#Protagonistas

Seis perguntas a Katia Guerreiro

A fadista está assume a direção artística da iniciativa Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura 2026 que, ao longo deste ano, irá dinamizar a cidade açoriana com uma programação abrangente e diversa. Ao MOTIVO, conta como encarou o desafio e o que podemos esperar.

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14 de fev. de 2026, 09:01

Como foi receber o convite para estar à frente da direção artística da Capital Portuguesa da Cultura 2026, em Ponta Delgada?

KATIA GUERREIRO — Recebi o convite com enorme honra e com um profundo sentido de responsabilidade. É um desafio que assumi de forma muito pessoal e afetiva, pela ligação que tenho a Ponta Delgada, e aos Açores, mas também pela consciência do que significa liderar um projeto desta natureza. Entendi-o como uma oportunidade para ajudar a construir uma visão cultural sólida e contemporânea para a cidade, capaz de envolver a comunidade, valorizar os criadores locais e projetar o território no contexto nacional e internacional. Entendo este cargo como um compromisso com a cultura enquanto espaço de encontro, identidade e futuro.


Katia Guerreiro assume a direção artística da iniciativa e partilha a curadoria da área musical com Isabel Worm e Tiago Curado


Que princípios têm orientado o seu Comissariado?

K.G. Tenho procurado assentar o meu trabalho em princípios que vão muito além da simples seleção de eventos, procurando centrar esforços na visão e no desejo de transformar Ponta Delgada num verdadeiro “Lugar do Amanhã”. Isso significa trabalhar para que a cultura seja um vetor de inclusão, de democratização do acesso e de construção de públicos que reconheçam a arte como elemento central do quotidiano. A programação tem sido pensada de forma a envolver a comunidade de todo o concelho e, de maneira mais ampla, de toda a região, com ações que cheguem às 24 freguesias e a diferentes públicos, desde a infância aos mais idosos, reforçando a ligação entre cultura e educação como um eixo estruturante. Estamos a trabalhar para que o programa reflita a diversidade cultural e criativa do território, valorizando tanto as filarmónicas, como os ranchos folclóricos ou as manifestações religiosas e, simultaneamente, abrindo espaço para propostas contemporâneas e de grande escala que tragam ao arquipélago experiências que, de outra forma, dificilmente ali chegariam.

Uma parte importante da programação envolve diferentes curadores e áreas artísticas. Como foi pensado este modelo de curadoria partilhada e que desafios trouxe?

K.G. O modelo de Curadorias nasceu da convicção de que uma Capital Portuguesa da Cultura deve refletir a diversidade e a riqueza do território, reunindo múltiplos olhares e competências. Entregámos cada área a profissionais reconhecidos pelo seu trabalho e experiência nas diferentes disciplinas, garantindo que cada segmento da programação tivesse uma visão consistente e especializada. Ao mesmo tempo, todos temos trabalhado de forma colaborativa, em diálogo constante, para construir uma programação integrada que não se limite à soma de projetos isolados, mas que realmente traga valor cultural, social e educativo à comunidade. Esse modelo exige coordenação, escuta e flexibilidade, mas permite criar sinergias inesperadas, combinações inovadoras entre linguagens e abordagens, e fortalece o impacto da Capital como espaço de experimentação e de afirmação artística.



Que destaques faz da programação?

K.G. — A programação da Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura 2026 está a ser pensada de forma a equilibrar tradição e contemporaneidade, projetos de raiz local e iniciativas de maior escala. Destaco, por um lado, as atividades que envolvem diretamente a comunidade, como projetos educativos, oficinas, residências artísticas e eventos participativos, que permitem que o público se aproxime da criação e se torne parte ativa do processo cultural. Por outro lado, há produções de referência nacional e internacional que trazem experiências inéditas aos Açores, mostrando ao território novas linguagens e formas de expressão artística. Este cruzamento entre o local e o global, entre a tradição e a inovação, é o que consideramos ser o coração da nossa programação, onde temos procurado criar um diálogo constante entre diferentes públicos e formas de arte, reforçando o papel da cultura como fator de coesão social, educação e desenvolvimento do território

Como foi gerir a afirmação da cultura local com possíveis colaborações nacionais ou até internacionais?

K.G. — Considero este um desafio estimulante. O nosso foco principal sempre foi o de valorizar e dar visibilidade à cultura açoriana, aos artistas locais e aos projetos comunitários, contudo, procuramos não fechar as portas à colaboração com parceiros nacionais ou internacionais. Acreditamos que o encontro entre diferentes áreas e experiências, linguagens artísticas, saberes e visões do mundo só podem enriquecer todos os envolvidos, dotando a criatividade de quem aqui vive, trazendo novas perspetivas a quem nos visita e criando oportunidades para aprimorar projetos existentes ou desenvolver outros completamente novos. 

"O investimento na criação de públicos será sempre um dos investimentos mais importantes"

O mote da iniciativa é “O Lugar do Amanhã”. Finda a edição, que legado quer deixar?

K.G. — O que mais ambicionamos, no final, é que este não seja apenas um ano onde aconteceram mais eventos do que o habitual. Queremos que cada habitante, cada jovem, cada artista, encare esta iniciativa como fomentadora da construção de algo maior, que tenha contribuído para a construção de uma Ponta Delgada mais viva, mais aberta e mais plural. A nossa equipa acredita profundamente que o encontro entre diferentes artes, saberes e experiências pode transformar vidas. Que o acesso à cultura, sobretudo nos lugares mais periféricos, pode despertar curiosidades, criar públicos, revelar novos talentos e alimentar sonhos. Sabemos também que a cultura é geradora de economia e que o investimento na criação de públicos será sempre um dos investimentos mais importantes, criando seres humanos mais preparados, cidadãos mais conscientes e, simultaneamente, riqueza cultural e económica para a comunidade. Que cada diálogo, cada colaboração, cada descoberta que surgir ao longo destes meses de programação se transforme numa centelha capaz de acender caminhos inesperados, de inspirar quem cria e quem assiste, e de abrir horizontes para novas ideias. O legado que queremos deixar é feito dessas sementes, que brotarão e renderão frutos, numa rede viva de pessoas inspiradas, criativas e corajosas, capazes de continuar a criar, a sonhar e a imaginar novas possibilidades. Que daqui saia uma comunidade mais confiante, mais curiosa, mais envolvida com a cultura e com o trabalho dos artistas, uma cidade que valorize o encontro e a partilha, e que se afirme para sempre como um lugar de esperança, de inspiração e de futuro 

#Protagonistas

Seis perguntas a Katia Guerreiro

A fadista está assume a direção artística da iniciativa Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura 2026 que, ao longo deste ano, irá dinamizar a cidade açoriana com uma programação abrangente e diversa. Ao MOTIVO, conta como encarou o desafio e o que podemos esperar.

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14 de fev. de 2026, 09:01

Como foi receber o convite para estar à frente da direção artística da Capital Portuguesa da Cultura 2026, em Ponta Delgada?

KATIA GUERREIRO — Recebi o convite com enorme honra e com um profundo sentido de responsabilidade. É um desafio que assumi de forma muito pessoal e afetiva, pela ligação que tenho a Ponta Delgada, e aos Açores, mas também pela consciência do que significa liderar um projeto desta natureza. Entendi-o como uma oportunidade para ajudar a construir uma visão cultural sólida e contemporânea para a cidade, capaz de envolver a comunidade, valorizar os criadores locais e projetar o território no contexto nacional e internacional. Entendo este cargo como um compromisso com a cultura enquanto espaço de encontro, identidade e futuro.


Katia Guerreiro assume a direção artística da iniciativa e partilha a curadoria da área musical com Isabel Worm e Tiago Curado


Que princípios têm orientado o seu Comissariado?

K.G. Tenho procurado assentar o meu trabalho em princípios que vão muito além da simples seleção de eventos, procurando centrar esforços na visão e no desejo de transformar Ponta Delgada num verdadeiro “Lugar do Amanhã”. Isso significa trabalhar para que a cultura seja um vetor de inclusão, de democratização do acesso e de construção de públicos que reconheçam a arte como elemento central do quotidiano. A programação tem sido pensada de forma a envolver a comunidade de todo o concelho e, de maneira mais ampla, de toda a região, com ações que cheguem às 24 freguesias e a diferentes públicos, desde a infância aos mais idosos, reforçando a ligação entre cultura e educação como um eixo estruturante. Estamos a trabalhar para que o programa reflita a diversidade cultural e criativa do território, valorizando tanto as filarmónicas, como os ranchos folclóricos ou as manifestações religiosas e, simultaneamente, abrindo espaço para propostas contemporâneas e de grande escala que tragam ao arquipélago experiências que, de outra forma, dificilmente ali chegariam.

Uma parte importante da programação envolve diferentes curadores e áreas artísticas. Como foi pensado este modelo de curadoria partilhada e que desafios trouxe?

K.G. O modelo de Curadorias nasceu da convicção de que uma Capital Portuguesa da Cultura deve refletir a diversidade e a riqueza do território, reunindo múltiplos olhares e competências. Entregámos cada área a profissionais reconhecidos pelo seu trabalho e experiência nas diferentes disciplinas, garantindo que cada segmento da programação tivesse uma visão consistente e especializada. Ao mesmo tempo, todos temos trabalhado de forma colaborativa, em diálogo constante, para construir uma programação integrada que não se limite à soma de projetos isolados, mas que realmente traga valor cultural, social e educativo à comunidade. Esse modelo exige coordenação, escuta e flexibilidade, mas permite criar sinergias inesperadas, combinações inovadoras entre linguagens e abordagens, e fortalece o impacto da Capital como espaço de experimentação e de afirmação artística.



Que destaques faz da programação?

K.G. — A programação da Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura 2026 está a ser pensada de forma a equilibrar tradição e contemporaneidade, projetos de raiz local e iniciativas de maior escala. Destaco, por um lado, as atividades que envolvem diretamente a comunidade, como projetos educativos, oficinas, residências artísticas e eventos participativos, que permitem que o público se aproxime da criação e se torne parte ativa do processo cultural. Por outro lado, há produções de referência nacional e internacional que trazem experiências inéditas aos Açores, mostrando ao território novas linguagens e formas de expressão artística. Este cruzamento entre o local e o global, entre a tradição e a inovação, é o que consideramos ser o coração da nossa programação, onde temos procurado criar um diálogo constante entre diferentes públicos e formas de arte, reforçando o papel da cultura como fator de coesão social, educação e desenvolvimento do território

Como foi gerir a afirmação da cultura local com possíveis colaborações nacionais ou até internacionais?

K.G. — Considero este um desafio estimulante. O nosso foco principal sempre foi o de valorizar e dar visibilidade à cultura açoriana, aos artistas locais e aos projetos comunitários, contudo, procuramos não fechar as portas à colaboração com parceiros nacionais ou internacionais. Acreditamos que o encontro entre diferentes áreas e experiências, linguagens artísticas, saberes e visões do mundo só podem enriquecer todos os envolvidos, dotando a criatividade de quem aqui vive, trazendo novas perspetivas a quem nos visita e criando oportunidades para aprimorar projetos existentes ou desenvolver outros completamente novos. 

"O investimento na criação de públicos será sempre um dos investimentos mais importantes"

O mote da iniciativa é “O Lugar do Amanhã”. Finda a edição, que legado quer deixar?

K.G. — O que mais ambicionamos, no final, é que este não seja apenas um ano onde aconteceram mais eventos do que o habitual. Queremos que cada habitante, cada jovem, cada artista, encare esta iniciativa como fomentadora da construção de algo maior, que tenha contribuído para a construção de uma Ponta Delgada mais viva, mais aberta e mais plural. A nossa equipa acredita profundamente que o encontro entre diferentes artes, saberes e experiências pode transformar vidas. Que o acesso à cultura, sobretudo nos lugares mais periféricos, pode despertar curiosidades, criar públicos, revelar novos talentos e alimentar sonhos. Sabemos também que a cultura é geradora de economia e que o investimento na criação de públicos será sempre um dos investimentos mais importantes, criando seres humanos mais preparados, cidadãos mais conscientes e, simultaneamente, riqueza cultural e económica para a comunidade. Que cada diálogo, cada colaboração, cada descoberta que surgir ao longo destes meses de programação se transforme numa centelha capaz de acender caminhos inesperados, de inspirar quem cria e quem assiste, e de abrir horizontes para novas ideias. O legado que queremos deixar é feito dessas sementes, que brotarão e renderão frutos, numa rede viva de pessoas inspiradas, criativas e corajosas, capazes de continuar a criar, a sonhar e a imaginar novas possibilidades. Que daqui saia uma comunidade mais confiante, mais curiosa, mais envolvida com a cultura e com o trabalho dos artistas, uma cidade que valorize o encontro e a partilha, e que se afirme para sempre como um lugar de esperança, de inspiração e de futuro 

#Protagonistas

Seis perguntas a Katia Guerreiro

A fadista está assume a direção artística da iniciativa Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura 2026 que, ao longo deste ano, irá dinamizar a cidade açoriana com uma programação abrangente e diversa. Ao MOTIVO, conta como encarou o desafio e o que podemos esperar.

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14 de fev. de 2026, 09:01

Como foi receber o convite para estar à frente da direção artística da Capital Portuguesa da Cultura 2026, em Ponta Delgada?

KATIA GUERREIRO — Recebi o convite com enorme honra e com um profundo sentido de responsabilidade. É um desafio que assumi de forma muito pessoal e afetiva, pela ligação que tenho a Ponta Delgada, e aos Açores, mas também pela consciência do que significa liderar um projeto desta natureza. Entendi-o como uma oportunidade para ajudar a construir uma visão cultural sólida e contemporânea para a cidade, capaz de envolver a comunidade, valorizar os criadores locais e projetar o território no contexto nacional e internacional. Entendo este cargo como um compromisso com a cultura enquanto espaço de encontro, identidade e futuro.


Katia Guerreiro assume a direção artística da iniciativa e partilha a curadoria da área musical com Isabel Worm e Tiago Curado


Que princípios têm orientado o seu Comissariado?

K.G. Tenho procurado assentar o meu trabalho em princípios que vão muito além da simples seleção de eventos, procurando centrar esforços na visão e no desejo de transformar Ponta Delgada num verdadeiro “Lugar do Amanhã”. Isso significa trabalhar para que a cultura seja um vetor de inclusão, de democratização do acesso e de construção de públicos que reconheçam a arte como elemento central do quotidiano. A programação tem sido pensada de forma a envolver a comunidade de todo o concelho e, de maneira mais ampla, de toda a região, com ações que cheguem às 24 freguesias e a diferentes públicos, desde a infância aos mais idosos, reforçando a ligação entre cultura e educação como um eixo estruturante. Estamos a trabalhar para que o programa reflita a diversidade cultural e criativa do território, valorizando tanto as filarmónicas, como os ranchos folclóricos ou as manifestações religiosas e, simultaneamente, abrindo espaço para propostas contemporâneas e de grande escala que tragam ao arquipélago experiências que, de outra forma, dificilmente ali chegariam.

Uma parte importante da programação envolve diferentes curadores e áreas artísticas. Como foi pensado este modelo de curadoria partilhada e que desafios trouxe?

K.G. O modelo de Curadorias nasceu da convicção de que uma Capital Portuguesa da Cultura deve refletir a diversidade e a riqueza do território, reunindo múltiplos olhares e competências. Entregámos cada área a profissionais reconhecidos pelo seu trabalho e experiência nas diferentes disciplinas, garantindo que cada segmento da programação tivesse uma visão consistente e especializada. Ao mesmo tempo, todos temos trabalhado de forma colaborativa, em diálogo constante, para construir uma programação integrada que não se limite à soma de projetos isolados, mas que realmente traga valor cultural, social e educativo à comunidade. Esse modelo exige coordenação, escuta e flexibilidade, mas permite criar sinergias inesperadas, combinações inovadoras entre linguagens e abordagens, e fortalece o impacto da Capital como espaço de experimentação e de afirmação artística.



Que destaques faz da programação?

K.G. — A programação da Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura 2026 está a ser pensada de forma a equilibrar tradição e contemporaneidade, projetos de raiz local e iniciativas de maior escala. Destaco, por um lado, as atividades que envolvem diretamente a comunidade, como projetos educativos, oficinas, residências artísticas e eventos participativos, que permitem que o público se aproxime da criação e se torne parte ativa do processo cultural. Por outro lado, há produções de referência nacional e internacional que trazem experiências inéditas aos Açores, mostrando ao território novas linguagens e formas de expressão artística. Este cruzamento entre o local e o global, entre a tradição e a inovação, é o que consideramos ser o coração da nossa programação, onde temos procurado criar um diálogo constante entre diferentes públicos e formas de arte, reforçando o papel da cultura como fator de coesão social, educação e desenvolvimento do território

Como foi gerir a afirmação da cultura local com possíveis colaborações nacionais ou até internacionais?

K.G. — Considero este um desafio estimulante. O nosso foco principal sempre foi o de valorizar e dar visibilidade à cultura açoriana, aos artistas locais e aos projetos comunitários, contudo, procuramos não fechar as portas à colaboração com parceiros nacionais ou internacionais. Acreditamos que o encontro entre diferentes áreas e experiências, linguagens artísticas, saberes e visões do mundo só podem enriquecer todos os envolvidos, dotando a criatividade de quem aqui vive, trazendo novas perspetivas a quem nos visita e criando oportunidades para aprimorar projetos existentes ou desenvolver outros completamente novos. 

"O investimento na criação de públicos será sempre um dos investimentos mais importantes"

O mote da iniciativa é “O Lugar do Amanhã”. Finda a edição, que legado quer deixar?

K.G. — O que mais ambicionamos, no final, é que este não seja apenas um ano onde aconteceram mais eventos do que o habitual. Queremos que cada habitante, cada jovem, cada artista, encare esta iniciativa como fomentadora da construção de algo maior, que tenha contribuído para a construção de uma Ponta Delgada mais viva, mais aberta e mais plural. A nossa equipa acredita profundamente que o encontro entre diferentes artes, saberes e experiências pode transformar vidas. Que o acesso à cultura, sobretudo nos lugares mais periféricos, pode despertar curiosidades, criar públicos, revelar novos talentos e alimentar sonhos. Sabemos também que a cultura é geradora de economia e que o investimento na criação de públicos será sempre um dos investimentos mais importantes, criando seres humanos mais preparados, cidadãos mais conscientes e, simultaneamente, riqueza cultural e económica para a comunidade. Que cada diálogo, cada colaboração, cada descoberta que surgir ao longo destes meses de programação se transforme numa centelha capaz de acender caminhos inesperados, de inspirar quem cria e quem assiste, e de abrir horizontes para novas ideias. O legado que queremos deixar é feito dessas sementes, que brotarão e renderão frutos, numa rede viva de pessoas inspiradas, criativas e corajosas, capazes de continuar a criar, a sonhar e a imaginar novas possibilidades. Que daqui saia uma comunidade mais confiante, mais curiosa, mais envolvida com a cultura e com o trabalho dos artistas, uma cidade que valorize o encontro e a partilha, e que se afirme para sempre como um lugar de esperança, de inspiração e de futuro 

#Protagonistas

Seis perguntas a Katia Guerreiro

A fadista está assume a direção artística da iniciativa Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura 2026 que, ao longo deste ano, irá dinamizar a cidade açoriana com uma programação abrangente e diversa. Ao MOTIVO, conta como encarou o desafio e o que podemos esperar.

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14 de fev. de 2026, 09:01

Como foi receber o convite para estar à frente da direção artística da Capital Portuguesa da Cultura 2026, em Ponta Delgada?

KATIA GUERREIRO — Recebi o convite com enorme honra e com um profundo sentido de responsabilidade. É um desafio que assumi de forma muito pessoal e afetiva, pela ligação que tenho a Ponta Delgada, e aos Açores, mas também pela consciência do que significa liderar um projeto desta natureza. Entendi-o como uma oportunidade para ajudar a construir uma visão cultural sólida e contemporânea para a cidade, capaz de envolver a comunidade, valorizar os criadores locais e projetar o território no contexto nacional e internacional. Entendo este cargo como um compromisso com a cultura enquanto espaço de encontro, identidade e futuro.


Katia Guerreiro assume a direção artística da iniciativa e partilha a curadoria da área musical com Isabel Worm e Tiago Curado


Que princípios têm orientado o seu Comissariado?

K.G. Tenho procurado assentar o meu trabalho em princípios que vão muito além da simples seleção de eventos, procurando centrar esforços na visão e no desejo de transformar Ponta Delgada num verdadeiro “Lugar do Amanhã”. Isso significa trabalhar para que a cultura seja um vetor de inclusão, de democratização do acesso e de construção de públicos que reconheçam a arte como elemento central do quotidiano. A programação tem sido pensada de forma a envolver a comunidade de todo o concelho e, de maneira mais ampla, de toda a região, com ações que cheguem às 24 freguesias e a diferentes públicos, desde a infância aos mais idosos, reforçando a ligação entre cultura e educação como um eixo estruturante. Estamos a trabalhar para que o programa reflita a diversidade cultural e criativa do território, valorizando tanto as filarmónicas, como os ranchos folclóricos ou as manifestações religiosas e, simultaneamente, abrindo espaço para propostas contemporâneas e de grande escala que tragam ao arquipélago experiências que, de outra forma, dificilmente ali chegariam.

Uma parte importante da programação envolve diferentes curadores e áreas artísticas. Como foi pensado este modelo de curadoria partilhada e que desafios trouxe?

K.G. O modelo de Curadorias nasceu da convicção de que uma Capital Portuguesa da Cultura deve refletir a diversidade e a riqueza do território, reunindo múltiplos olhares e competências. Entregámos cada área a profissionais reconhecidos pelo seu trabalho e experiência nas diferentes disciplinas, garantindo que cada segmento da programação tivesse uma visão consistente e especializada. Ao mesmo tempo, todos temos trabalhado de forma colaborativa, em diálogo constante, para construir uma programação integrada que não se limite à soma de projetos isolados, mas que realmente traga valor cultural, social e educativo à comunidade. Esse modelo exige coordenação, escuta e flexibilidade, mas permite criar sinergias inesperadas, combinações inovadoras entre linguagens e abordagens, e fortalece o impacto da Capital como espaço de experimentação e de afirmação artística.



Que destaques faz da programação?

K.G. — A programação da Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura 2026 está a ser pensada de forma a equilibrar tradição e contemporaneidade, projetos de raiz local e iniciativas de maior escala. Destaco, por um lado, as atividades que envolvem diretamente a comunidade, como projetos educativos, oficinas, residências artísticas e eventos participativos, que permitem que o público se aproxime da criação e se torne parte ativa do processo cultural. Por outro lado, há produções de referência nacional e internacional que trazem experiências inéditas aos Açores, mostrando ao território novas linguagens e formas de expressão artística. Este cruzamento entre o local e o global, entre a tradição e a inovação, é o que consideramos ser o coração da nossa programação, onde temos procurado criar um diálogo constante entre diferentes públicos e formas de arte, reforçando o papel da cultura como fator de coesão social, educação e desenvolvimento do território

Como foi gerir a afirmação da cultura local com possíveis colaborações nacionais ou até internacionais?

K.G. — Considero este um desafio estimulante. O nosso foco principal sempre foi o de valorizar e dar visibilidade à cultura açoriana, aos artistas locais e aos projetos comunitários, contudo, procuramos não fechar as portas à colaboração com parceiros nacionais ou internacionais. Acreditamos que o encontro entre diferentes áreas e experiências, linguagens artísticas, saberes e visões do mundo só podem enriquecer todos os envolvidos, dotando a criatividade de quem aqui vive, trazendo novas perspetivas a quem nos visita e criando oportunidades para aprimorar projetos existentes ou desenvolver outros completamente novos. 

"O investimento na criação de públicos será sempre um dos investimentos mais importantes"

O mote da iniciativa é “O Lugar do Amanhã”. Finda a edição, que legado quer deixar?

K.G. — O que mais ambicionamos, no final, é que este não seja apenas um ano onde aconteceram mais eventos do que o habitual. Queremos que cada habitante, cada jovem, cada artista, encare esta iniciativa como fomentadora da construção de algo maior, que tenha contribuído para a construção de uma Ponta Delgada mais viva, mais aberta e mais plural. A nossa equipa acredita profundamente que o encontro entre diferentes artes, saberes e experiências pode transformar vidas. Que o acesso à cultura, sobretudo nos lugares mais periféricos, pode despertar curiosidades, criar públicos, revelar novos talentos e alimentar sonhos. Sabemos também que a cultura é geradora de economia e que o investimento na criação de públicos será sempre um dos investimentos mais importantes, criando seres humanos mais preparados, cidadãos mais conscientes e, simultaneamente, riqueza cultural e económica para a comunidade. Que cada diálogo, cada colaboração, cada descoberta que surgir ao longo destes meses de programação se transforme numa centelha capaz de acender caminhos inesperados, de inspirar quem cria e quem assiste, e de abrir horizontes para novas ideias. O legado que queremos deixar é feito dessas sementes, que brotarão e renderão frutos, numa rede viva de pessoas inspiradas, criativas e corajosas, capazes de continuar a criar, a sonhar e a imaginar novas possibilidades. Que daqui saia uma comunidade mais confiante, mais curiosa, mais envolvida com a cultura e com o trabalho dos artistas, uma cidade que valorize o encontro e a partilha, e que se afirme para sempre como um lugar de esperança, de inspiração e de futuro 

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