
#Protagonistas
PEDRO PONTES: "Não basta ter uma boa ideia: é preciso saber comunicá-la, financiá-la e executá-la"
Criar mais um sunset num calendário cheio de festivais e experiências de verão dificilmente seria suficiente. Pedro Pontes partiu dessa evidência para construir o Cascais Atlantic Sunsets como uma marca ligada ao território, onde música, património e paisagem fazem parte do mesmo produto. Um ano depois da estreia, o fundador da Gigs On Mars fala ao MOTIVO sobre diferenciação, risco, marcas e a ambição de tornar o projeto internacional sem perder aquilo que o prende a Cascais.
A segunda edição do Cascais Atlantic Sunsets está, por estes dias, a testar essa ambição. O evento regressou a 8 de agosto, numa primeira data oficialmente esgotada e encabeçada por Kaytranada, e volta ao Forte de Santo António da Barra no dia 15 com Armand Van Helden e Groove Armada em DJ Set, entre outros nomes. Isto depois da estreia, em 2025, quando o projeto ocupou a Marina de Cascais e o Forte de Santo António da Barra com um cartaz que incluiu RY X, Jungle, Carlita, Marten Lou, Parallelle e MXGPU.
A ideia começou, porém, muito antes dos grandes nomes nos cartazes. Natural de Cascais, Pedro Pontes diz ter identificado no concelho uma matéria-prima que dificilmente poderia ser replicada noutro lugar: “O Cascais Atlantic Sunsets nasceu desse encontro entre uma ligação emocional ao território e uma leitura profissional do seu potencial. Não se tratava apenas de encontrar um lugar bonito para fazer um evento, mas de criar um conceito que só pudesse existir aqui”. É essa relação que explica a escolha de espaços pouco habituais no circuito de música eletrónica e uma estratégia que procura transformar a localização numa parte ativa da identidade do evento.

Pedro Pontes lidera a produtora Gigs On Mars, responsável pelo Cascais Atlantic Sunsets
Duas décadas na indústria da música
Pedro Pontes trabalha no setor desde 2005, com experiência em booking, gestão de artistas, promoção e digressões. Ao longo do percurso, cofundou projetos como Magic Box, MBX Agency e Lemon Agency e esteve ligado à representação de artistas como Richie Campbell, Valete, Bárbara Bandeira, Virgul, Blasted Mechanism ou Teresa Salgueiro. Hoje, lidera a Gigs On Mars, promotora e agência sediada em Cascais. “O booking ensinou-me a compreender o momento certo de cada artista e a importância de construir um cartaz com identidade. As digressões ensinaram-me disciplina, capacidade de antecipação e rapidez na resolução de problemas. E a promoção mostrou-me que não basta ter uma boa ideia: é preciso saber comunicá-la, financiá-la e executá-la”.
Esta última parte raramente aparece nas fotografias e entrevistas, mas a verdade é que promover um evento implica fazer conviver criatividade, operação e risco financeiro, três dimensões que, defende Pedro Pontes, precisam de estar alinhadas desde o início. “O lado criativo faz-nos imaginar o que ainda não existe; a gestão financeira obriga-nos a perceber se essa visão é sustentável; e a operação transforma a ideia numa experiência real e segura”. A Gigs On Mars afirma ter uma equipa com experiência acumulada superior a 300 eventos, entre festivais e projetos corporativos.
No Atlantic Sunsets, a resposta ao mercado passa por recusar que o pôr do sol seja, sozinho, o conceito. “Um sunset, por si só, já não é uma proposta diferenciadora. É preciso existir uma razão clara para aquele evento acontecer naquele lugar, com aqueles artistas e daquela forma”, diz. A edição de 2026 mantém um formato de lotação limitada no Forte de Santo António da Barra, que a organização e o Município de Cascais apresentam como uma experiência de proximidade entre público e artistas.

2026 marca a segunda edição do evento, dividido entre os dias 8 e 15 de agosto
A mesma exigência é transportada para a relação com os patrocinadores
Num mercado em que festivais e marcas disputam atenção no mesmo espaço, Pontes defende que a presença comercial só funciona quando deixa de parecer uma interrupção. “Uma parceria ganha valor quando a marca consegue participar na experiência de maneira relevante, acrescentando algo ao público sem interromper aquilo que o levou até ali”. É uma distinção importante: a marca deixa de comprar apenas visibilidade e passa a ter de justificar a presença dentro de uma experiência que o público já escolheu consumir.
Também por isso, a palavra “lifestyle”, tantas vezes aplicada a eventos, ganha aqui uma definição mais concreta. “A música é o centro da experiência, mas não é o seu único elemento. O espaço, a paisagem, a hora do dia, a circulação do público, a oferta de bebidas e restauração, a estética e até o ritmo com que o programa se desenvolve fazem parte da mesma narrativa”.

Kaytranada foi o cabeça de cartaz do primeiro sunset de 2026, no próximo fim de semana será a ver de Groove Armada DJ set
De Cascais para o mundo
O objetivo de Pedro Pontes passa, agora, por transformar essa combinação numa propriedade reconhecível para lá do concelho. A ambição é “tornar-se uma referência internacional sem perder a ligação profunda a Cascais” e contribuir para posicionar o território no circuito das experiências culturais e musicais internacionais. Para o produtor, porém, internacionalizar não significa copiar fórmulas que funcionam noutros mercados: “A ambição internacional não deve resultar de tentar reproduzir um evento que já existe noutro lugar. Deve nascer da identidade do próprio território”.
Queremos saber o que vem a seguir. Num setor onde crescimento costuma significar mais datas, mais público ou recintos maiores, Pedro Pontes prefere outra definição: “Crescer, para nós, não significa necessariamente tornar o evento maior. Significa torná-lo mais relevante, mais consistente e mais desejado, preservando aquilo que o distingue”. Para uma marca com apenas duas edições, essa será também a prova decisiva: descobrir se um pôr do sol em Cascais consegue deixar de ser apenas um bom cenário e tornar-se uma identidade que o público reconhece antes mesmo de saber quem está no cartaz.

#Protagonistas
PEDRO PONTES: "Não basta ter uma boa ideia: é preciso saber comunicá-la, financiá-la e executá-la"
Criar mais um sunset num calendário cheio de festivais e experiências de verão dificilmente seria suficiente. Pedro Pontes partiu dessa evidência para construir o Cascais Atlantic Sunsets como uma marca ligada ao território, onde música, património e paisagem fazem parte do mesmo produto. Um ano depois da estreia, o fundador da Gigs On Mars fala ao MOTIVO sobre diferenciação, risco, marcas e a ambição de tornar o projeto internacional sem perder aquilo que o prende a Cascais.
A segunda edição do Cascais Atlantic Sunsets está, por estes dias, a testar essa ambição. O evento regressou a 8 de agosto, numa primeira data oficialmente esgotada e encabeçada por Kaytranada, e volta ao Forte de Santo António da Barra no dia 15 com Armand Van Helden e Groove Armada em DJ Set, entre outros nomes. Isto depois da estreia, em 2025, quando o projeto ocupou a Marina de Cascais e o Forte de Santo António da Barra com um cartaz que incluiu RY X, Jungle, Carlita, Marten Lou, Parallelle e MXGPU.
A ideia começou, porém, muito antes dos grandes nomes nos cartazes. Natural de Cascais, Pedro Pontes diz ter identificado no concelho uma matéria-prima que dificilmente poderia ser replicada noutro lugar: “O Cascais Atlantic Sunsets nasceu desse encontro entre uma ligação emocional ao território e uma leitura profissional do seu potencial. Não se tratava apenas de encontrar um lugar bonito para fazer um evento, mas de criar um conceito que só pudesse existir aqui”. É essa relação que explica a escolha de espaços pouco habituais no circuito de música eletrónica e uma estratégia que procura transformar a localização numa parte ativa da identidade do evento.

Pedro Pontes lidera a produtora Gigs On Mars, responsável pelo Cascais Atlantic Sunsets
Duas décadas na indústria da música
Pedro Pontes trabalha no setor desde 2005, com experiência em booking, gestão de artistas, promoção e digressões. Ao longo do percurso, cofundou projetos como Magic Box, MBX Agency e Lemon Agency e esteve ligado à representação de artistas como Richie Campbell, Valete, Bárbara Bandeira, Virgul, Blasted Mechanism ou Teresa Salgueiro. Hoje, lidera a Gigs On Mars, promotora e agência sediada em Cascais. “O booking ensinou-me a compreender o momento certo de cada artista e a importância de construir um cartaz com identidade. As digressões ensinaram-me disciplina, capacidade de antecipação e rapidez na resolução de problemas. E a promoção mostrou-me que não basta ter uma boa ideia: é preciso saber comunicá-la, financiá-la e executá-la”.
Esta última parte raramente aparece nas fotografias e entrevistas, mas a verdade é que promover um evento implica fazer conviver criatividade, operação e risco financeiro, três dimensões que, defende Pedro Pontes, precisam de estar alinhadas desde o início. “O lado criativo faz-nos imaginar o que ainda não existe; a gestão financeira obriga-nos a perceber se essa visão é sustentável; e a operação transforma a ideia numa experiência real e segura”. A Gigs On Mars afirma ter uma equipa com experiência acumulada superior a 300 eventos, entre festivais e projetos corporativos.
No Atlantic Sunsets, a resposta ao mercado passa por recusar que o pôr do sol seja, sozinho, o conceito. “Um sunset, por si só, já não é uma proposta diferenciadora. É preciso existir uma razão clara para aquele evento acontecer naquele lugar, com aqueles artistas e daquela forma”, diz. A edição de 2026 mantém um formato de lotação limitada no Forte de Santo António da Barra, que a organização e o Município de Cascais apresentam como uma experiência de proximidade entre público e artistas.

2026 marca a segunda edição do evento, dividido entre os dias 8 e 15 de agosto
A mesma exigência é transportada para a relação com os patrocinadores
Num mercado em que festivais e marcas disputam atenção no mesmo espaço, Pontes defende que a presença comercial só funciona quando deixa de parecer uma interrupção. “Uma parceria ganha valor quando a marca consegue participar na experiência de maneira relevante, acrescentando algo ao público sem interromper aquilo que o levou até ali”. É uma distinção importante: a marca deixa de comprar apenas visibilidade e passa a ter de justificar a presença dentro de uma experiência que o público já escolheu consumir.
Também por isso, a palavra “lifestyle”, tantas vezes aplicada a eventos, ganha aqui uma definição mais concreta. “A música é o centro da experiência, mas não é o seu único elemento. O espaço, a paisagem, a hora do dia, a circulação do público, a oferta de bebidas e restauração, a estética e até o ritmo com que o programa se desenvolve fazem parte da mesma narrativa”.

Kaytranada foi o cabeça de cartaz do primeiro sunset de 2026, no próximo fim de semana será a ver de Groove Armada DJ set
De Cascais para o mundo
O objetivo de Pedro Pontes passa, agora, por transformar essa combinação numa propriedade reconhecível para lá do concelho. A ambição é “tornar-se uma referência internacional sem perder a ligação profunda a Cascais” e contribuir para posicionar o território no circuito das experiências culturais e musicais internacionais. Para o produtor, porém, internacionalizar não significa copiar fórmulas que funcionam noutros mercados: “A ambição internacional não deve resultar de tentar reproduzir um evento que já existe noutro lugar. Deve nascer da identidade do próprio território”.
Queremos saber o que vem a seguir. Num setor onde crescimento costuma significar mais datas, mais público ou recintos maiores, Pedro Pontes prefere outra definição: “Crescer, para nós, não significa necessariamente tornar o evento maior. Significa torná-lo mais relevante, mais consistente e mais desejado, preservando aquilo que o distingue”. Para uma marca com apenas duas edições, essa será também a prova decisiva: descobrir se um pôr do sol em Cascais consegue deixar de ser apenas um bom cenário e tornar-se uma identidade que o público reconhece antes mesmo de saber quem está no cartaz.

#Protagonistas
PEDRO PONTES: "Não basta ter uma boa ideia: é preciso saber comunicá-la, financiá-la e executá-la"
Criar mais um sunset num calendário cheio de festivais e experiências de verão dificilmente seria suficiente. Pedro Pontes partiu dessa evidência para construir o Cascais Atlantic Sunsets como uma marca ligada ao território, onde música, património e paisagem fazem parte do mesmo produto. Um ano depois da estreia, o fundador da Gigs On Mars fala ao MOTIVO sobre diferenciação, risco, marcas e a ambição de tornar o projeto internacional sem perder aquilo que o prende a Cascais.
A segunda edição do Cascais Atlantic Sunsets está, por estes dias, a testar essa ambição. O evento regressou a 8 de agosto, numa primeira data oficialmente esgotada e encabeçada por Kaytranada, e volta ao Forte de Santo António da Barra no dia 15 com Armand Van Helden e Groove Armada em DJ Set, entre outros nomes. Isto depois da estreia, em 2025, quando o projeto ocupou a Marina de Cascais e o Forte de Santo António da Barra com um cartaz que incluiu RY X, Jungle, Carlita, Marten Lou, Parallelle e MXGPU.
A ideia começou, porém, muito antes dos grandes nomes nos cartazes. Natural de Cascais, Pedro Pontes diz ter identificado no concelho uma matéria-prima que dificilmente poderia ser replicada noutro lugar: “O Cascais Atlantic Sunsets nasceu desse encontro entre uma ligação emocional ao território e uma leitura profissional do seu potencial. Não se tratava apenas de encontrar um lugar bonito para fazer um evento, mas de criar um conceito que só pudesse existir aqui”. É essa relação que explica a escolha de espaços pouco habituais no circuito de música eletrónica e uma estratégia que procura transformar a localização numa parte ativa da identidade do evento.

Pedro Pontes lidera a produtora Gigs On Mars, responsável pelo Cascais Atlantic Sunsets
Duas décadas na indústria da música
Pedro Pontes trabalha no setor desde 2005, com experiência em booking, gestão de artistas, promoção e digressões. Ao longo do percurso, cofundou projetos como Magic Box, MBX Agency e Lemon Agency e esteve ligado à representação de artistas como Richie Campbell, Valete, Bárbara Bandeira, Virgul, Blasted Mechanism ou Teresa Salgueiro. Hoje, lidera a Gigs On Mars, promotora e agência sediada em Cascais. “O booking ensinou-me a compreender o momento certo de cada artista e a importância de construir um cartaz com identidade. As digressões ensinaram-me disciplina, capacidade de antecipação e rapidez na resolução de problemas. E a promoção mostrou-me que não basta ter uma boa ideia: é preciso saber comunicá-la, financiá-la e executá-la”.
Esta última parte raramente aparece nas fotografias e entrevistas, mas a verdade é que promover um evento implica fazer conviver criatividade, operação e risco financeiro, três dimensões que, defende Pedro Pontes, precisam de estar alinhadas desde o início. “O lado criativo faz-nos imaginar o que ainda não existe; a gestão financeira obriga-nos a perceber se essa visão é sustentável; e a operação transforma a ideia numa experiência real e segura”. A Gigs On Mars afirma ter uma equipa com experiência acumulada superior a 300 eventos, entre festivais e projetos corporativos.
No Atlantic Sunsets, a resposta ao mercado passa por recusar que o pôr do sol seja, sozinho, o conceito. “Um sunset, por si só, já não é uma proposta diferenciadora. É preciso existir uma razão clara para aquele evento acontecer naquele lugar, com aqueles artistas e daquela forma”, diz. A edição de 2026 mantém um formato de lotação limitada no Forte de Santo António da Barra, que a organização e o Município de Cascais apresentam como uma experiência de proximidade entre público e artistas.

2026 marca a segunda edição do evento, dividido entre os dias 8 e 15 de agosto
A mesma exigência é transportada para a relação com os patrocinadores
Num mercado em que festivais e marcas disputam atenção no mesmo espaço, Pontes defende que a presença comercial só funciona quando deixa de parecer uma interrupção. “Uma parceria ganha valor quando a marca consegue participar na experiência de maneira relevante, acrescentando algo ao público sem interromper aquilo que o levou até ali”. É uma distinção importante: a marca deixa de comprar apenas visibilidade e passa a ter de justificar a presença dentro de uma experiência que o público já escolheu consumir.
Também por isso, a palavra “lifestyle”, tantas vezes aplicada a eventos, ganha aqui uma definição mais concreta. “A música é o centro da experiência, mas não é o seu único elemento. O espaço, a paisagem, a hora do dia, a circulação do público, a oferta de bebidas e restauração, a estética e até o ritmo com que o programa se desenvolve fazem parte da mesma narrativa”.

Kaytranada foi o cabeça de cartaz do primeiro sunset de 2026, no próximo fim de semana será a ver de Groove Armada DJ set
De Cascais para o mundo
O objetivo de Pedro Pontes passa, agora, por transformar essa combinação numa propriedade reconhecível para lá do concelho. A ambição é “tornar-se uma referência internacional sem perder a ligação profunda a Cascais” e contribuir para posicionar o território no circuito das experiências culturais e musicais internacionais. Para o produtor, porém, internacionalizar não significa copiar fórmulas que funcionam noutros mercados: “A ambição internacional não deve resultar de tentar reproduzir um evento que já existe noutro lugar. Deve nascer da identidade do próprio território”.
Queremos saber o que vem a seguir. Num setor onde crescimento costuma significar mais datas, mais público ou recintos maiores, Pedro Pontes prefere outra definição: “Crescer, para nós, não significa necessariamente tornar o evento maior. Significa torná-lo mais relevante, mais consistente e mais desejado, preservando aquilo que o distingue”. Para uma marca com apenas duas edições, essa será também a prova decisiva: descobrir se um pôr do sol em Cascais consegue deixar de ser apenas um bom cenário e tornar-se uma identidade que o público reconhece antes mesmo de saber quem está no cartaz.

#Protagonistas
PEDRO PONTES: "Não basta ter uma boa ideia: é preciso saber comunicá-la, financiá-la e executá-la"
Criar mais um sunset num calendário cheio de festivais e experiências de verão dificilmente seria suficiente. Pedro Pontes partiu dessa evidência para construir o Cascais Atlantic Sunsets como uma marca ligada ao território, onde música, património e paisagem fazem parte do mesmo produto. Um ano depois da estreia, o fundador da Gigs On Mars fala ao MOTIVO sobre diferenciação, risco, marcas e a ambição de tornar o projeto internacional sem perder aquilo que o prende a Cascais.
A segunda edição do Cascais Atlantic Sunsets está, por estes dias, a testar essa ambição. O evento regressou a 8 de agosto, numa primeira data oficialmente esgotada e encabeçada por Kaytranada, e volta ao Forte de Santo António da Barra no dia 15 com Armand Van Helden e Groove Armada em DJ Set, entre outros nomes. Isto depois da estreia, em 2025, quando o projeto ocupou a Marina de Cascais e o Forte de Santo António da Barra com um cartaz que incluiu RY X, Jungle, Carlita, Marten Lou, Parallelle e MXGPU.
A ideia começou, porém, muito antes dos grandes nomes nos cartazes. Natural de Cascais, Pedro Pontes diz ter identificado no concelho uma matéria-prima que dificilmente poderia ser replicada noutro lugar: “O Cascais Atlantic Sunsets nasceu desse encontro entre uma ligação emocional ao território e uma leitura profissional do seu potencial. Não se tratava apenas de encontrar um lugar bonito para fazer um evento, mas de criar um conceito que só pudesse existir aqui”. É essa relação que explica a escolha de espaços pouco habituais no circuito de música eletrónica e uma estratégia que procura transformar a localização numa parte ativa da identidade do evento.

Pedro Pontes lidera a produtora Gigs On Mars, responsável pelo Cascais Atlantic Sunsets
Duas décadas na indústria da música
Pedro Pontes trabalha no setor desde 2005, com experiência em booking, gestão de artistas, promoção e digressões. Ao longo do percurso, cofundou projetos como Magic Box, MBX Agency e Lemon Agency e esteve ligado à representação de artistas como Richie Campbell, Valete, Bárbara Bandeira, Virgul, Blasted Mechanism ou Teresa Salgueiro. Hoje, lidera a Gigs On Mars, promotora e agência sediada em Cascais. “O booking ensinou-me a compreender o momento certo de cada artista e a importância de construir um cartaz com identidade. As digressões ensinaram-me disciplina, capacidade de antecipação e rapidez na resolução de problemas. E a promoção mostrou-me que não basta ter uma boa ideia: é preciso saber comunicá-la, financiá-la e executá-la”.
Esta última parte raramente aparece nas fotografias e entrevistas, mas a verdade é que promover um evento implica fazer conviver criatividade, operação e risco financeiro, três dimensões que, defende Pedro Pontes, precisam de estar alinhadas desde o início. “O lado criativo faz-nos imaginar o que ainda não existe; a gestão financeira obriga-nos a perceber se essa visão é sustentável; e a operação transforma a ideia numa experiência real e segura”. A Gigs On Mars afirma ter uma equipa com experiência acumulada superior a 300 eventos, entre festivais e projetos corporativos.
No Atlantic Sunsets, a resposta ao mercado passa por recusar que o pôr do sol seja, sozinho, o conceito. “Um sunset, por si só, já não é uma proposta diferenciadora. É preciso existir uma razão clara para aquele evento acontecer naquele lugar, com aqueles artistas e daquela forma”, diz. A edição de 2026 mantém um formato de lotação limitada no Forte de Santo António da Barra, que a organização e o Município de Cascais apresentam como uma experiência de proximidade entre público e artistas.

2026 marca a segunda edição do evento, dividido entre os dias 8 e 15 de agosto
A mesma exigência é transportada para a relação com os patrocinadores
Num mercado em que festivais e marcas disputam atenção no mesmo espaço, Pontes defende que a presença comercial só funciona quando deixa de parecer uma interrupção. “Uma parceria ganha valor quando a marca consegue participar na experiência de maneira relevante, acrescentando algo ao público sem interromper aquilo que o levou até ali”. É uma distinção importante: a marca deixa de comprar apenas visibilidade e passa a ter de justificar a presença dentro de uma experiência que o público já escolheu consumir.
Também por isso, a palavra “lifestyle”, tantas vezes aplicada a eventos, ganha aqui uma definição mais concreta. “A música é o centro da experiência, mas não é o seu único elemento. O espaço, a paisagem, a hora do dia, a circulação do público, a oferta de bebidas e restauração, a estética e até o ritmo com que o programa se desenvolve fazem parte da mesma narrativa”.

Kaytranada foi o cabeça de cartaz do primeiro sunset de 2026, no próximo fim de semana será a ver de Groove Armada DJ set
De Cascais para o mundo
O objetivo de Pedro Pontes passa, agora, por transformar essa combinação numa propriedade reconhecível para lá do concelho. A ambição é “tornar-se uma referência internacional sem perder a ligação profunda a Cascais” e contribuir para posicionar o território no circuito das experiências culturais e musicais internacionais. Para o produtor, porém, internacionalizar não significa copiar fórmulas que funcionam noutros mercados: “A ambição internacional não deve resultar de tentar reproduzir um evento que já existe noutro lugar. Deve nascer da identidade do próprio território”.
Queremos saber o que vem a seguir. Num setor onde crescimento costuma significar mais datas, mais público ou recintos maiores, Pedro Pontes prefere outra definição: “Crescer, para nós, não significa necessariamente tornar o evento maior. Significa torná-lo mais relevante, mais consistente e mais desejado, preservando aquilo que o distingue”. Para uma marca com apenas duas edições, essa será também a prova decisiva: descobrir se um pôr do sol em Cascais consegue deixar de ser apenas um bom cenário e tornar-se uma identidade que o público reconhece antes mesmo de saber quem está no cartaz.




