#Protagonistas

CARLOS SILVA: “70 a 90% das ideias não sobrevivem por falta de estrutura”

Já ouviu a expressão “vale da morte”? Trata-se do momento em que boas ideias, apesar do seu potencial, não conseguem atravessar a distância entre o laboratório e o mercado. Em Portugal, esse intervalo continua a ser um dos maiores bloqueios à competitividade. É isso que nos explica Carlos Silva, CEO da AlmaScience.

|

27 de abr. de 2026, 10:21

A AlmaScience nasce como um laboratório colaborativo de inovação. Para quem não está dentro deste universo, o que significa, na prática, este modelo e que problema procura resolver?

CARLOS SILVA — A AlmaScience nasceu há 6 anos com o objetivo fazer a ponte entre a academia e as empresas, como parte do esforço nacional para aumentar a competitividade e promover a adoção de tecnologias por parte do tecido empresarial do país. Assim, funciona como um espaço onde ciência, tecnologia e os agentes de mercado se reúnem para resolver problemas concretos de forma mais rápida, integrada, eficiente e sustentável. Na prática, e de forma muito simples, este modelo colaborativo permite transformar mais ideias em produtos reais, em menos tempo, com custos mais reduzidos e com garantias de aplicabilidade e escalabilidade. Isto só é possível porque a AlmaScience trabalha de forma muito próxima com os seus associados, com uma equipa multidisciplinar que inclui cerca de 30 investigadores mestres e doutorados em áreas como química, ciência dos materiais e eletrónica, e ainda especialistas em desenvolvimento de produto e negócio. Uma combinação que garante o compromisso entre a excelência científica e a aplicação prática.

Muitas empresas reconhecem a importância da inovação, mas nem sempre sabem por onde começar. Qual é, hoje, o maior bloqueio que encontra nas empresas portuguesas?

C.S. — Para se apostar em inovação é necessário investimento: em equipa, monetário e de tempo, e nem sempre o investimento é garantia de resultados. Há muita investigação de qualidade que nunca chega ao mercado, pelo que os riscos são muito elevados. E o bloqueio surge quando as empresas percebem isso, que não têm estrutura, que os processos são lentos e que não existe garantia de retorno. Os CoLabs da AlmaScience surgem exatamente para minimizar todos estes riscos. Através de uma equipa multidisciplinar e colaborativa, com a partilha de recursos, risco e investimento, é possível apresentar melhores resultados em menos tempo e com garantias de aplicação prática.



Fala-se frequentemente do “vale da morte da inovação”, esse momento em que boas ideias não chegam ao mercado. Porque é que isso acontece com tanta frequência?

C.S. — Estima-se que 70 a 90% das ideias não sobreviva ao “vale da morte” e isto acontece por falta de estrutura. De 100 ideias promissoras, apenas 10 a 30 chegam a protótipo, dessas, só 5 a 10 alcançam o mercado e uma ínfima parte, cerca de 1%, é considerada economicamente sustentável. Chama-se “vale da morte” ao período entre a validação laboratorial e a adoção industrial. Esta é a fase crítica, em que as empresas não conseguem chegar ao mercado, principalmente, por falta de capital para demonstrações industriais, certificações ou linhas-piloto. Entre as áreas mais afetadas, temos as deep-tech, onde as necessidades de investimento são maiores, o que faz com que o potencial retorno financeiro, a curto prazo para os investidores, seja menos atrativo.

A AlmaScience defende que a colaboração é a resposta para ultrapassar esse “vale da morte”. Como funciona essa colaboração no dia a dia?

C.S. — Sem dúvida. É nesta fase que surgem os nossos laboratórios colaborativos, a que chamamos CoLabs, como resposta estrutural ao partilharem o risco, o custo e o conhecimento. O mercado está em constante evolução, e o que hoje é uma necessidade absoluta, amanhã está ultrapassado, o que aumenta ainda mais o risco nestes processos que são longos e burocráticos. Quando empresas, centros de investigação e instituições académicas trabalham em equipa, o esforço coletivo faz com que a travessia do "vale da morte" seja menos arriscada e mais coordenada, aumentando as hipóteses de sucesso. 



O vosso ecossistema junta empresas, investigadores e instituições. O que muda quando estas realidades passam a trabalhar juntas, em vez de estarem separadas?

C.S. — Quando empresas, investigadores e instituições se juntam os desafios passam a ser mais reais. Porquê? Porque passam a trabalhar em conjunto em torno de um objetivo comum, com know-how especializado e recursos humanos e financeiros complementares. É esta combinação única que torna o ecossistema vivo, colaborativo e orientado para resultados com impacto sustentável.

A AlmaScience já recebeu vários prémios de inovação, incluindo o Prémio Nacional de Inovação em 2025. O que representam estes reconhecimentos para uma organização ainda relativamente jovem?

C.S. — Estes reconhecimentos são muito importantes porque representam a validação externa de que estamos no caminho certo. O Prémio Nacional de Inovação 2025, conquistado pela PaperWeight AI – a nossa primeira spin-off e a primeira de um CoLab nacional –, é talvez o exemplo mais expressivo disso: prova que a investigação que fazemos dentro do laboratório tem viabilidade comercial real. O caminho que traçamos pode ser muito solitário, uma vez que, até à apresentação de um protótipo, podem passar anos de investigação e desenvolvimento, com muitos avanços, mas também muitos recuos. Acreditamos no trabalho que desenvolvemos e sabemos que temos a equipa certa para o fazer, e vermos outros, que não acompanham o trabalho do dia-a-dia, a reconhecer e validar o nosso trabalho é muito gratificante. Do ponto de vista do negócio, estes prémios representam uma garantia e um voto de confiança para o mercado. 

Entre os vossos parceiros estão empresas industriais, instituições públicas e universidades. Que tipo de empresas mais beneficiam deste modelo: grandes empresas, PME ou startups?

C.S. — Todos beneficiam, mas por razões diferentes. As grandes empresas ganham em agilidade e acesso a ideias disruptivas, uma vez que tendem a ser mais burocráticas e menos rápidas a inovar. As PME’s beneficiam sobretudo em capacidade de inovação e especialização, uma vez que costumam ter as ideias e o conhecimento do mercado, mas não têm capacidade técnica ou financeira para inovar sozinhas. E as startups beneficiam da escala e credibilidade de parceiros que estão há mais tempo no mercado porque, apesar de ágeis, muitas vezes, carecem de recursos e validação, e o laboratório ajuda a acelerar o crescimento com mais suporte.


"A nossa tecnologia respeita o ciclo de vida dos produtos"



Muitas vezes, a inovação é vista como algo distante ou reservado a grandes empresas. O que diria a uma PME portuguesa que sente que “inovar” é demasiado complexo ou caro?

C.S. — As empresas, independentemente da sua dimensão, enfrentam uma pressão crescente para inovarem e se reinventarem. Assim, diria que o recurso a laboratórios colaborativos é a solução ideal para que possam continuar a inovar de forma sustentável. Através do laboratório colaborativo, esta PME passa a ter à sua disposição um espaço de inovação ágil, disruptivo e com competências científicas profundas. A rede disponibilizada também multiplica as oportunidades de sucesso. Além disso, com menor risco, uma vez que o risco é partilhado, o investimento distribuído e os custos de falha são menores.

A sustentabilidade e a eletrónica verde fazem parte do ADN da AlmaScience. Como é que esta preocupação se traduz em soluções concretas?

C.S. — Na AlmaScience pretendemos dar resposta e/ou antecipar necessidades reais do mercado, por isso, tudo o que é desenvolvido é para ser usado. Trabalhamos sempre, e desde a fase de conceção, com foco na aplicabilidade e escalabilidade industrial do produto. Para nós, só faz sentido investir no desenvolvimento de soluções que possam vir a ser reais, e quando chegamos à fase da implementação, estamos 100% preparados para o fazer. Outra característica que nos distingue e que nos orgulha é o conceito de “Vida Útil Apropriada”. Ou seja, em vez de seguirmos a lógica tradicional de “quanto mais durável, melhor”, trabalhamos com a premissa de que a tecnologia deve durar exatamente o tempo que for útil. Isto é particularmente relevante em áreas como a embalagem, onde o excesso de durabilidade muitas vezes significa mais resíduos, mais custos e mais impacto ambiental. Por exemplo, se desenvolvemos um sensor para ser usado numa embalagem de transporte de peixe, esse sensor não precisa durar anos: deve, sim, funcionar com fiabilidade durante o transporte para depois ser descartado ou reciclado sem deixar rasto. É aqui que entram os materiais, como o papel e a celulose, e os nossos processos, todos pensados para serem compatíveis com reciclagem, compostagem ou biodegradação. A nossa tecnologia respeita o ciclo de vida dos produtos, evita o desperdício, e é pensada para encaixar num futuro circular. 



Quando olha para o futuro, qual é a ambição da AlmaScience?

C.S. — Na AlmaScience trabalhamos diariamente com os olhos postos no futuro, exatamente para criar novas tecnologias, para aproximar os diferentes players e, assim, inovar na forma como se cria em Portugal e no mundo. Os resultados demonstram que estamos a ser bem sucedidos neste campo, pelo que, além de continuarmos a desenvolver soluções economicamente sustentáveis, a nossa ambição passa também por vermos implementadas todas estas inovações, com um portefólio robusto de spin-offs bem-sucedidas que provam a viabilidade comercial das nossas tecnologias. Não tenho dúvidas de que no futuro próximo, a AlmaScience será uma referência europeia em inovação sustentável aplicada. Para isso, precisamos de continuar a fazer crescer o nosso ecossistema de empresas associadas, que conta atualmente com 12 associados estratégicos de peso: MEXT, TMG Automotive, Super Bock Group, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, The Navigator Company, Grupo Clara Saúde, Firmo, Município de Almada, Universidade Nova de Lisboa, NOVA.ID, Raiz - Instituto de Investigação da Floresta e Papel, e Fraunhofer Portugal. Internamente, imagino uma organização mais madura, com maior capacidade financeira para assumir projetos mais ambiciosos e com impacto mensurável na redução da pegada ambiental de indústrias inteiras. Por fim, mas não menos importante, gostava que daqui a uma década, quando se pensar em tecnologia sustentável, se pense imediatamente na AlmaScience e no ecossistema que construímos em Portugal. Um ecossistema que está aberto, e que queremos continuar a fazer crescer com organizações que partilhem esta visão.

#Protagonistas

CARLOS SILVA: “70 a 90% das ideias não sobrevivem por falta de estrutura”

Já ouviu a expressão “vale da morte”? Trata-se do momento em que boas ideias, apesar do seu potencial, não conseguem atravessar a distância entre o laboratório e o mercado. Em Portugal, esse intervalo continua a ser um dos maiores bloqueios à competitividade. É isso que nos explica Carlos Silva, CEO da AlmaScience.

|

27 de abr. de 2026, 10:21

A AlmaScience nasce como um laboratório colaborativo de inovação. Para quem não está dentro deste universo, o que significa, na prática, este modelo e que problema procura resolver?

CARLOS SILVA — A AlmaScience nasceu há 6 anos com o objetivo fazer a ponte entre a academia e as empresas, como parte do esforço nacional para aumentar a competitividade e promover a adoção de tecnologias por parte do tecido empresarial do país. Assim, funciona como um espaço onde ciência, tecnologia e os agentes de mercado se reúnem para resolver problemas concretos de forma mais rápida, integrada, eficiente e sustentável. Na prática, e de forma muito simples, este modelo colaborativo permite transformar mais ideias em produtos reais, em menos tempo, com custos mais reduzidos e com garantias de aplicabilidade e escalabilidade. Isto só é possível porque a AlmaScience trabalha de forma muito próxima com os seus associados, com uma equipa multidisciplinar que inclui cerca de 30 investigadores mestres e doutorados em áreas como química, ciência dos materiais e eletrónica, e ainda especialistas em desenvolvimento de produto e negócio. Uma combinação que garante o compromisso entre a excelência científica e a aplicação prática.

Muitas empresas reconhecem a importância da inovação, mas nem sempre sabem por onde começar. Qual é, hoje, o maior bloqueio que encontra nas empresas portuguesas?

C.S. — Para se apostar em inovação é necessário investimento: em equipa, monetário e de tempo, e nem sempre o investimento é garantia de resultados. Há muita investigação de qualidade que nunca chega ao mercado, pelo que os riscos são muito elevados. E o bloqueio surge quando as empresas percebem isso, que não têm estrutura, que os processos são lentos e que não existe garantia de retorno. Os CoLabs da AlmaScience surgem exatamente para minimizar todos estes riscos. Através de uma equipa multidisciplinar e colaborativa, com a partilha de recursos, risco e investimento, é possível apresentar melhores resultados em menos tempo e com garantias de aplicação prática.



Fala-se frequentemente do “vale da morte da inovação”, esse momento em que boas ideias não chegam ao mercado. Porque é que isso acontece com tanta frequência?

C.S. — Estima-se que 70 a 90% das ideias não sobreviva ao “vale da morte” e isto acontece por falta de estrutura. De 100 ideias promissoras, apenas 10 a 30 chegam a protótipo, dessas, só 5 a 10 alcançam o mercado e uma ínfima parte, cerca de 1%, é considerada economicamente sustentável. Chama-se “vale da morte” ao período entre a validação laboratorial e a adoção industrial. Esta é a fase crítica, em que as empresas não conseguem chegar ao mercado, principalmente, por falta de capital para demonstrações industriais, certificações ou linhas-piloto. Entre as áreas mais afetadas, temos as deep-tech, onde as necessidades de investimento são maiores, o que faz com que o potencial retorno financeiro, a curto prazo para os investidores, seja menos atrativo.

A AlmaScience defende que a colaboração é a resposta para ultrapassar esse “vale da morte”. Como funciona essa colaboração no dia a dia?

C.S. — Sem dúvida. É nesta fase que surgem os nossos laboratórios colaborativos, a que chamamos CoLabs, como resposta estrutural ao partilharem o risco, o custo e o conhecimento. O mercado está em constante evolução, e o que hoje é uma necessidade absoluta, amanhã está ultrapassado, o que aumenta ainda mais o risco nestes processos que são longos e burocráticos. Quando empresas, centros de investigação e instituições académicas trabalham em equipa, o esforço coletivo faz com que a travessia do "vale da morte" seja menos arriscada e mais coordenada, aumentando as hipóteses de sucesso. 



O vosso ecossistema junta empresas, investigadores e instituições. O que muda quando estas realidades passam a trabalhar juntas, em vez de estarem separadas?

C.S. — Quando empresas, investigadores e instituições se juntam os desafios passam a ser mais reais. Porquê? Porque passam a trabalhar em conjunto em torno de um objetivo comum, com know-how especializado e recursos humanos e financeiros complementares. É esta combinação única que torna o ecossistema vivo, colaborativo e orientado para resultados com impacto sustentável.

A AlmaScience já recebeu vários prémios de inovação, incluindo o Prémio Nacional de Inovação em 2025. O que representam estes reconhecimentos para uma organização ainda relativamente jovem?

C.S. — Estes reconhecimentos são muito importantes porque representam a validação externa de que estamos no caminho certo. O Prémio Nacional de Inovação 2025, conquistado pela PaperWeight AI – a nossa primeira spin-off e a primeira de um CoLab nacional –, é talvez o exemplo mais expressivo disso: prova que a investigação que fazemos dentro do laboratório tem viabilidade comercial real. O caminho que traçamos pode ser muito solitário, uma vez que, até à apresentação de um protótipo, podem passar anos de investigação e desenvolvimento, com muitos avanços, mas também muitos recuos. Acreditamos no trabalho que desenvolvemos e sabemos que temos a equipa certa para o fazer, e vermos outros, que não acompanham o trabalho do dia-a-dia, a reconhecer e validar o nosso trabalho é muito gratificante. Do ponto de vista do negócio, estes prémios representam uma garantia e um voto de confiança para o mercado. 

Entre os vossos parceiros estão empresas industriais, instituições públicas e universidades. Que tipo de empresas mais beneficiam deste modelo: grandes empresas, PME ou startups?

C.S. — Todos beneficiam, mas por razões diferentes. As grandes empresas ganham em agilidade e acesso a ideias disruptivas, uma vez que tendem a ser mais burocráticas e menos rápidas a inovar. As PME’s beneficiam sobretudo em capacidade de inovação e especialização, uma vez que costumam ter as ideias e o conhecimento do mercado, mas não têm capacidade técnica ou financeira para inovar sozinhas. E as startups beneficiam da escala e credibilidade de parceiros que estão há mais tempo no mercado porque, apesar de ágeis, muitas vezes, carecem de recursos e validação, e o laboratório ajuda a acelerar o crescimento com mais suporte.


"A nossa tecnologia respeita o ciclo de vida dos produtos"



Muitas vezes, a inovação é vista como algo distante ou reservado a grandes empresas. O que diria a uma PME portuguesa que sente que “inovar” é demasiado complexo ou caro?

C.S. — As empresas, independentemente da sua dimensão, enfrentam uma pressão crescente para inovarem e se reinventarem. Assim, diria que o recurso a laboratórios colaborativos é a solução ideal para que possam continuar a inovar de forma sustentável. Através do laboratório colaborativo, esta PME passa a ter à sua disposição um espaço de inovação ágil, disruptivo e com competências científicas profundas. A rede disponibilizada também multiplica as oportunidades de sucesso. Além disso, com menor risco, uma vez que o risco é partilhado, o investimento distribuído e os custos de falha são menores.

A sustentabilidade e a eletrónica verde fazem parte do ADN da AlmaScience. Como é que esta preocupação se traduz em soluções concretas?

C.S. — Na AlmaScience pretendemos dar resposta e/ou antecipar necessidades reais do mercado, por isso, tudo o que é desenvolvido é para ser usado. Trabalhamos sempre, e desde a fase de conceção, com foco na aplicabilidade e escalabilidade industrial do produto. Para nós, só faz sentido investir no desenvolvimento de soluções que possam vir a ser reais, e quando chegamos à fase da implementação, estamos 100% preparados para o fazer. Outra característica que nos distingue e que nos orgulha é o conceito de “Vida Útil Apropriada”. Ou seja, em vez de seguirmos a lógica tradicional de “quanto mais durável, melhor”, trabalhamos com a premissa de que a tecnologia deve durar exatamente o tempo que for útil. Isto é particularmente relevante em áreas como a embalagem, onde o excesso de durabilidade muitas vezes significa mais resíduos, mais custos e mais impacto ambiental. Por exemplo, se desenvolvemos um sensor para ser usado numa embalagem de transporte de peixe, esse sensor não precisa durar anos: deve, sim, funcionar com fiabilidade durante o transporte para depois ser descartado ou reciclado sem deixar rasto. É aqui que entram os materiais, como o papel e a celulose, e os nossos processos, todos pensados para serem compatíveis com reciclagem, compostagem ou biodegradação. A nossa tecnologia respeita o ciclo de vida dos produtos, evita o desperdício, e é pensada para encaixar num futuro circular. 



Quando olha para o futuro, qual é a ambição da AlmaScience?

C.S. — Na AlmaScience trabalhamos diariamente com os olhos postos no futuro, exatamente para criar novas tecnologias, para aproximar os diferentes players e, assim, inovar na forma como se cria em Portugal e no mundo. Os resultados demonstram que estamos a ser bem sucedidos neste campo, pelo que, além de continuarmos a desenvolver soluções economicamente sustentáveis, a nossa ambição passa também por vermos implementadas todas estas inovações, com um portefólio robusto de spin-offs bem-sucedidas que provam a viabilidade comercial das nossas tecnologias. Não tenho dúvidas de que no futuro próximo, a AlmaScience será uma referência europeia em inovação sustentável aplicada. Para isso, precisamos de continuar a fazer crescer o nosso ecossistema de empresas associadas, que conta atualmente com 12 associados estratégicos de peso: MEXT, TMG Automotive, Super Bock Group, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, The Navigator Company, Grupo Clara Saúde, Firmo, Município de Almada, Universidade Nova de Lisboa, NOVA.ID, Raiz - Instituto de Investigação da Floresta e Papel, e Fraunhofer Portugal. Internamente, imagino uma organização mais madura, com maior capacidade financeira para assumir projetos mais ambiciosos e com impacto mensurável na redução da pegada ambiental de indústrias inteiras. Por fim, mas não menos importante, gostava que daqui a uma década, quando se pensar em tecnologia sustentável, se pense imediatamente na AlmaScience e no ecossistema que construímos em Portugal. Um ecossistema que está aberto, e que queremos continuar a fazer crescer com organizações que partilhem esta visão.

#Protagonistas

CARLOS SILVA: “70 a 90% das ideias não sobrevivem por falta de estrutura”

Já ouviu a expressão “vale da morte”? Trata-se do momento em que boas ideias, apesar do seu potencial, não conseguem atravessar a distância entre o laboratório e o mercado. Em Portugal, esse intervalo continua a ser um dos maiores bloqueios à competitividade. É isso que nos explica Carlos Silva, CEO da AlmaScience.

|

27 de abr. de 2026, 10:21

A AlmaScience nasce como um laboratório colaborativo de inovação. Para quem não está dentro deste universo, o que significa, na prática, este modelo e que problema procura resolver?

CARLOS SILVA — A AlmaScience nasceu há 6 anos com o objetivo fazer a ponte entre a academia e as empresas, como parte do esforço nacional para aumentar a competitividade e promover a adoção de tecnologias por parte do tecido empresarial do país. Assim, funciona como um espaço onde ciência, tecnologia e os agentes de mercado se reúnem para resolver problemas concretos de forma mais rápida, integrada, eficiente e sustentável. Na prática, e de forma muito simples, este modelo colaborativo permite transformar mais ideias em produtos reais, em menos tempo, com custos mais reduzidos e com garantias de aplicabilidade e escalabilidade. Isto só é possível porque a AlmaScience trabalha de forma muito próxima com os seus associados, com uma equipa multidisciplinar que inclui cerca de 30 investigadores mestres e doutorados em áreas como química, ciência dos materiais e eletrónica, e ainda especialistas em desenvolvimento de produto e negócio. Uma combinação que garante o compromisso entre a excelência científica e a aplicação prática.

Muitas empresas reconhecem a importância da inovação, mas nem sempre sabem por onde começar. Qual é, hoje, o maior bloqueio que encontra nas empresas portuguesas?

C.S. — Para se apostar em inovação é necessário investimento: em equipa, monetário e de tempo, e nem sempre o investimento é garantia de resultados. Há muita investigação de qualidade que nunca chega ao mercado, pelo que os riscos são muito elevados. E o bloqueio surge quando as empresas percebem isso, que não têm estrutura, que os processos são lentos e que não existe garantia de retorno. Os CoLabs da AlmaScience surgem exatamente para minimizar todos estes riscos. Através de uma equipa multidisciplinar e colaborativa, com a partilha de recursos, risco e investimento, é possível apresentar melhores resultados em menos tempo e com garantias de aplicação prática.



Fala-se frequentemente do “vale da morte da inovação”, esse momento em que boas ideias não chegam ao mercado. Porque é que isso acontece com tanta frequência?

C.S. — Estima-se que 70 a 90% das ideias não sobreviva ao “vale da morte” e isto acontece por falta de estrutura. De 100 ideias promissoras, apenas 10 a 30 chegam a protótipo, dessas, só 5 a 10 alcançam o mercado e uma ínfima parte, cerca de 1%, é considerada economicamente sustentável. Chama-se “vale da morte” ao período entre a validação laboratorial e a adoção industrial. Esta é a fase crítica, em que as empresas não conseguem chegar ao mercado, principalmente, por falta de capital para demonstrações industriais, certificações ou linhas-piloto. Entre as áreas mais afetadas, temos as deep-tech, onde as necessidades de investimento são maiores, o que faz com que o potencial retorno financeiro, a curto prazo para os investidores, seja menos atrativo.

A AlmaScience defende que a colaboração é a resposta para ultrapassar esse “vale da morte”. Como funciona essa colaboração no dia a dia?

C.S. — Sem dúvida. É nesta fase que surgem os nossos laboratórios colaborativos, a que chamamos CoLabs, como resposta estrutural ao partilharem o risco, o custo e o conhecimento. O mercado está em constante evolução, e o que hoje é uma necessidade absoluta, amanhã está ultrapassado, o que aumenta ainda mais o risco nestes processos que são longos e burocráticos. Quando empresas, centros de investigação e instituições académicas trabalham em equipa, o esforço coletivo faz com que a travessia do "vale da morte" seja menos arriscada e mais coordenada, aumentando as hipóteses de sucesso. 



O vosso ecossistema junta empresas, investigadores e instituições. O que muda quando estas realidades passam a trabalhar juntas, em vez de estarem separadas?

C.S. — Quando empresas, investigadores e instituições se juntam os desafios passam a ser mais reais. Porquê? Porque passam a trabalhar em conjunto em torno de um objetivo comum, com know-how especializado e recursos humanos e financeiros complementares. É esta combinação única que torna o ecossistema vivo, colaborativo e orientado para resultados com impacto sustentável.

A AlmaScience já recebeu vários prémios de inovação, incluindo o Prémio Nacional de Inovação em 2025. O que representam estes reconhecimentos para uma organização ainda relativamente jovem?

C.S. — Estes reconhecimentos são muito importantes porque representam a validação externa de que estamos no caminho certo. O Prémio Nacional de Inovação 2025, conquistado pela PaperWeight AI – a nossa primeira spin-off e a primeira de um CoLab nacional –, é talvez o exemplo mais expressivo disso: prova que a investigação que fazemos dentro do laboratório tem viabilidade comercial real. O caminho que traçamos pode ser muito solitário, uma vez que, até à apresentação de um protótipo, podem passar anos de investigação e desenvolvimento, com muitos avanços, mas também muitos recuos. Acreditamos no trabalho que desenvolvemos e sabemos que temos a equipa certa para o fazer, e vermos outros, que não acompanham o trabalho do dia-a-dia, a reconhecer e validar o nosso trabalho é muito gratificante. Do ponto de vista do negócio, estes prémios representam uma garantia e um voto de confiança para o mercado. 

Entre os vossos parceiros estão empresas industriais, instituições públicas e universidades. Que tipo de empresas mais beneficiam deste modelo: grandes empresas, PME ou startups?

C.S. — Todos beneficiam, mas por razões diferentes. As grandes empresas ganham em agilidade e acesso a ideias disruptivas, uma vez que tendem a ser mais burocráticas e menos rápidas a inovar. As PME’s beneficiam sobretudo em capacidade de inovação e especialização, uma vez que costumam ter as ideias e o conhecimento do mercado, mas não têm capacidade técnica ou financeira para inovar sozinhas. E as startups beneficiam da escala e credibilidade de parceiros que estão há mais tempo no mercado porque, apesar de ágeis, muitas vezes, carecem de recursos e validação, e o laboratório ajuda a acelerar o crescimento com mais suporte.


"A nossa tecnologia respeita o ciclo de vida dos produtos"



Muitas vezes, a inovação é vista como algo distante ou reservado a grandes empresas. O que diria a uma PME portuguesa que sente que “inovar” é demasiado complexo ou caro?

C.S. — As empresas, independentemente da sua dimensão, enfrentam uma pressão crescente para inovarem e se reinventarem. Assim, diria que o recurso a laboratórios colaborativos é a solução ideal para que possam continuar a inovar de forma sustentável. Através do laboratório colaborativo, esta PME passa a ter à sua disposição um espaço de inovação ágil, disruptivo e com competências científicas profundas. A rede disponibilizada também multiplica as oportunidades de sucesso. Além disso, com menor risco, uma vez que o risco é partilhado, o investimento distribuído e os custos de falha são menores.

A sustentabilidade e a eletrónica verde fazem parte do ADN da AlmaScience. Como é que esta preocupação se traduz em soluções concretas?

C.S. — Na AlmaScience pretendemos dar resposta e/ou antecipar necessidades reais do mercado, por isso, tudo o que é desenvolvido é para ser usado. Trabalhamos sempre, e desde a fase de conceção, com foco na aplicabilidade e escalabilidade industrial do produto. Para nós, só faz sentido investir no desenvolvimento de soluções que possam vir a ser reais, e quando chegamos à fase da implementação, estamos 100% preparados para o fazer. Outra característica que nos distingue e que nos orgulha é o conceito de “Vida Útil Apropriada”. Ou seja, em vez de seguirmos a lógica tradicional de “quanto mais durável, melhor”, trabalhamos com a premissa de que a tecnologia deve durar exatamente o tempo que for útil. Isto é particularmente relevante em áreas como a embalagem, onde o excesso de durabilidade muitas vezes significa mais resíduos, mais custos e mais impacto ambiental. Por exemplo, se desenvolvemos um sensor para ser usado numa embalagem de transporte de peixe, esse sensor não precisa durar anos: deve, sim, funcionar com fiabilidade durante o transporte para depois ser descartado ou reciclado sem deixar rasto. É aqui que entram os materiais, como o papel e a celulose, e os nossos processos, todos pensados para serem compatíveis com reciclagem, compostagem ou biodegradação. A nossa tecnologia respeita o ciclo de vida dos produtos, evita o desperdício, e é pensada para encaixar num futuro circular. 



Quando olha para o futuro, qual é a ambição da AlmaScience?

C.S. — Na AlmaScience trabalhamos diariamente com os olhos postos no futuro, exatamente para criar novas tecnologias, para aproximar os diferentes players e, assim, inovar na forma como se cria em Portugal e no mundo. Os resultados demonstram que estamos a ser bem sucedidos neste campo, pelo que, além de continuarmos a desenvolver soluções economicamente sustentáveis, a nossa ambição passa também por vermos implementadas todas estas inovações, com um portefólio robusto de spin-offs bem-sucedidas que provam a viabilidade comercial das nossas tecnologias. Não tenho dúvidas de que no futuro próximo, a AlmaScience será uma referência europeia em inovação sustentável aplicada. Para isso, precisamos de continuar a fazer crescer o nosso ecossistema de empresas associadas, que conta atualmente com 12 associados estratégicos de peso: MEXT, TMG Automotive, Super Bock Group, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, The Navigator Company, Grupo Clara Saúde, Firmo, Município de Almada, Universidade Nova de Lisboa, NOVA.ID, Raiz - Instituto de Investigação da Floresta e Papel, e Fraunhofer Portugal. Internamente, imagino uma organização mais madura, com maior capacidade financeira para assumir projetos mais ambiciosos e com impacto mensurável na redução da pegada ambiental de indústrias inteiras. Por fim, mas não menos importante, gostava que daqui a uma década, quando se pensar em tecnologia sustentável, se pense imediatamente na AlmaScience e no ecossistema que construímos em Portugal. Um ecossistema que está aberto, e que queremos continuar a fazer crescer com organizações que partilhem esta visão.

#Protagonistas

CARLOS SILVA: “70 a 90% das ideias não sobrevivem por falta de estrutura”

Já ouviu a expressão “vale da morte”? Trata-se do momento em que boas ideias, apesar do seu potencial, não conseguem atravessar a distância entre o laboratório e o mercado. Em Portugal, esse intervalo continua a ser um dos maiores bloqueios à competitividade. É isso que nos explica Carlos Silva, CEO da AlmaScience.

|

27 de abr. de 2026, 10:21

A AlmaScience nasce como um laboratório colaborativo de inovação. Para quem não está dentro deste universo, o que significa, na prática, este modelo e que problema procura resolver?

CARLOS SILVA — A AlmaScience nasceu há 6 anos com o objetivo fazer a ponte entre a academia e as empresas, como parte do esforço nacional para aumentar a competitividade e promover a adoção de tecnologias por parte do tecido empresarial do país. Assim, funciona como um espaço onde ciência, tecnologia e os agentes de mercado se reúnem para resolver problemas concretos de forma mais rápida, integrada, eficiente e sustentável. Na prática, e de forma muito simples, este modelo colaborativo permite transformar mais ideias em produtos reais, em menos tempo, com custos mais reduzidos e com garantias de aplicabilidade e escalabilidade. Isto só é possível porque a AlmaScience trabalha de forma muito próxima com os seus associados, com uma equipa multidisciplinar que inclui cerca de 30 investigadores mestres e doutorados em áreas como química, ciência dos materiais e eletrónica, e ainda especialistas em desenvolvimento de produto e negócio. Uma combinação que garante o compromisso entre a excelência científica e a aplicação prática.

Muitas empresas reconhecem a importância da inovação, mas nem sempre sabem por onde começar. Qual é, hoje, o maior bloqueio que encontra nas empresas portuguesas?

C.S. — Para se apostar em inovação é necessário investimento: em equipa, monetário e de tempo, e nem sempre o investimento é garantia de resultados. Há muita investigação de qualidade que nunca chega ao mercado, pelo que os riscos são muito elevados. E o bloqueio surge quando as empresas percebem isso, que não têm estrutura, que os processos são lentos e que não existe garantia de retorno. Os CoLabs da AlmaScience surgem exatamente para minimizar todos estes riscos. Através de uma equipa multidisciplinar e colaborativa, com a partilha de recursos, risco e investimento, é possível apresentar melhores resultados em menos tempo e com garantias de aplicação prática.



Fala-se frequentemente do “vale da morte da inovação”, esse momento em que boas ideias não chegam ao mercado. Porque é que isso acontece com tanta frequência?

C.S. — Estima-se que 70 a 90% das ideias não sobreviva ao “vale da morte” e isto acontece por falta de estrutura. De 100 ideias promissoras, apenas 10 a 30 chegam a protótipo, dessas, só 5 a 10 alcançam o mercado e uma ínfima parte, cerca de 1%, é considerada economicamente sustentável. Chama-se “vale da morte” ao período entre a validação laboratorial e a adoção industrial. Esta é a fase crítica, em que as empresas não conseguem chegar ao mercado, principalmente, por falta de capital para demonstrações industriais, certificações ou linhas-piloto. Entre as áreas mais afetadas, temos as deep-tech, onde as necessidades de investimento são maiores, o que faz com que o potencial retorno financeiro, a curto prazo para os investidores, seja menos atrativo.

A AlmaScience defende que a colaboração é a resposta para ultrapassar esse “vale da morte”. Como funciona essa colaboração no dia a dia?

C.S. — Sem dúvida. É nesta fase que surgem os nossos laboratórios colaborativos, a que chamamos CoLabs, como resposta estrutural ao partilharem o risco, o custo e o conhecimento. O mercado está em constante evolução, e o que hoje é uma necessidade absoluta, amanhã está ultrapassado, o que aumenta ainda mais o risco nestes processos que são longos e burocráticos. Quando empresas, centros de investigação e instituições académicas trabalham em equipa, o esforço coletivo faz com que a travessia do "vale da morte" seja menos arriscada e mais coordenada, aumentando as hipóteses de sucesso. 



O vosso ecossistema junta empresas, investigadores e instituições. O que muda quando estas realidades passam a trabalhar juntas, em vez de estarem separadas?

C.S. — Quando empresas, investigadores e instituições se juntam os desafios passam a ser mais reais. Porquê? Porque passam a trabalhar em conjunto em torno de um objetivo comum, com know-how especializado e recursos humanos e financeiros complementares. É esta combinação única que torna o ecossistema vivo, colaborativo e orientado para resultados com impacto sustentável.

A AlmaScience já recebeu vários prémios de inovação, incluindo o Prémio Nacional de Inovação em 2025. O que representam estes reconhecimentos para uma organização ainda relativamente jovem?

C.S. — Estes reconhecimentos são muito importantes porque representam a validação externa de que estamos no caminho certo. O Prémio Nacional de Inovação 2025, conquistado pela PaperWeight AI – a nossa primeira spin-off e a primeira de um CoLab nacional –, é talvez o exemplo mais expressivo disso: prova que a investigação que fazemos dentro do laboratório tem viabilidade comercial real. O caminho que traçamos pode ser muito solitário, uma vez que, até à apresentação de um protótipo, podem passar anos de investigação e desenvolvimento, com muitos avanços, mas também muitos recuos. Acreditamos no trabalho que desenvolvemos e sabemos que temos a equipa certa para o fazer, e vermos outros, que não acompanham o trabalho do dia-a-dia, a reconhecer e validar o nosso trabalho é muito gratificante. Do ponto de vista do negócio, estes prémios representam uma garantia e um voto de confiança para o mercado. 

Entre os vossos parceiros estão empresas industriais, instituições públicas e universidades. Que tipo de empresas mais beneficiam deste modelo: grandes empresas, PME ou startups?

C.S. — Todos beneficiam, mas por razões diferentes. As grandes empresas ganham em agilidade e acesso a ideias disruptivas, uma vez que tendem a ser mais burocráticas e menos rápidas a inovar. As PME’s beneficiam sobretudo em capacidade de inovação e especialização, uma vez que costumam ter as ideias e o conhecimento do mercado, mas não têm capacidade técnica ou financeira para inovar sozinhas. E as startups beneficiam da escala e credibilidade de parceiros que estão há mais tempo no mercado porque, apesar de ágeis, muitas vezes, carecem de recursos e validação, e o laboratório ajuda a acelerar o crescimento com mais suporte.


"A nossa tecnologia respeita o ciclo de vida dos produtos"



Muitas vezes, a inovação é vista como algo distante ou reservado a grandes empresas. O que diria a uma PME portuguesa que sente que “inovar” é demasiado complexo ou caro?

C.S. — As empresas, independentemente da sua dimensão, enfrentam uma pressão crescente para inovarem e se reinventarem. Assim, diria que o recurso a laboratórios colaborativos é a solução ideal para que possam continuar a inovar de forma sustentável. Através do laboratório colaborativo, esta PME passa a ter à sua disposição um espaço de inovação ágil, disruptivo e com competências científicas profundas. A rede disponibilizada também multiplica as oportunidades de sucesso. Além disso, com menor risco, uma vez que o risco é partilhado, o investimento distribuído e os custos de falha são menores.

A sustentabilidade e a eletrónica verde fazem parte do ADN da AlmaScience. Como é que esta preocupação se traduz em soluções concretas?

C.S. — Na AlmaScience pretendemos dar resposta e/ou antecipar necessidades reais do mercado, por isso, tudo o que é desenvolvido é para ser usado. Trabalhamos sempre, e desde a fase de conceção, com foco na aplicabilidade e escalabilidade industrial do produto. Para nós, só faz sentido investir no desenvolvimento de soluções que possam vir a ser reais, e quando chegamos à fase da implementação, estamos 100% preparados para o fazer. Outra característica que nos distingue e que nos orgulha é o conceito de “Vida Útil Apropriada”. Ou seja, em vez de seguirmos a lógica tradicional de “quanto mais durável, melhor”, trabalhamos com a premissa de que a tecnologia deve durar exatamente o tempo que for útil. Isto é particularmente relevante em áreas como a embalagem, onde o excesso de durabilidade muitas vezes significa mais resíduos, mais custos e mais impacto ambiental. Por exemplo, se desenvolvemos um sensor para ser usado numa embalagem de transporte de peixe, esse sensor não precisa durar anos: deve, sim, funcionar com fiabilidade durante o transporte para depois ser descartado ou reciclado sem deixar rasto. É aqui que entram os materiais, como o papel e a celulose, e os nossos processos, todos pensados para serem compatíveis com reciclagem, compostagem ou biodegradação. A nossa tecnologia respeita o ciclo de vida dos produtos, evita o desperdício, e é pensada para encaixar num futuro circular. 



Quando olha para o futuro, qual é a ambição da AlmaScience?

C.S. — Na AlmaScience trabalhamos diariamente com os olhos postos no futuro, exatamente para criar novas tecnologias, para aproximar os diferentes players e, assim, inovar na forma como se cria em Portugal e no mundo. Os resultados demonstram que estamos a ser bem sucedidos neste campo, pelo que, além de continuarmos a desenvolver soluções economicamente sustentáveis, a nossa ambição passa também por vermos implementadas todas estas inovações, com um portefólio robusto de spin-offs bem-sucedidas que provam a viabilidade comercial das nossas tecnologias. Não tenho dúvidas de que no futuro próximo, a AlmaScience será uma referência europeia em inovação sustentável aplicada. Para isso, precisamos de continuar a fazer crescer o nosso ecossistema de empresas associadas, que conta atualmente com 12 associados estratégicos de peso: MEXT, TMG Automotive, Super Bock Group, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, The Navigator Company, Grupo Clara Saúde, Firmo, Município de Almada, Universidade Nova de Lisboa, NOVA.ID, Raiz - Instituto de Investigação da Floresta e Papel, e Fraunhofer Portugal. Internamente, imagino uma organização mais madura, com maior capacidade financeira para assumir projetos mais ambiciosos e com impacto mensurável na redução da pegada ambiental de indústrias inteiras. Por fim, mas não menos importante, gostava que daqui a uma década, quando se pensar em tecnologia sustentável, se pense imediatamente na AlmaScience e no ecossistema que construímos em Portugal. Um ecossistema que está aberto, e que queremos continuar a fazer crescer com organizações que partilhem esta visão.

Newsletter

Tenha acesso exclusivo à entrevista semanal em vídeo e a outros conteúdos em primeira mão. A Newsletter do MOTIVO é gratuita, sai às segundas-feiras de manhã e vai dar-lhe muitas razões para começar a semana com a motivação certa.

Newsletter

Tenha acesso exclusivo à entrevista semanal em vídeo e a outros conteúdos em primeira mão. A Newsletter do MOTIVO é gratuita, sai às segundas-feiras de manhã e vai dar-lhe muitas razões para começar a semana com a motivação certa.

Newsletter

Tenha acesso exclusivo à entrevista semanal em vídeo e a outros conteúdos em primeira mão. A Newsletter do MOTIVO é gratuita, sai às segundas-feiras de manhã e vai dar-lhe muitas razões para começar a semana com a motivação certa.

Newsletter

Tenha acesso exclusivo à entrevista semanal em vídeo e a outros conteúdos em primeira mão. A Newsletter do MOTIVO é gratuita, sai às segundas-feiras de manhã e vai dar-lhe muitas razões para começar a semana com a motivação certa.