#Protagonistas

Seis perguntas a Fiumani

O artista plástico inaugura hoje Sublimis, a sua nova exposição, na Galeria Nicolau Nasoni, no Porto, onde cruza pintura e metal soldado para explorar a ideia de sublime, contenção e fragilidade. Ao MOTIVO, fala sobre silêncio, solidão, autenticidade, processo criativo e a necessidade de procurar novas formas de olhar para o mundo. Eis as suas seis respostas.

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19 de set. de 2026, 08:30

Sublimis nasce da ideia de sermos confrontados com algo maior do que nós. Quando foi a última vez que sentiu verdadeiramente essa sensação?

FIUMANI — Esta sensação tem diferentes camadas, mas, em geral, o que faço è criar situações para convidá-la a entrar no meu dia a dia. A capacidade de observar com novos olhos, escutar o que está à nossa volta, sem querer catalogar momentos e situações, tem sido um grande exercício para convidar novos pontos de vista. No meu dia dia, este tem sido o processo e, às vezes, aproximo-me deste cenário e outras vezes, não.



Nesta exposição, troca parte da espontaneidade da pintura pelo controlo e pela exigência física do metal. O que mudou em si para procurar essa contenção?

F. — Tenho em mim, de facto, estes dois mundos. A pintura, sozinha, não me preenche na totalidade, como o metal não consegue fazê-lo. Para materializar a minha alma, era de facto necessário criar esta dança: o meu lado mais físico, racional e estruturado, através da solda no metal; juntamente com o lado mais emotivo e intuitivo da pintura. Estes dois mundos não estão em contraste, mas caminham lado a lado.

Fala do silêncio como um lugar de equilíbrio. Que espaço ocupa o silêncio no seu processo criativo e na sua vida?

F. — No processo criativo, o silêncio traz liberdade, mas há um preço a pagar: a solidão, que pode ser dolorosa, mas que nos faz crescer. A introspeção é essencial para mim enquanto ser humano. Enquanto artista, não conseguiria criar sem este silêncio, sem esta solidão, razão pela qual ocupa um lugar muito importante na minha vida.


(C) Mauro Motty


As obras de Sublimis pedem tempo e distância a quem as observa. Sente que também estamos a perder a capacidade de parar e olhar verdadeiramente?

F. — Sinto que vivemos tempos muito rápidos e isto, inevitavelmente, cria falta de profundidade. Esta falta de interiorização está a criar uma sociedade cada vez mais tecnológica. Aqui, surge uma questão: conseguimos ainda ser autênticos numa sociedade que é, cada vez mais, artificial?

Dor e prazer aparecem lado a lado nesta exposição. Porque lhe interessou trabalhar precisamente essa tensão?

F. — O prazer pode conter dor, tal como a dor pode conter uma forma de prazer, de liberdade ou até de descoberta. Talvez seja essa ambiguidade que me interessa: aquilo que nos incomoda, que nos confronta, mas que, ao mesmo tempo, nos permite conhecermo-nos melhor. Para mim, criar também passa por permanecer nesse espaço, sem procurar necessariamente resolvê-lo. Talvez seja nessa contradição que encontro alguma verdade sobre mim e sobre a condição humana.



Fora do atelier, onde encontra aquilo que alimenta o seu trabalho?

F. — Na natureza encontro a maioria das minhas respostas, dúvidas e inspirações. Na mitologia grega e romana, na história, na filosofia, encontro a companhia sobre os macro-temas que procuro. Sempre criei muito ouvindo música. No entanto, nos últimos meses, passei muito tempo a criar sem ouvir nada, em silêncio. Isto também tem sido uma novidade para o meu processo criativo. Fora do atelier, passo muito tempo no mar, com o meu filho e com o meu cão. Amo surfar, correr no meio de uma serra e subir às árvores. Tento evitar multidões porque me causa transtorno. Amo viajar, particularmente para lugares remotos.


Foto de abertura (C) Gonçalo Vilardebó
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O artista plástico inaugura hoje Sublimis, a sua nova exposição, na Galeria Nicolau Nasoni, no Porto, onde cruza pintura e metal soldado para explorar a ideia de sublime, contenção e fragilidade. Ao MOTIVO, fala sobre silêncio, solidão, autenticidade, processo criativo e a necessidade de procurar novas formas de olhar para o mundo. Eis as suas seis respostas.

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19 de set. de 2026, 08:30

Sublimis nasce da ideia de sermos confrontados com algo maior do que nós. Quando foi a última vez que sentiu verdadeiramente essa sensação?

FIUMANI — Esta sensação tem diferentes camadas, mas, em geral, o que faço è criar situações para convidá-la a entrar no meu dia a dia. A capacidade de observar com novos olhos, escutar o que está à nossa volta, sem querer catalogar momentos e situações, tem sido um grande exercício para convidar novos pontos de vista. No meu dia dia, este tem sido o processo e, às vezes, aproximo-me deste cenário e outras vezes, não.



Nesta exposição, troca parte da espontaneidade da pintura pelo controlo e pela exigência física do metal. O que mudou em si para procurar essa contenção?

F. — Tenho em mim, de facto, estes dois mundos. A pintura, sozinha, não me preenche na totalidade, como o metal não consegue fazê-lo. Para materializar a minha alma, era de facto necessário criar esta dança: o meu lado mais físico, racional e estruturado, através da solda no metal; juntamente com o lado mais emotivo e intuitivo da pintura. Estes dois mundos não estão em contraste, mas caminham lado a lado.

Fala do silêncio como um lugar de equilíbrio. Que espaço ocupa o silêncio no seu processo criativo e na sua vida?

F. — No processo criativo, o silêncio traz liberdade, mas há um preço a pagar: a solidão, que pode ser dolorosa, mas que nos faz crescer. A introspeção é essencial para mim enquanto ser humano. Enquanto artista, não conseguiria criar sem este silêncio, sem esta solidão, razão pela qual ocupa um lugar muito importante na minha vida.


(C) Mauro Motty


As obras de Sublimis pedem tempo e distância a quem as observa. Sente que também estamos a perder a capacidade de parar e olhar verdadeiramente?

F. — Sinto que vivemos tempos muito rápidos e isto, inevitavelmente, cria falta de profundidade. Esta falta de interiorização está a criar uma sociedade cada vez mais tecnológica. Aqui, surge uma questão: conseguimos ainda ser autênticos numa sociedade que é, cada vez mais, artificial?

Dor e prazer aparecem lado a lado nesta exposição. Porque lhe interessou trabalhar precisamente essa tensão?

F. — O prazer pode conter dor, tal como a dor pode conter uma forma de prazer, de liberdade ou até de descoberta. Talvez seja essa ambiguidade que me interessa: aquilo que nos incomoda, que nos confronta, mas que, ao mesmo tempo, nos permite conhecermo-nos melhor. Para mim, criar também passa por permanecer nesse espaço, sem procurar necessariamente resolvê-lo. Talvez seja nessa contradição que encontro alguma verdade sobre mim e sobre a condição humana.



Fora do atelier, onde encontra aquilo que alimenta o seu trabalho?

F. — Na natureza encontro a maioria das minhas respostas, dúvidas e inspirações. Na mitologia grega e romana, na história, na filosofia, encontro a companhia sobre os macro-temas que procuro. Sempre criei muito ouvindo música. No entanto, nos últimos meses, passei muito tempo a criar sem ouvir nada, em silêncio. Isto também tem sido uma novidade para o meu processo criativo. Fora do atelier, passo muito tempo no mar, com o meu filho e com o meu cão. Amo surfar, correr no meio de uma serra e subir às árvores. Tento evitar multidões porque me causa transtorno. Amo viajar, particularmente para lugares remotos.


Foto de abertura (C) Gonçalo Vilardebó

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Seis perguntas a Fiumani

O artista plástico inaugura hoje Sublimis, a sua nova exposição, na Galeria Nicolau Nasoni, no Porto, onde cruza pintura e metal soldado para explorar a ideia de sublime, contenção e fragilidade. Ao MOTIVO, fala sobre silêncio, solidão, autenticidade, processo criativo e a necessidade de procurar novas formas de olhar para o mundo. Eis as suas seis respostas.

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19 de set. de 2026, 08:30

Sublimis nasce da ideia de sermos confrontados com algo maior do que nós. Quando foi a última vez que sentiu verdadeiramente essa sensação?

FIUMANI — Esta sensação tem diferentes camadas, mas, em geral, o que faço è criar situações para convidá-la a entrar no meu dia a dia. A capacidade de observar com novos olhos, escutar o que está à nossa volta, sem querer catalogar momentos e situações, tem sido um grande exercício para convidar novos pontos de vista. No meu dia dia, este tem sido o processo e, às vezes, aproximo-me deste cenário e outras vezes, não.



Nesta exposição, troca parte da espontaneidade da pintura pelo controlo e pela exigência física do metal. O que mudou em si para procurar essa contenção?

F. — Tenho em mim, de facto, estes dois mundos. A pintura, sozinha, não me preenche na totalidade, como o metal não consegue fazê-lo. Para materializar a minha alma, era de facto necessário criar esta dança: o meu lado mais físico, racional e estruturado, através da solda no metal; juntamente com o lado mais emotivo e intuitivo da pintura. Estes dois mundos não estão em contraste, mas caminham lado a lado.

Fala do silêncio como um lugar de equilíbrio. Que espaço ocupa o silêncio no seu processo criativo e na sua vida?

F. — No processo criativo, o silêncio traz liberdade, mas há um preço a pagar: a solidão, que pode ser dolorosa, mas que nos faz crescer. A introspeção é essencial para mim enquanto ser humano. Enquanto artista, não conseguiria criar sem este silêncio, sem esta solidão, razão pela qual ocupa um lugar muito importante na minha vida.


(C) Mauro Motty


As obras de Sublimis pedem tempo e distância a quem as observa. Sente que também estamos a perder a capacidade de parar e olhar verdadeiramente?

F. — Sinto que vivemos tempos muito rápidos e isto, inevitavelmente, cria falta de profundidade. Esta falta de interiorização está a criar uma sociedade cada vez mais tecnológica. Aqui, surge uma questão: conseguimos ainda ser autênticos numa sociedade que é, cada vez mais, artificial?

Dor e prazer aparecem lado a lado nesta exposição. Porque lhe interessou trabalhar precisamente essa tensão?

F. — O prazer pode conter dor, tal como a dor pode conter uma forma de prazer, de liberdade ou até de descoberta. Talvez seja essa ambiguidade que me interessa: aquilo que nos incomoda, que nos confronta, mas que, ao mesmo tempo, nos permite conhecermo-nos melhor. Para mim, criar também passa por permanecer nesse espaço, sem procurar necessariamente resolvê-lo. Talvez seja nessa contradição que encontro alguma verdade sobre mim e sobre a condição humana.



Fora do atelier, onde encontra aquilo que alimenta o seu trabalho?

F. — Na natureza encontro a maioria das minhas respostas, dúvidas e inspirações. Na mitologia grega e romana, na história, na filosofia, encontro a companhia sobre os macro-temas que procuro. Sempre criei muito ouvindo música. No entanto, nos últimos meses, passei muito tempo a criar sem ouvir nada, em silêncio. Isto também tem sido uma novidade para o meu processo criativo. Fora do atelier, passo muito tempo no mar, com o meu filho e com o meu cão. Amo surfar, correr no meio de uma serra e subir às árvores. Tento evitar multidões porque me causa transtorno. Amo viajar, particularmente para lugares remotos.


Foto de abertura (C) Gonçalo Vilardebó
#Protagonistas

Seis perguntas a Fiumani

O artista plástico inaugura hoje Sublimis, a sua nova exposição, na Galeria Nicolau Nasoni, no Porto, onde cruza pintura e metal soldado para explorar a ideia de sublime, contenção e fragilidade. Ao MOTIVO, fala sobre silêncio, solidão, autenticidade, processo criativo e a necessidade de procurar novas formas de olhar para o mundo. Eis as suas seis respostas.

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19 de set. de 2026, 08:30

Sublimis nasce da ideia de sermos confrontados com algo maior do que nós. Quando foi a última vez que sentiu verdadeiramente essa sensação?

FIUMANI — Esta sensação tem diferentes camadas, mas, em geral, o que faço è criar situações para convidá-la a entrar no meu dia a dia. A capacidade de observar com novos olhos, escutar o que está à nossa volta, sem querer catalogar momentos e situações, tem sido um grande exercício para convidar novos pontos de vista. No meu dia dia, este tem sido o processo e, às vezes, aproximo-me deste cenário e outras vezes, não.



Nesta exposição, troca parte da espontaneidade da pintura pelo controlo e pela exigência física do metal. O que mudou em si para procurar essa contenção?

F. — Tenho em mim, de facto, estes dois mundos. A pintura, sozinha, não me preenche na totalidade, como o metal não consegue fazê-lo. Para materializar a minha alma, era de facto necessário criar esta dança: o meu lado mais físico, racional e estruturado, através da solda no metal; juntamente com o lado mais emotivo e intuitivo da pintura. Estes dois mundos não estão em contraste, mas caminham lado a lado.

Fala do silêncio como um lugar de equilíbrio. Que espaço ocupa o silêncio no seu processo criativo e na sua vida?

F. — No processo criativo, o silêncio traz liberdade, mas há um preço a pagar: a solidão, que pode ser dolorosa, mas que nos faz crescer. A introspeção é essencial para mim enquanto ser humano. Enquanto artista, não conseguiria criar sem este silêncio, sem esta solidão, razão pela qual ocupa um lugar muito importante na minha vida.


(C) Mauro Motty


As obras de Sublimis pedem tempo e distância a quem as observa. Sente que também estamos a perder a capacidade de parar e olhar verdadeiramente?

F. — Sinto que vivemos tempos muito rápidos e isto, inevitavelmente, cria falta de profundidade. Esta falta de interiorização está a criar uma sociedade cada vez mais tecnológica. Aqui, surge uma questão: conseguimos ainda ser autênticos numa sociedade que é, cada vez mais, artificial?

Dor e prazer aparecem lado a lado nesta exposição. Porque lhe interessou trabalhar precisamente essa tensão?

F. — O prazer pode conter dor, tal como a dor pode conter uma forma de prazer, de liberdade ou até de descoberta. Talvez seja essa ambiguidade que me interessa: aquilo que nos incomoda, que nos confronta, mas que, ao mesmo tempo, nos permite conhecermo-nos melhor. Para mim, criar também passa por permanecer nesse espaço, sem procurar necessariamente resolvê-lo. Talvez seja nessa contradição que encontro alguma verdade sobre mim e sobre a condição humana.



Fora do atelier, onde encontra aquilo que alimenta o seu trabalho?

F. — Na natureza encontro a maioria das minhas respostas, dúvidas e inspirações. Na mitologia grega e romana, na história, na filosofia, encontro a companhia sobre os macro-temas que procuro. Sempre criei muito ouvindo música. No entanto, nos últimos meses, passei muito tempo a criar sem ouvir nada, em silêncio. Isto também tem sido uma novidade para o meu processo criativo. Fora do atelier, passo muito tempo no mar, com o meu filho e com o meu cão. Amo surfar, correr no meio de uma serra e subir às árvores. Tento evitar multidões porque me causa transtorno. Amo viajar, particularmente para lugares remotos.


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