#Protagonistas

Book Gang: como um clube de leitura se tornou um movimento cultural

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27 de nov. de 2025, 11:20

Em 2019, num momento de viragem pessoal e profissional, Helena Magalhães decidiu criar algo que não existia no panorama literário português. Nascia o Book Gang, um projeto que combina curadoria literária, comunidade e comunicação digital para levar livros escritos por mulheres a novos leitores. A ideia surgiu de uma frustração antiga: “As pessoas não liam porque não sabiam o que ler”. A ex-jornalista, cansada de um meio editorial conservador e distante do público, imaginou um modelo de subscrição literária capaz de renovar o entusiasmo pela leitura. Um sistema simples, com uma curadoria próxima e acessível, pensado para chegar às pessoas onde elas passam mais tempo: online.


Desde o início, Helena assumiu o desafio de unir três dimensões: atrair novos leitores, reinventar a comunicação e criar comunidade. O Book Gang nasceu, então, como uma extensão da sua própria curiosidade, focada em descobrir bons livros e partilhá-los. As primeiras escolhas, mais acessíveis e comerciais, tinham um propósito estratégico, o de criar o hábito da leitura. Com o tempo, a curadoria evoluiu, e o selo Book Gang transformou-se numa referência de confiança. “As pessoas liam um, dois, três livros e percebiam que valia a pena arriscar em títulos fora da zona de conforto”, conta.



Helena percebeu cedo que a leitura podia ser um ato coletivo. A comunidade que formou conta mais de 41 mil seguidores no Instagram Não é apenas um grupo de subscritores, é um espaço de pertença: “Hoje as pessoas não compram apenas um produto pelo que ele faz, compram pelo que ele significa”. O Book Gang oferece essa ligação emocional: uma experiência mensal que vai além do livro e dos goodies que o acompanham. Trata-se de um ritual que combina descoberta, empatia e identidade. A autora ouve atentamente o público, adapta a oferta, mostra bastidores, partilha falhas e, assim, construiu uma marca assente na confiança e autenticidade, um verdadeiro case study de como reinventar um negócio altamente tradicional.


A visão de Helena contraria a tendência de um mercado editorial que continua, nas suas palavras, “dominado por nomes masculinos e padrões de legitimidade ligados à alta cultura”. O Book Gang nasceu também como uma forma de equilibrar essa balança, e a decisão de se focar exclusivamente em escritoras não foi apenas estética, foi política. “Queria incentivar à leitura de mulheres e forçar o mercado a mudar a reprodução inconsciente desse padrão”. O impacto foi real: títulos relançados, autoras redescobertas e um público cada vez mais atento à diversidade literária.


Uma questão de compromisso

Esse posicionamento diferenciou o projeto e conferiu-lhe relevância. “Há livros que, depois de entrarem no Book Gang, aumentaram as vendas e ganharam novas edições. Algumas editoras apostaram em títulos porque sabiam que seriam escolhidos para o clube”, diz Helena. A criadora acredita que, apesar das mudanças recentes, o mercado português ainda está longe da paridade. “As mulheres continuam a ter menos oportunidades, e o Book Gang vai continuar a ser feminino e feminista”. 


Transformar um clube de leitura digital num negócio sustentável foi outro desafio. Helena assume que o caminho foi feito de erros, risco e aprendizagem: “Perdi dinheiro, fiz escolhas erradas, não percebia nada de negócios, mas sou ambiciosa e autodidata. Descobri que podia fazer muito mais do que imaginava”. Essa capacidade de adaptação tornou-se essencial num modelo que vive da confiança dos leitores. “O meu maior receio é crescer e perder autenticidade”, admite, para de seguida garantir: “A qualidade, a curadoria e a relação direta com a comunidade são inegociáveis”.


Sobre o futuro da leitura, Helena é realista. Vê nos audiolivros a próxima grande tendência, não como versões complementares, mas como produtos autónomos, com narradores profissionais e ciclos de vida mais longos. “Vai mudar a forma como consumimos histórias”, prevê. Ao mesmo tempo, mostra reservas em relação ao livro digital, sobretudo pela pirataria e pela falta de mecanismos de proteção. “Enquanto não houver estruturas que salvaguardem os autores, a literatura nacional em formato digital está em risco”.



Sobre empreendedorismo cultural

É uma maratona solitária. “Vamos trabalhar muito e sozinhos, investir tempo e dinheiro, apenas para seguir o propósito. E depois veremos as grandes empresas a replicar as ideias”. O caminho da independência implica resiliência e convicção. “Negócios culturais não atraem investimento porque o retorno é simbólico e intangível”, diz. “Mas o valor que geram — social, cultural e educativo — é incalculável”.


Para o futuro, Helena imagina o Book Gang como uma plataforma mais segmentada, com curadores convidados e parcerias editoriais. Sonha com uma estrutura capaz de “ter parcerias com editores para publicar autoras nacionais” e de criar novas subscrições especializadas. “Gostava de ver o mercado dividir-se em nichos e valorizar a curadoria inteligente”. Por agora, prefere continuar a fazer o caminho passo a passo, um livro de cada vez.


Cinco anos depois, o Book Gang é mais do que um clube de leitura: é um movimento que desafia as estatísticas e reaproxima leitores e livros, tornando-se um exemplo seguido por muitos, uma vez que Helena Magalhães reinventou o modo como se comunica literatura em Portugal. Pela força da comunidade, pela persistência da ideia e pela crença de que a leitura pode, ainda hoje, ser uma forma de mudança.

#Protagonistas

Book Gang: como um clube de leitura se tornou um movimento cultural

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27 de nov. de 2025, 11:20

Em 2019, num momento de viragem pessoal e profissional, Helena Magalhães decidiu criar algo que não existia no panorama literário português. Nascia o Book Gang, um projeto que combina curadoria literária, comunidade e comunicação digital para levar livros escritos por mulheres a novos leitores. A ideia surgiu de uma frustração antiga: “As pessoas não liam porque não sabiam o que ler”. A ex-jornalista, cansada de um meio editorial conservador e distante do público, imaginou um modelo de subscrição literária capaz de renovar o entusiasmo pela leitura. Um sistema simples, com uma curadoria próxima e acessível, pensado para chegar às pessoas onde elas passam mais tempo: online.


Desde o início, Helena assumiu o desafio de unir três dimensões: atrair novos leitores, reinventar a comunicação e criar comunidade. O Book Gang nasceu, então, como uma extensão da sua própria curiosidade, focada em descobrir bons livros e partilhá-los. As primeiras escolhas, mais acessíveis e comerciais, tinham um propósito estratégico, o de criar o hábito da leitura. Com o tempo, a curadoria evoluiu, e o selo Book Gang transformou-se numa referência de confiança. “As pessoas liam um, dois, três livros e percebiam que valia a pena arriscar em títulos fora da zona de conforto”, conta.



Helena percebeu cedo que a leitura podia ser um ato coletivo. A comunidade que formou conta mais de 41 mil seguidores no Instagram Não é apenas um grupo de subscritores, é um espaço de pertença: “Hoje as pessoas não compram apenas um produto pelo que ele faz, compram pelo que ele significa”. O Book Gang oferece essa ligação emocional: uma experiência mensal que vai além do livro e dos goodies que o acompanham. Trata-se de um ritual que combina descoberta, empatia e identidade. A autora ouve atentamente o público, adapta a oferta, mostra bastidores, partilha falhas e, assim, construiu uma marca assente na confiança e autenticidade, um verdadeiro case study de como reinventar um negócio altamente tradicional.


A visão de Helena contraria a tendência de um mercado editorial que continua, nas suas palavras, “dominado por nomes masculinos e padrões de legitimidade ligados à alta cultura”. O Book Gang nasceu também como uma forma de equilibrar essa balança, e a decisão de se focar exclusivamente em escritoras não foi apenas estética, foi política. “Queria incentivar à leitura de mulheres e forçar o mercado a mudar a reprodução inconsciente desse padrão”. O impacto foi real: títulos relançados, autoras redescobertas e um público cada vez mais atento à diversidade literária.


Uma questão de compromisso

Esse posicionamento diferenciou o projeto e conferiu-lhe relevância. “Há livros que, depois de entrarem no Book Gang, aumentaram as vendas e ganharam novas edições. Algumas editoras apostaram em títulos porque sabiam que seriam escolhidos para o clube”, diz Helena. A criadora acredita que, apesar das mudanças recentes, o mercado português ainda está longe da paridade. “As mulheres continuam a ter menos oportunidades, e o Book Gang vai continuar a ser feminino e feminista”. 


Transformar um clube de leitura digital num negócio sustentável foi outro desafio. Helena assume que o caminho foi feito de erros, risco e aprendizagem: “Perdi dinheiro, fiz escolhas erradas, não percebia nada de negócios, mas sou ambiciosa e autodidata. Descobri que podia fazer muito mais do que imaginava”. Essa capacidade de adaptação tornou-se essencial num modelo que vive da confiança dos leitores. “O meu maior receio é crescer e perder autenticidade”, admite, para de seguida garantir: “A qualidade, a curadoria e a relação direta com a comunidade são inegociáveis”.


Sobre o futuro da leitura, Helena é realista. Vê nos audiolivros a próxima grande tendência, não como versões complementares, mas como produtos autónomos, com narradores profissionais e ciclos de vida mais longos. “Vai mudar a forma como consumimos histórias”, prevê. Ao mesmo tempo, mostra reservas em relação ao livro digital, sobretudo pela pirataria e pela falta de mecanismos de proteção. “Enquanto não houver estruturas que salvaguardem os autores, a literatura nacional em formato digital está em risco”.



Sobre empreendedorismo cultural

É uma maratona solitária. “Vamos trabalhar muito e sozinhos, investir tempo e dinheiro, apenas para seguir o propósito. E depois veremos as grandes empresas a replicar as ideias”. O caminho da independência implica resiliência e convicção. “Negócios culturais não atraem investimento porque o retorno é simbólico e intangível”, diz. “Mas o valor que geram — social, cultural e educativo — é incalculável”.


Para o futuro, Helena imagina o Book Gang como uma plataforma mais segmentada, com curadores convidados e parcerias editoriais. Sonha com uma estrutura capaz de “ter parcerias com editores para publicar autoras nacionais” e de criar novas subscrições especializadas. “Gostava de ver o mercado dividir-se em nichos e valorizar a curadoria inteligente”. Por agora, prefere continuar a fazer o caminho passo a passo, um livro de cada vez.


Cinco anos depois, o Book Gang é mais do que um clube de leitura: é um movimento que desafia as estatísticas e reaproxima leitores e livros, tornando-se um exemplo seguido por muitos, uma vez que Helena Magalhães reinventou o modo como se comunica literatura em Portugal. Pela força da comunidade, pela persistência da ideia e pela crença de que a leitura pode, ainda hoje, ser uma forma de mudança.

#Protagonistas

Book Gang: como um clube de leitura se tornou um movimento cultural

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27 de nov. de 2025, 11:20

Em 2019, num momento de viragem pessoal e profissional, Helena Magalhães decidiu criar algo que não existia no panorama literário português. Nascia o Book Gang, um projeto que combina curadoria literária, comunidade e comunicação digital para levar livros escritos por mulheres a novos leitores. A ideia surgiu de uma frustração antiga: “As pessoas não liam porque não sabiam o que ler”. A ex-jornalista, cansada de um meio editorial conservador e distante do público, imaginou um modelo de subscrição literária capaz de renovar o entusiasmo pela leitura. Um sistema simples, com uma curadoria próxima e acessível, pensado para chegar às pessoas onde elas passam mais tempo: online.


Desde o início, Helena assumiu o desafio de unir três dimensões: atrair novos leitores, reinventar a comunicação e criar comunidade. O Book Gang nasceu, então, como uma extensão da sua própria curiosidade, focada em descobrir bons livros e partilhá-los. As primeiras escolhas, mais acessíveis e comerciais, tinham um propósito estratégico, o de criar o hábito da leitura. Com o tempo, a curadoria evoluiu, e o selo Book Gang transformou-se numa referência de confiança. “As pessoas liam um, dois, três livros e percebiam que valia a pena arriscar em títulos fora da zona de conforto”, conta.



Helena percebeu cedo que a leitura podia ser um ato coletivo. A comunidade que formou conta mais de 41 mil seguidores no Instagram Não é apenas um grupo de subscritores, é um espaço de pertença: “Hoje as pessoas não compram apenas um produto pelo que ele faz, compram pelo que ele significa”. O Book Gang oferece essa ligação emocional: uma experiência mensal que vai além do livro e dos goodies que o acompanham. Trata-se de um ritual que combina descoberta, empatia e identidade. A autora ouve atentamente o público, adapta a oferta, mostra bastidores, partilha falhas e, assim, construiu uma marca assente na confiança e autenticidade, um verdadeiro case study de como reinventar um negócio altamente tradicional.


A visão de Helena contraria a tendência de um mercado editorial que continua, nas suas palavras, “dominado por nomes masculinos e padrões de legitimidade ligados à alta cultura”. O Book Gang nasceu também como uma forma de equilibrar essa balança, e a decisão de se focar exclusivamente em escritoras não foi apenas estética, foi política. “Queria incentivar à leitura de mulheres e forçar o mercado a mudar a reprodução inconsciente desse padrão”. O impacto foi real: títulos relançados, autoras redescobertas e um público cada vez mais atento à diversidade literária.


Uma questão de compromisso

Esse posicionamento diferenciou o projeto e conferiu-lhe relevância. “Há livros que, depois de entrarem no Book Gang, aumentaram as vendas e ganharam novas edições. Algumas editoras apostaram em títulos porque sabiam que seriam escolhidos para o clube”, diz Helena. A criadora acredita que, apesar das mudanças recentes, o mercado português ainda está longe da paridade. “As mulheres continuam a ter menos oportunidades, e o Book Gang vai continuar a ser feminino e feminista”. 


Transformar um clube de leitura digital num negócio sustentável foi outro desafio. Helena assume que o caminho foi feito de erros, risco e aprendizagem: “Perdi dinheiro, fiz escolhas erradas, não percebia nada de negócios, mas sou ambiciosa e autodidata. Descobri que podia fazer muito mais do que imaginava”. Essa capacidade de adaptação tornou-se essencial num modelo que vive da confiança dos leitores. “O meu maior receio é crescer e perder autenticidade”, admite, para de seguida garantir: “A qualidade, a curadoria e a relação direta com a comunidade são inegociáveis”.


Sobre o futuro da leitura, Helena é realista. Vê nos audiolivros a próxima grande tendência, não como versões complementares, mas como produtos autónomos, com narradores profissionais e ciclos de vida mais longos. “Vai mudar a forma como consumimos histórias”, prevê. Ao mesmo tempo, mostra reservas em relação ao livro digital, sobretudo pela pirataria e pela falta de mecanismos de proteção. “Enquanto não houver estruturas que salvaguardem os autores, a literatura nacional em formato digital está em risco”.



Sobre empreendedorismo cultural

É uma maratona solitária. “Vamos trabalhar muito e sozinhos, investir tempo e dinheiro, apenas para seguir o propósito. E depois veremos as grandes empresas a replicar as ideias”. O caminho da independência implica resiliência e convicção. “Negócios culturais não atraem investimento porque o retorno é simbólico e intangível”, diz. “Mas o valor que geram — social, cultural e educativo — é incalculável”.


Para o futuro, Helena imagina o Book Gang como uma plataforma mais segmentada, com curadores convidados e parcerias editoriais. Sonha com uma estrutura capaz de “ter parcerias com editores para publicar autoras nacionais” e de criar novas subscrições especializadas. “Gostava de ver o mercado dividir-se em nichos e valorizar a curadoria inteligente”. Por agora, prefere continuar a fazer o caminho passo a passo, um livro de cada vez.


Cinco anos depois, o Book Gang é mais do que um clube de leitura: é um movimento que desafia as estatísticas e reaproxima leitores e livros, tornando-se um exemplo seguido por muitos, uma vez que Helena Magalhães reinventou o modo como se comunica literatura em Portugal. Pela força da comunidade, pela persistência da ideia e pela crença de que a leitura pode, ainda hoje, ser uma forma de mudança.

#Protagonistas

Book Gang: como um clube de leitura se tornou um movimento cultural

Numa era dominada por ecrãs, algoritmos e distrações, a escritora Helena Magalhães criou um clube de leitura que se transformou num fenómeno digital e num negócio de sucesso. Com erros e aprendizagens, mas sobretudo com visão e convicções, construiu uma comunidade fiel, provando que a leitura continua a ter futuro quando se alia à autenticidade, à emoção e a boas histórias.

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27 de nov. de 2025, 11:20

Em 2019, num momento de viragem pessoal e profissional, Helena Magalhães decidiu criar algo que não existia no panorama literário português. Nascia o Book Gang, um projeto que combina curadoria literária, comunidade e comunicação digital para levar livros escritos por mulheres a novos leitores. A ideia surgiu de uma frustração antiga: “As pessoas não liam porque não sabiam o que ler”. A ex-jornalista, cansada de um meio editorial conservador e distante do público, imaginou um modelo de subscrição literária capaz de renovar o entusiasmo pela leitura. Um sistema simples, com uma curadoria próxima e acessível, pensado para chegar às pessoas onde elas passam mais tempo: online.


Desde o início, Helena assumiu o desafio de unir três dimensões: atrair novos leitores, reinventar a comunicação e criar comunidade. O Book Gang nasceu, então, como uma extensão da sua própria curiosidade, focada em descobrir bons livros e partilhá-los. As primeiras escolhas, mais acessíveis e comerciais, tinham um propósito estratégico, o de criar o hábito da leitura. Com o tempo, a curadoria evoluiu, e o selo Book Gang transformou-se numa referência de confiança. “As pessoas liam um, dois, três livros e percebiam que valia a pena arriscar em títulos fora da zona de conforto”, conta.



Helena percebeu cedo que a leitura podia ser um ato coletivo. A comunidade que formou conta mais de 41 mil seguidores no Instagram Não é apenas um grupo de subscritores, é um espaço de pertença: “Hoje as pessoas não compram apenas um produto pelo que ele faz, compram pelo que ele significa”. O Book Gang oferece essa ligação emocional: uma experiência mensal que vai além do livro e dos goodies que o acompanham. Trata-se de um ritual que combina descoberta, empatia e identidade. A autora ouve atentamente o público, adapta a oferta, mostra bastidores, partilha falhas e, assim, construiu uma marca assente na confiança e autenticidade, um verdadeiro case study de como reinventar um negócio altamente tradicional.


A visão de Helena contraria a tendência de um mercado editorial que continua, nas suas palavras, “dominado por nomes masculinos e padrões de legitimidade ligados à alta cultura”. O Book Gang nasceu também como uma forma de equilibrar essa balança, e a decisão de se focar exclusivamente em escritoras não foi apenas estética, foi política. “Queria incentivar à leitura de mulheres e forçar o mercado a mudar a reprodução inconsciente desse padrão”. O impacto foi real: títulos relançados, autoras redescobertas e um público cada vez mais atento à diversidade literária.


Uma questão de compromisso

Esse posicionamento diferenciou o projeto e conferiu-lhe relevância. “Há livros que, depois de entrarem no Book Gang, aumentaram as vendas e ganharam novas edições. Algumas editoras apostaram em títulos porque sabiam que seriam escolhidos para o clube”, diz Helena. A criadora acredita que, apesar das mudanças recentes, o mercado português ainda está longe da paridade. “As mulheres continuam a ter menos oportunidades, e o Book Gang vai continuar a ser feminino e feminista”. 


Transformar um clube de leitura digital num negócio sustentável foi outro desafio. Helena assume que o caminho foi feito de erros, risco e aprendizagem: “Perdi dinheiro, fiz escolhas erradas, não percebia nada de negócios, mas sou ambiciosa e autodidata. Descobri que podia fazer muito mais do que imaginava”. Essa capacidade de adaptação tornou-se essencial num modelo que vive da confiança dos leitores. “O meu maior receio é crescer e perder autenticidade”, admite, para de seguida garantir: “A qualidade, a curadoria e a relação direta com a comunidade são inegociáveis”.


Sobre o futuro da leitura, Helena é realista. Vê nos audiolivros a próxima grande tendência, não como versões complementares, mas como produtos autónomos, com narradores profissionais e ciclos de vida mais longos. “Vai mudar a forma como consumimos histórias”, prevê. Ao mesmo tempo, mostra reservas em relação ao livro digital, sobretudo pela pirataria e pela falta de mecanismos de proteção. “Enquanto não houver estruturas que salvaguardem os autores, a literatura nacional em formato digital está em risco”.



Sobre empreendedorismo cultural

É uma maratona solitária. “Vamos trabalhar muito e sozinhos, investir tempo e dinheiro, apenas para seguir o propósito. E depois veremos as grandes empresas a replicar as ideias”. O caminho da independência implica resiliência e convicção. “Negócios culturais não atraem investimento porque o retorno é simbólico e intangível”, diz. “Mas o valor que geram — social, cultural e educativo — é incalculável”.


Para o futuro, Helena imagina o Book Gang como uma plataforma mais segmentada, com curadores convidados e parcerias editoriais. Sonha com uma estrutura capaz de “ter parcerias com editores para publicar autoras nacionais” e de criar novas subscrições especializadas. “Gostava de ver o mercado dividir-se em nichos e valorizar a curadoria inteligente”. Por agora, prefere continuar a fazer o caminho passo a passo, um livro de cada vez.


Cinco anos depois, o Book Gang é mais do que um clube de leitura: é um movimento que desafia as estatísticas e reaproxima leitores e livros, tornando-se um exemplo seguido por muitos, uma vez que Helena Magalhães reinventou o modo como se comunica literatura em Portugal. Pela força da comunidade, pela persistência da ideia e pela crença de que a leitura pode, ainda hoje, ser uma forma de mudança.

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