
#Protagonistas
Seis perguntas a Maria Cláudia Rodrigues
A jornalista e produtora de televisão acaba de lançar o seu segundo livro, A Conta que Deus Fez, um mergulho mais profundo na ficção, já à venda. O lançamento será dia 24, na livraria Ler Devagar, no Lx Factory, em Lisboa, às 18h30.
O teu segundo livro, A Conta que Deus Fez acaba de chegar às bancas. Que história é esta?
MARIA CLÁUDIA RODRIGUES — Esta é a história de alguém que procura saber quem é. A Luísa, a personagem central do livro, é orfã e procura a identidade através do passado da mãe. Ela sabe que, nesse passado, há um segredo. E tem, forçosamente, que descobrir que segredo é esse para se conhecer a si própria. Mas Luísa também se arrisca, com a busca, a pôr em causa a imagem idealizada da mãe. É um romance que nos põe à prova. Vale a pena procurar algo que nos pode magoar? O que fica depois da verdade? Este é um livro que também versa sobre a forma como a justiça lidava - ou não lidava - com os crimes cometidos contra as mulheres, no último terço do século XX.

Como foi a escrita deste novo livro, em comparação com o anterior? Sentiste mais pressão ou mais controlo do método?
M.C.R. — Foi totalmente diferente, na medida em que o primeiro livro é baseado numa história real. Neste segundo, a história parte de um caso que conheci enquanto jornalista, mas todo o miolo resulta da minha imaginação. Foi uma escrita mais descomprometida, naturalmente, ainda que soubesse, desde logo, como seria o desfecho.
Enquanto jornalista, a vida real, as histórias reais, são o teu objeto de trabalho há muitos anos. Como foi abrir a porta à ficção, desta vez, de forma mais assumida?
M.C.R. — Alguns dos casos com que me confronto no meu dia-a-dia profissional parecem irreais, de tão avassaladores. Acho que não consigo ficcionar se me desligar da realidade. Por exemplo: o cenário onde se desenrola a narrativa deste segundo livro, é um dos palcos da minha infância. Não é assumido no livro, mas trata-se de uma aldeia do planalto transmontano, onde passei parte da minha infância. Talvez por isso, o livro possa ser confundido com auto-ficção.
"Em termos narratológicos, não aprecio as narrativas certinhas"
A narrativa — e a Narratologia! — são basilares no teu trabalho literário. Consegues guiar-nos sobre o teu processo de depuração de uma história?
M.C.R. — Há eixos que são fundamentais. As personagens; o início e o desfecho da narrativa são definidos a priori. Depois, é deixar a imaginação fluir. Em termos narratológicos, não aprecio as narrativas certinhas. Gosto de “jogar” com o espaço e o tempo. Não gosto de cronologias certinhas. Acho que uma linha temporal indefinida pode ser mais apelativa ao leitor. Tempo e espaço: dois princípios basilares da Narratologia. E tanto haveria a dizer sobre isto…
Este novo livro marca, também, uma mudança de editora. Enquanto autora, como viveste esse período?
M.C.R. — O livro foi escrito de forma serena, a pedido da anterior editora. Mas quando, finalmente, terminei, em abril do ano passado, tive uma surpresa desagradável. Inesperadamente, a editora não foi lendo os rascunhos e não estava preparada para acolher o meu livro. Sugeriu, inclusivamente, cortes absurdos. E ficamos por aqui…
O audiovisual é o teu território profissional e isso acaba por se refletir em alguns momentos da tua escrita. Já pensaste em transformar os teus livros em séries ou filmes?
M.C.R. — É totalmente verdade: andei anos a aprimorar a técnica da concisão por causa da Televisão e não consigo escrever capítulos longos… Nunca pensei em transformar os livros em séries ou filmes porque, na verdade, no campo do meu trabalho audiovisual, a minha matéria-prima são as histórias reais. Nunca fiz ficção. Curiosamente, nunca senti essa atracção. Nem sei se teria jeito para isso… Mas nunca se sabe. O futuro é uma página em branco. Graças a Deus.

#Protagonistas
Seis perguntas a Maria Cláudia Rodrigues
A jornalista e produtora de televisão acaba de lançar o seu segundo livro, A Conta que Deus Fez, um mergulho mais profundo na ficção, já à venda. O lançamento será dia 24, na livraria Ler Devagar, no Lx Factory, em Lisboa, às 18h30.
O teu segundo livro, A Conta que Deus Fez acaba de chegar às bancas. Que história é esta?
MARIA CLÁUDIA RODRIGUES — Esta é a história de alguém que procura saber quem é. A Luísa, a personagem central do livro, é orfã e procura a identidade através do passado da mãe. Ela sabe que, nesse passado, há um segredo. E tem, forçosamente, que descobrir que segredo é esse para se conhecer a si própria. Mas Luísa também se arrisca, com a busca, a pôr em causa a imagem idealizada da mãe. É um romance que nos põe à prova. Vale a pena procurar algo que nos pode magoar? O que fica depois da verdade? Este é um livro que também versa sobre a forma como a justiça lidava - ou não lidava - com os crimes cometidos contra as mulheres, no último terço do século XX.

Como foi a escrita deste novo livro, em comparação com o anterior? Sentiste mais pressão ou mais controlo do método?
M.C.R. — Foi totalmente diferente, na medida em que o primeiro livro é baseado numa história real. Neste segundo, a história parte de um caso que conheci enquanto jornalista, mas todo o miolo resulta da minha imaginação. Foi uma escrita mais descomprometida, naturalmente, ainda que soubesse, desde logo, como seria o desfecho.
Enquanto jornalista, a vida real, as histórias reais, são o teu objeto de trabalho há muitos anos. Como foi abrir a porta à ficção, desta vez, de forma mais assumida?
M.C.R. — Alguns dos casos com que me confronto no meu dia-a-dia profissional parecem irreais, de tão avassaladores. Acho que não consigo ficcionar se me desligar da realidade. Por exemplo: o cenário onde se desenrola a narrativa deste segundo livro, é um dos palcos da minha infância. Não é assumido no livro, mas trata-se de uma aldeia do planalto transmontano, onde passei parte da minha infância. Talvez por isso, o livro possa ser confundido com auto-ficção.
"Em termos narratológicos, não aprecio as narrativas certinhas"
A narrativa — e a Narratologia! — são basilares no teu trabalho literário. Consegues guiar-nos sobre o teu processo de depuração de uma história?
M.C.R. — Há eixos que são fundamentais. As personagens; o início e o desfecho da narrativa são definidos a priori. Depois, é deixar a imaginação fluir. Em termos narratológicos, não aprecio as narrativas certinhas. Gosto de “jogar” com o espaço e o tempo. Não gosto de cronologias certinhas. Acho que uma linha temporal indefinida pode ser mais apelativa ao leitor. Tempo e espaço: dois princípios basilares da Narratologia. E tanto haveria a dizer sobre isto…
Este novo livro marca, também, uma mudança de editora. Enquanto autora, como viveste esse período?
M.C.R. — O livro foi escrito de forma serena, a pedido da anterior editora. Mas quando, finalmente, terminei, em abril do ano passado, tive uma surpresa desagradável. Inesperadamente, a editora não foi lendo os rascunhos e não estava preparada para acolher o meu livro. Sugeriu, inclusivamente, cortes absurdos. E ficamos por aqui…
O audiovisual é o teu território profissional e isso acaba por se refletir em alguns momentos da tua escrita. Já pensaste em transformar os teus livros em séries ou filmes?
M.C.R. — É totalmente verdade: andei anos a aprimorar a técnica da concisão por causa da Televisão e não consigo escrever capítulos longos… Nunca pensei em transformar os livros em séries ou filmes porque, na verdade, no campo do meu trabalho audiovisual, a minha matéria-prima são as histórias reais. Nunca fiz ficção. Curiosamente, nunca senti essa atracção. Nem sei se teria jeito para isso… Mas nunca se sabe. O futuro é uma página em branco. Graças a Deus.

#Protagonistas
Seis perguntas a Maria Cláudia Rodrigues
A jornalista e produtora de televisão acaba de lançar o seu segundo livro, A Conta que Deus Fez, um mergulho mais profundo na ficção, já à venda. O lançamento será dia 24, na livraria Ler Devagar, no Lx Factory, em Lisboa, às 18h30.
O teu segundo livro, A Conta que Deus Fez acaba de chegar às bancas. Que história é esta?
MARIA CLÁUDIA RODRIGUES — Esta é a história de alguém que procura saber quem é. A Luísa, a personagem central do livro, é orfã e procura a identidade através do passado da mãe. Ela sabe que, nesse passado, há um segredo. E tem, forçosamente, que descobrir que segredo é esse para se conhecer a si própria. Mas Luísa também se arrisca, com a busca, a pôr em causa a imagem idealizada da mãe. É um romance que nos põe à prova. Vale a pena procurar algo que nos pode magoar? O que fica depois da verdade? Este é um livro que também versa sobre a forma como a justiça lidava - ou não lidava - com os crimes cometidos contra as mulheres, no último terço do século XX.

Como foi a escrita deste novo livro, em comparação com o anterior? Sentiste mais pressão ou mais controlo do método?
M.C.R. — Foi totalmente diferente, na medida em que o primeiro livro é baseado numa história real. Neste segundo, a história parte de um caso que conheci enquanto jornalista, mas todo o miolo resulta da minha imaginação. Foi uma escrita mais descomprometida, naturalmente, ainda que soubesse, desde logo, como seria o desfecho.
Enquanto jornalista, a vida real, as histórias reais, são o teu objeto de trabalho há muitos anos. Como foi abrir a porta à ficção, desta vez, de forma mais assumida?
M.C.R. — Alguns dos casos com que me confronto no meu dia-a-dia profissional parecem irreais, de tão avassaladores. Acho que não consigo ficcionar se me desligar da realidade. Por exemplo: o cenário onde se desenrola a narrativa deste segundo livro, é um dos palcos da minha infância. Não é assumido no livro, mas trata-se de uma aldeia do planalto transmontano, onde passei parte da minha infância. Talvez por isso, o livro possa ser confundido com auto-ficção.
"Em termos narratológicos, não aprecio as narrativas certinhas"
A narrativa — e a Narratologia! — são basilares no teu trabalho literário. Consegues guiar-nos sobre o teu processo de depuração de uma história?
M.C.R. — Há eixos que são fundamentais. As personagens; o início e o desfecho da narrativa são definidos a priori. Depois, é deixar a imaginação fluir. Em termos narratológicos, não aprecio as narrativas certinhas. Gosto de “jogar” com o espaço e o tempo. Não gosto de cronologias certinhas. Acho que uma linha temporal indefinida pode ser mais apelativa ao leitor. Tempo e espaço: dois princípios basilares da Narratologia. E tanto haveria a dizer sobre isto…
Este novo livro marca, também, uma mudança de editora. Enquanto autora, como viveste esse período?
M.C.R. — O livro foi escrito de forma serena, a pedido da anterior editora. Mas quando, finalmente, terminei, em abril do ano passado, tive uma surpresa desagradável. Inesperadamente, a editora não foi lendo os rascunhos e não estava preparada para acolher o meu livro. Sugeriu, inclusivamente, cortes absurdos. E ficamos por aqui…
O audiovisual é o teu território profissional e isso acaba por se refletir em alguns momentos da tua escrita. Já pensaste em transformar os teus livros em séries ou filmes?
M.C.R. — É totalmente verdade: andei anos a aprimorar a técnica da concisão por causa da Televisão e não consigo escrever capítulos longos… Nunca pensei em transformar os livros em séries ou filmes porque, na verdade, no campo do meu trabalho audiovisual, a minha matéria-prima são as histórias reais. Nunca fiz ficção. Curiosamente, nunca senti essa atracção. Nem sei se teria jeito para isso… Mas nunca se sabe. O futuro é uma página em branco. Graças a Deus.

#Protagonistas
Seis perguntas a Maria Cláudia Rodrigues
A jornalista e produtora de televisão acaba de lançar o seu segundo livro, A Conta que Deus Fez, um mergulho mais profundo na ficção, já à venda. O lançamento será dia 24, na livraria Ler Devagar, no Lx Factory, em Lisboa, às 18h30.
O teu segundo livro, A Conta que Deus Fez acaba de chegar às bancas. Que história é esta?
MARIA CLÁUDIA RODRIGUES — Esta é a história de alguém que procura saber quem é. A Luísa, a personagem central do livro, é orfã e procura a identidade através do passado da mãe. Ela sabe que, nesse passado, há um segredo. E tem, forçosamente, que descobrir que segredo é esse para se conhecer a si própria. Mas Luísa também se arrisca, com a busca, a pôr em causa a imagem idealizada da mãe. É um romance que nos põe à prova. Vale a pena procurar algo que nos pode magoar? O que fica depois da verdade? Este é um livro que também versa sobre a forma como a justiça lidava - ou não lidava - com os crimes cometidos contra as mulheres, no último terço do século XX.

Como foi a escrita deste novo livro, em comparação com o anterior? Sentiste mais pressão ou mais controlo do método?
M.C.R. — Foi totalmente diferente, na medida em que o primeiro livro é baseado numa história real. Neste segundo, a história parte de um caso que conheci enquanto jornalista, mas todo o miolo resulta da minha imaginação. Foi uma escrita mais descomprometida, naturalmente, ainda que soubesse, desde logo, como seria o desfecho.
Enquanto jornalista, a vida real, as histórias reais, são o teu objeto de trabalho há muitos anos. Como foi abrir a porta à ficção, desta vez, de forma mais assumida?
M.C.R. — Alguns dos casos com que me confronto no meu dia-a-dia profissional parecem irreais, de tão avassaladores. Acho que não consigo ficcionar se me desligar da realidade. Por exemplo: o cenário onde se desenrola a narrativa deste segundo livro, é um dos palcos da minha infância. Não é assumido no livro, mas trata-se de uma aldeia do planalto transmontano, onde passei parte da minha infância. Talvez por isso, o livro possa ser confundido com auto-ficção.
"Em termos narratológicos, não aprecio as narrativas certinhas"
A narrativa — e a Narratologia! — são basilares no teu trabalho literário. Consegues guiar-nos sobre o teu processo de depuração de uma história?
M.C.R. — Há eixos que são fundamentais. As personagens; o início e o desfecho da narrativa são definidos a priori. Depois, é deixar a imaginação fluir. Em termos narratológicos, não aprecio as narrativas certinhas. Gosto de “jogar” com o espaço e o tempo. Não gosto de cronologias certinhas. Acho que uma linha temporal indefinida pode ser mais apelativa ao leitor. Tempo e espaço: dois princípios basilares da Narratologia. E tanto haveria a dizer sobre isto…
Este novo livro marca, também, uma mudança de editora. Enquanto autora, como viveste esse período?
M.C.R. — O livro foi escrito de forma serena, a pedido da anterior editora. Mas quando, finalmente, terminei, em abril do ano passado, tive uma surpresa desagradável. Inesperadamente, a editora não foi lendo os rascunhos e não estava preparada para acolher o meu livro. Sugeriu, inclusivamente, cortes absurdos. E ficamos por aqui…
O audiovisual é o teu território profissional e isso acaba por se refletir em alguns momentos da tua escrita. Já pensaste em transformar os teus livros em séries ou filmes?
M.C.R. — É totalmente verdade: andei anos a aprimorar a técnica da concisão por causa da Televisão e não consigo escrever capítulos longos… Nunca pensei em transformar os livros em séries ou filmes porque, na verdade, no campo do meu trabalho audiovisual, a minha matéria-prima são as histórias reais. Nunca fiz ficção. Curiosamente, nunca senti essa atracção. Nem sei se teria jeito para isso… Mas nunca se sabe. O futuro é uma página em branco. Graças a Deus.



