surgem como respostas a perguntas para às quais não consegui chegar a uma solução prática, e os quadros aparecem como manifestação dessa impossibilidade de resposta.



Como foi o processo criativo e artístico?

T.C.N. — Parto sempre de uma ideia ou de um questionamento, utilizando frequentemente o corpo masculino como ferramenta de expressão. Estas imagens procuram apaziguar a ambiguidade dessas questões e são particularmente íntimas, porque partem muito da minha experiência neste último ano. É interessante partir da imagem para o título, mas depois regressar à imagem e perceber a ressonância que ela cria em quem vê as peças.

Que peça destacas e porquê?

T.C.N. — Destaco duas peças. A primeira é How to Exist, a maior pintura da exposição. É, provavelmente, a questão mais abrangente, porque engloba todas as dúvidas, inseguranças e decisões. É uma peça que reflete muito sobre a incerteza e sobre a necessidade de fazer escolhas, com várias figuras a tomar decisões (fotografia abaixo). A segunda peça é How to Stand on Your Own, uma desenho escultórico de grande escala. Existe aqui uma dicotomia entre a estrutura necessária para um corpo se sustentar e, na prática, a peça é um grande corpo feito de tela estendido no chão, ao mesmo tempo que se tenta abraçar. A peça nasce da tensão entre a ideia de autonomia e a fragilidade dessa possibilidade.



Como é que estes trabalhos vão ocupar o espaço NUMA.SALA?

T.C.N. — Os trabalhos vão estar expostos de forma progressiva, criando um percurso em direção a um momento cada vez mais íntimo. A última peça da sala, que se encontra mais resguardada, chama-se How to Heal, porque esse acaba por ser o objetivo. Existe uma ideia de continuidade, circulação e reflexão. O objetivo é que a exposição tenha um caráter íntimo e que essa intenção de reflexão, que esteve na origem dos trabalhos, se manifeste também na forma como o conjunto de peças é experienciado.

Nestes trabalhos brincas com a ideia de manual, regras e instruções. Como é que esse olhar se prolonga para o teu mundo quotidiano?

T.C.N. — Esta ideia de manual de instruções nasce da necessidade de encontrar uma forma correta de fazer as coisas, mas, com o tempo, percebi que não existe uma forma certa, existe apenas a forma que escolhemos. Não há melhor nem pior, e, muitas vezes, nem temos assim tanto controlo sobre as escolhas que fazemos. Essa aceitação trouxe-me tranquilidade. A ideia de “chegar” torna-se ilusória e passa a ser mais sobre o processo, o caminho e o registo desse percurso. Essa conclusão acabou por moldar a minha prática artística e também a forma como encaro o quotidiano.



Esta exposição marca seis anos do teu percurso artístico. Que balanço fazes e como encaras o futuro?

T.C.N. — Ao longo destes seis anos, o percurso tem sido desafiante, sobretudo por ser um artista independente. Hoje, um artista não é apenas alguém que cria. É também empreendedor, gestor, contabilista, alguém que trata da logística e de muitas outras áreas. Ao mesmo tempo, essa ausência de estrutura traz liberdade e autonomia. Ao longo destes anos, percebi que existe uma possibilidade de crescimento muito maior do que imaginei no início. À medida que o meu trabalho se torna mais pessoal e vulnerável, sinto também uma maior identificação por parte do público. Isso tem sido importante, porque cria espaço para diálogo e para reconhecimento. Para o futuro, ambiciono continuar a crescer, a pensar de forma mais ambiciosa e a afinar cada vez mais a minha prática e a minha linguagem.



A mostra fica patente até 31 de março, entre as 14h e as 20h, no espaço NUMA.SALA: Rua Neves Ferreira 17C, Lisbon 1170-273 Portugal.

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Seis perguntas a Tomás Castro Neves

O artista plástico apresenta este fim de semana uma nova coleção de trabalhos na exposição How To, em Lisboa. Ao mesmo tempo que mantém uma forte presença da pintura, explora a linguagem da escultura e diz que este é o conjunto mais íntimo que criou até à data. Na azáfama da preparação da mostra, aceitou responder às seis perguntas do MOTIVO.

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28 de mar. de 2026, 08:08

Que coleção de trabalhos apresentas nesta exposição?

TOMÁS CASTRO NEVESHow To é um corpo de trabalho desenvolvido ao longo do último ano, composto por pinturas e algumas esculturas, que parte de um conjunto de questões pessoais. É, no fundo, uma espécie de manual de desinstruções. As imagens surgem como respostas a perguntas para às quais não consegui chegar a uma solução prática, e os quadros aparecem como manifestação dessa impossibilidade de resposta.



Como foi o processo criativo e artístico?

T.C.N. — Parto sempre de uma ideia ou de um questionamento, utilizando frequentemente o corpo masculino como ferramenta de expressão. Estas imagens procuram apaziguar a ambiguidade dessas questões e são particularmente íntimas, porque partem muito da minha experiência neste último ano. É interessante partir da imagem para o título, mas depois regressar à imagem e perceber a ressonância que ela cria em quem vê as peças.

Que peça destacas e porquê?

T.C.N. — Destaco duas peças. A primeira é How to Exist, a maior pintura da exposição. É, provavelmente, a questão mais abrangente, porque engloba todas as dúvidas, inseguranças e decisões. É uma peça que reflete muito sobre a incerteza e sobre a necessidade de fazer escolhas, com várias figuras a tomar decisões (fotografia abaixo). A segunda peça é How to Stand on Your Own, uma desenho escultórico de grande escala. Existe aqui uma dicotomia entre a estrutura necessária para um corpo se sustentar e, na prática, a peça é um grande corpo feito de tela estendido no chão, ao mesmo tempo que se tenta abraçar. A peça nasce da tensão entre a ideia de autonomia e a fragilidade dessa possibilidade.



Como é que estes trabalhos vão ocupar o espaço NUMA.SALA?

T.C.N. — Os trabalhos vão estar expostos de forma progressiva, criando um percurso em direção a um momento cada vez mais íntimo. A última peça da sala, que se encontra mais resguardada, chama-se How to Heal, porque esse acaba por ser o objetivo. Existe uma ideia de continuidade, circulação e reflexão. O objetivo é que a exposição tenha um caráter íntimo e que essa intenção de reflexão, que esteve na origem dos trabalhos, se manifeste também na forma como o conjunto de peças é experienciado.

Nestes trabalhos brincas com a ideia de manual, regras e instruções. Como é que esse olhar se prolonga para o teu mundo quotidiano?

T.C.N. — Esta ideia de manual de instruções nasce da necessidade de encontrar uma forma correta de fazer as coisas, mas, com o tempo, percebi que não existe uma forma certa, existe apenas a forma que escolhemos. Não há melhor nem pior, e, muitas vezes, nem temos assim tanto controlo sobre as escolhas que fazemos. Essa aceitação trouxe-me tranquilidade. A ideia de “chegar” torna-se ilusória e passa a ser mais sobre o processo, o caminho e o registo desse percurso. Essa conclusão acabou por moldar a minha prática artística e também a forma como encaro o quotidiano.



Esta exposição marca seis anos do teu percurso artístico. Que balanço fazes e como encaras o futuro?

T.C.N. — Ao longo destes seis anos, o percurso tem sido desafiante, sobretudo por ser um artista independente. Hoje, um artista não é apenas alguém que cria. É também empreendedor, gestor, contabilista, alguém que trata da logística e de muitas outras áreas. Ao mesmo tempo, essa ausência de estrutura traz liberdade e autonomia. Ao longo destes anos, percebi que existe uma possibilidade de crescimento muito maior do que imaginei no início. À medida que o meu trabalho se torna mais pessoal e vulnerável, sinto também uma maior identificação por parte do público. Isso tem sido importante, porque cria espaço para diálogo e para reconhecimento. Para o futuro, ambiciono continuar a crescer, a pensar de forma mais ambiciosa e a afinar cada vez mais a minha prática e a minha linguagem.



A mostra fica patente até 31 de março, entre as 14h e as 20h, no espaço NUMA.SALA: Rua Neves Ferreira 17C, Lisbon 1170-273 Portugal.

#Protagonistas

Seis perguntas a Tomás Castro Neves

O artista plástico apresenta este fim de semana uma nova coleção de trabalhos na exposição How To, em Lisboa. Ao mesmo tempo que mantém uma forte presença da pintura, explora a linguagem da escultura e diz que este é o conjunto mais íntimo que criou até à data. Na azáfama da preparação da mostra, aceitou responder às seis perguntas do MOTIVO.

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28 de mar. de 2026, 08:08

Que coleção de trabalhos apresentas nesta exposição?

TOMÁS CASTRO NEVESHow To é um corpo de trabalho desenvolvido ao longo do último ano, composto por pinturas e algumas esculturas, que parte de um conjunto de questões pessoais. É, no fundo, uma espécie de manual de desinstruções. As imagens surgem como respostas a perguntas para às quais não consegui chegar a uma solução prática, e os quadros aparecem como manifestação dessa impossibilidade de resposta.



Como foi o processo criativo e artístico?

T.C.N. — Parto sempre de uma ideia ou de um questionamento, utilizando frequentemente o corpo masculino como ferramenta de expressão. Estas imagens procuram apaziguar a ambiguidade dessas questões e são particularmente íntimas, porque partem muito da minha experiência neste último ano. É interessante partir da imagem para o título, mas depois regressar à imagem e perceber a ressonância que ela cria em quem vê as peças.

Que peça destacas e porquê?

T.C.N. — Destaco duas peças. A primeira é How to Exist, a maior pintura da exposição. É, provavelmente, a questão mais abrangente, porque engloba todas as dúvidas, inseguranças e decisões. É uma peça que reflete muito sobre a incerteza e sobre a necessidade de fazer escolhas, com várias figuras a tomar decisões (fotografia abaixo). A segunda peça é How to Stand on Your Own, uma desenho escultórico de grande escala. Existe aqui uma dicotomia entre a estrutura necessária para um corpo se sustentar e, na prática, a peça é um grande corpo feito de tela estendido no chão, ao mesmo tempo que se tenta abraçar. A peça nasce da tensão entre a ideia de autonomia e a fragilidade dessa possibilidade.



Como é que estes trabalhos vão ocupar o espaço NUMA.SALA?

T.C.N. — Os trabalhos vão estar expostos de forma progressiva, criando um percurso em direção a um momento cada vez mais íntimo. A última peça da sala, que se encontra mais resguardada, chama-se How to Heal, porque esse acaba por ser o objetivo. Existe uma ideia de continuidade, circulação e reflexão. O objetivo é que a exposição tenha um caráter íntimo e que essa intenção de reflexão, que esteve na origem dos trabalhos, se manifeste também na forma como o conjunto de peças é experienciado.

Nestes trabalhos brincas com a ideia de manual, regras e instruções. Como é que esse olhar se prolonga para o teu mundo quotidiano?

T.C.N. — Esta ideia de manual de instruções nasce da necessidade de encontrar uma forma correta de fazer as coisas, mas, com o tempo, percebi que não existe uma forma certa, existe apenas a forma que escolhemos. Não há melhor nem pior, e, muitas vezes, nem temos assim tanto controlo sobre as escolhas que fazemos. Essa aceitação trouxe-me tranquilidade. A ideia de “chegar” torna-se ilusória e passa a ser mais sobre o processo, o caminho e o registo desse percurso. Essa conclusão acabou por moldar a minha prática artística e também a forma como encaro o quotidiano.



Esta exposição marca seis anos do teu percurso artístico. Que balanço fazes e como encaras o futuro?

T.C.N. — Ao longo destes seis anos, o percurso tem sido desafiante, sobretudo por ser um artista independente. Hoje, um artista não é apenas alguém que cria. É também empreendedor, gestor, contabilista, alguém que trata da logística e de muitas outras áreas. Ao mesmo tempo, essa ausência de estrutura traz liberdade e autonomia. Ao longo destes anos, percebi que existe uma possibilidade de crescimento muito maior do que imaginei no início. À medida que o meu trabalho se torna mais pessoal e vulnerável, sinto também uma maior identificação por parte do público. Isso tem sido importante, porque cria espaço para diálogo e para reconhecimento. Para o futuro, ambiciono continuar a crescer, a pensar de forma mais ambiciosa e a afinar cada vez mais a minha prática e a minha linguagem.



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