
#Conhecimento
Empresas demoram 67 dias a transformar gastos em dinheiro recebido
As empresas estão a demorar mais tempo a transformar o dinheiro que gastam nas operações em dinheiro recebido das vendas. Segundo o relatório anual da Allianz Trade sobre Prazos Médios de Recebimento e Ciclo de Conversão de Caixa, o ciclo global voltou a aumentar em 2025 e situa-se agora nos 67 dias, cerca de três dias acima da média dos últimos dez anos.
O dado parece técnico, embora diga muito sobre a forma como as empresas estão a gerir risco, liquidez e cadeias de abastecimento. O principal fator não está nos prazos de pagamento dos clientes, que se mantiveram relativamente estáveis, nos 56,5 dias. Está nos inventários. De acordo com a Allianz Trade, as empresas estão a afastar-se da lógica just-in-time, assente em eficiência máxima e baixos stocks, e a aproximar-se de uma mentalidade just-in-case, mais defensiva e preparada para choques.
“O indicador Days Inventory Outstanding explica agora quase 80% do nível do CCC”, afirma Maxime Lemerle, analista principal de investigação sobre insolvência na Allianz Trade. Para o responsável, esta evolução reflete uma mudança estrutural: as cadeias de abastecimento já não são desenhadas apenas em função dos custos, mas também da segurança, resiliência e flexibilidade perante incerteza geopolítica, perturbações logísticas e fragmentação do comércio.
Na Europa Ocidental, o Ciclo de Conversão de Caixa aumentou 1,8 dias em 2025, para cerca de 63 dias, invertendo a libertação de caixa registada no ano anterior. A deterioração deveu-se sobretudo ao aumento dos stocks, enquanto os prazos médios de recebimento subiram apenas ligeiramente. A região continua a ser referência global em eficiência, com o CCC mais baixo em 12 dos 20 setores analisados, mas já opera acima da sua média de dez anos.
A fragmentação entre países e setores é uma das leituras mais relevantes do relatório. Espanha registou o maior aumento, com mais 8,3 dias, Itália subiu 3,9 dias e a Alemanha reteve mais liquidez, chegando a 78,7 dias. Do lado setorial, têxtil, papel e químico registaram aumentos associados à acumulação de existências, enquanto eletrónica, maquinaria e equipamento reduziram os respetivos ciclos. A nível global, 12 dos 20 setores analisados aumentaram o CCC.
Para 2026, a Allianz Trade prevê um novo aumento, embora contido. Na Europa Ocidental, o ciclo poderá chegar aos 65 dias, pressionado por nova acumulação de stocks ligada à segurança energética, à resiliência das cadeias de abastecimento e às repercussões do conflito entre os EUA e o Irão. A leitura para as empresas é clara: ter mais stock pode proteger contra falhas e atrasos, mas também prende capital, aumenta necessidades de financiamento e torna a gestão de caixa mais exigente.
(C) Foto de Maxim Hopman na Unsplash

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Empresas demoram 67 dias a transformar gastos em dinheiro recebido
As empresas estão a demorar mais tempo a transformar o dinheiro que gastam nas operações em dinheiro recebido das vendas. Segundo o relatório anual da Allianz Trade sobre Prazos Médios de Recebimento e Ciclo de Conversão de Caixa, o ciclo global voltou a aumentar em 2025 e situa-se agora nos 67 dias, cerca de três dias acima da média dos últimos dez anos.
O dado parece técnico, embora diga muito sobre a forma como as empresas estão a gerir risco, liquidez e cadeias de abastecimento. O principal fator não está nos prazos de pagamento dos clientes, que se mantiveram relativamente estáveis, nos 56,5 dias. Está nos inventários. De acordo com a Allianz Trade, as empresas estão a afastar-se da lógica just-in-time, assente em eficiência máxima e baixos stocks, e a aproximar-se de uma mentalidade just-in-case, mais defensiva e preparada para choques.
“O indicador Days Inventory Outstanding explica agora quase 80% do nível do CCC”, afirma Maxime Lemerle, analista principal de investigação sobre insolvência na Allianz Trade. Para o responsável, esta evolução reflete uma mudança estrutural: as cadeias de abastecimento já não são desenhadas apenas em função dos custos, mas também da segurança, resiliência e flexibilidade perante incerteza geopolítica, perturbações logísticas e fragmentação do comércio.
Na Europa Ocidental, o Ciclo de Conversão de Caixa aumentou 1,8 dias em 2025, para cerca de 63 dias, invertendo a libertação de caixa registada no ano anterior. A deterioração deveu-se sobretudo ao aumento dos stocks, enquanto os prazos médios de recebimento subiram apenas ligeiramente. A região continua a ser referência global em eficiência, com o CCC mais baixo em 12 dos 20 setores analisados, mas já opera acima da sua média de dez anos.
A fragmentação entre países e setores é uma das leituras mais relevantes do relatório. Espanha registou o maior aumento, com mais 8,3 dias, Itália subiu 3,9 dias e a Alemanha reteve mais liquidez, chegando a 78,7 dias. Do lado setorial, têxtil, papel e químico registaram aumentos associados à acumulação de existências, enquanto eletrónica, maquinaria e equipamento reduziram os respetivos ciclos. A nível global, 12 dos 20 setores analisados aumentaram o CCC.
Para 2026, a Allianz Trade prevê um novo aumento, embora contido. Na Europa Ocidental, o ciclo poderá chegar aos 65 dias, pressionado por nova acumulação de stocks ligada à segurança energética, à resiliência das cadeias de abastecimento e às repercussões do conflito entre os EUA e o Irão. A leitura para as empresas é clara: ter mais stock pode proteger contra falhas e atrasos, mas também prende capital, aumenta necessidades de financiamento e torna a gestão de caixa mais exigente.
(C) Foto de Maxim Hopman na Unsplash

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Empresas demoram 67 dias a transformar gastos em dinheiro recebido
As empresas estão a demorar mais tempo a transformar o dinheiro que gastam nas operações em dinheiro recebido das vendas. Segundo o relatório anual da Allianz Trade sobre Prazos Médios de Recebimento e Ciclo de Conversão de Caixa, o ciclo global voltou a aumentar em 2025 e situa-se agora nos 67 dias, cerca de três dias acima da média dos últimos dez anos.
O dado parece técnico, embora diga muito sobre a forma como as empresas estão a gerir risco, liquidez e cadeias de abastecimento. O principal fator não está nos prazos de pagamento dos clientes, que se mantiveram relativamente estáveis, nos 56,5 dias. Está nos inventários. De acordo com a Allianz Trade, as empresas estão a afastar-se da lógica just-in-time, assente em eficiência máxima e baixos stocks, e a aproximar-se de uma mentalidade just-in-case, mais defensiva e preparada para choques.
“O indicador Days Inventory Outstanding explica agora quase 80% do nível do CCC”, afirma Maxime Lemerle, analista principal de investigação sobre insolvência na Allianz Trade. Para o responsável, esta evolução reflete uma mudança estrutural: as cadeias de abastecimento já não são desenhadas apenas em função dos custos, mas também da segurança, resiliência e flexibilidade perante incerteza geopolítica, perturbações logísticas e fragmentação do comércio.
Na Europa Ocidental, o Ciclo de Conversão de Caixa aumentou 1,8 dias em 2025, para cerca de 63 dias, invertendo a libertação de caixa registada no ano anterior. A deterioração deveu-se sobretudo ao aumento dos stocks, enquanto os prazos médios de recebimento subiram apenas ligeiramente. A região continua a ser referência global em eficiência, com o CCC mais baixo em 12 dos 20 setores analisados, mas já opera acima da sua média de dez anos.
A fragmentação entre países e setores é uma das leituras mais relevantes do relatório. Espanha registou o maior aumento, com mais 8,3 dias, Itália subiu 3,9 dias e a Alemanha reteve mais liquidez, chegando a 78,7 dias. Do lado setorial, têxtil, papel e químico registaram aumentos associados à acumulação de existências, enquanto eletrónica, maquinaria e equipamento reduziram os respetivos ciclos. A nível global, 12 dos 20 setores analisados aumentaram o CCC.
Para 2026, a Allianz Trade prevê um novo aumento, embora contido. Na Europa Ocidental, o ciclo poderá chegar aos 65 dias, pressionado por nova acumulação de stocks ligada à segurança energética, à resiliência das cadeias de abastecimento e às repercussões do conflito entre os EUA e o Irão. A leitura para as empresas é clara: ter mais stock pode proteger contra falhas e atrasos, mas também prende capital, aumenta necessidades de financiamento e torna a gestão de caixa mais exigente.
(C) Foto de Maxim Hopman na Unsplash

#Conhecimento
Empresas demoram 67 dias a transformar gastos em dinheiro recebido
As empresas estão a demorar mais tempo a transformar o dinheiro que gastam nas operações em dinheiro recebido das vendas. Segundo o relatório anual da Allianz Trade sobre Prazos Médios de Recebimento e Ciclo de Conversão de Caixa, o ciclo global voltou a aumentar em 2025 e situa-se agora nos 67 dias, cerca de três dias acima da média dos últimos dez anos.
O dado parece técnico, embora diga muito sobre a forma como as empresas estão a gerir risco, liquidez e cadeias de abastecimento. O principal fator não está nos prazos de pagamento dos clientes, que se mantiveram relativamente estáveis, nos 56,5 dias. Está nos inventários. De acordo com a Allianz Trade, as empresas estão a afastar-se da lógica just-in-time, assente em eficiência máxima e baixos stocks, e a aproximar-se de uma mentalidade just-in-case, mais defensiva e preparada para choques.
“O indicador Days Inventory Outstanding explica agora quase 80% do nível do CCC”, afirma Maxime Lemerle, analista principal de investigação sobre insolvência na Allianz Trade. Para o responsável, esta evolução reflete uma mudança estrutural: as cadeias de abastecimento já não são desenhadas apenas em função dos custos, mas também da segurança, resiliência e flexibilidade perante incerteza geopolítica, perturbações logísticas e fragmentação do comércio.
Na Europa Ocidental, o Ciclo de Conversão de Caixa aumentou 1,8 dias em 2025, para cerca de 63 dias, invertendo a libertação de caixa registada no ano anterior. A deterioração deveu-se sobretudo ao aumento dos stocks, enquanto os prazos médios de recebimento subiram apenas ligeiramente. A região continua a ser referência global em eficiência, com o CCC mais baixo em 12 dos 20 setores analisados, mas já opera acima da sua média de dez anos.
A fragmentação entre países e setores é uma das leituras mais relevantes do relatório. Espanha registou o maior aumento, com mais 8,3 dias, Itália subiu 3,9 dias e a Alemanha reteve mais liquidez, chegando a 78,7 dias. Do lado setorial, têxtil, papel e químico registaram aumentos associados à acumulação de existências, enquanto eletrónica, maquinaria e equipamento reduziram os respetivos ciclos. A nível global, 12 dos 20 setores analisados aumentaram o CCC.
Para 2026, a Allianz Trade prevê um novo aumento, embora contido. Na Europa Ocidental, o ciclo poderá chegar aos 65 dias, pressionado por nova acumulação de stocks ligada à segurança energética, à resiliência das cadeias de abastecimento e às repercussões do conflito entre os EUA e o Irão. A leitura para as empresas é clara: ter mais stock pode proteger contra falhas e atrasos, mas também prende capital, aumenta necessidades de financiamento e torna a gestão de caixa mais exigente.




