
#Protagonistas
Dupla de criativos portugueses é referência em Londres
Os designers Mafalda Bernardo e David Cardoso deixaram Portugal, há mais de 10 anos, em direção ao Reino Unido. Nos últimos anos, foram parte ativa em campanhas e no crescimento internacional da marca Joe & The Juice. Em 2025 fundaram o próprio estúdio criativo e não prescindem do trabalho em dupla.
O que vos levou a sair de Portugal e a escolher Londres como cidade para se dedicarem ao vosso trabalho criativo?
Desde bastante cedo sentimos que o panorama criativo em Portugal não estava pronto para jovens criativos ou talento emergente. Além disso, sempre quisemos estar mais perto de onde tudo estava a acontecer e onde a inovação era prioridade. Sempre estivemos muito ligados à cultura, à música, à arte e ao design, e queríamos estar no centro dessa energia. Londres parecia um sítio onde a indústria criativa não só existia, como estava constantemente a evoluir e a testar limites. Para o David, a ideia passava quase sempre por Londres ou Nova Iorque, e Londres acabou por fazer mais sentido, por ser internacional, intensa e ao mesmo tempo com algumas conexões familiares. Já tínhamos estado em Londres antes e sentíamos uma ligação natural à cidade. Quando se tornou claro que os percursos criativos que queríamos seguir não existiam exatamente da forma que procurávamos em Portugal, a decisão tornou-se óbvia. Londres acabou por ser o lugar onde ambição, cultura e oportunidade se cruzaram, e onde pudemos começar a construir o nosso percurso profissional.
Trabalhar com limitações tornou-nos mais ágeis
Nos últimos anos têm tido um papel essencial na criatividade da JOE & THE JUICE. Como tem sido trabalhar essa marca e quais os projetos que mais se orgulham de ter feito nesse âmbito?
Entrámos na JOE & THE JUICE numa fase muito inicial do crescimento da marca. Acabámos por liderar a construção do departamento criativo praticamente desde o início, num contexto muito aberto ao risco e à experimentação. Apesar de não ser uma marca nova, funcionava como uma startup. Havia espaço para testar ideias, assumir responsabilidade e trabalhar criatividade a vários níveis, desde identidade visual e design até direção criativa, campanhas e produção. Trabalhámos tanto em projetos globais como locais, o que nos deu uma visão muito clara de como uma marca escala internacionalmente. Vimos a empresa crescer de forma exponencial durante esse período e sentimos que fizemos parte ativa dessa evolução. Em termos de projetos, destacamos a campanha global com o Nick Kyrgios, onde acompanhámos todo o processo do conceito ao lançamento, e a campanha Just Dropped, mais local e com um orçamento reduzido, mas com forte impacto cultural. Trabalhar com limitações tornou-nos mais ágeis e levou muitas vezes a soluções mais interessantes. Mais do que projetos isolados, o mais marcante foi termos acompanhado e ajudado a construir o crescimento global da marca ao longo do tempo.
Lançaram recentemente o vosso estúdio criativo, o Vitamins Studio. O que significa este passo?
Mais do que um “salto”, o Vitamins foi uma progressão natural. Fizemos freelance, trabalhámos em agência, trabalhámos do lado do cliente, e sempre funcionámos muito como uma dupla, com uma visão e uma forma de trabalhar muito próprias. A certa altura, fazia simplesmente sentido juntar tudo isso numa estrutura só. O Vitamins é o veículo que nos permite escolher os projetos que nos entusiasmam, trabalhar com as marcas com quem nos identificamos e abordar cada desafio da forma que mais nos realiza. A variedade de contextos manteve-se, mas agora de forma mais intencional e estruturada. Levamos connosco tudo o que aprendemos ao longo dos anos, especialmente a experiência do lado do cliente. Isso deu-nos uma perspetiva muito clara sobre como gostamos de colaborar e aplicar esse conhecimento no nosso próprio estúdio.
A confiança mútua permite-nos levar os projetos mais longe
Sentem que ser uma dupla, em vez de trabalharem individualmente, influencia a vossa linguagem visual ou o processo criativo?
Sim, imenso. Estudamos e trabalhamos juntos há muitos anos e o processo tornou-se muito natural. Partilhamos curiosidade, vontade de experimentar e entusiasmo pelo ato de criar. A colaboração permite-nos resolver problemas de forma mais interessante. Quando surge uma limitação, a conversa entre os dois leva quase sempre a soluções mais originais. Temos competências diferentes que se complementam, o que eleva o resultado final. Também não temos exatamente a mesma estética. Cada um traz referências e sensibilidades distintas, e o que surge no meio é algo novo, que não existiria individualmente. Há projetos onde um lidera mais e outros onde os papéis se invertem, mas há sempre uma compreensão clara do que o outro está a tentar fazer.
Como se complementam?
De forma muito natural, sinceramente. Temos focos diferentes, estilos diferentes, talentos diferentes, o que cria um bom equilíbrio entre visão, detalhe e execução. Dependendo do projeto, um pode liderar mais e o outro complementar, mas há sempre alinhamento sobre o objetivo e o caminho a seguir. Essa confiança mútua permite-nos levar os projetos mais longe.
Existe algo da vossa identidade portuguesa nos projetos que desenvolvem no contexto britânico?
Não de forma direta ou consciente. Não há nada no nosso trabalho que possamos apontar como claramente português. A nossa carreira formou-se maioritariamente no Reino Unido e num contexto internacional. Ainda assim, é impossível ignorar o facto de termos crescido, vivido e estudado em Portugal durante muitos anos. Isso influencia inevitavelmente a forma como pensamos e trabalhamos. A nossa formação artística em Portugal era muito focada no lado poético, conceptual e no valor do processo, e isso acaba por permanecer de forma subtil.
Um contexto competitivo foi sempre a nossa realidade profissional
Quais foram os maiores desafios profissionais que enfrentaram até agora?
Começámos como toda a gente começa: a aprender fazendo. O desafio nunca foi “chegar”, mas crescer de forma consistente à medida que a responsabilidade aumentava. Além disso, a realidade do mercado versus o que estudamos, nem sempre está a par, especialmente nos anos em que entramos na indústria em que a social media landscape estava a evoluir bem mais rápido do que os conteúdos que estudávamos, isso em si foi um desafio mas muito cool ao mesmo tempo. Trabalhar em contextos com ritmo urgente e expostos a muita visibilidade obrigou-nos a ganhar coragem e confiança, tomar decisões rápidas, assumir erros e melhorar depressa. Com o tempo, o desafio passou a ser manter qualidade, curiosidade e entusiasmo, sem cair em fórmulas fáceis.
Trabalhar num mercado mais competitivo mudou a vossa forma de pensar design?
Um contexto competitivo foi sempre a nossa realidade profissional. Ainda assim, começar a carreira num mercado exigente moldou bastante a forma como pensamos o design. Percebemos cedo que há muito mais em jogo do que fazer algo visualmente bonito. O design precisa de comunicar, cumprir um objetivo e criar valor real. A pergunta deixa de ser “é perfeito?” e passa a ser “isto resolve o problema?”. Isso tornou o nosso pensamento criativo mais completo e mais ligado à realidade.
Há alguma diferença clara entre a forma como os clientes em Portugal e no Reino Unido encaram o trabalho criativo?
Hoje sentimos menos diferenças do que no passado. Já trabalhámos com clientes portugueses, britânicos e de outras nacionalidades, e a abordagem ao trabalho criativo está cada vez mais alinhada. A nossa experiência recente com clientes portugueses tem sido muito positiva e próxima daquilo que vivemos noutros mercados, o que reflete uma cena criativa cada vez mais madura.
O que vos inspira atualmente?
Não partimos de referências fixas. A inspiração vem do quotidiano: cultura, música, moda, cinema, livros, internet, conversas. Não nos interessa seguir tendências de forma literal. Procuramos trabalho que se sinta atual, mas que também tenha familiaridade e duração. Quando criamos marcas, pensamos em longevidade. Quando fazemos campanhas, ligamo-nos ao momento cultural certo. O facto de trabalharmos em modo de dupla ajuda a cruzar tudo isso e a chegar a algo novo.
Olhamos para a cena criativa portuguesa com muito entusiasmo
Além do JOE & THE JUICE, têm algum projeto em particular que considerem um marco no vosso percurso até agora? Porquê?
O MOTIVO é um projeto especial para nós. É um projeto do Xavier do Tomás, com uma visão muito clara desde o início, para o qual fomos convidados a contribuir na definição da identidade visual e da abordagem gráfica da marca. Houve um alinhamento imediato com a visão do projeto e um interesse genuíno em fazer parte do que estava a ser construído. Também teve um significado especial por ter sido um dos primeiros projetos desenvolvidos oficialmente através do Vitamins, e ainda por cima num contexto português.
Como olham para a cena criativa portuguesa hoje em dia?
Olhamos com muito entusiasmo. Tem estado a crescer imenso, especialmente nos últimos 5-10 anos, e em várias áreas. Tentamos acompanhar e estar envolvidos de perto o máximo que conseguimos. Portugal é casa para nós e temos uma ligação muito forte. Sempre que surge a oportunidade de desenvolver projetos ligados ao mercado português, isso entusiasma-nos genuinamente e é algo que gostaríamos de aprofundar cada vez mais.
Qual o maior erro e qual a maior aprendizagem que podem partilhar com aspirantes a criativos?
Um erro comum é esquecer que design existe para resolver problemas, não apenas para criar algo visualmente interessante. A maior aprendizagem é perceber que cada fase da carreira tem valor. Não vale a pena saltar etapas à pressa. Manter curiosidade, ambição e vontade de aprender é essencial, mas crescer bem é tão importante como crescer rápido.

#Protagonistas
Dupla de criativos portugueses é referência em Londres
Os designers Mafalda Bernardo e David Cardoso deixaram Portugal, há mais de 10 anos, em direção ao Reino Unido. Nos últimos anos, foram parte ativa em campanhas e no crescimento internacional da marca Joe & The Juice. Em 2025 fundaram o próprio estúdio criativo e não prescindem do trabalho em dupla.
O que vos levou a sair de Portugal e a escolher Londres como cidade para se dedicarem ao vosso trabalho criativo?
Desde bastante cedo sentimos que o panorama criativo em Portugal não estava pronto para jovens criativos ou talento emergente. Além disso, sempre quisemos estar mais perto de onde tudo estava a acontecer e onde a inovação era prioridade. Sempre estivemos muito ligados à cultura, à música, à arte e ao design, e queríamos estar no centro dessa energia. Londres parecia um sítio onde a indústria criativa não só existia, como estava constantemente a evoluir e a testar limites. Para o David, a ideia passava quase sempre por Londres ou Nova Iorque, e Londres acabou por fazer mais sentido, por ser internacional, intensa e ao mesmo tempo com algumas conexões familiares. Já tínhamos estado em Londres antes e sentíamos uma ligação natural à cidade. Quando se tornou claro que os percursos criativos que queríamos seguir não existiam exatamente da forma que procurávamos em Portugal, a decisão tornou-se óbvia. Londres acabou por ser o lugar onde ambição, cultura e oportunidade se cruzaram, e onde pudemos começar a construir o nosso percurso profissional.
Trabalhar com limitações tornou-nos mais ágeis
Nos últimos anos têm tido um papel essencial na criatividade da JOE & THE JUICE. Como tem sido trabalhar essa marca e quais os projetos que mais se orgulham de ter feito nesse âmbito?
Entrámos na JOE & THE JUICE numa fase muito inicial do crescimento da marca. Acabámos por liderar a construção do departamento criativo praticamente desde o início, num contexto muito aberto ao risco e à experimentação. Apesar de não ser uma marca nova, funcionava como uma startup. Havia espaço para testar ideias, assumir responsabilidade e trabalhar criatividade a vários níveis, desde identidade visual e design até direção criativa, campanhas e produção. Trabalhámos tanto em projetos globais como locais, o que nos deu uma visão muito clara de como uma marca escala internacionalmente. Vimos a empresa crescer de forma exponencial durante esse período e sentimos que fizemos parte ativa dessa evolução. Em termos de projetos, destacamos a campanha global com o Nick Kyrgios, onde acompanhámos todo o processo do conceito ao lançamento, e a campanha Just Dropped, mais local e com um orçamento reduzido, mas com forte impacto cultural. Trabalhar com limitações tornou-nos mais ágeis e levou muitas vezes a soluções mais interessantes. Mais do que projetos isolados, o mais marcante foi termos acompanhado e ajudado a construir o crescimento global da marca ao longo do tempo.
Lançaram recentemente o vosso estúdio criativo, o Vitamins Studio. O que significa este passo?
Mais do que um “salto”, o Vitamins foi uma progressão natural. Fizemos freelance, trabalhámos em agência, trabalhámos do lado do cliente, e sempre funcionámos muito como uma dupla, com uma visão e uma forma de trabalhar muito próprias. A certa altura, fazia simplesmente sentido juntar tudo isso numa estrutura só. O Vitamins é o veículo que nos permite escolher os projetos que nos entusiasmam, trabalhar com as marcas com quem nos identificamos e abordar cada desafio da forma que mais nos realiza. A variedade de contextos manteve-se, mas agora de forma mais intencional e estruturada. Levamos connosco tudo o que aprendemos ao longo dos anos, especialmente a experiência do lado do cliente. Isso deu-nos uma perspetiva muito clara sobre como gostamos de colaborar e aplicar esse conhecimento no nosso próprio estúdio.
A confiança mútua permite-nos levar os projetos mais longe
Sentem que ser uma dupla, em vez de trabalharem individualmente, influencia a vossa linguagem visual ou o processo criativo?
Sim, imenso. Estudamos e trabalhamos juntos há muitos anos e o processo tornou-se muito natural. Partilhamos curiosidade, vontade de experimentar e entusiasmo pelo ato de criar. A colaboração permite-nos resolver problemas de forma mais interessante. Quando surge uma limitação, a conversa entre os dois leva quase sempre a soluções mais originais. Temos competências diferentes que se complementam, o que eleva o resultado final. Também não temos exatamente a mesma estética. Cada um traz referências e sensibilidades distintas, e o que surge no meio é algo novo, que não existiria individualmente. Há projetos onde um lidera mais e outros onde os papéis se invertem, mas há sempre uma compreensão clara do que o outro está a tentar fazer.
Como se complementam?
De forma muito natural, sinceramente. Temos focos diferentes, estilos diferentes, talentos diferentes, o que cria um bom equilíbrio entre visão, detalhe e execução. Dependendo do projeto, um pode liderar mais e o outro complementar, mas há sempre alinhamento sobre o objetivo e o caminho a seguir. Essa confiança mútua permite-nos levar os projetos mais longe.
Existe algo da vossa identidade portuguesa nos projetos que desenvolvem no contexto britânico?
Não de forma direta ou consciente. Não há nada no nosso trabalho que possamos apontar como claramente português. A nossa carreira formou-se maioritariamente no Reino Unido e num contexto internacional. Ainda assim, é impossível ignorar o facto de termos crescido, vivido e estudado em Portugal durante muitos anos. Isso influencia inevitavelmente a forma como pensamos e trabalhamos. A nossa formação artística em Portugal era muito focada no lado poético, conceptual e no valor do processo, e isso acaba por permanecer de forma subtil.
Um contexto competitivo foi sempre a nossa realidade profissional
Quais foram os maiores desafios profissionais que enfrentaram até agora?
Começámos como toda a gente começa: a aprender fazendo. O desafio nunca foi “chegar”, mas crescer de forma consistente à medida que a responsabilidade aumentava. Além disso, a realidade do mercado versus o que estudamos, nem sempre está a par, especialmente nos anos em que entramos na indústria em que a social media landscape estava a evoluir bem mais rápido do que os conteúdos que estudávamos, isso em si foi um desafio mas muito cool ao mesmo tempo. Trabalhar em contextos com ritmo urgente e expostos a muita visibilidade obrigou-nos a ganhar coragem e confiança, tomar decisões rápidas, assumir erros e melhorar depressa. Com o tempo, o desafio passou a ser manter qualidade, curiosidade e entusiasmo, sem cair em fórmulas fáceis.
Trabalhar num mercado mais competitivo mudou a vossa forma de pensar design?
Um contexto competitivo foi sempre a nossa realidade profissional. Ainda assim, começar a carreira num mercado exigente moldou bastante a forma como pensamos o design. Percebemos cedo que há muito mais em jogo do que fazer algo visualmente bonito. O design precisa de comunicar, cumprir um objetivo e criar valor real. A pergunta deixa de ser “é perfeito?” e passa a ser “isto resolve o problema?”. Isso tornou o nosso pensamento criativo mais completo e mais ligado à realidade.
Há alguma diferença clara entre a forma como os clientes em Portugal e no Reino Unido encaram o trabalho criativo?
Hoje sentimos menos diferenças do que no passado. Já trabalhámos com clientes portugueses, britânicos e de outras nacionalidades, e a abordagem ao trabalho criativo está cada vez mais alinhada. A nossa experiência recente com clientes portugueses tem sido muito positiva e próxima daquilo que vivemos noutros mercados, o que reflete uma cena criativa cada vez mais madura.
O que vos inspira atualmente?
Não partimos de referências fixas. A inspiração vem do quotidiano: cultura, música, moda, cinema, livros, internet, conversas. Não nos interessa seguir tendências de forma literal. Procuramos trabalho que se sinta atual, mas que também tenha familiaridade e duração. Quando criamos marcas, pensamos em longevidade. Quando fazemos campanhas, ligamo-nos ao momento cultural certo. O facto de trabalharmos em modo de dupla ajuda a cruzar tudo isso e a chegar a algo novo.
Olhamos para a cena criativa portuguesa com muito entusiasmo
Além do JOE & THE JUICE, têm algum projeto em particular que considerem um marco no vosso percurso até agora? Porquê?
O MOTIVO é um projeto especial para nós. É um projeto do Xavier do Tomás, com uma visão muito clara desde o início, para o qual fomos convidados a contribuir na definição da identidade visual e da abordagem gráfica da marca. Houve um alinhamento imediato com a visão do projeto e um interesse genuíno em fazer parte do que estava a ser construído. Também teve um significado especial por ter sido um dos primeiros projetos desenvolvidos oficialmente através do Vitamins, e ainda por cima num contexto português.
Como olham para a cena criativa portuguesa hoje em dia?
Olhamos com muito entusiasmo. Tem estado a crescer imenso, especialmente nos últimos 5-10 anos, e em várias áreas. Tentamos acompanhar e estar envolvidos de perto o máximo que conseguimos. Portugal é casa para nós e temos uma ligação muito forte. Sempre que surge a oportunidade de desenvolver projetos ligados ao mercado português, isso entusiasma-nos genuinamente e é algo que gostaríamos de aprofundar cada vez mais.
Qual o maior erro e qual a maior aprendizagem que podem partilhar com aspirantes a criativos?
Um erro comum é esquecer que design existe para resolver problemas, não apenas para criar algo visualmente interessante. A maior aprendizagem é perceber que cada fase da carreira tem valor. Não vale a pena saltar etapas à pressa. Manter curiosidade, ambição e vontade de aprender é essencial, mas crescer bem é tão importante como crescer rápido.

#Protagonistas
Dupla de criativos portugueses é referência em Londres
Os designers Mafalda Bernardo e David Cardoso deixaram Portugal, há mais de 10 anos, em direção ao Reino Unido. Nos últimos anos, foram parte ativa em campanhas e no crescimento internacional da marca Joe & The Juice. Em 2025 fundaram o próprio estúdio criativo e não prescindem do trabalho em dupla.
O que vos levou a sair de Portugal e a escolher Londres como cidade para se dedicarem ao vosso trabalho criativo?
Desde bastante cedo sentimos que o panorama criativo em Portugal não estava pronto para jovens criativos ou talento emergente. Além disso, sempre quisemos estar mais perto de onde tudo estava a acontecer e onde a inovação era prioridade. Sempre estivemos muito ligados à cultura, à música, à arte e ao design, e queríamos estar no centro dessa energia. Londres parecia um sítio onde a indústria criativa não só existia, como estava constantemente a evoluir e a testar limites. Para o David, a ideia passava quase sempre por Londres ou Nova Iorque, e Londres acabou por fazer mais sentido, por ser internacional, intensa e ao mesmo tempo com algumas conexões familiares. Já tínhamos estado em Londres antes e sentíamos uma ligação natural à cidade. Quando se tornou claro que os percursos criativos que queríamos seguir não existiam exatamente da forma que procurávamos em Portugal, a decisão tornou-se óbvia. Londres acabou por ser o lugar onde ambição, cultura e oportunidade se cruzaram, e onde pudemos começar a construir o nosso percurso profissional.
Trabalhar com limitações tornou-nos mais ágeis
Nos últimos anos têm tido um papel essencial na criatividade da JOE & THE JUICE. Como tem sido trabalhar essa marca e quais os projetos que mais se orgulham de ter feito nesse âmbito?
Entrámos na JOE & THE JUICE numa fase muito inicial do crescimento da marca. Acabámos por liderar a construção do departamento criativo praticamente desde o início, num contexto muito aberto ao risco e à experimentação. Apesar de não ser uma marca nova, funcionava como uma startup. Havia espaço para testar ideias, assumir responsabilidade e trabalhar criatividade a vários níveis, desde identidade visual e design até direção criativa, campanhas e produção. Trabalhámos tanto em projetos globais como locais, o que nos deu uma visão muito clara de como uma marca escala internacionalmente. Vimos a empresa crescer de forma exponencial durante esse período e sentimos que fizemos parte ativa dessa evolução. Em termos de projetos, destacamos a campanha global com o Nick Kyrgios, onde acompanhámos todo o processo do conceito ao lançamento, e a campanha Just Dropped, mais local e com um orçamento reduzido, mas com forte impacto cultural. Trabalhar com limitações tornou-nos mais ágeis e levou muitas vezes a soluções mais interessantes. Mais do que projetos isolados, o mais marcante foi termos acompanhado e ajudado a construir o crescimento global da marca ao longo do tempo.
Lançaram recentemente o vosso estúdio criativo, o Vitamins Studio. O que significa este passo?
Mais do que um “salto”, o Vitamins foi uma progressão natural. Fizemos freelance, trabalhámos em agência, trabalhámos do lado do cliente, e sempre funcionámos muito como uma dupla, com uma visão e uma forma de trabalhar muito próprias. A certa altura, fazia simplesmente sentido juntar tudo isso numa estrutura só. O Vitamins é o veículo que nos permite escolher os projetos que nos entusiasmam, trabalhar com as marcas com quem nos identificamos e abordar cada desafio da forma que mais nos realiza. A variedade de contextos manteve-se, mas agora de forma mais intencional e estruturada. Levamos connosco tudo o que aprendemos ao longo dos anos, especialmente a experiência do lado do cliente. Isso deu-nos uma perspetiva muito clara sobre como gostamos de colaborar e aplicar esse conhecimento no nosso próprio estúdio.
A confiança mútua permite-nos levar os projetos mais longe
Sentem que ser uma dupla, em vez de trabalharem individualmente, influencia a vossa linguagem visual ou o processo criativo?
Sim, imenso. Estudamos e trabalhamos juntos há muitos anos e o processo tornou-se muito natural. Partilhamos curiosidade, vontade de experimentar e entusiasmo pelo ato de criar. A colaboração permite-nos resolver problemas de forma mais interessante. Quando surge uma limitação, a conversa entre os dois leva quase sempre a soluções mais originais. Temos competências diferentes que se complementam, o que eleva o resultado final. Também não temos exatamente a mesma estética. Cada um traz referências e sensibilidades distintas, e o que surge no meio é algo novo, que não existiria individualmente. Há projetos onde um lidera mais e outros onde os papéis se invertem, mas há sempre uma compreensão clara do que o outro está a tentar fazer.
Como se complementam?
De forma muito natural, sinceramente. Temos focos diferentes, estilos diferentes, talentos diferentes, o que cria um bom equilíbrio entre visão, detalhe e execução. Dependendo do projeto, um pode liderar mais e o outro complementar, mas há sempre alinhamento sobre o objetivo e o caminho a seguir. Essa confiança mútua permite-nos levar os projetos mais longe.
Existe algo da vossa identidade portuguesa nos projetos que desenvolvem no contexto britânico?
Não de forma direta ou consciente. Não há nada no nosso trabalho que possamos apontar como claramente português. A nossa carreira formou-se maioritariamente no Reino Unido e num contexto internacional. Ainda assim, é impossível ignorar o facto de termos crescido, vivido e estudado em Portugal durante muitos anos. Isso influencia inevitavelmente a forma como pensamos e trabalhamos. A nossa formação artística em Portugal era muito focada no lado poético, conceptual e no valor do processo, e isso acaba por permanecer de forma subtil.
Um contexto competitivo foi sempre a nossa realidade profissional
Quais foram os maiores desafios profissionais que enfrentaram até agora?
Começámos como toda a gente começa: a aprender fazendo. O desafio nunca foi “chegar”, mas crescer de forma consistente à medida que a responsabilidade aumentava. Além disso, a realidade do mercado versus o que estudamos, nem sempre está a par, especialmente nos anos em que entramos na indústria em que a social media landscape estava a evoluir bem mais rápido do que os conteúdos que estudávamos, isso em si foi um desafio mas muito cool ao mesmo tempo. Trabalhar em contextos com ritmo urgente e expostos a muita visibilidade obrigou-nos a ganhar coragem e confiança, tomar decisões rápidas, assumir erros e melhorar depressa. Com o tempo, o desafio passou a ser manter qualidade, curiosidade e entusiasmo, sem cair em fórmulas fáceis.
Trabalhar num mercado mais competitivo mudou a vossa forma de pensar design?
Um contexto competitivo foi sempre a nossa realidade profissional. Ainda assim, começar a carreira num mercado exigente moldou bastante a forma como pensamos o design. Percebemos cedo que há muito mais em jogo do que fazer algo visualmente bonito. O design precisa de comunicar, cumprir um objetivo e criar valor real. A pergunta deixa de ser “é perfeito?” e passa a ser “isto resolve o problema?”. Isso tornou o nosso pensamento criativo mais completo e mais ligado à realidade.
Há alguma diferença clara entre a forma como os clientes em Portugal e no Reino Unido encaram o trabalho criativo?
Hoje sentimos menos diferenças do que no passado. Já trabalhámos com clientes portugueses, britânicos e de outras nacionalidades, e a abordagem ao trabalho criativo está cada vez mais alinhada. A nossa experiência recente com clientes portugueses tem sido muito positiva e próxima daquilo que vivemos noutros mercados, o que reflete uma cena criativa cada vez mais madura.
O que vos inspira atualmente?
Não partimos de referências fixas. A inspiração vem do quotidiano: cultura, música, moda, cinema, livros, internet, conversas. Não nos interessa seguir tendências de forma literal. Procuramos trabalho que se sinta atual, mas que também tenha familiaridade e duração. Quando criamos marcas, pensamos em longevidade. Quando fazemos campanhas, ligamo-nos ao momento cultural certo. O facto de trabalharmos em modo de dupla ajuda a cruzar tudo isso e a chegar a algo novo.
Olhamos para a cena criativa portuguesa com muito entusiasmo
Além do JOE & THE JUICE, têm algum projeto em particular que considerem um marco no vosso percurso até agora? Porquê?
O MOTIVO é um projeto especial para nós. É um projeto do Xavier do Tomás, com uma visão muito clara desde o início, para o qual fomos convidados a contribuir na definição da identidade visual e da abordagem gráfica da marca. Houve um alinhamento imediato com a visão do projeto e um interesse genuíno em fazer parte do que estava a ser construído. Também teve um significado especial por ter sido um dos primeiros projetos desenvolvidos oficialmente através do Vitamins, e ainda por cima num contexto português.
Como olham para a cena criativa portuguesa hoje em dia?
Olhamos com muito entusiasmo. Tem estado a crescer imenso, especialmente nos últimos 5-10 anos, e em várias áreas. Tentamos acompanhar e estar envolvidos de perto o máximo que conseguimos. Portugal é casa para nós e temos uma ligação muito forte. Sempre que surge a oportunidade de desenvolver projetos ligados ao mercado português, isso entusiasma-nos genuinamente e é algo que gostaríamos de aprofundar cada vez mais.
Qual o maior erro e qual a maior aprendizagem que podem partilhar com aspirantes a criativos?
Um erro comum é esquecer que design existe para resolver problemas, não apenas para criar algo visualmente interessante. A maior aprendizagem é perceber que cada fase da carreira tem valor. Não vale a pena saltar etapas à pressa. Manter curiosidade, ambição e vontade de aprender é essencial, mas crescer bem é tão importante como crescer rápido.

#Protagonistas
Dupla de criativos portugueses é referência em Londres
Os designers Mafalda Bernardo e David Cardoso deixaram Portugal, há mais de 10 anos, em direção ao Reino Unido. Nos últimos anos, foram parte ativa em campanhas e no crescimento internacional da marca Joe & The Juice. Em 2025 fundaram o próprio estúdio criativo e não prescindem do trabalho em dupla.
O que vos levou a sair de Portugal e a escolher Londres como cidade para se dedicarem ao vosso trabalho criativo?
Desde bastante cedo sentimos que o panorama criativo em Portugal não estava pronto para jovens criativos ou talento emergente. Além disso, sempre quisemos estar mais perto de onde tudo estava a acontecer e onde a inovação era prioridade. Sempre estivemos muito ligados à cultura, à música, à arte e ao design, e queríamos estar no centro dessa energia. Londres parecia um sítio onde a indústria criativa não só existia, como estava constantemente a evoluir e a testar limites. Para o David, a ideia passava quase sempre por Londres ou Nova Iorque, e Londres acabou por fazer mais sentido, por ser internacional, intensa e ao mesmo tempo com algumas conexões familiares. Já tínhamos estado em Londres antes e sentíamos uma ligação natural à cidade. Quando se tornou claro que os percursos criativos que queríamos seguir não existiam exatamente da forma que procurávamos em Portugal, a decisão tornou-se óbvia. Londres acabou por ser o lugar onde ambição, cultura e oportunidade se cruzaram, e onde pudemos começar a construir o nosso percurso profissional.
Trabalhar com limitações tornou-nos mais ágeis
Nos últimos anos têm tido um papel essencial na criatividade da JOE & THE JUICE. Como tem sido trabalhar essa marca e quais os projetos que mais se orgulham de ter feito nesse âmbito?
Entrámos na JOE & THE JUICE numa fase muito inicial do crescimento da marca. Acabámos por liderar a construção do departamento criativo praticamente desde o início, num contexto muito aberto ao risco e à experimentação. Apesar de não ser uma marca nova, funcionava como uma startup. Havia espaço para testar ideias, assumir responsabilidade e trabalhar criatividade a vários níveis, desde identidade visual e design até direção criativa, campanhas e produção. Trabalhámos tanto em projetos globais como locais, o que nos deu uma visão muito clara de como uma marca escala internacionalmente. Vimos a empresa crescer de forma exponencial durante esse período e sentimos que fizemos parte ativa dessa evolução. Em termos de projetos, destacamos a campanha global com o Nick Kyrgios, onde acompanhámos todo o processo do conceito ao lançamento, e a campanha Just Dropped, mais local e com um orçamento reduzido, mas com forte impacto cultural. Trabalhar com limitações tornou-nos mais ágeis e levou muitas vezes a soluções mais interessantes. Mais do que projetos isolados, o mais marcante foi termos acompanhado e ajudado a construir o crescimento global da marca ao longo do tempo.
Lançaram recentemente o vosso estúdio criativo, o Vitamins Studio. O que significa este passo?
Mais do que um “salto”, o Vitamins foi uma progressão natural. Fizemos freelance, trabalhámos em agência, trabalhámos do lado do cliente, e sempre funcionámos muito como uma dupla, com uma visão e uma forma de trabalhar muito próprias. A certa altura, fazia simplesmente sentido juntar tudo isso numa estrutura só. O Vitamins é o veículo que nos permite escolher os projetos que nos entusiasmam, trabalhar com as marcas com quem nos identificamos e abordar cada desafio da forma que mais nos realiza. A variedade de contextos manteve-se, mas agora de forma mais intencional e estruturada. Levamos connosco tudo o que aprendemos ao longo dos anos, especialmente a experiência do lado do cliente. Isso deu-nos uma perspetiva muito clara sobre como gostamos de colaborar e aplicar esse conhecimento no nosso próprio estúdio.
A confiança mútua permite-nos levar os projetos mais longe
Sentem que ser uma dupla, em vez de trabalharem individualmente, influencia a vossa linguagem visual ou o processo criativo?
Sim, imenso. Estudamos e trabalhamos juntos há muitos anos e o processo tornou-se muito natural. Partilhamos curiosidade, vontade de experimentar e entusiasmo pelo ato de criar. A colaboração permite-nos resolver problemas de forma mais interessante. Quando surge uma limitação, a conversa entre os dois leva quase sempre a soluções mais originais. Temos competências diferentes que se complementam, o que eleva o resultado final. Também não temos exatamente a mesma estética. Cada um traz referências e sensibilidades distintas, e o que surge no meio é algo novo, que não existiria individualmente. Há projetos onde um lidera mais e outros onde os papéis se invertem, mas há sempre uma compreensão clara do que o outro está a tentar fazer.
Como se complementam?
De forma muito natural, sinceramente. Temos focos diferentes, estilos diferentes, talentos diferentes, o que cria um bom equilíbrio entre visão, detalhe e execução. Dependendo do projeto, um pode liderar mais e o outro complementar, mas há sempre alinhamento sobre o objetivo e o caminho a seguir. Essa confiança mútua permite-nos levar os projetos mais longe.
Existe algo da vossa identidade portuguesa nos projetos que desenvolvem no contexto britânico?
Não de forma direta ou consciente. Não há nada no nosso trabalho que possamos apontar como claramente português. A nossa carreira formou-se maioritariamente no Reino Unido e num contexto internacional. Ainda assim, é impossível ignorar o facto de termos crescido, vivido e estudado em Portugal durante muitos anos. Isso influencia inevitavelmente a forma como pensamos e trabalhamos. A nossa formação artística em Portugal era muito focada no lado poético, conceptual e no valor do processo, e isso acaba por permanecer de forma subtil.
Um contexto competitivo foi sempre a nossa realidade profissional
Quais foram os maiores desafios profissionais que enfrentaram até agora?
Começámos como toda a gente começa: a aprender fazendo. O desafio nunca foi “chegar”, mas crescer de forma consistente à medida que a responsabilidade aumentava. Além disso, a realidade do mercado versus o que estudamos, nem sempre está a par, especialmente nos anos em que entramos na indústria em que a social media landscape estava a evoluir bem mais rápido do que os conteúdos que estudávamos, isso em si foi um desafio mas muito cool ao mesmo tempo. Trabalhar em contextos com ritmo urgente e expostos a muita visibilidade obrigou-nos a ganhar coragem e confiança, tomar decisões rápidas, assumir erros e melhorar depressa. Com o tempo, o desafio passou a ser manter qualidade, curiosidade e entusiasmo, sem cair em fórmulas fáceis.
Trabalhar num mercado mais competitivo mudou a vossa forma de pensar design?
Um contexto competitivo foi sempre a nossa realidade profissional. Ainda assim, começar a carreira num mercado exigente moldou bastante a forma como pensamos o design. Percebemos cedo que há muito mais em jogo do que fazer algo visualmente bonito. O design precisa de comunicar, cumprir um objetivo e criar valor real. A pergunta deixa de ser “é perfeito?” e passa a ser “isto resolve o problema?”. Isso tornou o nosso pensamento criativo mais completo e mais ligado à realidade.
Há alguma diferença clara entre a forma como os clientes em Portugal e no Reino Unido encaram o trabalho criativo?
Hoje sentimos menos diferenças do que no passado. Já trabalhámos com clientes portugueses, britânicos e de outras nacionalidades, e a abordagem ao trabalho criativo está cada vez mais alinhada. A nossa experiência recente com clientes portugueses tem sido muito positiva e próxima daquilo que vivemos noutros mercados, o que reflete uma cena criativa cada vez mais madura.
O que vos inspira atualmente?
Não partimos de referências fixas. A inspiração vem do quotidiano: cultura, música, moda, cinema, livros, internet, conversas. Não nos interessa seguir tendências de forma literal. Procuramos trabalho que se sinta atual, mas que também tenha familiaridade e duração. Quando criamos marcas, pensamos em longevidade. Quando fazemos campanhas, ligamo-nos ao momento cultural certo. O facto de trabalharmos em modo de dupla ajuda a cruzar tudo isso e a chegar a algo novo.
Olhamos para a cena criativa portuguesa com muito entusiasmo
Além do JOE & THE JUICE, têm algum projeto em particular que considerem um marco no vosso percurso até agora? Porquê?
O MOTIVO é um projeto especial para nós. É um projeto do Xavier do Tomás, com uma visão muito clara desde o início, para o qual fomos convidados a contribuir na definição da identidade visual e da abordagem gráfica da marca. Houve um alinhamento imediato com a visão do projeto e um interesse genuíno em fazer parte do que estava a ser construído. Também teve um significado especial por ter sido um dos primeiros projetos desenvolvidos oficialmente através do Vitamins, e ainda por cima num contexto português.
Como olham para a cena criativa portuguesa hoje em dia?
Olhamos com muito entusiasmo. Tem estado a crescer imenso, especialmente nos últimos 5-10 anos, e em várias áreas. Tentamos acompanhar e estar envolvidos de perto o máximo que conseguimos. Portugal é casa para nós e temos uma ligação muito forte. Sempre que surge a oportunidade de desenvolver projetos ligados ao mercado português, isso entusiasma-nos genuinamente e é algo que gostaríamos de aprofundar cada vez mais.
Qual o maior erro e qual a maior aprendizagem que podem partilhar com aspirantes a criativos?
Um erro comum é esquecer que design existe para resolver problemas, não apenas para criar algo visualmente interessante. A maior aprendizagem é perceber que cada fase da carreira tem valor. Não vale a pena saltar etapas à pressa. Manter curiosidade, ambição e vontade de aprender é essencial, mas crescer bem é tão importante como crescer rápido.



