Planeamos o detalhe e negligenciamos o horizonte

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Jornalista e escritora

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12 de fev. de 2026, 20:42

#Protagonistas
Opinião

Há um traço curioso na forma como olhamos para o futuro: falamos dele como se fosse distante, mas vivemos como se nunca fosse chegar.

Na vida pessoal, essa ilusão tem alguma ternura. Permite-nos adiar decisões, acreditar que haverá sempre tempo para corrigir o rumo. O problema começa quando transportamos essa leveza para as organizações e para os países.

Celebramos frequentemente o desenrascanço como uma espécie de marca identitária portuguesa. E, no entanto, o improviso só me parece admirável quando é excepção. Quando se torna método, deixa de ser talento, passa a ser ausência de estratégia.

Projetar o futuro não é um exercício de imaginação. É, antes de mais, um exercício de atenção. Atenção ao que já está a mudar, ao conhecimento que se produz quase sempre longe do ruído mediático, às transformações que preferimos considerar prematuras apenas porque ainda não nos obrigaram a agir.

Talvez por isso a inteligência artificial continue a ser tratada, em muitos contextos, com uma tranquilidade quase doméstica: “logo se vê”. Mas ver tarde raramente é apenas um problema de calendário: costuma ser um problema de preparação.

Antecipar exige tempo e pensar com tempo tornou-se uma das formas mais discretas de coragem. Obriga a suspender a urgência permanente, a aceitar que nem tudo o que é essencial produz resultados imediatos e, por isso mesmo, leva à construção de uma estratégia para lá da gestão do dia-a-dia.

Não faltam exemplos de empresas criativas, cheias de talento e capazes de respostas rápidas perante a adversidade. Ainda assim, muitas dificuldades persistem não por escassez de capacidade, mas por uma relação hesitante com o longo prazo. Também é aqui, nesta atitude, que as lideranças se confirmam ou fragilizam.

Planeamos o detalhe e negligenciamos o horizonte.

Talvez projetar o futuro comece precisamente aí: na recusa de o tratar como uma abstração confortável. Porque o futuro não é um território distante é o lugar onde, inevitavelmente, acabaremos por habitar. 


Patrícia Reis assina a crónica Instruções para o teu chefe, todos os meses, no MOTIVO.

Planeamos o detalhe e negligenciamos o horizonte

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12 de fev. de 2026, 20:42

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Há um traço curioso na forma como olhamos para o futuro: falamos dele como se fosse distante, mas vivemos como se nunca fosse chegar.

Na vida pessoal, essa ilusão tem alguma ternura. Permite-nos adiar decisões, acreditar que haverá sempre tempo para corrigir o rumo. O problema começa quando transportamos essa leveza para as organizações e para os países.

Celebramos frequentemente o desenrascanço como uma espécie de marca identitária portuguesa. E, no entanto, o improviso só me parece admirável quando é excepção. Quando se torna método, deixa de ser talento, passa a ser ausência de estratégia.

Projetar o futuro não é um exercício de imaginação. É, antes de mais, um exercício de atenção. Atenção ao que já está a mudar, ao conhecimento que se produz quase sempre longe do ruído mediático, às transformações que preferimos considerar prematuras apenas porque ainda não nos obrigaram a agir.

Talvez por isso a inteligência artificial continue a ser tratada, em muitos contextos, com uma tranquilidade quase doméstica: “logo se vê”. Mas ver tarde raramente é apenas um problema de calendário: costuma ser um problema de preparação.

Antecipar exige tempo e pensar com tempo tornou-se uma das formas mais discretas de coragem. Obriga a suspender a urgência permanente, a aceitar que nem tudo o que é essencial produz resultados imediatos e, por isso mesmo, leva à construção de uma estratégia para lá da gestão do dia-a-dia.

Não faltam exemplos de empresas criativas, cheias de talento e capazes de respostas rápidas perante a adversidade. Ainda assim, muitas dificuldades persistem não por escassez de capacidade, mas por uma relação hesitante com o longo prazo. Também é aqui, nesta atitude, que as lideranças se confirmam ou fragilizam.

Planeamos o detalhe e negligenciamos o horizonte.

Talvez projetar o futuro comece precisamente aí: na recusa de o tratar como uma abstração confortável. Porque o futuro não é um território distante é o lugar onde, inevitavelmente, acabaremos por habitar. 


Patrícia Reis assina a crónica Instruções para o teu chefe, todos os meses, no MOTIVO.

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Há um traço curioso na forma como olhamos para o futuro: falamos dele como se fosse distante, mas vivemos como se nunca fosse chegar.

Na vida pessoal, essa ilusão tem alguma ternura. Permite-nos adiar decisões, acreditar que haverá sempre tempo para corrigir o rumo. O problema começa quando transportamos essa leveza para as organizações e para os países.

Celebramos frequentemente o desenrascanço como uma espécie de marca identitária portuguesa. E, no entanto, o improviso só me parece admirável quando é excepção. Quando se torna método, deixa de ser talento, passa a ser ausência de estratégia.

Projetar o futuro não é um exercício de imaginação. É, antes de mais, um exercício de atenção. Atenção ao que já está a mudar, ao conhecimento que se produz quase sempre longe do ruído mediático, às transformações que preferimos considerar prematuras apenas porque ainda não nos obrigaram a agir.

Talvez por isso a inteligência artificial continue a ser tratada, em muitos contextos, com uma tranquilidade quase doméstica: “logo se vê”. Mas ver tarde raramente é apenas um problema de calendário: costuma ser um problema de preparação.

Antecipar exige tempo e pensar com tempo tornou-se uma das formas mais discretas de coragem. Obriga a suspender a urgência permanente, a aceitar que nem tudo o que é essencial produz resultados imediatos e, por isso mesmo, leva à construção de uma estratégia para lá da gestão do dia-a-dia.

Não faltam exemplos de empresas criativas, cheias de talento e capazes de respostas rápidas perante a adversidade. Ainda assim, muitas dificuldades persistem não por escassez de capacidade, mas por uma relação hesitante com o longo prazo. Também é aqui, nesta atitude, que as lideranças se confirmam ou fragilizam.

Planeamos o detalhe e negligenciamos o horizonte.

Talvez projetar o futuro comece precisamente aí: na recusa de o tratar como uma abstração confortável. Porque o futuro não é um território distante é o lugar onde, inevitavelmente, acabaremos por habitar. 


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Há um traço curioso na forma como olhamos para o futuro: falamos dele como se fosse distante, mas vivemos como se nunca fosse chegar.

Na vida pessoal, essa ilusão tem alguma ternura. Permite-nos adiar decisões, acreditar que haverá sempre tempo para corrigir o rumo. O problema começa quando transportamos essa leveza para as organizações e para os países.

Celebramos frequentemente o desenrascanço como uma espécie de marca identitária portuguesa. E, no entanto, o improviso só me parece admirável quando é excepção. Quando se torna método, deixa de ser talento, passa a ser ausência de estratégia.

Projetar o futuro não é um exercício de imaginação. É, antes de mais, um exercício de atenção. Atenção ao que já está a mudar, ao conhecimento que se produz quase sempre longe do ruído mediático, às transformações que preferimos considerar prematuras apenas porque ainda não nos obrigaram a agir.

Talvez por isso a inteligência artificial continue a ser tratada, em muitos contextos, com uma tranquilidade quase doméstica: “logo se vê”. Mas ver tarde raramente é apenas um problema de calendário: costuma ser um problema de preparação.

Antecipar exige tempo e pensar com tempo tornou-se uma das formas mais discretas de coragem. Obriga a suspender a urgência permanente, a aceitar que nem tudo o que é essencial produz resultados imediatos e, por isso mesmo, leva à construção de uma estratégia para lá da gestão do dia-a-dia.

Não faltam exemplos de empresas criativas, cheias de talento e capazes de respostas rápidas perante a adversidade. Ainda assim, muitas dificuldades persistem não por escassez de capacidade, mas por uma relação hesitante com o longo prazo. Também é aqui, nesta atitude, que as lideranças se confirmam ou fragilizam.

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